EPISODE · Jan 24, 2022 · 14 MIN
Criticando Filmes "Matrix"
from Criticando Filmes · host Criticando Filmes
“Matrix” estreou em 1999 com enorme sucesso de público e crítica, fascinando por seus incríveis efeitos especiais e roteiro questionador. Mas o que diabos é Matrix com “xis”? A Matrix é uma simulação da realidade, a qual as pessoas são prisioneiras. Uma espécie de jogo “The Sims” de mundo aberto, só que bem real. Nessa “sandbox” você sonha, trabalha, se casa, e aparentemente é feliz. Ela, na verdade, retira a liberdade dos humanos. No filme ela foi criada por máquinas sencientes com o intuito de iludir os seres humanos, enquanto o calor e a atividade elétrica de seus corpos se tornam fonte de alimentação, ou seja, “papinha das máquinas”. Neo, a personagem de Keanu Reeves passa então pela experiência de saída dessa simulação para viver a realidade. E tudo o que ele precisa fazer é seguir seres góticos, que lhe prometem somente a verdade, e escolher o viagra (pílula azul) ao invés da vermelha (Advil). A base do roteiro é uma atualização do Século XX para o “Mito da Caverna de Platão”. As tentativas da criação de Inteligência Artificial aprimorada, resultaram na extinção de boa parte das cidades da Terra e da vida humana. Interpretado com maestria por Laurence Fishburne, a personagem Morpheus fala que, embora Neo ache que está em 1.999, o ano real é 2.199. Morfeu é o deus do sonho na mitologia grega. Na obra, alguns humanos, que despertaram da Matrix, já vem com uma espécie de entrada USB redondo na nuca, como item de série, e estão aptos a se conectarem à simulação. Eles vivem em naves e, de vez em quando, são atacados por máquinas chamadas Sentinelas. Embora não apareça no primeiro filme, Zion é uma colônia real de sobreviventes que fica nas profundezas, próximo ao núcleo terrestre. O destino de Morpheus é encontrar “o escolhido”, um ser humano que segundo a profecia, tem habilidades especiais - como a de um super-herói - e libertará a humanidade da Matrix. Trinity é uma hacker que auxilia Morpheus e também busca pelo escolhido. sobre aspectos técnicos, a fotografia de Matrix é triunfante e eficiente. Boa parte dos louros vai para as diretoras, pela realização de storyboards em seu estudo “frame a frame” das cenas de ação e planos de câmera. Quanto às cores, quando a fotografia de cena está verde, é porque as personagens estão dentro da Matrix. Quando está azul, na realidade - dentro da nave. Quando é tudo claro ou branco, na pré-simulação. O som é bem capturado e os efeitos aplicados levam a uma experiência bem completa. Embora sem muitas experiências na cadeira de direção, as irmãs Wachowski dirigiram muito bem o longa. As cenas de luta são muito bem coreografadas e as de ação fluem bem, claro, com contexto de algo irreal. O filme possui certos erros de continuidade, mas que de forma alguma estraga a experiência. Keanu Reeves nunca teve algo que podemos chamar de ótima atuação, mas inegavelmente tem muita simpatia do público. Os efeitos especiais, embora do fim do século XX, são sóbrios e realistas, com exceção de poucos momentos onde as sentinelas atacam a nave, mas também, completamente supérfluo de discussão. A trilha-sonora dá um show à parte, contendo Heavy Metal, Tecno e Rock alternativo. Participam da trilha, bandas como Prodigy, Deftones, Rammstein e Rage Against the Machine. E outros artistas como Rob Zombie e o idiota do Marilyn Manson - que nem deveria ser relevante aqui, devido aos casos de abuso sexual que está enfrentando judicialmente - mas enquanto artista musical, ele também compõe a obra. E finalmente sobre o roteiro da obra, o filme promove discursos filosóficos e questionadores em seus diálogos sem deixar para trás, todo seu lado ficção científica. O argumento viaja em um mundo utópico enfadonho e triste, que tomamos como realidade. Enquanto o mundo real é na verdade assustador e de fuga das máquinas.
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