PODCAST · society
O Princípio da Inquietação
by Catarina Barosa e David Erlich
Um podcast onde pensar é um verbo que se exercita a sós e em conversa. Filósofos nacionais e internacionais refletem em voz alta sobre o medo, enquanto Catarina G. Barosa, fundadora do Festival Internacional de Filosofia, Espanto, e David Erlich, professor e escritor, recebem convidados de várias áreas para diálogos sem rede. Aqui, as certezas são questionadas e a dúvida ganha estatuto de virtude. O objetivo é praticar a nobre arte de pensar, mesmo que isso conduza não a respostas, mas a novas perguntas. Todas as quintas-feiras um novo episódio, uma inquietação.A edição áudio e vídeo deste podcast é assegurada pela Tale House, com identidade sonora a partir da interpretação do músico e produtor Pedro Luís, da obra Inquietação, da autoria de José Mário Branco, inspirada na versão interpretada pelo grupo A Naifa. A capa é de Tiago Pereira Santos, com fotografia de Matilde Fieschi e logo do Expresso e do Festival Espanto. A coordenação está a cargo de Joana Beleza e a direção é de João
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Ideologia e terror. Será a solidão a condição subjacente a todos os movimentos totalitários?
Neste episódio vamos ser desafiados a refletir sobre a solidão na nossa era de isolamento, enquanto assistimos à ascensão da nova extrema-direita em várias partes do mundo. Samantha Rose Hill, filósofa americana especializada no pensamento de Hannah Arendt, afirma: “Nunca pensei, ao longo da minha vida, tendo estudado isto profissionalmente, que testemunharia o alinhamento entre o que hoje se chama antissemitismos e a nova extrema-direita.” Fala-nos da solidão como condição subjacente a todos os movimentos totalitários e diz-nos que “agora vivemos num mundo onde as pessoas estão isoladas e com medo umas das outras o tempo todo”. Embora vivamos uma forma estranha de solidão, Samantha, inspirada no pensamento de Arendt, insiste que é importante não se deixar levar pela maré. A ideologia é a maré que nos afasta da experiência de estar no mundo como um ser humano único que vive com os outros. Nesta palestra, há um apelo à ação e à coragem. A coragem, como disse Arendt no seu livro “Condição Humana”, é a virtude política por excelência, porque quando se entra na esfera pública e se fala, pode-se ser acusado de estar errado. Pode ser-se morto, pode sentir-se terror. É preciso coragem para falar. É preciso coragem para falar em tempos sombrios. É preciso coragem para agir. Samantha conclui que ninguém sabe o que vai acontecer e apela: “Das pessoas que dizem que sabem o que vai acontecer, fuja, bandeira vermelha, fuja. Pessoas que dizem: 'Eu tenho uma solução para isso'. Fuja.”See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Especial Dia Mundial da Criança com Rodrigo Costa, 10 anos: a prova de que as crianças gostam de Filosofia e de que a praticam
Neste episódio, gravado na semana do Dia da Criança, conversamos com Rodrigo Costa, ator de 10 anos e uma das promessas da ficção nacional, que se estreou em televisão aos 4. Mais do que falar de respostas, exploramos as suas perguntas sobre o infinito, o universo e a importância de continuar sempre a questionar, mesmo quando a tecnologia parece ter soluções. Para Rodrigo, perguntar é essencial: as respostas não são definitivas e dão sempre origem a novas dúvidas. Ao longo da conversa, revela um pensamento surpreendentemente filosófico para a idade, que se estende até temas como o papel do Estado e o uso do dinheiro público. No final, a habitual caixa transforma‑se numa “caixa de interrogações”, onde objetos do quotidiano despertam novas perguntas, entre elas, sobre como funciona um telemóvel e de que forma a voz viaja de um lado para o outro.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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António de Castro Caeiro: A possibilidade de Resistência
O filósofo António de Castro Caeiro propõe-nos pensar o assombro como uma sensação de estranheza e inospitalidade perante a perda de objetos ou de pessoas, atitudes inesperadas, mudanças súbitas no familiar ou situações como a doença na infância e as despedidas. É o insólito que irrompe no quotidiano, tornando o conhecido desconhecido e provocando a perceção de que tudo mudou. Desde cedo, experiências radicais (como a morte, a separação ou a ausência) revelam a vulnerabilidade do tempo e do ser: “A morte apresenta-se como um agente patológico”, e o assombro nasce desse confronto com o outro, com o inesperado e com a transformação. Leva à consciência da passagem do tempo, da sua escassez e da esperança que pode emergir após longos períodos de letargia. No fundo de todas as coisas, o assombro é o surgimento do ser, a revelação da vida no próprio ato de resistir ao desaparecimento. A inquietação perante o desconhecido e o desconforto quando este se manifesta retiram o véu da nossa vulnerabilidade e finitude. “E, no assombro, pode parecer que estamos sempre expostos a coisas diferentes, quando podemos estar sempre expostos à mesma coisa.” Nesta jornada filosófica, António de Castro Caeiro leva-nos não apenas pela epistemologia e pela etimologia do assombro, mas também pela realidade intangível com que todos nos deparamos na vida quotidiana, muitas vezes sem disso nos apercebermos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Entre um lápis e uma flor: a escolha de Joana Bértholo diz muito sobre nós
Neste episódio, a conversa flui com Joana Bértholo, escritora que, em paralelo com a criação literária, escreve regularmente para dança e para teatro.Falamos de utopias e distopias e do papel da imaginação. Joana revela ser uma pessoa de muitas inquietações, vinda de um longo período a pensar em fantasmas, ausências e perdas, como a própria refere: “no meio deste processo criativo, dei por mim a falar com oráculos, a pensar nos oráculos, o que é muito interessante porque é um diálogo transcultural, ou seja, desde sempre e em diversas culturas havia sistemas de adivinhação”.A conversa segue para as utopias e distopias como modalidades de pensamento que nos permitem criar uma espécie de laboratório para pensar o futuro. Poderá a Joana vir a escrever uma utopia? Ou será que se sente desconfortável com esta modalidade literária? Será uma paródia?A contemporaneidade, onde todos têm opiniões e normalmente opiniões imediatas, é sinal, para a nossa convidada, da doença dos nossos tempos: “Não há tempo para pensar, não há tempo para duvidar, não há tempo para discordar e muitas vezes sente-se que se apanha a boleia de uma espécie de movimento coletivo e isso é perigoso porque gera movimentos coletivos de pensamento”.Joana Bértholo reforça que “estamos a viver uma realidade, um mundo, uma época com fortes traços distópicos, o que é muito perigoso”, “a partir do momento em que aceitarmos que estamos a viver uma distopia estamos a abdicar de muito poder”.A conversa termina com a habitual caixa dos desejos filosóficos e a escritora deixa-nos uma escolha que nos faz pensar na verdadeira importância da relação com o não humano.Joana Bértholo é um exemplo indiscutível de uma escritora onde a imaginação pode, na verdade, não ter limites e o sucesso dos seus livros pode compreender-se ainda melhor depois de a escutar neste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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José Gil: O Medo que vem aí
O medo protege-nos, mas também nos pode aniquilar. Segundo José Gil, “retira ao sujeito a sua capacidade de agir”. Gil é um dos maiores filósofos portugueses da atualidade. Neste episódio do Princípio da Inquietação, faz uma caracterização do medo que hoje se anuncia através dos perigos trazidos pelas alterações climáticas, pelos avanços da extrema-direita, pela inteligência artificial e por outros fatores. Analisa ainda diversos tipos e funções sociais do medo, para descrever o sentimento que parece estar a invadir e a moldar as subjetividades contemporâneas. Relembra o medo da ditadura salazarista, o medo político e alguns dos aspetos da repressão do regime de Salazar.José Gil nasceu em Moçambique, fez o curso de Filosofia em Paris, onde terminou o doutoramento com uma tese (doctorat d’État) sobre O corpo como campo do poder. Em 1982 voltou a Portugal, onde lecionou Filosofia na Universidade Nova de Lisboa. Paralelamente, lecionou no Collège International de Philosophie de Paris, na New School for Dance Development, em Amesterdão, e na Universidade de São Paulo (PUC-SP). Orientou vários seminários em Porto Alegre, Fortaleza (Brasil) e Medellín (Colômbia) sobre Estética e sobre Fernando Pessoa. Publicou artigos e ensaios científicos em revistas e enciclopédias de todo o mundo, além de romances e numerosos ensaios, alguns traduzidos em francês, espanhol, inglês e italiano. Entre as suas obras destacam-se: Fernando Pessoa ou a metafísica das sensações; Salazar — a retórica da invisibilidade; A imagem-nua e as pequenas perceções; Movimento total; Portugal, hoje — o medo de existir; O impercetível devir da imanência — sobre a filosofia de Deleuze; A arte como linguagem; O humor e a lógica dos objetos de Duchamp (em colaboração com Ana Godinho); Caos e ritmo; e Morte e democracia. Foi o primeiro filósofo a ser homenageado pelo Espanto — Festival Internacional de Filosofia.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Porque é que uma esponja pode despertar o desejo filosófico? Rodrigo Guedes de Carvalho explica-nos
No episódio de estreia, o convidado que filosofa com David Erlich e Catarina Barosa é Rodrigo Guedes de Carvalho. Pivot da SIC e também escritor, revela as suas duas grandes inquietações: a origem do mal e a morte, dois temas que mantêm a sua mente em alvoroço. Entre o mal e a morte, muitos outros pensamentos foram sendo tecidos durante a conversa. O neologismo “apipocar” serve para caracterizar crianças e adultos e uma certa nova forma de estar no mundo atual. O convidado deixa claras as suas preocupações em relação ao rumo do jornalismo e dos jornalistas; as ameaças das novas ferramentas de Inteligência Artificial (IA), criadas por acontecimentos totalmente gerados por IA, que podem ter uma resposta reativa no mundo real. Isto pode estar na origem do mal. No final, Rodrigo Guedes de Carvalho é desafiado a fazer escolhas entre vários desejos filosóficos e, por incrível que pareça, uma esponja de lavar a louça torna-se o objeto que mais desperta o seu desejo filosófico. Ele explica a razão de tal escolha.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Um podcast onde pensar é um verbo que se exercita a sós e em conversa. Filósofos nacionais e internacionais refletem em voz alta sobre o medo, enquanto Catarina G. Barosa, fundadora do Festival Internacional de Filosofia, Espanto, e David Erlich, professor e escritor, recebem convidados de várias áreas para diálogos sem rede. Aqui, as certezas são questionadas e a dúvida ganha estatuto de virtude. O objetivo é praticar a nobre arte de pensar, mesmo que isso conduza não a respostas, mas a novas perguntas. Todas as quintas-feiras um novo episódio, uma inquietação.A edição áudio e vídeo deste podcast é assegurada pela Tale House, com identidade sonora a partir da interpretação do músico e produtor Pedro Luís, da obra Inquietação, da autoria de José Mário Branco, inspirada na versão interpretada pelo grupo A Naifa. A capa é de Tiago Pereira Santos, com fotografia de Matilde Fieschi e logo do Expresso e do Festival Espanto. A coordenação está a cargo de Joana Beleza e a direção é de João
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Catarina Barosa e David Erlich
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