EPISODE · Dec 10, 2021 · 14 MIN
Cristo, nossa esperança em tempos de dor: Compartilhando o Sofrimento (1 Pedro 4) #rpsp
from Reavivados por Sua Palavra
No estudo que fiz da Bíblia, chamou-me a atenção uma mudança radical nas atitudes de seus autores quanto ao sofri- mento, uma mudança que tem origem diretamente na cruz. Quando os escritores do Novo Testamento falam de tempos difíceis, nada expressam da indignação que caracterizou Jó, os profetas e muitos dos salmistas. Não oferecem qualquer explicação concreta para o sofrimento, mas ficam apontando para dois acontecimentos — a morte e a ressurreição de Jesus — como se eles formassem uma espécie de resposta pictográfica. A fé dos apóstolos, como admitiram livremente, repousava totalmente no que acontecera no Domingo de Páscoa, quando Deus transformou a maior tragédia de toda a história, a execução de seu Filho, num dia que hoje comemoramos como a Sexta-Feira Santa. Aqueles discípulos, que fitaram a cruz desde as sombras, logo aprenderam o que tinham deixado de aprender nos três anos com seu líder: Quando Deus parece ausente, pode estar mais perto do que nunca. Quando Deus parece morto, pode estar tornando a viver. O padrão de três dias — tragédia, trevas, triunfo — tornou-se para os escritores do Novo Testamento um gabarito que se pode aplicar a todos os nossos momentos de teste. Podemos olhar para trás, para Jesus, a prova do amor de Deus, muito embora talvez jamais obtenhamos uma resposta para o nosso "Por quê?" A Sexta- Feira Santa demonstra que Deus não nos abandonou em nossa dor; ele também está "aflito... oprimido''. Naquele dia o próprio Jesus experimentou o silêncio de Deus — foi o Salmo 22, não o 23, que ele citou na cruz. E o Domingo de Páscoa mostra que, no final, o sofrimento não vai triunfar. Assim sendo, "tende por motivo de toda a alegria o passardes por várias provações", escreve Tiago; e "nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações", escreve Pedro; e "agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós", escreve Paulo. Os apóstolos passam então a explicar qual o bem que pode resultar de tal "sofrimento redimido": maturidade, sabedoria, fé autêntica, perseverança, caráter e muitas recompensas vindouras. Por que regozijar-se? Não por causa da sensação masoquista da própria tribulação, mas porque aquilo que Deus fez em grande escala no Domingo de Páscoa ele pode fazer em pequena escala em favor de cada um de nós. As aflições de que se ocupam Tiago, Pedro e Paulo provavelmente teriam desencadeado uma grande crise de fé no Antigo Testamento. Mas os escritores do Novo Testamento vieram a crer que, no dizer de Paulo, "todas as cousas cooperam para o bem". Aquele texto bem conhecido é freqüentemente distorcido. Algumas pessoas interpretam seu significado como sendo: "Só coisas boas acontecerão àqueles que amam a Deus." Paulo quis dizer exatamente o oposto, e já no parágrafo seguinte ele define o tipo de coisas que podemos esperar: tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada. Paulo suportou tudo isso. No entanto ele insiste que "em todas estas cousas, porém, somos mais que vencedores"; por maior que seja a dificuldade, ela não pode nos separar do amor de Deus. É uma questão de tempo, afirma Paulo. Apenas aguarde: o milagre de Deus transformar uma sexta-feira sombria, silenciosa, em Domingo de Páscoa será algum dia ampliado numa escala cósmica. YANCEY, Decepcionado com Deus.
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