PODCAST · society
Geração 80
by Francisco Pedro Balsemão
Livres e sonhadores, os anos 80 em Portugal foram marcados pela consolidação da democracia e uma abertura ao mundo impulsionada pela adesão à CEE. Foram anos de grande criatividade, cujo impacto ainda hoje perdura. Apesar dos bigodes, dos chumaços e das permanentes, os anos 80 deram ao mundo a melhor colheita de sempre? Neste podcast, damos voz a uma série de portugueses nascidos nessa década brilhante, num regresso ao futuro guiado por Francisco Pedro Balsemão, nascido em 1980
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Os mais ouvidos de 2025, com Ricardo Quaresma: “Um dia cheguei a casa e disse vou trocar o futebol pelo hóquei e a minha mãe disse: 'tu és maluco'”
Nasceu em setembro de 1983, em Lisboa. A mãe é africana e o pai de etnia cigana. Viveu no Casal Ventoso com os pais e o irmão mais velho até ir para o Sporting. O dia-a-dia dividia-se entre a escola e a rua, onde passava grande parte do tempo a jogar à bola. O pai esteve ausente quase dois anos, a mãe trabalhava de manhã à noite e durante esse período o irmão mais velho foi pai que metia o mais novo “reguila” no lugar. Começou a jogar futebol no clube do bairro e foi lá que o Sporting o foi buscar com apenas oito anos. Cresceu na Academia e aos 17 já jogava na equipa principal. Partilhava balneário com João Pinto, Jardel ou Paulo Bento e foi com eles que aprendeu tudo sobre o futebol. Deixou Alvalade para ir para o FC Barcelona, mas as coisas não correram bem. Não regressou ao Sporting, foi para o Porto e hoje sabe que foi “a melhor escolha”, mas na altura ficou “magoado”. "Deve quase tudo ao futebol” e ganhou quase tudo a jogar futebol. Para a memória de todos os portugueses fica o ano de 2016 onde ao lado de Cristiano Ronaldo ganhou o Euro. Ricardo Quaresma foi o convidado do último episódio da 2ª temporada do Geração 80, de Francisco Pedro Balsemão, e um do mais ouvidos de 2025See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Os mais ouvidos de 2025, com Margarida Vila-Nova: “Quero que os meus filhos tenham admiração não só pela mãe, mas também por todas as mulheres”
Nasceu em junho de 1983, em Lisboa. Filha única de pais ligados à produção na área do audiovisual. É uma das mais talentosas atrizes portuguesas. Tem uma longa e brilhante carreira em televisão, cinema e teatro, apenas interrompida por uns sabáticos anos em Macau. Ali, interrompeu a carreira como atriz para dedicar-se às “folhas de Excel” numa mercearia portuguesa que abriu, com produtos portugueses, mas das quais não tem saudades. “Queria ter ali uma pausa na vida. Já tinha feito a rica, a pobre, a boa, a má, a vilã, a heroína, estava esgotada profissionalmente”, desabafa. Cresceu com uma mãe exigente e rodeada de adultos: "Acho que fui muito mimada, mas porque cresci rodeada de muito amor, mas tive uma educação relativamente dura. Tenho muito mais dificuldade de impor limites e nãos aos meus filhos do que os meus pais colocaram-me", admite. Para os filhos, só pede que cresçam num “mundo em que haja igualdade, respeito, empatia, solidariedade. “Quero que os meus filhos tenham admiração não só pela mãe, mas também por todas as mulheres. Quero que respeitem a mulher, a namorada, as filhas que eles tiverem, com todo o respeito e com toda a educação que qualquer ser humano, independentemente do seu sexo, merece ser tratado”, apela nesta conversa com Francisco Pedro Balsemão. Margarida Vila-Nova foi convidada do Geração 80, num dos episódios mais ouvidos em 2025.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Especial Tribeca com Vasco Pereira Coutinho: “Quando disse que ia para Roma, para o seminário, a minha mãe disse-me que nao podia ir porque tinha problemas de costas e lá não tinham ginásio”
Nasceu em maio de 1987, em Lisboa. Cresceu numa família de “betos desempoeirados” com uma educação “rígida”, mas sem amarguras ou amarras. No colégio nunca foi adorado pelos colegas e não tinha muitos amigos, mas a ida para o Liceu foi o “auge da liberdade”. A ligação ao teatro vem da infância e das idas ao Chapitô com a avó Ana. Gostava de criar as suas personagens, mas nada a sério. Até ao dia em que o pai o obrigou a fazer os testes para o conservatório, não passou porque não soube imitar um “macaco bebé cego”. Já teve várias vidas e viveu várias personagens. Depois do curso de Marketing decidiu seguir um caminho que já o acompanhava desde a adolescência, desde a altura em que deu catequese - quis ser padre e foi estudar para o seminário em Roma. Regressou de Itália porque o caminho ainda não era por ali. "Ser ator, esta profissão, é a minha, eu fui feito para esta. Eu acho que nasci para isto”. Vasco Pereira Coutinho, a Tia Bli, a enfermeira Lourdes e a professora Regina são os convidados do episódio especial do Geração 80 gravado ao vivo no Festival Tribeca.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Ricardo Quaresma: “Nunca ninguém me tratou mal, mas sentia que as pessoas olhavam para mim de maneira diferente. Quando diziam: ‘ó cigano, passa a bola’, sentia que não era com carinho, mas com maldade. As palavras importam”
Nasceu em setembro de 1983, em Lisboa. A mãe é africana e o pai de etnia cigana. Viveu no Casal Ventoso com os pais e o irmão mais velho até ir para o Sporting. O dia-a-dia dividia-se entre a escola e a rua, onde passava grande parte do tempo a jogar à bola. O pai esteve ausente quase dois anos, a mãe trabalhava de manhã à noite e durante esse período o irmão mais velho foi pai que metia o mais novo “reguila” no lugar. Começou a jogar futebol no clube do bairro e foi lá que o Sporting o foi buscar com apenas oito anos. Cresceu na Academia e aos 17 já jogava na equipa principal. Partilhava balneário com João Pinto, Jardel ou Paulo Bento e foi com eles que aprendeu tudo sobre o futebol. Deixou Alvalade para ir para o FC Barcelona, mas as coisas não correram bem. Não regressou ao Sporting, foi para o Porto e hoje sabe que foi “a melhor escolha”, mas na altura ficou “magoado”. "Deve quase tudo ao futebol” e ganhou quase tudo a jogar futebol. Para a memória de todos os portugueses fica o ano de 2016 onde ao lado de Cristiano Ronaldo ganhou o Euro. Ricardo Quaresma é o convidado do último episódio da 2ª temporada do Geração 80, conduzido por Francisco Pedro Balsemão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Júlio Resende: "O meu pai é angolano, nasceu português, era Portugal na altura. Quando voltaram não tinham nada e conseguiram construir alguma coisa que permitiu-lhes dar-me aulas de música"
Nasceu em junho de 1982, em Faro. O pai, africano, nascido em Angola e veio para Portugal “sem nada” e começou a dar aulas de música ao filho Júlio. Com quatro anos recebeu o “brinquedo favorito” - “um pequeno teclado” onde aprendeu a tocar. Aos 10 anos já compunha melodias. Foi para Paris, de Erasmus, atrás do Jazz e da Filosofia. Sempre que regressava a casa trazia a mala cheia discos com novas canções, melodias e estilos que descobria na capital francesa. Júlio Resende, pioneiro do Fado Jazz, é um dos músicos mais versáteis da sua geração. O pianista e compositor é o convidado do novo episódio do podcast Geração 80. Ouça aqui a conversa com Francisco Pedro Balsemão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Carlos Guimarães Pinto: “Gosto muito de ser livre, de poder fazer coisas, de ter projectos. E ter uma organização como a Iniciativa Liberal a depender excessivamente de ti também retira alguma da tua liberdade porque sentes uma obrigação moral de estar presente”
Nasceu em agosto de 1983, em Espinho. Economista, deputado e ex-presidente da Iniciativa Liberal, cresceu no seio de uma família operária. A paixão pela matemática surge como um dos motores do seu percurso académico e profissional. As experiências marcantes que viveu no estrangeiro, especialmente durante o período em que esteve no "país menos entediante do mundo", a Índia, onde descobriu "como é que o mundo era em tudo aquilo que tem de bom e de mau". Reflete sobre o liberalismo e o papel do Estado e aprofunda o debate sobre a evolução social em Portugal, com Carlos a destacar a importância do da iniciativa individual. Sobre a geração que nasceu na década de 80, considera ser "a última geração a saber o que é viver sem internet, mas também a primeira a abraçar plenamente o digital", uma dualidade que, explica nesta conversa com Francisco Pedro Balsemão, confere à geração uma perspetiva única sobre as transformações sociais e tecnológicas das últimas décadas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Margarida Vila-Nova: “A nossa geração é uma sobrevivente. Crescemos num limbo, acho que soubemos reinventar-nos a cada crise económica que vimos passar. Agora estamos perto de uma guerra. Eu penso: ‘Mas quando é que isso fica fácil para a minha geração?’”
Nasceu em junho de 1983, em Lisboa. Filha única de pais ligados à produção na área do audiovisual. É uma das mais talentosas atrizes portuguesas. Tem uma longa e brilhante carreira em televisão, cinema e teatro, apenas interrompida por uns sabáticos anos em Macau. Ali, interrompeu a carreira como atriz para dedicar-se às “folhas de Excel” numa mercearia portuguesa que abriu, com produtos portugueses, mas das quais não tem saudades. “Queria ter ali uma pausa na vida. Já tinha feito a rica, a pobre, a boa, a má, a vilã, a heroína, estava esgotada profissionalmente”, desabafa. Cresceu com uma mãe exigente e rodeada de adultos: "Acho que fui muito mimada, mas porque cresci rodeada de muito amor, mas tive uma educação relativamente dura. Tenho muito mais dificuldade de impor limites e nãos aos meus filhos do que os meus pais colocaram-me", admite. Para os filhos, só pede que cresçam num “mundo em que haja igualdade, respeito, empatia, solidariedade. “Quero que os meus filhos tenham admiração não só pela mãe, mas também por todas as mulheres”. Quero que respeitem a mulher, a namorada, as filhas que eles tiverem, com todo o respeito e com toda a educação que qualquer ser humano, independentemente do seu sexo, merece ser tratado”, apela nesta conversa com Francisco Pedro Balsemão. Margarida Vila-Nova é a convidada do novo episódio do Geração 80.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Gustavo Carona: “É um pouco fútil falar de uma perda desportiva depois de ter perdido tanto e de ter visto outras pessoas perderem tudo. Foi essa tristeza que fez querer sem médico”
Nasceu em outubro de 1980, no Canadá. Os pais mudaram-se para Toronto depois do 25 de Abril com “medo de que o país virasse muito à esquerda”. Regressou a Portugal com 2 anos, o pai era engenheiro químico e a mãe professora de física e química. Cresceu no Porto é adepto de futebol e do clube da terra. Fez bodyboard até aos 15 anos, mas um acidente no mar, em Peniche, obrigou-o a deixar a modalidade muito cedo. Agarrou-se aos livros e licenciou-se em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Ficou conhecido pelos portugueses durante a pandemia através dos relatos que fazia nas redes sociais e na televisão. Depois da pandemia, uma doença incurável deixou-o preso a uma cama e passa grande parte do dia deitado. Ainda como médico de emergência percorreu o mundo em missões humanitárias e nesta conversa com Francisco Pedro Balsemão recorda algumas dessas histórias. Gustavo Carona é o convidado do novo episódio do Geração 80.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Marisa Liz: “Perdi o meu pai aos 8 anos e a única ligação que tenho a ele é a música. Com 11 anos queria pintar o quarto de preto porque só ouvia a The End, dos The Doors. A minha mãe ficou preocupada”
Nasceu em outubro de 1982, em Lisboa. Desde pequena que a música foi uma espécie de “refúgio” e forma de conexão com o mundo. Sentia-se deslocada das outras crianças, brincava muito sozinha e ouvia músicas que não eram para. Nasceu Marisa Pinto Oliveira Pinto e é hoje Marisa Liz. Aos 12 anos fez parte dos Onda Choc, no 9º ano largou a escola e foi estudar Música. Nunca mais parou. Seguiram-se Os Donna Maria e 2010 os Amor Electro, agora uma carreira a solo de sucesso. Ouça aqui o novo episódio do Geração 80.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Rui Pereira: “Disse à minha mãe que um dia ia ter orgulho do filho, porque um barman não está aqui só para beber copos e ter uma vida louca. Podemos contribuir para a sociedade e ser uma profissão digna”
Nasceu em maio de 1984 em Vila Praia de Âncora. Foi lá que cresceu e para lá que regressa sempre que procura um “porto de abrigo”. A infância foi passada a brincar na rua com os amigos com quem ia para a praia de manhã e só regressava à noite (com um escaldão). Foi na fase mais “negra” da vida, durante uma depressão, que se aproximou do bar e apaixonou-se por aquilo que é hoje a sua profissão: bartender. Em 2024 foi eleito o melhor bartender de Portugal e finalista global em Xangai e mostrou à família que tinha uma “profissão digna”. Rui Pereira é o convidado do novo episódio do Geração 80, conduzido por Francisco Pedro Balsemão. Ouça aqui.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Branca Cuvier: “Tive uma relação péssima com a escola. Preciso do meu ritmo para aprender e fazer as coisas acontecerem. Era péssima aluna e precisava de associar tudo a histórias O formato escola não funcionou para mim”
Nasceu em outubro de 1984, em Lisboa. Cresceu numa família de artistas e não podia ser a excepção. O bisavô foi o escultor do Padrão dos Descobrimentos, é filha e neta de artistas plásticos. Foi um dia na Feira da Ladra que sentiu o “clique” para o desenho. Começou pela joalharia e na passagem por Amesterdão, onde fez um estágio com Lucy McRae e algumas peças que foram depois usadas por Lady Gaga. Regressou a Portugal para criar a marca "Baguera", que mais tarde acabou por deixar. Hoje é artista plástica e consegue “viver da arte”, ainda que seja difícil. Para o podcast trouxe uma pedra que simboliza a “sorte” a “ligação afetiva”. Branca Cuvier é a convidada do novo episódio do Geração 80See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Hélder Postiga: “O meu pai era pescador e a felicidade dele contagiava todos. Guardo esses momentos na memória porque marcam e sei que custaram sofrimento e dedicação para serem alcançados”
Nasceu em agosto de 1982, em Vila do Conde. Cresceu numa família de pescadores das Caxinas, lugar que já deu ao país alguns dos maiores futebolistas do mundo. A família era humilde, mas “felizes com pouco”. Tem dois irmãos e a irmã mais velha foi como uma segunda mãe. Deixou a escola para seguir o sonho de muitas crianças: ser jogador de futebol. Aos 12 anos deixou a casa dos pais e foi jogar para o FC Porto. Foi campeão nacional com 18 anos e fez parte do plantel da Seleção Nacional que fez os país e os portugueses de todo o mundo acreditarem no primeiro europeu de futebol. Hélder Postiga é o convidado do novo episódio do Geração 80. Ouça aqui.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Duarte Rosado: "Senti uma vontade enorme de largar tudo, uma alegria e um desejo gigante de poder dar a vida por Jesus. Pensei que se dormisse passasse, mas não passou!”
Nasceu em setembro de 1985, no Porto. Cresceu numa família católica e ia à missa todos os domingos. Teve uma educação “rija” e “rígida”, mas “sempre com amor em casa”. Estudou em escolas católicas, mas a escola nunca lhe interessou muito. Gostava das aulas de artes e música, mas desde cedo percebeu que “decorar coisas” não era para ele. “Com 14 anos ia à missa do colégio todos os dias, não sei se era para fugir às aulas”, lembra. Ser padre nunca esteve nos planos, mas aos 21 anos tudo mudou. Bastaram dois meses de reflexão para fazer as malas e trocar Portugal, a banda que tinha com amigos e a vida de universitário, por Roma e por um curso de Teologia. “Senti uma vontade enorme, uma alegria enorme e um desejo gigante de poder dar a vida por Jesus. Pensei que se dormisse passasse, mas não passou!”, recorda. O padre jesuíta, compositor e músico, Duarte Rosado, é o convidado do novo episódio do Geração 80. Ouça aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.
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Marina Gonçalves: “O que mais ouvi foi que não tinha experiência e que não sabia o que era a vida. Essa é sempre a discussão mais fácil”
Nasceu e cresceu em Caminha e é lá que regressa quase todos os fins de semana. É a irmã mais velha, “a segunda mãe", do irmão oito anos mais novo. Desportista desde pequena, tem um curso de mergulho e foi jogadora de voleibol até à faculdade. “Era boa a receber e a distribuir”, recorda. Deixou Caminha pela primeira vez para estudar Direito no Porto. Regressou com o objetivo de ser advogada na terra onde nasceu, mas recebeu um convite para assumir o cargo de assessora jurídica do Grupo Parlamentar do PS, em Lisboa. O pai achou que a filha não ia aceitar, mas nem hesitou. O “bichinho” da política cresceu quando começou a trabalhar com Pedro Nuno Santos e desde aí andaram sempre de “braços dados”. O caminho que fez na política e no partido “não foi um acaso”. Aos 34 anos tornou-se ministra da Habitação, a mais jovem de sempre do PS. Marina Gonçalves é a convidada do novo episódio do Geração 80, conduzido por Francisco Pedro Balsemão. Esta conversa foi gravada dias depois do resultado das eleições do passado dia 18 de maio, à data o PS e o Chega estavam empatados no número de deputados eleitos para a Assembleia da República.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Lourenço Ortigão: “O meu pai tinha dois empregos e estava muito tempo fora para sustentar uma família com três filhos. Andei em escolhas públicas porque os meus pais preferiram investir esse dinheiro em desportos”
Nasceu em agosto de 1989, em Lisboa. É o mais novo de três irmãos, o caçula da família que andou sempre atrás dos mais velhos, o mais “rebelde” e que gozou de uma educação mais liberal. Cresceu na Beloura, Sintra, e estudou em Cascais. Sempre em escolas públicas porque os pais preferiram investir no desporto. Desde pequeno que gosta de números, começou a receber a primeira mesada com 10 anos e foi nessa altura que aprendeu a gerir o próprio dinheiro. Estudou Gestão, mas só se aventurou no mundo empresarial há poucos anos. Pelo caminho cruzou-se com a representação e tornou-se conhecido com a participação na série “Morangos com Açúcar”. Mais recentemente assumiu o papel mais importante da sua vida: ser pai babado. Lourenço Ortigão é convidado do novo episódio do Geração 80See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Inês Aires Pereira: "Nasci no Porto num mundo onde a minha maneira de ser não se encaixava com os tios e tias. Era a "Inês louca". Quando vim para Lisboa conheci pessoas ainda mais loucas"
Nasceu em julho de 1989, no Porto. Cresceu no mundo “beto da Foz”, conservador, rodeada de irmãos rapazes onde às vezes se sentia “deslocada”. Desde pequena que quer ser atriz. Em criança não conseguia fugir das câmaras e acabava a “estragar” todos os filmes que os pais faziam nas férias. Mudou-se para Lisboa para vir estudar para o Conservatório, mas não entrou. Foi na capital que encontrou “liberdade” e os amigos com quem se identificava e sentia a “Inês louca”. Como atriz ganhou espaço na representação e tornou-se um fenómeno de quarentena com o “Como É Que o Bicho Mexe”. Hoje divide-se entre o humor e a representação. Inês Aires Pereira é a convidada do novo episódio do Geração 80, conduzido por Francisco Pedro BalsemãoSee omnystudio.com/listener for privacy information.
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Gisela João: “A geração de agora está mais preparada para receber elogios. Acho que a nossa geração percebeu que devia instigar mais os filhos para que acreditassem mais neles próprios”
Nasceu em novembro de 1983 em Barcelos, cidade onde cresceu e morou até se mudar para o Porto. É a mais velha de sete irmãos, a "fazedora" e cuidadora da família e dos mais novos. Em criança nem sempre teve os brinquedos que queria. A família trabalhava na indústria têxtil e a vida era “simples”, mas “nunca faltou a alegria”, recorda. Ouviu a primeira vez fado no rádio e começou a cantá-lo ainda criança. Deixou o norte do país em 2013, ano em que alcançou o estrelato depois do lançamento do primeiro álbum. Gisela João é a convidada do novo episódio do Geração 80, conduzido pelo Francisco Pedro BalsemãoSee omnystudio.com/listener for privacy information.
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Carolina Patrocínio: “Trazemos uma herança de um Portugal antigo e mais fechado, com pouca aptidão para se modernizar e de repente estamos aqui empacotados com mundo novo pela frente, com acesso total à informação, com as redes sociais”
Nasceu em maio de 1987 em Lisboa, onde cresceu e viveu rodeada de cinco irmãs. Hoje, são os quatro filhos que lhe ocupam grande parte do tempo de Carolina Patrocínio, protagonista de um novo documentário sobre a sua vida. Conhecida apresentadora da SIC e SIC Mulher, nesta conversa com Francisco Pedro Balsemão revela como foi crescer no seio de uma família numerosa, a importância da educação e a influência dos pais no percurso dos filhos. "Ambos sempre nos deram muita liberdade com responsabilidade. Esta foi a frase que mais ouvi a minha vida toda: liberdade com responsabilidade", conta. Com quase um milhão de seguidores no Instagram, num equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, partilha como lida "bem" com a fama de ser reconhecida na rua, "apesar de que agora começo a ver-me através dos olhares dos meus filhos, que quando sou abordada, eles ficam meio esquisitos, não sabem bem como agir". Carolina Patrocínio é a convidada de Francisco Pedro Balsemão neste episódio do Geração 80.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Raquel Oliveira: “O dia a dia de um cientista é bom e bastante social, aquela ideia do cientista trancado no laboratório não é de todo verdade”
Nasceu e cresceu no Porto em 1980. O pai era magistrado e a mãe pintora. Sempre gostou de matemática, mas até à vida adulta quis ser bailarina. Trocou o bailado pela bioquímica e apaixonou-se pela "fascinante dança" dos cromossomas. Depois de uma passagem pelo estrangeiro, regressou a Portugal e hoje lidera o laboratório de Dinâmica de Cromossomas. O bailado perdeu uma bailarina, mas a ciência ganhou uma excelente cientista. Raquel Oliveira é a convidada do Geração 80, conduzido por Francisco Pedro Balsemão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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André Luís: “Quando falamos de economias criativas, a maioria da sociedade vê como algo pequeno, sem impacto. Estamos a tentar mostrar que somos muito importantes”
Cresceu em Setúbal no início dos anos 80. Em pequeno gostava de desenhar e esculpir, para desgosto do pai queria ser artista. Estudou Design Industrial porque queria ser animador da Disney, mas o caminho foi outro. Aos 23 anos abriu a primeira empresa, que acabou por falir. Mais tarde a paixão pelo Vitória de Setúbal levou-o ao clube e à direção de Marketing, onde teve reuniões com figuras como Pinto da Costa e Valentim Loureiro. Hoje é CEO do THU, organizador do maior evento mundial de indústrias criativas. André Luís é o convidado do Geração 80 conduzido por Francisco Pedro Balsemão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Marlene Vieira: “Os espanhóis estão mais tempo à mesa do que nós, mas a falar sobre comida não há como os portugueses”
Nasceu em junho de 1980, numa pequena aldeia na Maia. Em pequena a cozinha não lhe dizia nada e a comida muito menos. Tinha “mau garfo” e para ela a cozinhar era ver a avó fazer comida para 20 pessoas. Aos 12 anos apaixonou-se pela cozinha, profissional durante as voltas que dava com o pai a vender a carne pelos restaurantes da região. Foi em Nova Iorque, anos mais tarde, que conheceu e aprendeu a valorizar a cozinha portuguesa. Os pais acharam que era só uma fase, mas Marlene estava convicta de que queria ser cozinheira profissional. Travou batalhas - mesmo com a família -, quebrou estigmas e serviu de exemplo para mostrar que as mulheres também podem “criar coisas novas” na cozinha. No passado mês de fevereiro veio quebrar o jejum de mais de 30 anos e tornou-se a segunda chef mulher portuguesa a receber uma estrela Michelin. Marlene Vieira é a convidada do novo episódio do Geração 80 conduzido por Francisco Pedro Balsemão. Ouça o episódio aquiSee omnystudio.com/listener for privacy information.
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Rui Maria Pêgo: “Pensar é um trabalho e também não é muito bem vista num país como Portugal, há a ideia de que quem só vive para pensar é coisa de rico”
Nasceu em janeiro de 1989, em Lisboa. Era o “nerd” da família, fascinado por dinossauros e fã de Harry Potter, que aos 13 anos tinha uma escola de magia online. Em casa, os pais sempre fomentaram o pensamento crítico, na escola foi sempre um bom aluno - “até ao sexto ano”- mas a adolescência foi "difícil", confessa. Estudou nos Salesianos de Lisboa, uma escola conservadora e católica, onde nao era fácil "distinguir o certo do errado" e assumir que era gay. “Crescer LGBT é ser educado para a vergonha, num contexto como o português”, recorda. Licenciou-se em História, mas a paixão pela comunicação e pelo teatro falou mais alto e fez um mestrado aos 32 anos. É filho de Júlia Pinheiro e Rui Pêgo e nesta conversa confessa que a visibilidade dos pais ajudou-o em muito, mas também o tornou um alvo. Rui Maria Pêgo é o convidado do novo episódio do Geração 80.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Margarida Balseiro Lopes: “As críticas às novas gerações são o resultado de alguma condescendência. Não estão disponíveis para trabalhar até a meia-noite, todos os dias, e por isso estão mal?”
Nasceu em setembro de 1989, na Marinha Grande. A mãe era educadora de infância, o pai jornalista e diretor do jornal regional. Era na redação onde o pai trabalhava que passava as tardes a fazer “patifarias”. Quis ser bailarina e jornalista, mas quando se cruzou com a política e com o direito percebeu que era o caminho a seguir. Depois de um debate aceso numa aula de francês, disse ao pai que queria entrar para o PSD. As “férias grandes” eram passadas São Pedro de Moel. Foi lá que teve o primeiro emprego de Verão e saiu as primeiras vezes à noite. É a mais nova de quatro irmãos - “todos eles diferentes”, admite. O irmão Ricardo é dirigente do PS, mas “sempre respeitaram as diferenças”, conclui. Para esta gravação trouxe o primeiro presente que recebeu no dia em que nasceu, a boneca oferecida pelo irmão João que custou "50 escudos". Margarida Balseiro Lopes é a convidada do novo episódio do Geração 80. É a então ministra da Juventude e Modernização e mais jovem de sempre de um governo. Esta conversa foi gravada antes do chumbo da moção de confiança apresentada pelo Governo de Luís Montenegro.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Salvador Martinha: “Em criança o teu trabalho é a escola, se és mau isso mexe com a tua autoestima. Felizmente jogar bem à bola trouxe-me alguma popularidade, mas o que fazia mais por ela era o meu sentido de humor”
Nasceu em Abril de 1983, em Lisboa. Em criança era uma “matraca”, em adolescente mais tímido. Sempre gostou do palco e não esquece a festa de aniversário do tio onde agarrou no microfone, subiu ao palco e contou umas piadas. A mãe sempre soube que o filho ia ser humorista, já o pai... foi mais cauteloso e “preocupado”. Hoje, aos 81 anos, até dá razão ao filho. Cresceu entre Lisboa, Oeiras e Rio Maior e morou em 17 casas. Estudou em várias escolas e viveu várias realidades. Começou a licenciatura em marketing e publicidade, mas nunca terminou o curso. A "verdadeira formação” foi em escrita criativa, guião e stand-up. Salvador Martinha, humorista e um pioneiro dos podcasts em Portugal, é o convidado do novo episódio do Geração 80.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Soraia Chaves: “Chocou-me o impacto que 'O Crime do Padre Amaro' teve nas pessoas. A banalização e a hipersexualização entristeceu-me na altura porque é algo que vejo como belo e que foi julgado como uma coisa vulgar”
Nasceu em junho de 1982, em Lisboa. Cresceu na Trafaria, para onde os pais se mudaram quando tinha cinco anos. É a quarta de cinco irmãs. Sempre foi tímida e reservada. Em criança queria ser fotógrafa e jornalista - acabou atriz. A ligação ao cinema vem de pequena, nos tempos livres passava horas a devorar a enorme coleção de VHS do pai. Com 14 anos já ganhava o próprio dinheiro, nos trabalhos que fazia como modelo. Aos 21 anos cansou-se da vida de modelo e foi quando percebeu que queria ser atriz. "Sem experiência" em representação, foi protagonista do filme mais visto de sempre nas salas de cinema portuguesas, mas Soraia Chaves é bem mais do que Amélia do “O Crime de Padre Amaro”. Ouça aqui o segundo episódio da nova temporada do Geração 80See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Plutónio: “Vim do bairro e de um meio que trouxe muitos problemas a mim, a amigos, familiares e até à minha mãe. Sinto que a música conseguiu salvar-me”
João Ricardo Colaço nasceu em junho de 1985, em Lisboa. A família deixou Moçambique para fugir à guerra e fixou-se no bairro da Cruz Vermelha, em Cascais. Foi lá que cresceu. É o Dudu para a família e amigos, e Plutónio para a maioria dos portugueses. É o mais novo de oito irmãos. A paixão pelo rap começou ainda em criança, por causa de um poster do Tupac que o irmão tinha no quarto. Com a irmã ouvia Bob Marley. Gravou o primeiro disco no quarto, onde gostava de passar tempo sozinho. Sempre soube que era “diferente” e as suas músicas começaram a espalhar-se pelo bairro. Atualmente é um dos maiores nomes do hip-pop em Portugal e o último álbum, Carta de Alforria, foi o disco, de um artista português, mais ouvido de sempre num único dia, no Spotify. Já não mora no bairro, mas é lá que tem a sua vida, família, amigos e até barbeiro, onde vai cortar o cabelo "todas as semanas". Plutónio é primeiro convidado da segunda temporada do Geração 80, podcast conduzido por Francisco Pedro Balsemão. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Especial ao vivo no Tribeca com Gabriela Barros: “Não me sinto imigrante, mas sinto-me de lugar nenhum. Tenho referências belgas, francesas, brasileiras, portuguesas. Sinto-me um bocado de todo o lado”
Nasceu em agosto de 1988, em Bruxelas. Filha de mãe portuguesa e pai brasileiro, sempre se sentiu uma “mulher do mundo”. A educação foi belga, com referências francesas, portuguesas e brasileiras. Os pais conheceram-se no Rio de Janeiro, mas foi em Bruxelas que se fixaram. Ser cantora era o “grande plano de vida” em criança - talvez ainda seja o de hoje - e por isso trouxe para este podcast alguns CD's. "Passava horas, tardes, a ouvir e a cantar Celine Dion e Mariah Carey". Percebeu cedo que tinha talento para o teatro e, na escola, era sempre a “estrela da companhia”. Visitava Portugal todos os anos a "reboque" da mãe que vinha matar saudades da família e amigos. Mudaram-se para Lisboa quando tinha 18 anos. Começou por ter aulas de teatro amador, mas foi aos 21 anos, com a participação na série “Morangos Com Açúcar”, que alcançou uma fama “assustadora”. “Só tinha três referências portuguesas: o Herman, o Diogo Infante e a Catarina Furtado”, recorda. Gabriela Barros é a convidada do novo episódio do Geração 80, conduzido pelo Francisco Pedro BalsemãoSee omnystudio.com/listener for privacy information.
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João Sousa: “O ténis deu-me tudo o que tenho. Anunciar o fim da carreira foi das decisões mais difíceis da minha vida. Mas é um até já, não é um adeus”
Nasceu em 1989, em Guimarães. O pai, juiz e tenista amador, levava-o para os torneios de ténis que fazia com amigos ao fim de semana. “Ele dizia sempre que se ficasse quietinho e me portasse bem, no final do jogo jogava um bocadinho comigo. E eu ficava ali, uma hora, à espera”, recorda. Competitivo desde pequeno - “até a jogar às cartas” - começou no futebol, mas foi no ténis que encontrou uma paixão. O verão era passado em família, no Algarve, e nem de férias dava descanso à bola e à raquete. Aos 12 anos já era campeão nacional. Sabia que em Portugal não ia crescer na modalidade. “Só havia investimento no futebol” e foi preciso “tomar decisões”. Foi a mais de 1000km de casa que chegou ao topo do ténis mundial. Com 15 anos foi sozinho para Barcelona atrás do sonho. O caminho até ao top 30 mundial foi duro e dispendioso. É o melhor de sempre do ténis português. Conhecido como o “Conquistador”, foi pioneiro em quase tudo. João Sousa é o convidado do último episódio do Geração 80. Em 2024, aos 35 anos, anunciou o fim da carreira. Nesta conversa com Francisco Pedro Balsemão, fala sobre aquela foi a decisão mais “pesada” que tomou na vida, mas também a mais “pensada e ponderada”. “Não é um adeus, é um até já”, admite. Ouça-o aqui.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Nininho Vaz Maia: “Chegar ao Verão era a nossa maior alegria porque tínhamos os monitores no bairro e uma porta aberta para criar. Não saíamos do bairro porque não tínhamos como sair para outro sítio. Não tínhamos ninguém; o meu pai estava preso, o pai do meu amigo estava preso, os nossos tios estavam presos. Aquele projeto era nossa saída do bairro”
Nasceu em fevereiro de 1988, em Lisboa. Viveu no bairro da Picheleira, antigo bairro da Curraleira - um dos maiores e mais antigos bairros de barracas de Lisboa. Foi aí que os pais se conheceram. A família paterna é cigana, os pais cresceram juntos e viviam “porta com porta”. Estão juntos desde os 11 anos. “Gosto muito da história deles.” É cigano e cresceu no bairro com a comunidade. A vida era complicada, mas a fuga aos “maus caminhos” tornou-se fácil com a ajuda de projetos de integração social como o “Sementes a Crescer”. “Marcou-me para sempre. Sem o acompanhamento daqueles profissionais, o mais provável era sair da escola e andar pelas ruas a fazer porcaria, a roubar”, confessa. Em 2014, tornou-se conhecido com um vídeo publicado nas redes sociais, a cantar e tocar guitarra com uma pulseira eletrónica na perna. Estava em casa em prisão domiciliária. Hoje é um dos artistas mais conhecidos do país e um exemplo para o bairro onde cresceu e para a comunidade cigana. Nininho Vaz Maia é o convidado do Geração 80, conduzido por Francisco Pedro Balsemão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Sara Cerdas: “Na minha altura o tamagotchi tinha de ficar desligado nas aulas, agora são os telemóveis. Os tempos mudaram”
Nasceu e cresceu no Funchal. A mãe é madeirense, o pai costa-riquenho. Estudou Medicina na Universidade de Lisboa e especializou-se em Saúde Pública, na Suécia. Era onde estava quando recebeu uma chamada, num jantar com amigos e colegas de trabalho. Do outro lado o convite para integrar as listas do PS para o Parlamento Europeu. Os amigos nem queriam acreditar e a própria nem sabia se estava à altura do desafio. Aceitou o convite em “estado de choque”. Os dias que se seguiram serviram para informar a família e passar a pente fino as redes sociais para evitar a exposição de alguma publicação “problemática”. Depois do anúncio somaram-se as críticas, muitas relacionadas com a sua aparência. Este ano acabou distinguida como uma das "Eurodeputadas em Ascensão". Esta semana fechou o ciclo em Bruxelas e é a convidada do Geração 80, numa conversa conduzida por Francisco Pedro Balsemão. "O Parlamento Europeu representa todos os cidadãos da União Europeia. Porque é que não podemos ter mais jovens lá? Porque é que não podemos estar mais descontraídos? Diziam-me para usar saltos altos... e se entrasse de t-shirt e sapatilhas era mandada parar".See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Virgílio Bento: “Fui educado com uma mentalidade americana. Os EUA são bem sucedidos porque têm um espírito de que tudo é possível e todos aceitam bem o risco. Lá, falhar é currículo; em Portugal e na Europa, é cadastro”
Nasceu em julho de 1984. Cresceu na Guarda, com os pais e o irmão, mas aos 8 anos a dinâmica da família mudou. O irmão foi atropelado numa passadeira e os pais dividiram-se entre Coimbra - onde estava a ser tratado - e a Guarda. A infância foi marcada pelo acidente que quase deixou o irmão em estado vegetativo. "O meu irmão hoje consegue ter vida social e ser minimamente independente, graças ao amor dos meus pais", explica. Virgílio Bento viveu as dificuldades que os pais tiveram na recuperação do irmão e percebeu como as famílias sofriam. Assim nasceu a Sword Health, uma plataforma com o objetivo de libertar dois mil milhões de pessoas da dor. Virgílio inventou a primeira solução de fisioterapia baseada em Inteligência Artificial, o Terapeuta Digital. Sem medo do risco e com ambição, fez crescer a startup com sede em Portugal e já emprega cerca de mil trabalhadores. “As pessoas não acreditam que é possível nascer em Portugal, ficar cá e ter sucesso. A limitação está na nossa cabeça. Nasci na Guarda, estudei em Aveiro, tenho uma empresa global que emprega mil pessoas, e estou no Porto”. Oiça aqui a conversa de Virgílio Bento, CEO da Sword Health, com Francisco Pedro Balsemão no Geração 80See omnystudio.com/listener for privacy information.
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André Santos: “Lidar com a eutanásia leva-nos para buracos e, por muitos mais anos que tenhamos de profissão, nunca vamos habituar-nos a perder um paciente”
Nasceu em Lisboa em março de 1988. Sempre quis ser veterinário, mas pelo meio foi jogador de ténis. Deixou o ténis quando entrou para a faculdade, mas continuou sempre ligado ao desporto. Para o Geração 80, André Santos trouxe uma raquete de ténis e a Azeitona, a sua cadela que dormiu a entrevista praticamente toda, mas não deixou de se abanar quando teve mesmo de ser. Estudou na Universidade Lusófona e está há oito anos no hospital do Restelo. Tornou-se o "mais famoso veterinário português" graças às dicas nas rede sociais dadas aos donos de animais. Usava a página para mostrar que os animais também fazem TAC, ressonâncias e que a medicina veterinária não está assim tão atrasada como se julga, em comparação com a humana. André Santos é veterinário cardiologista há 12 anos e já viu muita coisa. Nesta conversa com Francisco Pedro Balsemão, partilha alguns episódios insólitos da profissão, mas também deixa um alerta sobre a saúde mental dos médicos veterinários. "Por muitos mais anos que tenhamos de profissão nunca nos vamos habituar a perder um paciente".See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Cláudia Semedo: “A minha mãe nasceu em Goa, o meu pai na Guiné. Tenho todos os traços do mundo, nunca me senti estranha e tenho a sensação de que tudo me é familiar”
Nasceu em janeiro de 1983, em Lisboa. Cresceu na Madorna onde vivia com os pais e as duas irmãs. Sempre foi a menos “certinha” das três e a mais energética. Os pais deixaram a Guiné e começaram do zero uma vida em Portugal. O pai começou por trabalhar nas obras, mas graças às aulas de português, inglês e francês que dava aos colegas conseguiu uma carreira como gerente na FNAC. Tem um familiar em quase cada continente: três tias maternas, uma casada com um chinês, outra com um angolano e uma outra com um brasileiro. É a primeira artista da família e já em pequena o avô lhe chamava "teatrista". Com 9 anos participou na Rua Sésamo e aos 14 já tinha um programa na Rádio Renascença. Hoje é uma mulher dos sete ofícios. É atriz, jornalista, locutora, apresentadora de televisão, faz dobragens de filmes e séries de animação. Cláudia Semedo é a convidada de Francisco Pedro Balsemão no podcast Geração 80 e desabafa as "preocupações" que tem com o mundo e com o país: “O preconceito faz parte de um lugar de ignorância e a mudança está nas escolas. Uma criança nunca se recusará a brincar com outra”.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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João Manzarra: “Quando saía da escola era quase sempre assaltado e o momento de viragem deu-se quando contei ao meu cabeleireiro. Disse-me para lhes pedir um cigarro sempre que me sentisse ameaçado”
Nasceu em junho de 1985, em Lisboa. Da infância recorda as férias no Meco, os passeios de bicicleta e as idas às amoras. Eram tímido e assustadiço, o “contraste” do homem que é hoje. Tinha “medo” de dormir às escuras, “chorava” nos escuteiros, e as idas da escola para casa eram um "inferno" porque era quase sempre assaltado - até ao dia em que pôs em prática os conselhos do cabeleireiro Manuel. Começou a licenciatura em Comunicação Social, congelou a matricula para ser guia de viagens à neve. Deu os primeiros passos na televisão aos 21 anos, no Curto Circuito, e ficou conhecido de todos, em 2009, com a apresentação dos Ídolos. Para estar mais próximo do pai nos últimos anos de vida, mudou-se para o campo e nunca mais regressou à cidade. Tornou-se vegan, assumiu a mudança publicamente e lidou com as consequências. Hoje "baixou a guarda", graças às galinhas do vizinho, e come amêijoa, mexilhão e (talvez) percebes. João Manzarra é o convidado de Francisco Pedro Balsemão no Geração 80.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Rita Nabeiro: “O meu avô tratava-me sempre de forma carinhosa, assim: 'então, minha linda', e eu sentia-me super especial. A trabalhar, deu-me sempre espaço para aprender”
"Fiz um bocadinho de tudo quando comecei a trabalhar. A equipa de marketing era 'me, myself and I' no início". Quando deu os primeiros passos a trabalhar com o avô, o fundador da Delta, andava de sapatos desportivos e Rui Nabeiro ficava a olhar - espantado - para ela. Foi a primeira a usar um Macintosh na empresa, um pequeno sinal que marcaria a diferença que veio trazer para dentro da empresa familiar. "Dou-me bem com o meu irmão. Ele é o que diz 'faz' e eu sou a que digo 'Como? Porquê?'". Rita Nabeiro (Lisboa, 1980) licenciou-se em Design de Comunicação, mas rapidamente se juntou à empresa da família, primeiro no marketing da Delta Cafés e depois, em 2007, no lançamento de uma nova linha de negócios, na área dos vinhos. Hoje é CEO da Adega Mayor. Oiça aqui a conversa com Francisco Pedro Balsemão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Hugo Viana: “O futebol português está a mudar, o Benfica mudou de presidente e o Porto agora também. As coisas estão a mudar”
Nasceu em janeiro de 1983, em Barcelos, onde cresceu e viveu até aos 14 anos. Os pais trabalhavam o dia todo e o Hugo ficava com a avó, que vivia a 2 minutos do antigo estádio do Gil Vicente. Era ali que passava grande parte do dia, a ver os treinos e a observar o que os jogadores vestiam, que carro tinham e como se comportavam. Tinha jeito para a bola e com 14 anos foi para o Sporting. Aos 16 já era jogador profissional, deixou os estudos e dedicou-se a 100% à carreira. Deu frutos e com 18 já era campeão nacional. O salto para o campeonato inglês - que hoje diz ter sido "precipitado" - foi um ano depois. Fez as malas e mudou-se com a namorada, hoje mulher e mãe dos filhos. Em 2016, pendurou as chuteiras e já nem joga para matar o bicho. Hugo Viana é hoje diretor desportivo do Sporting e um dos responsáveis pelo fim da seca de campeonatos do clube de Alvalade. Nesta conversa com Francisco Pedro Balsemão fala sobre como é trabalhar com um dos melhores amigos, Rúben Amorim, e revela a receita para a conquista do campeonato. Oiça aqui a conversaSee omnystudio.com/listener for privacy information.
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Branko: “No verão enchíamos a mala do carro e viajávamos pela Europa. No Mónaco ficámos só parados à frente do Casino de Monte Carlo, a ver os carros a chegar para depois irmos dormir no parque de campismo”
Nasceu em abril de 1980, na Amadora, em Lisboa. É João Barbosa, mas todos o conhecem por Branko. Em miúdo não gostava de jogar à bola na rua e passava muito tempo fechado no sótão de casa a criar os próprios “beats”. O primeiro melhor amigo foi o minidisc e o microfone que levava para todo o lado para gravar o barulho dos comboios, as conversas das pessoas e os sons da rua. Cresceu mergulhado nos “beats” e os locais que frequentava também respiravam aquela música que para muitas editoras era “um bocado esquisita”. Os One Week Project nasceram numa “semana aborrecida” de agosto em Lisboa e foram o levantar do véu para o que aí vinha. Com o amigo Kalaf criou também os Buraka Som Sistema. Branko é o convidado do Geração 80 de Francisco Pedro Balsemão. É licenciado em Direito e em Engenharia do Som pela Universidade de Madrid. Nunca se sentiu afetado pela “ideia da fama”, mas sentiu que tinha de deixar uma marca na música e no mundo. Hoje é um dos DJs e produtores mais reconhecidos do mundo e um ávido animador de pistas de dança - seja em Alfama, Londres ou África.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Gonçalo Almeida Ribeiro: “Nós não somos a geração que se aburguesou, mas somos a geração que é filha daqueles que se aburguesaram e que cresceu numa família rica, próspera e optimista”
Nasceu em dezembro de 1983, em Lisboa. Em criança nunca teve “especial jeito” para o desporto e não tinha o sonho de ser jogador de futebol. Foi sempre um miúdo com uma “curiosidade intelectual anormal”. Ficava horas a ouvir, “com muita atenção”, as conversas dos adultos e com 9 anos já tinha uma paixão: a História. É filho de um jurista, mas seguiu Direito porque era um “curso amplo”. O irmão seguiu-lhe os passos. Gosta de rir e fazer rir os outros com piadas “secas”, mas o filho mais velho diz que é “muito sério”. Com 32 anos foi eleito Juiz Conselheiro do Tribunal Constitucional, instituição que criticou num programa de TV, durante os anos quentes da troika, mas que o "lançou" para o espaço mediático quando ainda era um jovem regressado do doutoramento em Harvard. Gonçalo Almeida Ribeiro é o novo convidado do Geração 80 de Francisco Pedro Balsemão. Oiça aqui a conversa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Mariana Cabral: “Nenhum feed das redes sociais é real. A curadoria do otimismo e do positivismo infinito não são reais. Nas minhas redes procuro um bocadinho mais de realidade. Se nas nossas redes só temos feeds bonitos e florescentes é mais rápido acharmos que só nós é que estamos errados, sozinhos e numa bolha escura”
Nasceu em dezembro de 1986, em Lisboa. Viveu, cresceu e estudou no Restelo - e apanhou "de vez em quando autocarros para outros sítios". A mãe é tradutora de alemão, inglês e francês, o pai era engenheiro naval - não herdou o gosto por nenhuma destas áreas. É a mais nova de 4 irmãos e a única humorista da família. Mariana Cabral cresceu sempre angustiada com a possibilidade de viver de uma profissão de que não gostava e começou por ser assim, mas tudo mudou depois da criação do blogue 'Bumba na Fofinha'. A Bumba viralizou e as marcas começaram a pagar-lhe para ser ela própria, mas em "esteróides". Mariana Cabral é a nova convidada do podcast Geração 80 e trouxe para a conversa uma azeda porque esta nova geração já não come “coisas do chão". Nesta conversa conduzida por Francisco Pedro Balsemão fala abertamente sobre humor, liberdade e família.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Daniel Oliveira: “Quando és exposto a adversidades tão cedo ganhas capacidade de relativizar outro tipo de problemas; a pressão que vivo é um privilégio”
Nasceu em janeiro de 1981 em Alcântara, Lisboa. A infância foi dura e os avós e a tia foram as peças de xadrez fundamentais no crescimento de uma criança que viu e viveu muita coisa. “Muito cedo aprendi que a pressão verdadeiramente difícil é a de querer salvar ou proteger alguém que amamos e não conseguir”. O jornal que criou aos 13 anos ajudou-o a “detalhar e escrever aquilo que sentia”. Entrou para a SIC ainda adolescente. Subiu de degrau em degrau, criou um programa de sucesso que está no ar há 15 anos e hoje é Diretor-Geral de Entretenimento e Diretor de Programas da estação, mas explica à filha, cada vez que ela pergunta o que faz, que: “O cargo que ocupo não é aquilo que sou”. Daniel Oliveira é o novo convidado do Geração 80 de Francisco Pedro BalsemãoSee omnystudio.com/listener for privacy information.
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Joana Marques: “Nada do que faço tem a ver com coragem. Quero acreditar que as pessoas são sempre muito mais agressivas e violentas na Internet; nunca tem uma transposição para a vida real e espero que continue a não ter”
Em criança levava-se muito a sério, mas cedo aprendeu que quanto mais se enervava mais o irmão gozava com ela. Nasceu em Lisboa e a infância foi passada entre a casa dos avós, no Restelo, e a casa onde vivia com os pais e o irmão, em Linda-a-Velha. Adolescente um pouco rebelde, mas talvez por culpa da tamanha disciplina que tinha em casa. “Ficava meses de castigo” e não esquece um deles: “Para aprender (e bem) fiquei um mês a ver todos os clássicos do cinema”. Sempre quis ser guionista e foi nas Produções Fictícias que deu os primeiros passos. Do Canal Q saltou para a rádio e hoje é autora de um programa de sucesso, que para alguns é "Extremamente Desagradável". Oiça aqui a conversa de Francisco Pedro Balsemão com Joana Marques no Geração 80See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Matilde Campilho: “Em Portugal, viver da escrita de ficção é muito difícil, eu não consigo. Escrevo crónicas para jornais, guiões de programas de rádio e faço traduções. Passo os meus dias em frente aos livros”
"As redes sociais apropriaram-se da narrativa e dos amigos. Hoje chamam-lhes seguidores. Fazes a tua própria narrativa, tens os teus seguidores e podes passar a tua história sempre, ou quase sempre, contigo ao centro". Matilde Campilho é muito crítica do universo digital e sente-se assustada com o advento da Inteligência Artificial. A escritora nasceu em Lisboa, mas passou grande parte da infância em Santarém. É reservada, passa os dias a ler, gosta de estar no seu canto, não tem redes sociais e raramente dá entrevistas. Quando lançou o primeiro livro provou o sabor do sucesso e hoje admite que só foi “divertido” nos “primeiros 15 dias”. Oiça aqui a conversa com Francisco Pedro Balsemão no podcast Geração 80, sobre literatura, tradução, a era da “desmaterialização total das coisas” e a geração "Humpty Dumpty"See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Daniela Ruah: “Tornei-me uma figura pública aos 16 anos, depois dos Jardins Proibidos, e nunca me deslumbrei. Nos EUA a fama já fazia parte do dia-a-dia”
Nasceu em Boston, mas foi em Portuga que viveu a infância e adolescência. Filha de pais médicos, mas “criativos”, sabia desde pequena que ia ser atriz. A entrada na novela de sucesso 'Jardins Proibidos' foi o ponto de partida. Em 2007, regressou aos Estados Unidos - "não porque Portugal fosse demasiado pequeno, mas porque fazia sentido" - dois anos depois começou a longa viagem, de 14 anos, como Kensi na série Investigação Criminal: Los Angeles. Daniela Ruah é a nova convidada do Geração 80. Numa conversa conduzida por Francisco Pedro Balsemão, abre as cortinas aos bastidores das séries e da representação nos Estados Unidos, fala abertamente sobre a greve dos atores e sobre um mundo cada vez mais politizado: "As pessoas não conseguem ter uma conversa sem se zangarem. Hoje colocamos tudo em caixas. Há 20 anos podíamos ter ideais políticos diferentes e vivíamos todos em paz".See omnystudio.com/listener for privacy information.
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António Leitão Amaro: “A política entra em conflito com família e com o amor; pede dedicação, horas inaceitáveis, exige imenso de quem é marido ou mulher de um político”
Cresceu e viveu no Caramulo até decidir estudar Direito em Lisboa. "Sempre soube que nunca seria advogado" e a paixão pela política estava lá desde pequeno. A mãe foi vereadora na câmara de Tondela e em criança já corria as caravanas e comícios do PSD de bandeira na mão. Depois do mestrado nos EUA regressou a Portugal e entrou ativamente na vida política. Leitão Amaro foi deputado, secretário de Estado, é vice-presidente do PSD, tomou esta semana posse como Ministro da Presidência e é convidado do Geração 80. Nesta conversa com Francisco Pedro Balsemão, regressa à infância na escola primária onde havia "buracos em vez de sanitas" e aos tempos em que era o DJ das festas de garagem.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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António Miguel: “Nasci no ano em que Portugal entrou na CEE, sou da geração do sonho europeu, a geração Erasmus, a primeira geração qualificada que mais emigrou. Cresci com o Maradona, o Ayrton Senna, a última volta da Fernanda Ribeiro, e sei que a nossa geração tem a capacidade de mudar a narrativa”
“Se nós não alterarmos a forma como as grandes empresas trabalham, em prol da sociedade e do planeta, não vamos durar o tempo que gostaríamos de durar. Temos de mudar o paradigma”. O apelo é do diretor executivo da Maze, uma organização de investimento de impacto, que fundou há dez anos. “A Maze tem uma missão muito clara pela qual acordo todos os dias: mostrar que investir em impacto social e ambiental é uma oportunidade económica muito grande, talvez a maior dos nossos tempos”. Nascido em 1986, António Miguel cresceu em Sintra e até emigrar para Londres jogou hóquei, fez surf e bodyboard. Com a licenciatura e o mestrado em gestão, decidiu seguir pela área da inovação social depois de ter passado pelo México e pela Noruega ainda enquanto estudante. Trabalhou em Londres durante alguns anos, mas regressou a Portugal para criar os filhos com uma rede de apoio familiar. Aos 38 anos, olha para si próprio como "ingénuo", mas de forma positiva: “Considero-me uma pessoa positivamente ingénua, nunca tive um plano de negócios e hoje em dia faço a gestão de um fundo de capital de risco, estou sempre a tentar fazer coisas acima das minhas capacidades e a ingenuidade vem daí, de não achar que é impossível fazer alguma coisa”. Oiça aqui a conversa com Francisco Pedro Balsemão. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Afonso Pimentel: “Os homens da nossa geração são mais angustiados, são os primeiros com o peso às costas de sermos um grande pai, um grande marido, um grande amante e um grande amigo, tudo na mesma pessoa”
Nasceu em Lisboa e viveu no Príncipe Real até aos 10 anos. Sempre foi um miúdo rebelde, mas também muito mimado pelos pais. A mudança de casa e de escola para a Amadora foi um “choque”. O gosto pelas câmaras e a fotografia acompanham-no desde pequeno e a culpa foi do tio fotojornalista, com quem passava horas a revelar fotografias. Começou a carreira cedo, aos 14 anos, e de jovem promessa rapidamente se tornou um dos nomes do cinema e televisão em Portugal. Afonso Pimentel é o novo convidado do Geração 80. Nesta conversa conduzida por Francisco Pedro Balsemão, fala sobre a infância, os episódios de bullying na escola, a educação e o futuro dos filhos. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Inês Lopes Gonçalves: “Hoje ninguém se aborrece, porque temos telemóveis e estamos num scroll infinito. Tentar entreter os meus filhos é uma luta diária, porque já nem eu sei estar sem fazer nada”
Nasceu em 1981, em Lisboa. Em criança, o verão era sempre passado na casa dos avós maternos, em Braga. Para a avó era importante “saber fazer coisas com as mãos” e foi com ela que aprendeu a cozinhar e a bordar. Na casa dos avós “apanhava secas monumentais”, conta, e para se entreter lia os livros e revistas de medicina que chegavam para o avô médico. Aos 11 anos já queria ser jornalista e foi por aí que começou a carreira. Hoje Inês Lopes Gonçalves apresenta programas de televisão e faz parte das “Três da Manhã” há 3 anos, mas ainda não se habituou a acordar de madrugada. Tem dois filhos e confessa que é difícil habituar as crianças de hoje a aproveitarem os tempos mortos. Nesta conversa com Francisco Pedro Balsemão, deixa o papel de entrevistadora para falar sobre a infância, a família e a educação dos filhos na escola pública.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Alexandre Meireles: “Os meus pais achavam que trabalhar num grande grupo era uma garantia de segurança, mas agora já não é assim. Os jovens também emigram porque não se sentem importantes dentro das empresas”
Deixou Amarante aos 18 anos para estudar Engenharia Electrotécnica no Porto. Viveu em Nova Iorque, onde serviu às mesas no restaurante do tio José. Dos Estados Unidos trouxe o conceito dos mini hambúrgueres, mas o negócio “não correu bem” e virou-se para o Poke havaiano. Hoje dirige as clínicas da mãe, dedicadas à saúde mental, e é presidente da ANJE. “Ainda há um estigma sobre as falências em Portugal. As pessoas devem arriscar, mas há quem não tenha espaço para falhar. Eu tive o apoio da minha família.” Alexandre Meireles é o novo convidado do Geração 80. Nesta conversa com Francisco Pedro Balsemão, o empresário fala sobre a infância, os negócios e os percalços que teve até chegar aqui. Reflete também sobre as novas gerações e os principais problemas do país.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Diana Chaves: “Se eu pudesse voltar atrás diria à menina que eu fui e que perdeu a mãe muito cedo para não perder a esperança, porque ainda iria ser muito feliz”
Nasceu em julho de 1981. Não chegou longe na natação, mas em 2005 entrou como peixe na água na televisão e hoje apresenta o programa Casa Feliz. Cresceu em Miraflores, perto das piscinas do Dafundo, onde nadou até aos 23 anos. No início dos anos 90, perdeu a mãe e o pai passou a ser o único homem entre as três filhas. O trauma traduziu-se num “blackout gigante”, em que não se lembra de alguns momentos da infância: "É o cérebro a fazer o seu trabalho". Hoje já fez as pazes com a fé, com quem esteve “zangada” muitos anos. Diana Chaves é a convidada do novo episódio do Geração 80 e para o podcast trouxe a pulseira que a mãe usava diariamente: "É o meu talismã, anda comigo todos os dias".See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Pedro Delgado Alves: “A ideia de que ser titular de um cargo político é algo negativo, é bastante penalizador reputacionalmente”
Pedro Delgado Alves nasceu em Lisboa em 1980. Aluno brilhante, que mais tarde se tornou docente universitário, foi a partir de 2006 que concretizou o chamamento para a política, no PS, tendo exercido desde então diversos cargos de liderança dentro do aparelho partidário, a nível autárquico e como deputado. É um dos últimos resistentes do grupo de jovens turcos do Partido Socialista e é comentador da SIC Notícias. Oiça aqui a conversa com Francisco Pedro Balsemão no Geração 80, sobre infância, memórias familiares, educação e política. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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ABOUT THIS SHOW
Livres e sonhadores, os anos 80 em Portugal foram marcados pela consolidação da democracia e uma abertura ao mundo impulsionada pela adesão à CEE. Foram anos de grande criatividade, cujo impacto ainda hoje perdura. Apesar dos bigodes, dos chumaços e das permanentes, os anos 80 deram ao mundo a melhor colheita de sempre? Neste podcast, damos voz a uma série de portugueses nascidos nessa década brilhante, num regresso ao futuro guiado por Francisco Pedro Balsemão, nascido em 1980
HOSTED BY
Francisco Pedro Balsemão
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