EPISODE · Nov 27, 2021 · 15 MIN
SARTRE COM E CONTRA HUSSERL.
from Sartre na Rede · host Grupo de Estudos Sartre / UECE
Desde A Transcendência do Ego (1936), Sartre deixa clara a preocupação que nunca abandonará ao longo de toda sua vida e obra: tornar a consciência liberta de qualquer instância de interioridade e esvaziá-la de todo conteúdo imanente, concebendo-a como um puro ato. Na fenomenologia de Husserl, Sartre encontra a ferramenta necessária para a confecção de sua própria filosofia. A consciência intencional, tal como Sartre a compreende, seria um puro ato extrospectivo em direção a algo que ela não é, com o qual ela não se confunde e que se encontra, por natureza, exterior a ela. Entretanto, Sartre se mostraria ao mesmo tempo com e contra Husserl, pois percebe que ele próprio – após a virada transcendental, com a publicação do Ideias I, em 1913 – teria incorrido no equívoco de conferir à consciência certa imanência que não seria coerente com a sua estrutura intencional, ao fazer recurso a um Eu Transcendental que atua como polo unificador dos multiplos vividos. Sartre, por sua vez, demonstraria que a noção de intencionalidade dispensaria o recurso a este Eu unificador, pois as múltiplas vivências se unificariam elas próprias no fluxo temporal, por um jogo de retenções passadas e protensões futuras, como Husserl já haveria nos mostrado em suas Lições para uma consciência interna no tempo. Pretendemos, com isto, reconstruir a crítica de Sartre à virada transcendental husserliana, enfatizando os pontos de apróximação e separação entre ambos os autores. Palavras-chave: Sartre; Husserl; Fenomenologia; Ontologia; Existencialismo.
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SARTRE COM E CONTRA HUSSERL.
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