PODCAST · arts
Nossa Poesia
by Poesias
Nossa poesia é um podcast com o intuito de divulgar obras da poesia em domínio público.
Episodes
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Os Teus Olhos - Florbela Espanca
Os Teus Olhos de Florbela Espanca Por Mell O céu azul, não era Dessa cor, antigamente; Era branco como um lírio, Ou como estrela cadente. Um dia, fez Deus uns olhos Tão azuis como esses teus, Que olharam admirados A taça branca dos céus. Quando sentiu esse olhar: “Que doçura, que primor!” Disse o...
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Ode marítima - Fernando Pessoa
Ode marítima - Fernando Pessoa Declamado por Luco Borgs Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão, Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido, Olho e contenta-me ver, Pequeno, negro e claro, um paquete entrando. Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira. Deixa no ar distante atrás de...
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A uma Santa - Francisca Júlia
A uma Santa - Francisca Júlia - Lido por Mell Foge, sem ódio, ao mal; o bem pratica; Se a dor lhe dói, cuida-a gostosa e boa, Ou faz então com que ela lhe não doa; Na pobreza em que está julga-se rica; O mal, sabe que passa, o bem, que fica; Por isso o bem acolhe e o mal perdoa. Quanto mais vive,...
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Noturno - Olavo Bilac
Noturno de Olavo Bilac por Gus Já toda a terra adormece. Sai um soluço da flor. Rompe de tudo um rumor, Leve como o de uma prece. A tarde cai. Misterioso, Geme entre os ramos o vento. E há por todo o firmamento Um anseio doloroso. Áureo turíbulo imenso, O ocaso em púrpuras arde, E para a oração…
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Amiga - Florbela Espanca
Amiga de Florbela Espanca por Mell Deixa-me ser a tua amiga, Amor; A tua amiga só, já que não queres Que pelo teu amor seja a melhor A mais triste de todas as mulheres. Que só, de ti, me venha mágoa e dor O que me importa a mim?! O que quiseres É sempre um sonho bom! Seja o que for, Bendito...
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O NAVIO NEGREIRO - Castro Alves
O NAVIO NEGREIRO de Castro Alves por Mell I 'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço Brinca o luar — dourada borboleta; E as vagas após ele correm... cansam Como turba de infantes inquieta. 'Stamos em pleno mar... Do firmamento Os astros saltam como espumas de ouro... O mar em troca acende as...
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Árvores do Alentejo - Florbela Espanca
Árvores do Alentejo de Florbela Espanca por Gus Horas mortas... Curvada aos pés do Monte A planície é um brasido... e, torturadas, As árvores sangrentas, revoltadas, Gritam a Deus a bênção duma fonte! E quando, manhã alta, o sol posponte A oiro a giesta, a arder, pelas estradas…
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Seus Olhos - Gonçalves
Seus Olhos de Gonçalves Dias por Mell Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, De vivo luzir, Estrelas incertas, que as águas dormentes Do mar vão ferir; Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, Têm meiga expressão, Mais doce que a brisa, — mais doce que o nauta De noite cantando, — mais...
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Minha culpa - Florbela Espanca
Minha Culpa de Florbela Espanca por Mell Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem Quem sou?! Um fogo-fátuo, uma miragem... Sou um reflexo... um canto de paisagem Ou apenas cenário! Um vaivém... Como a sorte: hoje aqui, depois além! Sei lá quem Sou?! Sei lá! Sou a roupagem Dum doido que partiu numa...
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A Ondina - Francisca Júlia
A Ondina de Francisca Júlia por Gus Rente ao mar, que soluça e lambe a praia, a ondina, Solto, às brisas da noite, o áureo cabelo, nua, Pela praia passeia. A alvacenta neblina Tem reflexos de prata à refração da lua. Uma velha galeta encalhada, a bolina Rota, pompeia no ar a vela, que flutua. E…
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Midsummer’s night’s dream - Olavo Bilac
Midsummer’s night’s dream de Olavo Bilac por Gus Quem o encanto dirá destas noites de estio? Corre de estrela a estrela um leve calefrio, Há queixas doces no ar... Eu, recolhido e só, Ergo o sonho da terra, ergo a fronte do pó, Para purificar o coração manchado, Cheio de ódio, de fel, de angústia…
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Neurastenia - Florbela Espanca
Neurastenia de Florbela Espanca por Gus Sinto hoje a alma cheia de tristeza! Um sino dobra em mim Ave-Marias! Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias, Faz na vidraça rendas de Veneza... O vento desgrenhado, chora e reza Por alma dos que estão nas agonias! E flocos de neve, aves brancas, frias,...
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Num Meio-Dia de Fim de Primavera - Alberto Caeiro
Num meio-dia de fim de primavera de Alberto Caeiro por Gilles Tive um sonho como uma fotografia. Vi Jesus Cristo descer à terra. Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e a rolar-se pela erva E a arrancar flores para as deitar fora E a rir de modo a ouvir-se de longe.…
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Há metafísica bastante em não pensar em nada - Alberto Caeiro
Há metafísica bastante em não pensar em nada de Alberto Caeiro por Gilles Há metafísica bastante em não pensar em nada. O que penso eu do mundo? Sei lá o que penso do mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso. Que ideia tenho eu das cousas? Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? Que tenho eu...
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O Tear - Olavo Bilac
O Tear de Olavo Bilac por Gilles A fieira zumbe, o piso estala, chia O liço, range o estambre na cadeia; A máquina dos Tempos, dia a dia, Na música monótona vozeia. Sem pressa, sem pesar, sem alegria, Sem alma, o Tecelão, que cabeceia, Carda, retorce, estira, asseda, fia, Doba e entrelaça, na...
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A duas flores - Castro Alves
A duas flores de Castro Alves por Gilles São duas flores unidas, São duas rosas nascidas Talvez no mesmo arrebol, Vivendo no mesmo galho, Da mesma gota de orvalho, Do mesmo raio de sol. Unidas, bem como as penas Das duas asas pequenas De um passarinho do céu... Como um casal de rolinhas, Como a...
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Fanatismo - Florbela Espanca
Fanatismo de Florbela Espanca por Gus Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida Meus olhos andam cegos de te ver! Não és sequer a razão do meu viver, Pois que tu és já toda a minha vida! Não vejo nada assim enlouquecida... Passo no mundo, meu Amor, a ler No misterioso livro do teu ser A mesma…
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Torre de névoa - Florbela Espanca
Torre de névoa de Florbela Espanca por Gus Subi ao alto, à minha Torre esguia, Feita de fumo, névoas e luar, E pus-me, comovida, a conversar Com os poetas mortos, todo o dia. Contei-lhes os meus sonhos, a alegria Dos versos que são meus, do meu sonhar, E todos os poetas, a chorar…
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Dentro da noite - Olavo Bilac
Dentro da noite de Olavo Bilac por Gus Ficas a um canto da sala, Olhas-me e finges que lês... Ainda uma vez te ouço a fala, Olho-te ainda uma vez; Saio... Silêncio por tudo: Nem uma folha se agita; E o firmamento, amplo e mudo, Cheio de estrelas palpita. E eu vou sozinho, pensando Em teu amor, a...
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A minha dor - Florbela Espanca
A minha dor de Florbela Espanca por Gus A minha Dor é um convento ideal Cheio de claustros, sombras, arcarias, Aonde a pedra em convulsões sombrias Tem linhas dum requinte escultural. Os sinos têm dobres de agonias Ao gemer, comovidos, o seu mal... E todos têm sons de funeral Ao bater horas…
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Tortura - Florbela Espanca
Tortura de Florbela Espanca por Gus Tirar dentro do peito a Emoção, A lúcida Verdade, o Sentimento! E ser, depois de vir do coração, Um punhado de cinza esparso ao vento!... Sonhar um verso de alto pensamento, E puro como um ritmo de oração! E ser, depois de vir do coração, O pó, o…
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O cavaleiro pobre - Olavo Bilac
O cavaleiro pobre de Olavo Bilac por Gus Ninguém soube quem era o Cavaleiro Pobre, Que viveu solitário, e morreu sem falar: Era simples e sóbrio, era valente e nobre, E pálido como o luar. Antes de se entregar às fadigas da guerra, Dizem que um dia viu qualquer cousa do céu: E achou tudo vazio...…
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Lágrimas ocultas - Florbela Espanca
Lágrimas ocultas de Florbela Espanca por Gus Se me ponho a cismar em outras eras Em que ri e cantei, em que era querida, Parece-me que foi noutras esferas, Parece-me que foi numa outra vida... E a minha triste boca dolorida, Que dantes tinha o rir das Primaveras, Esbate as linhas graves e severas…
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Adamah - Francisca Júlia
Adamah de Francisca Júlia por Gus Homem, sábio produto, epítome fecundo Do supremo saber, forma recém-nascida, Pelos mandos do céu, divinos, impelida, Para povoar a terra e dominar o mundo; Homem, filho de Deus, imagem foragida, Homem, ser inocente, incauto e vagabundo, Da terrena substância, em...
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Página Vazia - Euclides da Cunha
Página Vazia de Euclides da Cunha por Gilles Quem volta da região assustadora De onde eu venho, revendo, inda na mente, Muitas cenas do drama comovente De guerra despiedada e aterradora. Certo não pode ter uma sonora Estrofe ou canto ou ditirambo ardente Que possa figurar dignamente Em vosso…
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Sagres - Olavo Bilac
Sagres de Olavo Bilac Por Gus "Acreditavam os antigos celtas, do Guadiana espalhados até a costa, que, no templo circular do Promontório Sacro, se reuniam à noite os deuses, em misteriosas conversas com esse mar cheio de enganos e tentações." OL. MARTINS. - Hist. de Portugal. Em Sagres. Ao tufão,...
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Tirana - Castro Alves
Tirana de Castro Alves por Mell "MINHA MARIA é bonita, Tão bonita assim não há; O beija-flor quando passa Julga ver o manacá. "Minha Maria é morena, Corno as tardes de verão; Tem as tranças da palmeira Quando sopra a viração. "Companheiros! o meu peito Era um ninho sem senhor; Hoje tem um...
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Vendaval - Fernando Pessoa
Vendaval de Fernando Pessoa Declamado por Gus Ó vento do norte, tão fundo e tão frio, Não achas, soprando por tanta solidão, Deserto, penhasco, coval mais vazio Que o meu coração! Indómita praia, que a raiva do oceano Faz louco lugar, caverna sem fim, Não são tão deixados do alegre e do humano…
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Na margem - Castro Alves
Na margem de Castro Alves por Mell "VAMOS! VAMOS! Aqui por entre os juncos Ei-la a canoa em que eu pequena outrora Voava nas maretas... Quando o vento, Abrindo o peito à camisinha úmida, Pela testa enrolava-me os cabelos, Ela voava qual marreca brava No dorso crespo da feral enchente! Voga, minha...
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O cego e a guitarra - Fernando Pessoa
O cego e a guitarra de Fernando Pessoa por Gus O ruído vário da rua Passa alto por mim que sigo. Vejo: cada coisa é sua Oiço: cada som é consigo. Sou como a praia a que invade Um mar que torna a descer. Ah, nisto tudo a verdade É só eu ter que morrer. Depois de eu cessar, o ruído. Não, não ajusto...
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Os Versos Que Te Fiz - Florbela Espanca
Os Versos Que Te Fiz de Florbela Espanca por Mell Deixa dizer-te os lindos versos raros Que a minha boca tem pra te dizer! São talhados em mármore de Paros Cinzelados por mim pra te oferecer. Têm dolências de veludos caros, São como sedas brancas a arder... Deixa dizer-te os lindos versos raros…
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Inania verba - Olavo Bilac
Inania verba de Olavo Bilac por Gus Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava, O que a boca não diz, o que a mão não escreve? Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve, Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava... O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava: A Forma, fria e...
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Em uma tarde de outono - Olavo Bilac
Em uma tarde de outono de Olavo Bilac por Mell Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto. Outono... Rodopiando, as folhas amarelas Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto... Por que, belo navio, ao clarão das estrelas, Visitaste este mar...
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Ao Luar - Augusto dos Anjos
Ao Luar de Augusto dos Anjos por Gilles Quando, à noite, o Infinito se levanta À luz do luar, pelos caminhos quedos Minha tátil intensidade é tanta Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos! Quebro a custódia dos sentidos tredos E a minha mão, dona, por fim, de quanta Grandeza o Orbe…
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O Oitavo Pecado - Olavo Bilac
O Oitavo Pecado de Olavo Bilac por Gilles Vivendo para a morte, alegre da tristeza, Temendo o fogo eterno e a danação sulfúrea, Gelaste no cilício, em ascética fúria, A alma ridente, o sangue em esto, a carne acesa. Foste mártir e herói da própria natureza. Intacto de ambição, de desejo ou de...
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Natal de Auta de Sousa
NATAL de Auta de Sousa declamado por Gus É meia noite … O sino alvissareiro, Lá da igrejinha branca pendurado, Como num sonho místico e fagueiro, Vem relembrar o tempo do passado. —- Ó velho sino, ó bronze abençoado, Na alegria e na mágoa companheiro! Tu me recordas o sorrir primeiro De menino...
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A Lagartixa de Álvares de Azevedo
A Lagartixa de Álvares de Azevedo declamado por Gilles A lagartixa ao sol ardente vive E fazendo verão o corpo espicha: O clarão de teus olhos me dá vida, Tu és o sol e eu sou a lagartixa. Amo-te como o vinho e como o sono, Tu és meu copo e amoroso leito... Mas teu néctar de amor jamais se…
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Para quê?! de Florbela Espanca
Para quê?! de Florbela Espanca declamado por Gilles Tudo é vaidade neste mundo vão... Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada! E mal desponta em nós a madrugada, Vem logo a noite encher o coração! Até o amor nos mente, essa canção Que o nosso peito ri à gargalhada, Flor que é nascida e logo…
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Não sei quantas almas tenho de Fernando Pessoa
Não sei quantas almas tenho de Fernando Pessoa declamado por Mell Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é, Atento ao que sou e vejo,...
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Primavera de Olavo Bilac
Primavera de Olavo Bilac declamado por Mell Ah! quem nos dera que isto, como outrora, Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera Que inda juntos pudéssemos agora Ver o desabrochar da primavera! Saíamos com os pássaros e a aurora. E, no chão, sobre os troncos cheios de hera, Sentavas-te sorrindo, de…
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Velhinha - Florbela Espanca
Velhinha de Florbela Espanca declamado por Mell Se os que me viram já cheia de graça Olharem bem de frente para mim, Talvez, cheios de dor, digam assim: “Já ela é velha! Como o tempo passa!...” Não sei rir e cantar por mais que faça! Ó minhas mãos talhadas em marfim, Deixem esse fio de oiro que...
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A Orgia dos duendes - Bernardo Guimarães ESPECIAL HALLOWEEN
A Orgia dos duendes de Bernardo Guimarães declamado por Mell
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A Caçada de Francisca Júlia
A Caçada de Francisca Júlia declamado por Mell Ao mirante gentil de construção bizarra Acabou de subir naquele mesmo instante Em que o seu noivo foi à caça; e, palpitante, Lá fora cuida ouvir os sons de uma fanfarra. E, ao mesmo tempo ouvindo o selvagem descante Que, entre as folhas, sibila a...
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A um violinista de Olavo Bilac
A um violinista de Olavo Bilac Declamado por Gus Quando do teu violino, as asas entreabrindo Mansamente no espaço , iam-se as notas quérulas, Anjos de olhos azuis, às duas mãos partindo Os seus cofres de pérolas, Minhas crenças de amor, esquecidas em calma No fundo da memória, ouvindo-as recebiam...
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Vaidade de Florbela Espanca
Vaidade de Florbela Espanca declamado por Gus Sonho que sou a Poetisa eleita, Aquela que diz tudo e tudo sabe, Que tem a inspiração pura e perfeita, Que reúne num verso a imensidade! Sonho que um verso meu tem claridade Para encher todo o mundo! E que deleita Mesmo aqueles que morrem de…
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Presságio de Fernando Pessoa
Presságio de Fernando Pessoa declamado por Gus O amor, quando se revela, Não se sabe revelar. Sabe bem olhar pra ela, Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há de dizer. Fala: parece que mente… Cala: parece esquecer… Ah, mas se ela adivinhasse, Se pudesse ouvir o…
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Só de Olavo Bilac
Só de Olavo Bilac declamado por Mell Este, que um deus cruel arremessou à vida, Marcando-o com o sinal da sua maldição, Este desabrochou como a erva má, nascida Apenas para aos pés ser calcada no chão. De motejo em motejo arrasta a alma ferida... Sem constância no amor, dentro do coração Sente,...
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O guardador de rebanhos - Fernando pessoa
O guardador de rebanhos de Fernando pessoa declamado por Gus Eu nunca guardei rebanhos, Mas é como se os guardasse. Minha alma é como um pastor, Conhece o vento e o sol E anda pela mão das Estações A seguir e a olhar. Toda a paz da Natureza sem gente Vem sentar-se a meu lado. Mas eu fico triste...
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Egito de Francisca Júlia
Egito de Francisca Júlia declamado por Mell No ar pesado, nenhum rumor, o menor grito; Nem no chão calvo e seco o mais pequeno adorno; Um velho ibe somente arranca um raro piorno Que cresce pelos vãos das lájeas de granito. A aura branda, que vem do deserto infinito, Arrepia, ao de leve, a água…
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Amor que morre de Florbela Espanca
Amor que morre de Florbela Espanca Declamado por Mell O nosso amor morreu... Quem o diria! Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta. Ceguinha de te ver, sem ver a conta Do tempo que passava, que fugia! Bem estava a sentir que ele morria... E outro clarão, ao longe, já desponta! Um engano que…
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