EPISODE · Dec 9, 2021 · 33 MIN
Cristo, nossa esperança em tempos de dor: O Novo Modo de Vida (1 Pedro 3) #rpsp
from Reavivados por Sua Palavra
Aqui é como se Pedro reunisse as grandes qualidades da vida cristã. (1) Em primeiro termo o apóstolo coloca a unidade cristã. O fundamento de todo este ensino encontra-se nas palavras de Jesus quando orou pelos seus para que fossem um; para que aperfeiçoassem a unidade entre eles, para que chegassem assim a ser um, como ele e o Pai eram um (João 17:21-23). Nos memoráveis e comovedores primeiros dias da Igreja esta oração se cumpriu porque eram todos de um coração e uma alma (Atos 4:32). Através de todo o Novo Testamento ressoa esta alegação por escrito em favor da unidade cristã. É mais que um alegação por escrito; é o anúncio de que o seguidor de Cristo não pode viver a vida cristã a menos que em suas relações pessoais esteja em unidade com seus irmãos; e que a Igreja não pode ser cristã se dentro dela houver divisões. É trágico comprovar quão longe estão os homens de praticar esta unidade em suas vidas pessoais e quão longe está a Igreja de praticá-la dentro de si mesma. (2) Em segundo lugar Pedro assinala a simpatia. Também nisto o Novo Testamento requer de nós o cumprimento deste dever. Temos que alegrar-nos com os que se alegram e chorar com os que choram (Romanos 12:15). Quando um membro do corpo sofre, todos os outros membros sofrem junto com ele; quando se honra a um membro do corpo, todos os outros membros se alegram por isso (1 Coríntios 12:26), e assim tem que suceder com os cristãos que são membros do corpo. Uma coisa está clara: a simpatia e o egoísmo não podem conviver. Enquanto o ego siga sendo o mais importante não poderá haver tal coisa como simpatia. A simpatia depende da vontade de esquecer o ego, de sair de si mesmo, identificando-se com as dores e as tristezas de outros. A simpatia chega ao coração quando Cristo reina dentro dele. (3) Em terceiro lugar estabelece o amor fraternal. Também nisto o ensino se remonta às palavras de Jesus: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros ... Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13:34-35). A simples realidade é que o amor de Deus e o amor do homem são inseparáveis: um não pode existir sem o outro. Se na vida de uma pessoa ou na vida de uma Igreja não há amor ao próximo, nessa Igreja ou nessa pessoa não existe o verdadeiro amor de Deus. A maneira mais simples de provar nossa religião é verificar se ela nos faz amar ao próximo. (4) Em quarto lugar, Pedro coloca a compaixão. Há um sentido no qual a piedade corre o perigo de tornar-se uma virtude extinta. As condições da vida moderna, especialmente em nossa época, tendem a nos fazer insensíveis com relação à compaixão. Por exemplo, podemos nos inteirar de que num só dia se produziram acidentes de trânsito com mais de mil mortos e feridos. Escutamos coisas como estas sem a menor reação em nossos corações. Esquecemos que cada uma dessas vítimas significa um corpo mutilado ou várias vidas enlutadas. Nas condições da existência a esta altura do século XXI é fácil que se nos embote a piedade. E mais fácil ainda é que nos sintamos satisfeitos com um sentimentalismo que experimenta uma espécie de cômoda tristeza momentânea mas que não faz nada concreto para remediar o mal A piedade é a própria essência de Deus, a compaixão é o próprio ser de Jesus Cristo; é essa uma piedade tão grande que Deus chegou ao extremo de enviar o seu Filho unigênito para que morresse pela humanidade, uma piedade tão intensa que levou a Cristo a dar sua vida na cruz. Em resumo: não pode haver cristianismo se não houver compaixão. BARCLAY, The First Letter of Peter
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