Ativismo & militância digital episode artwork

EPISODE · Oct 26, 2019 · 1H 28M

Ativismo & militância digital

from Mamilos · host B9

Militância e ativismo são metodologias usadas para o mesmo fim: agir em conjunto para interferir nas normas. Porém, tratam-se de metodologias diferentes e, portanto, produzem efeitos diferentes em quem as usa. Não precisa pensar muito para perceber a aproximação entre as palavras militância e militar. Militar requer disciplina. Isso envolve regras rígidas, controle, padronização, repetição, hierarquia e regularidade. O militante é aquela pessoa que se convence de que não adianta se mobilizar em apenas alguns momentos, mas permanentemente. Dedica parte do seu dia a dia a se organizar com outros para conquistar apoio a uma causa, seja uma mudança local em seus bairros, seja uma transformação global como a luta ambiental – ou ambas as coisas de forma articulada. Um exemplo são partidos políticos, sindicatos, movimentos religiosos e torcidas organizadas. Em contrapartida, ativistas como o Movimento Passe Livre em 2013, feministas, coletivos negros, protetores de animais, e outros diversos  têm preferido arranjos descentralizados, nos quais a liderança e as decisões são partilhadas entre muitos. Eles vêm usando as novas tecnologias de comunicação e informação para dar corpo a suas ações e têm na ideia de redes seu modelo organizativo estratégico. Neles a importância da agência, da criatividade e das necessidades singulares imediatas são reconhecidas e valorizadas.  A internet amplificou muito o alcance desses grupos, mas nos últimos anos, o cenário está mais difícil. Antes de 2014, o que você postava em uma página do Facebook aparecia automaticamente para mais de 12% de seus curtidores. Quem produzia mensagens relevantes mobilizava uma base, atraía cada vez mais seguidores e organicamente conseguia criar uma onda que podia varrer toda a rede. A partir de 2014, esse número passou para cerca de 6%. Em 2016, o número de pessoas para quem a postagem é entregue chegou a 2% e continua reduzindo. E essa é a tendência das outras redes sociais. Quer que mais gente tenha acesso a seu conteúdo no Facebook? Pague. Hoje quem não paga pelo conteúdo está fadado a ter uma visibilidade quase nula. Vai abrir um canal no YouTube? Hoje em dia, as chances de se tornar relevante sem se enquadrar nas regras da rede são mínimas. Você até posta o que quiser, mas seu conteúdo não vai passar na “cláusula de barreira”.  Nesse cenário, influenciadores, que conversam com um grande público aumentam sua relevância pois oferecem uma forma de continuar alcançando  as pessoas de forma orgânica. Mas não é uma tarefa fácil, eles estão expostos a constante escrutínio, sobrevivendo em um ambiente CANCELAMENTOS. Já falamos aqui sobre a pobreza das conversas que acontecem em 280 caracteres, com os incentivos dos algoritmos para a lacração. Nesse contexto, como já dizia Dilma Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder.  Eu já fui cancelada, a Cris já foi cancelada. Essa semana uma das grandes discussões de cancelamento girou em torno da história de que Raul Seixas entregou Paulo Coelho para os torturadores da ditadura. Na velocidade do som, o músico foi cancelado por uma horda. Chegou ao ponto do próprio Paulo Coelho defender o amigo: é admirável quem consegue proteger os seus mesmo sob tortura. Mas não existe honra em  julgarmos pessoas do quentinho dos nossos sofás sem compreender os contextos.  No final das contas, militância ou ativismo de sofá, funcionam? Qual é o impacto desse tipo de articulação na política e na cultura, e no atendimento de metas concretas de curto, médio ou longo prazo? Pra conversar sobre isso reunimos três perfis de mulheres que apoiam causas em redes sociais. ======== FALE CONOSCO . Email: [email protected] . Facebook: aqui . Twitter: aqui ======== CONTRIBUA COM O MAMILOS Quem apoia o Mamilos ajuda a manter o podcast no ar e ainda recebe toda semana um apanhado das notícias mais quentes do jeito que só o Mamilos sabe fazer. É só R$9,90 por mês! Corre ler, quem assina tá recomendando pra todo mundo. https://www.catarse.me/mamilos ======== EQUIPE MAMILOS Edição – Caio Corraini Produção – Beatriz Fiorotto Apoio à pauta – Jaqueline Costa e grande elenco Publicação – B9 Company ======== CAPA A capa dessa semana é de autoria de Johnny Brito.

Militância e ativismo são metodologias usadas para o mesmo fim: agir em conjunto para interferir nas normas. Porém, tratam-se de metodologias diferentes e, portanto, produzem efeitos diferentes em quem as usa. Não precisa pensar muito para perceber a aproximação entre as palavras militância e militar. Militar requer disciplina. Isso envolve regras rígidas, controle, padronização, repetição, hierarquia e regularidade. O militante é aquela pessoa que se convence de que não adianta se mobilizar em apenas alguns momentos, mas permanentemente. Dedica parte do seu dia a dia a se organizar com outros para conquistar apoio a uma causa, seja uma mudança local em seus bairros, seja uma transformação global como a luta ambiental – ou ambas as coisas de forma articulada. Um exemplo são partidos políticos, sindicatos, movimentos religiosos e torcidas organizadas. Em contrapartida, ativistas como o Movimento Passe Livre em 2013, feministas, coletivos negros, protetores de animais, e outros diversos  têm preferido arranjos descentralizados, nos quais a liderança e as decisões são partilhadas entre muitos. Eles vêm usando as novas tecnologias de comunicação e informação para dar corpo a suas ações e têm na ideia de redes seu modelo organizativo estratégico. Neles a importância da agência, da criatividade e das necessidades singulares imediatas são reconhecidas e valorizadas.  A internet amplificou muito o alcance desses grupos, mas nos últimos anos, o cenário está mais difícil. Antes de 2014, o que você postava em uma página do Facebook aparecia automaticamente para mais de 12% de seus curtidores. Quem produzia mensagens relevantes mobilizava uma base, atraía cada vez mais seguidores e organicamente conseguia criar uma onda que podia varrer toda a rede. A partir de 2014, esse número passou para cerca de 6%. Em 2016, o número de pessoas para quem a postagem é entregue chegou a 2% e continua reduzindo. E essa é a tendência das outras redes sociais. Quer que mais gente tenha acesso a seu conteúdo no Facebook? Pague. Hoje quem não paga pelo conteúdo está fadado a ter uma visibilidade quase nula. Vai abrir um canal no YouTube? Hoje em dia, as chances de se tornar relevante sem se enquadrar nas regras da rede são mínimas. Você até posta o que quiser, mas seu conteúdo não vai passar na “cláusula de barreira”.  Nesse cenário, influenciadores, que conversam com um grande público aumentam sua relevância pois oferecem uma forma de continuar alcançando  as pessoas de forma orgânica. Mas não é uma tarefa fácil, eles estão expostos a constante escrutínio, sobrevivendo em um ambiente CANCELAMENTOS. Já falamos aqui sobre a pobreza das conversas que acontecem em 280 caracteres, com os incentivos dos algoritmos para a lacração. Nesse contexto, como já dizia Dilma Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder.  Eu já fui cancelada, a Cris já foi cancelada. Essa semana uma das grandes discussões de cancelamento girou em torno da história de que Raul Seixas entregou Paulo Coelho para os torturadores da ditadura. Na velocidade do som, o músico foi cancelado por uma horda. Chegou ao ponto do próprio Paulo Coelho defender o amigo: é admirável quem consegue proteger os seus mesmo sob tortura. Mas não existe honra em  julgarmos pessoas do quentinho dos nossos sofás sem compreender os contextos.  No final das contas, militância ou ativismo de sofá, funcionam? Qual é o impacto desse tipo de articulação na política e na cultura, e no atendimento de metas concretas de curto, médio ou longo prazo? Pra conversar sobre isso reunimos três perfis de mulheres que apoiam causas em redes sociais. ======== FALE CONOSCO . Email: [email protected] . Facebook: aqui . Twitter: aqui ======== CONTRIBUA COM O MAMILOS Quem apoia o Mamilos ajuda a manter o podcast no ar e ainda recebe toda semana um apanhado das notícias mais quentes do jeito que só o Mamilos sabe fazer. É só R$9,90 por mês! Corre ler, quem assina tá recomendando pra todo mundo. https://www.catarse.me/mamilos ======== EQUIPE MAMILOS Edição – Caio Corraini Produção – Beatriz Fiorotto Apoio à pauta – Jaqueline Costa e grande elenco Publicação – B9 Company ======== CAPA A capa dessa semana é de autoria de Johnny Brito.

NOW PLAYING

Ativismo & militância digital

0:00 1:28:55

No transcript for this episode yet

We transcribe on demand. Request one and we'll notify you when it's ready — usually under 10 minutes.

Todos os Caminhos Globoplay Algumas dúvidas universais só encontram lugar nas conversas promovidas pela espiritualidade. Temas como a morte, o perdão, a esperança, o equilíbrio, a justiça e o sofrimento estão presentes no nosso dia a dia. No podcast Todos os Caminhos vamos refletir e trocar ideias sobre esses assuntos, nos pautando pela paz e pela fé. Vamos ouvir vozes das mais diversas manifestações religiosas do Brasil, que de um jeito ou de outro, fazem parte das nossas vidas, até mesmo daqueles que nem seguem uma religião. Vamos juntos percorrer Todos os Caminhos? Apresentado por Flavia Virginia, Padre Julio Lancellotti e Lama Padma Samten, com convidados semanais.Ficha técnica:Todos os Caminhos é um podcast Globoplay, com planejamento de Mamilos e produção da Angel Produções. A direção é de Angela Rezé. A produção executiva é de Lucas Mandacaru. Pesquisa de pauta e roteiros são feitos por Eduardo Bonine e Eduardo Correa. A edição é feita por Caio Corraini. Os retratos dos participantes e o making of s Crônicas de um Cuidado Globoplay Uma jornada investigativa para dentro de nós em busca de responder à pergunta: como cuido de mim? Um programa pra conversar sobre saúde mental além do raso: partindo de múltiplas vivências, apresentando diferentes linhas de tratamentos e explorando as nuances de viver e conviver com transtornos mentais. Esse é o podcast Crônicas de um Cuidado, um spin-off do Mamilos, comandado por Cris Bartis e produzido por Ju Wallauer. Uma co-criação Globoplay e Mamilos. Novos episódios toda quarta-feira. Podcast Senso Comum Gulak Senso Comum, algo incomum hoje em dia.Assuntos mais polêmicos que mamilos! Nosso Sangue É provável que você já tenha dito, ou ouvido, frases como: “mulher menstruada não pode arrumar a cama porque quem deitar ficará doente”; que conheça o significado de expressões como “tô de chico” e até já tenha pensado, involuntariamente, que uma mulher, quando está nervosa ou expressa emoções mais intensas, deve estar “naqueles dias”.Mas já se perguntou de onde vem tanto sentimento negativo acerca da menstruação Será que menstruar precisa sempre estar associado a sujeira ou à vergonha, como um ato que deve ser escondido? O que será que tem de preconceito, e o que tem de verdade nessa conversa? E quais são as outras formas de lidar com a menstruação?Nosso Sangue é uma série documental em 4 episódios, criada pelo Mamilos com apoio da Sempre Livre, para mergulhar fundo e trazer um pouco mais de embasamento e novas perspectivas para lidarmos com a menstruação em todas as esferas da vida. <p style='col

Frequently Asked Questions

How long is this episode of Mamilos?

This episode is 1 hour and 28 minutes long.

When was this Mamilos episode published?

This episode was published on October 26, 2019.

What is this episode about?

Militância e ativismo são metodologias usadas para o mesmo fim: agir em conjunto para interferir nas normas. Porém, tratam-se de metodologias diferentes e, portanto, produzem efeitos diferentes em quem as usa. Não precisa pensar muito para perceber...

Can I download this Mamilos episode?

Yes, you can download this episode by clicking the download button on the episode player, or subscribe to the podcast in your preferred podcast app for automatic downloads.
URL copied to clipboard!