EPISODE · Jan 6, 2022 · 35 MIN
Maranata, vem Senhor Jesus! A Taça do Mundo não é nossa! (Apocalipse 15) #rpsp
from Reavivados por Sua Palavra
O chamado para o julgamento que chega ao clímax em Apocalipse não é abstrato, jurídico, nem preocupação com decoro, ética ou sociedade justa. Aliás, não é nem "preocupação", mas um clamor: feridos desejam alívio, oprimidos procuram equidade, maltratados anseiam por dignidade. A questão "Até quando?", colocada pelas almas que foram assassinadas e estão sob o altar, cresce e se transforma em questionamento: até quando será permitida a violação da bondade, beleza e verdade por manipuladores insensíveis e ímpios? Até quando teremos que suportar a arrogância deles, que acreditam que força é sinônimo de direito? A pergunta ecoa através das culturas, reverbera pelos séculos. Nem sempre a injustiça é evidente, de modo que nem sempre o clamor recebe atenção. Para cada grande mártir que morre em confronto corajoso com os perversos, há milhões de mártires menores sob o altar, que perseveram a vida toda sofrendo injustiças, chorando orações silenciosas. Cresce o desejo pelo julgamento e a frustração pela demora. Toda matéria-prima da injustiça aparece na experiência comum de homem ou mulher, filho ou pai, marido ou esposa, funcionário ou patrão. Não acontece apenas na guerra, nos guetos e nos genocídios. Nas esferas diárias de amor e trabalho, nos deparamos com injustiças aparentemente irremediáveis. O mundo não é justo. Aprendemos isso desde pequenos. As crianças, com seu sentido moral inato, sem saber, mas com muita precisão, fazem uma paráfrase das Escrituras: “Assim não vale”. Ninguém recebe o que merece, seja como recompensa ou punição. As consequências tanto da virtude quanto dos vícios estão muito longe das causas. Algumas vezes, recebemos menos do que merecemos e temos a certeza de que estamos sendo explorados. Em outras ocasiões, recebemos mais e nos sentimos afortunados (ou culpados). A maioria das pessoas endurece o senso moral com o passar dos anos e tenta sempre "se dar bem". Mas, então, levanta-se uma injustiça radical — terrorismo político, abuso doméstico — e a questão volta a ser urgente: até quando? É digno de nota, aqui, que o método pastoral do apóstolo não envolve o bálsamo das palavras de consolo. Ele não ameniza a situação e mostra que poderia ser bem pior. Não sugere que "quem entende, perdoa", nem rearranja os fatos para não sentirmos tanto o ultraje. Pelo contrário, ele intensifica o senso de injustiça: em resposta ao clamor "Até quando?", as almas martirizadas ouvem que precisam esperar mais um pouco, "até que se completasse o número dos seus conservos e irmãos, que deveriam ser mortos como eles" (Ap 6:11). A combinação de injustiça e demora é como sal na ferida; não é bálsamo. Mas por certo a situação já vem durando demais. Com certeza, depois de tantos séculos, chegou a hora de acabar com a sujeira, levar os perpetradores de tantas crueldades ao julgamento definitivo e acabar com o sorriso de condescendência que eles trazem no rosto. Se confinados aos registros de nossos diários, é quase certo que cairíamos no cinismo que Yeats expressou: "Alguns pensam ser natural que a sorte mate de fome os bons e favoreça os maus." Assim, a que atribuir a persistência inacreditável do clamor? No abandono generalizado da oração, quando grandes multidões desistem de Deus e se lançam às ruas para pegar o que puderem com as próprias mãos, por que motivo uma minoria notável não faz o mesmo, mas permanece, clama e espera? A esta altura, já nos acostumamos com a resposta do apóstolo, ou seja, adoração, que cria o contexto do paradoxo simultâneo de acreditar na justiça enquanto vive a injustiça, exatamente como criou antes o contexto para tudo o mais que foi elevado do dia-a-dia para essa visão. O julgamento há muito aguardado, agora iminente, toma forma em um ato de culto (Ap 15:1-8). Sete anjos se preparam para agir enquanto a congregação entoa um hino. PETERSON, Trovão Inverso
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