EPISODE · Mar 5, 2018 · 50 MIN
Memória Viva #5 - Roda de Memória
from Desobediência Sonora · host Desobediência Sonora
No dia 13 de maio de 2016 ocorreu no Centro Cultural de Brotas (SP), a “Roda de Memória” com o objetivo de reunir alguns moradores e moradoras do bairro São João para trazerem suas histórias, lembranças e vivências sobre o bairro, um dos mais antigos do município de Brotas (SP). A roda de memória contou com a participação de moradores e moradoras que possuem uma relação direta e vínculos afetivos com esse território tão rico em histórias. Antes do inicio da atividade, envolvendo os entrevistados, houve uma belíssima apresentação de piano com a jovem Tamires Mattos, moradora da cidade, que gentilmente aceitou o convite para fazer a abertura da atividade. Logo, após a sua apresentação decorreu-se uma breve apresentação do coletivo de cinema popular, Experimentação Audiovisual Claudia Ferreira, sobre os objetivos e a importância de se realizar essa atividade de resgate das histórias e memórias do bairro através de seus moradores e moradoras mais antigos, que são verdadeiros patrimônios culturais vivos da cidade. Os entrevistados que compareceram a atividade foram: Terezinha Matosinho, Pedro Gross e Dirceu Almeida. A roda de memória deu iniciou com a fala de Teresinha Matosinho, que disse morar há mais de 30 anos no bairro e diz que o bairro nasceu concretamente ao redor da festa de São João. Terezinha, lamenta que atualmente não exista mais aquela movimentação de antes e, hoje, verifica-se que a comemoração do dia de São João se resume em uma acanhada quermesse, acompanhada de uma missa. Já, Pedro Gross, que apesar de não ser morador do São João, mas,possui atividades comerciais no local há muitas décadas, diz, com pesar sobre o fim de uma festa religiosa tão bela e que atraía um enorme numero de pessoas advindas de outras cidades para prestigiarem a festa de São João em Brotas (SP). Muitas pessoas dependiam economicamente da festa. Erguia-se barracas para a venda de bolos, quentões, salgados e doces. Segundo, Pedro Gross, a festa era muito conhecida pelo “passar a fogueira”, ritual em que as pessoas pisavam descalças sobre as brasas da fogueira. Era um dos momentos mais aguardados da festa de São João. Para, Pedro, a festa propiciou visibilidade a muitos artistas locais que se apresentavam durante a realização do festejo. Mais uma vez, durante a o andamento da Roda de memória, o nome do saudoso, João Julião, fora citado, como um dos principais organizadores da festa de São João e um dos fundadores da paróquia de São João, segundo Pedro Gross. Terezinha , relembra a grande quantidade de pessoas que vinham de fora, principalmente de São Paulo (SP) para prestigiarem a festa de São João. Antes mesmo de construírem a capela, existia o cortejo que saia do bairro e ia até as margens o rio Jacaré com a finalidade de banharem o santo e, em seguida, a procissão retornava Ao bairro São João. Após terminar as rezas, acendia-se a fogueira e se iniciava a batucada e danças que perduravam até o amanhecer o dia seguinte. Pedro Gross relembra que os cidadãos brotenses que residiam em São Paulo, Campinas, Jundiaí e Americana, principalmente, aguardavam ansiosamente o mês de junho para poderem vir participar da festa de São João. Um ponto bastante interessante na fala de Pedro Gross, foi sobre a falta de respeito e desprezo dos políticos e responsáveis pela cultura da cidade em relação a preservação da memória e a manutenção das festas tradicionais que existiam por toda a cidade e que hoje, muitas não são mais realizadas devido a falta de incentivo. O poder público local e empresariados investem apenas no turismo, haja, visto, que a cidade de Brotas (SP) se transformou há pouco tempo em Estância Turística. Com isso, as atenções e investimentos são direcionados e pensados apenas para o turismo de aventura , enquanto que as festas e outras expressões artísticas e práticas culturais da cidade não são valorizadas. Outra expressão de descontentamento é devido a política intransigente da Igreja Católica sobre a organização das festas religiosas e culturais da cidade, onde o olhar está inteiramente voltado para a mercantilização da cultura e tradição, excluindo, assim, grande parte da população em ter acesso e participação efetiva das práticas culturais e as festas tradicionais da cidade. A dificuldade e a falta de infra estrutura é comentada por Dirceu de Almeida que diz que quando se mudou para o São João,encontrava dificuldades em relação a obtenção de água,sendo obrigado juntamente com sua esposa se deslocarem para outras regiões da cidade em busca de água para atender, assim, as necessidades básicas de sua família
What this episode covers
No dia 13 de maio de 2016 ocorreu no Centro Cultural de Brotas (SP), a “Roda de Memória” com o objetivo de reunir alguns moradores e moradoras do bairro São João para trazerem suas histórias, lembranças e vivências sobre o bairro, um dos mais antigos do município de Brotas (SP). A roda de memória contou com a participação de moradores e moradoras que possuem uma relação direta e vínculos afetivos com esse território tão rico em histórias. Antes do inicio da atividade, envolvendo os entrevistados, houve uma belíssima apresentação de piano com a jovem Tamires Mattos, moradora da cidade, que gentilmente aceitou o convite para fazer a abertura da atividade. Logo, após a sua apresentação decorreu-se uma breve apresentação do coletivo de cinema popular, Experimentação Audiovisual Claudia Ferreira, sobre os objetivos e a importância de se realizar essa atividade de resgate das histórias e memórias do bairro através de seus moradores e moradoras mais antigos, que são verdadeiros patrimônios culturais vivos da cidade. Os entrevistados que compareceram a atividade foram: Terezinha Matosinho, Pedro Gross e Dirceu Almeida. A roda de memória deu iniciou com a fala de Teresinha Matosinho, que disse morar há mais de 30 anos no bairro e diz que o bairro nasceu concretamente ao redor da festa de São João. Terezinha, lamenta que atualmente não exista mais aquela movimentação de antes e, hoje, verifica-se que a comemoração do dia de São João se resume em uma acanhada quermesse, acompanhada de uma missa. Já, Pedro Gross, que apesar de não ser morador do São João, mas,possui atividades comerciais no local há muitas décadas, diz, com pesar sobre o fim de uma festa religiosa tão bela e que atraía um enorme numero de pessoas advindas de outras cidades para prestigiarem a festa de São João em Brotas (SP). Muitas pessoas dependiam economicamente da festa. Erguia-se barracas para a venda de bolos, quentões, salgados e doces. Segundo, Pedro Gross, a festa era muito conhecida pelo “passar a fogueira”, ritual em que as pessoas pisavam descalças sobre as brasas da fogueira. Era um dos momentos mais aguardados da festa de São João. Para, Pedro, a festa propiciou visibilidade a muitos artistas locais que se apresentavam durante a realização do festejo. Mais uma vez, durante a o andamento da Roda de memória, o nome do saudoso, João Julião, fora citado, como um dos principais organizadores da festa de São João e um dos fundadores da paróquia de São João, segundo Pedro Gross. Terezinha , relembra a grande quantidade de pessoas que vinham de fora, principalmente de São Paulo (SP) para prestigiarem a festa de São João. Antes mesmo de construírem a capela, existia o cortejo que saia do bairro e ia até as margens o rio Jacaré com a finalidade de banharem o santo e, em seguida, a procissão retornava Ao bairro São João. Após terminar as rezas, acendia-se a fogueira e se iniciava a batucada e danças que perduravam até o amanhecer o dia seguinte. Pedro Gross relembra que os cidadãos brotenses que residiam em São Paulo, Campinas, Jundiaí e Americana, principalmente, aguardavam ansiosamente o mês de junho para poderem vir participar da festa de São João. Um ponto bastante interessante na fala de Pedro Gross, foi sobre a falta de respeito e desprezo dos políticos e responsáveis pela cultura da cidade em relação a preservação da memória e a manutenção das festas tradicionais que existiam por toda a cidade e que hoje, muitas não são mais realizadas devido a falta de incentivo. O poder público local e empresariados investem apenas no turismo, haja, visto, que a cidade de Brotas (SP) se transformou há pouco tempo em Estância Turística. Com isso, as atenções e investimentos são direcionados e pensados apenas para o turismo de aventura , enquanto que as festas e outras expressões artísticas e práticas culturais da cidade não são valorizadas. Outra expressão de descontentamento é devido a política intransigente da Igreja Católica sobre a organização das festas religiosas e culturais da cidade, onde o olhar está inteiramente voltado para a mercantilização da cultura e tradição, excluindo, assim, grande parte da população em ter acesso e participação efetiva das práticas culturais e as festas tradicionais da cidade. A dificuldade e a falta de infra estrutura é comentada por Dirceu de Almeida que diz que quando se mudou para o São João,encontrava dificuldades em relação a obtenção de água,sendo obrigado juntamente com sua esposa se deslocarem para outras regiões da cidade em busca de água para atender, assim, as necessidades básicas de sua família
NOW PLAYING
Memória Viva #5 - Roda de Memória
No transcript for this episode yet
Similar Episodes
Jun 17, 2026 ·74m
Jun 14, 2026 ·100m
Jun 10, 2026 ·64m
May 31, 2026 ·95m