EPISODE · Sep 25, 2024 · 1H
Bem Viver desta quarta-feira (25) destaca documentário sobre Antônio Cândido
from Conversa Bem Viver · host Brasil de Fato
Estreia nesta quinta-feira (26) o documentário Antonio Cândido, Anotações Finais, de Eduardo Escorel, com narração de Matheus Nachtergaele. O longa foi construído a partir de diários escritos pelo sociólogo e crítico literário nos últimos momentos de vida, entre 2015 e 2017, quando chegou a completar 98 anos. “O ineditismo desses cadernos me atraiu muito. E eu tive a autorização das três filhas dele para ler esses cadernos que ninguém tinha lido. Os cadernos que ele deixou, a grande maioria, até hoje ninguém leu, tem uma parte que uma das filhas leu”, revela Escorel, em entrevista ao programa Bem Viver desta quarta-feira (25). Os escritos de Cândido são interpretados por Nachtergaele, enquanto imagens preenchem o documentário dando contexto às ideias e interpretações de notícias que atingiam o Brasil naquele momento, como o golpe sofrido por Dilma Rousseff, iniciado em 2015 com a abertura do processo de impeachment por Eduardo Cunha (Republicanos-RJ). “E, no fundo, eu tenho a impressão de que, talvez, o filme possa revelar o ser humano extraordinário e intelectual que ele foi, para não dizer único, como poucos no Brasil. Me parece que nós temos poucos seres humanos e intelectuais à altura dele”, defende Escorel, que atua no cinema há décadas, principalmente como montador, tendo participado de clássicos nacionais como Terra em Transe, de Glauber Rocha, e Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade. Nascido no Rio de Janeiro, em 1916, Antonio Cândido se tornou um dos mais célebres sociólogo e crítico literário do país, conquistando o título de professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), além de doutor honoris causa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade da República do Uruguai. Cândido esteve na fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) na década de 1980, e seguiu próximo à sigla durante momento decisivos, como a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, e também de Dilma, em 2010. Em um dos escritos, divulgados no filme, abalado pelo avanço do impeachment contra Dilma e a pressão contra PT e Lula, Cândido escreve: “Chego a pensar que tanto o partido, quanto sua principal figura já cumpriram a missão histórica que lhes coube, ao tirar da pobreza absoluta a quantidade de brasileiros que tiraram.” “Por isso, penso e digo que Lula não deve ser avaliado do ponto de visto político ecônomico nem ético, mas do ponto de vista histórico, como o homem que presidiu aquela missão que atenuou sensivelmente a situação de iniquidade econômica e social, que é a vergonha do Brasil.” Outro ponto que Cândido dedicou muito dos seus escritos no final da vida foi sobre o racismo no Brasil. “Nunca chegamos a avaliar corretamente que no Brasil o alvo de luta social, antes de mais nada, é o negro, o grande excluído até hoje. Esquecemos que no Brasil, o trabalhador durante séculos foi o escravo, e que a solução obnubilada foi, depois da abolição, descartá-lo ao invés de incorporá-lo. Esse é o drama social fundamental que deveria ter sido a mola de um social...
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Estreia nesta quinta-feira (26) o documentário Antonio Cândido, Anotações Finais, de Eduardo Escorel, com narração de Matheus Nachtergaele. O longa foi construído a partir de diários escritos pelo sociólogo e crítico literário nos últimos momentos de vida, entre 2015 e 2017, quando chegou a completar 98 anos. “O ineditismo desses cadernos me atraiu muito. E eu tive a autorização das três filhas dele para ler esses cadernos que ninguém tinha lido. Os cadernos que ele deixou, a grande maioria, até hoje ninguém leu, tem uma parte que uma das filhas leu”, revela Escorel, em entrevista ao programa Bem Viver desta quarta-feira (25). Os escritos de Cândido são interpretados por Nachtergaele, enquanto imagens preenchem o documentário dando contexto às ideias e interpretações de notícias que atingiam o Brasil naquele momento, como o golpe sofrido por Dilma Rousseff, iniciado em 2015 com a abertura do processo de impeachment por Eduardo Cunha (Republicanos-RJ). “E, no fundo, eu tenho a impressão de que, talvez, o filme possa revelar o ser humano extraordinário e intelectual que ele foi, para não dizer único, como poucos no Brasil. Me parece que nós temos poucos seres humanos e intelectuais à altura dele”, defende Escorel, que atua no cinema há décadas, principalmente como montador, tendo participado de clássicos nacionais como Terra em Transe, de Glauber Rocha, e Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade. Nascido no Rio de Janeiro, em 1916, Antonio Cândido se tornou um dos mais célebres sociólogo e crítico literário do país, conquistando o título de professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), além de doutor honoris causa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade da República do Uruguai. Cândido esteve na fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) na década de 1980, e seguiu próximo à sigla durante momento decisivos, como a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, e também de Dilma, em 2010. Em um dos escritos, divulgados no filme, abalado pelo avanço do impeachment contra Dilma e a pressão contra PT e Lula, Cândido escreve: “Chego a pensar que tanto o partido, quanto sua principal figura já cumpriram a missão histórica que lhes coube, ao tirar da pobreza absoluta a quantidade de brasileiros que tiraram.” “Por isso, penso e digo que Lula não deve ser avaliado do ponto de visto político ecônomico nem ético, mas do ponto de vista histórico, como o homem que presidiu aquela missão que atenuou sensivelmente a situação de iniquidade econômica e social, que é a vergonha do Brasil.” Outro ponto que Cândido dedicou muito dos seus escritos no final da vida foi sobre o racismo no Brasil. “Nunca chegamos a avaliar corretamente que no Brasil o alvo de luta social, antes de mais nada, é o negro, o grande excluído até hoje. Esquecemos que no Brasil, o trabalhador durante séculos foi o escravo, e que a solução obnubilada foi, depois da abolição, descartá-lo ao invés de incorporá-lo. Esse é o drama social fundamental que deveria ter sido a mola de um social...
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