Tribuna Livre no CMC Podcasts: fake news e a dificuldade de avanço dos Direitos Humanos episode artwork

EPISODE · Apr 11, 2024 · 47 MIN

Tribuna Livre no CMC Podcasts: fake news e a dificuldade de avanço dos Direitos Humanos

from CMC Podcasts · host Câmara Municipal de Curitiba

O termo fake news se tornou uma realidade cada vez mais presente nos últimos anos. As novas tecnologias, ao mesmo tempo em que favoreceram um maior volume de informação circulando, aumentaram o volume de mensagens falsas. Para a vereadora Giorgia Prates – Mandata Preta (PT), a desinformação é um dos principais obstáculos da democracia. “A fake news tem sido um projeto político de destruição de vidas. Temos de nos preocupar, porque não conseguimos caminhar juntos quando não temos as verdades postas”, disse a parlamentar, no programa Tribuna Livre do CMC Podcasts. Para aprofundar o debate acerca das fake news, Giorgia Prates convidou a professora Megg Rayara e o jornalista Rogério Galindo. Os três abordaram temas como a marginalização da população negra na formação do Brasil, nas campanhas anti-vacinação, na capacidade de novas ferramentas em viralizar fatos distorcidos e como tudo isso impacta em projetos votados na Câmara Municipal de Curitiba. Para exemplificar, foram citados os projetos de lei para cotas trans em concursos públicos municipais, a lei de empoderamento de meninas e a moção de apoio ao hip hop. Especialista em História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, Educação e Ações Afirmativas no Brasil, Megg Rayara disse que, embora o conceito de “fake news” tenha surgido nos últimos anos, o termo serve para explicar uma narrativa nacional que distorce a participação histórica de segmentos sociais, como negros, indígenas e LGBTs. Segundo ela, esse viés é feito com interesses específicos, para o poder ficar concentrado nas mãos de determinado grupo, atacando outros. “O objetivo era reduzir a população negra à condição de objeto, e isso não é de hoje.” Rogério Galindo explicou que a divulgação falsa de fatos não é algo novo, dando exemplos de mentiras contadas por Napoleão Bonaparte, no século XIX, e dos nazistas, no século XX. “O que é mais perigoso, hoje, são as ferramentas, que permitem que isso se espalhe de uma maneira mais virulenta”, disse o jornalista. “A comparação com vírus não é ruim, porque isso se dissemina a partir do momento em que as pessoas vão replicando uma para as outras”, complementou. Ele também falou de casos recentes de fake news no processo eleitoral, como na eleição de Trump em 2016, no plebiscito para a saída do Reino Unido da União Europeia (conhecido como Brexit) e na eleição presidencial do Brasil em 2018. “A mentira sempre foi um problema, mas com os mecanismos que a gente tem hoje, chegou num ponto em que se é capaz de destruir uma democracia”, advertiu Galindo. Fake news impede tramitação de projetos A vereadora Giorgia Prates destacou três projetos de lei que enfrentaram o obstáculo das fake news. Um deles foi a proposta para cota de pessoas trans em concursos públicos municipais. Esse projeto foi barrado em análise da Comissão de Constituição e Justiça. O projeto para uma Política de Empoderamento das Meninas chegou a ir para votação em plenário este ano, mas foi adiado por 84 sessões. Ela também destacou o caso do hip hop, que foi atacado como “coisa de bandido”, mas que acabou com o apoio de uma moção para o governo do Estado reconhecer o hip hop como patrimônio imaterial do Paraná. “Uma das coisas que mais assusta é o fato de que as pessoas pensam que estão informadas, que a fake news é a informação real”, disse a vereadora Giorgia Prates. “Você sentar num bar e trocar uma conversa, é uma coisa. Mas você ser representante do povo, pensar que tem de ter um projeto para a sociedade e tratar as coisas trazendo frases mentirosas, acusações inventadas, é muito assustador.” Para ela, o parlamentar deve atender demandas da população. “Quando se trata de assuntos envolvendo minorias, piora”, resumiu a vereadora.

Episode metadata supplied by the publisher feed · Published Apr 11, 2024

O termo fake news se tornou uma realidade cada vez mais presente nos últimos anos. As novas tecnologias, ao mesmo tempo em que favoreceram um maior volume de informação circulando, aumentaram o volume de mensagens falsas. Para a vereadora Giorgia Prates – Mandata Preta (PT), a desinformação é um dos principais obstáculos da democracia. “A fake news tem sido um projeto político de destruição de vidas. Temos de nos preocupar, porque não conseguimos caminhar juntos quando não temos as verdades postas”, disse a parlamentar, no programa Tribuna Livre do CMC Podcasts. Para aprofundar o debate acerca das fake news, Giorgia Prates convidou a professora Megg Rayara e o jornalista Rogério Galindo. Os três abordaram temas como a marginalização da população negra na formação do Brasil, nas campanhas anti-vacinação, na capacidade de novas ferramentas em viralizar fatos distorcidos e como tudo isso impacta em projetos votados na Câmara Municipal de Curitiba. Para exemplificar, foram citados os projetos de lei para cotas trans em concursos públicos municipais, a lei de empoderamento de meninas e a moção de apoio ao hip hop. Especialista em História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, Educação e Ações Afirmativas no Brasil, Megg Rayara disse que, embora o conceito de “fake news” tenha surgido nos últimos anos, o termo serve para explicar uma narrativa nacional que distorce a participação histórica de segmentos sociais, como negros, indígenas e LGBTs. Segundo ela, esse viés é feito com interesses específicos, para o poder ficar concentrado nas mãos de determinado grupo, atacando outros. “O objetivo era reduzir a população negra à condição de objeto, e isso não é de hoje.” Rogério Galindo explicou que a divulgação falsa de fatos não é algo novo, dando exemplos de mentiras contadas por Napoleão Bonaparte, no século XIX, e dos nazistas, no século XX. “O que é mais perigoso, hoje, são as ferramentas, que permitem que isso se espalhe de uma maneira mais virulenta”, disse o jornalista. “A comparação com vírus não é ruim, porque isso se dissemina a partir do momento em que as pessoas vão replicando uma para as outras”, complementou. Ele também falou de casos recentes de fake news no processo eleitoral, como na eleição de Trump em 2016, no plebiscito para a saída do Reino Unido da União Europeia (conhecido como Brexit) e na eleição presidencial do Brasil em 2018. “A mentira sempre foi um problema, mas com os mecanismos que a gente tem hoje, chegou num ponto em que se é capaz de destruir uma democracia”, advertiu Galindo. Fake news impede tramitação de projetos A vereadora Giorgia Prates destacou três projetos de lei que enfrentaram o obstáculo das fake news. Um deles foi a proposta para cota de pessoas trans em concursos públicos municipais. Esse projeto foi barrado em análise da Comissão de Constituição e Justiça. O projeto para uma Política de Empoderamento das Meninas chegou a ir para votação em plenário este ano, mas foi adiado por 84 sessões. Ela também destacou o caso do hip hop, que foi atacado como “coisa de bandido”, mas que acabou com o apoio de uma moção para o governo do Estado reconhecer o hip hop como patrimônio imaterial do Paraná. “Uma das coisas que mais assusta é o fato de que as pessoas pensam que estão informadas, que a fake news é a informação real”, disse a vereadora Giorgia Prates. “Você sentar num bar e trocar uma conversa, é uma coisa. Mas você ser representante do povo, pensar que tem de ter um projeto para a sociedade e tratar as coisas trazendo frases mentirosas, acusações inventadas, é muito assustador.” Para ela, o parlamentar deve atender demandas da população. “Quando se trata de assuntos envolvendo minorias, piora”, resumiu a vereadora.

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