PODCAST · religion
Devocional Verdade para a Vida
by Alistair Begg
O devocional Verdade para a Vida, de Alistair Begg, fornece um encontro diário com a Palavra de Deus, trazendo:- Uma reflexão sobre uma passagem bíblica.- Três questões para refletir sobre como pensar, sentir e agir de forma diferente.- Uma leitura bíblica complementar para estudo adicional.- Um plano de leitura bíblica anual.
-
123
4 de maio - Jesus é Rei
Texto bíblico: Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo: Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos. (Ap 5.13)A Bíblia deixa bem claro que a história está se movendo propositalmente em direção a uma conclusão definitiva. Essa realidade é um dos aspectos distintivos da cosmovisão bíblica.Uma maneira como o cristianismo se distingue, em outras palavras, é a questão de como todas as coisas terminam.Às vezes, ao olhar fotografias antigas, acabamos nos perguntando: “Onde eu estou nessa foto?” — ou: “Será que eu estou mesmo nessa foto?” Contudo, quando se trata do plano Deus, cada pessoa está incluída individualmente na foto da história do Apocalipse. Ninguém está ausente da história. E, quando a história se encerrar, terminará em divisão e separação.Jesus falou sobre essa separação quando disse que ovelhas e cabritos serão divididos (Mt 25.31-46): luz e trevas serão delineadas, e aqueles que creem em Jesus serão separados daqueles que não creem. Ninguém será deixado de fora, embora tragicamente alguns terão escolhido ser excluídos. Portanto, nossa posição nessa grande imagem importa.Todo vai e vem da história deve ser visto à luz do fato de que há um trono no céu, e esse trono não está vazio; pelo contrário, ele está ocupado por Deus, que está no controle. Jesus é Rei e está sentado à destra do trono. Apesar de muitos ainda não reconhecerem seu reino, isso não altera a realidade de que ele reina.Da queda da humanidade até o fim dos tempos existe, como o grande teólogo do século IV Agostinho de Hipona articulou, duas cidades rivais — dois amores rivais. Por nossa natureza, estamos envolvidos na cidade do homem, e apenas pela graça de Deus poderemos alguma hora estar envolvidos na cidade de Deus e nos devotarmos a ela.A cidade terrena, a cidade do homem, está destinada a passar. Mas a cidade celestial, o Reino de Deus, permanecerá pelos séculos dos séculos. Reconhecemos Jesus como Rei? Como respondemos é uma questão de importância eterna. E como respondemos é também uma questão de consequência presente. Se Jesus é nosso Rei, então você viverá como seu subordinado, buscando obedecer a ele mesmo quando o mandamento dele contraria suas próprias preferências. Se Jesus é o seu Rei, você será leal a ele acima de todos os outros, pois este mundo não é sua casa, e você está apenas de passagem. Como Paulo escreveu: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). Certifique-se de viver como um cidadão de um país melhor e como subordinado de um Rei maior. Passaremos a eternidade reunindo-nos com toda a Criação para dar honra a ele. Portanto, façamos isso em nossas palavras e conduta hoje, também.Leia SALMO 24 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Nm 17–19; Ap 21
-
122
3 de maio - Seguros em Solo Firme
Texto bíblico: Ilumina-me os olhos, para que eu não durma o sono da morte; para que não diga o meu inimigo: Prevaleci contra ele; e não se regozijem os meus adversários, vindo eu a vacilar. No tocante a mim, confio na tua graça; regozije-se o meu coração na tua salvação. (Sl 13.3-5)Quando vai acampar, uma das coisas mais importantes que você pode fazer é certificar-se de que as estacas da sua barraca estão presas com segurança em solo firme. Uma vez que esse passo for concluído, você pode partir para outras atividades com maior paz de espírito, sabendo que seu abrigo aguentará uma tempestade — o que certamente supera a alternativa de retornar ao local onde está acampado e ver que sua barraca voou! Nesse versículo, Davi responde a se sentir esquecido e desapontado na vida, e a sofrer oposição injusta dos outros à sua volta. Ele começa a refletir sobre a situação; relembrando o que já sabe, Davi declara sua confiança no amor fiel de Deus.Essa confiança era fruto da vontade. Apesar dos sentimentos em seu coração serem reais, Davi escolhe levar suas emoções sob a jurisdição da misericórdia e compaixão infalível de Deus. Só então ele poderia se alegrar novamente.No novo céu e nova terra, as tempestades da vida finalmente serão acalmadas. Enquanto isso, passaremos por tempestades e até mesmo dilúvios. Iremos suportar com alegria à medida que confiarmos que nosso Pai é sábio. Quando ele não nos dá algo, é porque ele sabe que é melhor para nós não termos isso. Quando ele confia algo a nós que é difícil de aceitar, é porque ele está nos dando o privilégio de testemunhar a sua graça naquela circunstância.Quando ele nos leva pela chuva, é porque ele sabe que isso fará com que nos agarremos ainda mais a ele, e fará que nosso caráter se torne mais conformado ao dele (Tg 1.2-4).Quando olhamos para os restos destroçados das nossas experiências mais penosas, muitas vezes parece que o colapso é iminente. Contudo, nesses momentos, podemos nos lembrar de que Deus nos dá “uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado” (Is 61.3). Cada provação que enfrentamos é uma oportunidade de lembrarmos que, assim como aconteceu com Davi, é a misericórdia de Deus que protege nossa alma e nos dá motivo para deleite na salvação dele.Hoje, o convite para cada um de nós é dizer: “Senhor Jesus Cristo, ajuda-me a ter as estacas da barraca da minha vida seguramente presas em tua misericórdia, para que, seja na vida ou na morte, na alegria ou na tristeza, na doença ou na saúde, eu possa me regozijar”.Leia HEBREUS 12.3-11 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Nm 15–16; Ap 20
-
121
2 de maio - Ele Morreu para nos Tornar Bons
Texto bíblico: Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados. (1Co 6.9-11)O Maligno não está interessado em nos persuadir a não nos preocuparmos com muitas das nossas atividades cristãs — mas ele está interessado em nos persuadir a nos desagarrarmos das verdades absolutas no que diz respeito à natureza e ao caráter de Deus, bem como às verdades absolutas a respeito da ética do seu reino. Reconhecendo isso, Paulo alertou os crentes de Corinto a não se desviarem para o campo minado do comportamento ímpio.“Não vos enganeis”, diz Paulo; os injustos não “herdarão o reino de Deus”.Paulo descreve algumas áreas de impiedade que tinham se tornado aceitáveis em Corinto.A cidade era um centro comercial agitado, uma mistura de raças, credos e línguas. No entanto, como cultura, ela era irregular e sem raízes. Na verdade, o lugar era tão seriamente pervertido, que “Corinto” se tornou ela própria um sinônimo para imoralidade. Então, o que Paulo fez? Ele se aventurou nessa cidade com uma estratégia. Ele “se entregou totalmente à palavra, testemunhando aos judeus que o Cristo é Jesus” (At 18.5). Seu objetivo não era promulgar legislação, mas começar a proclamar.Não há agenda legislativa que possa redimir a cultura. Em vez disso, há uma mensagem enviada de Deus para redimir homens e mulheres, e é simplesmente esta: “Jesus Cristo e este crucificado” (1Co 2.2). O Evangelho é a agenda de Deus para o nosso mundo. Ele usa o poder e a convicção de sua Palavra para falar à vida das pessoas e realizar mudanças radicais.Paulo não se rendeu ao uso de retórica elaborada. Ele tinha uma mensagem e continuou a anunciá-la de novo e de novo. Ele sabia que apenas a morte expiatória de Cristo na cruz torna possível que homens e mulheres sejam libertos de seus pecados constantes, a fim de “[andar] em novidade de vida” (Rm 6.4).É arriscado e desnecessário permanecer perverso. A mensagem do Evangelho ressoa tão alta e eficazmente hoje quanto nas ruas de Corinto; ela atravessa o engano do relativismo do mundo e a tendência de pensar que as leis por si mesmas podem mudar corações ou produzir fé. A grande necessidade de nossas vidas, nossas cidades e nossas nações é que pecadores sejam salvos. Não se engane com a ideia de que o pecado não importa. Não se engane com a ideia de que a maior necessidade da sua sociedade é qualquer outra coisa senão a notícia do Reino de Deus. Precisamos confessar a mensagem do Messias crucificado: Ele morreu para que fôssemos perdoados, Ele morreu para nos tornar bons, Para que possamos enfim ir para o céu, Salvos pelo seu precioso sangue.62Leia ATOS 18.1-11 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Nm 12–14; Ap 19
-
120
1 de maio - O Salvador Adormecido
Texto bíblico: E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! (Mc 4.38-39)Coloque-se no lugar dos discípulos no momento em que eles navegavam no mar tempestuoso, enquanto Jesus dormia na popa do barco. Muitos deles eram pescadores experientes e entendiam que estavam sendo confrontados por uma possibilidade muito real de naufragarem — contudo, o Mestre deles parecia tê-los abandonado ao destino, no sono profundo em que estava.O próprio fato de que Jesus precisava dormir revela que ele tinha um corpo humano real que sabia como era sentir fadiga, sede e fome. Ele experimentou em primeira mão as fraquezas do corpo. Ele até mesmo teve de encontrar um travesseiro para dormir, mostrando-nos saber o que era desconforto. Ele, que fez o universo, poderia ter transformado a madeira debaixo dele em uma substância muito mais confortável, adequada para um bom descanso; porém, em vez disso, o Senhor da glória deitou sua cabeça sobre um travesseiro, assim como você e eu.Se Jesus não soubesse quais eram as fraquezas e tentações da humanidade, ele não seria um Sumo Sacerdote tão compadecido, oferecendo-nos misericórdia e graça do trono celestial (Hb 4.14-16). Mas a Bíblia deixa claro que ele sabia. Ele passou, por exemplo, pela dor do desprezo: “[Cristo] veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). Até mesmo alguns dos seus discípulos fiéis — alguns dos próprios homens que estavam nesse barco — o negaram ou o abandonaram em determinado momento. Ele também experimentou o abuso da zombaria que deturpou a maravilha e a beleza de seu caráter (veja, por exemplo, Lc 7.34).Ele lutou por 40 dias e noites contra as mentiras e tentações do Maligno (Mt 4.1-11). Ele enfrentou total agonia e perturbação na cruz quando clamou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (27.46). Não há experiência de dor ou insulto que possamos sofrer que já não tenha apertado o coração de Cristo — e, como ele passou por tais lutas, convida-nos a ir até ele enquanto nós mesmos as experimentamos.Aqui, nesse pequeno incidente encaixado no início do Evangelho de Marcos, está o lembrete que transforma vidas: Jesus é o Cristo vivo, um Salvador que se compadece e um companheiro inabalável. Não há ninguém mais bem preparado para lidar com qualquer apuro pelo qual você ou eu possamos passar do que o Mestre cujos discípulos pegaram dormindo sobre um travesseiro.Você, assim como eles, pode clamar a ele e descobrir que aquele que precisava dormir no barco também é aquele que podia repreender uma tempestade — aquele que reina nas alturas, o qual não dormita, nem dorme, e não permitirá que os seus pés vacilem (Sl 121.3-4).Hoje, em seus pensamentos, o que induz você ao medo? Tenha certeza de que o Senhor Jesus entende bem como é essa vida. Leve seu medo a ele agora, “lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5.7).Leia SALMO 121 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Nm 9–11; Ap 18
-
119
30 de abril - Respondendo ao Sucesso do Outro
Texto bíblico: Teve ainda outro sonho e o referiu a seus irmãos, dizendo: Sonhei também que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante mim. […] Seus irmãos lhe tinham ciúmes. (Gn 37.9, 11)A inveja é um sentimento comum à humanidade. É também um monstro — um gigante que pode comer qualquer pessoa viva.Como você luta contra a inveja? Quem são aqueles em sua esfera de influência ou seu campo de visão que estão experimentando favor ou sucesso, e com quem de alguma forma você deseja trocar de lugar? Precisamos ser cautelosos. “A odiosa paixão da inveja”, escreve George Lawson, “atormenta e destrói a própria pessoa enquanto busca a ruína de seu objeto.” 61 A inveja tende a destruir o invejoso.Eles ainda não sabiam, mas os irmãos de José estavam no caminho para os males do engano, da malícia e do tráfico de escravos de seu próprio irmão — para as formas mais detestáveis de crueldade. O primeiro passo nessa estrada foi a inveja que tinham dele. Mas eles não viram, e assim caminharam em direção a ações que presumivelmente não haviam tolerado quando José começou a compartilhar seus sonhos de grandeza.Devemos aprender a enxergar a nossa inveja e a lidar com ela. Então, como podemos lidar com o sucesso dos outros sem sucumbir à amargura e à inveja? Primeiro, reconhecemos que Deus é soberano sobre as coisas do homem. Deus determinou que José tivesse o que tinha e fosse o que era — e determinou uma posição menos significativa para os irmãos de José. Se estivessem preparados para considerar isso, embora fosse difícil, eles teriam sido poupados da dor autoinfligida de seu ódio invejoso.Em segundo lugar, voltamo-nos para Deus em oração. F. B. Meyer, um grande pregador do século XIX, uma vez contou como outro pregador veio ministrar na mesma área em que ele já estava ministrando, e de repente houve saídas de sua congregação. A inveja começou a dominar sua alma, e a única liberdade que ele conseguiu encontrar foi orar por esse colega pastor — orar para que Deus abençoasse o ministério de outra pessoa. A oração afrouxa a pressão da inveja em nosso coração.Deus é quem levanta e quem derruba. Se os irmãos de José tivessem compreendido essa verdade, não teriam tido ocasião de ficar com inveja. Deus também é aquele que nos dá cada respiração como um presente seu. Se tivessem entendido isso, teriam mais vontade de agradecer do que de ficar amargurados. Hoje, examine seu próprio coração, reconheça e se arrependa de qualquer inveja que tenha criado raízes. Curve-se em humildade e gratidão diante de seu Deus soberano.Leia 1 SAMUEL 2.1-10 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Nm 7–8; Ap 17
-
118
29 de abril - Exaltado Apropriadamente
Texto bíblico: Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira. (Fp 2.9)Filipenses 2.5-8 é uma bela declaração sobre a humanidade, divindade, ministério e humilhação de Cristo. Tendo mapeado a humildade do Filho de Deus encarnado até a sua morte na cruz, para onde vai a sua mente a seguir? Naturalmente, pensamos na ressurreição.Mas Paulo não. Ele nos leva à exaltação de Cristo.Há, diz Paulo, uma conexão lógica entre a humilhação de Jesus e sua exaltação: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira” (v. 9, itálico acrescentado). O que é essa exaltação? É que o Pai deu a seu Filho o trono e ordenou este mundo para que, um dia, “ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (vv. 10-11).Mas por que sua exaltação é apropriada? A Escritura nos dá várias respostas. Primeiro, a exaltação de Cristo é apropriada porque cumpre a profecia do Antigo Testamento e demonstra que Deus cumpre a sua palavra. O reconhecimento mundial de Jesus como Senhor ocorrerá porque Deus prometeu que ocorreria. Seiscentos anos antes de Jesus chegar ao palco da história humana, Isaías registrou estas palavras de Deus: “Eis que o meu Servo procederá com prudência; será exaltado e elevado e será mui sublime” (Is 52.13). E assim Cristo veio para suportar a dor e o pecado do mundo, cumprindo o papel de Servo Sofredor, erguido em uma cruz e depois erguido para ser exaltado em seu trono. Como Paulo escreveu em outro lugar: “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim” (2Co 1.20).Em segundo lugar, a exaltação de Cristo é apropriada porque ele é Deus. A Bíblia nos ensina que o Filho é um com o Pai. Por causa de sua divindade, a exaltação é uma necessidade; não há outro lugar para Deus se assentar! Nenhum outro assento é adequado para o Filho, exceto à destra de seu Pai.Finalmente, a exaltação de Cristo é apropriada porque ele é o querido Filho de seu Pai.Deus Pai observou o Filho obedientemente ir para a cruz para cumprir a aliança da Redenção e o ouviu gritar de dor: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). O Pai sabia que o Filho sofreu essa agonia por amor ao Pai e por amor ao seu povo. O Pai não deixaria seu Filho perfeito nessa condição terrível. Como o amor do Pai poderia fazer outra coisa senão exaltar o Filho de seu estado humilde? A humilhação de Cristo por nós e a exaltação acima de nós são certamente suficientes para nos levar ao ponto em que nos curvamos em alegre submissão a ele. Elas nos mostram que há alguém que tem o status de exigir nossa obediência e o caráter para merecer nossa adoração.Elas nos lembram que a melhor coisa sobre o céu será a pessoa mais gloriosa no céu: Não olharei para a glória, mas para o meu Rei da graça; Não para a coroa que ele dá, mas para sua mão perfurada; O Cordeiro é toda a glória da terra de Emanuel.60Leia ATOS 13.16-43 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Nm 5–6; Ap 16
-
117
28 de abril - Jesus nos Ergue
Texto bíblico: E ele, clamando e agitando-o muito, saiu, deixando-o como se estivesse morto, a ponto de muitos dizerem: Morreu. Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou. (Mc 9.26-27)Não há ninguém a quem Jesus não possa ajudar.Em Marcos 9, lemos sobre a interação de Jesus com uma criança que havia muito tempo estava possuída por um espírito imundo. A situação do menino era assim desde jovem. Ele não podia falar nem ouvir. Quando o demônio o pegou, ele o jogou no chão, fazendo-o espumar pela boca, ranger os dentes e ficar rígido (Mc 9.18). Este jovem foi pego em uma circunstância terrível, essencialmente preso dentro de seu corpo, incapaz de ouvir quaisquer palavras de conforto que possam ter vindo a ele de seu pai, família ou amigos, incapaz de dar voz à sua dor e medo. Sua vida foi desfigurada pela tentativa de distorção e destruição da imagem de Deus que ele carregava.Diante de uma situação tão desesperadora, Jesus interveio, dando uma palavra divina de repreensão ao espírito maligno. Por meio de uma repreensão tão poderosa, Cristo tirou a raiva impotente do inimigo, e o espírito maligno, tendo feito o seu pior, deixou o menino como se estivesse morto. E então Jesus o ressuscitou.É isso que Jesus faz. Ele pega pessoas cujas vidas estão dizimadas — aquelas que estão a caminho da destruição — e faz o que só ele pode fazer: entra nessa vida, pega a pessoa pela mão, ergue-a… e ela fica de pé.Jesus é o único que pode verdadeiramente dizer: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente” (Jo 11.25-26). Ele é o único que pode transformar alguém que parece totalmente indefeso e incapaz de mudar a si mesmo, concedendo-lhe uma nova vida.Então, hoje, Jesus vem até você e diz: Por que você simplesmente não traz seus fardos para mim? Você não pode se educar com dor e tristezas. A terapia não lhe dará respostas duradouras para toda a sua dor e confusão. De fato, é bom que você saiba que não pode fazer isso sozinho.Traga seus fardos para mim.Não só isso, ele também pode chegar aos outros através de você. Não há ninguém que você encontrará hoje que não precise da ajuda de Jesus, e ninguém a quem Jesus não possa ajudar. Por mais brilhante que a vida de alguém pareça, normalmente há arrependimento e ansiedade sob a superfície, e há sempre o pecado que está lentamente arrastando cada um de nós para a destruição — a menos e até que Jesus intervenha. Quando você aprende a ver as pessoas ao seu redor dessa maneira, você anseia compartilhar Cristo com elas; pois não há ninguém a quem Jesus não possa ajudar.Leia LUCAS 19.1-10 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Nm 3–4; Ap 15
-
116
27 de abril - Pedindo Corretamente
Texto bíblico: Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. (Tg 4.2-3)A um Rei tu estás vindo, Grandes petições trazes contigo; Pois a graça e poder dele são tais, Que ninguém pode pedir demais.59 Esse hino de John Newton nos lembra das palavras de Jesus: “Tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” (Mc 11.24). Jesus ensinou a seus discípulos em outro lugar: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?” (Mt 7.11). Podemos ir a Deus e pedir coisas boas a ele. Nunca podemos pedir demais a Deus.No entanto, como Tiago diz, muitos de nós não recebemos esses dons de nosso Pai porque não temos a coragem de agir de acordo com o ensinamento de Jesus e simplesmente pedir.Ou pedimos, mas não solicitamos coisas que estejam de acordo com a sua vontade, e sim o que queremos receber dele para “[esbanjarmos] em [nossos] prazeres” — para usar a fim de promover nossas prioridades, e não servir às dele.Quando consideramos o que a Palavra de Deus ensina sobre a oração, descobrimos que devemos pedir — e pedir com humildade, sinceridade e amor, e com o entendimento de que Deus é soberano e a sua vontade é o que mais desejamos que seja feito. Quando Jesus estava no Jardim do Getsêmani, ele orou: “Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres” (Mc 14.36). Veja o equilíbrio aqui. Jesus tinha confiança absoluta no poder de Deus, teve a coragem de pedir a Deus que fizesse algo humanamente impossível e, no entanto, também mostrou completa submissão à vontade do Pai. Foi apenas o propósito soberano de Deus que impediu que o cálice fosse removido conforme Cristo orou. Não foi porque Cristo não “creu o suficiente” para que isso acontecesse. Da mesma forma, a ousadia, o entusiasmo e a semelhança de uma criança, que demonstramos ao pedir a Deus que faça o impossível, não são minados por sua soberania; eles são misericordiosamente controlados por ela.Como filho de Deus, você pode ousadamente comparecer diante de seu Pai, confiando nele para realizar tudo o que você precisa e tudo o que você pede que esteja de acordo com a vontade dele. Seguindo o exemplo de Jesus, você pode submeter seus desejos à soberania amorosa de seu Pai. Ao confiar em Deus para a coisa certa da maneira certa, você pode ter certeza de que ele sempre dará a resposta certa. Você nunca pode pedir algo que seja grande demais para Deus fazer. Então é só pedir!Leia LUCAS 18.1-8 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Nm 1–2; Ap 14
-
115
26 de abril - Glorificando a Deus em Nosso Corpo
Texto bíblico: Segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. (Fp 1.20)Seu corpo e o que você faz com ele são importantes.Mais de uma vez em seus escritos, o apóstolo Paulo expressa grande preocupação com o corpo das pessoas. Ele pergunta aos coríntios, por exemplo: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus […]?” Então ele continua dizendo: “Não sois de vós mesmos […] Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1Co 6.19-20). Em outras palavras, nosso corpo pertence ao Deus que o criou e o sustenta. Essa maneira de pensar está no cerne da teologia de Paulo.Paulo encontrou grande alegria em saber que Jesus seria honrado, ou exaltado, em seu próprio corpo. Seu principal objetivo e oração era que, em seu ministério, ele possuísse coragem e fidelidade para fazer isso. Para Paulo, exaltar a Cristo significava valorizar seu grande nome: dar glória a ele. Vemos essa atitude expressa por João Batista, que disse de Jesus: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). De igual forma, você nunca encontrará Paulo chamando a atenção para si mesmo. Ele se via apenas como um canal que levava a Cristo.Não é surpresa, então, que, quando ele quis estabelecer suas credenciais como apóstolo, Paulo não disse “Ninguém me cause problemas” apenas porque ele era um apóstolo poderoso ou porque ele foi usado por Deus para pregar o Evangelho. Não — ele disse: “Ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus” (Gl 6.17, itálico acrescentado). Através de seu corpo, seu compromisso foi revelado. Ele foi cada vez mais abusado por sua devoção a Cristo. Ele finalmente foi para o túmulo marcado, brutalizado e desfigurado — no entanto, durante suas provações, seu grito permaneceu: “Eu me alegrarei”.Deus era Senhor sobre toda a vida de Paulo: seu corpo, seu tempo, sua totalidade. Só isso poderia lhe trazer tanta alegria. Só isso pode nos trazer tanta alegria.A conclusão é que você não pertence a si mesmo. Nada que você tem é seu. Tudo é uma mordomia, quer Deus lhe tenha dado muito, quer pouco. Você pertence a Deus, seu Criador e seu Redentor. Um dia, ele nos ressuscitará com corpos glorificados e imperecíveis (1Co 15.42-44, 51-54). Por enquanto, nesta vida, ele nos chama para servi-lo neste corpo. Em tudo o que você fizer com ele, então, que o seu corpo seja uma oferta que você alegremente coloca diante de Deus.Leia 1 CORÍNTIOS 6.12-20 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Ec 10–12; Ap 13
-
114
25 de abril - Compaixão para os Cegos
Texto bíblico: Ouvindo que era Jesus, o Nazareno, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim! (Mc 10.47)O cego Bartimeu estava sentado em completa escuridão. Ele podia ouvir a multidão, o movimento, a tagarelice de pessoas falando. Ele podia ouvir o barulho que sinalizava que Jesus de Nazaré estava em algum lugar na escuridão, mas ele era incapaz de vê-lo. Reconhecendo que esta poderia ser sua única chance de chamar a atenção de Jesus, em desespero, ele gritou: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!” A simplicidade e clareza do pedido de Bartimeu era um testemunho de sua fé; indicava que ele realmente acreditava que Jesus era capaz de fazer o que estava pedindo. Pela graça de Deus, o cego Bartimeu viu o que inúmeros outros deixaram passar despercebido: ele viu que em Jesus poderia encontrar a compaixão de Deus. E, quando Jesus então abordou sua necessidade, Bartimeu e todos os que observaram o encontro entenderam que sua fé era a razão de sua cura. Mas Bartimeu nunca cometeu o erro de pensar que tudo de que realmente precisava era sua visão física. É por isso que, assim que recebeu a visão de Jesus, ele “seguiu a Jesus pelo caminho” (Mc 10.52 ACF).Neste encontro, vemos um microcosmo de todo o Evangelho. A Bíblia frequentemente usa a cegueira como uma metáfora para a situação de homens e mulheres. Por exemplo, o apóstolo Paulo diz: “O deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo” (2Co 4.4); e o próprio Jesus disse: “Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam” (Jo 9.39). E, no início do Evangelho de Marcos, lemos que, embora os discípulos estivessem seguindo Jesus, eles ainda não viam nem entendiam tudo o que ele estava ensinando, então ele perguntou: “Tendo olhos, não vedes? E, tendo ouvidos, não ouvis?” (Mc 8.18).Como, então, os cegos passam a ver? Assim como Bartimeu: indo a Jesus e clamando a ele por misericórdia, pedindo o perdão amoroso e a nova vida que só ele pode proporcionar.Você nunca conhecerá Jesus Cristo como uma realidade em sua vida até que o conheça como uma necessidade. Essa é uma verdade que precisávamos entender para aproveitar o primeiro dia de nossa nova vida seguindo-o; mas também é uma verdade que precisamos lembrar para continuarmos em nossa vida ainda a segui-lo. De qualquer maneira que você precise de compaixão agora, olhe para ele com os olhos da fé, dados por Deus, e simplesmente peça. A boa notícia é que Jesus ainda ouve, Jesus ainda se importa, Jesus ainda para, Jesus ainda escuta e Jesus ainda salva.Leia MARCOS 10.46-52 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Ec 7–9; Ap 12
-
113
24 de abril - Da Tristeza ao Contentamento
Texto bíblico: [Jesus] lhes mostrou as mãos e o lado.Alegraram-se, portanto, os discípulos ao verem o Senhor. (Jo 20.20)A primeira Páscoa não parecia uma celebração típica da Páscoa.Antes da ressurreição de Jesus ser descoberta, o dia foi marcado por lágrimas, devastação e perplexidade — não alegria, esperança e louvor. Os discípulos foram reunidos por medo, para proteger uns aos outros, não para cantar: “Cristo, o Senhor, ressuscitou hoje, Aleluia!” 58 Sentaram-se tristes; sua história havia estagnado, com a próxima página em branco.Ou assim eles pensaram.A Bíblia não tenta negar ou idealizar a tristeza sentida pelos seguidores de Cristo após sua crucificação. Eles não entendiam o que havia acontecido e certamente não sabiam o que aconteceria a seguir. A tristeza deles revela as limitações da humanidade em enxergar a situação como um todo. Apesar das profecias veterotestamentárias e da própria predição de Jesus sobre sua morte (Mc 8.31; 9.31; 10.33-34), o Evangelho de João nos diz que eles “ainda não tinham compreendido a Escritura, que era necessário ressuscitar ele dentre os mortos” (Jo 20.9). Eles não entenderam que, quando Jesus disse da cruz: “Está consumado!” (19.30), ele não estava expressando derrota, mas declarando vitória.Essa vitória significava ressurreição. E, quando o Salvador ressurreto veio aos discípulos na escuridão, medo e tristeza deles, ele trouxe transformação. A incredulidade deles se transformou em fé, e a tristeza em alegria. Essa alegria estava enraizada no fato de que eles entenderam que Jesus havia ressuscitado dos mortos. A fé e o futuro deles retornaram e estavam enraizados nessa realidade maravilhosa. A escuridão do desespero deles tornou a luz da ressurreição ainda mais gloriosa.Se você está procurando um deus que apenas o faça feliz, você não deve procurar o Deus da Bíblia. Ele de fato nos alegra — mais do que qualquer outra pessoa ou coisa —, mas muitas vezes ele começa nos deixando tristes. Estamos entristecidos por este mundo quebrado, entristecidos por nosso próprio pecado, entristecidos por Jesus ter morrido na cruz por nossa maldade, desobediência e desinteresse. É apenas sentindo verdadeiramente tal tristeza que podemos entender por completo a alegria que vem com nossa conta sendo acertada, nossa dívida sendo paga e nossos erros sendo perdoados.Podemos conhecer a alegria de um amor que nos ama mesmo que não sejamos dignos dele — que nos ama quando não queremos ouvir. Que tipo de amor é esse? É o amor de Deus por homens e mulheres, por você e por mim! Hoje, desvie o olhar de si mesmo e olhe para ele. Isso é amor, e, quando sabemos que somos amados dessa maneira, somos capazes de ver a cura no mal e que a tristeza pode ser o solo no qual a alegria eterna cresce. Sobre qual parte da sua vida — talvez uma parte cheia de dor, arrependimento ou ansiedade — você precisa ouvir isso hoje? Lembre-se de que, seja o que for que você esteja passando, continua sendo verdade que Cristo, o Senhor, ressuscitou. Aleluia!Leia JOÃO 20.19-23 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Ec 4–6; Ap 11
-
112
23 de abril - Vida Fluirá para Todos
Texto bíblico: Dezoito mil côvados em redor; e o nome da cidade desde aquele dia será: O Senhor Está Ali. (Ez 48.35)O melhor está por vir.Os israelitas estavam no exílio havia seis décadas quando Ciro, da Pérsia, chegou ao poder no século VI a.C. Logo depois, o rei permitiu que alguns dos cativos israelitas voltassem para o seu lar anterior. Com grande esperança e expectativa, Esdras e Neemias voltaram e lideraram o povo na reconstrução do templo e dos muros de Jerusalém.O número de exilados retornados era pequeno, e eles enfrentaram uma oposição significativa.Foram bem-sucedidos em seus esforços, mas não foram de forma alguma triunfantes.Na verdade, as pessoas mais velhas e sábias choraram quando lançaram os alicerces do templo, pois sabiam que não atenderia às grandes expectativas dos profetas (Ed 3.10-12).Os anseios daqueles que choravam refletiam a profecia final de Ezequiel, que continha esta grande esperança: um novo templo um dia seria construído em uma Jerusalém maior.Seria mais magnífico do que o primeiro templo já fora, e Deus presidiria na imensa estrutura, da qual um rio fluiria, dando vida eterna ao mundo (veja Ez 40–48).Os israelitas sabiam que o que estavam construindo não era o templo que Ezequiel havia profetizado. Não se encaixava muito bem. Nem o retorno da Babilônia foi o grande êxodo sobre o qual os profetas haviam falado. Eles foram deixados olhando para além de sua própria cidade e do templo reconstruído. Definitivamente, Ezequiel estava profetizando sobre a vinda do Reino de Deus, o qual estava além de sua compreensão.No livro do Apocalipse, João descreve uma visão do céu que fornece uma vista diferente: a igreja no Reino de Deus. O plano de Deus nunca se limitou apenas aos israelitas; ele inclui muito mais. Ele está determinado a desfazer completamente os efeitos do pecado e renovar o mundo inteiro. Mais uma vez, a humanidade saberá o que significa viver continuamente na presença de Deus, na cidade chamada “O Senhor Está Ali”. Deus estará em nosso meio, e dele a vida fluirá para todos: Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu […]. Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro. A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada. (Ap 21.2, 22-23)Como os israelitas antes de nós, vivemos olhando para a frente. Nós nos inclinamos para o futuro na expectativa do retorno do Rei e da conclusão de sua salvação. Vamos nos juntar a Jesus em seu reino e experimentar a alegria que vem de estar com ele. Não se contente com o que esta vida tem a oferecer, nem fique desesperado com as decepções do aqui e agora. Nossos melhores dias estão à nossa frente, na cidade de Deus.Leia EZEQUIEL 47.1-12 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Ec 1–3; Ap 10
-
111
22 de abril - O Caminho da Incredulidade
Texto bíblico: Judas, o traidor, estava também com eles. (Jo 18.5)No Jardim do Getsêmani, quando os soldados se aproximaram para prender o homem que os líderes judeus haviam decidido que agora deveria morrer, a figura central era, é claro, o Senhor Jesus. Mas Judas desempenhou um papel fundamental — e nos ensina uma lição difícil.A traição de Judas contra Cristo revela uma hipocrisia profunda enraizada em uma negação ainda mais profunda. Sua traição serve como um alerta de como um coração, embora aparentemente perto de Deus, endurece à medida que percorre o caminho da incredulidade — um caminho marcado pela confiança traída e pela companhia corrupta.O Jardim do Getsêmani não era um jardim qualquer. Os discípulos pareciam conhecê-lo bem. Para Jesus e os 12, era um lugar de comunhão, de relaxamento e, sem dúvida, de muitas lembranças felizes. E, no entanto, foi nesse belo lugar que Judas traiu a Cristo. É bastante surpreendente que ele tenha escolhido um lugar de tanta intimidade para realizar um ato de tanta infâmia, como um adúltero que rompe o vínculo do casamento em seu próprio leito matrimonial.Imagine Judas andando ao longo do caminho e liderando um grupo de soldados e oficiais judeus (Jo 18.3). Aquele que estava tão terrivelmente perdido em seu espírito tornou-se um guia: o cego guiando os cegos. O caminho da incredulidade é um lugar solitário que muitas vezes implora pelo consolo falso do companheirismo sem esperança.O jardim era um lugar bonito e tranquilo, mas, ainda assim, testemunhou um evento hediondo. Quando pensamos nos lugares onde fomos tentados a trair a Cristo — em férias adoráveis, no conforto de nossa casa, mesmo em lugares onde Cristo já se encontrou conosco, nos abençoou, nos cortejou e nos conquistou —, vemos claramente a perversidade de nosso coração em nossa disposição de nos juntarmos a Judas em sua traição.Que o exemplo de Judas nos lembre que todos devemos estar em guarda. Não há espaço para complacência na vida cristã, não importa o que você tenha feito e visto, e não importa qual seja sua posição em sua igreja. Afinal, Judas viveu com Jesus por três anos, viu seus milagres e ouviu seu ensino. Contudo, ele ainda o traiu. “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1Co 10.12).Como permanecemos seguidores e evitamos o caminho trágico tomado por Judas? Conforme a Palavra de Deus implora vez após vez, devemos tomar cuidado com uma dureza de coração que cresce lentamente e que nos leva a trilhar o caminho da incredulidade. Em vez disso, precisamos ouvir o Espírito Santo enquanto ele nos guia. Precisamos orar para encontrarmos uma ternura em nosso coração, uma abertura em nossa mente e um estímulo em nosso espírito, o qual nos diz: “Agora, vá em frente e abrace este Cristo!” A dura lição de Judas é que somente pela graça de Deus podemos permanecer de pé.Portanto, ore para que você nunca seja encontrado entre os traidores: Salva-me, Senhor, das verdadeiras tentações de duvidar de ti e de negar-te. Mostra-me a maravilha de tua proteção e provisão, e renova a minha certeza de que tu não perderás nenhum daqueles que o Pai te deu.Leia JOÃO 10.11-30 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Dn 11–12; Ap 9
-
110
21 de abril - Escolhido por Deus
Texto bíblico: Em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado. (Ef 1.4-6)Em O mercador de Veneza, de William Shakespeare, a personagem Pórcia oferece um solilóquio que ilustra a consideração do dramaturgo pelos princípios da misericórdia e do perdão: Embora a justiça seja o seu apelo, considere o seguinte: Caso, no curso da justiça, nenhum de nós Veja a salvação. Oremos por misericórdia.57 Ao considerarmos a doutrina da eleição — que Deus “nos predestinou […] para a adoção” —, não precisamos perguntar “Por que Deus não escolheria a todos?”, mas sim “Por que Deus escolheria ter misericórdia de alguém?”. A verdade é que, se apenas a justiça fosse feita, todos nós enfrentaríamos a condenação, pois a condenação é o que nosso pecado merece.Contudo, em seu amor por nós, Deus escolheu que “não [pereçamos], mas [tenhamos] a vida eterna” (Jo 3.16). Ele não nos escolheu por causa de qualquer coisa em nós (o que seria motivo para nos orgulharmos de nós mesmos), mas simplesmente por causa do amor que está nele (o que deve nos levar a louvá-lo e adorá-lo).Um efeito que a compreensão de nossa eleição tem sobre nós como cristãos é que ela nos obriga a levar nosso pecado cada vez mais a sério, pois o propósito de ele nos escolher é que “[sejamos] santos e irrepreensíveis perante ele” (Ef 1.4). Em outras palavras, embora ele não tenha nos escolhido porque somos santos, fomos escolhidos para que possamos nos tornar santos. Há algo terrivelmente errado quando a crença no amor eletivo de Deus resulta em declararmos o direito de viver da maneira como escolhermos. Na verdade, os indivíduos que vivem constantemente e continuamente em pecado, mas reivindicam a salvação, mostram que não entenderam a Deus ou seu Evangelho.Em contraste, a evidência de que fomos escolhidos por Deus, separados para ele e ministrados por ele através do Espírito Santo é, em última análise, vista à medida que somos cada vez mais conformados à imagem de seu Filho. O crescimento na pureza moral é a indicação final de uma profunda devoção a Jesus Cristo. Um interesse genuíno e uma admiração pelo amor eletivo de Deus produzem em nós uma conformidade com a própria beleza de Jesus.O que esperamos ver na vida das pessoas que realmente entendem isso? Provavelmente não é fanfarronice, conversa egocêntrica ou defesas vazias da fé cristã. Não — veremos a humildade coexistindo com a certeza, a conversa deles cheia de Cristo em vez de si mesmos, e vidas de alegria e sacrifício. Isso pode ser, e deve ser, o que você vê em si mesmo, imperfeitamente, mas cada vez mais. E é isso que crescerá em você à medida que disser para si mesmo com um sorriso e um sentimento de admiração: “Não é que eu tenha escolhido a ele; ele escolheu a mim”.Leia ÊXODO 20.1-21 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Dn 8–10; Ap 8
-
109
20 de abril - Senhor Soberano, Pastor Gentil
Texto bíblico: Eis que o Senhor Deus virá com poder, e o seu braço dominará; eis que o seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa. Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos. (Is 40.10-11)Os Estados Unidos da América nunca se interessaram por soberanos ou sua soberania.Preferimos alguém em quem possamos votar para uma posição e convocar conforme necessário — e votar para que ele saia quando quisermos! E, se formos honestos, isso também é verdade para a forma como nos relacionamos com Deus. Preferimos controlar ao invés de sermos controlados.Deus, no entanto, não pode ser gerenciado ou refeito à nossa imagem. Ele é o Senhor soberano, cuja existência contrasta perfeitamente com nossa fragilidade humana e natureza finita. Somos como grama e flores da primavera, que murcham e caem. Não é assim com Deus, que governa e reina sobre todas as coisas por toda a eternidade. Até mesmo sua Palavra permanece para sempre (Is 40.6-8).Em sua soberania, Deus realizou uma conquista incrível: a vitória sobre o pecado e a morte.Em sua imensa sabedoria, ele, o Legislador, veio na pessoa de Jesus, submeteu-se e cumpriu a própria Lei que ele tinha dado e depois morreu no lugar dos pecadores para pagar nossa dívida e nos dar a vida eterna. Como Pedro pregou: “ao qual, porém, Deus ressuscitou, […] porquanto não era possível fosse ele retido” pelo poder da morte (At 2.24). Esta é a vitória dele.Embora Deus seja o Senhor soberano, ele também é nosso Pastor gentil. Ele não vem ao seu povo como um grande general em um campo de batalha; em vez disso, ele carrega seu rebanho perto dele, levando-o com compaixão. Aqueles que antes eram tristes, alienados e culpados e viviam com medo da morte, agora foram libertos. Vitoriosamente, ele declara: “guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu” (Jo 17.12).Podemos nos alegrar na soberania de Deus, pois ele é poderoso e gentil, o Pastor buscando trazer os perdidos e cumprir a sua missão. Quando ele opera, sua voz fala e os surdos ouvem, sua luz brilha e os cegos veem. Fomos reunidos ao coração deste Pastor gentil e podemos viver confiantes de que este mundo pertence ao nosso Pai soberano.Um desafio na vida cristã é ter uma visão de Deus que seja grande o suficiente: conhecê-lo como “o Senhor Deus” que “virá com poder” e diante de quem nos achegamos com temor reverente, como aquele que, “como pastor, apascentará o seu rebanho” e a quem seguimos em íntima amizade. O Senhor Jesus é tanto o Leão quanto o Cordeiro (Ap 5.5-6). Qual você acha mais difícil lembrar? À luz de qual destes é mais difícil viver? Lembre-se de ambos, e você obedecerá a ele e desfrutará dele, tanto como seu Soberano quanto como seu Pastor.Leia EZEQUIEL 34.11-24 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Dn 5–7; Ap 7
-
108
19 de abril - Advertências para Livramento
Texto bíblico: Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. (1Co 10.12)Em uma biografia, tanto o autor, conforme ele escreve, quanto os leitores, conforme leem depois, enfrentam uma grande tentação de encobrir as falhas do biografado. A Escritura, por outro lado, não faz tentativa alguma de esconder ou justificar as falhas, fracassos ou pecados de seus heróis. E é nas consequências do triunfo espiritual que o potencial para a derrota costuma parecer em seu auge.Em uma vitória da fé, Noé prosseguiu em obediência, sem que uma gota de chuva caísse, a construir a arca. Porém, após o dilúvio, lemos uma descrição lamentável de tudo que Noé permitiu ocorrer em sua embriaguez (veja Gn 9.20-27). Abrão inicia a jornada da fé; contudo, ele então trouxe desgraça sobre si mesmo e sua família através de suas mentiras quando foi ao Egito (12.10-20). Davi triunfou sobre Golias; no entanto, posteriormente se pegou perpetrando adultério (e muito possivelmente estupro), assassinato e caos (2Sm 11 em diante).Cada um desses personagens é um herói que realizou grandes coisas para a causa de Deus e que também falhou. Todos eles eram confiantes, e então caíram drasticamente. A Bíblia nos dá esses exemplos, não como desculpas para nos escondermos atrás deles, mas como advertências para nos livrar da complacência quando as coisas vão bem, e também para não esperarmos muito dos outros — na verdade, para não esperarmos muito de nós mesmos! O teólogo A. W. Pink nos lembra: Deus permite que os melhores homens se revelem, na melhor das hipóteses, apenas homens. Não importa quão ricamente dotados eles pareçam ser, quão eminentes no serviço de Deus, quão grandemente honrados e usados por ele: se o poder sustentador de Deus for retirado deles, ainda que por um momento, rapidamente será exposto que eles são “vasos de barro”. Nenhum homem permanece de pé por mais tempo do que é sustentado pela graça divina. O santo mais experimentado, se entregue a si próprio, é imediatamente visto tão fraco quanto a água e tão tímido quanto um rato.56 Misericordiosamente, Deus não nos entrega a nós mesmos: ele nos provê justiça, salvação, verdade e a sua Palavra, a fim de que não apenas suportemos, mas permaneçamos firmes em meio a cada provação e tentação. Quando reconhecemos dentro de nós mesmos as mesmas fraquezas e derrotas experimentadas por heróis como Noé, Abraão e Davi, somos capazes de depender da graça e poder de Deus para nos sustentar através do Senhor Jesus, nosso único “livramento” (1Co 10.13). Que isso sirva de lembrete para você continuar em sua fé, crescendo em santidade ou impactando o mundo para o reino, não apenas como o resultado de sua força ou inteligência ou caráter, mas por causa da graça de Deus. A pessoa que verdadeiramente sabe disso, enxerga a complacência como um grave perigo e vê a oração como algo absolutamente essencial, pois sabe que é somente o Senhor que pode mantê-la de pé dia após dia, a cada momento. Você sabe disso?Leia 1 CORÍNTIOS 10.1-13 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Dn 3–4; Ap 6
-
107
18 de abril - Deus Sabe o que é Melhor
Texto bíblico: Senhor, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes.Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim. De fato, acalmei e tranquilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança. (Sl 131.1-2 NVI)O processo de desmame de uma criança de sua mãe pode ser doloroso, mas é necessário para um desenvolvimento e maturidade saudáveis. Na cultura ocidental de hoje, o desmame ocorre bem cedo, antes que a personalidade realmente comece a aparecer. Quando este salmo foi escrito, a transição para longe do leite materno acontecia muito mais tarde, por volta dos 3 anos de idade.O desmame pode, portanto, ser uma luta confusa para uma criança, pois ela aprendeu a ficar sem algo do qual antes desfrutava. Porém, uma vez desmamada, uma criança seria “acalmada e tranquilizada”; ela agora entenderia que a provisão ainda seria feita, e seria capaz de aproveitar o tempo com sua mãe por si só, em vez de usá-la como um meio para um fim. Não apenas isso, mas uma criança desmamada aprendia que sua mãe sabia mais que ela, mesmo quando um conforto estava sendo retirado e a decisão parecia desconcertante do ponto de vista de alguém de 3 anos de idade.Tal como acontece com uma criança desmamada, é importante para nós, como filhos espirituais, reconhecer que nem sempre sabemos o que é melhor para nós mesmos. Podemos confiar que nosso Pai celestial sabe o que é melhor. Muitas vezes, porém, nosso coração orgulhoso nos faz questionar os caminhos misteriosos de Deus. Exigimos saber por que estamos passando por dor, problemas ou perdas, mas sem reconhecer que nossas perguntas podem expressar arrogância.As perguntas são inevitáveis; elas são parte integrante da jornada. Contudo, o verdadeiro contentamento é encontrado em aprender a subordinar nossas perguntas. O contentamento diz: “Mesmo quando não consigo entender, ainda posso confiar”. Devemos ter cuidado para que, em nosso orgulho, não exijamos que o Oleiro explique por que ele fez o vaso da maneira como fez (Is 45.9). A vontade e os caminhos precisos de Deus são um mistério, mas são sempre bons, pois ele é nosso Pai.Com a ajuda do Senhor, podemos nos treinar para nos concentrarmos em sua providência e nos lembrarmos de que nossas circunstâncias são temporárias, que nosso Pai sabe o que está fazendo nelas e que elas não podem nos roubar a alegria e a glória que são, em última análise, nossas em Cristo. Nisto nossa alma pode se aquietar.Na vida cristã, o contentamento é muitas vezes obtido através de uma experiência de confusão e desconforto, quando aprendemos a dizer: “Meu Pai está no comando aqui e está trabalhando para o meu bem como seu filho. Não preciso entender, pois posso confiar nele.Eu tenho a ele, e ele é suficiente para mim. Minha alma está calma, mesmo nesta tempestade.” Que verdade maravilhosa somos capazes de dizer hoje!Leia SALMO 34 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Dn 1–2; Ap 5
-
106
17 de abril - Do Medo à Fé
Texto bíblico: Então, saiu Maria Madalena anunciando aos discípulos: Vi o Senhor! (Jo 20.18)O que transforma o medo em fé? Após a crucificação de Jesus, os discípulos estavam em completa desordem, abatidos e amontoados com medo de perseguição. Um deles, Judas, já estava morto por suicídio.Outro, Pedro, cedeu sob pressão e negou a Jesus, seu líder e mestre, a quem eles testemunharam ser brutalmente morto. Suas esperanças e sonhos aparentemente morreram junto com ele. No entanto, apenas algumas semanas depois, esse mesmo grupo abatido estava nas ruas de Jerusalém declarando ousadamente Jesus como o Messias ressurreto. O que levou esses homens do medo covarde à fé corajosa? O que pode operar a mesma mudança em nós? Somente o Jesus ressurreto.A origem judaica dos discípulos os levou a acreditar que o Messias apareceria e permaneceria para sempre. Isso inicialmente os fez ser esmagados pela morte de Jesus, pois parecia marcar a derrota total ao invés da vitória gloriosa. A mudança deles em proclamar com confiança Jesus como Messias após sua morte tem apenas uma explicação possível: eles devem ter visto o Jesus ressurreto. Se não o tivessem visto, teriam apenas se lembrado dele com carinho, ou talvez amargamente, como seu amado mestre — mas nada mais. Que perdão e esperança possíveis podem ser encontrados em um homem morto? Todavia, com um Messias ressuscitado, de repente tudo muda.A Bíblia nos diz, em relatos de primeira mão, que os discípulos encontraram o Cristo ressurreto (veja, por exemplo, Jo 20.11–21.23). Alguns argumentam que os discípulos alucinaram, apenas o “vendo” por causa de sua fé fervorosa. Mas lembre-se: eles inicialmente não tinham fé em uma ressurreição! Na verdade, a Escritura nos diz que eles se sentaram atrás de portas trancadas com medo e decepção (20.19). E, mesmo que tivessem imaginado um Cristo ressurreto e reinante, provavelmente não teriam imaginado um Jesus que cozinhasse e comesse peixe na praia, que ainda tivesse as cicatrizes de sua morte brutal e que andasse pelas ruas e os encontrasse de várias maneiras. Tampouco teriam se retratado como tão covardes ou incluído os relatos de mulheres (cujo testemunho não era considerado válido naquela cultura). Em vez disso, eles teriam se apresentado como as figuras corajosas e proeminentes que primeiro descobriram o túmulo vazio. Qualquer tipo de explicação alternativa para o túmulo vazio exige ainda mais “fé” do que confiar no que nos foi revelado na Palavra de Deus.A ressurreição muda tudo. Precisamos considerar os fatos que cercam a volta de Jesus dos mortos — mas também devemos considerar as Boas Novas gloriosas que ela nos oferece. Sem a ressurreição corporal literal de Jesus, o cristianismo é inútil: “É vã a vossa fé” (1Co 15.17). Porém, uma vez que Jesus realmente ressuscitou e está realmente reinando, então nele está o perdão que não pode ser encontrado em nenhum outro, e nele está uma esperança futura como nenhuma outra. Você, com os olhos da fé, viu o Senhor ressurreto e reinando? Então você, como Maria e como os discípulos, verá seu medo cheio de dúvidas tornar-se em fé confiante, ao proclamar ousadamente essa esperança ao seu próprio coração e a este mundo temeroso.Leia JOÃO 20.1-18 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 26–27; Ap 4
-
105
16 de abril - Uma Morte Incomum
Texto bíblico: Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito. (Jo 19.30)Os eventos em torno da morte de Jesus foram em grande parte movimentos rotineiros da jurisdição romana. Os julgamentos, os espancamentos, a procissão humilhante e a dolorosa crucificação faziam parte da rotina dos soldados envolvidos na execução de criminosos.O que não era rotina, contudo, era a escuridão que descia sobre todo o evento no meio do dia (Mt 27.45), como se Deus tivesse fechado os olhos para a cena dolorosa. Esta foi tanto uma execução rotineira quanto o maior ponto de virada em toda a eternidade.O que o tornava tão importante era a identidade do homem pendurado na cruz do meio: ninguém menos que o Deus encarnado. Nossa mente jamais deve deixar de se surpreender com isto: Bem poderia o sol nas trevas se esconder, E trancar suas glórias do lado de dentro, Quando Cristo, o poderoso Criador, morreu Pelo pecado do homem, a criatura.53 A Escritura não dá muita ênfase aos sofrimentos físicos de Cristo na cruz. Ele certamente sofreu dores físicas graves, mas “os sofrimentos de seu corpo não eram nada comparados aos sofrimentos de sua alma; estes eram a alma de seus sofrimentos”.54 Jesus experimentou plenamente toda a dor e agonia de estar separado relacionalmente de Deus Pai — uma separação física, mental e espiritual. O que quer que você enfrente em sua vida, saiba que Jesus passou por coisas piores e, portanto, entende como você se sente. Não apenas isso, mas a angústia inimaginável que ele suportou foi por você. Somente quando chegou a hora certa, Cristo proclamou em triunfo: “Está consumado” — tetelestai: a dívida está satisfeita e terminada.A crucificação de Cristo é frequentemente retratada com a cruz erguida acima da multidão que olhava. Na realidade, porém, uma vez que a cruz foi abaixada em seu lugar, os pés de Jesus provavelmente estavam muito perto do chão. De igual forma, a vida, morte e ressurreição de Cristo não estão acima de nossa vida, mas intimamente perto dela. Não, a morte de Jesus não foi uma morte comum, mas sim uma morte que promete dar, por meio da fé, a verdadeira vida. Tudo muda quando consideramos tudo o que aconteceu naquela cruz e dizemos a nós mesmos: Ferido por mim, ferido por mim, Lá na cruz ele foi ferido por mim; Foi-se minha transgressão e agora estou livre, Tudo porque Jesus foi ferido por mim.55Leia LUCAS 22.7-20 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 25; Ap 3
-
104
15 de abril - Uma Escolha a Fazer
Texto bíblico: Pilatos escreveu também um título e o colocou no cimo da cruz; o que estava escrito era: Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus. (Jo 19.19)Quando Jesus foi crucificado, um sinal foi inscrito e erguido sobre ele, proclamando que ele era “o Rei dos Judeus”. Embora a intenção por trás deste sinal fosse de provocação, ele declarava uma verdade para todos testemunharem: Jesus era e é realmente Rei! No entanto, também deve nos levar a nos perguntarmos: eu realmente vivo como se Jesus fosse o Rei da minha vida? A Escritura nos diz que o sinal foi escrito em três idiomas — aramaico, a língua da maioria dos judeus do primeiro século em Jerusalém e arredores; latim, a língua oficial do Império Romano; e grego, a língua popular do comércio e da cultura (Jo 19.20). Nessas três línguas, testemunhas de todo o mundo conhecido puderam ler que Jesus era Rei. Ao ler o sinal, o mundo inteiro teve de fazer sua escolha sobre quem Jesus era para eles.Vemos um microcosmo desse mundo — e do nosso — na variedade de personagens ao longo da história da morte de Jesus. Em Pilatos, vemos o político orgulhoso, indeciso e calculista.Nos soldados que pregaram Cristo em sua cruz, vemos aqueles concentrados em realizar negócios rotineiros. Naqueles que zombaram do Senhor, vemos pessoas cuja única interação com o divino é zombar dele. Na multidão de espectadores passivos, vemos aqueles que não têm nenhum interesse em assuntos eternos. Mas então, em meio à escuridão, em uma cruz vizinha, vemos um ladrão desesperado e moribundo olhar para o Salvador em busca de esperança — e encontrá-la. E, na família e amigos próximos de Jesus, vemos seguidores tristes, mas fiéis, apoiando Cristo e suas reivindicações — e testemunhando seu sepultamento em um túmulo que logo estaria vazio.Todas essas pessoas viram o sinal: Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus. Todos eles viram o homem na cruz embaixo desse sinal. Estivessem odiosos ou esperançosos, todos contemplaram esse evento histórico e todos tiveram de conciliar o evento e a condição de Cristo com suas próprias vidas. Enquanto o sinal pregado proclamava a realeza de Cristo, Jesus pregado proclamava o amor mais poderoso que o mundo já conheceu.A questão permanece: o que devemos fazer com esse amor? Cada um de nós pode encontrar um rosto na multidão com o qual nos identificamos, seja um dos orgulhosos, dos passivos ou dos fiéis. Todos nós somos confrontados com a pessoa de Jesus Cristo, que transforma vidas.Como a cruz e o túmulo vazio afetam seus relacionamentos, seu trabalho, seu propósito ou sua identidade? Se Jesus reina sobre você, a morte e ressurreição dele mudam tudo na maneira como você vive e o significado de sua vida. Há esperança para a eternidade e propósito para o agora ao olhar para esse homem e concordar com esse sinal. “Jesus é Rei” — dos judeus e dos gentios, do mundo inteiro, da sua vida e da minha.Leia LUCAS 23.32-56 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 23–24; Ap 2
-
103
14 de abril - Cedendo em Covardia
Texto bíblico: Ao verem-no, os principais sacerdotes e os seus guardas gritaram: Crucifica-o! Crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós outros e crucificai-o; porque eu não acho nele crime algum. Responderam-lhe os judeus: Temos uma lei, e, de conformidade com a lei, ele deve morrer, porque a si mesmo se fez Filho de Deus. Pilatos, ouvindo tal declaração, ainda mais atemorizado ficou. (Jo 19.6-8)Pelo louvor de quem você viverá? Quando Cristo foi levado a julgamento diante de Pilatos, o governador romano repetidamente declarou a inocência de Jesus — e ainda assim ele combinou suas declarações com atos terríveis contra Jesus.Pilatos disse: “eu não acho nele crime algum” — e então entregou Jesus para ser brutalmente açoitado, uma surra tão intensa que às vezes causava cortes e lacerações onde veias, artérias e órgãos internos ficavam expostos.Pilatos disse: “eu não acho nele crime algum” — e então permitiu que os soldados humilhassem Jesus com uma coroação falsa em zombaria, colocando uma coroa de espinhos sobre sua cabeça, vestindo-o e “adorando-o” com desdém.Pilatos disse: “eu não acho nele crime algum” — mas ele libertou Jesus? Não; ele entregou Jesus a um esquadrão de execução cruel para ser morto.Nunca houve um indivíduo mais atormentado que se encontrou com Cristo do que Pilatos.Aqui estava um homem de grande poder, mas que não tinha coragem de defender suas convicções. Aqui estava um homem de grande sucesso, mas que acabou cedendo, mostrando- -se sob as armadilhas de sua posição como um covarde. Aqui estava um governador que era governado por suas próprias fraquezas.Não podemos ser passivos ou indecisos em relação a quem Cristo é para nós. Ele é o Salvador ou ele não é ninguém? Abster-se de uma decisão sobre isso, como Pilatos procurou fazer, é abster-se de Cristo completamente.Pilatos é um desafio para cada um de nós. Sua conduta nos obriga a nos perguntarmos: em que situações eu, como Pilatos, sei a coisa certa a fazer de alguma forma e, no entanto, temo o que outras pessoas dirão se eu fizer isso? Existem maneiras pelas quais minhas palavras ou conduta são governadas mais pelas expectativas e reações dos outros, ou por considerações de riqueza, posição ou promoção, do que pelos mandamentos de Cristo? Que não cedamos nossa posição em relação a Cristo. Se deixarmos que as opiniões de nossos colegas, vizinhos ou familiares nos preocupem demais, podemos desistir do perdão, da paz, do céu e do próprio Cristo em troca de uma vida mais fácil agora. Em vez disso, sejamos corajosos.Olhe novamente para Cristo: açoitado, zombado e morto por amor a você. Então olhe para aqueles que, talvez de maneira vociferante ou talvez educada, zombam da verdade de Jesus. A quem você prefere ofender? Você prefere ouvir o “muito bem” de quem? Cristo está nos chamando para que saiamos e vivamos para ele. Você o fará?Leia JOÃO 19.1-16 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 21–22; Ap 1
-
102
13 de abril - Humildade Inigualável
Texto bíblico: Saiu, pois, Jesus trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura.Disse-lhes Pilatos: Eis o homem! (Jo 19.5)Lá estava Cristo — sua cabeça perfurada com uma coroa de espinhos, vestido com as roupas de outra pessoa, forçado a segurar um caniço como um cetro, tudo em zombaria de sua realeza — como o governador romano Pilatos declarou à multidão zombeteira: “Eis o homem!” Enquanto ele falava essas palavras com desprezo em mente, elas eram ironicamente apropriadas; lá estava o Salvador do mundo, vestido com uma humildade inigualável, adornado com um amor pródigo pelo mundo.Temos muito a aprender com o exemplo de Cristo. Enquanto o humilde Rei suportava a ridicularização real e a “morte pré-morte” de flagelação brutal, ele não proferiu uma palavra em sua própria defesa. E por que eles o condenaram? Por ter curado uma mulher que ficou aleijada por 18 anos (Lc 13.10-13)? Por trazer de volta à vida a viúva do filho morto de Naim (Lc 7.11-17)? Por ressuscitar Lázaro dos mortos (Jo 11.1-44)? Por colocar as crianças em seus joelhos e encorajar seus discípulos a entender que “dos tais é o reino dos céus” (Mt 19.14)? Com base em que os acusadores de Cristo se acharam no direito de abusar dele dessa maneira? Não poderia haver motivo algum. Mas eles fizeram isso de qualquer maneira.Quando nosso humilde Senhor permaneceu em silêncio durante suas numerosas provações, Pilatos se ofendeu e se sentiu desrespeitado. Há uma grande ironia aqui, já que o governador romano tentou tirar vantagem de sua posição sobre o Rei do universo! E, o tempo todo, esse Rei não fez nada para afirmar sua própria autoridade ou salvar sua própria vida. Ele humildemente sofreu um julgamento injusto, falou a verdade quando lhe fizeram perguntas e caminhou até a morte, tudo em nosso favor.Eu me pergunto: realmente vejo esse homem que está diante de Pilatos, que está diante da multidão — que está diante de mim? Esse não é um indivíduo indefeso que não pode fazer nada por si mesmo. Este é o Deus encarnado.Entendo por que ele seguiu por esse caminho de humilhação? “Oh, o amor que atraiu o plano da salvação”52 — amor e salvação para você e para mim! Dois milênios atrás, houve um triste espetáculo do lado de fora do palácio do governador, em parte porque Jesus tinha nossos nomes diante de seus olhos — nomes que ele havia gravado nas palmas das mãos que seriam perfuradas pelos cravos cruéis (veja Is 49.16).Que nunca sejamos como a multidão desordeira, zombando da humildade de Cristo, nem como Pilatos, esperando que Cristo se impressione conosco. Em vez disso, contemple esse Homem em toda a sua humildade — segurando esse caniço, carregando essa coroa, vestindo esse traje, pendurado naquela cruz — e veja-o acenando. Contemple o Homem e saiba, sem sombra de dúvida, que o amor dele por você não tem fim.Leia ISAÍAS 52.13–53.12 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 19–20; Hb 13
-
101
12 de abril - O que Você Fará com Jesus?
Texto bíblico: O meu reino não é deste mundo. […] Tu dizes que sou rei.Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. (Jo 18.36-37)O que você vai fazer com Jesus? Na manhã do que hoje é conhecido como a primeira Sexta- Feira Santa, as autoridades religiosas judaicas levaram Jesus para continuar seu julgamento diante de Pôncio Pilatos, o governador romano. Podemos ver, nos detalhes dos relatos do Evangelho, como Deus soberanamente orquestrou todos esses eventos. A determinação dos judeus de garantir a morte de Cristo por crucificação na verdade cumpriria o plano de Deus desde a eternidade. Deus também planejou a interação de Cristo com Pilatos.Enquanto estavam um diante do outro, Pilatos fez perguntas significativas sobre a identidade e autoridade de Jesus. Essas perguntas formaram um exame com ramificações eternas — um exame que todos precisamos fazer. Considere como o escritor de hinos articula isso: Jesus está de pé no salão de Pilatos — Sem amigos, abandonado, por todos traído; Ouça! O que significa o chamado repentino? O que você vai fazer com Jesus? Pilatos acreditava estar realizando um exame em um nível puramente intelectual e natural. Mas responder à pergunta “Quem é Jesus?” é sempre uma questão espiritual e sobrenatural.Jesus não era um rei político, como Pilatos acreditava, mas o Rei celestial. Ele essencialmente disse a Pilatos: Meu reino não encontra sua origem neste mundo. O interesse do meu reino é a transformação espiritual que é provocada no coração do meu povo. A razão pela qual nasci como rei é testemunhar a verdade de Deus. Mas Pilatos, cego em sua incredulidade, já havia se decidido. Cansado e desdenhoso, ele procurou evitar a pergunta fundamental que todos devemos fazer: “O que farei com Jesus?” Todavia, ao tentar não responder, de qualquer forma ele deu sua resposta: Rejeitarei sua reivindicação sobre mim e seu domínio sobre mim e, portanto, sua oferta para me resgatar.O que você vai fazer com Jesus? Neutro você não pode ser; Algum dia seu coração perguntará: “O que ele fará comigo?”51 Neutro você não pode ser. Ou você viverá sob o governo de Jesus, ou não. Portanto, não feche sua Bíblia pela manhã e depois viva como se este mundo e suas preocupações e reis fossem tudo o que existe ou tudo o que importa. Não proceda como se Jesus não tivesse lugar ou interesse em sua vida neste mundo. Ele ficou sem amigos e abandonado diante de Pilatos para que você pudesse ser recebido como seu amigo em seu reino eterno. Não há opção de neutralidade — e, afinal, por que desejaríamos que houvesse?Leia JOÃO 18.28-40 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 17–18; Hb 12
-
100
11 de abril - Guarde a Espada
Texto bíblico: Então, Simão Pedro puxou da espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita […] Jesus disse a Pedro: Mete a espada na bainha; não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu? (Jo 18.10-11)A prisão de Jesus no Jardim do Getsêmani revelou definitivamente sua submissão ao Pai.Quando os soldados vieram atrás dele, Jesus já havia decidido beber o cálice do sofrimento — sua morte na cruz — para nos ser um cálice de salvação.Mas qual dos discípulos interveio, como se fosse a melhor hora? O impetuoso Simão Pedro, é claro — empunhando uma espada! Pedro não era estranho a atos e palavras impulsivas.Ele tentou caminhar sobre as águas até Cristo. Ele tentou repreender a Cristo. Ele se ofereceu para dar a vida por Cristo. E, no entanto, logo após ter tomado a dianteira em defesa de Jesus, ele negaria temerosamente até mesmo conhecê-lo.A reação de Pedro ao ver seu Mestre preso é totalmente compreensível, mas completamente equivocada. Apesar de Pedro estar disposto a lutar por Cristo aqui, ele estava na verdade lutando contra Cristo. Ele estava lutando contra a própria vontade de Deus, o qual havia pretendido que Jesus seria o sacrifício expiatório pelos pecados. O exemplo de Pedro nos ensina uma lição importante; como Calvino exorta: “Aprendamos a moderar nosso zelo.E, como a devassidão de nossa carne sempre se coça para ousar mais do que Deus ordena, aprendamos que nosso zelo acabará mal sempre que ousarmos empreender qualquer coisa além da Palavra de Deus.”50 Sabendo que a ação de Pedro precisava de correção, Jesus interveio com uma pergunta retórica: “Não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?” Ele estava afirmando a parte da vontade de Deus que ele acabara de orar para aceitar, a mesma ação que mais tarde o levou a clamar na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). Por meio do seu sofrimento, sua glória foi magnificada, e a salvação foi oferecida gratuitamente a todos os que cressem. Nenhum caminho que Pedro pudesse ter orquestrado poderia ter sido melhor do que esse, e ele estava errado em resistir a isso.Quando a nossa impaciência procura interferir nos planos de Deus, devemos aprender a guardar nossas espadas figuradas. Precisamos confiar no plano de Deus, esperar em seu tempo e agir de acordo com seu comando. Quanto mais familiarizados estivermos com as Escrituras — conhecermos a grande história, as promessas e as verdades encontradas nela —, mais entenderemos os planos de Deus. Porém, até mesmo assim, haverá momentos em que os caminhos de Deus são muito misteriosos para nós e seremos tentados a lutar contra o caminho no qual ele está nos levando. Talvez você esteja fazendo isso agora mesmo.Leve a sério as palavras de Cristo a Pedro: “Mete a espada na bainha”! Confie na mão amorosa de Deus, obedeça aos seus mandamentos e siga a liderança dele. Ele é “o Autor e Consumador da nossa fé” (Hb 12.2 A21), e a história que ele está escrevendo é mais gloriosa do que você poderia imaginar ou direcionar para si mesmo.Leia SALMO 23 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 15–16; Hb 11.20-40
-
99
10 de abril - Paz Às Nações
Texto bíblico: Eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta. Destruirei os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém, e o arco de guerra será destruído. Ele anunciará paz às nações; o seu domínio se estenderá de mar a mar e desde o Eufrates até às extremidades da terra. (Zc 9.9-10)A procissão que levou à chegada de Jesus em Jerusalém foi marcada por drama.Muitas vezes nos Evangelhos, Jesus e os discípulos saíram sozinhos, para longe da multidão, tão silenciosa e secretamente quando possível. Teria sido possível para Jesus entrar na cidade discretamente. Em vez disso, ele se determinou, de propósito, a chegar a Jerusalém de uma maneira que o declarasse o Rei-Messias há muito prometido na Escritura.Contudo, o conceito do povo do que significava para Jesus ser o Rei dos Judeus era tão distorcido, que eles não entenderam quem ele estava mostrando ser. O povo havia tentado anteriormente tornar Jesus rei à força, mas ele escapou (Jo 6.14-15). Ele sabia que o que eles pensavam que o rei faria não era o que ele veio fazer. A cabeça deles estava no lugar errado.O mesmo foi verdade quando se sugeriu que ele se envolvesse em algum tipo de revolução política, ao que ele respondeu: “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36).Na entrada triunfal, os cantos da multidão estavam cheios de paixão, expectativa e confusão.Eles não queriam viver debaixo do jugo romano. Eles queriam restauração nacional e revolução política. Precisavam de um herói político, e Jesus era sua melhor esperança. Aparentemente, eles estavam confiando que Jesus lhes entregaria algo que ele nunca veio entregar.Quando a multidão gritava: “Hosana!” — que significa “Salve-nos!” —, eles não estavam pensando na salvação pessoal e espiritual; antes, estavam pensando sobre o aqui e agora.A menos que mantenhamos o Evangelho no centro de nosso pensamento, nós também podemos nos tornar reféns de uma confusão apaixonada e esperançosa como essa. Até mesmo hoje, muitos de nós continuamos a criar um Jesus que pode realizar nossas próprias expectativas, um “salvador” da nossa própria feitura, que veio nos trazer conforto, prosperidade ou saúde, para abençoar nossa família, bairro e nação. No entanto, Cristo não entrou em Jerusalém como um conquistador nacionalista em uma carruagem; ele veio como um internacionalista trazendo a paz, sentado humildemente em um jumento. Ele veio cumprir a profecia de Zacarias 9, proclamando “paz às nações” debaixo do seu governo perfeito e universal “de mar a mar”. Essa é a mensagem do Evangelho — uma mensagem que é boa para todos, em todo lugar, sempre. Não é que os nossos sonhos e demandas sejam grandes demais para ele: na verdade, são muito pequenos.Jesus nos desafia hoje, como desafiou o povo em seu tempo, a adorá-lo por quem ele é, não pelo que pensamos que ele deva ser. Não o mande curvar-se à sua agenda; considere um privilégio curvar-se você aos propósitos dele.Leia ZACARIAS 9.9-17 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 14; Hb 11.1-19
-
98
9 de abril - Nome Sobre Todo o Nome
Texto bíblico: Achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome. (Fp 2.8-9 ACF)Em certo sentido, o melhor resumo da mensagem da Bíblia e a verdade mais fundamental neste universo é simplesmente esta: Jesus Cristo é o Senhor.A maioria dos teólogos concorda que “o nome” a que Paulo se refere no versículo 9 só pode ser “Senhor” (Fp 2.11). Aqui, a palavra grega para “Senhor” é kyrios, que também é usada como a tradução do nome divino de Deus, Yahweh, mais de seis mil vezes na Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento) — o nome que é traduzido na maioria das Bíblias inglesas hoje como Senhor [Lord]. O uso implícito de Paulo do nome divino de Deus enfatiza a divindade de Jesus, logo depois de nos lembrar da humilhação de Jesus durante seu tempo na terra.Composto por quatro consoantes (YHWH), Yahweh é basicamente impronunciável em hebraico — e isso é proposital, pois os judeus não se atreviam a levar esse nome divino de Deus aos seus lábios. No entanto, Yahweh, o Deus indescritível, veio à terra como o Cristo encarnado e se revelou a homens e mulheres. Ele foi humildemente para a cruz e então foi elevado ao lugar mais alto — seu lugar de direito — e recebeu esse nome “acima de todo nome”. Diz um comentador: “Ele mudou o nome inefável, para um nome pronunciável pelo homem e desejável por todo o mundo”. Naquele que leva esse nome, a majestade de Deus “está revestida com vestes de misericórdia”.49 A profecia do Antigo Testamento reforça essa ideia vez após vez. Em Isaías 45, Deus dá uma descrição que se aplica exclusivamente a si mesmo: “Não há outro Deus, senão eu, Deus justo e Salvador não há além de mim” (Is 45.21). Paulo, antes um oponente agressivo de Cristo e de seus seguidores, aplica essa descrição exata a Cristo, fazendo uma declaração impressionante da deidade de Jesus. Ele aponta que Jesus foi exaltado publicamente à posição que era legitimamente sua, mesmo antes de vir à terra e sofrer a humilhação em nosso lugar.Ele está agora sentado à destra do Pai. Sua majestade, portanto, agora pode ser vista por todos que o conhecem como Salvador. Sua identidade é clara e inquestionável.Deus é o único Salvador — e Jesus é esse Salvador, de quem foi falado: “lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Anos depois de Paulo ter tido seus olhos abertos para a verdade sobre quem Jesus é, ainda podemos perceber um senso de reverência admirada e de amor em suas palavras para os filipenses. Jesus Cristo é o Senhor. Ele possui o nome acima de todos os nomes. Paulo nunca permitiu ter familiaridade com essa verdade a ponto de produzir complacência a respeito disso. Nem nós devemos permiti-lo. Pare agora e deixe que cada palavra o impulsione a um louvor admirado a este homem: Jesus, o Salvador do seu povo… Cristo, o Rei há muito tempo prometido… é o Senhor, o indescritível, revelado Deus. E você pode chamá-lo de “irmão” (Hb 2.11).Leia APOCALIPSE 1.9-20 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 13; Hb 10.19-39
-
97
8 de abril - Deus Vinga o seu Povo
Texto bíblico: Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. […] Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. (Rm 12.18-19, 21)Imagine uma criança que chega em casa, da escola, profundamente chateada por algo que outra criança disse ou fez. À beira das lágrimas por uma dor que parece maior do que uma montanha, seria fácil para ela pensar em nunca mais falar com a pessoa que lhe fez mal, ou planejar como dará o troco um dia.No entanto, imagine que os pais dela lhe sugerissem escrever um simples bilhete, estendendo tanto perdão quanto amizade, e no dia seguinte, tendo feito isso, ela é capaz de relatar alegremente: “Eu consegui! Eu levei o bilhete para a escola e funcionou. Nós nos abraçamos e somos amigos. Foi fantástico!” É isso que significa obedecer ao chamado de Paulo, aqui, para viver pacificamente “quanto depender de vós”. Às vezes, a paz será ilusória; mas nunca permita que isso seja por causa de alguma falta da sua parte. E que nunca seja porque estamos buscando ou planejando vingança.A vingança é um prato que deve ser servido apenas por Deus e nunca pelo seu povo.Para ser bem franco, a maioria das nossas disputas são na verdade apenas versões adultas do que acontece na infância. Nossa resposta diante da injustiça diz muito sobre aquilo em que verdadeiramente cremos. Iremos “[pagar] mal por mal” (1Pe 3.9), que é o caminho do mundo, ou iremos responder de acordo com a mente de Cristo? Todos os nossos conflitos e mágoas empalidecem em comparação com o que Jesus enfrentou e sentiu. Ainda assim, quando Jesus foi insultado, ele não devolveu o insulto.Quando sofreu, não amaldiçoou ou ameaçou. Não podemos cometer o grande erro de aceitar a salvação de Jesus e, ao mesmo tempo, ignorar seu exemplo, enquanto passamos nossa vida tentando limpar nosso nome, defender nossos motivos e nos explicar, buscando reparação a cada erro e vingança a cada desprezo. Isso é o que vem naturalmente a nós; e o que nos liberta desse caminho é nos lembrarmos de que podemos confiar em Deus para vingar o seu povo no devido tempo. A justiça será feita, e não será por nós. Então, há alguém com quem você precise fazer as pazes? Há alguém que você está permitindo experimentar a sua ira ao invés do seu amor de alguma maneira? Amado, deixe a vingança com Deus e supere o mal com o bem. Faça-o hoje.Leia 1 PEDRO 2.18-25 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 11–12; Hb 10.1-18
-
96
7 de abril - Ficarás Limpo
Texto bíblico: Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo.Naamã, porém, muito se indignou e se foi. (2Rs 5.10-11)Mesmo uma breve leitura da história e da sociologia revela a incapacidade humana de consertar nosso mundo quebrado. Há não muito tempo, afirmavam que as pessoas faziam coisas ruins porque eram pobres; se lidássemos com a necessidade material, veríamos um comportamento melhor. Agora, em alguns dos países mais ricos do mundo, certos sociólogos explicam que a ganância, a corrupção e o assassinato são o resultado de ter muito. Especialistas e líderes mundiais estão perplexos diante dessas forças externas, procurando respostas em todos os lugares errados.Naamã tinha uma doença que o deixava infeliz e era completamente repulsiva de lidar.Ele tinha os recursos para tentar qualquer cura que quisesse, e provavelmente estava preparado para fazer qualquer coisa. O problema era que ele estava procurando nos lugares errados.Seu status, riqueza e conexões reais não produziram o remédio que ele desejava, e, ao ir até o rei de Israel em busca de alívio, seu pedido trouxe consternação; o rei rasgou suas roupas porque sabia que não podia ajudar (2Rs 5.7).A resposta do rei foi o mesmo tipo de reação que muitos de nossos líderes mundiais provavelmente têm ao viajar pelo mundo, buscando fazer o que podem no serviço público. Sem dúvida, nas vigílias da noite, eles devem sentir vontade de rasgar suas roupas e dizer: “Como posso lidar com isso e fazer a diferença? Como podemos trazer a paz? Como podemos trazer uma cura?” No entanto, o que o rei não podia fazer, isto o profeta de Deus podia. Mas a cura parecia ofensiva para o leproso! Naamã estava procurando algo grandioso — algo que se encaixasse em seu status elevado e o deixasse com um senso reforçado de importância própria. Ele pensou que a cura deveria ser menos simples ou mais impressionante. Ele considerou o remédio de Eliseu humilhante e ridículo.Embora a lepra real tenha sido amplamente erradicada, todos nós ainda vivemos com essa condição repulsiva e terminal chamada pecado. Contudo, muitos não estão mais preparados para ouvir a cura do que Naamã estava. A mensagem de Cristo crucificado como o único e suficiente remédio para o nosso pecado era “escândalo para os judeus, loucura para os gentios” (1Co 1.23), e ainda é assim para muitos hoje. Até mesmo os crentes não estão imunes à tentação de pensar que, quando se trata de uma cura para o pecado, devemos fazer alguma coisa.Precisamos diariamente abrir os olhos para o remédio de que necessitamos e nos curvarmos em humildade, como Naamã acabou fazendo (2Rs 5.14). Pois a pessoa que faz isso pode saber que as palavras “ficarás limpo” são uma coisa do passado, e pode se alegrar por ser vista por Jesus, o qual lhe diz: “estais limpos” (Jo 13.10-11; 15.3). Não se olhe no espelho e pense que a cura está em quem você é ou no que faz; em vez disso, olhe pela janela da fé, veja a cruz e saiba que ele fez tudo.Leia 2 REIS 5.1-14 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 8–10; Hb 9
-
95
6 de abril - Um Sacrifício Aceitável e Aprazível
Texto bíblico: Estou suprido, desde que Epafrodito me passou às mãos o que me veio de vossa parte como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus. (Fp 4.18)Aqui está uma noção incrível quando você tira um momento para considerá-la: você é capaz de dar prazer a Deus.É um pensamento surpreendente: o nosso Criador pode se alegrar com as nossas ações. No entanto, a Escritura nos encoraja a ver que isso é uma realidade. Como cristãos, nos esforçamos para viver sob o sorriso de nosso Pai celestial. Um dos grandes motivadores bíblicos para obedecer a Deus é que a maneira como vivemos pode “agradar a Deus […] cada vez mais” (1Ts 4.1) — e uma das maneiras como podemos fazer isso é através de nossa generosa oferta, que é “um sacrifício aceitável e aprazível a Deus”.Paulo descreveu a oferta da igreja em Filipos em terminologia que refletia a prática veterotestamentária de sacrifício animal. Quando o povo de Deus no Antigo Testamento levava suas ofertas queimadas, esses sacrifícios eram acompanhados pelo acender de incensos.Portanto, o sacrifício produzia um aroma atrativo. De certa forma, isso representava a aceitabilidade e doçura da oferta aos olhos de Deus. Da mesma maneira, Deus diz ao seu povo, no primeiro século e no século XXI: Quando sua oferta vem de um coração que está alinhado ao meu, ela produz um belo aroma, e o seu sacrifício me traz prazer.Ao considerar esse tipo de oferta, não devemos ignorar a palavra “sacrifício” tão rapidamente.A oferta sacrificial não é necessariamente a mesma coisa que uma oferta generosa. É bem possível sermos generosos — como, na verdade, muitos crentes são — sem sentirmos um impacto em nossa vida ou circunstâncias.Ao articular esse mesmo argumento para seus discípulos, Jesus chamou a atenção deles para uma pobre viúva que estava depositando seu dízimo na caixa de ofertas do templo. Conforme ele observava essa mulher depositar duas pequenas moedas, que valiam quase nada, e as comparou com as ofertas dos ricos perto dela, ele disse: “Esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento” (Lc 21.2-4). Os ricos eram generosos; a viúva era sacrificial. Ela abriu mão de tudo para que pudesse ofertar. E o Senhor notou e se agradou do que viu.Não somos ofertantes sacrificiais por natureza. Mas a totalidade da jornada cristã — em receber e em dar, em cuidar e em compartilhar — é cheia de graça do início ao fim. Quando ofertamos sacrificialmente de um coração que deseja agradar a Deus, ele promete que, “segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (Fp 4.19). Isso está refletido em tudo que Deus já deu, está dando e irá dar, o que abre nosso coração e nos permite dar tanto sacrificialmente quanto alegremente. E, quando fazemos assim, damos prazer a Deus.As ações dos filipenses e seus extratos bancários mostravam que eles realmente acreditavam nisso. Até que ponto as suas ações mostram isso?Leia 1 TESSALONICENSES 4.1-12 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 6–7; Hb 8
-
94
5 de abril - O Governo e a Bênção de Deus
Texto bíblico: Se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha. (Êx 19.5)A obediência saiu de moda. Mas ela é central para a vida cristã.Não é incomum ouvirmos até mesmo as melhores pessoas expressarem uma atitude negativa em relação à autoridade, pois vivemos numa era “antiautoridade”. Dentro da igreja, o que antes era considerado uma visão sagrada da autoridade das Escrituras não entra com alegria na mente de alguns. No entanto, ao procurar encontrar a liberdade em nossos próprios termos e à parte da autoridade de Deus, também nos afastamos de sua bênção.Quando Adão e Eva desobedeceram ao governo de Deus no Jardim do Éden, foram separados dele; perderam a bênção de sua presença. A rejeição da Lei de Deus sempre provocou e sempre provocará a separação de nosso Criador e a remoção de suas bênçãos. Em contraste, a restauração do governo de Deus sempre traz a bênção da comunhão e da parceria que Deus projetou para seu povo.Essa promessa do governo e da bênção de Deus foi cumprida durante a história de Israel, quando Deus lhes deu sua Lei. A obediência dos israelitas à Lei não era para ser uma tentativa desesperada de alcançar a salvação; em vez disso, era uma resposta à salvação que já havia sido alcançada por eles. Deus primeiro estendeu a mão e agarrou seu povo, redimindo-os e libertando-os da escravidão no Egito — e então a Lei lhes foi dada.Em outras palavras, Deus não deu a Lei como um mecanismo de redenção, nem a forneceu como um caminho para se tornar membro de seu povo. Em vez disso, tendo redimido os israelitas, ele lhes deu a Lei como um canal de sua graça, para que eles pudessem saber como viver sob seu governo e verdadeiramente desfrutar da sua bênção. Se esse princípio for virado de cabeça para baixo, tudo dará errado. Viveremos nossa vida nas garras ferozes do legalismo, pensando o tempo todo que nossos esforços podem nos colocar em uma posição correta diante de Deus. Porém, de igual forma, se esquecermos que Deus nos salvou para podermos aproveitar a vida sob seu governo, e se continuarmos a ignorar suas leis sempre que elas não se adequarem aos nossos próprios propósitos, então viveremos nossa vida nos perguntando por que a bênção parece ser ilusória.A Lei de Deus não salva, mas é a “lei perfeita, lei da liberdade”, e aquele que a obedece “será bem-aventurado no que realizar” (Tg 1.25). Como pessoas resgatadas do pecado por Deus, devemos responder à sua salvação escolhendo andar em alegre obediência.Quando andamos com o Senhor Na luz de sua Palavra, Que glória ele derrama em nosso caminho! Enquanto fazemos a sua boa vontade, Ele permanece conosco, E com todos os que confiam e obedecem.48Leia SALMO 119.49-64 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 4–5; Hb 7
-
93
4 de abril - Vendo Cristo na Escritura
Texto bíblico: Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno… (At 2.22)Com o passar de cada ano, desenvolvi uma tendência maior a acordar no meio da noite. A preocupação, com frequência, invade rapidamente quando sou despertado do sono — e, como é apropriado para um pastor, uma das minhas preocupações é esta: será que estou enxergando e ensinando Cristo em toda a Escritura e a partir desta? É possível estudar a Bíblia sem ter Cristo como nosso foco. Podemos nos orgulhar de entendê-la de uma forma bastante sistemática, mas, ao fazer isso, corremos o risco de nos encantarmos pelo próprio método em vez de enxergar a Cristo ali.Em Atos 2, quando Pedro se dirige à multidão, ele diz: “Varões israelitas, atendei a estas palavras”. (Seu tom parece autoritário, não parece?) E então perceba o que se segue: “Jesus, o Nazareno…” Pedro não começa apelando ao que o povo pensava que precisava, nem apresentando a eles todos os benefícios práticos do Evangelho, tampouco embarca em explicar um conjunto de doutrinas ou em demonstrar uma série de proposições. Em vez disso, ele procede em dizer quem Jesus é, por que Jesus veio e o que Jesus fez.O ensino de Pedro era direcionado ao coração, enraizado na graça e concentrado em Cristo. Tal ensino tem um custo — um custo que nem todos estão dispostos a pagar. É bem mais fácil falar a respeito de questões da atualidade do que verdadeiramente conhecer e proclamar a Cristo. Às vezes, nas igrejas que têm a Bíblia em alta consideração, achamos mais confortável falar das nossas doutrinas favoritas do que do Cristo que muitas vezes nos deixa desconfortáveis e desafia nossos estilos de vida. No entanto, a coisa difícil a fazer é também a coisa certa. Que terrível desperdício de energia é alcançar percepções ou fornecer instruções sobre quase todas as coisas menos a história salvífica de Jesus! O foco e o cumprimento da Escritura se encontram em Cristo. O verdadeiro teste de quão profundamente a Palavra de Deus está habitando em nós não é a nossa habilidade de articular a história em uma sentença: antes, é ver Jesus em toda a Escritura. Ele não é apenas o início da fé cristã, mas a totalidade dela. Tenha como objetivo aprofundar-se em Cristo, e não ir além dele.Talvez esta deva ser nossa oração sempre que abrirmos as nossas Bíblias: Mais sobre Jesus eu saberia, Mais de sua graça para a outros mostrar; Mais de sua plenitude salvadora enxergar, Mais do amor dele, que morreu por mim.Mais sobre Jesus, que eu possa aprender, Mais de sua santa vontade discernirei; O Espírito de Deus, meu mestre é, Mostrando as coisas de Cristo para mim.47Leia LUCAS 24.13-35 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Lv 1–3; Hb 6
-
92
3 de abril - Jesus Está Entre Nós
Texto bíblico: Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco! (Jo 20.19)Quando Jesus apareceu pela primeira vez aos seus discípulos após sua ressurreição, eles estavam acovardados atrás de portas trancadas, temendo o que as autoridades que crucificaram seu líder fariam em seguida. Mas portas trancadas não poderiam deter Jesus! Nada o impediu de entrar na casa e de reentrar na vida deles, provando ser ele o Salvador e a viva esperança deles. Ele podia ser visto, ouvido, tocado, conhecido — e se aproxima de nossa vida da mesma maneira. Não importa onde estivermos ou o que tivermos feito, Cristo pode entrar em nossa vida — em nossa tristeza, nossas trevas, nosso medo, nossas dúvidas — e tornar-se visto e conhecido, declarando: “Paz seja convosco!” Talvez você seja um “Tomé cético”, pronto para questionar os assuntos da fé. Em algum grau, perguntas são boas e saudáveis. Tomé foi direto com Jesus, essencialmente dizendo: Eu não acreditarei em você a não ser que possa verdadeiramente pôr meu dedo nas suas cicatrizes.Jesus respondeu a Tomé: Tudo bem, se é isso que é necessário para você, então aqui está (Jo 20.24-29). Jesus pode nos encontrar em nossas dúvidas. Ou talvez você seja um Pedro negador, pronto para renunciar à sua identidade em Cristo e pronto para sentir condenação por ter pisado na bola. Jesus tomou Pedro, que havia o questionado inúmeras vezes, mas que desmoronou perante a pergunta de uma jovem serva, e o tornou a pedra na qual sua igreja foi edificada (Mt 16.18). Jesus nos aceita a despeito de nossas falhas e usa nossa vida de maneiras transformadoras. Ou talvez você seja como Maria Madalena, cujo passado a assombra, fazendo com que você se sinta uma pessoa indigna do amor e aceitação de Jesus. Contudo, Deus não ordenou o primeiro encontro registrado de Jesus após sua ressurreição para ser com um professor de Escola Dominical, mas sim com uma mulher que tinha um passado sórdido crivado com pecado e que havia sofrido até mesmo possessão demoníaca. Não foi uma coincidência aleatória que o primeiro abraço, por assim dizer, do Cristo ressuscitado fosse com tal pessoa. Ele nos oferece o mesmo abraço redentor.Jesus pode atravessar portas fechadas; ele pode atravessar corações endurecidos. Através de sua morte e ressurreição, ele foi capaz de construir uma ponte sobre o abismo que o pecado abriu entre uma humanidade rebelde e um Deus justo. Precisamos receber a salvação que ele oferece livremente. Ela precisa estar fresca em nossa mente a cada dia.Você já fez isso? Já recebeu Jesus sem condições e sem reservas? Você o abraça diariamente? Você anuncia seu Evangelho a si mesmo a cada manhã? Confiar dessa maneira significa que precisamos nos dar em serviço a Deus. Submetemo-nos ao seu senhorio como nosso Salvador. Levamos as promessas de Deus no coração e recebemos a salvação que ele nos oferece livremente. Com essa fé, você verá que ele está ao seu lado, oferecendo uma paz eterna e íntima que triunfa sobre a sua tristeza, suas trevas, seu medo, suas dúvidas, transformando tudo isso. Ouça o Cristo ressurreto dizer a você: “Paz seja convosco!”Leia JOÃO 20.24-29 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Pv 30–31; Hb 5
-
91
2 de abril - Um Novo Lugar para Habitar
Texto bíblico: Aquele que falava comigo tinha por medida uma vara de ouro para medir a cidade, as suas portas e a sua muralha. A cidade é quadrangular, de comprimento e largura iguais. E mediu a cidade com a vara até doze mil estádios. O seu comprimento, largura e altura são iguais. (Ap 21.15-16)No passado, Deus habitou entre seu povo, Israel, no templo em Jerusalém, mas este foi destruído. Depois da destruição do templo pelas mãos do Rei Nabucodonosor da Babilônia, Deus prometeu que iria edificar um novo templo (Ez 40–43). Apesar de um segundo templo ter sido construído em Jerusalém, ele era uma sombra do primeiro e claramente não era um cumprimento dessa promessa (Ag 2.2-3) — uma promessa que seria finalmente cumprida através da vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus (Jo 2.19-22).No templo, a presença de Deus estava concentrada no Santo dos Santos, um santuário interno que havia sido construído na forma de um cubo perfeito. Permitia-se a entrada de somente um homem, e este, o sumo sacerdote, podia entrar apenas uma vez por ano. Então, séculos depois, e com aquele primeiro templo sendo nada mais que uma memória distante, o apóstolo João recebeu essa visão de uma nova cidade do reino eterno de Deus, retratada como um cubo perfeito — mas agora não era um cubo que caberia em um edifício de uma cidade do Oriente Médio: tinha uma área tão extensa quanto o mundo conhecido no tempo de João.Na Nova Criação, não haverá nenhum lugar específico onde a presença de Deus estará concentrada. Não haverá um edifício especial para visitarmos se quisermos nos encontrar com Deus, pois não haverá distância entre Deus e nós. João “não [viu] templo algum na cidade” (Ap 21.22 NVI) porque, nessa cidade, Deus estará lá, de maneira completa e espetacular, de uma forma que não podemos ainda compreender; e então tudo será espaço do templo.Essa é uma imagem radical de algo que é completamente novo — uma transformação tão vasta, tão rica e tão ampla nas circunstâncias, que, como o apóstolo Paulo diz, não podemos imaginar “o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Co 2.9).Se estamos unidos com Cristo, a presença de Deus é conosco através do Espírito Santo.No entanto, nosso conhecimento de Deus e nossa intimidade com ele ainda são limitados.Nosso estado presente certamente não é tudo pelo qual ansiamos, nem é tudo o que Deus pretende para nós. Isso ainda está por vir — mas com certeza virá.Você vive na ardente expectativa dessa intimidade inimaginável com Deus? Se você está sinceramente esperando esse lugar de habitação permanente com Deus, isso será aparente pela pureza de sua vida e pela preocupação ardente de ver os amigos, os parentes e o próximo virem a conhecer a Cristo. Sabendo que temos essa grande esperança, seremos purificados, da mesma forma como Cristo é puro (1Jo 3.3) — e não hesitaremos em contar aos outros sobre Jesus, tanto a partir de nossa vida quanto pela nossa boca.Leia APOCALIPSE 21.9-27 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Pv 27–29; Hb 4
-
90
1 de abril - Expectativa Zelosa
Texto bíblico: Também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. (Rm 8.23)A experiência cristã é tão maravilhosa quanto desafiadora.Recebemos o perdão. Fomos adotados na família de Deus. Desfrutamos de uma comunhão uns com os outros mais profunda do que a afinidade natural. Possuímos a esperança segura do céu, que nos traz uma ardente expectativa. Temos o Espírito, o próprio Deus, habitando dentro de nós. Contudo, não somos separados das realidades da vida neste mundo caído. Experimentamos frustração, mágoa, decepção e gemidos.Enquanto vivemos aqui na terra, temos um gostinho do céu, mas ainda não estamos lá.O cristianismo não nos torna imunes à decadência ou ao pecado. Adoecemos, e nosso corpo falha. Continuamos a lutar contra o pecado e encontramos oposição à nossa fé. De fato, como os teólogos de Westminster articularam no século XVII, o cristão está envolvido em “uma guerra contínua e irreconciliável” contra o pecado.46 É possível nos amarrarmos a todo tipo de nó espiritual e teológico sobre nossa batalha contínua com o pecado. Podemos nos perguntar: “Por que eu ainda desobedeço?” Nesses momentos, você e eu precisamos nos lembrar dos “três tempos” da salvação, que resumem a obra de Deus na vida do cristão.Se estamos escondidos em Cristo, então nós já fomos salvos da penalidade do pecado. E não temos nada a temer no dia do juízo, pois Jesus, pela sua morte na cruz, carregou nossos pecados e enfrentou a punição em nosso lugar. No tempo presente, estamos sendo salvos do poder do pecado. É um ministério divino contínuo; nenhum de nós estará inteiramente sem pecado deste lado do paraíso, mas Deus está operando dentro de nós, nos capacitando a dizer não ao que é errado e sim ao que é certo. E, finalmente, haverá um dia, quando Cristo retornar, em que seremos salvos da própria presença do pecado.De vez em quando, temos um gostinho do céu que nos faz ansiar pelo que há de vir. É por isso que Paulo diz que “gememos em nosso íntimo, aguardando […] a redenção do nosso corpo”. Deveríamos olhar para a frente, para o retorno de Cristo, com uma expectativa zelosa! Como cristãos, devemos viver no mundo como cidadãos do céu, vivendo por enquanto como estrangeiros e forasteiros. Mas não teremos de viver longe de casa para sempre. Um dia, Jesus retornará — e, quando ele voltar, nos levará para junto dele, em nosso corpo ressurreto, em um reino aperfeiçoado. Hoje, não viva como se tudo o que há por aqui fosse tudo o que existe. Incline-se para a frente, pois seus melhores dias estão por vir. Você não está lá ainda — mas, com toda a certeza, um dia estará.Leia APOCALIPSE 22 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Pv 24–26; Hb 3
-
89
31 de março - Clamando por Ajuda
Texto bíblico: Cada vez que Israel semeava, os midianitas e os amalequitas, como também os povos do Oriente, subiam contra ele. […] Assim, Israel ficou muito debilitado com a presença dos midianitas; então, os filhos de Israel clamavam ao Senhor. (Jz 6.3, 6)Quando somos impotentes, estamos em melhor posição para aprender a fé verdadeira.No início de Juízes 6, o povo de Israel mais uma vez fez “o que era mau perante o Senhor” (v. 1). Eles haviam se prendido em um ciclo recorrente de rebeldia e arrependimento, tardios em aprender e prontos para esquecer que as suas circunstâncias difíceis estavam frequentemente relacionadas à sua desobediência. Por fim, os israelitas lutaram para entender que Deus lhes permitiria chegar a um lugar onde a sua única resposta poderia ser clamar por ajuda a fim de que ele os trouxesse à comunhão consigo, para a sua glória e para o bem deles. Ele também faz isso por nós hoje, operando seus propósitos nas vidas daqueles que sabem que são impotentes. São aqueles que sabem que são “humildes de espírito”, não aqueles que pensam ser suficientes em si mesmos, aos quais Jesus promete o reino (Mt 5.3).Alguns de nós cremos erroneamente que, se apenas seguirmos a Jesus, tudo sempre se resolverá. Bem no fundo, pensamos que Deus sempre e imediatamente intervirá para remover a dificuldade. Quando Deus não responde às nossas orações como ou quando queremos, nos perguntamos se ainda podemos confiar que ele sabe mais do que nós. Talvez você esteja nessa posição hoje.Repetidamente ao longo da Escritura, Deus promete vir ao socorro quando pedimos: “De dia o sol não o ferirá; nem a lua, de noite. O Senhor o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida. O Senhor protegerá a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre” (Sl 121.6-8). Essas são garantias da Palavra de Deus. Contudo, a maneira como ele realiza tais promessas muitas vezes é ao longo de solo rochoso, por meio de vales sombrios e em salas de espera desconfortáveis.Quando Deus intercede pelo seu povo em Juízes, ele os leva de volta à sua Palavra, condenando- os. O profeta, dizendo as palavras do próprio Deus, lembra os israelitas do que eles precisavam saber: “Eu é que vos fiz subir do Egito e vos tirei da casa da servidão […] e disse: Eu sou o Senhor, vosso Deus […] contudo, não destes ouvidos à minha voz” (Jz 6.8, 10).Mas então, em uma pequena virada na história, bem quando esperamos o juízo de Deus, em vez disso lemos que “o Anjo do Senhor lhe apareceu” com estas palavras de misericórdia: “O Senhor é contigo” (v. 12).Onde estaríamos se Deus tivesse nos entregado ao juízo que merecemos ao invés de demonstrar sua misericórdia dia após dia? Ele não deu ao povo de Israel o que eles mereciam, tampouco nos deu o que eu e você merecemos. A misericórdia e graça de Deus não tem fim.No entanto, em sua bondade, muitas vezes ele usa coisas difíceis em nossa vida para nos ensinar que ele é tudo de que precisamos. A remoção de algo bom nos causa dor, mas também nos leva a clamarmos a Deus e encontrarmos nele nossa força, paz e esperança. Clame a ele por auxílio, seja preenchido pela esperança de que o Deus que o ouve verdadeiramente sabe o que é melhor. O Senhor é com você!Leia ROMANOS 5.1-11 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Pv 21–23; Hb 2
-
88
30 de março - Proveito Interminável
Texto bíblico: Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma? (Mt 16.25-26)Jesus era um especialista em fazer perguntas — especialmente o tipo de perguntas que fazem as pessoas pararem e prestarem atenção. Quando somos confrontados com as perguntas de Jesus, como os discípulos foram aqui, precisamos ser cuidadosos para não nos desviarmos do seu efeito pretendido.À primeira vista, a pergunta de Jesus sobre o ganho material às custas de nossa alma pode ser entendida primariamente como um alerta de punição iminente sobre o indivíduo egoísta. Somos tentados a ler a pergunta de Jesus de forma a assemelhá-lo a uma mãe que diz a seu filho: “Agora, se você não dividir com a sua irmã, você sabe o que acontecerá!” Mas essa pergunta em específico está mais na linha de uma observação. Jesus está apontando o que acontece quando orientamos nossa vida e decisões em torno de nossos próprios anseios pecaminosos — em torno de nossas posses, nossas realizações e nossa identidade desejada.Viver de tal maneira, ele diz, é perder sua própria vida.A perda da vida da qual Jesus está falando aqui é, portanto, tanto a imediata quanto a eterna.Se considerarmos a vida como nada mais do que aquilo que podemos tirar dela para nós mesmos, nós na verdade perderemos as suas maiores alegrias; terminaremos apenas existindo, não vivendo de fato. Além disso, quando nos colocamos no trono de nossa vida, removemos Jesus de seu lugar legítimo e afirmamos a realidade de que, por natureza, preferimos buscar o mundo ao invés de abandonarmos nossos desejos na busca por Cristo. Se continuarmos dessa forma, iremos perder o dom da vida eterna que Jesus ama dar a seus subordinados.Então, como devemos combater os desejos mundanos aqui e agora? Primeiro, precisamos reconhecer que, como o matemático e teólogo do século XVII, Blaise Pascal, disse, nós temos um buraco do formato de Deus no mais profundo estágio do nosso ser, e nada poderá preencher esse vazio a não ser o próprio Deus. Não existimos para buscar prazeres fugazes, mas para desfrutarmos de um relacionamento com o Deus vivo. Então, em segundo lugar, precisamos refletir continuamente no valor de nossa alma como evidenciado na cruel cena fora de Jerusalém, quando o Cristo sem pecado estava pregado à cruz — desprezado, rejeitado, transpassado, marcado e zombado —, para que pudéssemos ser trazidos a um relacionamento correto com Deus e receber livremente a vida eterna. O sacrifício de Jesus revela o quanto o destino eterno de nossa alma importa para Deus.Seguir a Jesus como seu resgatador e seu Rei e reconhecer o valor dele acima de qualquer tesouro terreno não é uma decisão momentânea; é um comprometimento de uma vida inteira que é vivida dia após dia. Se você está preparado para ir à cruz dele diariamente, confessar em humildade quem ele é e entregar sua vida — suas preferências, seu conforto, sua prosperidade —, então seu proveito será interminável, agora e para todo o sempre. Poderíamos fazer bem pior do que nos perguntarmos no início de cada dia o que Jesus perguntou aos seus discípulos na estrada naquele dia: Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?Leia MATEUS 16.13-27 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Pv 19–20; Hb 1
-
87
29 de março - O Verdadeiro Israel
Texto bíblico: Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho.Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura. (Os 11.1-2)Quando Jesus nasceu, Maria e José o levaram para o Egito para protegê-lo da perseguição do rei Herodes. Quando Mateus registra esse evento, ele inclui essas palavras de Oseias, escritas sete séculos antes, e explica que na verdade eram uma profecia que Jesus cumpriu (Mt 2.13-15). Mas as palavras de Oseias não se referiam a um indivíduo, e sim a uma nação (“os chamava” […] [eles] se iam […] [eles] sacrificavam”). Podemos achar, então, que aqui encontramos um uso bastante arrogante da Escritura por Mateus.Na verdade, porém, Mateus sabe exatamente o que está fazendo. Ele está deliberadamente identificando Jesus com Israel. Como Deus havia chamado seu amado povo — seu “filho” — para fora do Egito para adorá-lo na terra prometida, então agora, Mateus diz, Deus está chamando seu unigênito Filho, o Senhor Jesus, para fora do Egito e de volta à terra prometida. Contudo, Jesus era diferente. Como os israelitas, ele foi tentado no deserto, mas, ao contrário dos israelitas, ele não pecou (Mt 4.1-11; veja também Êx 32.1-6). Jesus é o verdadeiro Israel, o verdadeiro Filho.No início de seu ministério, Jesus escolheu doze discípulos (Mt 10.1-4). Esse era um número significativo. Ao escolher doze, Jesus fez uma declaração. Ele, o verdadeiro Israel, estava chamando para si um povo, a fim de ser parte do novo Israel. Seus doze discípulos, em vez das doze tribos de Israel, eram agora a sua fundação. Nessa escolha, o foco do povo de Deus foi e é alinhado. Desde então, o verdadeiro Israel não é encontrado no que agora é chamado Oriente Médio, nem consiste apenas nos descendentes biológicos de Abraão. Em vez disso, ele abrange os descendentes espirituais de Abraão, tanto judeus como gentios. Os filhos de Deus são aqueles que seguem o exemplo de Abraão em depositar sua confiança nas promessas de Deus, as quais são cumpridas em Jesus.A promessa, diz Paulo, “provém da fé” e será sempre “segundo a graça” (Rm 4.16). Não importa se você é judeu ou gentio, rico ou pobre, homem ou mulher. Não importa quem você é ou o que você fez. O mesmo princípio sempre se aplica: “Se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gl 3.29). Somos “um em Cristo” (v. 28). O Evangelho é o mesmo para todos, pois o terreno está nivelado aos pés da cruz. Pessoas religiosas e morais carecem da mesma salvação que alguém que nunca vai à igreja e tem vivido sem levar em conta nenhum padrão ou credo. Temos apenas uma história para contar, mas é a única história de que nós — ou qualquer pessoa — precisamos.Somos inegavelmente imperfeitos. Nós, como o primeiro Israel, somos propensos a nos afastarmos do nosso Pai e a adorarmos ídolos. Mas Jesus, o perfeitamente justo, o melhor e verdadeiro Israel, morreu para carregar nossos pecados, a fim de que pudéssemos nos lançar sobre sua misericórdia. Fomos reunidos à sua grandiosa companhia, na estrutura do verdadeiro reino de Israel, não por causa de quem somos ou do que fizemos, mas por causa de quem ele é e do que ele fez. Hoje, pela fé em Cristo Jesus, você é um filho de Deus, tão amado quanto ele foi e é (Gl 3.26).Leia MATEUS 4.1-11 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Pv 16–18; Tt 3
-
86
28 de março - Uma Dieta Sólida
Texto bíblico: Porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir. […] Tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos. (Hb 5.11-14)Imagine visitar seu restaurante favorito e perceber que todos os clientes estão sentados à mesa bebendo leite em mamadeiras gigantes. Que cena bizarra seria! Ainda assim, essa é a imagem que o autor de Hebreus ilustrou quando ele exortou os judeus cristãos de sua época a permanecerem famintos por uma semelhança cada vez maior com Cristo. Ele sabia que muitos já estavam se tornando complacentes em sua fé. Aqueles que já deveriam ter se tornado mestres precisavam, antes, revisar o maternal da fé todo de novo.A dificuldade para esses crentes em entender os princípios bíblicos não resultou de nenhum assunto complexo nem de inabilidade do autor de explicar com clareza. Em vez disso, eles eram deliberadamente tardios em aprender. Quando o autor escreve que eles eram “tardios em ouvir”, a palavra “tardio” é a mesma que ele usa posteriormente quando os alerta a não serem “indolentes” (Hb 6.12).45 Ali ele exorta seus leitores, em vez de tolerar tal atitude indolente, a serem “imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas”.Se esses cristãos primitivos tivessem sido almas disciplinadas que estivessem ouvindo cuidadosamente e tentando entender os conceitos bíblicos e simplesmente tendo dificuldade nisso, o autor provavelmente não teria sido tão duro com eles. Mas esse não era o caso. Ele teve de repreender membros da igreja que deveriam estar recebendo ardentemente a verdade, mas que haviam se tornado apáticos. Seu entusiasmo diminuiu. Eles pararam de prestar atenção. Como resultado, eles não entendiam o que os impedia de serem ainda mais transformados pela verdade de Deus.Se não formos vigilantes, o mesmo pode acontecer conosco. Não podemos nos sustentar com uma dieta de cereal de flocos de arroz, torradas e leite. Não há problema em gostar de leite.Está tudo bem em tê-lo como parte de nossa dieta. Mas não está nada bem bebermos leite como a totalidade da nossa alimentação. Isso é algo para os bebês, e nós não devemos permanecer como bebês. Precisamos aprender a comer alimentos mais nutritivos e expandir nosso paladar.Torne seu objetivo continuamente “[crescer] na graça e no conhecimento de nosso Senhor” (2Pe 3.18), a fim de que você possa lidar com as implicações da genuína experiência cristã. Não se torne alguém que ouve as Boas Novas do Evangelho sendo proclamadas e diz em sua mente: “Ah, eu já sei isso. Posso parar de ouvir agora.” Não se torne alguém que considera o sermão da manhã de domingo um alimento espiritual suficiente para durar a semana inteira. Não se torne alguém que fica chapinhando no raso e nunca faz um esforço para mergulhar bem fundo nas riquezas da Palavra de Deus. Seja alguém que ama o Evangelho e que, pela graça de Deus, nunca se cansa de ouvi-lo; e alguém que ama a Palavra de Deus — ama beber dela, mastigá-la e é impulsionado pela sua verdade vez após vez, à medida que você se torna mais e mais como seu grandioso assunto, nosso Senhor e Salvador.Leia SALMO 119.33-48 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Pv 13–15; Tt 2
-
85
27 de março - Salvos por um Sacrifício
Texto bíblico: O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito. (Êx 12.13)O que acontece na Ceia? Por que os cristãos comem o pão e bebem do cálice? À medida que buscamos responder a essas perguntas, muitos de nós não pensam em voltar até Moisés. Se nos colocarmos bem perto de sua história, tudo que teremos é uma visão truncada de juncos, sarça ardente e pragas. Porém, se nos afastarmos o suficiente, veremos e seremos capazes de compartilhar a glória de uma perspectiva maior do propósito de Deus.Deus, para pôr o êxodo de seu povo Israel em movimento, passando pela terra em juízo, enviou a última de dez pragas sobre o Egito, e todo primogênito egípcio foi morto. Os primogênitos israelitas também teriam morrido, pois não eram inocentes de pecado, e o pecado leva à morte (Rm 6.23). Mas Deus proveu um caminho para escaparem através da Páscoa.Quando o Senhor via o sangue do cordeiro sacrificado na verga da porta, pintado usando um molho de hissopo (Êx 12.22), ele passava sobre aquela casa sem matar o primogênito.No Antigo Testamento, esse “passar sobre” foi um grande ato da salvação de Deus. Nele e através dele, Deus ensinou a seu povo um princípio vital: Deus salva por substituição. Ele salvou esse povo porque os animais foram sacrificados em seu lugar. Como Moisés registra, naquela noite no Egito “não havia casa em que não houvesse morto” (Êx 12.30). Um filho havia morrido, ou um cordeiro havia morrido. O povo de Deus merecia a morte pelos seus pecados, mas, porque eles confiaram no sacrifício de outro, como Deus havia ordenado e o qual Deus havia provido, eles foram livrados. Todos os anos, ao longo da história veterotestamentária, o povo de Deus recordou esse evento e se lembrou da grande verdade: Deus salva por substituição.Todos aqueles anos e todas aquelas festas sublinham a importância do momento em que, como João Batista viu Jesus vindo, ele disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). Aqui estava alguém que era a provisão de Deus para salvar seu povo do pecado e libertá-lo, assim como o cordeiro pascal.O êxodo de Israel é um prenúncio do grande êxodo da humanidade: quando homens ou mulheres, merecedores do juízo de Deus, confiam no sangue que foi derramado por eles na cruz, eles encontram liberdade do pecado. Cada algema é quebrada, assim como as correntes dos israelitas caíram quando eles foram libertos da escravidão.Da próxima vez que você estiver pensando sobre a Ceia, considere a história de Moisés, a sarça ardente e as pragas. Então conecte os pontos e lembre-se de que a razão para tomarmos a Ceia é porque Jesus é o nosso sacrifício. Ele é o Cordeiro de Deus. Ele é o nosso substituto.Você não tem mais juízo para temer, pois ele ficou para trás, pago e resolvido na cruz. Você está no caminho para a terra prometida.Leia JOÃO 19.16b-37 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Pv 10–12; Tt 1
-
84
26 de março - Guardando-nos no Amor de Deus
Texto bíblico: Guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna. (Jd 21)Ainda que Deus seja perfeitamente capaz de “vos guardar de tropeços” e fazer com que você persevere na fé (Jd 24), ele ainda o chama para desempenhar um papel ativo em seguir em frente na vida cristã — isto é, guardar-se em seu amor.Buscar o amor de Deus deve ser algo constante em nossa vida. É por isso que a Bíblia tem tanto a dizer sobre isso! No percurso da fé, não há como seguirmos apenas na força de algumas poucas remadas iniciais; nossa fé não será fortalecida sozinha. Então, como é nos guardarmos no amor de Deus? Primeiro, a Escritura nos ensina que, para preservarmos nosso amor por Deus, precisamos permanecer em constante ódio contra todo o pecado (veja Pv 8.13; Sl 97.10; Rm 12.9).Comece a brincar com o pecado, encoraje-o ou permita empolgar-se por ele, e seu amor por Deus irá inevitavelmente decair.Segundo, podemos nutrir nosso amor por Deus ao nos deleitarmos nas ordenanças que ele deu à igreja. Jesus instituiu a Ceia, por exemplo, que é uma forma específica dele se encontrar conosco, revelando-nos que podemos conhecer o seu amor e amá-lo também. É impossível para nós nos mantermos em um relacionamento com Deus enquanto ao mesmo tempo nos separamos dos meios de graça que ele estabeleceu.Terceiro, precisamos nos lembrar de que nos guardarmos no amor de Deus não é apenas uma busca individual, mas também é uma tarefa comunitária. Somos chamados eficazmente a Cristo de maneira individual, mas não vivemos nele de forma solitária. Como pedras vivas, somos edificados em uma casa espiritual a fim de sermos um sacerdócio santo de crentes (1Pe 2.5). Cultivar amizades profundas e honestas com outras pessoas que amam a Deus nos ajuda a amar a Deus. Os relacionamentos raramente são neutros. Se quisermos crescer em nossa fé, precisamos buscar a companhia de amigos piedosos.Crescer em nossa fé exige ação e responsabilidade — mas também requer paciência à medida que esperamos pela “misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna”.Devemos buscar um relacionamento crescente com nosso Pai celestial, abandonando o pecado e desfrutando dos dons de Deus junto com outras pessoas que têm uma nova natureza e são habitadas pelo Espírito Santo, enquanto esperamos ansiosamente pela redenção do nosso corpo e a perfeita consumação dos propósitos de Deus (Rm 8.23).Portanto, “desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós” (Fp 2.12-13). Não trabalhamos pela nossa salvação, mas a desenvolvemos, em todas as áreas da nossa vida. Contra qual pecado você precisa lutar? De que formas você deve buscar uma profunda amizade cristã? Guarde-se no amor de Deus.Leia 1 JOÃO 5.12-21 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Pv 9; 1Co 16.10-24
-
83
25 de março - Pensando de Forma Cristã
Texto bíblico: Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. (Fp 4.8 NVI)De muitas formas, somos o que pensamos. Nossa mente é a raiz de nossas ações, e é através de nossa mente que nossas afeições são despertadas. Portanto, é absolutamente imperativo que pensemos sobre as coisas certas e aprendamos a pensar da forma correta. Em outras palavras, precisamos aprender a pensar de forma cristã.Algumas pessoas diriam que pensar de forma cristã é ter uma mente que apenas contempla tópicos explicitamente cristãos, fechando-se a qualquer outra noção. Mas isso não se encaixa na descrição de pensamento cristão que encontramos na Escritura. Na verdade, a Bíblia ensina que devemos pensar sobre tudo, mas que precisamos aprender a fazer isso a partir de uma perspectiva bíblica (2Co 10.5). Devemos considerar a música, engenharia, medicina, arte, justiça, liberdade e o amor — toda a gama da existência humana — através da lente das verdades reveladas da Palavra de Deus.O apóstolo Paulo entendeu isso, então ele nos deu uma lista de qualidades com as quais devemos construir a estrutura do nosso pensamento. Como seguidores de Cristo, Paulo disse, nossos pensamentos devem ser direcionados e governados por qualidades como a verdade, justiça e pureza.Como ele diz, devemos pensar sobre aquelas coisas nas quais há “algo de excelente”. A palavra que ele usa para “excelente” é a palavra grega areté, a palavra mais abrangente na língua grega para “virtude”. Em outras palavras, Paulo nos dá uma norma pela qual podemos julgar nossos padrões regularmente. Podemos olhar para a Palavra de Deus e perguntar: “Aquilo sobre o qual estou escolhendo pensar e a forma como estou escolhendo pensar sobre isso estão alinhados com a excelência moral? Estão alinhados com a aprovação de Deus?” Quão desafiador isso é! Essa maneira de pensar não acontecerá em um vácuo ou sem muito esforço. Se esperamos cultivá-la, precisamos meditar na Palavra de Deus dia e noite (Js 1.8). Conforme continuamente nos esforçamos para sermos transformados pela renovação da nossa mente (Rm 12.2), não apenas iremos glorificar a Deus, mas seremos também fortalecidos pela nossa capacidade de lutar pelo Evangelho em nossas conversas.Então, conforme você pensa sobre seus pensamentos, aqui estão três perguntas para fazer ao buscar aplicar esse versículo em sua vida: Existe qualquer coisa sobre a qual eu deva pensar mais? Existe qualquer coisa sobre a qual eu deva pensar menos — ou nem sequer pensar nada? Existe qualquer coisa sobre a qual eu deva pensar de outra maneira?Leia SALMO 1 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Pv 8; 1Co 16.1-9
-
82
24 de março - A Tolice do Favoritismo
Texto bíblico: E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores.Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos os seus irmãos, aborreceram-no e não podiam falar com ele pacificamente. (Gn 37.3-4 ARC)Favoritismo nos relacionamentos é tolice.Vemos isso em toda a história do povo de Deus no Antigo Testamento, mas talvez seja maior na vida de José, pois ele era o objeto do interesse especial de seu pai, Jacó. José “era filho da velhice [de Jacó]” e do grande amor da vida deste, Raquel. Então Jacó, a quem Deus havia renomeado Israel, amava esse filho mais do que aos outros. Brotaram muitos frutos ruins nessa família a partir dessa raiz de parcialidade.Jacó expressou seu favoritismo por meio de um presente, uma “túnica de várias cores” que ele mesmo havia feito. Era claramente um símbolo de favoritismo — um que José obviamente gostava de usar. Este casaco controverso provocou intensa hostilidade dos irmãos de José. De sua hostilidade brotaram malícia e intenção assassina. No fim das contas, eles chegaram ao ponto de vender seu próprio irmão como escravo e fingir sua morte.Se o presente de um casaco poderia incitar tal resposta, então certamente o problema era muito maior do que o próprio casaco. Deve ter havido um pecado profundo nos bastidores.E é exatamente isso que encontramos com os irmãos de José. O problema deles não era tanto que o casaco era muito valioso; era que colocava José em uma classe diferente deles. Ao dar esse presente a ele, Jacó elevou José acima de seus irmãos e isso os corroeu. A escolha de um favorito sempre exige a escolha implícita de um não favorito, o que é um gatilho tanto para a arrogância e o orgulho daquele escolhido como favorito, quanto para o ressentimento e a amargura daqueles que não são. Você pode ter visto ao seu redor, ou mesmo em sua própria vida, os efeitos corrosivos de ser um favorito ou ser preterido por esse status.Jacó deveria ter sido mais sábio, pois ele mesmo havia sido objeto de favoritismo indevido — sua própria mãe o preferiu a seu irmão, Esaú, e isso levou ao caos. Seu relacionamento com Esaú, como o de José com seus irmãos, foi prejudicado por anos.Não sejamos rápidos demais, porém, para nos distanciarmos da mentalidade e das ações de Jacó ou de seus filhos, como se nunca pudéssemos ser culpados de algo semelhante. Devemos todos tomar cuidado com a loucura do favoritismo nos relacionamentos e a fúria que tantas vezes o acompanha. A parcialidade é um erro comum e compreensível, mas lança sombras profundas, escuras e destrutivas.Em vez de simplesmente balançar a cabeça em desaprovação à tolice de Jacó, vamos aprender com ela. Cada relacionamento é um presente único de Deus. Quando mostramos favoritismo àqueles que estão à nossa volta, por qualquer motivo que seja, podemos ter certeza de que isso irá fraturar e devastar os relacionamentos. Se, no entanto, valorizamos cada amigo, membro da família e o próximo com amor e carinho evidentes, honramos a Deus e encorajamos o coração daqueles que ele colocou ao nosso redor.Leia GÊNESIS 37 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Pv 6–7; 1Co 15.29-58
-
81
23 de março - Toda Boa Dádiva e Dom Perfeito
Texto bíblico: Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. (Tg 1.17)Você já foi comprar um presente e não tinha ideia do que o destinatário pretendido precisava ou queria? Você não sabia que tamanho ou cor de camisa comprar, ou se o brinquedo da criança era apropriado para a idade; então, no fim das contas, você simplesmente jogou as mãos para cima em frustração e disse: “Vou comprar qualquer coisa! Eles vão trocar de qualquer forma. Quem se importa?” Dar presentes nem sempre é tão fácil ou divertido quanto deveria ser. O fato é que mesmo o melhor de nós não pode dar presentes perfeitos todas as vezes, porque somos falhos.Falta-nos a percepção e o conhecimento, e às vezes os recursos ou mesmo a disposição, para dar o presente certo. Nisso somos totalmente diferentes de Deus, pois Deus é o doador de dons perfeitos e somente dons perfeitos. Ele é espontaneamente bom e transborda de generosidade.Ele dá sem esperar nada em troca e não restringe a sua bondade com base no que os destinatários merecem. E nenhum presente dele precisa ser trocado.Não só Deus é perfeitamente generoso, mas essa generosidade nunca muda. Mesmo os melhores pais terrenos precisam ser abordados no momento certo e da maneira certa, porque podem ser inconsistentes. As crianças aprendem a escolher seus momentos. Quando eu era adolescente, achava fácil ler a linguagem corporal do meu pai enquanto ele estava em espera na empresa de eletricidade, e pensava: “Não tenho certeza se agora é a hora de pedir dois pneus novos para o meu carro”.Contudo, com nosso Pai celestial, não precisamos nos perguntar se não há problema em nos aproximarmos para falar com ele. Ele não é inconstante nem pronto para se irar. Podemos ter certeza de que ele sempre agirá adequadamente. Nunca o encontraremos pego de surpresa, incapaz, indisponível ou sem vontade. Por meio de Cristo, ele é acessível e responde aos apelos do nosso coração e às nossas preocupações diárias.Somos filhos de Deus, e uma das maneiras pelas quais nosso Pai expressa seu amor por nós está em seus dons perfeitos para nós. Logo, uma marca de cada um de seus filhos deve ser a gratidão. Se conhecemos o caráter de nosso Pai, como podemos ser outra coisa senão gratos — mesmo quando seus dons não são os que teríamos escolhido para nós mesmos? Portanto, tenha o cuidado de reconhecer suas bênçãos diariamente. Lembre-se de que todas as coisas boas são dádivas dele. Não deixe de dizer a ele: Grande é tua fidelidade, ó Deus meu Pai, Não há sombra de mudança em ti […] Tudo o que eu precisava tua mão proveu — Grande é tua fidelidade, Senhor, para mim!44Leia SALMO 103 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Pv 3–5; 1Co 15.1-28
-
80
22 de março - Rendição Majestosa
Texto bíblico: Tendo, pois, Judas recebido a escolta e, dos principais sacerdotes e dos fariseus, alguns guardas, chegou a este lugar com lanternas, tochas e armas. Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? Responderam-lhe: A Jesus, o Nazareno. Então, Jesus lhes disse: Sou eu. […] [Eles] recuaram e caíram por terra. (Jo 18.3-6)Todos os escritores dos Evangelhos cobrem eventos semelhantes da vida de Jesus, mas cada um destaca detalhes e aspectos particulares da identidade de Jesus. Uma das intenções de João era estabelecer a supremacia e a vitória de Jesus sobre as próprias circunstâncias que deveriam degradá-lo e humilhá-lo. Considere a prisão de Jesus no Jardim do Getsêmani: ele se rendeu de bom grado, mas com autoridade, revelando sua majestade como Salvador do mundo. Certa vez, as pessoas tentaram forçar uma coroa de rei sobre Jesus, e ele se retirou porque sabia que a realeza mundana não era o seu destino (Jo 6.15). Aqui, quando os soldados vieram para forçar uma cruz sobre ele, ele sabia tudo o que se desdobraria. Eles certamente esperavam ter de procurar por toda parte por esse notório carpinteiro galileu.Em vez disso, aqui estava ele, entregando-se voluntariamente, com uma majestade em sua voz, uma expressão em seus olhos e uma influência sobre sua pessoa que contribuíam para a magnitude do momento. Não é de admirar que eles “recuaram e caíram por terra”.Quando Jesus se entregou àqueles que o tratariam como um blasfemo e criminoso, ele não negou quem era. Na verdade, ele usou uma linguagem que comunicava a sua identidade e autoridade divinas. Jesus usou a frase “Eu sou” não apenas para dizer aos soldados que ele era Jesus de Nazaré, mas também para se identificar como aquele que apareceu a Moisés na sarça ardente (Êx 3.14). Essa foi a mesma frase que, meses antes, quase o fizera ser apedrejado (Jo 8.58-59), pois era uma afirmação clara de ser o autoexistente Deus vivo.Agora, aqui está esse Deus, dando um passo à frente para impedir que seus amigos resistam e permitir que seus inimigos o matem. Por quê? Quando Cristo veio à frente no jardim, ele não estava apenas protegendo seus discípulos, mas também estava provendo para o seu povo. Ele deu um passo à frente como substituto de humanos pecadores, como o cumprimento de tudo o que havia sido previsto há muito tempo. Ele sabia exatamente para o que caminhava: “Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir- vos a Deus” (1Pe 3.18).Em sua combinação de rendição voluntária e autoridade divina, Cristo deu o próximo passo em direção à cruz, onde seu sacrifício conquistou a nossa salvação. Ele não correu da cruz, mas caminhou resolutamente em direção a ela. E ele fez isso por você.É uma coisa tão maravilhosa, Quase maravilhosa demais para ser verdade, Que o próprio Filho de Deus venha do céu E morra para salvar uma criança como eu.43Leia JOÃO 18.1-14 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Pv 1–2; 1Co 14.21-40
-
79
21 de março - Por que a Demora?
Texto bíblico: Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. (Hb 1.1-2)Há muitas maneiras de descrever o tempo no qual vivemos: século XXI, pós-moderno, globalizado, tecnológico. Todavia, de maneira fundacional e fundamental, vivemos nos “últimos dias”. Essa frase pode soar muito estranha ou emocionante, dependendo da sua familiaridade. De fato, pode haver uma grande confusão em torno da ideia dos “últimos dias”.O Novo Testamento usa essa frase simplesmente para descrever o tempo entre a primeira e a segunda vinda de Jesus. Jesus já veio e Jesus ainda virá. Nós vivemos entre esses dois grandes postos de preparação na história da salvação. Sua primeira aparição trouxe o seu reino à terra e inaugurou os “últimos dias” como uma realidade presente. Sua vida, morte, ressurreição e ascensão apontam para o Espírito de Deus em ação — e, se o Espírito de Deus está em ação, Jesus ensina: “certamente é chegado o reino de Deus sobre vós” (Mt 12.28).Jesus, portanto, fala no tempo presente quando convida uma multidão a “receber o reino de Deus” (Mc 10.15; Lc 18.17). Ele está falando de uma entrada não em algum reino futuro, mas em uma realidade presente — o atual governo e reinado do próprio Jesus.Então o reino é agora. Mas o reino também é depois: algo que ansiamos no futuro, totalmente inaugurado pelo retorno do Senhor Jesus. Na sua segunda vinda, Jesus estabelecerá plenamente o seu reino. Em sua segunda vinda, ele receberá os crentes para “[possuir] por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25.34, ACF), e “a terra se encherá do conhecimento do Senhor” (Is 11.9). O reino que chegou pela primeira vez com seu Rei no passado virá plenamente, em toda a sua perfeição e glória, no futuro.O cristão, portanto, vive nesta dimensão intermediária referida como os “últimos dias”.Aqueles que estão em Cristo pertencem à Nova Criação, mas ainda não receberam todos os benefícios e bênçãos dessa Nova Criação. Por enquanto, os crentes vivem na era presente, em um mundo caído marcado pelo pecado, ansiando pela era vindoura.Por que, então, o tempo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo parece tão longo? Por que a demora? É porque Deus deliberadamente dilatou o retorno de Jesus para que mais pessoas tenham a oportunidade de ouvir as palavras que ele disse, se arrependam e creiam (2Pe 3.9). Os últimos dias são os dias de oportunidade para entrar no reino antes que a porta se feche.Uma vez que sabemos em que época vivemos e cuja chegada a levará a uma conclusão, “que tipo de pessoa [devemos] ser?” (2Pe 3.11 A21). As Escrituras nos dizem: “Empenhem-se para serem encontrados por ele em paz, imaculados e inculpáveis. Tenham em mente que a paciência de nosso Senhor significa salvação” (vv. 14-15 NVI). Em outras palavras, se “os últimos dias” chegarem ao fim hoje e o Senhor Jesus voltar em sua glória, certifique-se de que você será encontrado vivendo de uma maneira que o agrade e buscando maneiras de falar palavras que o proclamem.Leia LUCAS 17.20-37 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Jó 41–42; 1Co 14.1-20
-
78
20 de março - Gratidão Graciosa
Texto bíblico: Sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria, dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz. (Cl 1.11-12)Quase todo mundo aprecia um bom presente. Família, liberdade, lazer, uma cama quente e uma bebida refrescante contribuem para um coração agradecido, e todos nós somos naturalmente capazes de expressar pelo menos um pouco de gratidão por eles. “Obrigado” é uma frase que aprendemos cedo.O avivalista americano Jonathan Edwards utilmente distinguiu entre o que ele chamou de “gratidão natural” e “gratidão graciosa”.41 A gratidão natural começa com as coisas que recebemos e os benefícios que as acompanham. Qualquer pessoa é capaz de gratidão natural.No entanto, a gratidão graciosa é muito diferente, e apenas os filhos de Deus podem experimentá-la e expressá-la. A gratidão graciosa reconhece o caráter, a bondade, o amor, o poder e as excelências de Deus, independentemente de quaisquer dons ou prazeres que ele tenha dado. Ela sabe que temos motivos para ser gratos a Deus, seja um dia bom ou um dia ruim, quer estejamos empregados ou desempregados, quer as notícias diárias sejam otimistas ou esmagadoras, quer estejamos completamente saudáveis ou enfrentando um diagnóstico terminal. Tal gratidão só é descoberta pela graça e é uma verdadeira marca do Espírito Santo na vida de uma pessoa. A gratidão graciosa nos permite enfrentar todas as coisas com a consciência de que Deus está profundamente envolvido em nossas vidas e circunstâncias, pois ele nos fez objetos especiais de seu amor.Quando Jonathan Edwards morreu devido a uma vacina contra a varíola, Sarah, sua esposa, escreveu à filha: “O que posso dizer? Um Deus santo e bom nos cobriu com uma nuvem escura.” Observe a sinceridade nisso. Não há triunfalismo superficial. Mas seu marido não foi tirado por acaso; foi o governo soberano de Deus que determinou o momento certo para trazer Jonathan à sua recompensa eterna. E então Sarah continuou: “Mas meu Deus vive; e ele tem meu coração. […] Todos nós somos dados a Deus: aí estou eu; aí amo estar.”42 Em meio à tristeza, nunca seremos capazes de dizer palavras como essas por gratidão natural, que não pode nos ajudar na perda. Tal reflexão só pode fluir da gratidão graciosa. Você pode estar enfrentando circunstâncias difíceis ou mesmo dolorosas no momento; e, se não estiver, esse dia chegará, pois este é um mundo caído. Contudo, nesses momentos, você pode se apegar ao amor de Deus e escolher confiar na bondade de Deus, expressa mais claramente na cruz. Então, mesmo nas horas mais escuras, você conhecerá a alegria da presença dele e sempre terá motivos para lhe agradecer. Há força, dignidade e adoração em poder dizer: “o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21).Leia ROMANOS 11.33-36 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Jó 38–40; 1Co 13
-
77
19 de março - A Verdadeira Voz Profética
Texto bíblico: Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. (Jr 8.11)Quando confrontados com uma condição médica grave, nenhum de nós quer receber tratamento de um médico incompetente. Imagine ir a um médico cujo remédio para a gangrena é simplesmente colocar um bom curativo, oferecer-lhe um adesivo para seus problemas e recomendar-lhe uma tarde agradável. Isso pode fazer você se sentir melhor, mas não trataria o problema — e você logo se sentiria consideravelmente pior! Na era do Antigo Testamento, o papel dos profetas era falar a Palavra de Deus e chamar o povo de Deus a obedecer à sua aliança. Deus colocaria sua Palavra na boca dos profetas e eles anunciariam o que Deus disse — não o que eles mesmos tinham em mente. E, muitas vezes, a mensagem deles era: Cuidado! O julgamento está chegando. Essa não é exatamente uma declaração agradável! Como a mensagem de Deus era tão desafiadora, os falsos profetas se tornaram numerosos — e, de certa forma, eles tinham o melhor dos dois mundos. Eles eram conhecidos como profetas e podiam sair por aí fazendo grandes declarações, mas também podiam dizer às pessoas o que queriam ouvir. O falso profeta era como um médico ruim, dizendo ao povo que tudo daria certo quando, na realidade, o prognóstico era sombrio. É maravilhoso ouvir que tudo está bem e que sua terra está em paz — a menos que o inimigo esteja prestes a aparecer no horizonte. Então, você precisa estar preparado.Embora os verdadeiros profetas falassem do julgamento vindouro de Deus, sua mensagem também advertia o povo contra a complacência e os encorajava contra o desespero. Deus sempre garantiu seu compromisso com o seu povo, prometendo um futuro maravilhoso para eles. A única esperança deles diante do julgamento seria encontrar refúgio não à parte de Deus, mas em Deus.Os falsos profetas ainda abundam em nosso tempo. Suas palavras são ouvidas na lisonja do preletor de formatura comum: “Vocês são o maior grupo de jovens que essa comunidade já viu. O futuro está em suas mãos. Vocês estão prontos para voar!” Mas palavras igualmente superficiais também são ditas em muitas igrejas, com ensinamentos que consistem em generalidades vagas e meias verdades supostamente inspiradoras para os ouvintes — e uma meia verdade também é uma meia mentira.Precisamos de verdadeiras vozes proféticas em nossos dias, tanto quanto o povo de Deus precisava no tempo de Jeremias. Nossas igrejas, nossa nação e o mundo precisam daqueles que têm a coragem de falar a verdade, mesmo que isso traga zombaria e rejeição: falar do pecado, insistir que Deus tem padrões éticos, alertar sobre o julgamento, anunciar o futuro retorno de Jesus e, portanto, ser capaz de apontar de forma convincente para o único que pode salvar.Peça a Deus que levante indivíduos que estejam preparados para desafiar seus ouvintes com a Palavra de Deus e em submissão ao Espírito de Deus. Ore para que, quando ouvir a Palavra de Deus verdadeiramente pregada por meio de tal voz, você se proteja contra a complacência, esteja disposto a ouvir e esteja pronto para se refugiar em Deus, aquele que é a sua única esperança. E ore para que, no seu bairro e no seu local de trabalho, você seja essa voz.Leia 1 TESSALONICENSES 5.1-11 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Jó 36–37; 1Co 12
-
76
18 de março - O Leão Conquistador
Texto bíblico: E eu chorava muito, porque ninguém foi achado digno de abrir o livro, nem mesmo de olhar para ele. Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. (Ap 5.4-6)Quando crianças, muitos de nós ouvimos nossos pais dizerem: “Você se lembrou de…?” Um exemplo que me lembro de ouvir muitas vezes quando voltei da casa de alguém foi: “Você se lembrou de dizer ‘obrigado’?” Eu não precisava de uma nova revelação; eu simplesmente precisava me lembrar.Enquanto observava a visão que Jesus deu a ele da realidade celestial, o apóstolo João foi levado às lágrimas quando confrontado pelo medo de não haver ninguém que pudesse olhar para os segredos do mundo e explicar os problemas de sua experiência do primeiro século.Mas João não precisava de novas informações. Ele precisava ser lembrado do que já sabia. Ele errou por ter esquecido o básico.João foi instruído a não chorar, mas a olhar para aquele que poderia abrir o pergaminho.Quando ele se virou, viu “de pé, um Cordeiro como tendo sido morto”. As feridas do Cordeiro eram um lembrete da morte de Cristo, pela qual ele alcançou a salvação. Mas esse Cordeiro estava de pé, representando o triunfo de sua ressurreição. Aqui, nessa visão, vemos Jesus, o todo-misericordioso e todo-poderoso. Ele é o Cordeiro e é o Leão. Ele merece e exige a adoração e a obediência de todo o mundo, e ele as terá.Jesus foi a solução para as lágrimas de João, assim como ele é para nossas próprias lágrimas de medo quando sentimos o mundo nos pressionando — quando nos sentimos desgastados, pequenos, fracos e marginalizados e quando somos tentados a acreditar que este mundo, em vez de estar sob controle, é governado apenas pelo caos.Nenhum de nós sabe o que um dia trará ou o que acontecerá durante a noite. Esses segredos pertencem a Deus somente. Mas que grande graça experimentamos quando Deus nos dá um tapinha no ombro e nos leva à nossa Bíblia, dizendo: Você está esquecendo que o Leão da tribo de Judá realmente triunfou, que ele está no comando, que ele supervisiona o futuro, que ele é Rei? “Não temas”, Jesus já havia dito a João: “Eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno” (Ap 1.17-18).Então, quando você se sentir desencorajado, derrotado ou perturbado pelo presente ou pelo futuro, o chamado é simplesmente este: lembre-se do que você já sabe. Olhe para o Leão de Judá, que é para nós o Cordeiro morto. Ele é digno e capaz de abrir os pergaminhos e direcionar a história deste mundo ao seu fim: ao seu retorno e à nossa entrada na glória.Leia APOCALIPSE 5 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Jó 34–35; 1Co 11.17-34
-
75
17 de março - Liberto Pela Oração
Texto bíblico: Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação. (Fp 1.19)Há pessoas em sua vida pelas quais você não ora porque acha que elas não precisam? Com nossa perspectiva humana limitada, pode ser fácil ignorar aqueles que aparentam exteriormente ter tudo bem resolvido. Mas a verdade é que todos nós precisamos e nos beneficiamos das orações dos outros.Quando o apóstolo Paulo estava na prisão, ele escreveu à igreja de Filipos e afirmou saber que sua libertação seria o resultado não apenas da ajuda do Espírito Santo, mas também das orações do povo de Deus. Quer se referisse à libertação de suas dificuldades imediatas ou à libertação final que o levaria à presença de Cristo, Paulo queria que seus amigos cristãos em Filipos soubessem que ele dependia das orações dos outros para sustentá- lo durante seu ministério.Isso não era exclusivo a essa congregação. Quando Paulo escreveu aos cristãos em Roma, ele disse a mesma coisa: “Rogo-vos, pois, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e também pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas orações a Deus a meu favor, para que eu me veja livre” (Rm 15.30-31). Ele ansiava que eles se esforçassem juntos e se revigorassem.Ele desejava que seu serviço fosse útil aos santos. Ele queria ser livrado. E tudo isso, segundo ele lhes disse, poderia ser realizado através de suas orações! Como o grande pregador vitoriano C. H. Spurgeon disse certa vez, a oração é a corda que toca o sino no campanário de Deus.40 Sob a providência de Deus, ela desencadeia seu padrão, plano e poder.Clame a Deus — é isso que Paulo está nos exortando a fazer. Se quisermos ver o Espírito de Deus se mover de uma maneira que só pode ser descrita como sobrenatural, precisamos primeiro estar dispostos a orar de maneira fervorosa, humilde e contínua.As palavras de Paulo nos dizem que, quando nos reunimos com outros santos, podemos apoiá-los em suas fraquezas. Podemos pedir que tenham coragem. Podemos desempenhar um papel em seu livramento.Então, quem você conhece que precisa de suas orações? Você vai orar por eles — diligente, corajosa e persistentemente? E quem você conhece que parece não precisar de suas orações? Bem, essas pessoas precisam! Você vai orar por elas da mesma maneira?Leia FILIPENSES 1.3-11 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Jó 32–33; 1Co 11.1-16
-
74
16 de março - Consolo para uma Mente Perturbada
Texto bíblico: Sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo. Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações. (1Pe 1.5-6)Há duas coisas que precisamos reconhecer sobre o sofrimento — a saber, que ele realmente existe e realmente dói. A aflição é uma realidade na vida de todos em um momento ou outro.Tal aflição assume muitas formas, das quais o sofrimento mental não é a menos importante.Ao escrever aos irmãos sobre o sofrimento, Pedro reconheceu que existem muitas e variadas maneiras pelas quais podemos ser entristecidos. A tristeza específica pela qual os primeiros leitores de Pedro estavam sobrecarregados era a angústia mental que vem de suportar dificuldades — mas Pedro estava plenamente ciente de que existem todos os tipos de provações que golpeiam nossa mente e esmagam nosso espírito.Por causa do Evangelho, Pedro não precisa terminar com uma nota de desesperança e desespero. Em vez disso, ele nos dá promessas às quais podemos nos apegar.Em primeiro lugar, Pedro nos lembra que nossas provações duram apenas “por breve tempo”. Agora, “por breve tempo” precisa ser entendido à luz da eternidade; até mesmo uma vida inteira é “por breve tempo” em comparação com a eternidade! Assim, um longo período de sofrimento nesta vida ainda é, na economia de Deus e na estrutura do seu plano e propósito para os seus filhos, “por breve tempo”. Isso não quer dizer que tal sofrimento parecerá breve — especialmente quando estivermos no meio dele. Para muitos, o sofrimento significa que um minuto pode parecer um dia, um dia pode parecer um ano e um ano pode parecer que nunca vai acabar. Mas podemos e devemos nos apegar a esta promessa: nossa miséria atual não é nosso fim eterno. O sofrimento pode preencher sua vida hoje, mas um dia, “no último tempo”, a salvação é que preencherá.Em segundo lugar, podemos dizer com confiança que, em todos os momentos de sofrimento, Deus está presente. No relato da conversão de Saulo de Tarso, encontramos Jesus intimamente identificado com o sofrimento de seu povo. Ele diz: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9.4, ênfase acrescentada). Como Jesus poderia dizer “me” quando estava no céu? Foi porque, através do Espírito, Cristo estava presente com o seu povo. Ele se solidarizou com eles. Seu Espírito estava com eles, guardando-os enquanto caminhavam pelos vales em direção ao dia da salvação final. Ele faz o mesmo por nós.Você tem no Senhor Jesus um Grande Sumo Sacerdote que é perfeitamente capaz de se solidarizar com seus sofrimentos (Hb 4.15). Quando você é tentado a acreditar nas mentiras de que Deus o abandonou ou que ninguém mais entende onde você esteve ou o que você está passando, você pode ter confiança nisto: “não há pulsação nem agonia que o nosso coração possa conhecer que Deus não sinta lá de cima”.39 E você também pode estar seguro disto: um dia a tristeza ficará para trás e só a glória estará à frente. Essa é uma verdade na qual você pode se alegrar hoje, seja lá o que o dia de hoje lhe reserve.Leia 1 PEDRO 1.3-9 e considere:Como Deus está me chamando a pensar diferente?Como Deus está ordenando as afeições do meu coração — o que eu amo?O que Deus está me chamando a fazer hoje?Para ler a Bíblia em um ano: Jó 30–31; 1Co 10.19-33
No matches for "" in this podcast's transcripts.
No topics indexed yet for this podcast.
Loading reviews...
ABOUT THIS SHOW
O devocional Verdade para a Vida, de Alistair Begg, fornece um encontro diário com a Palavra de Deus, trazendo:- Uma reflexão sobre uma passagem bíblica.- Três questões para refletir sobre como pensar, sentir e agir de forma diferente.- Uma leitura bíblica complementar para estudo adicional.- Um plano de leitura bíblica anual.
HOSTED BY
Alistair Begg
CATEGORIES
Loading similar podcasts...