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Cinegoga
by Cinegoga
Ouça semanalmente uma sinopse resumida de alguma obra da cultura pop, como filmes, livros, séries, desenhos, com uma aplicação filosófica ou bíblica ao final.Episódios de 3 a 4 minutos para começar o dia inspirado.Este podcast pertence ao site www.cristaoscansados.net
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#36 – Sociedade dos Poetas Mortos: A supremacia de Cristo
Sociedade dos Poetas Mortos se passa em uma escola para garotos da alta sociedade em 1959. Ele retrata os métodos pouco ortodoxos de ensino do professor de Inglês John Keating e o reavivamento secreto de um antigo clube literário, a Sociedade dos Poetas Mortos. Enquanto os valores da escola incluem tradição, honra, disciplina e excelência, Keating valoriza a criatividade, espontaneidade e audácia. Ele desafia seus estudantes a olharem para a poesia através de seus próprios corações e aproveitarem o dia, a famosa filosofia do carpe diem, para descobrirem seu verdadeiro eu que está sendo sufocado pelas expectativas impostas pela escola, pela sociedade, seus pais e colegas. Como resultado, cada estudante encara um antagonismo diferente, experimentam uma transformação pessoal e uma recompensa única. Por exemplo, Todd precisa superar suas inquietações para descobrir sua voz criativa; Neil precisa se impor perante seu pai para perseguir seu sonho de se tornar um ator; e Charlie enfrenta a fúria do Diretor Nolan quando ele publica um artigo polêmico no jornal da escola. Quando uma tragédia ocorre, os alunos são interrogados individualmente e jogados uns contra os outros para conseguir a rescisão de Keating. Em uma cena poderosa de fechamento, Keating retorna à sua classe para retirar seus pertences. Em um dos momentos mais famosos do cinema, seus estudantes, um por um, ficam de pé em cima de suas mesas e saudam seu mentor, citando o poema de Walter Whitman: "Ó Capitão! Meu Capitão!" Seu amado professor vai embora sabendo que apesar do sofrimento desses alunos, as autoridades não roubaram as lições que ele lhe havia plantado em seus corações. Sociedade dos Poetas Mortos é um retrato inspirador de audácia versus controle que a audiência pode ser levada a adotar como filosofia. Mas a visão de mundo promovida por Keating não é exatamente um sinônimo com a visão de Jesus. A primazia pela liberdade pessoal e auto-realização geralmente competem com nossa aliança com o senhorio de Jesus em nossas vidas. Além do mais, a Bíblia nos chama para honrar nossos pais, obedecer às autoridades, e exercer liderança espiritual. A verdade suprema e destino pessoal não são encontrados simplesmente ao se desfazer das restrições e fazer o que achamos ser certo aos nossos olhos, mas através de nossa submissão a Deus. Mas a Bíblia também apresenta outro lado: resistir aos padrões deste mundo e colocar o Evangelho acima de qualquer outra instituição humana seja religiosa, política ou familiar. Assim como Daniel, seguidores fiéis de Cristo não se curvam perante ídolos e reis, mas ficam de pé em cima de suas mesas e declamam, "Ó Senhor! Meu Senhor!".
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#35 – A Ilha: vida plena
Lincoln Six-Echo é o residente de uma aparente Utopia confinada em um cenário subterrâneo no ano de 2019. Como todos os habitantes deste ambiente cuidadosamente controlado, Lincoln espera ser o escolhido para ir morar na Ilha, anunciada como o último pedaço de terra não contaminado do planeta terra. Mas Lincoln logo descobre que tudo acerca de sua existência é uma mentira. Ele e todos os outros habitantes do recinto são na verdade clones. Lincoln realiza uma fuga audaciosa com uma bela residente chamada Jordan Two-Delta. Implacavelmente perseguidos pelas forças do sinistro instituto que já os abrigou, Lincoln e Jordan se engajam em uma corrida por suas vidas e para literalmente conhecerem seus criadores. Em determinado momento, logo no início do filme, vemos Lincoln inconformado com a rotina e o sistema de vida daquele ambiente social. Quem decide o que comer, e quando comer, quem dá todo o suporte para a estrutura e quem define a hierarquia. As pessoas são apenas instruídas a fazerem o que se manda. Por que todos precisam vestir roupas brancas. Eu queria saber as respostas, indaga ele, eu queria que houvesse mais. - Mais? - Pergunta Merrick, seu médico. - Sim, - retruca Lincoln – mais do que apenas esperar para ir para a Ilha. Não é frustrante esse sentimento de que deve haver mais do que a vida nos oferece? Com certeza essa dúvida não existe apenas na cabeça de Lincoln. Muitos passam a vida desejando algo mais profundo, mais significativo para suas vidas. Inclusive muitos cristãos. Apenas vagam pela vida almejando algo que os faça se sentir completos, plenos. Cristo certa vez falou em João 10:10, “O ladrão vem apenas para furtar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.” O que você imagina quando Jesus afirma devemos ter uma vida plena? Você acha que nós, principalmente como cristãos, experimentamos essa tal vida plena que Jesus anunciou? Será que há mais em nossa jornada do que apenas ficar esperando pelo céu, ou já podemos viver o Reino de Deus hoje? Jesus veio para que tivéssemos vida em abundância. Para vivêssemos plenamente, com senso de propósito e restaurados. Mas a única forma de fazer isso é mudar o nosso foco para as coisas que realmente importam, e para aquilo que está além do temporário e terreno. Paulo diz aos Colossenses, “Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus”. Precisamos ajustar nosso foco para as coisas que importam. O mundo sempre tenta nos convencer que possui tudo que precisamos. Mas manter o foco nas coisas eternas, como amor, compaixão, respeito, paciência e bondade, manter nosso foco em Cristo, nos permitirá ter uma vida abundante nele já aqui no presente. É através de Jesus que teremos uma vida incrível, cheia de propósito e felicidade.
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#34 – Náufrago: mantendo os olhos fixos
Chuck Noland (Tom Hanks) é um inspetor da Federal Express, uma multinacional encarregada de enviar cargas e correspondências, e tem por função checar vários escritórios da empresa pelo planeta. Porém, em uma de suas costumeiras viagens ocorre um acidente, que o deixa preso em uma ilha completamente deserta por 4 anos. Certa noite, em sua caverna naquela ilha, Chuck lutava contra o tédio, elementos severos da natureza e sua própria insanidade motivada pela solidão enquanto tentava sobreviver com nada além de sua esperteza como recurso. À medida que a luz da Lua se infiltrava por entre as fendas de seu abrigo, ele buscava esperança constantemente olhando para o relógio de bolso que possuia, onde estava a foto de sua noiva. Não importava o quanto as coisas ficassem difíceis, ou o quanto depressivo ele ficava, ou o quão perto ele chegava de desistir, a foto de seu verdadeiro amor o mantinha focado no que era mais importante, sobreviver e voltar para casa. Por acaso você já teve alguma experiência similar a esta? Ou está no meio de uma neste momento? Já se sentiu completamente perdido e sozinho, quase sem conseguir se manter de pé? Já se sentiu tão sobrecarregado, tão deprimido, e tão desencorajado que a única saída parecia ser a desistência? Bem, você não é o único. Todos nós passamos por isso. Paulo certamente conheceu esse sentimento. É por isso que nos momentos de opressão ele nos encoraja dizendo, "Fixem os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus. Pensem bem naquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que vocês não se cansem nem se desanimem." Hebreus 12:2-3 Precisamos nos lembrar de tudo o que Cristo suportou para nos trazer de volta ao Pai. Lembre-se de sua angústia na cruz, de suas cicatrizes apesar de sua inocência, de toda a dor sofrida apesar de não ter feito nada para merecer. Se nos focarmos nele, mantivermos nossos olhos fixos nele, quando tudo ao nosso redor começar a desmoronar, o retrato de Cristo na cruz nos ajudará a não desanimar e endurecer o coração no meio das provações. Portanto, não importa o quão difícil as coisas se tornem, não importa o quão depressivo você se torne, ou o quão perto de desistir você chegue. Mantenha seus olhos fixos em Jesus, seu verdadeiro amor. Então você estará focado no que realmente importa, voltar para casa com Ele.
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#33 – A Lista de Schindler: dando tudo de si
Em A Lista de Schindler, acompanhamos a inusitada história de Oskar Schindler (Liam Neeson), um sujeito oportunista, sedutor, "armador", simpático, comerciante no mercado negro, mas, acima de tudo, um homem que se relacionava muito bem com o regime nazista, tanto que era membro do próprio Partido Nazista (o que não o impediu de ser preso algumas vezes, mas sempre o libertavam rapidamente, em razão dos seus contatos). No entanto, apesar dos seus defeitos, ele amava o ser humano e assim fez o impossível, a ponto de perder a sua fortuna, mas conseguir salvar mais de mil judeus dos campos de concentração. Observando o perfil de Schindler, provavelmente o consideraríamos o mais improvável dos homens para se tornar um salvador de pessoas inocentes na Polônia da Segunda Guerra Mundial. Além das características já descritas, ele adquiriu uma tremenda fortuna usando a mão de obra mais barata possível, ou seja, Judeus, e por ter feito amizade com pessoas de alto nível no Partido Nazista, através de presentes como dinheiro, mulheres e bebidas. Ainda assim, algo ao longo do caminho de Schindler mudou sua perspectiva das coisas. Ele testemunhou o espancamento e morte de vários judeus inocentes, e assistiu muitos deles serem empilhados em vagões e enviados para os campos da morte. Após testemunhar tantos horrores, Schindler então começa a usar sua gigantesca riqueza adquirida para salvar a vida dos judeus que trabalhavam em sua fábrica, um empreendimento que em breve iria fabricar munição defeituosa para as armas alemãs. Ele arriscou sua vida, usou sua influência, e gastou tudo o que tinha para redimir a vida de cerca de 1300 judeus. As palavras de Jesus ainda soam verdadeiras, “De que adianta um homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”. Talvez a questão que você e eu devemos nos fazer hoje é em que nós estamos investindo a nossa vida? Estamos juntando tesouros na terra ou no céu? Por que não pedimos a Deus hoje que transforme a nossa perspectiva do que realmente importa nesta vida? Quando permitirmos que o Espírito de Deus habite em nós dia após dia, seremos transformados de uma maneira que não teremos outro propósito em nossa vida além de servir a Deus na missão de redimir aqueles que estão a nossa volta. Quando reconhecermos a Cristo como nosso Mestre, nosso antigo estilo de vida ficará no passado, e nos encontraremos como parte de algo muito maior do que nós mesmos.
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#32 – Sim, Senhor: saiba dizer não
No filme “Sim, Senhor!”, Carl Allen, interpretado por Jim Carrey, vive deprimido e de mal com a vida. Nega tudo a todos, evitando os familiares e amigos. Certo dia, ele vai até um culto de auto-ajuda indicado por um conhecido, onde se pregava que devemos dizer sim a tudo que nos acontece ou é oferecido. Quando começa a fazer isso, a vida de Carl muda radicalmente. Ele é promovido, conhece a garota por quem se apaixona e suas amizades melhoram consideravelmente. Toda trama se desenvolve em cima da máxima do palestrante de auto-ajuda. “Diga sempre sim”. Mas o filme até que passa uma mensagem interessante. Dizer sim para tudo que aparece, pode levar a certos exageros e gerar situações complicadas. Se olharmos para o passado, podemos recordar o quanto a religião usou uma estratégia parecida para alcançar o objetivo e suprir a ganância de alguns homens interesseiros. Já que tudo que eles diziam era a lei, elevada até acima de reis e impérios, ninguém ousava contradizer. Muitas superstições eram mantidas para extorquir bens e favores do povo ignorante. Esse período mudou drasticamente com o pensamento humano, levando o homem a buscar mais iluminação intelectual e apelar mais para a razão. Hoje, porém, parece que a coisa tomou um novo rumo. Com essa torrente de informações e propagação de apelos publicitários, muitas vezes se torna difícil ter um senso crítico eficiente. Acabamos balançando positivamente a cabeça para muitas coisas que sequer concordamos. E o que dizer dos preceitos religiosos? Muita gente frequenta semanalmente a igreja e sequer sabe no que acredita. Diz sim a tudo o que o pastor fala. Amém, pra cá, amém pra lá, mas nem se pergunta se isto está certo ou não. Como o filme demonstra, isso pode trazer sérias consequências. Mas antes que você pense que estou dizendo que não devemos acreditar em nada, quero afirmar que esse não é o ponto em questão. Devemos acreditar em algo, pois senão, nossa existência se torna sem sentido. Mas ter fé não significa fechar os olhos e acreditar cegamente. Significa ter certeza de algo tão fortemente, que podemos confiar de olhos vendados. Nos tempo bíblicos, havia uma pessoal da cidade de Beréia, que recebiam a mensagem dos pregadores e oradores da época com grande interesse, mas examinavam tudo para ver se era assim mesmo. Viu só a diferença? Devemos ir a fundo em cada questão, antes de tomarmos uma decisão. E isso equivale também para aquilo que assistimos, lemos e ouvimos.
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#31 – Um Sonho de Liberdade: não desista da esperança
No filme Um Sonho de Liberdade, Andy Dufresne é um banqueiro próspero e bem sucedido, até que um dia ele descobre que sua esposa está tendo um caso. Somando-se a essa injustiça, quando ela e seu amante são assassinados, Andy é erroneamente acusado de cometer os crimes e sentenciado a prisão perpétua na dura Prisão de Shawshank. Lá, confinamento, tédio e trabalho manual forçado começam a quebrar seu espírito. Pior de tudo, uma gangue de homossexuais rotineiramente espancam e molestam ele. Quando Andy descobre que um prisioneiro chamado Red contrabandeia itens, Andy pede a ele que consiga um martelo de rochas, para que ele possa se distrair colecionando rochas. Após isto, eles se tornam amigos próximos. Mais tarde, enquanto os detentos assistem o filme "Gilda", estrelando Rita Hayworth, Andy pede a Red que lhe arranje um poster da bela estrela do filme. Certo dia, Andy confidencia a Red, "Existe algo aqui dentro... que eles não podem alcançar, que eles não podem tocar. Algo que você possui." Quando Red pergunta, "Do que é que você está falando?" Andy responde, "Esperança". A vida muda quando Andy usa seu conhecimento em contabilidade para impedir que Hadley, o chefe dos guardas da prisão, seja taxado pesadamente. Mas tarde, contudo, Warden Norton força Andy a usar suas habilidades bancárias para defraudar dinheiro, fazendo faucatruas com os prisioneiros, usando-os como trabalhadores de empresas privadas na contrução de estradas e depositando seus salários em uma conta em nome de um fictício "Randall Stephens". Enquanto isso, Andy usa seu martelo de rochas para lentamente desbastar a parede de sua cela, escondendo seu trabalho atrás do poster de Rita Hayworth. No fim, Andy escapa, pega uma das identidades do falso Randall Stephens, e foge para o méxico. Red mais tarde é solto em condicional, e se junta a Andy. Na Bíblia, um jovem chamado José foi falsamente acusado de um crime e enviado para a prisão. Ele passou muitos anos lá e eles feriram seus pés com grilhões, até que um dia, ele foi solto. Assim como Andy, José se manteve vivo por causa da esperança de que um dia ele seria solto. Andi disse, "Esperança é algo bom, talvez a melhor de todas as coisas, e coisas boas nunca morrem." A esperança é sim algo bom, e apesar de a melhor coisa de todas ser o amor por Deus e pelos outros, a esperança está entre as três coisas mais vitais para o ser humano nesta vida. Por isso, confie sempre em Deus e nunca desista da esperança.
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#30 – Amnésia: crise de identidade
No filme Amnésia, um ladrão ataca Leonard Shelby e sua esposa. Infelizmente sua esposa morre, mas mesmo sobrevivendo Leonard adquire um trauma neurológico que o impede de gravar na memória fatos recentes, o que faz com que ele esqueça por completo algo que acontece poucos instantes antes. Para lidar com esse problema, Leonard cria um sistema de anotações, fotos e tatuagens para relembrá-lo das pistas de sua investigação particular acerca do assassino de sua esposa. O problema é que alguns supostos amigos de Leonard, cientes de sua condição, lhe contam mentiras e dão falsas pistas para manipulá-lo e tirarem proveito dele. Em um determinado diálogo com Teddy, um amigo vigarista, Leonard é questionado: “Você já não sabe mais quem é, sabe?” “Claro que sei”, responde. “Sou Leonard Shelby. Sou de São Francisco.” Teddy retruca: “Não, esse aí é quem você era. Talvez seja hora de começar a investigar a si mesmo.” Após esse diálogo, Leonard encontra várias revelações a respeito de si mesmo que o fazem questionar sua identidade, criando uma crise em sua mente. O que leva ao final do filme com um final chocante. É interessante notar que desde a criação da raça humana de acordo com o relato bíblico em Gênesis 1 e 2, nossa identidade já estava estabelecida. O Deus Criador disse: “Vamos fazer a raça humana à nossa imagem e semelhança.” E assim o fez. Mas quando observamos a entrada do pecado no mundo, notamos que isso só ocorreu porque o ser humano teve uma crise de identidade. A serpente diz a Eva que se ela comesse do fruto proibido, se tornaria como Deus, e ela se esqueceu que já era como Deus, e comeu do fruto. Mas a grande beleza da história da redenção, é que onde o ser humano caiu, Cristo retomou e triunfou. Quando observamos o início do ministério de Jesus, notamos que em seu batismo, a voz de Deus ecoa do céu dizendo: “Este é o meu filho amado.” O Pai reafirma a identidade do Filho. Mas em sequência, Jesus vai até o deserto para ser tentado, e as primeiras palavras que saem da boca do Diabo são: “Se tu és o Filho de Deus...”. Cristo é tentado a duvidar de quem era, e assim como Eva, entrar em uma crise de identidade que encerraria nossas chances de redenção. Mas Jesus sabia quem ele era, e buscando o tempo todo a referência de seu Pai, ele consegue concluir seu ministério e garantir a restauração da nossa identidade. Talvez você tenha esquecido quem você é, e a dúvida te deixou em crise. Se isso está acontecendo, volte-se para a Bíblia. Olhe para Deus e escute sua voz dizendo: “Você é o meu filho amado, você é a minha imagem e semelhança”.
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#29 – Questão de Tempo: prioridades primeiro
No filme About Time, traduzido no Brasil como Questão de Tempo, conhecemos o Jovem Tim Lake, que ao completar 21 anos, descobre por seu pai, que os homens de sua família tem uma habilidade especial. Eles podem voltar no tempo e reviver momentos e experiências que já tenham vivido antes. Ele não pode alterar a história mundial, mas pode sempre reescrever a própria história. Ao saber dessa notícia, ele resolve fazer de sua vida algo melhor, e sua primeira meta é arranjar uma namorada. Infelizmente, isso acaba sendo mais difícil do que você imagina. Ele se muda do interior da Inglaterra para a capital Londres, para trabalhar como advogado e finalmente acaba conhecendo a bela e insegura Mary. Eles se apaixonam, mas logo após isso, Tim viaja no tempo, e por realizar ações diferentes, isso faz com que eles nunca tivessem se conhecido. Por isso, eles se encontram pela primeira vez várias e várias vezes, até se apaixonarem novamente. No resto do filme, Tim usa sua habilidade para criar o pedido de casamento perfeito, evitar um desastroso discurso de seu padrinho na cerimônia, salvar a vida de sua irmã e a carreira de seu melhor amigo. Mas uma coisa muito interessante acontece. Não vou entrar em detalhes para você não perder a surpresa do filme, caso resolva assistir. Ao tomar certas decisões, Tim desconstrói seu futuro, e ao alterá-lo perde partes importantes do que havia alcançado antes. Isso me leva a uma reflexão acerca de como levamos nossas vidas, das decisões que tomamos e daquilo que consideramos mais importante dentro dos limites de nossa existência. Imagine que você tivesse essa mesma habilidade e pudesse refazer seu passado e alterar seu futuro. Que coisas você gostaria de mudar? Quantas vezes, por exemplo, falamos algo e imediatamente gostaríamos de poder voltar atrás e desfazer aquilo? Quantas decisões tomamos e quantas ações realizamos, que só nos trazem arrependimento e dor? Como seria bom poder voltar atrás e consertar tudo isso. Mas não infelizmente não podemos. O filme, porém, não nos leva a ter inveja do talento de Tim, mas nos convida a enxergar a vida com outros olhos. Se não podemos realizar a tal da viagem no tempo, deveríamos redobrar e até triplicar a atenção naquilo que fazemos e falamos. Quem sabe pensaríamos duas vezes antes de trocar uma palavra áspera com alguém, de magoar quem amamos, de expandirmos nossas amizades e relacionamentos, de sermos profissionais melhores, cristãos melhores, e fazermos de tudo que nos cerca, um lugar melhor para se viver. Ao nos colocar sob tal perspectiva, não é perda de tempo reavaliar nossas prioridades, aquilo que realmente possui mais valor para nós, como família e relacionamentos. Com o passar do tempo, Tim aprende que cada dia que ele tem é um presente que deve ser vivido em sua plenitude, e até os momentos desagradáveis, a dor e a tristeza que sentimos podem nos servir de aprendizado para nos tornarmos pessoas melhores. A vida passa muito rápido, e se não pararmos um pouco de vez em quando para apreciá-la, perderemos o show. Tim eventualmente aprende que a vida não se trata de estar preso ao passado, mas de construir um futuro melhor hoje mesmo. E com o passar do tempo, ele passa a usar cada vez menos sua habilidade e simplesmente viver aquilo que está diante dele. Meu convite hoje pra você, é que aprecie seus momentos, pois eles não voltam. E se por acaso você ainda estiver preso no passado, por algo que tenha dito ou feito, busque emendas para construir um futuro melhor e priorize aqueles que estão ao seu redor, com amor, paciência e muito cuidado e carinho no agir e no falar.
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#28 – Carruagem de Fogo: identidade em Deus
O filme Carruagem de Fogo de 1981, conta a história verdadeira de dois homens que estão treinando para correr nas Olimpíadas de 1924. Ambos são excelentes corredores, mas eles correm por razões diferentes. Eric Liddel é motivado por sua fé cristã. Ela permeia tudo o que ele faz. Ele acredita que o poder para correr e terminar a corrida vem de um íntimo comprometimento com Deus. De fato, em certo momento do filme ele diz, “Quando eu corro, eu sinto o prazer de Deus”. Já Harold Abrahams corre por uma razão diferente. Como Judeu, ele é motivado por um desejo de provar que não pertence a uma raça inferiora de pessoas, uma crença que era muito comum entre várias pessoas na época que o filme retrata. Ele sente que será aceito pelo mundo, mas somente se ganhar. Uma das principais frases que ele diz no filme é, “Quando eu corro, eu tenho 10 segundos para justificar minha existência.” Quanta diferença, não é mesmo? Um corre pelo prazer de usar um dom que Deus lhe deu. Ele encontra toda sua realização e identidade em Deus, e desfruta desse sentimento. Já o outro, busca sua identidade em suas próprias realizações, e por causa disso, não possui prazer no que faz, apenas pressão. Mais tarde no filme, durante as Olimpíadas, Eric decide que não irá participar de uma das provas em que ele está qualificado, pois a corrida será em um Domingo, que para ele é seu dia de descanso e adoração a Deus e não pode ser comprometido. O príncipe de Gales, seu país natal, e o comitê olímpico se encontram com Eric para convencê-lo a deixar de lado suas crenças apenas por essa única prova. Mas ele rejeita o pedido deles e nega a sugestão de que está sendo desleal ao seu rei e seu país. Apesar da tremenda pressão, Eric permanece firme em sua decisão de descansar em Deus. Que grande história e bela lição para nós. Talvez alguns pensem que não tem problema algum em participar de uma corrida em um dia considerado sagrado, especialmente nos dias de hoje. Mas para Eric, era algo muito importante e ele estava determinado a se posicionar. Esse é o princípio que nós precisamos aprender. Assim como Eric, temos que possuir um comprometimento tão grande com Cristo a ponto de estamos dispostos a obedecê-lo a qualquer custo, e a descansar nele para não esquecermos que apesar de nossos esforços, nossa identidade se encontra na soberania dele. Nas palavras do próprio Cristo em Lucas 21:19, "É perseverando que vocês obterão a vida."
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#27 – Toy Story 1: ressentimento mortal
Na hilária animação Toy Story, Woody é um cowboy clássico de brinquedo e, como brinquedo favorito de Andy, é o respeitado xerife e líder de todos os outros brinquedos. Um dia, logo antes da família de Anddy se mudar para outro lugar na cidade, Andy recebe um novo brinquedo de aniversário - o Patrulheiro espacial Buzz Lightyear do Comando Estelar. Buzz possui tantas características legais que todos os outros brinquedos ficam admirados com ele, que rapidamente toma o lugar de brinquedo favorito do Andy. Woody lamenta: "Que chance um brinquedo como eu possui contra o boneco do Buzz Lightyear?" Para complicar a situação, Buzz não consegue aceitar o fato de que ele é apenas um brinquedo, pois pensa que é realmente um patrulheiro espacial em uma missão de salvar a galáxia. Woody, cheio de inveja declara, "Fique longe do Andy. Ele é meu, e ninguém irá tirá-lo de mim." Woody decide substituir Buzz durante uma saída da família empurrando Buzz para trás da mesa do Andy, mas as coisas dão erradas e o patrulheiro acidentalmente cai da janela. Os outros brinquedos se voltam contra Woody, pensando que ele tentou matar o Buzz. Woody percebe que precisa resgatar Buzz, e a aventura que se segue é uma hilariante lição das consequências da inveja. Woody tenta convencer Buzz de que ele é apenas um brinquedo de ação e Buzz finalmente aceita o fato. E de sua parte, Woody finalmente admite que Buzz é muito mais legal que ele como brinquedo. Ao fim, cada brinquedo arrisca sua vida para resgatar o outro, e acabam se reunindo aos outros brinquedos na nova casa do Andy. Na Bíblia, Jacó tinha um filho preferido, chamado José, e lhe deu um casaco fino e cheio de cores. Os outros dez irmãos de José ficaram com tanta inveja dele que o venderam como escravo para o Egito, e então, disseram ao pai deles que José tinha sido morto por uma besta selvagem. Talvez nós possamos pensar que nunca faríamos algo tão hediondo assim, mas lembre-se, Woody também não queria matar Buzz, mas a inveja o levou a cometer algo ruim. A Bíblia nos adverte que "O ressentimento mata o insensato, e a inveja destrói o tolo." Jó 5:2, e destaca que "onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males. Tiago 3:16. Incluindo coisas que nunca pensamos que faríamos. Por isso, não permita que a inveja entre no seu coração.
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#26 – A Origem: além da superfície
Imagine um mundo onde é possível entrar na mente humana e explorar segredos valiosos do inconsciente, durante o estado de sono. É nesse mundo que Cobb, interpretado por Leonardo diCaprio, é um habilidoso ladrão de segredos, contratado para diversas missões no inconsciente de pessoas poderosas e influentes. Em sua carreira, porém, ele acaba se envolvendo em diversos problemas onde sua esposa perde a vida, e seus filhos são levados. Para recebê-los de volta, ele aceita a ousada missão de entrar na mente de um herdeiro de um império econômico, e ao invés de roubar uma ideia, ele precisa plantar outra que fará o herdeiro arruinar o poderio econômico desse império. Para realizar este feito inédito, ele conta com a ajuda de seus parceiros para seguir em sua jornada pela terra dos sonhos. O universo criado em cada mente em que eles viajam, é incrivelmente profundo e complexo, e é também possível se adentrar cada vez mais em camadas de sonhos mais profundas. Quanto mais fundo eles entram no subconsciente, mas complexo se torna qualquer ação. Tomando toda essa lógica como uma metáfora, pare para pensar comigo. Pense em na quantidade de informação a que estamos expostos todos os dias. Dezenas e centenas de cartazes, outdoors, placas, comerciais e programas de tv, rádio, jornal, sem falar na inesgotável internet. Com tanta abundância de informação, qual foi a última vez que você se aprofundou em algo? Quando eu digo, aprofundar-se, eu quero dizer procurar saber mais sobre algo, não ficar na superficialidade daquela informação. Se considerarmos o volume dessas informações, creio que podemos concordar que é impossível ir a fundo em todas as questões. Inclusive, já existem doenças catalogadas que estão relacionadas à ansiedade que uma mente pode desenvolver por achar que está perdendo alguma informação. Não pode desligar sua tv ou rádio, não pode se desconectar do facebook, porque no instante em que o fizer, perderá algo importante. É claro que não podemos nos aprofundar em tudo, e é por isso que devemos ter cuidado com as decisões que tomamos e as informações que compartilhamos. Você já compartilhou em seu twitter ou facebook algo que alguém te encaminhou, sem ao menos pesquisar para ver se essa informação era verdadeira? É muito comum as pessoas citarem pesquisas e colocarem o nome de uma universidade famosa, ou um texto assinado por alguém conhecido, para validar uma falsa informação. É preciso muito critério para digerimos as informações que consumimos, pois não sabemos de todas as coisas, pelo contrário, Isaac Newton já dizia que: “O que conhecemos é uma gota, e o que ignoramos é um oceano”. Portanto, eu encerro a coluna de hoje fazendo um convite a você. Desenvolva a habilidade de saber filtrar o que é preciso filtrar, e se aprofundar no que é preciso se aprofundar. Seja no seu lazer, no seu trabalho, em suas relações sociais, familiares e também na sua religião.
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#25 – Interestelar: o humanismo atinge as estrelas
O ex-cientista, engenheiro e piloto Cooper, juntamente com seus filhos Tom e Murph, sobrevivem em suas terras plantando milho, um dos poucos alimentos que ainda subsistem ao clima caótico de um futuro não muito distante. Após uma tempestade de areia em que Murph se esquece de fechar a janela de seu quarto, ela descobre uma anomalia na gravidade em seu quarto, e por causa da poeira acumulada, alguns códigos e coordenadas aparecem de forma codificada. Cooper interpreta como coordenadas geográficas e localiza uma base secreta da NASA não muito longe de seu lar. Ao ser interrogado e reconhecido, ele é convocado a participar de uma missão bem ousada com alguns outros cientistas para explorar um buraco de minhoca recém descoberto. Para retomarem uma exploração anterior de encontrar um possível novo lar. Cooper precisa decidir se irá arriscar tudo, inclusive nunca mais poder ver seus filhos, para sair nessa expedição, por outro lado, sua recusa pode significar o fim da raça humana. Após muito tempo explorando o espaço, indo em direção ao local designado, a tripulação de cientistas recebe dados de 12 planetas, explorados por outros 12 cientistas, mas de acordo com os dados, apenas 3 desses 12 planetas possuem potencial para habitação humana. Eles vão até o primeiro planeta, mas um acidente somado com a diferença temporal da região, faz com que percam décadas de tempo equivalente na Terra. O que deixa tempo apenas para escolher dentre os dois planetas restantes. Aqui acontece uma trama bem interessante. Em um planeta está um cientista muito amado por uma das tripulantes, e pela emoção, ela quer escolher o planeta dele. Por outro lado, os dados do outro planeta são muito mais promissores e Cooper comenta que o cientista que está lá, Dr. Mann, é o melhor de todos eles, portanto, o mais racional é ir até ele. Ao fim de muita discussão eles resolvem ir ao planeta do Dr. Mann, mas ao chegar lá, uma triste reviravolta os aguardava. Dr. Mann havia forjado os dados para ser resgatado, logo, o planeta era completamente hostil e inabitável. É interessante que o filme Interestellar possui um conceito muito mais perigoso do que filmes abertamente satânicos. Sabe por que? O filme coloca o ser humano como sua própria salvação. A força de vontade e resistência humana é o suficiente para fazê-los encontrar um meio de sobreviver. Esse tipo de frase e conceito é repetido o tempo todo no filme E sabe por que esse tipo de pensamento é tão perigoso? Se olharmos para a Bíblia, veremos que foi a vontade de um anjo de se voltar para si mesmo que o fez cair em pecado. E esse mesmo comportamento levou Adão e Eva à queda também. Ohar para mim mesmo como o centro de tudo e a razão de todas as coisas é o maior pecado que podemos cometer, e geralmente, aquele que atrai todos os outros pecados. Tiago diz no capítulo 4 verso 1: “De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês? Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam.” O nosso próprio eu sem Deus, é o maior perigo que enfrentamos. É isso o que Deus nos diz através de Jeremias 17 verso 5: “Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor.” É somente em Deus que nossa salvação se encontra. Jeremias conclui no verso 7: “Mas bendito é o homem cuja confiança está no Senhor.” Que você busque sempre a Deus e que sempre fuja de tentar sentar no trono do seu próprio coração.
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#24 – A Outra História Americana: colocando o eu pra morrer
Como parte de um trabalho para a escola, Danny Vineyard começa a escrever uma redação sobre a história de vida de seu irmão, Derek. O pai de ambos havia sido morto na linha de dever, protegendo um grupo minoritário, e foi justamente uma pessoa de uma minoria social que o matou. Esse fato muda radicalmente a visão de mundo de Derek e ele se torna um racista e defensor da ideologia neonazista. Após cumprir 3 anos na prisão por ter matado 2 ladrões que tentaram roubar sua caminhonete, Derek finalmente é solto. Através da narrativa de seu irmão Danny, aprendemos que antes de ir para a cadeia, Derek se tornara um skinhead e líder de uma violenta gangue de supremacia alemã que cometia crimes racistas por toda a cidade de Los Angeles, e suas ações influenciaram Danny fortemente a seguir o mesmo comportamento. Na cadeia, Derek rapidamente se junta a outros skinheads e supremacistas, nutrindo ainda seu ódio pelos outros. Quando ele falha em entender a sobrevivência na cadeia, ele acaba traído e violentado por aqueles que ele julgava serem seus iguais. O único que o ajuda e se solidariza com ele é um rapaz negro que no decorrer da história, após muita resistência da parte de Derek, começa a ensiná-lo a ter uma visão mais ampla do mundo e das diferenças entre as pessoas. Regenerado e solto da prisão, Derek corta seus laços com a gangue e se torna determinado em manter Danny fora do mesmo caminho violento que ele tomou. Mas isso se mostra ser não muito fácil. O mundo de violência e acepção é muito forte e Danny está cada vez mais envolvido com os velhos parceiros de Derek. O enredo do filme não se preocupa em dar uma resposta ou uma conclusão sobre o tema do racismo, mas sim levantar uma discussão menos superficial sobre o assunto. É importante entendermos que a acepção de pessoas é um problema muito grande na nossa realidade. Tiago, em sua carta, já exortava a seus leitores que não tratassem as pessoas com favoritismo, mas sim, enxergassem a todos como iguais. Aparentemente havia esse problema de acepção dentro da própria igreja cristã. O comportamento daqueles jovens neonazistas do filme é um reflexo de suas próprias vidas, de sua visão de mundo. Pode parecer que não, mas em nosso dia a dia, acabamos infringindo, nem sempre no mesmo grau, mas também fazemos acepção, também tratamos os outros com parcialidade e favoritismo. O problema do "eu", ou seja, de colocar a mim mesmo com centro de tudo, gera em nós essa noção de associação com o que te traz vantagens e afastamento de quem possa ser um peso, uma ameaça, ou simplesmente não contribua para meu bem estar e meus interesses. É por isso que o chamado do cristão é para ir além do próprio eu. Jesus pede que seus seguidores neguem-se a si mesmos. Que abandonem seus próprios desejos e o sirvam. O problema é que muitas vezes nós acreditamos que como cristãos, somos apenas chamados para não cometer erros, não fazer o errado. Jesus chamou seus seguidores para mais do que um compromisso passivo. Ele os ordenou que fossem ativos no evangelho, levando cuidado, justiça e igualdade para os outros menos favorecidos. Por muito tempo, Derek colocou seu eu em primeiro lugar, julgando ser soberano em relação aos outros. A morte de seu pai desencadeou ainda mais essa visão. Mas após ser ajudado e amado por alguém que em tese era menos favorecido do que ele, alguém a quem ele odiava, e mesmo assim lhe mostrou favor, sua percepção começa a mudar e ele começa a desenvolver um papel mais ativo para o bem. E quanto a nós? Será que no dia a dia colocamos o eu em primeiro lugar? Será que em nome de nossa sobrevivência e da manutenção de nossa religião, muitas vezes superficial, estamos mais preocupados em atender nossos desejos egoístas, ou estamos genuinamente preocupados com a recuperação da justiça e da igualdade entre nosso próximo? Tiago nos diz que quem sabe que deve fazer o bem e não faz, nisto está pecando. Que tal colocarmos nosso eu de lado e levar o Reino de Deus para as minorias que estã...
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#23 – A Fantástica Fábrica de Chocolates: a ganância é amarga
Charlie Bucket vive necessitadamente em Londres. Apertado em um pequeno barraco onde mora com seus pais e seus acamados avós, Charlie é lembrado sobre o estado financeiro de sua família todos os dias quando ele passa em frente à fantástica fábrica de chocolates de Willy Wonka. Até que um dia, Wonka anuncia um concurso que irá permitir que cinco crianças sortudas conheçam a fábrica por dentro. Tudo o que eles precisam fazer é achar um dos cinco bilhetes dourados escondidos entre as barras de chocolate. A loucura se instaura à medida em que crianças de todo o mundo se atropelam para achar um dos cinco bilhetes premiados. Certo dia, Charlie encontra dinheiro perdido na rua. Desesperadamente faminto, ele compra duas barras de chocolate. Para sua surpresa, ao abrir a segunda barra, lá está um bilhete dourado. É então que ele e seu avô Joe se juntam aos outros quatro ganhadores para fazer o passeio de suas vidas. E melhor do que isso, Wonka promete a eles que ao final do passeio, uma das crianças receberá um prêmio muito maior do que eles podem imaginar. Mas as coisas estão longe de ser como Charlie esperava. As outras quatro crianças eram insuportavelmente fedelhas, e Willy Wonka era o homem mais esquisito que Charlie já havia conhecido. Fora isso, ele estava extasiado por Wonka e sua fantástica fábrica. Mas enquanto o tour progredia, uma a uma as crianças caíam vítimas de seus vícios, ganâncias, ódio, egoísmo e glutonaria. Ao fim, apenas Charlie permaneceu para ganhar o prêmio, a própria fábrica de chocolates. Mas para receber seu prêmio, havia uma condição para Charlie. Ele precisava dizer adeus a sua família para sempre. Quando Charlie se recusa, Wonka fica chocado. Apenas quando Charlie ajuda Wonka a se reunir com seu próprio pai é que ele finalmente entende a escolha de Charlie e a importância da família. Sendo assim, ele convida Charlie e toda a sua família para viver com ele na fábrica. Vindo de um cenário humilde, sem uma aparência de destaque, e claramente sem habilidades especiais, Charlie é um herói improvável. Mas ele tinha uma coisa que as outras crianças não tinham: caráter. Isso me faz lembrar das palavras de Jesus em Mateus 7:13 e 14, "Larga é a porta e amplo é o caminho que leva à destruição, e muitos entram por ela. Mas pequena é a porta e estreito é o caminho que conduz à vida, e apenas alguns a encontram." Ao se recusar a ser guiado pela ganância e pelo egoísmo, Charlie mostrou que era digno de receber a fábrica. E quanto a nós? Estamos trocando nossa herança por uma tigela de ensopado, ou estamos dispostos a percorrer o caminho menos tomado em direção ao grande prêmio?
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#22 – Coração Valente: de pé pela justiça
No épico filme Coração Valente, encontramos uma Escócia dividida. Aproveitando sua vulnerabilidade, o rei Edward I, da Inglaterra, invadiu e ocupou a terra. Ele apaziguou os governantes escoceses, que nada faziam enquanto os nobres ingleses oprimiam o povo comum. Esses nobres também recebiam o escandaloso privilégio de passar a noite de núpcias com todas as noivas escocesas. Quando Willian Wallace, filho de um nobre escocês, se apaixona pela amável Murron, eles se casam secretamente para evitar que ela fosse violentada. Um nobre inglês descobre, porém, e faz com que o xerife local a execute publicamente. Willian fica tão furioso que conduz os aldeões para derrubarem a guarnição e incendiarem o castelo. Em seguida, todos os escoceses se levantam atrás deles em revolta declarada. William derrota os Ingleses em uma série de batalhas épicas, mas os nobres escoceses, sem quererem perder seus conforto e status social, se recusam a juntarem-se a ele. Ainda por cima, dois desses nobres traem William e o herdeiro do trono da Escócia ainda captura William e o entrega aos ingleses. Willian é torturado, mas não desiste de suas convicções. Ele morre aos gritos de, "Liberdade!". Felizmente, um jovem idealista, filho do herdeiro escocês, retoma a batalha de William e expulsa os ingleses de suas terras. Na Bíblia, os fracos e divididos israelitas eram frequentemente conquistados por invasores estrangeiros, que ocupavam suas terras e os oprimiam. Deus repetidamente levantou corajosos líderes que conduziam o povo à expulsão desses opressores. Alguns exemplos são Sansão, Gideão, e Jefté, mas o que mais se aproxima do exemplo de William Wallace foi Baraque. Embora algumas tribos como a de Issacar e Zebulom arriscavam suas vidas para lutarem por ele, muitas tribos israelitas como Aser, Dã e Gileade, assim como os nobres escoceses, ficaram em suas casas e se recusaram a lutar. Deus ainda busca hoje por bravos homens como Baraque e bravas mulheres como Débora que se levantem e digam, "Chega!". Que andem pelo mundo dispostos a mostrarem o exemplo divino para que outros os sigam. Que quando o chamado de Deus chegar, se levantem, façam a diferença, e mudem as coisas que precisam ser mudadas. Peça a Deus para lhe dar coragem para ser uma dessas pessoas, e que quando Deus chamar, possamos estar prontos e dispostos a servi-lo.
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#21 – A Sociedade do Anel: A marca do herói
Numa terra fantástica e única, chamada Terra-Média, um hobbit (criatura de estatura entre 80 cm e 1,20 m, com pés peludos e bochechas um pouco avermelhadas) recebe de presente de seu tio o Um Anel, um anel mágico e maligno que precisa ser destruído antes que caia nas mãos do mal. Para isso o hobbit Frodo (Elijah Woods) terá um caminho árduo pela frente, onde encontrará perigo, medo e personagens bizarros. Ao seu lado para o cumprimento desta jornada aos poucos ele poderá contar com outros hobbits, um elfo, um anão, dois humanos e um mago, totalizando 9 pessoas que formarão a Sociedade do Anel, título do primeiro filme da trilogia O Senhor dos Anéis. Um dos personagens mais marcantes dessa história criada pelo famoso escritor Tolkien, é sem dúvidas o Gandalf, o cinzento. Gandalf ouviu acerca do Um Anel por toda a sua vida. O anel do poder. O anel que poderia torná-lo o mago mais poderoso de toda a Terra-Média. E em determinado momento, ele se vê diante da oportunidade de ter o anel para ele. O hobbit Bilbo Baggins havia deixado o anel dentro de um envelope em sua capa, e se Gandalf quisesse, ele poderia pegá-lo. Ainda assim, algo fez com que o sábio mago entendesse que possuir aquele anel traria para si uma grande tentação. Ele não conseguiria lidar com tamanho poder e isso iria corrompê-lo e destruí-lo. Ele então resiste ao anel e garante que Frodo, o sobrinho de Bilbo seja o novo guardião do anel, demonstrando que a humildade é a marca de um herói. Em uma de suas cartas, Paulo diz aos cristãos de Filipos, “Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.” Ele então ilustra esse conceito mostrando o que Jesus fez quando morreu por nós. Está nos versos 5 a 8 e diz assim, “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!”. Na noite antes de ser crucificado, Jesus orou para que seu Pai mostrasse outro caminho mais fácil para trazer salvação à humanidade. Mas a ênfase de sua oração foi que a vontade do Pai fosse feita, e não a sua própria. Ele sabia que enfrentaria uma morte terrível, não apenas por causa da dor física, mas também por causa da separação que teria de Deus, e é claro que ele iria preferir não passar por isso. Mas Jesus escolheu morrer pelo pecado da humanidade. Mais do que um simples heróis, Cristo foi e é o Salvador. Por acaso você já enfrentou uma escolha pelo menos remotamente parecida? Não necessariamente uma questão de vida ou morte, mas uma escolha de colocar outros à sua frente? Quando você escolhe permitir que as necessidades dos outros sejam priorizadas em relação às suas, você demonstra uma humildade similar à de Gandalf em relação ao anel. Quando você escolhe colocar outros à sua frente por causa de seu crescimento como Cristão, você demonstra aos outros como vive alguém que tem a mente de Cristo.
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#20 – Detona Ralph: Aceitação e Realização
Ralph é o vilão de Conserta Félix Jr., um popular jogo de fliperama que está completando 30 anos. Mas apesar de cumprir suas tarefas à perfeição, Ralph gostaria de receber uma atenção maior de Felix Jr. e os demais habitantes do jogo, que nunca o convidam para festas e nem mesmo o tratam bem. Para provar que merece tamanha atenção, ele promete que voltará ao jogo com uma medalha de herói no peito, no intuito de mostrar seu valor. É o início da peregrinação de Ralph por outros jogos, em busca de um meio de obter sua sonhada medalha. Talvez em uma primeira olhada na premissa da animação Detona Ralph, da Disney, podemos ser levados a pensar que a ideia do filme é de promover uma filosofia oriental onde mal e bem são forças em equilíbrio e uma precisa da outra para existir, portanto, cada uma faz sua parte. Bem, quem achar que o filme segue esta lógica está redondamente enganado. Ralph não é mal de verdade, é apenas um ator no jogo de fliperama. O problema é que quando o jogo acaba e os cidadãos voltam às suas rotinas, todos ainda o tratam com desprezo e exclusão. E para tentar mudar esse panorama ele corre atrás da tal medalha. Para Ralph, assim como muitos de nós, a felicidade e aceitação têm a ver com a glória que recebemos, com o reconhecimento que o mundo nos dá. A insatisfação de Ralph é derivada de três pontos: sua geografia, seu trabalho e suas habilidades. Ele não gosta do local em que nasceu e se encontra, está insatisfeito com a função que ele desempenha e com os dons com que foi dotado. De alguma forma, se ele puder mudar essas coisas, ele pensa que será mais feliz. O problema é que ao tentar mudar tudo isso, ele acaba gerando muito caos e machucando muitos à sua volta. Ralph não precia de uma mudança de localização, vocação ou capacitação. O que ele precisa é de relacionamentos e amor. Será que como Ralph não estamos buscando aceitação e realização nos lugares errados e pelos motivos errados? O apóstolo Paulo nos diz que qualquer coisa que fizermos sem amor, será como um sino que não faz barulho. Mas apesar de toda a bagunça gerada por ele, o roteiro do filme muda drasticamente e Ralph se vê envolvido em uma nova história onde o conflito não tem a ver com ele, mas com outros. É aí que ele aprende que o amor e o relacionamento fazem diferença na motivação de suas ações, e através de suas habilidades, ele é capaz de desempenhar um trabalho para mudar o local onde ele se encontra e inclusive se doar totalmente pelo bem dos outros. Paulo também nos diz que devemos estar contentes em todas as situações e satisfeitos com o que temos, pois nós temos Cristo, o conhecemos e somos conhecidos por ele. Dessa forma, também usaremos nossas habilidades e nosso trabalho para transformar o lugar onde estamos.
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#19 – Breaking Bad: Drogado pelo Ego
Walter White é um professor de química que trabalha em uma escola secundária no Novo México. Para atender às necessidades de Skyler, sua esposa grávida, e Walt Junior, seu filho deficiente físico, ele tem ainda um segundo emprego numa lavadora de carros. Sua vida que já não é fácil, fica ainda mais complicada quando é diagnosticado com câncer no estágio 3, com uma expectativa de apenas mais 2 anos de vida. Ciente de que não tem mais nada a perder, ele se torna determinado a garantir que sua família terá um futuro seguro, e embarca em uma carreira de drogas e crimes. A partir desse momento, vemos um homem antes inseguro, se sair muito bem e com muita proficiência neste novo mundo, à medida que começa a fabricar e vender meta-anfetamina com um de seus ex-estudantes. Essa é a série Breaking Bad, recordista com a maior nota já atribuída a um episódio, que mostra de forma brilhante, tanto em técnica como em roteiro, o impacto de um diagnóstico fatal em um homem regular e trabalhador e explora como essa notícia afeta sua moralidade e o transforma em um dos maiores negociantes de drogas do estado. Apesar de ser uma série recheada de prêmios, além de entrar para a história como uma das melhores produções da televisão, ela não deixa de promover polêmica e olhares tortos, justamente por sua temática ousada e diferente. Muitos a rechaçam imediatamente, alegando que Breaking Bad é uma série que faz apologia às drogas. Isso não poderia estar mais longe da verdade. Para entendermos isso, precisamos antes compreender o que é apologia. Ao contrário do entendimento de muitos, o ato de fazer uma apologia a algo, não implica simplesmente em mostra-lo ou descrevê-lo. Apologia vai mais além. Significa defender o lado favorável, seja de uma ideia ou de um objeto ou ação. Significa louvá-lo e muitas vezes destacar apenas seus lados positivos, enquanto se esconde as desvantagens. Se aplicarmos o conceito de apologia ao simples ato de descrever algo, poderíamos afirmar, por exemplo, que a Bíblia é uma apologia ao assassinato, adultério, mentira, e pecado em geral. Mas nós sabemos que isso não é verdade, porque a Bíblia descreve esses pontos de forma ampla e transparente, mostrando as consequências desses atos. É precisamente isso que observamos na série. Walter consegue juntar muito, mas muito dinheiro em pouco tempo, mas longe de conseguir uma vida boa e assegurar um futuro promissor para sua família, o que vemos é a degradação de seu caráter, a destruição de sua família e o afastamento de todos os seus relacionamentos. Ao fim da série em 2013, vemos um personagem pior do que nunca. Não apenas sua saúde se foi, como qualquer traço de virtude que ele possuía antes. Inclusive o nome original Breaking Bad, sem uma tradução literal para o português, significa algo como indo de mal a pior. É justamente isso que vemos. Pior do que o câncer que o está matando, vemos a ganância e a maldade corroendo Walter cada vez mais, até que não lhe sobre nada, e a família que ele tanto queria proteger, é desfigurada, desmontada e deixada em pedaços. Não, Breaking Bad não é uma apologia às drogas, e mesmo mostrando o efeito das drogas nas pessoas que as usam, a série também não é simplesmente uma apologia contra as drogas. Ela vai mais além, é uma placa de aviso, alertando a nós, telespectadores, que a ganância e depravação humana não têm limites quando o ego determina nossas ações.
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#18 – 24h: uma única concessão
Um dos programas mais famosos de televisão da última década, sem dúvida é o seriado 24 horas. Em seu enredo, vemos o agente especial Jack Bauer, interpretado por Kiefer Sutherland, da Unidade Anti-Terrorista de Los Angeles. As temporadas da série se dividem em 24 episódios, cada um representando 1 hora em tempo real. Logo na primeira temporada, Bauer já enfrenta um grande desafio. Ele possui menos de um dia para impedir o assassinato de um candidato a presidência dos Estados Unidos. Logo no episódio de abertura, começamos a ter a noção do caráter de Bauer. Jack tem uma conversa com uma colega de trabalho, a agente Nina Myers, enquanto detém seu próprio superior para um interrogatório onde pensa poder extrair informações preciosas sobre a possível atividade terrorista. Ele sabe que pode ir para a cadeia por causa dessa ação, mas também sabe que o que está fazendo é o correto. Nina apela para que Jack apenas “faça vista grossa”, para que sua família não fique sozinha por ele ter que ir pra prisão. É então que Jack responde a Nina: - Nina, você pode fazer vista grossa uma vez e não há nada demais nisso. Exceto que torna muito mais fácil fazer concessões nas próximas vezes e logo tudo o que você faz é abrir concessões, pois é assim que você acha que as coisas são feitas. Sabe aqueles agentes que eu denunciei à corregedoria? Você acha que eles eram pessoas más? Pois não eram. Eles não eram maus. Eles eram como você e eu... só que eles abriram concessão uma única vez. De acordo com Jack, o que o separava dos homens que ele havia mandado para a prisão, era o simples fato de que eles haviam comprometido seu caráter uma única vez, e isso havia aberto uma avenida de más decisões. Você concorda com Jack? Abrir concessão uma única vez abre caminho para se comprometer novamente? Bem, é o que Tiago parece afirmar quando escreve: “Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte. Meus amados irmãos, não se deixem enganar.” Tiago 1:14-16 Tiago termina falando de morte como consequência, mas tudo começa com fazer uma concessão à nossa própria tentação. Pense bem, quais são aquelas pequenas coisas que você finge que não são nada, mas podem virar uma bola de neve e acabar em dor e destruição? Lembre-se, pequenos sucessos e pequenos erros são o primeiro passo para maiores sucessos ou maiores erros, mas Deus nos dá poder para manter nossos olhos fixos nele, e resistimos à tentação do primeiro passo.
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#17 – Superman, o retorno: Todos precisam de um salvador
O filme Superman, o retorno, começa 5 anos após o misterioso desaparecimento de Superman na terra, quando ele viaja em uma busca inútil por Krypton, seu planeta natal. Ele ainda tem esperança de que o planeta existe e não explodiu após seu nascimento. Ao achar apenas fragmentos flutuando pelo espaço, ele retorna à terra, apenas para descobrir que o crime está elevado e terroristas operam com impunidade sabendo que o homem de aço não está mais por perto para pará-los. E o pior de tudo, Lois Lane está noiva. Ela também possui um filho pequeno e é a condecorada autora de um artigo ganhador do prêmio Pulitzer intitulado: “Por que o Mundo não precisa do Superman”. Após uma rápida visita à sua mãe adotiva, Marta Kent, Kal-El retoma sua vida dupla como Clark Kent, assume seu antigo trabalho no Planeta Diário, e tenta se reaproximar de Lois. Mas ela já está bem irritada devido ao desaparecimento do Superman, por isso o reencontro foi tudo, menos feliz. Enquanto o Super trabalha para resolver esses contratempos pessoais de seu retorno, Lex Luthor, que saiu da prisão porque Superman não estava por perto para testemunhar em sua audiência de apelação, rouba Kryptonita da Fortaleza do homem de aço e usa para criar uma ilha gigantesca que irá soterrar a América do Norte, matando centenas de milhões de pessoas. Ao tomar conhecimento dos planos de Lex, Superman e Lois precisam colocar de lado seus problemas pessoais para poderem lidar com essa crise. Correndo contra o tempo, Superman se vê sem outra opção a não ser se sacrificar para salvar a terra. É uma cena emblemática, que salvas as devidas e necessárias proporções, tenta fazer uma alusão à crucificação do Messias. Ao contrário do artigo premiado de Lois, Superman, o retorno, faz uma forte defesa à verdade bíblica de que, sem um salvador, estamos literalmente condenados. Romanos 6:23 nos diz que, “o salário do pecado é a morte, mas o presente de Deus para nós é a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor”. Todos nós merecemos a morte por conta de nossa rebelião contra Deus e seu reino. Mas em sua graça, Deus não desistiu de nós. Uma frase marcante do filme é quando Jor-El, pai do Superman diz, “eles podem ser um grande povo, eles querem ser. Falta apenas luz para lhes mostrar o caminho”. Novamente salvando as devidas proporções entre um herói fictício e nosso supremo Senhor, Jesus veio à terra para nos mostrar esse caminho, e ainda mais, ele revelou que ele mesmo era esse caminho, e enquanto as pessoas vivessem sob sua luz, jamais se perderiam ou andariam em trevas. E o mundo nunca mais ficou sem luz novamente. Muitas pessoas em nosso mundo hoje, assim como Lois, questionam a necessidade de um salvador. Acham que a vida está muito bem, e que não existe nada da qual elas precisam ser salvas. Se você encontrasse uma pessoa assim, o que diria para ela?
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#16 – Hulk: Cedendo à raiva
Bruce Banner era um cientista que trabalhava em um experimento militar, e, após submeter-se a uma dose de radiação gama, se transformou em um monstro super-humano chamado Hulk. Banner possui um problema de raiva, e, como ele logo descobriria, sempre que tem um acesso de raiva, ele se transforma em um monstro de pele verde. Sem condições de lidar com sua fera interior, ele foge. O filme começa no Brasil, alguns anos após o acidente, onde Banner escolheu viver de forma simples com a classe operária mais pobre e estuda artes marciais para ajudar a controlar seu problema de raiva. Ele também está em contato com um cientista, “Mr. Blue”, do qual ele espera receber a cura para sua condição. Tudo vai bem até que um acidente na fábrica faz com que ele fique novamente em evidência, e o General Ross, que sempre esteve na cola do Hulk, parte novamente com seus militares para caçar o monstro verde. Após ficar nervoso e dar uma surra em seus perseguidores, o Hulk acaba voltando para os EUA, onde entra em contato com sua ex-namorada Betty Ross. Enquanto isso, um dos militares, Emil Blonsky, persuade o General Ross a lhe dar um tratamento com radiação gama para que ele possa lutar com o Hulk. Banner se transforma no Hulk para lutar com Blonsky e está perto de estrangulá-lo com uma corrente quando, ao ver a reação chocada de Betty, ele o deixa ir, provando que mesmo em sua condição enfurecida, Hulk consegue exercer força de vontade para controlar sua raiva. Mais tarde ele consegue se transformar de volta em Bruce Banner, e permanece humano ao controlar seu estado de espírito. Isso não funciona apenas para o Hulk, mas para todos nós. Nós podemos escolher não cedermos para a raiva. Quando Betty grita uma palavra obscena para um motorista, Banner comenta, “Eu conheço algumas técnicas que podem te ajudar a administrar sua raiva de forma bem efetiva.” A Bíblia também possui algumas técnicas efetivas de controle de raiva, dizendo em Salmo 37:8 para “cessarmos nossa raiva, e esquecermos nosso ódio”. Autocontrole é fruto do Espírito, de acordo com Gálatas 5:22 e 23, e isso significa que quando Espírito de Deus vive em nossos corações, Ele nos dá a habilidade de sermos pacientes. Ele nos dá o poder de esquecermos o ódio. Contudo, leva tempo e paciência para desenvolvermos hábitos saudáveis. Precisamos continuamente reforçar esses hábitos ao continuamente e conscientemente escolhermos abrir mão da raiva e do ódio. “Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo.” Efésios 4:31 e 32.
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#15.2 – Creed: Abraçando o legado
Hoje eu quero concluir nossa reflexão em cima do filme Creed que começamos a comentar na última coluna. Como vimos, Rocky explica para Adonis que o pior inimigo que ele possui é ele mesmo. Nossa reflexão começou comparando essa cena ao que Paulo nos diz acerca da natureza pecaminosa que habita cada ser humano. E como vimos, o apóstolo brada em desespero pedindo uma solução para sua condição. Mas antes de concluir a resposta de Paulo para sua própria condição, quero chamar atenção para a segunda situação do filme. Adonis carrega um grande medo de assumir o sobrenome de seu pai e acabar decepcionando todo mundo. Se ele perder as lutas, manchará o legado do nome Creed. Por isso, ele luta constantemente e treina tão arduamente para criar o seu próprio legado. Mas a tensão de errar e não ser bom o suficiente o atormenta a todo o instante, já que perder será uma grande decepção para todos aqueles que conhecem o nome Creed e esperam tanto dele. Sua namorada Bianca pergunta a ele, “Do que você tem medo?” Adonis responde, “Tenho medo de assumir o nome e perder. Eles me chamarão de fraude”. Em outra cena, Rocky questiona, “Você ainda está preso nessa sombra”. O grande problema de nós seres caídos, é que não aceitamos o fato de Cristo já ter construído um legado de vitória por nós. Queremos escrever nossa própria história, construir nosso próprio legado, e nessa busca solitária por perfeição, somos assombrados pela tensão do erro. Felizmente, a própria conclusão de Paulo lança uma luz sobre esse dilema de Adonis. O apóstolo encerra o capítulo 7 de Romanos dizendo, “Graças a Deus por Cristo Jesus”. Para ele, sua situação nunca será vencida sozinho, mas existe alguém que já travou essa luta e venceu, e ele está disposto a lutar por nós. Na continuação da cena, Bianca fala para Adonis, “Você é o filho de Apollo Creed, por tanto, use o nome, ele é seu.” Nessa frase, creio que se resume o grande apelo do Evangelho. Cristo venceu o pecado e estabeleceu um legado que nos dá condição de sermos chamados Filhos de Deus. O nome é nosso para usarmos. E a Bíblia ainda vai dizer, “Nenhuma condenação existe para aqueles que estão em Cristo Jesus”, ou seja, se carregamos o seu nome, se tomamos parte em seu legado, nossa vitória já está garantida. Podemos até cair na lona de vez em quando, mas no fim das contas, o registro que conta é o dele. E ele sempre vence por nocaute.
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#15.1 – Creed: Seu pior inimigo
No sétimo filme da franquia Rocky Balboa, Adonis Johnson, Michael B. Jordan, é o filho do famoso campeão do boxe Apollo Creed, que morreu em uma luta no quarto filme da sequência. Adonis não havia nascido até a morte de seu pai, e quer seguir os passos dele no boxe. Para isso ele procura um mentor para treiná-lo, o ex-campeão do boxe e antigo amigo de Apollo, o aposentado Rocky Balboa, interpretado por Stallone. Rocky eventualmente concorda em ser o mentor de Adonis, e com sua ajuda eles esperam conseguir títulos enfrentando oponentes ainda mais mortais que seu pai. Mas a grande dúvida que paira sobre Adonis é: Será que ele fará um legado à altura do nome de seu Pai? Os núcleos de roteiro do filme apresentam a luta de cada um dos personagens em sua profundidade, sem tirar o foco central da ação. Bianca, namorada de Adonis, está perdendo sua audição, Rocky está terminalmente doente, e Adonis se recupera de uma difícil infância marcada pela morte do pai enquanto busca fazer um nome para si mesmo. Ninguém assiste a um filme de boxe por causa dessas temáticas, mas é justamente tudo isso combinado que torna o filme tão profundo e motiva de forma tão assertiva o personagem principal a travar suas batalhas como quem luta contra a morte. Ao assistir ao filme, duas situações me chamam muito a atenção e eu quero compartilhá-las com vocês agora para fazermos nossa reflexão. A primeira delas se dá em um diálogo entre Balboa e Adonis. Em uma conversa motivacional na academia onde eles treinam, Rocky posiciona o filho de Apollo em frente a um espelho e apontando para o reflexo diz: “Está vendo esse cara te olhando de volta? Esse é o adversário mais difícil que você terá de enfrentar. Eu acredito que isso seja verdade no ringue, e acredito que seja verdade na vida também”. É interessante que o apóstolo Paulo concorda drasticamente com essa afirmação. Explicando sua condição pecaminosa e a natureza caída de Adão que habita nele. Em Romanos 7 ele vai dizer que em seu íntimo ele quer ser bom e obedecer a Deus, mas ele acaba fazendo aquilo que é mal e que não quer fazer. Desesperado por sua condição ele ainda brada, “Maldito homem que sou, quem vai me livrar de mim mesmo?”. Felizmente, o próprio Paulo conclui o capítulo 7 com a solução para esse problema, mas essa conclusão fica para o próximo episódio. A gente se encontra lá.
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#14 – Demolidor: faça-se justiça
Matthew Murdock (Charlie Cox) é um jovem atleta e excelente aluno. Ainda na adolescência, um acidente envolvendo um caminhão que carregava lixos tóxicos o deixou cego, por outro lado, o fez desenvolver de forma sobre humana todos os seus outros sentidos. Quando Matt decide vestir o uniforme e adotar o nome "Demolidor", leva uma vida dupla: é advogado durante o dia, e, à noite, protege as ruas de Hell's Kitchen, seu bairro em Nova York. Um grande clássico dos quadrinhos é finalmente adaptado para a televisão em formato de série. O interessante acerca de o Demolidor é a adaptação poética de que ele é um herói cego e ao mesmo tempo um advogado que segue e cumpre a lei, fazendo jus ao famoso jargão de que “A justiça é cega”. Durante os 13 episódios que constroem a primeira temporada, vemos Murdock enfrentando o crime organizado na base da pancadaria, em especial seu arquirrival Wilson Fisk, um poderoso e astuto criminoso que deseja governar a área através de seu projeto de corrupção e poder. O Demolidor, porém, possui vários amigos que o ajudarão a desmascarar esse criminoso e salvar a vida de vários cidadãos inocentes. Ao lermos e assistirmos tantas histórias de heróis, costumamos admirar seus ideais de justiça, mas ao mesmo tempo nos sentimos impotentes para lutarmos nós mesmos por aquilo que é certo. Isso ocorre porque muitas vezes não entendemos o conceito bíblico de justiça. A Bíblia nos diz que “Em Jope havia uma discípula chamada Tabita, que em grego é Dorcas, que se dedicava a praticar boas obras e dar esmolas.” Atos 9:36 O curioso é que em hebraico, esmola se diz Tzedakah e justiça se pronuncia Tzedek. Esmola deriva de Justiça. Dar esmola significa cumprir a Torá, isto é, fazer justiça. Quando um judeu pobre gritava pelas ruas: “Tsedakah!”, todos entendiam: “Faça justiça! Cumpra a Torá!” E esse grito incomodava qualquer judeu piedoso. A Torá, a Lei de Deus, não estava sendo cumprida, o que implicava estar fora do caminho de Deus. O judaísmo conclamava os seus adeptos a fazerem esmola. E fazer esmola era agir com justiça no que diz respeito a como cada judeu ganhava, gastava e compartilhava seus ganhos. No pensamento judaico, esmola não tinha um sentido religioso moral ligado ao fazer caridade. Esmola era um modo de ser, mais que oferecer ou dar. Tzedakah é mais que caridade. É uma expressão de fé piedosa diante do sofrimento do outro. Viver de modo justo na relação com as pessoas é fazer Tzedakah, é praticar a justiça bíblica.
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#13 – House of Cards: sabedoria demoníaca
Na premiadíssima série House of Cards, encontramos uma trama que se desenvolve nos bastidores do cenário político americano. Após fazer várias manobras para eleger um candidato à presidência, o congressista Frank Underwood é traído e não recebe a posição política que lhe havia sido prometida. Através da série, Frank nos conduz em uma longa jornada de retribuição e vingança sobre aqueles que o passaram para trás, mirando em seu próprio gabinete de membros e até no presidente. De forma impetuosa, astuta, metódica e viciosa, Frank, junto com sua igualmente manipuladora e ambiciosa esposa, Clair, percorrem os corredores políticos de Washington, derrubando peça por peça e subindo a escada hierárquica por poder nesse delicado castelo de cartas. A reação que alimentamos ao assistir a série, varia entre a admiração e a repulsa pelo personagem. Mas é importante observarmos que em nosso dia a dia da famosa vida real, nosso comportamento não costuma ser muito diferente, por menor que seja a escala. Nós manipulamos, omitimos, dobramos, colocamos a mão na consciência e inventamos algo para disfarçar, mas no apagar das luzes, dia sim e dia também, sempre estamos pensando em nós mesmos e em nosso próprio ganho. Ao se dirigir à sua igreja, Tiago usa uma descrição muito intrigante a respeito da suposta sabedoria que aquelas pessoas desenvolveram. No capítulo 3, versos 14 a 17, ele elucida da seguinte forma: “...se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso, nem neguem a verdade. Esse tipo de "sabedoria" não vem do céu, mas é terrena, não é espiritual e é demoníaca. Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males. Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera.” Tiago destaca que uma sabedoria que age sempre em favor de si mesma, é uma sabedoria demoníaca. Para ele, a sabedoria que vem de Deus produz paz, amor, compreensão, misericórdia e perdão. No capítulo 4 ele vai dizer que as guerras e intrigas que acontecem no mundo, ocorrem por causa da ambição de nossos corações e de nossos desejos egoístas. Mas ele completa explicando que Deus concede graça maior. Se nos humilharmos e nos afastarmos de nossa ambição, e purificarmos nosso coração dividido buscando a Deus, ele nos exaltará. Que nossa sabedoria e capacidade seja sempre usada para gerar frutos de amor, justiça e paz.
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#12 – Friends: ninguém é uma ilha
Você provavelmente tem um aparelho de televisão na sua casa, certo? E mesmo aqueles que não tem, com certeza já viram televisão ao menos uma vez na vida. Uma das coisas mais legais sobre essa incrível tecnologia comunicacional é a sua diversidade. O que eu quero dizer com isso? Simples, você pode assistir aos canais abertos por 24 horas e verá que a programação deles é muito variada e diferente. O objetivo disso é simples, os produtores, ou seja, os profissionais pagos para pensarem o que vai ou não passar na televisão, querem atingir o maior número de pessoas. E como as pessoas tem gostos diferentes, os programas são diferentes entre si. Por que estou falando tudo isso? Simples, tem total relação com o programa televisivo que irei indicar e analisar hoje. Em 1994, dois produtores criariam aquele que se tornaria um dos programas de televisão mais importantes e bem sucedidos de todos os tempos. O nome desse programa é Friends. Que nada mais quer dizer do que a palavra Amigos em Inglês. Com você deve imaginar, o programa contava a história de 6 amigos, 3 homens e 3 mulheres. Todos moravam no mesmo bairro, um dos principais de Nova Iorque. E o que fez dessa programa uma das principais comédias de todos os tempos? Bem, podemos tecer muitas teorias, mas acho que a mais provável é aquela que afirma que ele conseguiu abordar de maneira divertida e leve o que todos nos mais queremos: pertencer a um grupo de amigos, nos sentir amados e sempre amparados. Você já notou como o ser humano precisa e depende de um grupo. Olhe a sua volta. Você tem família, amigos, colegas. Você precisa deles. Eles precisam de você. Nos precisamos atém mesmo de pessoas que não conhecemos. Eu não sei quem plantou a comida que eu costumo comer, mas eu preciso que ele continue a plantar. Eu não sei quem está cuidando da usina hidrelétrica que faz com que eu tenha luz aqui no estúdio, mas eu preciso que essa pessoa continue trabalhando por lá. Em resumo, sempre precisamos e continuaremos a precisar da nossa comunidade. E quanto mais intimo formos de alguns pessoas, mais precisaremos deles e mais nos sentiremos seguros e felizes. Friends teve 10 temporadas, ou seja, passou na TV por 10 anos. Isso é muito tempo e deu para acontecer muita coisa legal por lá. Poderia mencionar vários detalhes legais de cosias que aconteceram lá e tirar lições legais para nos hoje. Mas é difícil escolher apenas uma ou outra cena, acaba sendo injusto com tantas outras boas. Entretanto, eu preciso escolher apenas uma, mas faço com dor no coração. Em uma cena, dois dos personagens masculinos da série estão conversando. O Joey e o Chandler. O Joey tem um pequeno problema com o seu pai, que está traindo a esposa, ou seja, a mãe do Joey. Então ele questiona o Chandler se essa questão de traição no casamento ocorreria com ele também. A resposta do Chandler, que além de ser, em minha visão, uma boa piada, me fez pensar bastante. Ele responde assim: Fique tranquilo, um dia você irá conhecer a mulher da sua vida, e quando isso ocorrer você será firme e dirá para ela o seguinte: desculpe, mas eu sou casado. Eu sempre acabo rindo nessa parte. Mas não acho que aqui temos apenas uma piada, mas uma lição sobre a vida. Eu não acredito que exista apenas uma pessoa certa para cada um de nós. Acho que podemos ser felizes ao nos casar, independente da pessoa escolhida. Ou seja, não acredito em alma gêmea. Mas acredito em escolher bem a pessoa, e acredito mais ainda em, depois de escolher, ser fiel, simplesmente porque decidimos ser fieis. Pode ser que conheçamos uma grande pessoa, isso depois de termos nos casado. E o que vamos fazer? Nos arrepender de estar casado ou simplesmente dizer: desculpe, mas eu sou casado? Eu acho que cabe a cada um de nós optar por uma dessas decisões de manira racional. Bem, não irei contar o que acontece com o Joey e seu pai, isso somente vendo o seriado. Mas posso dizer que não concordo com muitas das decisões tomada pelos personagens.
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#11 – House M.D: o inferno são os outros
Na minha modesta opinião, “Dr. House” é, sem dúvida, uma das melhores séries que já acompanhei. Seja pela profundidade psicológica dos personagens, seja pela brilhante atuação de Hugh Laurie ou simplesmente pelo clima de enigma médico inspirado nos livros de mistério criminal de Sherlock Holmes. House é especialista em diagnósticos, o que significa que ele comanda uma equipe de médicos que se dedicam a descobrir nos pacientes doenças que ninguém mais conseguiu descobrir. House possui uma brilhante mente médica, mas zero habilidade social, o que implica em um tratamento seco e ríspido com os poucos que o cercam e praticamente nenhum contato com os pacientes. É necessário frisar esse ponto na série, pois ele nos mostra algo muito importante. Nós somos seres projetados para o relacionamento social. É uma necessidade humana. As pessoas buscam mais do que simplesmente terem seus problemas solucionados. Querem ser ouvidas, receberem atenção e aceitação. Essa é uma das razões porque as pessoas procuram psicólogos cada vez mais. Mas por que House despreza a humanidade? Será que ele é apenas um mero personagem ou podemos muitas vezes ser como ele? Em sua obra “O Ser e o Nada”, Sartre numera três razões pelas quais o ser humano costuma antagonizar, ou seja, se opor a seu próximo. A primeira razão, é que os outros são obstáculos no caminho da nossa vontade. Temos metas, anseios e queremos coisas que muitas vezes se cruzam com a vontade ou interferência do outro, causando um desvio em nossa liberdade. Isso fica evidente no comportamento de House quando ele é obrigado a trabalhar na clínica. Ele despreza os pacientes comuns, maltrata e até chantageia, pois vê neles um desperdício de seu tempo, e um empecilho para voltar a seus casos. Outra razão dada por Sartre, é que os outros nos transformam em objetos. Através de avaliações dos atributos físicos como peso, altura e cor, somos lembrados dolorosamente de que somos seres físicos, confinados às limitações desses atributos. House salva dezenas de vidas no decorrer da série, casos impossíveis que foram dados como perdidos, mas ele não faz a mínima questão de saber sobre seus pacientes, suas histórias e suas lutas. Seus casos são apenas quebra-cabeças a serem resolvidos. Seus pacientes são meros objetos de estudo. Finalmente, Sartre indica que nossos problemas de conflito estão ligados a perda da primazia e do controle que os outros geram para nós. Temos nossa forma peculiar de enxergar o mundo e interagir com ele, possuímos valores próprios, crenças e coisas que consideramos mais importantes, mas os outros também têm. Eles podem enxergar o mundo e interagir com ele de uma forma totalmente oposta à nossa e costumam resistir fortemente às nossas tentativas de mudá-los. Nós não gostamos disso. Precisamos estar no controle. Novamente vemos em House uma ilustração para esse ponto. A forma como ele manipula, zomba e conflita com seus colegas, superiores e subordinados, mostra como é difícil ter um relacionamento com quem não pensa como você. É engraçado observá-lo no decorrer da série, mas pense comigo: se você estivesse no papel dos outros, como você se sentiria lidando com alguém como House? Pense muito bem nisso, porque muitas vezes é assim que tratamos as pessoas. O outro é uma necessidade constante na nossa vida. É através do olhar do outro que eu enxergo minhas necessidades de mudar, de crescer e formar minha identidade para viver em harmonia. O relacionamento é algo fundamental dentro da sociedade. Dependendo da forma como nos relacionamos, podemos mudar para melhor ou para pior. Mas através de House, uma coisa fica clara, quase sempre, existe uma diferença muito grande entre consertar e curar.
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#10 – Os Simpsons: o equilíbrio da virtude
Amados por muitos, censurados por muitos outros, Simpsons sem dúvida é um desenho que causa polêmica. Seu jeito irreverente de criticar absolutamente tudo, de política à economia e religião, causa o riso de uns e a indignação de outros. Criada em 1989, a série de animação que já exibe em 2014 sua vigésima quinta temporada, é protagonizada pela família Simpson, uma clara sátira da família americana de classe média. Os personagens foram curiosamente desenvolvidos enquanto Matt Groening, criador da série, esperava para falar com o produtor de um programa de TV que queria curtas animados para seu próprio programa. Os personagens caíram na graça do público e se tornaram a série animada de maior tempo no ar, premiada com dezenas de títulos. Os roteiros geralmente englobam o cotidiano de Homer Simpson, sua família e os diversos personagens que foram sendo incorporados ao longo da série. Homer é um pai que dá péssimos exemplos aos filhos, é preguiçoso tanto em casa quanto no trabalho, e quase sempre está ébrio, seja em casa, seja no bar com os amigos. É um grande hedonista que vive apenas para curtir a vida, sem se importar com as consequências. Curiosamente, ao seu lado, o vizinho Ned Flanders faz uma espécie de contraponto à personalidade de Homer. Sendo o mais cristão da cidade de Springfield, Ned é uma caricatura de religioso, sendo mais zeloso que o próprio reverendo da igreja da comunidade. Totalmente diferente de Homer, Ned acredita que não pode ter nenhum prazer na vida. Como cristão, ele precisa se privar de tudo, inclusive rir de uma piada. Ele é adepto da grande máxima bíblica, “se tua mão te faz pecar, arranque-a fora”. Em vários episódios ele reprime seus sentimentos de indignação e raiva enquanto Homer constantemente o aborrece. Acho que o desequilíbrio aqui fica muito claro, não é mesmo? Homer é um fanfarrão que só quer curtir e aproveitar a vida, sem consequências eternas. Já Ned, é alguém que só pensa no futuro, no céu, e logicamente, acaba perdendo a relevância no agora e tendo uma vida de negações que além de tirar o prazer da vida, podem lhe causar uma séria úlcera. Mas onde está o equilíbrio então? Como cristãos que acreditam num futuro no céu, não devemos ignorar a vida aqui na terra. Pelo contrário, devemos vivê-la da melhor forma possível. Ter uma perspectiva celeste sem uma responsabilidade histórica, ou seja, sem relevância na sociedade, é um problema tão grande quanto uma vida sem sentido. Precisamos fazer diferença na vida de quem nos cerca. Viver inconsequentemente como Homer, é prejudicial não só a si mesmo, como aos outros, mas viver sem contribuir para a sua própria vida e a dos que você convive, não leva a nada. Outro aspecto muito importante a ser ressaltado, é que podemos e devemos aproveitar a vida. Claro que não da forma destrutiva que Homer demonstra muito bem, mas se privar de tudo também não é a resposta. Afinal de contas, qual é então o equilíbrio para viver uma boa vida? Encerro o comentário de hoje com o seguinte pensamento de C. S. Lewis: “A felicidade e a segurança definitivas que todos desejamos, Deus as retém de nós pela própria natureza do mundo: mas a alegria, o prazer e o riso Ele os espalhou por toda a parte. ... Alguns momentos de amor correspondido, uma paisagem, uma sinfonia, uma divertida reunião com nossos amigos, um banho ou jogo de futebol. ... Nosso Pai nos revigora ao longo da jornada com algumas aprazíveis hospedarias, mas não nos estimula a confundi-las com o Lar.”
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#9 – Jogos Vorazes: a ironia da violência
O livro sobre o qual irei falar hoje é curiosamente controverso. Digo controverso porque ele é um sucesso de vendas, e já teve os dois primeiros volumes adaptados para o cinema, com o último volume encomendado para mais dois filmes. E a razão dessa explosão de popularidade se dá possivelmente por ser um tema quase inédito, pelo menos na forma em que se propõe a tratar o assunto. Estou falando em nada menos do que a trilogia de Jogos Vorazes. A história se passa em futuro distópico, onde a nação Americana já não existe. Em seu lugar, surge um país chamado Panem, formado por 13 distritos muito pobres separados pelas matérias primas e mão de obra que fornecem, e governados por uma capital tirânica que os explora com mãos de ferro. Em virtude dessa tirania, os distritos se rebelam e iniciam uma guerra contra a capital, mas não conseguem medir forças e são derrotados. Como resultado da insubordinação, o 13º distrito é aniquilado, e todos os outros 12 são submetidos a uma competição anual transmitida pela televisão estatal. O jogo consiste em crianças de 12 a 18 anos, um menino e uma menina de cada distrito sendo forçadas a lutarem contra si dentro de uma arena gigantesca com cenários dos mais variados. É dentro desse contexto que a protagonista, Katniss Everdeen, é forçada a digladiar em lugar de sua irmã caçula que fora sorteada para a edição daquele ano. A violência descrita no livro é muitas vezes chocante e ousada, afinal de contas, quem quer ver crianças sendo mortas para a diversão de um grupo elitizado? Mas e interessante tirarmos um momento para refletirmos na similaridade do universo de Jogos Vorazes com o nosso. A luxúria e soberba descrita na capital de Panem são enxergadas facilmente em nossa sociedade capitalista, afinal, para que alguns sejam ricos, outros precisam ser pobres. E enquanto vemos pessoas esbanjando recursos, temos outras lutando para sobreviver. Mas o tema principal da história, segundo a explicação da própria autora, é o custo do entretenimento. Ela diz que estava em casa certa noite zapeando entre os canais de sua TV. Em determinado momento, ela está assistindo um reality show, e ao trocar de canal, se depara com uma reportagem sobre a guerra no Iraque, onde jovens soldados perdiam a vida batalhando. “Nesse momento”, diz ela, “os dois conteúdos se misturaram em minha cabeça.” A quantidade e variedade de programas disponíveis hoje, seja em qualquer mídia, pode ocasionalmente gerar um efeito indesejado. Ao assistir tanta violência gratuita, tanta miséria e sofrimento, seja em filme, ou mesmo no jornal, é possível que venhamos a perder a sensibilidade para o que é real. Quantos já se pegaram assistindo o jornal da noite como um mero entretenimento? E isso piora quando colocamos o pé no mundo real, e passamos pela pobreza, pela fome, pela indignidade e injustiça, sem sentir o mínimo de tristeza ou solidariedade. Creio que a maior lição dessa obra está em sua ironia. Quando lemos o livro ou vemos o filme, podemos ficar indignados por existirem pessoas que se divertem com o sofrimento de crianças forçadas a se matarem. Mas a verdade é que nos divertimos assistindo ou lendo um livro que nos proporciona justamente essa experiência. E se formos mais a fundo, perceberemos que nossa realidade não difere muito. Claro que não no sentido literal, mas quantos sacrificam a educação de si mesmos e dos filhos, jogam no lixo os próprios valores morais e a consciência limpa em nome do entretenimento e da diversão?
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#8 – Edukators: é pecado ser rico?
Acredito que poucos ouviram falar do filme que irei abordar hoje. Primeiro porque ele é um filme alemão. E geralmente ficamos sabendo apenas dos filmes que são produzidos nos Estados Unidos. As vezes temos preconceito com a produção cultural européia, mas existem excelentes materiais sendo produzidos fora dos Estados Unidos. A segunda razão para esse filme ser meio desconhecido é que ele é bem alternativo, com uma temática bem sociológica, mas eu acho importante mesclarmos os filmes pipoca (aqueles que são produzidos apenas como justificativa de comermos pipoca enquanto vemos alguma coisa legal na TV) com outros filmes um pouco mais cabeça, o chamado filme cult, com lições e discussões interessantes sobre o nosso mundo. Bem, já enrolei demais e ainda nem falei o nome do filme. Ele se chama Edukators. Eu avisei que era alternativo e que você nunca tinha ouvido falar dele, né? Normal, não se assuste com isso. O plot desse filme é bem simples. Ele conta a história de um grupo de jovens universitários da classe média, que são revoltados com a existência da desigualdade social. Essa expressão bonita nada mais quer dizer do que, alguns tem muito dinheiro e outros tem pouco. Ou seja, desigualdade social se refere ao problema de distribuição da riqueza em um país. O Brasil sofre desse grande mal. Ao lado de uma favela onde pessoas passam fome, vemos um bairro com mansões e, até mesmo, desperdício de comida. Por causa da desigualdade social, que diga-se de passagem, é bem menor lá na Alemanha, onde se passa o filme, os educadores decidem invadir a casa de alguns ricos, mas não para roubar ou algo assim. Eles invadem a casa mudam todos os móveis e eletrônicos de lugar e escrevem na porta da sala: você é rico, mas sua riqueza não te dá total segurança, estivemos aqui, assinado Edukators. Mensagem interessante, certo? No restante do filme eles passam discutindo se esse tipo de ação estaria correta ou não. Como é quase certeza que você não tenha visto esse filme, não irei seguir adiante na história para não te atrapalhar caso queira ver o filme. Mas uma coisa eu acho muito interessante em toda essa discussão. Será que ser rico é um problema? Será que não deveria existir riqueza no mundo? A pessoa rica é culpada por ser rica? Afinal, se você trabalhar bastante e acertar na vida, que culpa você teve de ficar rico? Você não mereceu essa riqueza? Todas essas perguntas são muito interessantes e devem ser discutidas por todos nós, principalmente aqueles que se consideram religiosos. Até mesmo Jesus entrou em assuntos relacionados ao dinheiro, riqueza e pobreza. Mas tenho certeza de que nunca chegaremos a uma resposta satisfatória para esse importante problema sociológico. Mas veja bem. Não é porque não vou dar uma resposta definitiva (assim como o filme não dará), que irei me abster de tirar um outra importante lição dessa obra. Não devemos ver filmes apenas com temáticas simples e que nos deixam felizes. Essas obras também podem e devem servir para que possamos pensar, discutir e achar soluções para os problemas em que vivemos. Não veja filmes apenas para comer pipoca. Seja mais do que isso. Se você vê filmes, pare para pensar no que você está vendo e, principalmente, no por que de você estar vendo.
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#7 – Os Miseráveis: além da letra da lei
O musical “Os Miseráveis”, narra uma história que se passa na França, em plena época de revolução civil, e temos em Jean Valjean nosso personagem principal. Após cumprir 19 anos de prisão, por ter roubado um pedaço de pão para alimentar sua irmã, Valjean é solto, mas carrega sobre si o estigma de criminoso, encontrando dificuldades para conseguir um emprego e sobreviver. Após receber ajuda de um bispo, Valjean enxerga uma chance de recomeço e desaparece no mundo, deixando assim de se apresentar periodicamente aos oficiais da lei, tornando-se novamente um criminoso procurado. Muitos anos se passam e reencontramos nosso protagonista como prefeito de uma pequena cidade e dono de uma fábrica de costura. Dessa forma ele ajuda a várias pessoas com emprego e condição de vida, cuidando da cidade com honestidade e justiça. Tudo vai bem até que Javert, o oficial responsável por sua prisão chega à cidade. Ele o reconhece, fazendo com que Valjean tenha que abandonar tudo e viver novamente em fuga. Não vou mais falar da história do filme, pois vale muito a pena ser assistido. Belíssimas músicas e atuação dramática fazem você suar um pouquinho pelos olhos. O roteiro da história em si já é uma aula de redenção e amor, uma mensagem muito forte de cristianismo em diversas facetas. Valjean começa a história com amargura e ódio, mas após receber amor de um líder religioso, ele sente a necessidade de ajudar a outros em igual ou pior situação, mesmo que para isso ele tenha que abrir mão de sua própria segurança. Ele chega a repensar isso durante sua fuga pelos anos, se escondendo e vivendo com medo, mas sempre que exigido, ele escolhe o caminho da misericórdia, da bondade e do amor ao próximo, inclusive em relação ao seu perseguidor. Mas creio que a grande lição do filme não está no protagonista, por mais que o exemplo dele seja grandioso e digno de ser seguido, mas com o antagonista da história, o oficial Javert. Esse homem cresceu como agente da justiça, e não conhece nada além da letra da lei. Ele é cego para qualquer outra possibilidade, fazendo com que as normas de justiça sejam frias e insensíveis. Seu método de aplicação da lei prende o sujeito em sua antiga vida, sem a possibilidade de regeneração e superação. Isso fica evidente em sua busca implacável por Valjean. Por causa de uma tecnicalidade das normas de soltura do preso, ele quer prender Valjean a todo custo, mesmo que isso signifique destruir a vida de dezenas de pessoas que dependem dele. Jesus veio ensinar que o cumprimento da lei está totalmente atrelado no amor. É impossível obedecer a lei à risca sem amar a Deus e ao próximo. O sacrifício dele na cruz é onde a paz e a justiça se beijam. Mas assim como Javert, muitas vezes nós preferimos aplicar a lei de forma radical, seca, em vez de tentarmos entender o objetivo daquela lei. A verdadeira justiça é aquela que restaura, que reedifica, e não a que simplesmente pune cegamente. Entender isso é entender o que é Evangelho. É entender porque a lei se resume a amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Ou nas palavras da letra de uma das músicas finais do filme: “Amar outra pessoa é ver a face de Deus!”
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#6 – O Guia do Mochileiro das Galáxias: saber perguntar
Existe uma série de livros muito famosas no mundo todo. Bem, pelo menos ela é famosa para aqueles que a conhecem. E eu posso afirmar que quem a conhece, geralmente vira um grande fã e, raramente, a esquece. Uma prova disso é que, a cada ano, no dia 24 de maio, várias pessoas ao redor do mundo saem de suas casas carregando uma toalha. Parece uma grande loucura, e eu realmente acho que é. Mas mostra a força que essa série de livros tem sobre aqueles que a conhecem. É claro que estou falando do Guia do Mochileiro das Galáxias. Série de 5 livros de autoria do escritor britânico Douglas Adams. Através de um misto de comédia e ficção científica, a série pretende abordar temas filosóficos do cotidiano de cada ser humano. O autor sempre tem um posicionamento claro a respeito de muitos assuntos importantes acerca de nossa vida em comunidade, e embora eu não concorde com vários desses posicionamentos, acho muito interessante conhecer e poder discutir tal visão de mundo. Não devemos entrar em contato apenas com livros, filmes e pessoas que concordem conosco. Isso não seria saudável e acredito que nem humanamente possível. Assim, mesmo não concordando com a forma com que Douglas Adams, que publicamente se declara ateu, trata a religião, não acredito que ele deva ser ignorado por discordar de mim. Muito pelo contrário, eu quero ler, ver e ouvir suas opiniões. Afinal, se minha fé em Deus é verdadeira e firme, não deveria temer ser questionado. Claro, tudo tem limites, e cada um sabe seu limite individual. Bem, vamos falar do livro? A série conta uma história muito interessante, onde o planeta Terra foi destruído e somente um casal de humanos sobreviveu. E isso só foi possível graças a uma tremenda sorte que eles tiveram de estarem viajando fora do planeta Terra no momento da destruição. Com esse pano de fundo, o livro discute muitos assuntos interessantes, como preconceito, filosofia, o sentido da vida entre outras coisas. Uma das cenas mais conhecidas e citadas se encontra no primeiro livro. Cansados de não saberem qual o sentido da vida, ou seja, o porquê de estarmos vivos e existirmos, dois seres espaciais decidem criar um supercomputador com o qual eles finalmente poderiam calcular o sentido da vida, do universo e tudo mais. Depois de muitos cálculos e recálculos o computador encontra a resposta para essa estranha pergunta sobre a vida, o universo e tudo mais. Sabe qual foi ela? 42. Isso mesmo, a resposta foi 42. E não, você não está ficando louco. Isso também não fez sentido para os dois seres espaciais que criaram aquele supercomputador. Eles perguntaram para o supercomputador a mesma coisa que eu e você estamos querendo saber agora. Como assim, 42? A resposta foi uma das coisas mais interessantes que eu já ouvi em toda a minha vida. Ele disse o seguinte: Olha, pessoal. Eu fiz as contas várias vezes e tenho certeza da resposta. Realmente é 42. O sentido da vida, do universo e tudo mais é 42. O problema é que vocês não sabem a pergunta certa, mas quando descobrirem a pergunta, finalmente vão entender a resposta. Que coisa mais fantástica. Isso já aconteceu comigo várias vezes. Tenho uma resposta, acho que entendi a vida, mas na verdade estou perdido por nem ao menos ter compreendido a pergunta. E essa ideia vale para vários outros aspectos de nossas vidas. Não devemos ser pessoas regidas por respostas prontas que nem ao menos sabemos o que significam. Precisamos entender as perguntas da vida e só então buscar uma resposta por nós mesmo.
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#5 – Ensaio Sobre a Cegueira: ver sem enxergar
Com direção do brasileiro Fernando Meirelles, o filme Ensaio sobre Cegueira, baseado no livro de mesmo nome de José Saramago, conta a história de uma epidemia que deixa as pessoas cegas, enxergando apenas uma superfície branca. Ela se manifesta em um homem no trânsito e logo depois se alastra pelo país. Aos poucos, quase todos acabam cegos e colocados em quarentena. A trama então segue a mulher de um médico, que diferente do restante da população, não ficou cega. O foco do filme não é a causa ou cura da doença, mas a luta pela sobrevivência e a volta aos instintos básicos de uma sociedade que perde tudo o que considera civilizado. O filme apresenta cenas bem fortes, onde os traços que nos tornam humanos são quase apagados, e todos começam a agir feito animais. As pessoas na quarentena se encontram em uma situação deplorável, sem cuidados básicos de saúde, sem saneamento, e precisando brigar grotescamente pela pouca comida distribuída. Cada um esquece de ser civilizado, e buscam suprir apenas suas necessidades individuais, sem se preocupar com a sobrevivência coletiva. Essa é uma leitura muito triste da realidade, pois em nossa sociedade moderna, quantas vezes não nos separamos das necessidades encontradas ao nosso redor. Na busca por satisfazer nossas individualidades, nossos caprichos e luxos, pensando em nós mesmos, nos tornamos cegos para a realidade que se encontra lá fora, no outro. Por outro lado, enxergamos as pessoas apenas pelo que elas podem proporcionar para nós, e o bem que nos podem fazer, sem de fato enxergá-las pelo que realmente são, pessoas. E após tanto sofrimento e dor durante o filme, quando tudo o que é luxo é derrubado, as pessoas acabam achando uma harmonia na sobrevivência, e se encontram conversando, interagindo uns com os outros como iguais, pois não podem mais ver as barreiras preconceituosas de classe, condição financeira, cor ou raça. No filme, a mulher que enxerga se torna tão inerte quanto os que estão cegos. Ela não reage ao sofrimento que ocorre, buscando apenas a preservação de si mesma e do marido, tornando-se também cega para o que os outros precisam. É só mais para o fim que ela realmente sai da inatividade e auxilia o próximo. A sociedade hoje em geral, está condicionada a uma cegueira muito parecida. Ao presenciarmos tanta miséria, tanta falta de ajuste no mundo, perdemos nossa sensibilidade, e passamos a enxergar apenas o que queremos ver. O filme nos chama para enxergar além dessa cegueira. De reavaliar o que realmente importa e resignificar aquilo que chamamos de civilidade. É possível que ao escolhermos somente o que nos convém, e virarmos o rosto para a necessidade alheia, buscando apenas o material e individual, nos tornemos tão cegos e animalescos quanto as pessoas do filme. A maior lição que podemos tirar desse filme ou livro é: ser cego não significa apenas a falta de visão. Muitas vezes, pode significar não enxergar tão profundamente.
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#4 – Crash, no limite: senso comum ou crítica individual?
Diferente da maioria dos filmes que vemos, Crash é, sem dúvida, peculiar. Seu roteiro não possui uma trama central, mas é fragmentado em várias histórias que acontecem paralelamente, sem nenhuma ligação aparente, mas que vão se conectando no decorrer da narrativa. Essas histórias se passam em uma Los Angeles pós-11 de setembro, onde a insegurança, o medo e a desconfiança estão à flor da pele. O filme trabalha com a complexidade da personalidade humana, explorando seus limites, contradições e mudanças de atitudes dependendo de cada cenário. A temática principal do filme é a respeito do preconceito gerado pelo medo e pela insegurança do mundo moderno. Vemos por exemplo uma personagem que após sofrer um assalto na rua, manda trocar as fechaduras de sua casa, mas entra em pânico quando descobre que o chaveiro é latino. Em determinado momento, um policial aborda um carro suspeito, onde um diretor de TV, que é negro, comete uma pequena infração. O policial então repreende, mas comete abuso de poder ao tirar proveito da esposa do diretor. Em outro momento do filme, o policial acaba tendo uma mudança de comportamento ao encontrar essa mesma mulher debaixo de um carro em chamas, e arrisca a vida para salvá-la. São várias as cenas conexas que vão surpreendendo quem assiste, e nos colocando em cenários onde nos confrontamos com nossos próprios preconceitos. Por exemplo, o parceiro daquele policial, reprova a atitude de racismo dele contra o casal negro, demonstrando uma ética coletiva de trabalho. Só que no final, sozinho, ele se encontra em uma situação onde exerce um forte preconceito com um rapaz negro que parece portar uma arma, e ele atira no rapaz, só pra descobrir que o garoto carregava um objeto inofensivo. Ele acaba ferindo sua ética individual, inclusive acobertando o crime. Todos nós temos nossos preconceitos, que traduzindo, são conceitos tirados antes da hora, conclusões antecipadas ao resultado. Colocando de forma mais simples ainda, não esperamos algo acontecer para definirmos o que pensamos sobre isso. Quem nunca? Rs. O fato é que vira e meche agimos de acordo com a visão pré determinada que temos de um assunto, e acabamos descobrindo que as coisas não são como achávamos que fosse. Das muitas lições que poderíamos tirar, a que quero destacar é que precisamos desenvolver um senso crítico ao invés de dependermos apenas do senso comum. Generalizar fatos, ou grupos étnicos, assim como estereótipos de pessoas, é um grande caminho para o preconceito e para a exclusão. Por exemplo, o senso comum diz que certos religiosos usam a pregação para manipular e extorquir seus devotos, por tanto, podemos ser levados a generalizar isso para todo e qualquer grupo religioso, afirmando que todos eles estão envolvidos com desonestidade e mentira. Mas se usarmos o senso crítico individual para analisarmos o discurso e o comportamento do grupo, e não do estereótipo, muitas vezes podemos acabar sendo surpreendidos.
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#3 – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupas: testemunha confiável
O livro “O Leão, a Feiticeira e o guarda-roupas”, de C. S. Lewis, conta a história de 4 irmãos que vão morar com o tio em um casarão durante um período de guerra na Inglaterra. Em determinado momento, brincando de esconde-esconde, Lúcia, a caçula do grupo se esconde em um guarda-roupas, mas acidentalmente é transportada para um mundo mágico chamado Nárnia, cheio de neve, animais falantes e criaturas mágicas. Após tomar chá e conversar com um fauno, ela retorna à passagem secreta e se vê de volta no guarda-roupas. Sua empolgação desaparece, porém, quando ela conta para seus irmãos e nenhum deles acredita nela. E afinal quem pode culpá-los? É uma história e tanto. Mas a coisa piora ainda mais quando Edmundo, o irmão do meio, descobre a passagem para a terra de Nárnia, e ainda assim, diz aos irmãos que Lúcia está mentindo. Os mais velhos, Pedro e Suzana, resolvem buscar a experiência do tio, explicando a preocupação, pois Lúcia nunca havia feito isso. Acreditam que, ou ela virou uma mentirosa ou enlouqueceu. Só que a resposta do tio surpreende as crianças. Ele pergunta quem é mais confiável, Edmundo ou Lúcia? Eles concordam que sem dúvida é Lúcia, mas não acreditam que ela está mentindo, apenas ficou doida. O tio nega a hipótese, pois loucura é uma condição geral, e a sobrinha nunca apresentou tais sinais. E lembra a eles que existe uma terceira possibilidade. 1 - Ela não deve estar mentindo, pois a experiência contradiz essa opção. 2 - Não há boas razões para crer que ela está louca. 3 - Logo, ela deve estar falando a verdade. E aí? A que conclusão você chegaria? É importante lembrar que em algum momento de nossas vidas, todos nós nos vemos na pele de Pedro e Suzana. Já ouvimos testemunhos dos mais variados, desde vidas alienígenas a experiências místicas e religiosas. Mas e aí? A razão exige que sejamos sempre céticos? Precisamos destacar que os dois estão em uma posição difícil. As evidências que os fazem duvidar e as que os fazem acreditar na irmã, são diferentes. Não são opostas para se comparar. Contra Lúcia, pesa grande parte do que os dois conhecem da realidade. A experiência diz que não existem mundos mágicos. Mas pesa também o fato de que a irmã nunca mentiu antes. Se fosse qualquer outro, eles já teriam descartado a história. A contra-evidência neste caso, é o caráter do mensageiro. Fora a história absurda, eles não tem razão pra duvidar dela. Se você acompanhou o raciocínio até aqui, existe uma lição muito importante a ser extraída dessa história. Ao se confrontar com um testemunho que você esteja tentado a desacreditar, e até mesmo diante daquilo que consumimos na cultura em geral, faça a si mesmo as seguintes perguntas: 1 – Como esse testemunho ou história se encaixa no meu sistema geral de crenças fundamentais? 2 – Até que ponto a testemunha ou veículo é confiável, tanto no geral quanto nesse tema em específico? Você não terá respostas nem únicas nem definitivas, mas terá uma grande ferramenta para te ajudar na decisão.
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#2 – Horton e o Mundo dos Quem: Entre o Imaginário e o Factual
Horton é um elefante cheio de imaginação que mora na fictícia floresta de Nool. Certo dia ele ouve um ruído vindo de um grão de poeira, que voava perto de seus ouvidos. A princípio, o elefante pensa na possibilidade de haver pessoas pequeninas dentro do grão, tentando chamar sua atenção. Ele sussurra, fala, grita até que consegue se comunicar com o prefeito da cidade de Quemlândia, que está alojada dentro do grão de poeira. A cidade está prestes a ser destruída, e só o prefeito acredita nisso. Horton precisa provar que é real e pode ajudá-los a evitar a iminente destruição de Quemlândia, além de tentar convencer os outros animais da floresta que ele não é louco. Enquanto isso, o prefeito precisa alertar a população do perigo, o que se torna ainda mais difícil após ele dizer que existe um elefante no céu que quer ajudá-los. A história então se desenvolve com o elefante partindo em busca de um local seguro para alojar o grão e manter todos a salvo, mesmo que para isso ele tenha que cair no desagrado da Canguru, a chefe dos animais da floresta, que acredita que ele está envenenando a mente das crianças com essa história maluca. Essa é a narrativa do filme de animação “Horton e o Mundo dos Quem”. Você já se encontrou em uma situação onde a sua palavra estava em jogo? Seu testemunho foi descartado facilmente, pois alguém tinha argumentos lógicos que te desmentiam, apesar de que os argumentos dela nem eram tão críveis assim? As pessoas costumam colocar lógica e imaginação em lados separados, já notou isso? E essa não é necessariamente uma regra. Pelo contrário, as vezes pode ser um problema. Ao mesmo tempo em que hoje a cultura propaga cada vez mais histórias fantasiosas e fictícias para o entretenimento, a fé apenas em fatos concretos ainda parece tomar parte na cabeça das pessoas. Da mesma forma como a Canguru condenava o Horton por incentivar as crianças da floresta a usarem a imaginação, parece que a sociedade tem descartado a habilidade da imaginação e confiado demais em testemunhos mais factuais. E é justamente essa fé cega em evidências, que muitas vezes pode se mostrar equivocada. Isso pode ser facilmente observado nas redes sociais. Alguém posta alguma notícia, ou foto, ou um suposto estudo de alguma universidade, ou ainda cita determinada autoridade para validar o assunto, e mesmo sem checar os fatos, as pessoas acreditam facilmente. Esse parece ser o dilema de Horton. Todos os animais da floresta acreditam na Canguru, mesmo sem checar a veracidade do discurso dela. A imaginação é importante, pois ela ajuda a mente a desenvolver a capacidade de abstração, de ir além daquilo que está visível. E dentro dessa nossa proposta de sermos mais críticos naquilo que assistimos, lemos ou ouvimos, a imaginação é uma ferramenta tremenda. Quando deixamos nossa mente aceitar apenas o que já está pronto, perdemos a habilidade de construir nosso próprio pensamento, e assim, nos tornamos escravos do pensamento do outro, seja este um noticiário, uma aula e também nosso entretenimento.
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#1 – Wall-E: Virtualidade Real
Imagine um planeta terra pós-apocalíptico, impregnado por lixo suficiente para torná-lo inabitável. Esse é o cenário apresentado no longa de animação Wall-E. Premiado com o oscar de melhor animação em 2009, o filme é uma mistura da mais atual ficção científica, com a comédia física de clássicos como Tempos Modernos de Charles Chaplin. A história se passa 700 anos no futuro, onde encontramos a terra devastada pelo acumulo de lixo. A humanidade embarcou em um cruzeiro espacial que deveria durar 5 anos, enquanto unidades robóticas chamadas Wall-E’s, removeriam o lixo e tornariam a Terra habitável novamente. Só que o cruzeiro acaba se estendendo por mais 700 anos. A humanidade se torna obesa, consumista, e as unidades robóticas se estragam sobrando apenas o protagonista do fillme, o pequeno robô Wall-E. Ele continua obstinado em sua rotina de limpeza, até que um dia, EVA, uma sonda robótica em busca de sinais de vida, interrompe o protocolo de Wall-E, criando espaço para que o resto do filme se desenvolva. Por acaso você já notou que nosso dia a dia, principalmente nas cidades, é repleto de barulhos, e que quanto mais sons são emitidos, menos se ouve? E por mais que esses ruídos nos incomodem a princípio, acabamos nos acostumando com eles. Diante desta realidade, ao assistirmos o filme, a ausência de diálogos pode causar certa estranheza, mas é possível perceber que o que mais ocorre na história são diálogos sem palavras. Esse incômodo pode ocorrer porque estamos acostumados a uma fórmula cinematográfica padrão. E é justamente aqui que destacamos a nossa primeira lição. Wall-E nos convida a olhar além do comum, enxergar nas entrelinhas uma relidade que às vezes deixamos passar por causa do excesso de ruído que presenciamos. Outra lição que vale a pena ressaltar, está relacionada com a importância dos relacionamentos humanos. As cenas mostram Wall-E e EVA passeando de mãos dadas e olhando nos olhos um do outro. Já os seres humanos, só conversam por telas de computadores e parecem não fazer ideia da presença física dos outros. Isso tudo acaba sendo irônico, pois vemos robôs se portando como gente, e gente se comportando como meras máquinas. O que levanta a pergunta: em nossa vida cercada de redes sociais, máquinas e facilitadores de rotina, qual foi a última vez que você olhou nos olhos de alguém e se relacionou de forma genuinamente humana? Com afeto, com toque, com sentimento? A terceira lição digna de menção, é que precisamos aprender a enxergar nos filmes, livros, músicas e outros produtos artísticos, mais do que algo para entreter ou passar o tempo. É claro que eles foram feitos para isso, mas se olharmos atentamente, todos possuem lições e filosofias morais para nos passar. Cabe a nós descobrirmos se elas são compatíveis com nossas crenças, ou não.
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Ouça semanalmente uma sinopse resumida de alguma obra da cultura pop, como filmes, livros, séries, desenhos, com uma aplicação filosófica ou bíblica ao final.Episódios de 3 a 4 minutos para começar o dia inspirado.Este podcast pertence ao site www.cristaoscansados.net
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