EPISODE · May 4, 2024 · 6 MIN
"Deus é amor"
from Padre Geovani Dias · host Geovani Antonio Dias
Homilia do sexto domingo de páscoa Amigos, neste sexto domingo de Páscoa, ouvimos um dos mais belos testemunhos do Apóstolo João: "Deus é amor." O amor vai além de um sentimento; é uma pessoa e uma atitude concreta. Ele se manifesta assim: "Nisto se manifestou o amor de Deus por nós: Deus enviou ao mundo seu Filho unigênito, para que tivéssemos vida por meio Dele." Dois verbos me chamam a atenção neste texto: manifestar e ofertar. Como podemos reconhecer o amor de Deus pela humanidade? Muitas vezes pensamos que, se Deus realmente nos amasse, ele deveria nos livrar das catástrofes naturais, das guerras e extinguir o sofrimento da humanidade. No entanto, essa é uma ideia equivocada e incapaz de gerar uma verdadeira comunhão com Ele. A experiência de Jesus no evangelho é esclarecedora: "Como o Pai me amou, também eu vos amei." O amor se manifesta, se faz conhecido, mostra seu rosto e se revela. É pessoal por isso é concretamente um encontro, um permanecer, um ato de eternizar o finito. Jesus se reconhece amado pelo Pai e acolhe esse amor manifestado. "Não fomos nós que amamos a Deus, mas Ele nos amou primeiro." Essa percepção é digna e gera em nós louvor e gratidão. A manifestação do amor não exclui o sofrimento e as dificuldades inerentes à vida humana, mas nos faz encarar essas realidades com a certeza de uma presença divina. "Permanecei no meu amor": na alegria, celebramos; na doença, aceitamos a cura; no cansaço, aceitamos o descanso; quando estamos perdidos, voltamos a ouvir seus ensinamentos. Permanecer no amor é permanecer em Jesus em qualquer circunstância da vida, permitindo que Ele continue a se doar à nossa humanidade. "Ninguém tem amor maior do que este: dar a sua vida pelos amigos." O amor se manifesta na oferta, na doação e na gratuidade. Amar não é apenas dar coisas, mas dar-se a si mesmo. Seria muito fácil se tudo o que pedíssemos a Deus fosse concedido. No entanto, muitas vezes esquecemos que Ele já nos deu tudo: Ele se deu a nós para que tivéssemos vida n'Ele. A beleza da oração do Pai Nosso, que Jesus nos ensinou, é que ela não é centrada em desejos humanos, mas em nossas reais necessidades. O que precisamos verdadeiramente? Primeiro, de um Pai que se manifeste, que mostre sua vontade, que nos receba em casa e que esteja próximo em nossas dores. Em segundo lugar, precisamos do alimento que nutre o corpo e a alma, que sacia tanto a fome de pão quanto a fome de eternidade. Finalmente, precisamos do amor fraterno, um amor frágil, difícil de manter, fácil de perder e que constantemente precisa ser restaurado pela reconciliação. Permanecer no amor de Jesus e no amor fraterno é tudo o que precisamos para viver, aqui e agora, o mistério da ressurreição, como uma comunidade que forma o corpo de Cristo: chagada e ferida, mas que também é curada e reconciliada, porque o amor de Deus se manifestou e o reconhecemos no meio de nós.
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