EPISODE · Dec 20, 2021 · 21 MIN
Andando na Luz: Amor ou Tolerância? (2 João) #rpsp
from Reavivados por Sua Palavra
Nesta passagem se ilustra claramente o perigo que João via nos falsos mestres. Não se devia recebe-los; era preciso fechar-lhes a porta na cara; e negar-lhes hospitalidade seria a melhor maneira de pôr termo a operações desses mestres ambulantes. João vai mais longe ainda: nem sequer se devia saúda-los na rua. Saudá-los era como mostrar a outros que a pessoa simpatizava com eles; deve mostrar-se claramente a todo mundo que a Igreja não tem entendimentos nem tolerância com aqueles cujos ensinos destroem a fé. Esta passagem parece à primeira vista contrariar tudo o que o próprio João disse sobre o amor e a caridade cristãos. Temos que lembrar a situação. Houve uma época em que a fé dos cristãos poderia ter sido afogada e destruída pelas especulações dos hereges com sua pseudofilosofia. A própria existência da fé estava em perigo. Foi uma situação de perigo que não tem paralelos na civilização ocidental. A Igreja não ousava nem sequer parecer que contemporizava com essa destruidora corrosão da fé. Esses enganadores estão negando a realidade da encarnação e negando em conseqüência que Deus pode entrar na vida do homem. Se Deus só pudesse entrar na vida como um fantasma imaterial, o corpo estaria desprezado para sempre; não poderia existir nunca comunhão verdadeira entre o divino e o humano; não poderia haver salvação, pois Ele teve que fazer-se o que nós somos para nos fazer o que Ele é. Nos versículos 8 e 9, sob as palavras de João ouvimos as afirmações dos falsos mestres. Eles pretendem estar desenvolvendo o cristianismo; afirmam que o estão expressando em termos novos e melhores; que estão descobrindo com maior autenticidade o que ele significa. João insiste em que estão destruindo o cristianismo, minando o fundamento que foi posto e sobre o qual tudo deve edificar-se. O versículo 9 é extremamente interessante e significativo. traduzimos a primeira frase todo aquele que ultrapassa. O grego é proagón. O verbo significa ir adiante, ir na frente. Os falsos mestres diziam que eles iam na frente, que eram progressistas, que eram pensadores de vanguarda, que eram homens de mente aberta e aventureira. O próprio João era um dos mais aventurados pensadores do Novo Testamento. Mas ele insiste em que, por mais que alguém possa avançar, deve permanecer nas ensinos de Jesus Cristo, ou perderá contato com Deus. Esta é a grande verdade. João não está condenando o progresso do pensamento; tampouco está dizendo que a doutrina cristã seja algo estático, à margem de todo progrido; o que diz é que Jesus Cristo deve ser a pedra de toque de todo pensamento, e que quem se afasta de Jesus Cristo se afasta da verdade. João diria: "Pensem — mas que Jesus Cristo guie seus pensamentos. Pensem — e quando tiverem suas próprias idéias ponham-nas à luz de Jesus Cristo, e à luz da imagem que de Jesus Cristo nos dá o Novo Testamento". O cristianismo não é uma teosofia nebulosa, indefinida, descontrolada; está ancorado eternamente na figura histórica de Jesus Cristo. E, não obstante, citando novamente a C. H. Dodd, uma tolerância muito indulgente nunca pode ser suficiente. "O problema é achar uma maneira de viver com aqueles cujas convicções diferem das nossas com relação às questões mais importantes, sem quebrantar a caridade nem ser infiéis à verdade". Ali é onde o amor deve achar um caminho. A melhor maneira de destruir a nossos inimigos — disse Abraão Lincoln — é convertê-los em nossos amigos. Nunca devemos contemporizar com os mestres do erro, mas jamais estaremos livres da obrigação de procurar conduzi-los à verdade. BARCLAY, The Second Letter of John.
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