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EPISODE · Aug 28, 2026 · 15 MIN

devaneios e desabafos

from Catálogo de Conversas · host victro

Transcrição automática do Substack:Uma coisa sobre gravar podcast que é muito interessante. O que me faz perceber, inclusive, que eu meio que gosto de falar sozinho. Claro, é muito legal falar com outras pessoas e ter esses momentos de troca mais focados, né? É muito diferente você simplesmente começar a falar,conversar e a proposta de marcar uma reunião para conversar sobre um assunto ou sobre um sentimento, sobre alguma coisa. Comecei a falar, o Joel tá me respondendo aqui no outro cômodo, o gatinho que a gente cuida já tem alguns meses por estar doentinho. Enfim,faz tempo que eu não gravo podcast e a gente deu uma parada com o cinecatálogo, que era a única coisa que a gente tava gravando ainda, por conta de desencontro de agendas. E a gente não conseguiu restabelecer isso ainda, mas a gente tem até a vontade de voltar a fazer o sin catálogo,mesmo que sem a gravação, né? Só a ideia de assistir um filme que já é muito prazerosa também. Mas não sei, eu tenho saudade de fazer podcast, por mais que seja um exercício que é muito mais pra mim do que realmente pra postar, sabe?Claro que eu acabo postando porque você já tem o material, já tá lá e... E você tem um registro, né? Tem menos chance de perder. Claro que nunca se sabe o dia de amanhã quando essas redes todas vão acabar, todos os servidores vão explodir, né?Mas enfim, eu fiz alguns episódios no passado que eram um catálogo de desabafos. E acabou que eu não fiz mais também. Eu acho que tem essa coisa meio interessante sobre você produzir uma coisa e depois você olhar de novo pra ela e sentir que de alguma forma ela é meio patética, assim.Eu tenho uma vergonha meio daquilo que foi feito. Mesmo que na época você tenha editado, feito e achado que era decente, né? E assim com o catálogo de conversas que meio que Não sei, tipo, eu não sei de nada, sobre nada, sobre porra nenhuma, né? E o que que eu tô falando?Quem sou eu pra dizer alguma coisa e quem será que tá me ouvindo, né? Porque, claro, né, eu sei que o meu podcast é só, como eu falei, uma coisa pra mim, uma produção, mas uma pessoa vai ouvir, né? Pode não ser muitas pessoas, mas uma outra vai chegar e vai ouvir. E...Enfim, e eu tava lembrando dessa questão do catálogo de desabafos, né? E quanto tempo passou disso, quantas coisas mudaram, quantos pensamentos mudaram. E eu queria, sei lá, fazer alguma coisa assim de novo, mas ao mesmo tempo eu fico, qual que é o sentido, né? E acho que essa é a grande parada dos tempos que a gente vive,essa é uma conversa que eu já tive com várias pessoas em momentos diferentes, que é sobre essa necessidade de tudo que a gente faz ter um propósito maior, ter uma métrica, ter um lugar a alcançar, ter, sei lá, dinheiro a fazer, né? Tudo tem que se tornar trabalho em algum momento.Inclusive o que eu falava do cinecatálogo antes era isso, que é legal gravar, é legal ter o material, mas o mais importante era se reunir, né? Pra poder assistir um filme, pra poder conversar, ter esse momento na semana pra dar uma distraída, né? Então se você fica muito pilhado em vou gravar podcast,vou editar e vou postar toda sexta-feira ou alguma coisa assim, perde um pouco esse viés. Só que ao mesmo tempo, os nossos tempos pedem métrica, pedem estabilidade, pedem, tem que ter lá o post sempre, você tem que criar esse hábito no seu público,enfim, por menor que seja, tem que ter uma ideia, tipo, não, é toda sexta, né? E você deixar em aberto um problema, então é complexo, né? E são tempos que a gente não tem estabilidade nenhuma, porque as coisas mudam muito rápido, mas a gente é cobrado intensamente de manter estabilidade, manter performance,manter as coisas E claro, aqui o que eu tô falando é uma métrica minha própria, né? Tipo, não tem ninguém me cobrando. O Substack é meu, o podcast é meu, eu faço o que eu quiser. Não ganho dinheiro com isso, eu faço só por diversão.E ainda assim existe essa coisa maior do que eu, que é esse mandamento da produtividade, né? Enfim, são... São vários desses tópicos, assim, que estão sempre permeando a gente e estão sempre aí e a gente às vezes não fala tanto sobre, mas que são muito comuns, né? Então, não sei, é... Fazendo uma review sobre tudo que passou.Eu gosto de ter essas coisas para revisitar. Esses podcasts, esses textos, esses momentos. Algumas bobagens que eu já fiz de montagem no Photoshop, páginas de Instagram, sei lá. Eu gosto dessa marca, de ter essas coisas. Eu não diria que eu sou um indivíduo extremamente criativo.Pelo contrário, eu acho que eu sou de ordem muito mais prática do que criativa. Mas ao mesmo tempo às vezes me dão essas ideias que me divertem. O catálogo de banheiros está aí até hoje e eu faço sem compromisso e ele está lá. Nem sei quantos anos faz que eu tenho, nem sei quantas postagens tem.E a gente segue dessa forma, a gente muda muito, muitas coisas acontecem, o mundo gira, entra governo, sai governo, muda de casa, fica na mesma casa, as bombas explodem e a vida segue indo. Mas eu queria voltar um pouco nessa ideia de sentido. Cara, a gente está sempre buscando sentido em tudo, né?E eu acho compreensível essa ideia, porque de fato a gente quando está nesse lugar mais inseguro, nesse lugar de uma vida que talvez não seja tão o que a gente esperava, o que a gente idealizou, o que a gente foi ensinado que deveria ser, E a gente não consegue alcançar de forma alguma essa idealização, né?Isso seja no mundo do trabalho, na questão de relacionamentos, a vida que a gente imaginava, poderia, sei lá, você tá lá na escola e você vê relacionamentos e tudo perfeito, e pessoas que viajam o mundo e tem trabalhos que elas amam, né? Você cria toda essa ilusão e aí quando você chega na vida mesmo,Você vê que não tem nada a ver com isso, pelo contrário, é uma coisa muito distante até poder encontrar todas essas coisas. E você vai aprendendo cada vez mais essa ideia de autossatisfação, que é de poder criar suas próprias métricas do que é bom, algumas vezes diminuir um pouco a expectativa, sonhar um pouco mais baixo,outras vezes é se conformar, outras vezes é realmente aprender que O que é bom mesmo, o que te traz felicidade, o que te traz coisas boas, são coisas menores do que você imagina, né? Mas de qualquer forma, eu acho que é muito comum sofrer esse rompimento e ficar buscando sentido, né?Ficar buscando o porquê a gente tá aqui, qual que é o sentido da existência e qual que é a nossa missão, o que que eu tenho que fazer. Eu embarquei bastante nessa jornada ano passado, assim, e infelizmente eu não tenho uma resposta, acho que não existe resposta pra essas coisas.Mas é interessante pensar tantas possibilidades que a gente tem ainda assim de construir esse significado, né? Muita gente se apoia na religião, não é por acaso, né? Porque é um caminho que é, não vou dizer que é mais simples, né? Porque tem suas contradições também. Mas já tem algo dado, né?Você pode acreditar numa coisa um pouco maior, numa ideia, num segmento, numa linha, algo que vai te abraçar cosmicamente, depois e aqui, e que algo tá escrito, que algo vai te levar a algum lugar. Você pode apelar pro misticismo, eu mesmo tenho um baralho de tarô aqui na minha frente. Você pode apelar pra uma série de efeitos,de coisas que já existem socialmente, E que te embutem na sociedade, né? Porque essas coisas já estão dentro da sociedade, então se você adere a elas, você não está sozinho porque já foi construído algo, você consegue pertencer e dar sentido ao mesmo tempo, né? Porque no fim eu acho que esse é o grande desafio.É conseguir construir o seu sentido, conseguir definir o seu sentido, mas ainda assim pertencendo a alguma coisa, né? E... Quando você faz essa jornada do modo mais difícil, que é de tentar realmente buscar elementos que compõem a sua existência, compõem a sua vida, e você vai fazendo isso, vai se tornando pouco a pouco um caminho solitário,porque é algo muito individualizado, algo muito subjetivo, e que claro, você pode compartilhar, Mas nem sempre vai ser compreendido, porque cada um tem uma visão muito diferente do que é o certo, do que é a vida, do que é que tem que ser feito, né? Quantas vezes eu já entrei nessas discussões, tipo, ah não,mas você tem que viajar o mundo todo, você tem que aproveitar, tem que ir pra festa, tem que sair pra balada, tem que curtir. Enquanto de outro ponto de vista, não, eu não tenho que fazer nada disso, eu gosto da minha casa, eu gosto de descansar, gosto de ler um livro, gosto de ficar de boa.Então, são muitas as possibilidades, né? E, enfim, ano passado eu trilhei um pouco esse caminho, busquei ler alguns livros, né? Recebi algumas indicações, fui atrás de pensar de formas diferentes algumas coisas que eu já pensava, né? Esse exercício constante de autoanálise que é custoso, mas depois que você adere é meio difícil de sair, né?E eu sei, assim, eu não sinto que eu... Obtive uma resposta concreta, assim, né? Eu sinto que nada que dá pra você responder numa frase objetivamente, você responder com poucas palavras é realmente uma resposta, né? Eu acho que na faculdade de Direito eu tinha alguma coisa assim de falar que pra toda pergunta difícil existe uma resposta simples,fácil, objetiva e completamente equivocada, né? Que é essa ideia de que as variáveis são muito maiores, né? Mas enfim, nos últimos tempos, e são tempos recentes, coisa de meses agora, eu tenho percebido que eu gosto muito da minha vida. E eu falo isso reconhecendo também o privilégio que eu tenho de muitos pontos de vista,mais especificamente quanto a uma tranquilidade financeira, uma tranquilidade habitacional, tranquilidade de... De qualidade de vida, de saúde, praticar esporte e tal. De ter todas essas possibilidades de conjugar todas essas coisas, amizades, pessoas. Ter experiências múltiplas emocionais. Poder me arriscar em coisas múltiplas. Um lugar de conforto que eu acho difícil que outra pessoa também questionaria, ficaria feliz.Então eu comecei a pensar que eu gosto da vida que eu tenho. Eu valorizo, inclusive, e tô tentando olhar com olhos mais encantados pra vida que eu já tenho. E isso é muito bom, claro que é muito bom. Ninguém quer viver uma vida triste em um lugar que não gosta, né? Mas por outro lado também, de novo,na métrica da produtividade e na métrica também do que é a vida, eu me questiono se isso também não é muito conforto, né? Se eu não deveria arriscar mais, se eu deveria me colocar em lugares que talvez não fossem tão agradáveis assim, à procura de novos projetos, novas coisas.Porque existe no fundo esse medo de ficar confortável demais com o que já existe. E... E não tentar mais nada, né? E ficar aqui e ver as coisas apodrecendo, por assim dizer. E achar que tá tudo bem, porque aqui é o meu lugar. E gerar essa sensação de pertencimento tão profunda que impede de se desvincular doque já existe, né? Que eu também acho perigoso. E ontem eu conversava com o Gus, inclusive, e em algum momento a gente falou sobre essa ideia de estabilidade. Acho que todo mundo deseja estabilidade, não tem ninguém que quer Viver na instabilidade pura, né?Claro que tem momentos que você quer se divertir, quer viver o novo e coisas diferentes. Mas no fundo a gente quer essa instabilidade, a gente quer ter um lugar pra voltar, um lugar pra se sentir seguro. Mas os nossos tempos, eles quase que não permitem isso, né? Porque as coisas mudam muito rápido,você não sabe qual vai ser a tendência de amanhã, o que vai funcionar, o que vai mudar na economia, o que vai fechar, o que vai abrir, o que não vai funcionar mais, se a conta de energia vai subir, se vai ter uma conta nova, enfim. As coisas mudam mais rápido do que a gente,mais rápido do que a nossa própria capacidade de mudar. O sistema vai ficando mais complexo e ganhando novas camadas e novas coisas, novos objetos. E a gente vai se enroscando nessa coisa e quando a gente vê a gente já está atolado até a cabeça e não tem mais como sair. Então é difícil balancear essas ideias.E olha como é que é. Eu vindo desse lugar de um tanto de privilégio de poder ter esse tempo, de poder fazer essas reflexões. Já fico ansioso, pelo menos primariamente ansioso com essas ideias do que pode vir a acontecer. E daí você imagina quem tá num outro lugar mais complexo que o meu,mais difícil, mais desagradável e ainda tem que lidar com essa ansiedade, né? E agora a gente fala de ansiedade climática, fala de ansiedade por questões de guerra e tal. Enfim, não sei, né? Sempre tem essas perspectivas contraditórias também, que apesar dos tempos serem meio doidos, já tiveram tempos piores para se existir.Então a gente tem uma série de coisas que não teria em outro momento histórico. Por outro lado também, a gente está tão sobrecarregado de coisa e de informação... Que às vezes parece sim que seria melhor não ter tudo isso, né? E às vezes eu fico pensando nessa hipótese, assim,se o botãozinho da internet mundial zegasse e acabasse todo esse mundo digital a gente voltasse pro papel e pro dia a dia e pra comunicações só pessoais e tal. Eu não sei, não sei como eu viveria nisso. Mas algum lugar em mim diz que se eu tivesse ainda que escrever cartasde próprio punho e mandar os amigos, eu seria uma pessoa um pouco mais feliz, sabe? Não sei, pode ser que não. Aí a gente já entra num campo muito místico e complexo. Enfim, as eleições se aproximando. Esse ano ainda promete muita coisa, apesar de ser agosto. Eu acho que as coisas no mundo digital vão pegar fogo.As coisas ainda vão ficar um pouco ruins nesse campo social, político. Talvez em outros também, a gente nunca sabe. Mas não sei. A gente pode continuar produzindo, como eu estou fazendo agora. Pode continuar pensando, pode continuar discutindo. E aberto ao diálogo. E tentando se conectar, pertencer.E acho que esse é o melhor caminho que a gente tem, pelo menos por hora. E é isso. Seguimos juntos, meus queridos. Quem ouviu até o fim, quem ouviu tudo, meus parabéns. Agradeço pela... Pelo tempo. E enfim, não sei se esse formato se preserva, se ainda vai existir outras coisas sim,mas eu resolvi testar a ferramenta e eu vi agora também que tem uma opção de chamar convidados aqui pro Substack pra fazer podcast. Talvez eventualmente eu faça alguma coisa. Veremos. É isso. Beijos e até logo. Get full access to catálogo at catalogos.substack.com/subscribe

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