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EPISODE · Apr 1, 2026 · 36 MIN

Apostamos em tudo, do futebol às eleições. Há uma epidemia de “gambling”? — Como Assim

from Como Assim · host Inês Rocha/ #ComoAssim / PÚBLICO

No final da última década, apostar deixou de significar ir ao casino, escolher uma slot machine ou sentar‑se à mesa a jogar cartas. Hoje, basta um telemóvel, um tablet, um relógio digital. Do futebol às criptomoedas, das loot boxes nos videojogos aos mercados de previsão, o acto de apostar entrou em quase todas as esferas da cultura digital — mesmo que não lhe chamemos “jogo”. Mas que fenómeno é este que transforma videojogos, mercados, eleições e tendências num mesmo circuito de risco e recompensa, alimentado por figuras públicas, equipas desportivas e plataformas online? E que efeito tem tudo isto numa geração que cresce com notificações constantes e promessas de ganhos imediatos? Neste episódio do podcast Como Assim, mergulhamos num fenómeno que se tornou quase omnipresente e já há uma expressão para isso: a “gamblificação” da sociedade — e procuramos perceber o impacto que isso está a ter na cultura, no desporto e na saúde pública. A psiquiatra Inês Homem de Melo, especialista em comportamentos aditivos, explica que a acessibilidade é meio caminho andado para o vício: quando a “droga de eleição” está sempre no bolso, a barreira à experimentação desaparece. O psicólogo Pedro Hubert, coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador, tem visto a idade dos apostadores que lhe aparecem no consultório diminuir a olhos vistos. Muitos começaram nos videojogos e acabam a apostar nos mercados financeiros. Entretanto, entre 2020 e 2025, as receitas brutas do jogo online cresceram 258%, de 336,4 milhões para 1206 milhões de euros. O maior crescimento foi nos jogos de sorte e azar, que registaram uma subida de 334%; mas as apostas desportivas também subiram significativamente (178%). E a ligação entre casas de apostas e clubes tornou‑se tão profunda que, hoje, treze das 18 equipas da primeira liga exibem casas de apostas na frente da camisola; as restantes na manga. Para o investigador Marcelo Moriconi, do ISCTE, esta simbiose está a transformar a forma como consumimos desporto: “é muito difícil consumir desporto sem receber incentivos para apostar”, diz. No final, a pergunta inevitável é: onde fica a regulação no meio disto tudo? É possível e vale a pena regular? E como podemos fazê-lo? Neste episódio ouvimos também Bernardo Neves, secretário-geral da APAJO - Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online, e Luís Pisco, jurista da Deco. Siga o podcast #ComoAssim e receba cada episódio quinzenalmente, à quarta-feira no Spotify, na Apple Podcasts ou noutras aplicações para podcasts. Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para [email protected] omnystudio.com/listener for privacy information.

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