EPISODE · Sep 7, 2012 · 6 MIN
Crise. Para quem?
from Podcast do Leo · host Leonardo de Freitas Alves
Desde há cerca de três anos que a crise europeia tem sido sentida, gradualmente nos diferentes países comunitários, principalmente naqueles com economias mais frágeis e com maior dependência de capital externo, como Grécia, Irlanda e Portugal. Mais recentemete, também começaram 'a meter água', países com economias mais fortes e supostamente estáveis, como Espanha e Itália, os quais, devido as suas respetivas importâncias no contexto europeu, efetuaram pressão sobre a cúpula administrativa da CEE, no sentido de que pudessem ver aliviadas as consequências econômicas sentidas por suas populações. Estas consequências econômicas estão a afetar, e de que maneira, os sistemas de saúde, a educação, a cultura e a qualidade de vida das pessoas, chegando ao ponto de termos visto aumentar de maneira assustadora, as taxas de suicídio na Grécia e muito provavelmente, também em Portugal, onde resido, embora não tenha visto nenhuma informação oficial nesse sentido. As pessoas, em Portugal, passaram a viver ainda mais voltadas para dentro de si, enclausuradas em suas tristezas e depressões, com baixos níveis de perspectiva positiva para o amanhã, principalmente para os jovens, que se ressentem muito com as (im)possibilidades de acesso ao primeiro emprego, e não apenas. Quando começo a ver um jornal português, tenho que ter o cuidado, caso não queira, também, ser 'agarrado' pela tristeza e depressão, de, ou mudar de canal ou continuar assinstindo ao dito jornal, mas apenas com 'olhos de ver', pois senão, acaba-se por entrar nesta roda viva, a princípio e aos olhos do povo, sem nenhuma saída à vista. Na saúde, há enormes listas de pessoas que esperam há anos para ser serem operadas, chegando-se, em algumas situações, que poderiam ser vistas como cômicas, se não fossem trágicas: já aconteceu de uma pessoa destas filas de espera, ser chamada para ser operada, mas a mesma já ter falecido devido, justamente, por causa da doença para à qual aguardava à espera de uma possível cura ou tratamento cirúrgico. Ou seja, embora tenham sido construídos alguns hospitais, com aparente qualidade, muitos outros hospitais, centros de saúde e urgências foram encerrados. Há cada vez mais uma carência no número de médicos para o atendimento em serviços públicos em Portugal. Carência esta, que o governo tenta superar, contratando médicos e enfermeiros do estrangeiro, principalmente, da Espanha, mas também de alguns países do leste europeu, Cuba e Brasil. Em relação a educação, a situação também não é menos má do que a da saúde, rondando, já neste início de ano letivo, os 43.000 professores, que ficaram desempregados, por não terem sido colocados para lecionar, no concurso de acesso a professores, do Ministério da Educação de Portugal, isto, sem mencionar o desinvestimento gradual que se tem vindo a efutuar, ao nível da formação adequada e ao longo da vida, dos professores, assim como, no achatamento salarial, transformando a classe docente, de forma gradual, em professores com pouca qualificação pedagógica, com pouco prestígio perante os encarregados de educação (pais, mães, avós, avôs, etc), profissionais com altos níveis de desmotivação e com salários cada vez mais baixos, visto que, já não lembro há quantos anos não ocorre algum aumento salarial. Apenas a diminuição dos salários de todos funcionários públicos com vencimentos superiores a € 1.000,00. E assim andamos todos (ou quase todos!) nós: «um passo para a frente, e dois para trás!» É de se salientar que a crise é para todos! Ou, para quase todos! Porém, acredito, piamente, que hajam saídas e bos saídas, além da imigração de jovens trabalhadores de Portugal. Não é necessário inteligente e perspicaz para perceber que a maior de todas as saídas, para se permanecer nos países afetados, e não apenas os europeus, é a Internet. As inúmeras oportunidades que oferece a quem tiver a ousadia de quere mudar. Principalmente de atitude!
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