EPISODE · Jul 29, 2021 · 5 MIN
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from Podcast Interregno · host Podcast Interregno
O Podcast Interregno é uma oportunidade que criei para conversar com pessoas interessantes sobre tópicos que me intrigam. Simples assim. A ideia central é o prazer da conversa. A conversa ortodoxa, com outros. E a conversa heterodoxa, consigo mesmo. Aliás, no bom e velho Dicionário Bluteau, imediatamente depois de Interregno aparece a palavra "interrogação". Vamos conversar livremente, explorar não apenas o espaço lógico das razões, mas igualmente o periespaço das razões, sondar os limites do que dizemos a partir do atrito de diferentes corpos linguísticos. O Podcast Interregno é antes de mais nada, um exercício para fazer valer as máximas conversacionais de Grice: não seja ávaro, mas também não enrole; não dê informação que você sabe que é falsa, não dê informação para a qual você não tenha justificação adequada, isto é, não fale por falar, não dê informação irrelevante para o debate, não viaje na maionese, podendo evitar, não seja vago ou ambíguo, persiga a clareza. É claro que a ideia de um intervalo, de um espaço onde o poder político está suspenso, me é cara. Lembremos como o mais avoengo dentre os nossos amansa burros define “Interregno”. O já mencionado e por mim tão amado Bluteau: “Vocabulario Portuguez e Latino, Aulico, Anatomico, Architectonico, Bellico, Botanico, Brasilico, Comico, Critico, Dogmatico, etc.” nos informa: interregno: espaço de tempo em que não há rei no reino... Suspender a autoridade, mesmo que por um átimo, para pensar melhor. Pensando bem, isso me lembra que devo falar de outras duas referências que estarão no background do Podcast Interregno. A primeira é esta sentença, repetida várias vezes na Conferência sobre Nada de John Cage: “Cada vez mais tenho a sensação de que não estamos chegando a lugar algum. Lentamente, à medida que avançamos, não estamos chegando a lugar algum e isso é um prazer. Não é irritante estar onde se está. É apenas irritante pensar que seria melhor estar em outro lugar.” E quantas vezes, em especial na quadra histórica que estamos metidos, nos irritamos exatamente por pensar que seria melhor estar em outro lugar? O que nos leva para a segunda referência. Por quais mecanismos cognitivos exploramos essas possibilidades de estarmos em lugares diferentes do atual? A capacidade de visualizar horizontes com possibilidades abertas é um dos elementos fundamentais na atribuição de valor às nossas ações. Portanto, é o eixo que coloca a vida moral e política em movimento. David Graeber, na introdução da coletânea Possibilidades. Ensaios sobre Hierarquia, Rebelião e Desejo (2007) oferece um lembrete que será utilíssimo para os nossos propósitos: "Decidi chamar esta coleção de Possibilidades porque a palavra engloba muito do que originalmente me inspirou a me tornar um antropólogo. Fui atraído pela disciplina porque ela abre janelas para outras formas possíveis de existência social humana; porque serviu como um lembrete constante que a maior parte do que presumimos ser imutável foi, em outros tempos e lugares, organizada de forma bem diferente e, portanto, que as possibilidades humanas são em quase todos os sentidos maiores do que geralmente imaginamos." Espero que o Podcast Interregno possa cumprir a função de lembrar “que as possibilidades humanas são em quase todos os sentidos maiores do que geralmente imaginamos.” Então é isso: vida longa às conversas. conversas no interregno. Apresentação: Eduardo Vicentini de Medeiros. Trilha do episódio: "Zoika" de Tum Toin Foin & Arthur de Faria.
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