Episodes
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#13 - Segunda-feira - Primo Levi
SEGUNDA-FEIRA O que é mais triste que um trem? Que parte quando deve partir, Que tem somente uma voz, Que tem somente um caminho. Nada é mais triste que um trem. Ou talvez um burro de carga. Está preso entre duas barras E não pode olhar para o lado. Sua vida é só caminhar. E um homem? Não é…
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#12 - Shemà - Primo Levi
Vós que viveis seguros em vossas casas aquecidas, vós que achais voltando à noite comida quente e rostos amigos: Considerai se isto é um homem que trabalha na lama que não conhece paz, que luta por um naco de pão, que morre por um sim ou por um não. Considerai se isto é uma mulher, sem cabelos e...
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# 11 - Assim Nasce O Conservador - Mauro Iasi
“Nada mais parecido com um fascista que um pequeno burguês assustado” – Brecht Assim nasce o conservador De todos os invernos De todas as noites sangrentas De todos os infernos De todos os céus desterrados de perdão. De toda obediência burra Ao oficial, burocrata, À coroa, ao cetro, Ao papa, ao...
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#10 - A Noite Não Adormece Nos Olhos Das Mulheres - Conceição Evaristo
Em memória de Beatriz Nascimento A noite não adormece nos olhos das mulheres a lua fêmea, semelhante nossa, em vigília atenta vigia a nossa memória. A noite não adormece nos olhos das mulheres há mais olhos que sono onde lágrimas suspensas virgulam o lapso de nossas molhadas lembranças. A noite…
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#9 - O Menino Que Carregava Água Na Peneira - Manoel De Barros
Tenho um livro sobre águas e meninos. Gostei mais de um menino que carregava água na peneira. A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos. A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água. O mesmo que criar peixes…
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#8 - A Mulher De Lot - Wislawa Szymborska
Dizem que olhei para trás curiosa. Mas quem sabe eu também tinha outras razões. Olhei para trás de pena pela tigela de prata. Por distração – amarrando a tira da sandália. Para não olhar mais para a nuca virtuosa do meu marido Lot. Pela súbita certeza de que se eu morresse ele nem diminuiria o...
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#7 - Falta De Reza - Mia Couto
Por insuficiência de reza, por falsidade de crença meu anjo me culpou e vaticinou eterna penitência. Mas não ajoelho nem peço desculpa. Não quero um deus que vigie os vivos e peça contas aos mortos. Um deus amigo que me chame por tu e que espere por mim para um copo de riso e abraços: esse é o…
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#6 - Para Ti - Mia Couto
Foi para ti que desfolhei a chuva para ti soltei o perfume da terra toquei no nada e para ti foi tudo Para ti criei todas as palavras e todas me faltaram no minuto em que talhei o sabor do sempre Para ti dei voz às minhas mãos abri os gomos do tempo assaltei o mundo e pensei que tudo estava em…
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# 5 - Tardio - Mia Couto
Quando quis ser fruto fui fome, não mais do que areia de um chão sem cio. Quando sonhei ser pano fui agulha. E morri no sono do gesto de enrolar o fio. Quando aprendi a ser poente já não havia céu. Quando quis anoitecer tudo era luz. E assim me condeno em livre vício: no mais derradeiro eu só...
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# 1 - É triste explicar um poema
É triste explicar um poema. É inútil também. Um poema não se explica. É como um soco. E, se for perfeito, te alimenta para toda a vida. Um soco certamente te acorda e, se for em cheio, faz cair tua máscara, essa frívola, repugnante, empolada máscara que tentamos manter para atrair ou assustar. Se...