EPISODE · Oct 10, 2021 · 44 MIN
Livres em Cristo: Membros da Família da Fé (Gálatas 3) #rpsp
from Reavivados por Sua Palavra
O apóstolo está horrorizado com uma tendência que lhe chegou ao conhecimento, verificada entre algumas igrejas da Galácia. Havia, entre elas, quem estava se deixando levar pelo canto da sereia legalista. É por isso que ele pergunta se seus leitores eram tão insensatos a ponto de, tendo sido alcançados pela graça, porque convencidos pelo Espírito dos seus pecados, agora voltarem ao império da Lei mosaica, que afirma o valor do esforço humano para a salvação. O tom paulino é severo, perguntando-lhes se, depois de terem recebido a graça, a partir de agora voltarão a viver pela Lei. Depois de evangelizados, os gálatas estavam sendo “desevangelizados” pelos pregadores que propunham uma volta parcial ao judaísmo. O conhecimento desse dado nos ajuda a entender melhor toda a carta. A eloquência desses judaizantes era tanta que estavam seduzindo muitos seguidores de Jesus a abandonarem a fé cristã. Então, o apóstolo Paulo pede a eles para não se esquecerem de que eles eram seguidores de Jesus porque foram chamados pela graça de Cristo. Tendo sido chamados, aceitaram o convite, foram transformados e passaram a viver segundo essa graça. Como agora passavam uma borracha em toda aquela experiência? No fundo, eles não achavam que estavam abandonando Cristo, mas que podiam ficar com ele e com o seu contrário. Talvez achassem que não havia problema algum em ficar com o evangelho e com a Lei. Paulo, então, afirma que evangelho e Lei são contraditórios. Como agora queriam conciliar o que não pode ser conciliado? Assim, pelo efeito da propaganda, alguns cristãos estavam abandonando a fé cristã. O risco ainda permanece. Paulo diz que devemos nos lembrar do evangelho que aceitamos. Embora anunciado por homens, não é um evangelho de homens, mas de Jesus Cristo. Um dia, fomos transformados por esse evangelho de graça e por essa graça estamos no caminho da transformação, um caminho que não tem fim. A legitimidade do evangelho não está na nossa vida (por mais correta que seja) mas em Jesus Cristo. A visão desse evangelho nos mantém firmes na graça, mesmo que os pregadores da Lei sejam convincentes, mesmo que as seduções das maravilhas da tecnologia e da comunicação sejam poderosas, mesmo que a decepção com o Deus que imaginamos nos aperte a garganta, mesmo que o sucesso dos incrédulos nos atordoe, mesmo que a duplicidade de vida dos cristãos nos amargure. Só o evangelho de Jesus Cristo como pregado por Paulo e por todos os que são fiéis à vocação para a qual foram realmente chamados, no passado e no presente, é evangelho. O resto é criação humana e, como tal, deve ser rejeitado. A lei é a afirmação da competência humana. Ela estabelece as regras e nós as seguimos. Portanto, ela não exige conteúdo, mas apenas forma; não exige algo interior, mas apenas exterioridade. Ora, no relacionamento com as pessoas e com Deus, isso não funciona. A intenção é essencial. Pior que isso: a lei exige coisa demais de nós e oferece quase nada. Lei não tem nada a ver com religião, que é uma relação homem-Deus e homem-homem. A lei parte de si mesma e termina em si mesma. Ela se torna um peso sobre nós, uma vez que não conseguimos seguir todas as suas regras. Assim, na verdade, a lei é uma maldição, gerando disputa, autossuficiência, insegurança, medo e culpa. Portanto, a lei só tem uma “virtude”: mostrar a nossa incompetência para conquistar a graça. A lei serve apenas como tutor, que, na antiguidade, era o escravo encarregado da educação de uma criança e responsável por afastar dela qualquer pessoa cuja influência fosse negativa. AZEVEDO, Bíblia Sagrada Bom Dia
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