EPISODE · Jan 8, 2022 · 52 MIN
Maranata, vem Senhor Jesus! A Grande Prostituta montada na Besta (Apocalipse 17) #rpsp
from Reavivados por Sua Palavra
A tarefa da imaginação apocalíptica é fornecer imagens que nos mostram o que está acontecendo em nossa vida. "Quando há poderes misteriosos à nossa volta", comentou um personagem de uma história de Saul Bellow, "só o exagero nos ajuda a enxergá-los. Todos sentimos que há poderes que criam o mundo — vemos isso quando olhamos em torno de nós — e outros que o destroem." Contudo, essas coisas que antes eram óbvias tornam-se indistintas à medida que nos movemos em meio aos assuntos deste mundo. Quando visto através das lentes sujas de nossa cultura, aquilo que antes era claro na fé se torna enevoado e distorcido. As imagens apocalípticas de João clareiam em duas direções. Primeiro, o mundo de revelação, os dois mil anos de experiência (para nós, quatro mil) de ser povo de Deus ficam mais claros. Nada é obsoleto nem irrelevante. Ninguém pode tirar uma vida de fé da manga na hora que precisa, nem arrumar uma nova salvação na hora do desespero. Temos antepassados. Nosso Cristo foi imolado "desde a criação do mundo". A fé tem raízes na história e base na geologia. A memória fraca e a instabilidade dos sentimentos obscureceram as conexões. As imagens de João as refazem. O segundo esclarecimento está no nosso "aqui e agora": nossos encontros de todos os dias, com caixas de banco, funcionários dos correios e frentistas de postos de gasolina são, cada um deles, elementos de pecado e graça. Cada uma dessas pessoas e cada encontro são detalhes importantes na vida de fé. Contudo, não temos consciência disso. A maior parte de nosso tempo se passa sem crises que nos convençam de que precisamos de Deus, embora tudo que façamos seja importante para nossa fé e Deus se envolva profundamente nisso. Sem nos darmos conta, passamos o dia todo realizando atividades de importância eterna. Durante todo o tempo, pronunciamos palavras que entram na vida das pessoas e as modificam, muito ou pouco, e jamais ficamos sabendo disso. Haverá alguma forma de nos ensinar a perceber a glória que pulsa em cada ato de boa vontade e o mal que permeia todo ato de desobediência? A visão apocalíptica é um caminho. O símbolo da Grande Prostituta como experiência cotidiana é uma cidade onde a vida corre tranquila. A mulher e a besta escarlate sobre a qual ela se assenta abrangem as ruas que percorremos, as lojas em que compramos verduras enquanto conversamos trivialidades com o proprietário. Flannery O'Connor, em resposta a uma pessoa que lhe perguntou por que os personagens de suas histórias eram tão grotescos, explicou que é necessário apresentar caricaturas simples e grandes para que quem seja quase cego possa enxergar. A Grande Prostituta é uma dessas caricaturas, uma imagem capaz de suscitar uma consciência que jamais será esquecida sobre a presença poderosamente sedutora dos que gostariam de obstruir ou subverter a adoração ao Cordeiro imolado e ressurreto. A adoração a Deus em Cristo é a prática mais importante e difícil do cristianismo. Por ser tão difícil, estamos sempre prontos a partir para tarefas mais fáceis, em especial se, aparentemente, incluir os elementos essenciais do culto. Mas é melhor não fazer isso. A Grande Prostituta, lançada ao mar como uma pedra de moinho, constitui uma advertência. Prostituta é um termo sexual, mas, em Apocalipse 17-18, aparece como metáfora de adoração errada. João não trata das condições sexuais do final do primeiro século; ele se preocupa coma situação da fé. Ele tem a responsabilidade pastoral de evitar que os crentes abandonem a vida de adoração fervorosa e persistente para adotar algo que parece religião, tem aparência bem melhor e é muito mais fácil. Ele fala sobre a Grande Prostituta a fim de abrir os olhos deles para as diferenças entre o culto ao Cordeiro e esse outro, que não é adoração, e nos impede de adorar. PETERSON, Trovão inverso
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