Maranata, vem Senhor Jesus! A ceia do Cordeiro e a ceia das Aves (Apocalipse 19) #rpsp episode artwork

EPISODE · Jan 9, 2022 · 49 MIN

Maranata, vem Senhor Jesus! A ceia do Cordeiro e a ceia das Aves (Apocalipse 19) #rpsp

from Reavivados por Sua Palavra

Dois elementos compõem a visão: um banquete e uma guerra, representando a polaridade da salvação. Parece-me que tememos muito mais a graça do que o mal. João usa as imagens do banquete e da guerra para nos fazer ir o mais fundo possível no terreno da salvação. Desacostumados com uma vida que vai além de nós mesmos e nos afasta, pela fé, da posição de controle, corremos o grande risco de nos contentarmos timidamente com um tipo de religião que conseguimos administrar. As reduções mais comuns na tentativa de deixar a salvação em um nível mais confortável são transformá-la em devoção subjetiva ou decoro ético, ou uma combinação dos dois. Contudo, salvação é obra de Deus. Está sempre muito além do que pensamos, é muito mais do que experimentamos em qualquer momento específico. Estamos sempre nos detendo e definindo-a em termos do entendimento presente, que é sempre prematuro e, portanto, reduz essa imensa ação na qual temos tanto a aprender e na qual, muito mais ainda, pela graça de Deus, vamos penetrar. Os quatro cânticos de aleluia ligaram a cena do julgamento, mostrando as dimensões da catástrofe (Ap 15-18), com a visão da salvação. Os cânticos nos precipitaram no centro nervoso da salvação. A imagem do casamento se transforma imediatamente na imagem do banquete: os salvos, além de serem a Noiva, são também os convidados da cerimônia que celebra a união de intimidade e fidelidade ímpares que é o casamento. No Evangelho de João, Jesus fez seu primeiro milagre em uma festa de casamento, em Caná, transformando a água que seria usada para a purificação em vinho de bênção. Seu último encontro com os discípulos foi um café da manhã da ressurreição, em uma praia na Galiléia. O poder da Ceia do Senhor no sentido de nos manter participando da essência da salvação é impressionante. Ela é a prática fundamental dos cristãos para lembrar, receber e compartilhar o significado da salvação: Cristo crucificado por nós, seu sangue derramado para a remissão de nossos pecados. Nela, confirmamos a realidade de nossa salvação. O que sabemos e cremos sobre Cristo em sua encarnação e o que esperamos dele em sua volta envolvem a vida presente: dentro desse contexto amplo e no cenário comum, celebramos nossa salvação. Cada celebração da Ceia nos reintroduz no domínio daquele que João descreve com uma expressão gramatical original: "que é, que era e que há de vir" (Ap 1:4,8). De forma significativa, ele coloca primeiro o presente ("é"), depois mostra que o passado e o futuro ("era" e "há de vir") o envolvem. Essa reunião de todos os tempos verbais em apenas um acontece no ritual da Santa Ceia. A realidade multidimensional da salvação se preserva em uma refeição que fazemos, e não em uma verdade a ser entendida nem em um comportamento ético a ser adotado. Nem todos conseguem entender uma doutrina. Nem todos obedecem aos preceitos. Contudo, todos são capazes de comer um pedaço de pão e beber um cálice de vinho, além de entender uma declaração simples — meu corpo, meu sangue. Mantenho ligação com o Jesus morto e ressuscitado, que é a salvação, não com algum aprendizado nem com um comportamento, mas comendo uma refeição. O segundo elemento na visão da salvação é a guerra. Primeiro, a imagem do Noivo Cristo casado com a Noiva Igreja se expandiu na imagem do Cordeiro Cristo fornecendo uma refeição eucarística a Ele mesmo. Agora, a imagem do Guerreiro Cristo cavalgando rumo à grande batalha de Armagedom se coloca sobre essas imagens. Dificilmente se encontraria um contraste mais extremo do que o existente entre banquete e guerra, mas, ao nos submetermos às imagens, percebemos mais complementação do que contradição. Salvação está nas intimidades e festividades de um casamento e, também, em uma batalha agressiva para derrotar o mal. Salvação não é nenhum desses elementos isoladamente. Ela envolve todos, o abraço de amor e o ataque ao mal, em tensão polarizada, cada um deles definido pelo outro, um se alimentando do outro. PETERSON, Trovão Inverso

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