EPISODE · Oct 31, 2025 · 0 MIN
Miu Yuná — Alambrado | Livres como versos
from Toma Aí um Poema: Podcast Poesias Declamadas | Literatura · host Jéssica Iancoski
Alambradofarejei a seiva,rastejei o chão,senti o pulso da terra onde jaz meu bicho solto.nem cabe(e eu não cabia),não cabia — e me apequenei.desfiz-me nas margens,onde o solo se estende como promessae a carne se dissolve no infinitoda mudez de um corpo que nunca antes.o ventome sussurra antigos mistériosde minha dança selvagem em desatino voraz.nem cabe, pensei,(e eu não caberia)nos limites de um corpo que já não é meu.fui minha própria cerca, fui o arame,fui o vazio que me preenche.sou o pulso. sou a seiva.sou o sussurro do vento.permaneço com olhos de fúriae a terra que me abraça em silêncio.
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