EPISODE · Jan 23, 2022 · 59 MIN
Especial "40 Anos sem Elis" - Querelas do Brasil no Tons do Brasil com Shirley Espíndola #23
from Tons do Brasil · host Shirley Espíndola TB
40 anos sem Elis Regina: confira análise da música ‘Querelas do Brasil’ - AUTOR Marcelo Abud ‘Canção trata de questões que nunca estiveram tão presentes’, afirma produtor e filho da artista Em 19 de janeiro, completam-se 40 anos da morte de uma das maiores cantoras do Brasil: Elis Regina. Intérprete de clássicos, ela emprestou a voz a várias canções que retratavam o Brasil de seu tempo e que permanecem atuais. É o caso de ‘Querelas do Brasil’, composta em 1978 por Aldir Blanc e Mauricio Tapajos Gomes, e lançada por Elis no álbum “Transversal do Tempo”. A música aponta as contradições culturais e sociais de um país diante da aproximação da reabertura política. “Uma querela é uma desavença em consequência de ideias contrárias, de conflitos, de discussões. Continua tendo esse contraste no Brasil, a gente é esse caldeirão de possibilidades e de combinações incríveis e únicas no mundo e, ao mesmo tempo, está encalacrado”, avalia o produtor musical e filho mais velho de Elis com o músico Ronaldo Bôscoli, João Marcello Bôscoli . Na composição, Elis dá voz a mazelas vividas em um país que convivia com a propaganda ufanista do período da ditadura militar. “É uma das músicas de uma fase da carreira em que ela estava bastante engajada em questões político-sociais e também em passar uma mensagem sobre as lutas por democracia, por justiça social, por afirmação de uma identidade brasileira”, ressalta o doutor em história social pela Universidade de São Paulo (USP) Marcos Napolitano. Aquarelas e querelas Bôscoli destaca, ainda, que “Querelas do Brasil” faz alusão a “Aquarela do Brasil”, canção de Ary Barroso composta em 1939, durante o Estado Novo de Getúlio Vargas. “ ‘Aquarela do Brasil’ está mostrando um quadro de um Brasil perfeito, de valorização do nosso samba, da nossa gente. ‘Querelas do Brasil’ é um outro mapa, que não aborda somente esse aspecto ufanista, mas também traz esse tom de crítica social”, atesta a doutora em história social pela USP Rafaela Lunardi, que defendeu tese sobre a história da Música Popular Brasileira no período da abertura política e é autora do livro “Em busca do Falso Brilhante”, sobre Elis Regina. TRANSCRIÇÃO DO AUDIO Introdução de “Aquarela do Brasil” (Ary Barroso) fica de fundo Rafaela Lunardi: “Aquarela do Brasil”, de 1939, de Ary Barroso, né, está mostrando um quadro de um Brasil perfeito, de valorização do nosso samba, da nossa gente; construído no período do Getúlio Vargas, durante o Estado Novo. Introdução de “Querelas do Brasil” (Aldir Blanc / Maurício Tapajós) Rafaela Lunardi: “Querelas do Brasil” é um outro mapa, que não aborda somente este aspecto ufanista, mas também traz este tom de crítica social. Introdução da música “Devastador” (Marcelo Abud / Reynaldo Bessa) Rafaela Lunardi: Meu nome é Rafaela Lunardi, doutora e mestre em História Social pela Universidade de São Paulo e a minha tese de doutorado é relativa à história da MPB no período da abertura política brasileira. João Marcello Bôscoli: Lembrando que uma querela é uma desavença em consequência de ideias contrárias, de conflitos, de discussões; continua tendo este contraste no Brasil, a gente é esse caldeirão de possibilidades e de combinações incríveis e únicas no mundo e, ao mesmo tempo, a gente está encalacrado numa situação que várias vezes eu não entendo como é que a gente chegou aqui. Eu sou João Marcello Bôscoli, eu sou produtor musical.
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