EPISODE · Jul 5, 2022 · 28 MIN
Nem só de Pão… Guerras Santas (Deuteronômio 20) #rpsp
from Reavivados por Sua Palavra
Há vários quesitos que devemos levar em consideração ao lermos passagens como estas. Primeiramente, este mandamento de Deus foi dado a uma nação em particular. Este povo foi escolhido para receber a revelação divina e ser treinado a gerar o Messias e preparar a mente dos homens para o ministério dele (cf. Rm 9.4,5). Esta nação precisava de uma lição prática sobre os resultados medonhos da idolatria e licenciosidade. Em segundo lugar, a ordem de destruir dizia respeito a nações que se tornaram um câncer podre na raça humana, praticando sacrifícios de crianças, sodomia, bestialidade, idola tria e feitiçaria (cf. 7.5; 18.9-12; Lv 18.21-25). Em terceiro lugar, a ordem foi dada em um estágio na cultura do povo escolhido em que a distinção entre a misericórdia aos derrotados e a transigência a seus costumes errados não era nitidamente entendida. O escritor da Epístola aos Hebreus deixa claro que o Antigo Testamento é o registro de uma revelação progressiva que atinge sua expressão plena com a encarnação do Filho de Deus (Hb 1.1-3). Aplicar estas ordens às guerras de hoje seria emprego errôneo e grosseiro da Escritura. Não há que duvidar que, munido com o evangelho e dotado com o Santo Espírito, Paulo teria entrado em Canaã, como entrou em Corinto, para mostrar o triunfo de Deus sobre o mal nas vidas transformadas (cf. 1 Co 6.9-11). Não obstante, há um princípio permanente nos julgamentos deuteronômicos. Deus, como o Senhor da história, sempre julga as nações que ignorantemente quebram suas leis. Ele usou a Assíria como vara (Is 10.5), Nabucodonosor como servo (Jr 25.9) e as legiões de Roma como arautos do seu julgamento (Lc 21.22; cf. Mt 22.7). Para a mentalidade hodierna, este capítulo soa curiosa mistura de humanitarismo culto e selvageria primitiva. A mente cristã examinará particularmente a noção de santidade da guerra. O ensino deuteronômico aqui e em outros lugares deve ser visto no contexto amplo do caráter progressivo da revelação divina. Aqui, o significado da guerra não passa de instrumento de política divina. Considerando a condição vigente naquela sociedade, Israel não poderia ter sobrevivido sem esse recurso. Mas isso não indica aprovação permanente. Mesmo no Antigo Testamento, Deus negou a Davi o privilégio de construir o Templo, porque as mãos do rei estavam mancha das de sangue (1 Rs 5.3). Ademais, o Reino Messiânico é visto como envolvendo a abolição de guerra (Is 2.4; Mq 4.3). O fato de hoje esta sociedade ainda recorrer à guerra não prova nada, exceto que os homens são terrivelmente resistentes à graça de Deus. O reconhecimento de neutralidade e a repulsa contemporânea contra a guerra, em contraste com a glorificação da guerra nos dias primitivos, indicam que alguns passos foram dados em direção ao ideal bíblico. Hertz escreve: “Os cananeus foram postos sob maldição, não porque criam em falsos deuses, mas porque suas ações eram vis; por causa dos sacrifícios humanos e imoralidade repugnante dos seus cultos hediondos. A extirpação judicial dos cananeus é outro exemplo do fato de que os interesses do progresso moral humano exigem, ocasionalmente, o emprego de métodos austeros e inexoráveis”. E legítimo interpretar este capítulo tipologicamente acerca do avanço da justiça de Deus. Ele está ativo no mundo por meio do seu povo nos interesses do seu Reino (1-4); quem se submete a Ele recebe a proposta de paz (10,11); sobre quem resiste vem ojulga mento (12-18), um julgamento que é total e final sobre quem obstinadamente persiste no pecado (17,18). FORD, Jack - Comentário Bíblico Beacon
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