PODCAST · society
Pergunta Simples
by Jorge Correia
O Pergunta Simples é um podcast sobre comunicação. Sobre os dilemas da comunicação. Subscreva gratuitamente e ouça no seu telemóvel de forma automática: https://perguntasimples.com/subscrever/ Para todos os que querem aprender a comunicar melhor. Para si que quer aprender algo mais sobre quem pratica bem a arte de comunicar. Ouço pessoas falar do nosso mundo. De sociedade, política, economia, saúde e educação.
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40 anos a dar notícias. O que fica? Rodrigo Guedes de Carvalho
🔔 Receba novos episódios 🎧|📺 https://perguntasimples.com/subscrever/ Quarenta anos a dar notícias. A construir credibilidade através do tom. A escolher, todas as noites, entre serenar e alarmar. Rodrigo Guedes de Carvalho é um dos jornalistas mais reconhecidos de Portugal — e acaba de publicar o seu décimo primeiro livro, um romance onde a pergunta central é a mesma que guiou esta conversa: escrever para quê, e para quem, num mundo que está a perder palavras? Destaques desta conversa: Por que razão nunca quis ser jornalista — e o que aprendeu ao sê-lo durante 40 anos O tom como a decisão editorial mais importante de um pivô — e o que o distingue de um robô A pandemia como laboratório da polarização e origem da desconfiança no jornalismo O que quis dizer com «juntar 500 jornalistas numa sala» — e porque o disse na promoção de um romance Ava Carina, a ministra da Influência: o camaleão ético que reconheceu ao longo da vida A inteligência artificial como preguiça organizada — e o estagiário que pediu à IA para escrever a peça Estamos a perder palavras — o empobrecimento do vocabulário e a alimentação dos extremismos «Rodriguinho, já chegaste então» — o abraço ao António Lobo Antunes na Feira do Livro «Quando um dia eu morrer, o que eu quis dizer está nos livros, muito mais do que no jornalismo» O jornalismo que, com medo da concorrência, instila ansiedade em vez de serenar «A literatura é uma forma inútil, mas maravilhosa, de as pessoas se conhecerem sem nunca se terem visto.» 🔗 Episódio: https://perguntasimples.com/40-anos-a-dar-noticias-o-que-fica-rodrigo-guedes-de-carvalho/ 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website: https://www.perguntasimples.com
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Sexo: falamos, ou ficamos a perder? Mafalda Cruz
🔔 Receba novos episódios 🎧|📺 https://perguntasimples.com/subscrever/ Há uma vergonha que aprendemos cedo e nunca chegamos a questionar: a de falar sobre aquilo que nos dá prazer. Falamos sem hesitar de cansaço, de tristeza, de dores nas costas. Travamos quando o assunto é desejo. Nesta conversa, uma médica que ouve, todos os dias, o que a maior parte de nós não diz a mais ninguém, explica porque é que o problema raramente está no corpo, e está quase sempre na falta de palavras para pedir aquilo que se quer. Destaques desta conversa: Porque é que ainda temos vergonha de falar sobre desejo e sexo A diferença entre não ter vocabulário e não ter coragem Porque o termo "preliminares" está errado, e o que isso revela sobre o que valorizamos O guião sexual que seguimos sem nunca o questionar Como o contexto de vida, stress, dinheiro, carga mental, pesa mais no desejo do que qualquer hormona A masturbação como forma de autoconhecimento, dentro ou fora de uma relação Porque as fantasias sexuais não são traição O exercício das folhas de papel que recomenda aos casais Porque mentimos sobre a nossa vida sexual, mesmo em anonimato O que acontece depois do sexo, e porque isso também conta "Ninguém sonha com uma pescada cozida." 🔗 Episódio: https://perguntasimples.com/sexo-falamos-ou-ficamos-a-perder/ 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website: https://www.perguntasimples.com
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Como interrogar quem esconde a verdade? Carlos Farinha
🔔 Receba novos episódios 🎧|📺 https://perguntasimples.com/subscrever/ A pergunta é sempre um meio, nunca um fim. É assim que começa esta conversa, e é assim que ela termina: com a ideia de que não há crimes perfeitos, apenas esclarecimentos imperfeitos. No meio, 44 anos de interrogatórios, entrevistas a vítimas, cenas de crime e uma certeza: deixamos sempre a nossa marca, mesmo quando tentamos não deixar nada. Destaques desta conversa: — A pergunta como instrumento: o que muda quando deixa de ser um fim em si mesmo — Como se entrevista uma vítima sem a voltar a ferir — A dissonância cognitiva do criminoso: a diferença entre mentir e justificar-se — O que o silêncio comunica e o que o sistema pode fazer com ele — Por que dificilmente haverá boa decisão judicial sem boa investigação — O princípio de Locard aplicado ao mundo digital: deixamos sempre a nossa marca — A história do investigador que sonhou com a solução de um homicídio numa noite de Natal — Por que não há crimes perfeitos, só esclarecimentos imperfeitos "Não há crimes perfeitos. O que às vezes há é formas de esclarecimento imperfeitas." 🔗 Episódio: https://perguntasimples.com/como-interrogar-quem-esconde-a-verdade-carlos-farinha/ 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website: https://www.perguntasimples.com
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O que revela a nossa voz? Inês Castel-Branco
🔔 Receba novos episódios 🎧|📺 https://perguntasimples.com/subscrever/ A voz é o instrumento mais imediato que usamos para comunicar. E talvez o menos controlado. Ela muda antes de decidirmos que vai mudar, revela o que não planeámos revelar, trai a intenção quando a emoção é mais forte. Neste episódio, uma hora de conversa sobre o que a voz diz de nós quando não estamos a tentar dizer nada. Destaques desta conversa: — A audição que mudou tudo: como os nervos se tornaram personagem numa cadeira amarela — Construir a voz de Snu Abecassis sem um segundo de arquivo sonoro — A viagem solitária a Estocolmo e o que os nórdicos revelam ao beber — Sete anos como voz de Portugal, e o que aconteceu quando foi substituída — A liberdade que nasce de uma casa paga pela publicidade — Por que motivo esta foi a entrevista mais difícil de conseguir em seis meses — O envelhecimento das mulheres como posicionamento profissional aos 60 — A pergunta sobre identidade que ficou sem resposta "Não vou ser hipócrita. Tenho uma casa à paladice. E desde então tenho liberdade para dizer que não." 🔗 Episódio: https://perguntasimples.com/o-que-revela-a-nossa-voz-ines-castel-branco/ 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website: https://www.perguntasimples.com
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Estaremos a viver o século dos imbecis? Valter Hugo Mãe
🔔 Receba novos episódios 🎧|📺 https://perguntasimples.com/subscrever/ Fizemos a tecnologia para tratar das tarefas chatas e nos devolver tempo para pensar. E se o que construímos para fazer as coisas por nós tiver começado a fazer-se passar por nós? É a desconfiança que atravessa esta conversa, que parte de um novo romance para chegar à forma como comunicamos, acreditamos e nos deixamos enganar. Uma viagem da escrita à desumanização, com paragens no boato, na fé e na estupidez que aprendeu a ter orgulho de si própria. Destaques desta conversa: A máquina deixou de querer fazer o que fazemos para se fazer passar por quem somos Porque é que a ignorância, hoje, deixou de ter vergonha O Século dos Imbecis e o marquês que a vila escolhe subir ou descer A desinformação como forma de violência e de poder O silêncio dos bons e as instituições que se calam O boato, da aldeia do Minho à impunidade da rede Porque é que perdemos a maravilha quando ganhámos a prova de tudo Um livro está vazio até um leitor o preencher Escrever para crianças, o público mais sincero e mais implacável Contra a máquina, rir, abrandar e agradecer "A tecnologia foi convidada para substituir o que fazemos. A tentação, agora, é deixá-la substituir quem somos." 🔗 Episódio: https://perguntasimples.com/estaremos-a-viver-o-seculo-dos-imbecis-valter-hugo-mae/ 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website: https://www.perguntasimples.com
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Como se escreve para outros dizerem? Henrique Dias
🔔 Receba novos episódios 🎧|📺 https://perguntasimples.com/subscrever/ Há palavras que ficam. Uma frase de uma série, uma linha de diálogo que aparece na nossa conversa semanas depois, como se fosse nossa. Alguém escreveu aquilo. Neste episódio, esse alguém tem nome: Henrique Cardoso Dias, o argumentista por trás do Pôr do Sol e do Sr. Engenheiro. Uma conversa sobre o que trinta anos a construir linguagens para outros usarem ensinam sobre a forma como as pessoas comunicam. Destaques desta conversa: Por que razão a invisibilidade dos guionistas tem uma parte bonita e uma parte injusta O que é que a formação em Direito fez ao escritor: "Em Direito aprendemos a medir as palavras. Na comédia aprendemos a fazê-las tropeçar" Como o Pôr do Sol foi feito: "Tentámos fazer bem para mostrar o absurdo. Ao contrário do que seria fazer mal à partida" Por que razão o clichê é "uma memória coletiva em repeat que perdeu o sentido" O contrário do humor não é a seriedade, é a solenidade, e o que isso diz sobre o poder A liberdade de expressão protege a pessoa, não a opinião A decisão autoral de parar o Pôr do Sol: "Prefiro que nos perguntem porque é que parámos" O que "alegadamente" diz sobre a relação dos portugueses com o poder A criatividade como irresponsabilidade deliberada "Em Direito aprendemos a medir as palavras. Na comédia aprendemos a fazê-las tropeçar." 🔗 Episódio: https://perguntasimples.com/como-se-escreve-para-outros-dizerem-henrique-dias/ 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website: https://www.perguntasimples.com
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Como Salvar o Mundo? Rui Zink
🔔 Receba novos episódios 🎧|📺 https://perguntasimples.com/subscrever/ Há uma diferença entre humor e sarcasmo que a maior parte das pessoas nunca pensou até alguém a formular em voz alta. O humor é uma forma de ver o mundo. O sarcasmo é quando a maldade já superou o humor — e a pessoa ainda acha que está a ser engraçada. É uma das muitas ideias desta conversa que ficam a ecoar muito depois de terminada. Destaques desta conversa: O que significa ser um optimista informado — e porque é que qualquer outra coisa não funciona A diferença entre humor e sarcasmo — e o que isso revela sobre o tempo em que vivemos A casta intelectual que desdém as redes sociais — e o que isso diz sobre quem tem direito a ter opinião A história do avô preso pela PIDE e do bairro que o denunciou — e depois protegeu a família Como a inteligência artificial está a apagar a luz interior — e porque o pobre deve desconfiar de tudo o que é grátis As cadeiras da treta — português, música, desenho — e porque são as únicas que ensinam a viver O que o Clube dos Poetas Mortos com o Diogo Infante tem a dizer sobre o essencial e o acessório Os preconceitos que vivem dentro de nós sem que saibamos — e o momento em que aparecem na montra A metáfora da moeda e o tempo feio em que vivemos O que é uma vida boa — e porque só se sabe quando termina "O sarcasmo é quando a maldade já superou o humor — e a pessoa ainda acha que está a ser engraçada." 🔗 Episódio: https://perguntasimples.com/como-salvar-o-mundo-rui-zink/ 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website: https://www.perguntasimples.com
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Como se pergunta bem? Carlos Daniel
🔔 Receba novos episódios em https://perguntasimples.com/subscrever/ Há uma diferença pequena entre as perguntas que acabam em ponto de interrogação e as que acabam em reticências. Uma obriga a responder. A outra dá espaço para se dizer o que já se queria dizer. Carlos Daniel faz perguntas em direto há mais de trinta anos, em momentos altos da vida do país, e nesta conversa explica como esta distinção mínima define grande parte do estado actual da comunicação pública. Destaques desta conversa: A pergunta como ofício: porque uma boa pergunta acaba em ponto de interrogação, nunca em reticências A lealdade do jornalista: ao público, não ao chefe nem ao patrão A profissionalização da resposta: eles apostam na resposta, nós apostamos na pergunta A agressividade certa: está no conteúdo, não no tom Credibilidade por acumulação: anos a construir, um instante a destruir A escrita oral: porque se escreve para dizer, não para ler O primeiro Jornal da Tarde: o dia a seguir à morte de Ayrton Senna, com vinte e quatro anos O peso do direto: trabalhar sem rede, com as redes a vir até nós Sociologia e jornalismo: a regularidade é mais relevante que o episódio O serviço público hoje: porque importa mais do que importou antes "Uma boa pergunta acaba com um ponto de interrogação, em vez de acabar com reticências." Episódio: https://perguntasimples.com/como-se-pergunta-bem-carlos-daniel YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub_confirmation=1 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples Website: https://www.perguntasimples.com
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Quem matou o herói no futebol? Luís Cristovão
🔔 Receba novos episódios 🎧|📺 https://perguntasimples.com/subscrever/ Quem matou o herói no futebol? Nesta conversa com Luís Cristóvão, mergulhamos no paradoxo do desporto de elite: um mundo onde a exposição total destrói a mística, os craques vivem isolados em "aquários" e a ditadura da tática ameaça sufocar a criatividade juvenil. Uma reflexão sobre a perda da dimensão humana num jogo cada vez mais formatado como espetáculo e negócio. Destaques do episódio A morte do herói no tempo do ecrã: Por que é impossível manter o mito quando vemos cada minuto da vida do atleta? O "atleta de aquário": O isolamento de figuras como Cristiano Ronaldo face à liberdade perdida de Eusébio. A cultura da zanga: Como as redes sociais e o comentário televisivo transformaram o futebol numa guerra tribal. Matraquilhos humanos: O perigo da formatação tática que castra a criatividade desde a infância. Rádio vs. Televisão: A responsabilidade de narrar a emoção e o contexto para quem não está a ver. O erro como espetáculo: Porque preferimos discutir a falha do árbitro em vez da beleza da jogada. Citação de Ouro “Hoje em dia é quase impossível ser herói, porque nós vemos todos os minutos que cada jogador joga na sua carreira e ninguém é herói durante toda a vida.” 🔗 Episódio com Luís Cristóvão: https://perguntasimples.com/quem-matou-o-heroi-no-futebol-luis-cristovao 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website: https://www.perguntasimples.com
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Como transformar vulnerabilidade em magnetismo puro? Cândido Costa
🔔 Receba novos episódios 🎧|📺 https://perguntasimples.com/subscrever/ O que faz alguém continuar a rir mesmo quando já sabe o fim da história? Cândido Costa fala sobre vulnerabilidade, coragem e comunicação, explicando porque contar bem não é exagerar, mas ser fiel à emoção. • A vulnerabilidade como fonte de magnetismo. • O humor que nasce da experiência vivida. • A importância do ritmo e da pausa. • O balneário como espaço emocional e de liderança. • Instinto, risco e entrega na televisão. Citação de Ouro “Eu tento contar a história explicando porque é que me fez rir.” 🔗 Episódio com Cândido Costa: https://perguntasimples.com/como-transformar-vulnerabilidade-em-magnetismo-puro-candido-costa/ 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub%5C_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website: https://www.perguntasimples.com
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Como comunicam os bebés antes das palavras? Pedro Caldeira da Silva
🔔 Receba novos episódios 🎧|📺 https://perguntasimples.com/subscrever/ Como comunicam os bebés antes das palavras? Nesta conversa, Pedro Caldeira da Silva explica porque a comunicação começa muito antes da linguagem verbal. O choro, o olhar, o sorriso, o ritmo, o corpo e a repetição formam uma verdadeira gramática emocional que estrutura o vínculo, a confiança e o desenvolvimento humano desde os primeiros dias de vida. Fala-se de bebés como agentes ativos, da importância da interação individual, do tom de voz, da disponibilidade emocional dos adultos e dos riscos da negligência relacional. Uma conversa essencial para perceber como se constrói a comunicação, a empatia e a autonomia muito antes de sabermos falar. • Os bebés comunicam antes de falar — e falam connosco desde o início. • Choro, sorriso e imitação como ferramentas de ligação. • O vínculo como base do desenvolvimento emocional e cognitivo. • A importância do tom, do ritmo e da repetição. • O perigo da indisponibilidade emocional e da negligência silenciosa. Citação de Ouro “Os bebés não são agentes passivos: são agentes ativos na comunicação.” 🔗 Episódio com Pedro Caldeira da Silva: https://perguntasimples.com/como-comunicam-os-bebes-antes-das-palavras-pedro-caldeira-da-silva/ 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub%5C_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website: https://www.perguntasimples.com
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O que nos ensina a doçura sobre comunicação? Rita Nascimento
🔔 Receba novos episódios 🎧|📺 https://perguntasimples.com/subscrever/ O que é que a doçura nos ensina sobre comunicação? Nesta conversa luminosa, Rita Nascimento — pasteleira, autora e criadora de conteúdos — mostra como os doces são muito mais do que açúcar: são memória, linguagem, afeto e partilha. Fala-se de infância, rituais, confiança, pedagogia, prazer e da forma como a comida comunica emoções que muitas vezes não sabemos verbalizar. Entre receitas que funcionam, histórias que passam de geração em geração e uma relação honesta com o prazer, emerge uma ideia simples e poderosa: a doçura não é excesso, é contexto. E comunicar bem passa por saber quando, como e com quem partilhar. • A pastelaria como linguagem emocional e universal. • Memória, infância e afeto ligados ao sabor. • Doce como exceção, ritual e prazer consciente. • Confiança construída pela clareza e pela verdade. • Ensinar, partilhar e comunicar sem truques. Citação de Ouro “O doce não é para todos os dias. É para os dias que importam.” 🔗 Episódio com Rita Nascimento: https://perguntasimples.com/o-que-a-docura-nos-ensina-sobre-comunicacao-rita-nascimento/ 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub%5C_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website: https://www.perguntasimples.com
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Como fotografar a emoção? José Sena Goulão
🔔 Receba novos episódios 🎧|📺 https://perguntasimples.com/subscrever/ Como se fotografa a emoção num mundo saturado de imagens? Nesta conversa profunda e prática, José Sena Goulão, fotojornalista da agência Lusa, explica porque é que a técnica nunca é suficiente e porque é que a fotografia só faz sentido quando capta aquilo que não se ensina: o olhar, a tensão, o instante irrepetível. Fala-se de futebol, política, guerra, entrevistas sob pressão, imagens icónicas e dilemas éticos. Da luz imperfeita às fotografias de família tecnicamente falhadas mas emocionalmente decisivas, emerge uma ideia central: a emoção não se fabrica, reconhece-se. E o fotojornalismo vive desse reconhecimento. • A diferença entre fotografar beleza e fotografar realidade • Emoção como critério maior da boa fotografia • Técnica ao serviço do instante, não o contrário • O peso ético de fotografar sofrimento • Verdade, enquadramento e responsabilidade editorial • Imagens icónicas e memória coletiva Citação de Ouro “A fotografia perfeita pode não dizer nada. A imperfeita, às vezes, diz tudo.” 🔗 Episódio com José Sena Goulão: https://perguntasimples.com/como-fotografar-a-emocao-jose-sena-goulao/ 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub%5C_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website: https://www.perguntasimples.com
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Quem conta as histórias do bairro? António Brito Guterres [ESSENCIAL]
Quando pensamos em Chelas, Marvila ou na Cova da Moura, o que nos vem à cabeça? Crime? Exclusão? Estigma?A verdade é que, na maior parte das vezes, os bairros periféricos só aparecem nas notícias por más razões. Mas quem lá vive tem uma história muito mais rica para contar — feita de cultura, solidariedade, música, resistência e sonhos. Quem conta as histórias do bairro? António Brito Guterres [ESSENCIAL] Neste episódio do Pergunta Simples, revisitamos uma das conversas mais marcantes do último ano: a entrevista a António Brito Guterres, assistente social, investigador em estudos urbanos e contador de histórias. António tem dedicado a vida a dar voz a quem raramente a tem. “Se as narrativas não saltam o muro, essas pessoas deixam de existir para os outros”, lembra. Ele é uma figura central para compreender a questão de quem conta as histórias do bairro? António Brito Guterres [ESSENCIAL] Ao longo da conversa, atravessamos temas que tocam fundo na vida em comunidade e na forma como nos vemos como sociedade: 📍 Narrativas invisíveis – porque é que a comunicação sobre os bairros continua a ser reduzida a duas categorias: crime e acidente. 🏘️ Urbanismo e desigualdade – como o desenho da cidade pode reforçar exclusão e perpetuar ciclos de pobreza. 🎵 Rap e resistência – de Plutónio a Bispo, como a música se tornou poesia, identidade e ponte cultural. 🚓 Segurança e fricção – a relação tensa entre polícias e comunidades, entre perceção mediática e realidade vivida. 🌱 Esperança e futuro – os sonhos das novas gerações e o que significa oferecer trampolins em vez de gaiolas. Mais do que um retrato sociológico, António Brito Guterres traz uma reflexão poderosa sobre quem tem o direito de contar histórias. E sobre como a comunicação pode ser ferramenta de emancipação — ou de silenciamento. Esta é uma reedição especial da série [ESSENCIAIS], que recupera os episódios mais comentados e partilhados do Pergunta Simples nos últimos 12 meses. Se ainda não ouviu esta conversa, o verão é a altura certa para descobrir. 🎧 Ouça ou veja o episódio completo aqui: 🎦 YouTube 🎧 Spotify 🍎 Apple Podcasts 📺 RTP Play 🌐 Website 💡 E não se esqueça: subscreva o canal, ative o sino, deixe o seu comentário e ajude-nos a continuar a criar conversas que fazem diferença.
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Como fazer rir? Gabriela Barros [ESSENCIAL]
Tenho medo que essa felicidade nunca mais volte. Foi o que Gabriela Barros me disse, sem hesitar. A partir daí, a conversa deixou de ser apenas sobre teatro, televisão ou humor — e tornou-se uma reflexão sobre viver intensamente um momento… e aceitar que ele pode não se repetir. Falámos da Gabriela que guarda mistério na vida pessoal para poder ser qualquer pessoa em cena, que usa o humor como ponte e escudo, que enfrenta críticas sem perder a vontade de arriscar e que quer ensinar à filha a arte de rir de si mesma e do mundo. “Quem me faz rir já me ganhou.” Entre vulnerabilidade e confiança, Gabriela Barros revela-se magnética — dentro e fora de cena.
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O humor pode salvar-nos? Nuno Markl [ESSENCIAL]
O humor ainda nos pode salvar? Nuno Markl reflete sobre ironia, redes sociais, limites da comédia e a urgência de rir com inteligência num mundo literal e polarizado. Uma conversa franca, divertida e cheia de lucidez — agora em reedição especial no Pergunta Simples.
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Como Decidir Bem Sem Saber Tudo? Alexandre Quintanilha
Como se toma uma boa decisão… sem saber tudo? A política pode viver com dúvidas? A ciência deve hesitar? E nós — cidadãos comuns — conseguimos agir em tempos de incerteza?
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Como Falar com Alguém que Pensa o Oposto de Ti
Aprende a conversar sem conflitos com quem pensa diferente. Descobre como comunicar e entender ideias opostas: Como Falar com Alguém que Pensa o Oposto de Ti.
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Inteligência Artificial: Ainda controlamos isto? Bernardo Caldas
A inteligência artificial chegou.Não é preciso ser técnico para perceber que alguma coisa mudou.Hoje, um motor de busca já acerta nos nossos desejos antes de termos tempo de os dizer.Um algoritmo sugere um vídeo, outro mostra um produto, outro escreve um texto inteiro — e tudo parece funcionar com uma espécie de magia silenciosa.Mas será mesmo magia? O nosso convidado sabe que não. E sabe porquê.Bernardo Caldas é uma das pessoas mais lúcidas que conheço sobre o tema.Lidera equipas de dados e IA numa das maiores fintechs europeias, criou o projeto Data Science for Good, e tem pensado a fundo — com inteligência, mas também com alma — sobre os impactos reais da inteligência artificial no mundo onde vivemos. Nesta conversa, começamos com uma pergunta simples, mas provocadora:E se a IA te conhecesse tão bem como o teu melhor amigo?Assustador? Fascinante? Ambos? O Bernardo ajuda-nos a perceber porque é que esta tecnologia — que parece tão intuitiva — é, na verdade, o resultado de padrões.Padrões de linguagem, de comportamento, de atenção.A IA não “sabe”, não “sente”, não “pensa” no sentido humano — mas aprende a imitar tão bem que nós acreditamos. E o problema começa aí. Falamos do que distingue imitação de criatividade.Do que está por trás dos modelos generativos que escrevem, desenham e respondem com uma fluidez que nos desconcerta.E de como estes sistemas — criados para gerar conteúdo “credível” — não têm maneira de saber se estão a dizer a verdade.Podem escrever um disparate com toda a segurança de um professor catedrático. Mais à frente, mergulhamos na questão da responsabilidade.Se a máquina erra — quem responde?Se um algoritmo toma decisões médicas, jurídicas ou políticas — onde está o humano no processo? Discutimos o impacto da IA nas profissões: não só nos trabalhos manuais, mas nos intelectuais.Sim, programadores, consultores, copywriters, jornalistas — ninguém escapa.O Bernardo diz-nos que o trabalho que sobrevive é aquele onde há contexto, empatia e julgamento.Mas até os psicólogos estão em risco — e ele conta um estudo surpreendente que mostra como, em certos casos, as pessoas acham que um chatbot foi mais empático do que um terapeuta humano. Depois passamos para o tema que mais me inquieta:a economia da atenção.Porque é que os nossos feeds estão cheios de raiva, medo e teorias da conspiração?Porque é que a moderação desapareceu do radar? A resposta, segundo o Bernardo, está na forma como os algoritmos são treinados: não para informar, mas para prender.A verdade é irrelevante se a mentira for mais clicável.E isto coloca a democracia em risco real. A certa altura da conversa, ele diz uma coisa que me ficou: “O maior perigo da IA não é o apocalipse das máquinas.É deixarmos de acreditar em tudo.” É esta a verdadeira crise: a erosão da confiança pública.Não sabemos o que é real. Não sabemos em quem acreditar.E se não confiamos em nada — também não conseguimos decidir nada em comum.A democracia desliga-se. Mas nem tudo é distopia.O Bernardo também nos fala do lado esperançoso:De como a IA, se bem pensada, pode ser inclusiva.De como pode ajudar uma avó em Trás-os-Montes a resolver um problema complicado com linguagem natural.De como pode aliviar tarefas mecânicas e devolver-nos o que há de mais humano: a conversa, a atenção, o sentido. No fim, voltamos às emoções.Pode uma IA sentir? Ter consciência? Vontade própria?A resposta dele é clara: não.E, curiosamente, isso até nos pode dar algum descanso. Esta é uma conversa que não pretende fechar nada —mas que abre muitas janelas para pensar o que vem aí.E pensar, neste caso, é mesmo urgente. Se gostares, partilha este episódio com alguém que acha que inteligência artificial é só “coisa de engenheiros”.Ou com alguém que acha que já não há nada a fazer.Porque há.Mas temos de começar por perceber. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 0:12 Ora, vivam bem vindos ao pergunta simples, o vosso podcast sobre comunicação? Hoje vamos falar sobre máquinas que comunicam com pessoas ou pelo menos, que parecem comunicar com pessoas e parecem bastante espertas. Tenho cá pergunta, como é que a inteligência artificial está a mudar a forma como comunicamos? 0:31 Estamos mesmo a ser substituídos por máquinas? E, mais importante, o que é que é ainda nosso, só nosso? No meio disto tudo, neste episódio de perguntas, sempre vamos falar daquilo que parece estar em todo o lado, mas que poucos conseguem explicar bem a inteligência artificial. 0:47 A inteligência artificial chegou. É um facto. Não é preciso ser técnico para perceber que alguma coisa mudou. 1:04 Hoje, um simples motor de busca como o Google já acerta nos nossos desejos, mesmo antes de termos colocado todos os termos que queremos pesquisar. Um algoritmo que sugere um vídeo, outro que mostra um produto, outro escreve um texto inteiro e tudo parece funcionar como uma espécie de magia silenciosa. 1:22 Mas será que é mesmo magia esta coisa de inteligência artificial? O nosso convidado sabe que não e sabe porquê. Além disso, consegue explicar o porquê a quem não percebe nada deste assunto? Bernardo Caldas é uma dessas pessoas, uma das mais lúcidas que conheço a falar sobre o tema. 1:40 Lidera equipas de dados e inteligência artificial numa das maiores fintech europeias. Criou um projeto, data Science for good, e tem pensado no fundo com inteligência, mas também com alma sobre os impactos reais da inteligência artificial no mundo onde vivemos. 1:55 Nesta conversa, começamos com uma pergunta simples. Mas provocadora, e se a inteligência artificial te conhecesse tão bem como o teu melhor amigo? Assustador, fascinante. Ambos. O Bernardo, jura? Dá nos a perceber porque é que esta tecnologia, que parece tão intuitiva, é, na realidade o resultado de padrões de milhões de padrões, padrões de linguagem, de comportamento, de atenção, a inteligência artificial. 2:22 Não sabe, não sente, não pensa. No nosso sentido, no sentido humano. Mas aprende a imitar tão bem que nós acabamos por acreditar. E o problema começa aí. Falamos do que distingue imitação de criatividade, do que está por trás dos modelos generativos que escrevem, desenham e respondem com uma fluidez que nos desconcerta e de como estes sistemas criados para gerar conteúdo credível não tem maneira de saber se estão a dizer a verdade. 2:49 Podem escrever um disparate gigante. Com toda a segurança de um professor catedrático mais à frente, na conversa, mergulhamos na questão de responsabilidade, se a máquina erra, quem responde, se acerta. Já sabemos que a máquina é muito boa, mas e se errar? 3:04 E se errar em processos críticos, se o algoritmo toma decisões médicas, jurídicas ou políticas? Onde está o humano neste processo? Discutimos o impacto da inteligência artificial nas profissões, não só nos trabalhos manuais, mas também nos intelectuais. 3:20 Sim, os programadores, os consultores, os copyrights, os jornalistas, ninguém escapa. O Bernardo diz nos que o trabalho que sobrevive é aquele onde há contexto, empatia e julgamento. Mas provavelmente até os psicólogos estão em risco, o que é uma realidade assustadora. Ele fala de um estudo surpreendente que mostra como em certos casos. 3:39 As pessoas que estão a conversar com uma máquina, sem saber se é uma máquina ou um ser humano, que vão trocando à vez, mas que consideram que o chatbot, a máquina que está do outro lado, foi a final mais empática do que um terapeuta humano. Falamos também de um dos temas que mais me inquieta, a economia da atenção. 3:56 Porque é que os nossos feeds das redes sociais estão cheios de raiva, de medo, de teorias, da conspiração? Porque é que a moderação desapareceu do radar? A resposta, segundo o Bernardo, está na forma como os algoritmos são treinados. Não para informar, mas para prender, para prender a nossa atenção. 4:12 A verdade é irrelevante se a mentira for mais clicável, se ficamos mais tempo nas redes sociais. É isso que coloca a democracia num risco real. A certa altura desta conversa, ele diz uma coisa que me ficou na memória e citou o maior perigo da inteligência artificial não é o apocalipse das máquinas, é deixarmos de acreditar em tudo. 4:32 E esta é a verdadeira. Crise da erosão da confiança pública. Não sabemos o que é real, não sabemos em quem acreditar e se não confiarmos em nada, também não conseguimos decidir nada em comum e a democracia esfuma se mas nem tudo é distopia. O Bernardo fala nos também do lado da Esperança, de como a inteligência artificial, se bem pensada, pode ser inclusiva, de como pode ajudar uma avó em trás os Montes a resolver um problema complicado, com linguagem natural do dia a dia, de como pode. 5:00 Aliviar tarefas mecânicas e devolver nos o que há de mais humano, a conversa, a atenção, o sentido. No fim, voltamos às emoções, pode a inteligência artificial sentir, ter consciência, ter vontade própria? A resposta dele é clara, não, não pode. 5:17 E, curiosamente, e se a termos, pode dar algum Descanso. Esta é uma conversa que não pretende fechar nada, mas que abre muitas janelas para pensar o que vem aí ou que já aí está. E pensar neste caso é mesmo urgente. Se eu gostar, partilho este episódio com alguém que acha que a inteligência artificial é só uma coisa lá dos engenheiros ou com alguém que acha que já não há nada a fazer. 5:37 Porque há, mas temos de começar por compreender. Viva Bernardo. Caldas, aqui à minha frente está alguém que acredita que a Santa inteligência artificial não tem de ser um bicho Papão. 5:54 Pode ser algo que faz coisas boas por todos nós. Lidera as equipas de dados e de inteligência artificial numa das maiores fintech europeias e criaste um projeto que se chama data sens for good. Data sens, inteligência artificial dados para o melhor de de de todos nós. 6:12 Se a inteligência artificial te conhecesse tão bem como o teu melhor amigo,...
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O que torna um professor inesquecível? José Oliveira
Todos nós temos um professor que nos marcou. Descubra nesta reflexão: O que torna um professor inesquecível.
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Como fazer rir? Gabriela Barros
Gabriela Barros fala sobre humor, representação e vulnerabilidade numa conversa intimista e divertida. Do Taskmaster ao Pôr do Sol, exploramos o que é preciso para fazer rir com precisão. Uma atriz com ritmo, verdade e escuta, num episódio essencial do Pergunta Simples sobre a arte de estar em cena.
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Como fazer uma boa apresentação em público?
Descubra os segredos para se destacar ao falar em público. Aprenda como fazer uma boa apresentação em público?
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Como Fazer Boas Perguntas?
Há perguntas que mudam tudo. Mudam o rumo de uma conversa. Mudam uma decisão. Às vezes, mudam mesmo uma vida. A tua. Ou a de alguém que te ouviu perguntar no momento certo. Mas o que é, afinal, uma pergunta poderosa? Não é uma pergunta para parecer esperto. É uma pergunta que cria espaço. Espaço para o outro pensar. Para se ouvir. Para ver com mais nitidez. Vivemos rodeados de respostas apressadas, diagnósticos de bolso e certezas com prazo de validade de 30 segundos. Mas talvez o mais transformador — hoje mais do que nunca — seja isto: Fazer uma pergunta com verdadeira curiosidade. Vamos explorar juntos a temática de Como Fazer Boas Perguntas? e entender sua importância. Hoje falo-te disso. Do poder da pergunta certa. De como se faz. E do que ganhamos quando deixamos de querer saber tudo — e começamos a querer entender melhor. O que é uma pergunta poderosa? Não é técnica. Não é estratégia. É uma forma de estar. É uma pergunta que não invade, não obriga, não empurra. É leve no gesto, mas profunda no efeito. Não tenta mostrar o que tu sabes. Tenta revelar o que o outro ainda não tinha visto. Ou o que talvez já soubesse — mas ainda não tinha dito em voz alta. E quase sempre… são perguntas simples. – O que é que ainda não foi dito? – O que te parece que te está a travar? – O que mudou, desde que começaste a pensar nisto? – O que é que ainda não foi dito? – O que te parece que te está a travar? – O que mudou, desde que começaste a pensar nisto? São perguntas que, quando bem feitas, não assustam. Desarmam. E o mais curioso é que não têm resposta imediata. Porque fazem pensar. Queres experimentar? Pensa numa decisão recente em que hesitaste. Agora, pergunta-te: “Se eu não tivesse medo… o que faria?” Fica aí. Vê o que aparece. Não forces. Só escuta. Este é o efeito de uma boa pergunta. Não resolve. Mas revela. E às vezes, é tudo o que precisamos. As perguntas que puxam por nós… e as que nos encolhem Já estiveste numa reunião onde alguém pergunta: “Porque é que ainda não trataste disto?” O ambiente muda. O corpo encolhe. A resposta encolhe. A conversa fecha. Agora imagina o mesmo momento, mas com outra pergunta: “O que te está a bloquear?” Ou: “O que é que ainda precisas para avançar com isto?” O conteúdo pode ser o mesmo. Mas o tom, o impacto e a disposição do outro… são totalmente diferentes. Há perguntas que abrem. E há perguntas que fecham. E depois, há aquelas perguntas que parecem neutras — mas são só julgamentos com ponto de interrogação no fim: “Não achas que devias ter feito diferente?” “Estás mesmo certo disso?” “Porque é que só falaste agora?” Estas perguntas não querem saber. Querem vencer. E quando sentimos isso, protegemo-nos. A pergunta poderosa, ao contrário, não exige resposta certa. Cria espaço para uma resposta verdadeira. Como se aprende a perguntar melhor? Como tudo o que importa: com prática. Fazer boas perguntas não é talento. É treino. É afinação. É como afinar o ouvido para a música. Ou o paladar para o vinho. Começa por escutar. Por reparar. E por parar de querer ter razão. Exercício simples: Escolhe uma conversa que vai acontecer esta semana — uma reunião, uma conversa difícil, um jantar. Prepara duas perguntas que gostavas de fazer. Só isso. Mas faz isto: – Escreve-as antes. – Lê-as em voz alta. – E pergunta a ti próprio: isto convida ou acusa? Se a pergunta for sincera — leva-a contigo. Se for uma opinião disfarçada de pergunta… deixa-a em casa. Outra prática que resulta bem: quando deres por ti prestes a dizer “eu acho que…” — trava. E tenta isto: “O que te faz pensar assim?” “Queres contar-me como chegaste a essa conclusão?” Ao fazer isso, estás a trocar julgamento por curiosidade. E a curiosidade é a argamassa de qualquer conversa que quer durar. A pausa como parte da pergunta Sabes o que quase ninguém faz? Esperar. Fazemos uma pergunta — e se o outro não responde em dois segundos, avançamos. Fazemos outra. Explicamos melhor. Preenchemos o vazio. Mas uma boa pergunta precisa de chão. Precisa de pausa. Precisa de silêncio. É nesse silêncio que muitas vezes a resposta aparece. O desconforto da pausa é, muitas vezes, o desconforto da verdade a chegar. Então aqui vai mais uma dica — e esta pode mesmo mudar a forma como falas com os outros: Depois de fazeres uma pergunta importante… cala-te. Conta até cinco. Aguenta. Deixa o outro chegar onde ainda não tinha estado. Treina em contextos informais Isto não é só para entrevistas ou coaching. Treina-se à mesa. Numa conversa no carro. Com amigos. Com filhos. Com quem confias — e com quem precisa de sentir que pode confiar em ti. Começa por trocar o “devias” por “já pensaste em…?” Começa por ouvir com intenção, não com pressa. E se quiseres mesmo elevar a fasquia, faz este desafio: Desafio para hoje: Durante um dia inteiro, sempre que te apetecer dar um conselho — faz uma pergunta em vez disso. Só por um dia. Repara no que muda. Talvez descubras que o outro não precisa que lhe digas o que fazer. Precisa só que lhe faças a pergunta certa… e que estejas lá para escutar a resposta. O que fazer — e o que não fazer E já que falamos de treino — deixa-me dar-te, assim de forma direta, aquilo que muitos procuram: o que fazer… e o que não fazer… quando queres fazer boas perguntas. Não é fórmula. Mas ajuda. ✅ 10 coisas a FAZER para perguntar bem: 1. Sê genuinamente curioso. 2. Mantém a pergunta curta. 3. Usa perguntas abertas. 4. Faz silêncio depois da pergunta. 5. Mostra que estás presente. 6. Valida o que ouves. 7. Reformula se necessário. 8. Ajusta ao estado emocional do momento. 9. Aponta boas perguntas que ouves. 10. Treina com pessoas em quem confias. ❌ 10 coisas a EVITAR: 1. Opiniões disfarçadas de pergunta. 2. Perguntas em catadupa. 3. “Porquês” em momentos delicados. 4. Perguntar só para parecer inteligente. 5. Perguntas de controlo. 6. Interromper a resposta. 7. Perguntas com a resposta já lá dentro. 8. Usar a pergunta para evitar dizer o que sentes. 9. Preencher silêncios à pressa. 10. Usar perguntas para manipular. Conclusão Fazer boas perguntas não é complicado. Mas exige presença, atenção, e um compromisso contigo próprio: o compromisso de querer mesmo ouvir. E se seguires isto — não como receita, mas como ponto de partida — talvez descubras que perguntar bem não é só comunicar melhor. É viver melhor com os outros.. Se este episódio te fez parar para pensar, partilha-o com alguém que vive cercado de certezas… mas talvez precise, como tu, de uma pergunta que lhe abra o chão debaixo dos pés. E deixo-te três, como sempre: 1. Qual foi a pergunta mais importante que te fizeram este ano? 2. A quem precisas de fazer uma pergunta — e ainda não tiveste coragem? 3. Que pergunta andas a evitar fazer… a ti próprio?
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O que se faz na primeira hora de uma crise? Mariana Victorino
Na segunda-feira em que Portugal ficou sem eletricidade durante várias horas, muitos portugueses fizeram a mesma pergunta: “O que se faz na primeira hora de uma crise? Mariana Victorino” e “O que se passa?” E ficaram sem resposta. Sem redes sociais, sem tv, sem telemóvel. Sobrou a rádio. Sempre no ar. A velhinha rádio provou que está pronta para responder à emergência. E isso é uma boa notícia. É fundamental entender a resposta para a pergunta: O que se faz na primeira hora de uma crise? Mariana Victorino. Compreendendo a Crise: O que se faz na primeira hora de uma crise? Mariana Victorino A crise desta segunda-feira tem uma vertente técnica, sobre o que aconteceu, como se recuperou e como se previne o futuro. E outra, mais importante para o programa, de comunicação. Como se comunica durante um evento inesperado e com potencial para provocar disrupção. O apagão iluminou vulnerabilidades, como sempre acontece nas crises., mas também nos oferece um ponto de partida: como se deve comunicar quando acontece o inesperado? Que papel têm os líderes, as empresas e os media? E o que significa, afinal, estar preparado para uma crise? Convidei a especialista em comunicação de crise Mariana Victorino, professora na Universidade Católica, que lembra: “A crise não começa quando algo corre mal. Começa quando ninguém sabe o que dizer.” Uma crise não é somente um problema técnico. É um momento de exceção, onde há risco para a segurança, para a reputação ou para a confiança numa organização ou país. Pode ser um apagão, um acidente, uma falha grave de serviço ou até uma polémica pública. E numa crise, o tempo conta. Há uma ideia chave em comunicação de crise: a golden hour - a hora de ouro — a primeira hora. É nesse intervalo que se decide muito do que virá depois: a confiança, a perceção pública, o tom da resposta. Para Mariana Victorino, há três ingredientes essenciais para qualquer resposta inicial: 1. Reconhecer o problema — mesmo sem admitir culpa;2. Expressar empatia — sobretudo se houver pessoas afetadas;3. Explicar o que está a ser feito — mesmo que seja apenas “estamos a recolher informação”. Quem deve comunicar? Depende. Mas alguém deve. A comunicação de crise exige que haja uma estrutura definida, com papéis claros: quem decide, quem coordena, quem comunica. Idealmente, o líder toma decisões e pode ser a cara pública em momentos-chave. Mas a figura do porta-voz — preparado, humano, credível — é central. Esse porta-voz deve conhecer os media, os públicos, os canais. E deve conseguir manter a calma, reconhecer a realidade e inspirar confiança. Fundamental é a preparação previa. Preparar antes, agir durante, aprender depois. A comunicação de crise começa muito antes da crise. Implica treino, simulações, planos escritos e revistos, mensagens preparadas para diferentes cenários — e sobretudo uma cultura de responsabilidade e transparência. Também é importante saber onde e como comunicar. Durante o apagão, por exemplo, muitos canais digitais falharam — mas a rádio manteve-se no ar. Era aqui que se se poderia ter investido mais. E depois da crise? Avaliar. Aprender. Ajustar procedimentos. E comunicar também a recuperação. A boa notícia: é possível fazer melhor A conversa com Mariana Victorino é clara: não é preciso adivinhar o futuro. Mas é preciso treinar o presente: preparar equipas, alinhar mensagens, construir confiança com o público — antes que a crise nos obrigue a improvisar. E é possível fazê-lo bem. E aproveitar a luz para prevenir a sombra. Talvez este apagão, que durou entre o pico da do meio-dia até ao fim da hora do busco fusco , tenha vindo para nos avisar que temos de estar preparados e de comunicar melhor. Principalmente quando algo corre mal. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:00 - 00:00:02:14 Viva Mariana Vitorino! 00:00:02:14 - 00:00:40:13 Possa tentar que, como uma especialista em crises, acho que sim. Essa Santa Bárbara bom formalmente doutorada em Ciências da Comunicação Pública Católica Portuguesa e professora na Faculdade de Ciências Humanas, especialista em Comunicação Estratégica e em Comunicação de Crise. Ligam me muitas vezes quando quando estão em dificuldades. Às vezes é verdade. Existe sempre essa tendência, porque é uma situação bastante comum, mais comum do que aquilo que pensamos que tem a ver com aquele ditado português casa roubada, trancas à porta. 00:00:40:13 - 00:01:06:20 Ou seja, as pessoas normalmente só se lembram de que, nesse caso específico, não ligam a ter algum tipo de conselho de tentar obter as respostas quando já se está muito em cima do acontecimento. E isso acontece também nas empresas, nas organizações. E por isso, respondendo à tua pergunta, sim, às vezes acontece ligarem me a última da hora a dizer vou agora ter que dar uma entrevista para a televisão ou para a rádio salva me, salva me. 00:01:07:00 - 00:01:26:17 Exatamente o que? O que nos faz tão pouco previdentes? Porque todos sabemos que volta e meia há alguma coisa que pode correr mal e que acaba por correr mal. Esta é a história da nossa vida e nós tentamos sempre resolver coisas. O que é que nos faz ser tão ligeiros quando quando olhamos para esta possibilidade de que algo nos possa correr mal? 00:01:26:19 - 00:01:58:23 Fomos otimistas, Achamos que somos bons demais. Normalmente, as empresas e as organizações que são grandes, poderosas, que funcionam, que colocam os seus produtos, que estão habituados a fazer coisas e subitamente ao queixo, isto, aquilo, aquela sequência de erros ou azares. E acontece uma crise. Eu acho que eu poderia dizer isso, que é porque somos otimistas, mas na verdade eu acho que tem a ver com uma coisa muito simples que custe, ou seja, é preciso investir, é caro, prevenir é caro. 00:01:59:00 - 00:02:31:11 Não é que seja muito caro, mas às vezes as empresas e as instituições não pensam no quão mais caro é remediar em vez de prevenir e o mesmo se passa em situações de maior magnitude, como a que vivemos esta segunda feira de Abril, em que em que ficamos sem energia? É muito, muito comum quase que esperarmos que que as coisas não aconteçam. 00:02:31:13 - 00:03:21:21 É só nos preocuparmos a posteriori. E poderia ser muito mais vantajoso prevenir e prepararmo nos. Esta semana todos aprendemos com o caso do apagão que as crises de facto podem acontecer a qualquer minuto. Quando nós estávamos a fazer a pergunta que eu tenho para ti e onde estavas tu na altura em que a luz foi muito bem? Estava no meu trabalho, na minha empresa, na empresa onde eu trabalho, que é uma empresa que presta serviços a faz no fundo a parte do atendimento ao cliente em todo o tipo de plataformas, seja telefone, seja redes sociais, seja email, enfim, todas e todos os canais onde existe uma interação com o cliente, fazemos e fazemos. 00:03:21:21 - 00:03:42:17 Isso não foi um dever. E realmente eu estava lá e pronto. E é também uma área onde é muito importante que haja uma continuidade dos serviços. E olhando à volta, como é que foi a reação das pessoas? A primeira reação foi aquela comunicação. É sempre achar que se vai resolver rapidamente mais cinco minutos, mais cinco minutos e a coisa está resolvida depois. 00:03:42:19 - 00:04:08:06 O que é interessante é que muito rapidamente e isso hoje em dia acontece devido a haviam sociedade com que as informações se espalham nas redes sociais rapidamente. Começaram de imediato a gerar imensos boatos que depois se vieram a provar falso informações erradas. Às tantas já isto estava a acontecer em toda a Europa. Às tantas já se especulava sobre o que é que estaria por trás disso. 00:04:08:06 - 00:04:36:22 Planos muito mais do que maquiavélicos. O que nos faz gostar tanto de um bom boato, não foi? Eu acho que eu acho que é uma coisa que tem muito a ver também com a questão da gestão da comunicação em situações de crise, que as pessoas, quando se veem numa situação de certa forma de fragilidade, querem descobrir explicações e, portanto, agarram se a essas, entre aspas, tábuas de salvação que são as explicações. 00:04:36:24 - 00:04:59:24 E ainda por cima, hoje em dia é muito fácil aparecerem especialistas ou designados especialistas a dar todo o tipo de explicações e sustentadas muitas vezes e por isso é muito fácil as coisas espalharem se. E nunca podemos, é claro, deixar de pensar que uma boa história, mesmo que ela seja mentirosa, é sempre uma grande história. Como é que? 00:05:00:00 - 00:05:31:02 Como é que tu vives o dia depois? Como é que, Como é que uma especialista dedica esta autopsiado à crise? Dedicaste a estar tranquilamente. Foste depois para casa e procuraste um rádio. O que é que o que aconteceu? É muito engraçado ver. Eu acho que se calhar um bocadinho por defeito profissional, porque realmente lido com situações de crise desde os meus 23 anos, portanto há muitos anos e portanto, eu tenho sempre tendência, especialmente em situações de crise, em manter a calma, que é uma coisa que é muito recomendável e isso é muito importante. 00:05:31:02 - 00:06:00:04 E por acaso achei interessante observar isso na minha família. Como é que cada um reagiu dependendo da personalidade de cada um? O que seria da tua família? Como é que vinha o eu, por exemplo, Fiquei calmamente no meu trabalho, que era onde eu estava e onde eu, onde eu era suposto estar e portanto, fiquei lá com os meus colegas definirmos como é que íamos lidar com a situação, a ver os planos de continuidade das operações e tudo isso. 00:06:00:06 - 00:06:28:21 E basicamente tive colegas que foram comprar carne ao talho, fizemos um churrasco na empresa, portanto acabou por ser. Ou seja, atuamos de forma mais ou menos normal, sendo que normalmente não fazemos churrasco todos os dias, mas na escola naquele dia não havia uma forma portuguesa. Olha,...
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Como se comunica a igualdade de género? Sara Falcão Casaca
Num mundo onde a palavra “igualdade” já faz parte do discurso oficial, o que falta para que ela se torne realidade? Como comunicamos o que ainda não foi alcançado? E, mais importante: como comunicar de forma eficaz num contexto de resistência, desconfiança ou mesmo hostilidade? Neste episódio, na semana que assinala em semana do Dia Internacional da Mulher, refletimos sobre o papel da comunicação pública na promoção (ou bloqueio) da igualdade de género. Neste contexto, a questão que se coloca é: Como se comunica a igualdade de género? Sara Falcão Casaca e o seu papel nesse processo. O papel da comunicação na igualdade de género: Como se comunica a igualdade de género? Sara Falcão Casaca A convidada deste episódio é Sara Falcão Casaca, professora catedrática no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), socióloga, investigadora, especialista em desigualdade de género, mercado de trabalho e políticas públicas. Atualmente, lidera o Observatório Género, Trabalho e Poder, e coordena a recém criada comissão de prevenção do assédio no ensino superior, um espaço onde a comunicação — ou a falta dela — pode fazer toda a diferença. Este é um episódio sobre comunicação. Comunicação que pode ser uma ferramenta de transformação ou, se mal usada, um mecanismo de bloqueio. Falamos sobre como os media continuam a construir imagens públicas das mulheres em lugares de liderança. Falamos sobre os estereótipos que ainda marcam as narrativas políticas, empresariais e mediáticas. Falamos sobre o desafio de comunicar dados difíceis de compreender, como o fosso salarial entre homens e mulheres, sem que se tornem somente mais um número a circular sem impacto real. Mas também refletimos sobre o papel das redes sociais, que democratizam a comunicação, mas que são palco de ataques dirigidos a mulheres que ousam ocupar o espaço público. Como se constrói uma narrativa de igualdade num ambiente polarizado? E como se lida com o discurso de ódio sem abdicar do espaço público? Este episódio passa ainda pela comunicação invisível nas organizações: como se falam — ou não se falam — os problemas de assédio, as desigualdades salariais, a falta de mulheres em posições de topo. E pela linguagem silenciosa das escolhas institucionais, desde a escolha das lideranças até à ausência de mulheres em debates, painéis ou cargos de poder. Falamos também de um desafio central na comunicação pública da igualdade: como envolver os homens neste debate? Como evitar que a igualdade de género seja comunicada como um “tema de mulheres para mulheres”? Num país onde se registam avanços importantes — desde a maior participação de mulheres na política até à adoção de códigos de conduta para a igualdade — ainda falta uma narrativa pública consistente, que traduza em palavras, exemplos e políticas o que se diz defender. Por isso, este episódio não é apenas sobre o que falta fazer em termos de igualdade de género, mas sobre o como comunicar tudo o que falta fazer, sem desistir de tentar, mesmo quando a comunicação se torna difícil. Porque a comunicação pública, quando bem-feita, não é só uma descrição do mundo como ele está. É uma ferramenta para o mudar. A conquista de qualquer direito social implicou sempre alguma forma de luta. A cultura, a tradição, o fizemos sempre assim, será sempre um obstáculo. Mesmo nas coisas mais óbvias, mudar demora sempre tempo. Muito tempo. Qualquer mudança substantiva é lenta e gradual. A comunicação pode ajudar a criar entendimentos e coligações. Mas não resolve tudo. Ajuda, mas não resolve. A resistência à mudança é um valor cultural intrincado. E quando tema gravita à volta da questão do poder e da sua divisão equitativa, quem o tem não gosta de o perder. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:00 - 00:00:17:24 Viva Sara Falcão Casaca, professora catedrática do ISEG e uma especialista em sociologia económica e das organizações, dedica muito do seu tempo e da sua investigação a investigar esta coisa da desigualdade de género no mercado de trabalho e as questões das políticas de igualdade. 00:00:18:01 - 00:00:44:12 E porque se me perguntar e tu, onde é que estão as mulheres? Estamos a falar dos mesmos para o público e o mesmo falam as mulheres falam muito pouco no espaço, têm muito pouca visibilidade ainda no espaço público. E porque há uma coisa que nós podemos contar às pessoas, Quando nós estivemos a combinar esta conversa e eu confidenciei que é sempre muito mais difícil convencer uma mulher, neste caso a Zara, me convencer facilmente. 00:00:44:13 - 00:01:06:23 É verdade. Mas vamos, vamos lá, vamos gravar uma coisa, vamos gravar um programa, porque parece que aqui há uma limitação a um não, não apetece aparecer, Não quero ir. O que que o que faz com que, entre outras coisas, podemos fazer Um desfilar de argumentos, sim, faz com que as mulheres não apareçam no espaço público ou pareçam menos simples. 00:01:07:00 - 00:01:30:15 Quer dizer, eu acho que há vários, a vários fatores. Não é porque na verdade os homens continuam. E, aliás, não sou eu que digo, é a Entidade Reguladora da Comunicação, quando faz os seus relatórios, que os homens, quando aparecem no espaço mediático e designadamente na comunicação, na comunicação social, tendem a ser ainda os protagonistas, não é ou fonte ou fonte de informação. 00:01:30:15 - 00:01:58:15 Os protagonistas, os especialistas. Não é que quem se convida para comentar matérias da vida económica, política, de segurança, etc. E esse efeito de visibilidade vai se reforçando. Alguém que parece sistematicamente, por exemplo, num jornal, ao que parece, na televisão, todos os outros meios de comunicação, quando pensam em alguém para falar daquele tema, convidam, convidam. Essa pessoa dá visibilidade a uma força, visualidade, uma espécie de. 00:01:58:15 - 00:02:36:20 Normalmente, como é habitual, ser aqui na televisão, aparecer na telefonia. Então vamos convidar aquela pessoa e, por força dos enviesamentos de género do estereótipo de género, pensa se mais facilmente no homem, que também são aqueles que têm estado mais disponíveis para o espaço mediático, para o espaço público. Pensa se mais facilmente no homem e se o homem não pode e se pedem para sugerir a alguém mais facilmente, também sugere um outro homem que provavelmente também conhece um outro homem com outro homem, já que no fundo não fugimos às pessoas que estão no nosso mundo, que estão mais perto, já que não têm o enviesamento de proximidade e aquilo que efetivamente acontece. 00:02:36:22 - 00:03:02:09 E depois, quando vão, as mulheres, muitas vezes também são convidadas a duas coisas que podem acontecer, creio eu. Por um lado, alguma preguiça da parte de quem convida, porque se leva, Se a pessoa não está disponível, se calhar desiste logo, não é? E pensando num homem que que? Mas há uma questão que é o cronómetro, Lá está, eu fui agora às 15h00 já ter tudo e tudo e tudo para logo e tudo para amanhã. 00:03:02:09 - 00:03:23:16 Se calhar uma outra organização diminuía. Atenuaria esta, esta pressão não é insistir mais até encontrar. Se fosse mesmo uma intenção ter mesmo mulheres no mundo, num debate, num programa de televisão, que é um debate público sobre determinado tema, não existiria a primeira? Não. E, portanto, acho que essa insistência seria uma boa, seria uma boa e uma boa prática. 00:03:23:18 - 00:03:50:23 Depois as mulheres é assim. Esse é o lado, digamos assim, do ponto de vista organizacional, estrutural, a mecânica das coisas. Portanto, nós estamos todos cheios de pressa. Conhecemos algumas pessoas, não conhecemos outras. É algo inviável. É uma vida. Pensa se no homem, mas no homem ou na associação do homem saber poder. Não é essa a protagonista numa determinada área? 00:03:51:00 - 00:04:27:17 O especialista numa determinada área é mais facilmente nós fazemos essas associações simbólicas, Então, mas por que isso acontece quando? Quando se pensar em mulheres portuguesas qualificadas nos vários campos do saber? É que há muitas e que há muitas em muitos campos e é nalguns campos perceber, até com muito mais mulheres do que homens. O que faz que haja essa parte do pressuposto que a ideia de enviesamento é uma ideia negativa, que é uma inclinação não positiva, o que fará com que quando eu vou fazer uma escolha, quando eu vou ligar a alguém? 00:04:27:19 - 00:04:51:04 Escolha a escolha ou escolha B. É uma pergunta para mim próprio. Mas, mas, mas o que é que está no nosso racional para para o que estamos a pensar aqui entrevistados? Mas eu posso pensar em escolher um Presidente, República ou um Primeiro-Ministro. Estamos em pré campanha para as presidenciais que aí vão. Portanto, os candidatos começam a aparecer e então não há nenhuma mulher que queira concorrer à Presidência da República? 00:04:51:08 - 00:05:23:00 Aparentemente não. Até agora. Exato. Exacto. Isso leva me. Isso leva a uma outra questão porque é que as mulheres que há pouco que eu ia referi tem exatamente a ver com isso? Porque é que as mulheres se retraem também? Uma maior exposição na vida mediática e na vida e na vida pública? E as mulheres sabem uma coisa? Sabem que essa exposição é uma exposição sujeita a um escrutínio muitas vezes impiedoso e que muitas têm mesmo mais que fazer do que pensar porque é que ia ser enxovalhado? 00:05:23:02 - 00:05:49:16 Mas o escrutínio, porque o escrutínio? Porque na verdade, socialmente, nós somos muito mais tolerantes e mulheres e homens porque nós bebemos dos mesmos estereótipos sexistas. Na verdade, há uma maior tolerância social perante uma situação, um debate, por exemplo, em que um homem que está ali como especialista e que diga generalidades é um especialista. Mas a tolerância social será muito maior. 00:05:49:20 - 00:06:14:19 Não é porque ele é socialmente de acordo com as nossas perceções. Incumbi ente do saber e,...
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Como pensar bem? José Maria Pimentel
O conselho que sempre ouvimos foi: antes de falar, pense. Normalmente acompanhado de alguma história mais ou menos lendária de alguém que falou de mais, que disse o inconveniente ou que foi demasiado vocal para os ouvidos sensíveis da plateia. Esta edição é para todos os que tem capacidade de comunicar e vontade de pensar. De pensar bem. Neste caso da arte do pensamento crítico. Com José Maria Pimentel. Pensar bem é difícil. Mas alguém tem de o fazer. Até diria mais: todos temos de o fazer. O mundo está cada vez mais confuso. Somos bombardeados por informação constantemente, por todos os lados. Mas entre tanta notícia, opinião e ruído, há uma pergunta que vale a pena fazer: estamos a pensar bem? Estamos a tomar boas decisões? Estamos a ver o mundo como ele realmente é – ou apenas como queremos que ele seja? O nosso convidado de hoje dedica-se a responder precisamente a estas questões. José Maria Pimentel é economista, professor e autor do podcast 45 Graus, um espaço de reflexão onde tenta fazer o que as redes sociais e os debates televisivos raramente fazem: parar para pensar. Nesta conversa, falamos de pensamento crítico – essa coisa difícil, mas essencial, que nos obriga a questionar aquilo que sabemos e a forma como chegamos às nossas conclusões. Falamos de como a escola, sem querer, pode estar a treinar-nos para aceitar respostas fechadas, em vez de nos ensinar a pensar por nós próprios. Falamos das redes sociais e do efeito bolha, que nos leva a ouvir apenas quem confirma aquilo em que já acreditamos. E falamos, claro, de decisões. Porque pensar bem não é um exercício teórico. Na vida real, tomamos decisões todos os dias – algumas pequenas, outras enormes. Mas será que sabemos mesmo decidir? Será que conseguimos resistir à pressão, à pressa, ao ruído, ao ego? Será que conseguimos, de facto, ver a realidade como ela é – e não apenas como gostaríamos que fosse? José Maria Pimentel explica porque é que nem sempre o argumento mais sonante é o mais forte. Porque é que nem sempre o especialista tem razão – mas também porque é que confiar cegamente no primeiro influencer que nos aparece no feed pode ser um erro monumental. Falamos também da inteligência artificial. Vamos confiar nela para pensar por nós? Ou será que, ao automatizar tarefas, a IA nos está a deixar apenas com os problemas realmente difíceis, aqueles que nenhuma máquina pode resolver por nós? E, claro, falamos de podcasts. Do 45 Graus, um projeto que nasceu da necessidade de ter conversas mais pausadas, mais fundamentadas, menos apressadas. Um espaço onde a pressa dá lugar à profundidade e onde as perguntas são mais importantes do que as respostas fáceis. Se gosta de pensar – e de pensar bem – esta conversa é para si. No Pergunta Simples, exploramos os desafios da comunicação e do pensamento. Neste episódio, José Maria Pimentel ajuda-nos a perceber porque é tão fácil cairmos em armadilhas mentais e porque é tão difícil pensar de forma verdadeiramente crítica. Entre a lógica, a emoção e a desinformação, há um campo de batalha onde cada um de nós precisa de aprender a mover-se melhor. Falámos de argumentação, de vieses cognitivos, do impacto das redes sociais e da dificuldade em distinguir factos de narrativas. E falámos de decisões – essas escolhas que fazemos todos os dias, quase sempre sem tempo para refletir. Pensar bem é como comunicar bem: dá trabalho, mas será que podemos dar-nos ao luxo de não o fazer? LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 0:13 Vivam bem vindos ao pergunta simples, o vosso podcast sobre comunicação. O conselho que sempre ouvimos foi, antes de falar, pensa normalmente acompanhado. De alguma história mais ou menos lendária? De alguém que falou de mais, que disse o inconveniente ou que foi demasiado vocal para os ouvidos sensíveis de uma plateia que tem, no fundo, o coração ao pé da boca? 0:36 Nesta edição, é para todos aqueles que têm capacidade de comunicar e vontade de pensar, de pensar bem. Neste caso, de aprender um pouco mais sobre a arte. Do pensamento crítico. 0:59 Pensar bem é difícil, mas alguém tem de o fazer a teatiria mais. Todos temos de o fazer. O mundo está cada vez mais confuso. Já o notaram? Somos todos bombardeados por informação a toda a hora, de todos os lados, mas entre tanta notícia, opinião e ruído. 1:16 Há uma pergunta que vale a pena fazer, estamos a pensar bem? Estamos a tomar boas decisões? Estamos a ver um mundo como ele realmente é ou apenas como queremos que ele seja? O nosso convidado de hoje dedica se a responder precisamente a estas questões. 1:31 José Maria Pimentel é economista, professor e autor de um podcast ou 45°, um espaço de reflexão onde tenta fazer o que as redes sociais e os debates na televisão raramente fazem. Parar para pensar nesta conversa, falamos do pensamento crítico, essa coisa difícil, mas essencial, que nos obriga a questionar sobre aquilo que sabemos e a forma como chegamos às nossas conclusões. 1:57 Falamos de como escola sem querer pode estar a treinar nos para aceitar respostas fechadas ao invés de nos ensinar a pensar pela nossa própria cabeça. Falamos das redes sociais, falamos do efeito da bolha que nos leva a ouvir apenas. Quem confirma aquilo em que já acreditamos? 2:14 E falamos, claro, de decisões, porque pensar bem não é só um exercício teórico na vida real, tomamos decisões todos os dias, algumas pequenas, outras gigantescas. Mas será que sabemos mesmo decidir? Será que conseguimos resistir à pressão, à pressa, ao ruído, ao ego? 2:32 Será que conseguimos, de facto, ver a realidade Como Ela É e não apenas? Como gostaríamos que fosse. O José Maria Pimentel explica porque é que nem sempre o argumento mais sonante é, afinal, mais forte, porque é que nem sempre o especialista tem razão ou mais razão na esfera pública, mas também porque confiar segmento no primeiro influencer que nos aparece no feed pode ser, afinal, um erro monumental. 2:57 Falamos também da inteligência artificial, vamos confiar nela para pensar por nós ou será que ao automatizar tarefas? A inteligência artificial nos está a deixar apenas com os problemas realmente difíceis aqueles que nenhuma máquina pode resolver por nós. 3:13 E, claro, falamos de podcasts. Afinal, isto foi uma conversa entre podcasts do 45°, um projeto que ele criou e que nasceu da necessidade de ter conversas mais pausadas, mais fundamentadas e menos apressadas. Um espaço onde apressa, dá lugar à profundidade e onde as perguntas são, afinal? 3:32 Mais importantes do que as respostas fáceis. Se gosta de pensar e de pensar bem, esta conversa é para si. José Maria Pimentel economista, professor, podcast autor tens passado a tua vida a tentar ensinar nos. 3:50 Como é que se pensa bem, como é que se pensa bem? A minha vida, pelo menos a vida é mais recente. E antiga. A antiga era a fazer o quê? O que é que? O que é que? A antiga eu eu sou economista, não é como disseste e trabalhei na banca durante muito tempo. Na banca, primeiro banca privada, ou seja, um banco, o banco comercial, e depois No No banco de Portugal, portanto no banco central. 4:09 Porque teve teve que ser ou porque me dava gozo? Não porque me dava gozo. Foi. Foi a minha carreira original e lá podia ter ficado. Podia ter seguido por aí. Mas depois eu sempre, eu sempre. Gostei de estar ligado à academia, portanto essa ligação já vem de muito de trás e depois lancei o 45° no final 2017 e depois esses 2 terrenos foram expandindo, depois foram se unindo e foram ficando maiores do que o outro. 4:35 E pronto. A certa altura tomei essa decisão, mas, mas, mas, enfim, mas, mas foi uma coisa que gostei de fazer durante muitos anos. Há uma coisa de que tu falas muito e eu e eu estava a falar a propósito do do do pensar, da maneira como nós, como nós, pensamos ou não pensamos que tem, que tem a ver com o pensamento crítico. 4:57 Todos tivemos aquela experiência Na Na Na escola, onde nós estamos no fundo, quase a ser educados como ovinhas que em princípio, se tu pensares a mesma coisa que os teus coleguinhas do lado. Até merecerás mais elogios do senhor professor, salvo alguns professores que são são muito especiais, mas esta coisa de ver o mundo de uma maneira diferente ou divergente é logo uma carga de trabalhos ou não. 5:23 Dá, dá muito mais trabalho, de facto. E o e o ensino, como tu estavas a dizer, a maior parte do ensino é feito para te de uma maneira que não te estimula exatamente o pensamento crítico e não é em parte. Isto é compreensível. 5:39 OOOO ensino basicamente está feito para te treinar a lidar com problemas fechados e não com problemas abertos. Quando eu digo problemas fechados é problemas que já tem uma solução e portanto, trata se de tu compreenderes a solução na melhor das hipóteses. Na pior das hipóteses, decorares a solução. 5:54 Portanto, existem aqui um conjunto de problemas que todos nós enfrentamos. Meus caros alunos, não se molestem muito a pensar soluções muito criativas, porque a. Resposta é esta. A resposta é esta, a matemática é esta, o primeiro rede de Portugal é aquele e a gramática é aquela, e, portanto, façam o favor de cumprir os objetivos. 6:11 Isso exato, sim, desde 3 bons exemplos. Por acaso e porque exatamente podemos? Isso aplica se a todo esse esse espectro? E no caso da matemática, até enfim, eu acho que até. De certa forma, até até uma disciplina que treina um tipo de criatividade, porque treina te a pensar e a resolver problemas. 6:31 Mas, por exemplo, na, no, no, no português ou na história, não é bem assim, não é? Tu aprendes que esta é a maneira correta de escrever ou esta é a maneira correta de seja de escrever a palavra, seja de de AA, gramática, Oo ou a sintaxe correta daquela frase, por exemplo. E na história é a mesma coisa, não é tu dizes, por exemplo, determinada, sei lá. 6:50 Imagina o 25 de abril aconteceu porque x ou as invasões francesas ocorreram porquê? ...
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Vai chover? Bruno Café
Quiseram os deuses da chuva e do sol fazer coincidir com a publicação deste episódio a chegada de um comboio de tempestades ao nosso país. Já vos explico o que quer dizer a expressão “comboio" de tempestades embora a coisas seja mais ou menos intuitiva de entender. Quero deixar duas notas: a primeira é que quando ocorrem estes fenómenos típicos é mais difícil prever o tempo que vai fazer. A segunda é que esta conversa foi gravada há semana e meia e por isso é importante situar no tempo, o do relógio, quando foi criado este episódio. Em todo o caso a conversa é muito interessante e aprendi muito sobre a fascinante ciência meteorológica. E o que tem a vez com comunicação? Tudo. Dizer que vai chover, que vem ventania ou vai ficar um calor de. Rachar cria uma expectativa. E na nossa cabeça a previsão passa rapidamente a certeza absoluta e não a uma probabilidade mais ou menos certa. Em caso de dúvida vá à janela e observe com atenção. Isso ajuda. Se ainda tiver incertezas inultrapassáveis, leve o guarda-chuva. Se não chover batize o instrumento como guarda-sol. A meteorologia é uma ciência de precisão… mas também de incerteza. Ouvimos a previsão na rádio, vemos os mapas na televisão, conferimos a ‘app’ no telemóvel–e, no final, ou confiamos, ou desconfiamos. “Mas afinal vai chover ou não?” é talvez a pergunta mais repetida a um meteorologista, e esta semana traz-nos um cenário perfeito para explorar essa questão: um verdadeiro “comboio de tempestades” está já a chegar a Portugal. Se nos últimos dias tem sentido o tempo instável, prepare-se porque a tendência não vai mudar tão cedo. Um bloqueio anticiclónico sobre as ilhas britânicas está a funcionar como um muro invisível, empurrando depressões diretamente para a Península Ibérica. Os ingleses quiseram experimentar o clima algarvio e mandaram chuva cá para baixo. O resultado? Uma sequência de tempestades que nos vão atingir quase dia sim, dia não, com chuva intensa no sul já que começou nesta terça-feira e previsões de instabilidade pelo menos até ao fim de semana. E a questão que se coloca é: podemos confiar totalmente nas previsões? Se tudo depende de modelos matemáticos e observações, porque é que por vezes a chuva anunciada nunca chega ou, pelo contrário, uma tempestade inesperada varre tudo sem aviso? Para responder a isto, convidei Bruno Café, meteorologista do IPMA, um dos rostos da previsão do tempo em Portugal. Se já o viu na televisão ou ouviu na rádio, sabe que tem o dom de explicar a meteorologia claramente e sem rodeios. E nesta conversa, ele ajuda-nos a perceber como tudo funciona nos bastidores: como se fazem previsões, que instrumentos são usados, o que mudou na meteorologia nos últimos anos e por que motivo a incerteza nunca desaparece completamente. A pergunta chave é: Como se prevê o tempo? Sabia que diariamente são lançados balões meteorológicos que sobem na atmosfera para medir pressão, vento, temperatura e humidade? E que os radares meteorológicos conseguem detetar em tempo real a formação de tempestades? Mas mesmo com esta tecnologia, há fatores que tornam algumas previsões mais difíceis do que outras–como os famigerados aguaceiros isolados, que podem cair forte num local e deixar outro completamente seco a poucos quilómetros de distância. O que permite o desejo de poder ter afinal chuva no nabal e sol na eira. Bruno Café explicou-me como os meteorologistas trabalham com milhares de dados e recorrem a modelos matemáticos complexos, mas também precisam de experiência e análise humana para interpretar a informação. A meteorologia não é um jogo de certezas absolutas, mas sim de probabilidades bem calculadas. Então e os fenómenos atípicos.? O impacto das alterações climáticas. Afinal, temos mais fenómenos extremos ou apenas mais atenção sobre eles? Bruno Café explica como os dados mostram um aumento real de temperaturas e eventos severos, mas também como as redes sociais e a mediatização dos fenómenos fazem com que estejamos mais conscientes do que nunca. As tempestades datuaissão mais fortes do que as de há 30 anos? As cidades estão mais vulneráveis à chuva intensa? E o que acontece quando um ano inteiro de precipitação cai em apenas um dia, como já aconteceu em algumas regiões da Península Ibérica? Volta e meia recebemos alerta, nnos ‘media’ou no nosso telemóvel.. São os chamados alertas ou avisos de tempo severo. Estes avisos meteorológicos: são úteis ou alarmistas? Quando o IPMA emite um aviso laranja ou vermelho, há sempre quem critique: “Disseram que vinha tempestade e afinal não aconteceu nada!” Mas, como Bruno explica, os avisos são feitos com base na probabilidade de risco, não numa certeza absoluta. E se a tempestade acabar por não ser tão grave num determinado local, é sinal de que as previsões falharam – ou de que simplesmente tivemos sorte? Falamos ainda da inteligência artificial na meteorologia, uma tecnologia que já começa a ser usada para prever padrões climáticos de forma ainda mais rápida e precisa. Será que um dia a IA poderá substituir os meteorologistas humanos? Ou continuará a ser necessário alguém para interpretar os dados e traduzir a incerteza da ciência para o público? E claro, não podíamos deixar de perguntar: será que os meteorologistas conseguem ir a um jantar sem que alguém lhes pergunte ‘Como vai estar o tempo amanhã?’ Este episódio é essencial para quem quer entender como se faz a previsão do tempo e por que motivo a incerteza nunca desaparece totalmente. E com um cenário meteorológico tão instável como o desta semana, é quase como se tivéssemos marcado esta entrevista de propósito… mas juro que foi apenas coincidência! Nós os humanos queremos sempre a certeza e nem sempre há essa resposta. Em princípio no verão está melhor tempo, sem contar com as ondas de calor, e no inverno chove mais. No meu norte diz-se que o primeiro de agosto é o primeiro de inverno. O meu amigo Zé Terra , que é um optimista meteorológico anunciam-me sempre que “isto vai levantar” quando chove a cântaros e o céu está negro. E o Rui Teixeira, que é do Porto sempre enunciou, com graça, que o norte é tão acolhedor que até o inverno decidiu passar por lá as férias de verão. Na minha praia, a de Moledo, é certo e sabido que a nortada pode desgraçar qualquer dia de bangos. Mas que quando nem vento corre, é o melhor dia de praia do ano. O problema é saber qual é esse dia. Sim, os metrologistas que usam grandes números para prever o tempo escrevem com letras miudinhas que há uns sítios especiais onde há os chamados micro-climas. Em caso de profunda irritação ou neura com o mau tempo há sempre uma expressão que podem usar: “vai la fora ver se chove” Não é bonito mas ajuda a aliviar o espírito. Sejam optimistas, afinal já falta mês e pico para a primavera. Isto vai levantar. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:00 - 00:00:23:14 Viva, Bruno Café Meteorologista. Vemos te na televisão, ouvimos te na rádio a contar como é que vai estar o tempo. Essa devia ser a primeira pergunta. Se isto não fosse um ponto gasto, que é como quem no fim de semana vai chover e já te aborrece quando te fazem essas perguntas 500.000 vezes não me aborrecem. 00:00:23:16 - 00:00:44:18 Eu percebo por que é que as pessoas fazem pergunta Quer dizer, não, não é perfeitamente normal e tu levas o telemóvel na previsão do dia? Ou então dizes as pessoas vão lá mas é ver ao site. Exacto, é o que apetece dizer muitas vezes. Bom ver o site porque a informação está atualizada e normalmente não fazem perguntas. Está de folga e quer dizer mas, mas porque é que estão a aborrecer? 00:00:44:18 - 00:01:10:10 Quer dizer, mas então o que é que vai acontecer? E depois perguntam te quando a coisa não corre bem, isto é, quando tu que vai, que vai chover e afinal não chove, ou que vai estar sol e afinal chove de cobram te. Não por acaso as pessoas são muito simpáticas, As interações são sempre muito, muito cordiais, simpáticas. Pode ser de uma piada em relação a isso, mas não, não passa muito disso. 00:01:10:15 - 00:01:38:22 Até porque eu diria que essas falhas também são. São, são raras. Ao menos são. São menos usuais do que eram aqui. E a nossa expectativa, sempre quando ouvimos a previsão meteorológica, é e isso é que é considerar que aquilo não é uma probabilidade, mas que aquilo é, em princípio, uma certeza. Como é que? Como é que? Como é que o meteorologista olha para para essa ideia de incerteza? 00:01:38:24 - 00:02:09:14 Bem, uma previsão nunca é. Nunca tem uma resposta preta ao branco Sim ou não, Não raramente existe. Tem sempre alguma incerteza associada. Muitas vezes a incerteza é baixa. Temos de tempos, temos previsões que são muito mais fidedignas e muito mais mais fáceis de fazer. E tem outras vezes em que a incerteza é muito mais elevada. Normalmente, quanto mais próximo está do período de fazer a previsão, menor a incerteza é, por exemplo. 00:02:09:16 - 00:02:33:03 Mas podes ter situações em que situações de aguaceiros. Os aguaceiros são sempre um exemplo clássico, porque tens precipitação que pode ocorrer com intensidade moderada. Dez quilómetros daqui e aqui não caiu uma pinga, mas a previsão que tu tens que fazes para a Grande Lisboa é uma previsão da água saíres, mas depois se calhar uma pessoa vem ter contigo e diz então mas ia chover e a chover aguaceiros? 00:02:33:08 - 00:02:54:15 Não, não, não, não tem uma pinga na cabeça. Está cá sempre aquela expectativa que é uma estação sol na eira e chuva no nabal que quer ser para aquilo que acontece. Como é que o teu dia a dia tu estás a falar daqui de afinada previsão, com com absoluto rigor? O que é que tu tens? Que instrumentos é que tu tens? 00:02:54:17 - 00:03:18:19 Mas nós quando chegamos ao nosso local de trabalho,...
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A ciência conta boas histórias? Sara Sá
A relação entre cientistas e jornalistas, entre investigadores e comunicadores é uma relação de amor-ódio. Os cientistas tentam sempre chegar à descoberta que sonham revolucionar o mundo. São escravos do método e adoradores do rigor absoluto. Nem que para isso tudo se diga com tal complexidade que só eles entendem. Os jornalistas, pelo seu lado, buscam a história que vai fazer a próxima manchete. E confrontados entre o rigor absoluto e a máxima comunicação, tendem as escolher a simplicidade radical. É bom de ver que apesar de precisarem uns dos outros para que a ciência e o conhecimento chegue mais longe, a relação tem alguma tensão. No meio desta batalha estão os comunicadores da ciência, Uma espécie de tradutores da complexidade dos cientistas e advogados. Da simplificação quase absurda da comunicação para o grande público. Uma edição para se falar de histórias e factos, mitos antigos e pós-verdades. E de desvendar finalmente porque são tão poderosas as histórias, mesmo aquelas que contrariam a mais elementar evidencia científica. Sara Sá é hoje comunicadora de ciência. Mas traz a bagagem de 20 anos de jornalismo. Além disso, começou por estudar engenharia espacial. Hoje, no Pergunta Simples, falamos de ciência, de jornalismo e de boas histórias. Ou melhor, falamos de como se conta uma boa história. E para isso, quem melhor do que Sara Sá? A Sara é jornalista, ou foi jornalista, é comunicadora de ciência e alguém que passou os últimos 20 anos a contar histórias sobre saúde, ciência e inovação. Agora, trabalha no INESC- ID, onde ajuda cientistas a comunicar melhor o que fazem. Mas a essência do seu trabalho continua a ser a mesma: procurar a lógica que faz uma boa história funcionar. Como rigor, e simplicidade. Mas sempre uma boa história. E isso leva-nos ao primeiro dilema da conversa: o jornalismo e a ciência são amigos ou inimigos? De um lado, os jornalistas que querem simplificar, traduzir conceitos complicados para toda a gente perceber. Do outro, os cientistas, rigorosos, meticulosos, nem sempre muito pacientes para explicar os detalhes. Durante muito tempo, estes dois mundos desconfiaram um do outro. Mas hoje, mais do que nunca, precisam de trabalhar juntos. O problema é que, no meio disto, há sempre um risco: até onde se pode simplificar sem deturpar? Como se pode contar uma boa história sem perder o rigor? A Sara diz que o truque está na coerência e na lógica. Se um argumento não faz sentido, se um mito não bate certo, o cérebro dela dispara um alerta. E esse radar já evitou muita asneira. Depois, claro, falamos de inteligência artificial. No INESC, a Sara acompanha projetos que aplicam IA à saúde, como o Halo — um sistema que ajuda pessoas com doenças graves que impedem a fala a voltarem a comunicar, recriando digitalmente a sua própria voz. A IA está a transformar tudo, mas será que sabemos mesmo o que estamos a fazer? A Sara diz que há dois tipos de pessoas neste debate: os otimistas, que veem a IA como uma ferramenta incrível, e os pessimistas, que acham que estamos a brincar com fogo. No INESC, onde se trabalha com os conceitos de base da IA há mais de 25 anos, a perspetiva é clara: é preciso separar o mito da realidade. E, já que falamos de mitos, entramos num dos temas mais divertidos da conversa. Será que só usamos 10% do nosso cérebro? Será que o frio causa constipações? E, já agora, será que fazer sexo queima tantas calorias como um treino no ginásio? (Alerta expectativas: não, exceto caso estejamos a fazer algo mesmo muito inovador. E atlético. ) A verdade é que adoramos acreditar em histórias simples. E é por isso que os mitos sobrevivem. Porque encaixam bem, porque explicam o que não conseguimos entender e, muitas vezes, porque dão jeito a alguém. Como aqueles cursos que te prometem desbloquear os outros 90% do seu cérebro. A Sara escreveu um livro sobre isto — Cem Mitos, Sem Lógica — onde desmonta estas histórias com ciência e bom humor. Mas o problema das fake news e da desinformação vai muito além dos mitos do dia a dia. Com a IA generativa, os vídeos e áudios falsos tornam-se cada vez mais convincentes. Como nos protegemos disso? Como ensinamos os mais novos a distinguir o que é real do que é falso? No final, a conversa com a Sara Sá é sobre como percebemos o mundo à nossa volta — seja através do jornalismo, da ciência ou das histórias que escolhemos contar. As boas vitórias têm sempre que começar bem, forte, de forma direta ou enigmática. Podemos contar logo o fundamental na primeira linha ou deixar correr a narrativa oferecendo novos dados. Se começar bem é crítico para que nos ouçam, fechar bem é garantir que ficamos na memória dos outros. Pode ser uma frase que ressoa. Pode ser um riso franco. Nem precisa de ser explicado. É universal. Tal como as grandes histórias. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:00 - 00:00:24:10 A Sara Sá, jornalista, comunicadora de ciência, tem passado a tua vida nos últimos 20 anos, pelo menos na visão do jornalismo. E agora tratar de comunicação de saúde. E isto é mais ou menos uma uma conversa entre entre, entre juristas reformados nem reformados ainda não saudosistas de vista, saudosistas do jornalismo nacionais. 00:00:24:12 - 00:00:47:20 Tens saudades do jornalismo? Sim e não. Eu fui muito, muito feliz no jornalismo e não consigo imaginar outra profissão que me fizesse tão feliz e que me trouxesse tanto que me enriquecesse tanto. No entanto, penso que o meu trabalho, minha missão, está cumprida e sou feliz no que está a fazer e, portanto, saltamos a seguir para para fazer. 00:00:47:22 - 00:01:15:20 Agora, neste momento, estás numa instituição chamada INESC e vê o nome sexismo lá já lá vamos e escrever isso que é escrever te um curioso livro de que vamos falar que são sem mitos, sem lógica, como se a lógica contasse a lógica que conta para contar uma boa história. Para mim é essencial. Aliás, eu acho que não tenho um defeito, É quase uma compulsão. 00:01:15:22 - 00:01:44:07 Se uma história não tem lógica, eu fico completamente orientada. É uma coisa que me perturba mesmo e tenho dificuldade em lidar com a falta de lógica, com o défice de lógica. Isso é que se eu tenho coração cientista, para as pessoas que não sabem, é o meu cérebro cientista, eu diria tudo. Escolhi isto estudar engenharia aeronáutica, aeroespacial e oficial espacial da Primeira Turma da Aeroespacial. 00:01:44:09 - 00:02:13:16 O que que deu na cabeça e deu pouco na cabeça, porque foi e foi coração. Aí foi uma decisão muito mais emocional do que propriamente racional, porque eu gostava de espaço, de astronomia, de estrelas, dos programas do Carl Sagan e tinha muito boas notas, o que pode ser uma vantagem, mas no meu caso, acabou por ser um problema que eu podia escolher praticamente do que quisesse e isso foi difícil de gerir e acabei por entrar para este curso. 00:02:13:16 - 00:02:35:15 Ao escolher este curso, porque era novo, abriu naquele ano e porque havia essa magia do espaço para mim, da astronomia, de ver estrelas como o meu pai, de ver os eclipses quando era miúda no terraço de casa. Portanto, nada, nada do que estou a dizer é muito racional e completamente emocional. E o que é que se aprende num curso? 00:02:35:17 - 00:02:59:02 Olha se muito pouco de astros e essa foi a minha decepção. O curso é muito mais sobre mecânica e aerodinâmica e propulsão e termodinâmica e matemática e física e química do que propriamente astronomia. Aliás, não tem nada de astronomia. Aprende se o que aprende se como fazer aviões, Como é que os aviões voam, como é que se controlam aviões? 00:02:59:04 - 00:03:22:08 No fundo, é um curso muito parecido com engenharia mecânica, sendo que a mecânica está mais virada para os carros e outro tipo de máquinas é o era espacial, está virado para aviões e é aeronave. Outro tipo de aeronaves é foguetões e satélites e portanto podia estar agora neste momento a trabalhar para o senhor, mas quer construir para aí uns foguetões para o dia a dia E por acaso acho que não tenho nenhum colega ou colega no México, mas tenho colegas na Agência Espacial Europeia. 00:03:22:08 - 00:03:48:03 O número base e empresas do setor. E ainda me fascina aquela ideia de não ser só uma vez, de fazer o céu e as estrelas. Sim, já percebi que sim, mas se calhar não. Não. Mecânica da coisa não é Também se calhar já não de uma forma tão romântica. Hoje em dia vejo o espaço mais como um setor comercial de grande crescimento, de crescimento exponencial, económico e de atração de talentos. 00:03:48:05 - 00:04:29:03 Mas acho que perdeu um bocadinho daquela magia que eu acho que não só sentimos quando somos adolescentes e jovens inconscientes. Depois foste encontrar esse fascínio. Quando vens fazer jornalismo? Sim, o que conta no jornalismo que fizeste muitas vezes? Jornalismo de saúde. Fizeste muito jornalismo de ciência também a procura de como é que se conta uma boa história. Eu acho que a história no jornalismo, ou melhor, no jornalismo de ciência, de saúde, existe ou tem o poder de captar a atenção, porque tipicamente os temas de saúde e de ciência são complicados, como são os da economia ou até os da política, que uma história, uma boa história ajuda. 00:04:29:08 - 00:04:49:15 Ou pelo menos era assim que eu via, ou ainda hoje o vejo, ajuda a captar a atenção do leitor. Nós somos viciados em histórias, mas nós crescemos e a nossa evolução dependeu da nossa capacidade de contar histórias. E em pequeninos nós é assim que aprendemos a linguagem simples vinculamos. É assim que aprendemos na escola através da história. E eu penso que para os adultos se mantém. 00:04:49:15 - 00:05:22:10 Isso é uma boa história. Ajuda nos a fazer passar depois aqueles temas mais complicados ou aqueles conceitos mais complicados, de uma forma a prender o leitor....
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A inteligência artificial sabe responder a crises sanitárias? Miguel Ribeiro
Quando há uma crise de saúde, terramoto, fogo ou inundação de escala cataclismica todos os países de mobilizam para responder. Seja uma pandemia de gripe, um sismo na Turquia ou uma guerra no centro de África. Ou em plena Europa. As primeiras equipas de socorro precisam de chegar e instalar.-se depressa. E esse movimento é um desafio gigantesco em contra relógio. Um desafio de logística e de comunicação. Qual é o melhor sítio para aterrar? Onde se colocam os hospitais de campanha? Como se distribuem as equipas de ajuda? É para resolver rapidamente estes problemas que uma equipa de portugueses criou uma ferramenta com o curioso nome de TERRATACTIX. Mas o que é, afinal, o Terratactix? Imagine um sistema que combina imagens de satélite em 3D, realidade aumentada e inteligência artificial para ajudar equipas médicas de emergência a planear operações em qualquer canto do mundo. É como se juntássemos tecnologia espacial, algoritmos avançados e um guia prático de organização — tudo ao serviço de salvar vidas. O Terratactix permite que estas equipas definam previamente onde colocar tendas de campanha, incineradores, veículos ou outros recursos, tudo com base em dados precisos. Mais do que isso, ele ajuda a prever situações críticas, como cheias, incêndios ou mesmo os efeitos de desastres naturais, permitindo que as decisões sejam tomadas com segurança e eficiência antes mesmo de se chegar ao terreno. Este é apenas um exemplo prático de como a inteligência artificial está a mudar a forma como enfrentamos problemas globais. Afinal, a inteligência artificial já não é apenas um conceito futurista ou algo que vemos nos filmes. Ela é usada para gerir crises de saúde, prever desastres naturais, otimizar a logística de operações em tempo real e até para simular o comportamento humano em situações críticas, como a evacuação de um estádio. Nos próximos minutos, vamos explorar este universo de possibilidades e desafios. Vamos falar sobre como a inteligência artificial funciona, o que está por trás de expressões como “algoritmos” e “nuvem”, e, porque é que estamos tão fascinados — e, ao mesmo tempo, um pouco assustados — com esta tecnologia. Vamos desmistificar o que parece complicado e mergulhar nas questões mais profundas: •Será que estamos no caminho para uma inteligência artificial verdadeiramente independente? •O que ainda falta para a Europa alcançar outros países no desenvolvimento destas tecnologias? •E mais importante: onde é que entra o papel do ser humano neste processo? Se é verdade que a inteligência artificial pode substituir tarefas repetitivas e resolver problemas complexos, também é verdade que nunca deixará de depender da criatividade humana, da visão do “sonhador”. Afinal, máquinas podem processar dados em velocidades impressionantes, mas são os humanos que conseguem imaginar o que não existe e transformar ideias em realidade. Falaremos ainda sobre como esta tecnologia pode ser democratizada. Hoje, com ferramentas como o ChatGPT e outros modelos de linguagem natural, qualquer pessoa consegue interagir com sistemas avançados de IA sem precisar de ser programador. Isso significa que a IA não é apenas para especialistas — ela está acessível a todos, desde que saibamos como usá-la conscientemente. E, claro, não podíamos deixar de discutir a questão da privacidade. Num mundo onde quase tudo está na nuvem — desde as nossas fotografias até dados de saúde, sensíveis por definição —, como protegemos as informações mais pessoais? Será que modelos locais, instalados nas próprias organizações, podem ser a solução para minimizar os riscos? Ao invés das grandes nuvens de servidores? Os servidores são na prática computadores gigantes que armazenam e distribuem informação. Hoje, no Pergunta Simples, vamos descomplicar o complexo, celebrar os avanços tecnológicos e refletir sobre o que ainda precisa de ser feito. O Terratactix, com o seu reconhecimento pela OMS, é apenas uma amostra de como a IA já salva vidas. Mas será que estamos prontos para este futuro tão avançado? LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:00 - 00:00:24:12 Viva Miguel Ribeiro! Posso apresentá lo como especialista em modelos de inteligência artificial e quejandos. Outras tecnologias aplicadas a esta área da saúde, em particular, podem ajudar a criar operações de resposta emergências públicas. Dedica se a pensar o quê? Ou a pedir ajuda de dita inteligência artificial, seja lá o que isso for. 00:00:24:14 - 00:00:50:04 E também quer saber sobre isto? Certo. A inteligência artificial é o chavão que é usado hoje em dia, em qualquer organização ou em qualquer pessoa que fique com quem falar muito com que falemos hoje em dia. Vai falar Inteligência artificial é esse É um chavão. Mas, na verdade, a inteligência artificial não é mais do que uma série de algoritmos, ou seja, de programas informáticos que vão ocorrendo no computador. 00:00:50:06 - 00:01:09:06 A diferença é que eles não estão a ocorrer na nossa máquina localmente, estão a correr na cloud. E o que é que a cloud é? Um conjunto de máquinas ligadas entre elas, que compõem um datacenter e que têm recursos suficientes para correr. Estes algoritmo? E onde é que está esse cloud? Porque nós ouvimos falar recentemente da cloud, daquela que era em Sines, que iam lá construir lá uma cloud? 00:01:09:08 - 00:01:38:05 Onde é que está essa, essa cloud? Fisicamente. Fisicamente está em datacenters. Em princípio, estará nos datacenter da Microsoft, da Microsoft Azure. Pode estar na WS, pode estar na Google, pode estar em qualquer outra ou outra empresa que que faça disto um negócio. Portanto, são máquinas que estão ligadas num edifício e que estão depois ligadas com o cabo. O resto, aos outros computadores que podem estar em vários sítios do mundo, podem estar, aliás, estão em vários sítios do mundo por várias razões. 00:01:38:05 - 00:02:00:00 Uma delas é a latência, que é o tempo de resposta que nós pretendemos que a máquina que seja o mais curto possível. Entre a pergunta e a resposta, entre a pergunta e a resposta. E, portanto, se esse datacenter tiver mais próximo de nós, a resposta vai ser também mais rápida. E o que o que essas empresas fazem é ter um mesmos algoritmos espalhados em vários datacenters do mundo e nós escolhemos qual é o datacenter que queremos aceder. 00:02:00:00 - 00:02:31:19 E essa é uma razão de segurança e uma razão tecnológica que é. Também estamos a distribuir, ao fim e ao cabo, a informação por mais do que um lado. Por outro lado, temos a questão da privacidade dos dados, que no caso da Europa, os servidores têm que estar obrigatoriamente dentro do espaço europeu, não podem estar fora. Isso para garantir que os dados que os nossos dados dos nossos dados não são usados exatamente e também em termos técnicos, para ser mais rápido, a resposta é mais sim para ser mais eficiente, sendo que já estamos a ver que hoje falamos de computação quântica. 00:02:31:21 - 00:02:51:04 Já coisas muito, muito avançadas já não são. Lá está, os nossos chips em vez de de cobre de silício. Do que lá está, estamos a falar de outra coisa. Mas os países do mundo têm ofertas diferentes, umas mais avançadas, outras menos. E eu suspeito que a Europa está um bocadinho atrás naquilo que são o estado da arte. Então nós preservamos os nossos dados. 00:02:51:04 - 00:03:13:06 Por um lado, por uma questão de segurança, que me parece também em matérias, a saúde é um bom exemplo e, por outro lado, estamos um passo atrás na tecnologia ou não, ou é uma uma ilusão? De facto, a maior parte das empresas de tecnologia situam se nos Estados Unidos, mas já existem empresas como a Mistral. Em França, que produzem algoritmos de grande qualidade. 00:03:13:08 - 00:03:46:04 Também existem. Falo que nos EUA, nos Emirados Árabes Unidos, e há outras mais pequenas e menos conhecidas do público geral e que estão localizadas fora dos Estados Unidos. Mas a esmagadora maioria, como por ai, como, em que, como é qualquer uma destas grandes que normalmente as pessoas conhecem, estão nos Estados Unidos, quando quando nós falamos de algoritmos, parece uma coisa aqui complicada um bicho de sete cabeças, uma máquina pensando o que raio é um algoritmo, um algoritmo e apenas um programa informático? 00:03:46:04 - 00:04:07:16 Está a correr uma fórmula de matemática que está a ser aplicada para resolver um determinado problema. Portanto, pode ser tão simples quanto uma soma. Continuamos a somar dois mais dois. Estamos a usar o algoritmo da soma. E sim, isto é um algoritmo, mas um algoritmo para fazer, para para interpretar um documento, um PDF e extrair daí a informação que aí está continua a ser um algoritmo. 00:04:07:16 - 00:04:24:15 Simplesmente é um algoritmo mais complexo, mas não deixa de ser uma fórmula matemática que está a ser usada, que está a ser, que está a ser convertida para um programa, está a ser desenvolvida numa linguagem que, neste caso da inteligência artificial, é quase exclusivamente o Python. Poderá ser outras, mas normalmente é o pai e eu já estou perdido. 00:04:24:16 - 00:04:47:07 O que é que o Python? O Python é a linguagem de programação que é usada para implementar este tipo de algoritmo. É uma espécie do português, uma espécie do português das máquinas. Tem uma gramática, tem uma gramática, tem uma sintaxe? Sim, tem uma sintaxe, tem uma gramática e existem regras para desenvolver esta linguagem. E há mais linguagens que que podem ser usadas, mas é 90 e tal por cento dos casos. 00:04:47:07 - 00:05:20:11 O Python é a linguagem da inteligência artificial, é a linguagem que é usada para resolvermos implementarmos este tipo de soluções. Então é nós que eu não percebo nada, rigorosamente nada. A maioria dos nossos ouvintes provavelmente também não sabe o que raio é isto do Python. Como é que nós, pessoas normais,...
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Para que serve o Natal? Miguel Vasconcelos
Há 2024 anos nasceu Jesus. Assim reza a história e tradição cristã. E hoje ainda vale celebrar o natal? Hoje, temos uma conversa que promete iluminar muitos aspetos da nossa existência e nos levar a refletir sobre questões essenciais da vida, da fé e do mundo em que vivemos. Da fé, mas não só. O convidado é o Padre Miguel Vasconcelos, capelão da Universidade Católica de Lisboa, Alguém que se sonhou engenheiro e acabou a ser ordenado sacerdote, O Padre Miguel consegue explicar coisas tão complexas e misteriosas como a fé em três frases. Nesta conversa, exploramos o significado do Natal, mas também muito mais do que isso. Falamos de como, em tempos de escuridão – sejam eles conflitos no mundo, crises pessoais ou simples dúvidas existenciais —, o Natal pode ser uma luz. Não uma solução mágica para os problemas, mas um convite a acreditar na possibilidade de recomeçar. Discutimos o simbolismo do presépio como uma mensagem de vulnerabilidade e esperança, que nos desafia a sermos mais humildes e disponíveis para o outro. Mas não paramos por aí. Entramos também numa questão central: Deus. A ideia de Deus. Deus existe? Quem é Deus? E como lidamos com a dúvida, o silêncio ou até mesmo a sensação de abandono em momentos difíceis? Miguel Vasconcelos reflete sobre a complexidade desta relação, reconhecendo que a experiência de Deus é tanto transcendente quanto profundamente íntima. É um diálogo constante entre o que é infinitamente grande e aquilo que é infinitamente pequeno em nós. Há também espaço para uma reflexão sobre o papel da religião no mundo contemporâneo. Falamos de como, muitas vezes, a fé é vista como algo distante ou solene, quando na realidade está profundamente ligada à celebração da vida e até ao riso e à festa. Questionamos se a religião é um caminho de respostas, ou antes, um espaço para levantar as grandes perguntas da existência. Para o Padre Miguel, a fé não elimina a dúvida; pelo contrário, vive ao lado dela como um motor de busca e de encontro com o eterno. E claro, sendo o Padre Miguel um orador experiente, quis ouvi-lo sobre a arte de comunicar em público. O que significa falar de Deus para uma audiência, ou mesmo escutar as dores e os dilemas de alguém no confessionário? Para ele, a chave está na honestidade – seja na palavra ou na escuta – e em nunca transformar a mensagem num espetáculo, mas antes num ato genuíno de serviço. Este é um episódio sobre humanidade, espiritualidade e a busca por sentido, que promete trazer não só respostas, mas também muitas perguntas para refletirmos juntos. Feliz natal para todos.Até para a semana. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:11 - 00:00:30:24 . Viva Miguel Vasconcelos, padre de vocação, capelão da Universidade Católica de Lisboa. Estamos em tempos de Natal. Como é que ainda faz sentido celebrar o Natal? Como nós celebramos? Então, antes de mais, olá! Vão estar aqui sim, e acho que faz sentido. Será o Natal. E acho que nos tempos em que passamos, nos tempos que atravessamos, estava ainda seja mais evidente por que é importante celebrar agora o Natal. 00:00:31:01 - 00:00:58:16 . O mundo parece escuro à nossa volta. A gente vê as guerras. Estamos críticos, por assim dizer, às vezes sem grande promessa de melhoria. Vemos as flores e sonhos políticas e por aí fora. Vemos, enfim, tantos problemas que tive aqui elencar os que os que estão na moda, por assim dizer. Mas também sabemos que há muitos problemas mais discretos que que foi que preocupam a vida das pessoas e que afrontam a vida de qualidade de muitas pessoas. 00:00:58:18 - 00:01:26:20 . E acho que isso é um. Estes tempos são tempos em que a gente passa algum tempo a pensar o mundo parece escuro, mas também acho que é verdade que precisamente num contexto de alguma escuridão, a luz interessa nos. E eu penso que o Natal tem esse poder, tem essa capacidade de devolver alguma luz aos dias, os dias em que estamos, não que magicamente Deus vai resolver os problemas das pessoas, mas porque há uma alma expressa e sobretudo em quem tem fé. 00:01:26:20 - 00:01:54:22 . Mas eu acho que extravasa uma questão de. Extravasa meramente as questões da fé e é uma possibilidade de acreditar que as coisas podem recomeçar e que sermos todos postos diante da cena do presépio, com o recém nascido indefeso que se põe à mercê do que lhe quiserem fazer, é um motivo de esperança, é uma ideia de humildade que ali está desenhada, de humildade e de indispensabilidade. 00:01:54:22 - 00:02:21:06 . Estou no meio de agressividades que vemos à nossa volta. Está ali alguém indefeso. E eu penso que esse contraste, confrontarmos com esse contraste, como acaba por acontecer sempre no Natal, faz nos bem num mundo talvez difícil, agressivo, pesado. De repente, pormos os olhos numa criança recém nascida, indefesa, como dizia há pouco, à mercê do que lhe quiserem fazer oferecida, disponível. 00:02:21:08 - 00:02:39:07 . Acho que esse contraste tem força. O que que o que que é esse presépio? O presépio nos pode ensinar sobre a liderança e sobre a empatia do mundo e da cidade moderna? Eu não sei dizer o que é que o presépio pode ensinar de liderança, porque acho que o presépio o ensine sozinho. Mas porque está Papa, Parece que estamos. 00:02:39:11 - 00:03:08:07 . Estamos ao contrário, porque essa mensagem de vulnerabilidade, de humildade, de possibilidade, de optimismo, parece quase que o contraste parece agrilhoada com o mundo dos tanques, com o mundo do discurso agressivo, com o com o o mundo, com o mundo em que é o outro pelo próximo para para ganhar um melhor lugar. Eu lembro me esse propósito dos primeiros tempos do Papa Francisco, quando ele foi eleito Papa. 00:03:08:09 - 00:03:39:10 . Aqueles primeiros meses, primeiros primeiros dias, primeiras semanas, primeiros meses. De alguma maneira isso foi continuando. Mas nós, naquele tempo tivemos um de repente, uma quantidade de sinais e de gestos, de simplicidade, de humildade também de uma pessoa sem medo de expor as suas próprias vulnerabilidades. E isso foi absolutamente atrativo e um modelo de liderança absolutamente extraordinário. E por isso acho que o presépio, acho que o Papa se inspirou no presépio, por assim dizer, no quis também este Papa. 00:03:39:12 - 00:04:00:06 . Ele esteve cá agora nas Jornadas Mundiais da Juventude, esteve na organização também teve algum contacto mais próximo com o Papa aqui na jornada? Não. Especialmente. Quer dizer, tive um contacto muito evidente porque eu sou cristão de Universidade católica e o Papa visitou a Universidade Católica. Já fez uma carga de trabalhos, mas ainda não conhecia esse trabalho e por causa é sempre bom trabalhar. 00:04:00:08 - 00:04:22:14 . Mas. Mas o Papa foi lá encontrar se com os universitários, não apenas com os da Universidade Católica, mas com todos. E é esse. É por isso de síntese, esse momento de alguma proximidade. Mas quer dizer não, não, não foi. Não conversei com o Papa, Não, não tive. Se não tivesse bastante. Isso aconteceu em 2017, que nos teve cá em Fátima, mas desta vez não. 00:04:22:16 - 00:04:47:08 . Ainda assim, acho que a simplicidade que nós lhe reconhecemos eu lembro, evoco e acho que é bom. Trazemos à memória sobretudo aqueles primeiros meses do pontificado do Papa Francisco, porque foram cheios, preenchidos de sinais. E eu penso que o tipo de sinal que ele está é próprio do tempo do Natal, da simplicidade diante da complexidade e, curiosamente, uma simplicidade que não é superficial. 00:04:47:10 - 00:05:10:17 . O Natal é uma coisa simples, mas profunda. Às vezes nós temos uma certa tendência em ser simples e superficiais ou profundos, mas não tenho complexos. O que é que é o Natal? É ali essas duas coisas. É que o Natal é, sem grandes dúvidas. Em primeiro lugar, o Natal é para de uma maneira mais evidente possível, um nascimento de Jesus Cristo. 00:05:10:19 - 00:05:35:24 . E eu sou padre e acho que é a partir daqui que sou chamado a falar que a partir desta festa, desta consciência clara, que sou chamado a falar e isto tem impacto, é o rasto que aquela pessoa nascida há 2000 anos dá. 2024 anos deixou na história de impacto e por isso, hoje o Natal de alguma maneira capta também e agarra também o impacto que aquela pessoa teve a longo da história. 00:05:36:01 - 00:06:16:02 . E eu penso que hoje ser cristão é, obviamente, reconhecer nesta pessoa de Jesus uma visita de Deus, uma visita do infinito e do Eterno, uma visita do que extravasa o nosso mundo meramente material. E, portanto, obviamente, o Natal passa por isso, por um encontro com o definitivo, com o Eterno, que é uma coisa que às vezes nos faz estremecer, mas que me parece que faz de nós mais pessoas e de alguma maneira, parece me que a experiência da simplicidade do Menino Jesus, que vai indefeso e é uma experiência que nos pode ajudar a refazer a confiança em Deus nos nossos tempos, não muito popular, pelo menos aqui nas nossas bandas, por assim dizer. 00:06:16:04 - 00:06:41:13 . Mas, mas refazer a confiança em Deus é poder poder saber que se pode confiar no Eterno, que se pode confiar no definitivo. É porque o definitivo tem um rosto. Isso parece me significativo. Nós celebramos o Natal provavelmente em dois planos um muito interessante e recompensador, que é essa ideia da família ou da familia e de estar com pessoas de quem gostamos muito. 00:06:41:15 - 00:07:11:22 . Mas, por outro lado, aliamos isto a um espírito de Natal, a um desenfreado consumir, de comprar todos os presentes do mundo, como se isso fosse absolutamente fundamental para aquele momento. Sim, o que é que se passa? Então eu reconheço que o consumismo é uma coisa excessiva, mas eu devo dizer que não embarco muito na onda de quem acha que presente é uma coisa que extravasa o espírito do Natal. 00:07:11:22 - 00:07:39:17 . Porque não acho isso....
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Como reconstruir vidas de crianças marcadas por histórias difíceis? Rui Godinho
Hoje, falamos de um tema urgente: a infância e como as experiências vividas nesta fase moldam o futuro. Tempo de necessidade máxima de amor e proteção. O que acontece quando a proteção falha? Como podemos ajudar crianças em risco? E o que podemos aprender sobre o papel das famílias, das escolas e da sociedade? Nesta conversa ouço Rui Godinho, psicólogo e diretor da Infância e Juventude da Santa Casa da Misericórdia, um especialista com décadas de experiência a salvar, literal e simbolicamente, crianças maltratadas. Por vezes acordamos, chocados, com as consequências diretas de uma infância infeliz. Uma adolescente de 16 anos matou a irmã e, no tribunal, disse: “Estar na cadeia é melhor do que estar em casa.” Este caso, que começou com maus-tratos familiares e culminou numa tragédia, expõe um padrão: a comunidade, muitas vezes, não vê os sinais ou não age a tempo. “Este não foi um crime isolado”, ouvi eu explicar Rui Godinho. “Ele é o resultado de anos de negligência e violência.” Professores relataram que a jovem era agredida pelo pai à porta da escola, e ainda assim, ninguém interveio. Este caso levanta questões difíceis: por que motivo instituições como escolas ou centros de saúde não identificaram o problema antes? Provavelmente os sistemas de proteção estão desatualizados e focados apenas nos sinais mais óbvios, como pobreza extrema ou agressões físicas visíveis, enquanto maus-tratos psicológicos, mais subtis, continuam a ser ignorados. Quando a negligência ou maltrato é detetada, estas crianças são retiradas do seu ambiente familiar. Idealmente para encontrar uma vida melhor. Muitas crianças em risco são acolhidas por famílias ou colocadas para adoção. Entretanto, ficam à guarda de instituições financiadas pelo estado. Mas tanto o acolhimento como a adoção requerem mais do que boa vontade. “Estas crianças vêm de histórias difíceis”, ouvi eu “Muitas vezes, testam os limites dos novos cuidadores porque nunca tiveram estabilidade.” Rui Godinho dá um exemplo simples: quando uma criança finalmente encontra um ambiente seguro, pode desafiar os pais adotivos como forma a verificar se os laços são reais. Esse comportamento não é de rejeição, mas sim uma tentativa de construir confiança. De validar. Uma espécie de “vamos lá ver se gostas mesmo de mim a sério” O psicólogo sublinha a importância de preparar as famílias para lidarem com estas situações. Além disso, destaca que, em Portugal, ainda há uma cultura muito centrada em instituições, quando o ideal seria que mais crianças pudessem ser acolhidas em famílias. A lei tem hoje várias possibilidades: da clássica adopção, às famílias de acolhimento e até ao apadrinhamento civil. E o número de crianças em instituições tem vindo a descer. Nesta conversa olhamos também para as infâncias felizes. E ao extremo oposto: os pais demasiado protectores. Fixem o conceito “hiperparentalidade negligente”. Este tipo de proteção excessiva reflete um medo exagerado dos riscos, que impede as crianças de aprenderem a lidar com desafios. Ele sugere que os pais deixem espaço para os filhos experimentarem e errarem, de forma segura. É nesse equilíbrio entre proteção e liberdade que as crianças desenvolvem competências para a vida adulta. A educação na Primeira Infância é crítica. As diferenças no início da vida podem determinar o sucesso ou o fracasso de uma criança. Aos 3 anos, uma criança de uma família com menos recursos pode conhecer 400 palavras, enquanto outra, de um contexto mais favorecido, pode chegar às 1200. Esta disparidade, explica, não é apenas numérica: é uma barreira que define o acesso ao conhecimento, à leitura e, mais tarde, ao emprego. A solução? Investir na educação desde cedo. Creches e pré-escolas de qualidade são fundamentais para reduzir estas desigualdades. Mais importante ainda, criar ambientes que estimulem as crianças a explorar, pensar e interagir com o mundo. Afinal comunicar. Saber ler e falar para o mundo. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:12:23 - 00:00:40:14 . Ora, viva! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. Nesta edição retornamos à infância, aos tempos da meninice que sequer feliz, mimada e cheia de boas memórias. Mas nem sempre assim acontece. Hoje falamos de um tema urgente a infância. Como as experiências vividas nesta fase da nossa vida moldam o nosso futuro. Tempo de necessidade máxima de amor e protecção. 00:00:40:16 - 00:01:18:00 . E o que acontece quando essa protecção falha? Como podemos ajudar as crianças em risco? E o que podemos aprender sobre o papel das famílias, das escolas e da sociedade? Nesta conversa ouço Rui Godinho, psicólogo e diretor de Infância e Juventude da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, um especialista com décadas de experiência a salvar, literal e simbolicamente crianças que foram maltratadas pelo mundo. 00:01:18:02 - 00:01:45:18 . De vez em quando acordamos chocados com as consequências directas de uma infância infeliz. Dou um exemplo. Uma adolescente de 16 anos matou a irmã e, no tribunal assumiu que estar na cadeia era melhor do que estar em casa. Neste caso, tudo começou com maus tratos familiares e culminou numa tragédia, expondo um padrão da comunidade. Muitas vezes não vê os sinais e não age a tempo e horas. 00:01:45:20 - 00:02:08:22 . Este não foi um crime isolado. Ouvia o explicar Rui Godinho. Ele é o resultado de anos de negligência e de violência. Professores relataram que esta jovem era agredida pelo pai à porta da escola e ainda assim, ninguém interveio. Esse caso levanta questões difíceis Por que motivo instituições como as escolas ou centros de saúde não identificaram o problema a tempo? 00:02:09:01 - 00:02:35:15 . Provavelmente os sistemas de protecção estão desatualizados e mais focados nos sinais mais óbvios, como a pobreza extrema ou as agressões físicas, enquanto que os maus tratos psicológicos mais subtis continuam a ser ignorados quando a negligência, o maltrato e até destas crianças são retiradas do seu ambiente familiar, idealmente para encontrar uma vida melhor. Muitas das crianças em risco são acolhidas por famílias ou colocadas no sistema para a adopção. 00:02:35:17 - 00:03:04:20 . Entretanto, ficam à guarda de instituições financiadas pelo Estado. Mas tanto o acolhimento como a adoção requerem muito mais do que boa vontade. Estas crianças têm histórias difíceis, ouvi eu muitas vezes. Testam os limites dos novos cuidadores, porque nunca tiveram estabilidade. Rui Godinho dá um exemplo simples quando uma criança finalmente encontra um ambiente seguro, pode desafiar os pais adoptivos como forma de verificar se os laços são reais. 00:03:04:20 - 00:03:33:15 . Se é mesmo a sério esse comportamento não é um comportamento de rejeição, mas sim uma tentativa de construir confiança, de validar numa espécie de vamos lá ver se gostas mesmo de mim. A sério. O psicólogo sublinha a importância de preparar as famílias para lidarem com estas situações. Além disso, destaca que em Portugal ainda há uma cultura muito centrada em instituições, quando o ideal seria que as crianças pudessem ser acolhidas em famílias. 00:03:33:17 - 00:04:03:23 . A lei tem hoje várias possibilidades da clássica adopção as famílias de acolhimento e até ao apadrinhamento civil e o número de crianças em instituições tem vindo a descer. Nesta conversa olhamos também para as infâncias felizes, claro, e até ao extremo oposto os pais que cuidam demais, que são demasiado protetores, que sem o conceito hiper parentalidade negligente. Parece um contrassenso, mas importa perceber de que é que estamos a falar. 00:04:03:24 - 00:04:27:15 . Este tipo de proteção excessiva reflete um medo exagerado dos riscos que impede as crianças de aprenderem a lidar com os desafios. Ele sugere que os pais deixem espaço para os filhos experimentarem e errarem de forma segura, claro. É neste equilíbrio entre protecção e liberdade que as crianças desenvolvem competências para a vida adulta. A educação na primeira infância é crítica. 00:04:27:15 - 00:04:57:03 . Já sabemos. As diferenças no início da vida podem determinar o sucesso ou o fracasso de uma criança. Aos três anos, uma criança de uma família com menos recursos pode conhecer cerca de 400 palavras, enquanto que outra, num contexto mais favorecido, pode chegar às 1200 e o triplo. Esta disparidade, explica, não é apenas numérica. É uma barreira que pode definir o acesso ao conhecimento, à leitura e, mais tarde, ao emprego. 00:04:57:05 - 00:05:21:02 . A solução? Investir na educação desde cedo. Creches e pré escolas de qualidade são fundamentais para reduzir estas desigualdades. Mais importante ainda, criar ambientes que estimulem as crianças a explorar, a pensar e interagir com o mundo. Afinal, comunicar, saber ler e saber falar para o mundo. 00:05:21:04 - 00:05:47:04 . Play Godinho licenciado em Psicologia desde 2016, que é diretor de Infância e Juventude e Família da Santa Casa da Misericórdia. Mas posso apresentá lo como um expert nestas coisas da infância e da juventude. Pode ser. Obrigado por ter aceitado o convite. Muito obrigado e esperto, eu diria, Mas diria um entusiasta e relativista também. E também não é porque vem falando muito sobre isso. 00:05:47:04 - 00:06:35:02 . Quando estava a preparar aqui esta esta nossa conversa. Saltou me uma uma notícia que que me. Que me afligiu. Acho que a palavra é essa. É uma. Uma história de um tribunal. Culminou num tribunal em setembro deste ano, mas tudo aconteceu em agosto de 2023. A notícia é um relato dos repórteres que estão no Tribunal de Leiria no julgamento de uma adolescente que confessa ter matado a irmã mais velha em agosto de 2023 e o que me tocou neste relato foi a maneira como esta adolescente assumiu o crime no tribunal. 00:06:35:04 - 00:07:04:21 . E ela disse Eu passo a citar Estar na cadeia é melhor do que e
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Cancro: Quão importante é a palavra esperança? Susana Almeida
Oficialmente é médica psiquiatra Na prática, é uma ouvidora profissional ajudando pessoas a quem foi diagnosticado cancro. Ouve doentes, famílias e profissionais que tratam esta doença no IPO do Porto. Susana Almeida dirige o serviço de psiquiatria deste hospital. Mas de facto é uma especialista em transformar dor em narrativa, sofrimento em resiliência e perda em oportunidade de crescimento. No seu dia-a-dia aprendeu que a “A nossa cara diz muito sobre nós”, explicando que o trabalho de um psiquiatra começa antes mesmo de o doente nem sequer abrir a boca. É no detalhe que Susana encontra o primeiro capítulo de cada história. O olhar desviado, a hesitação ao caminhar, a escolha das palavras — tudo é revelador. Voltamos à observação da linguagem não verbal. Onde o gesto fala. E diz coisas que aa pessoas não conseguem colocar em palavras. É como se a palavra angústia estivesse em cada trejeito, tremura ou olhar vago. Claro, há o gesto e a palavra. Mas comunicar é também não comunicar. Explico-me: o não dito é uma forma de dizer. O desafio de Susana Almeida não é apenas escutar o que é dito, mas decifrar o que fica por dizer. A sua experiência diz-lhe que o confronto com uma doença grave é, muitas vezes, um momento de balanço. O momento da nostalgia do que poderíamos ter sido. O confronto com as escolhas da vida. Porque escolhi ser isto e não aquilo. Porque decidi estar com esta pessoa e não outra. Ou nenhuma. Perguntas sem resposta apaziguadora. E sem tempo para reviver. Depois há o confronto com o corpo. Com a possível ou real mutilação. Com o impacto no lar. Ouvi a história de uma mulher que recusava a ideia de ter de tirar uma mama porque os seios eram parte fundamental e inegociável da sua identidade pessoal. Mas este episódio não é só dor. É uma conversa carregada de energia e esperança. De pacificação, crescimento e possibilidade. Bem-vindos à discussão milenar da condição humana. Vale ouvir. Vale partilhar. A luta contra as grandes adversidades recolhe forças nos dias bons. Nos dias que passaram, nos dias que hão de vir. A alegria de um momento robusto de afetos funciona sempre como uma bateria. E as esperança do melhor como dínamo de energia. Vale sempre ouvir. Vale falar. Vale ser humano. Na mais universal das definições. RESUMO No Instituto Português Oncologia do Porto, num gabinete repleto de histórias não contadas, a psiquiatra Susana Almeida enfrenta diariamente as fragilidades da condição humana. Diretora do serviço de Psiquiatria, Susana Almeida é especialista em transformar dor em narrativa, sofrimento em resiliência e perda em oportunidade de crescimento. “A nossa cara diz muito sobre nós”, começa por explicar, sublinhando que o trabalho de um psiquiatra começa antes mesmo de o doente abrir a boca. É no detalhe que Susana encontra o primeiro capítulo de cada história. O olhar desviado, a hesitação ao caminhar, a escolha das palavras — tudo é revelador. “A observação do não verbal é essencial. Como alguém chega à consulta pode dizer mais do que qualquer exame.” No IPO, onde os doentes frequentemente enfrentam diagnósticos de cancro, estes sinais tornam-se ainda mais importantes. “Muitas vezes, as pessoas não conseguem verbalizar a angústia, mas ela está lá, evidente nos gestos e na postura.” O desafio de Susana não é apenas escutar o que é dito, mas decifrar o que fica por dizer. A sua experiência diz-lhe que o confronto com uma doença grave é, muitas vezes, um momento de balanço. “Há quem se foque no presente, mas muitos são assombrados pela nostalgia do que poderia ter sido. Escolhas que não fizeram, caminhos que não tomaram, relações que não cultivaram. É como se o tempo parasse num passado idealizado, mas a verdade é que o que não foi vivido não é garantia de nada melhor.” Entre os relatos que marcaram o seu percurso, Susana recorda uma paciente que recusava a ideia de uma mastectomia. “Ela dizia: ‘As minhas mamas são parte crítica da minha identidade.’ Cada pessoa atribui valor ao corpo de forma única, e o papel do médico é ajudá-la a reconstruir essa relação consigo mesma.” Este apoio vai além da saúde física — trata-se de restaurar um sentido de identidade e dignidade. Mas e quando a saúde mental de um doente colide com a dinâmica do lar? Susana explica que as relações, tal como os corpos, sofrem transformações sob o peso da doença. “Se o casal já tem uma boa comunicação, é mais fácil enfrentar os desafios juntos. Mas, se há lacunas ou tensões, estas tornam-se evidentes.” Em muitos casos, Susana convida os parceiros para as consultas, criando um espaço seguro para as dificuldades poderem ser discutidas. “A ideia é encontrar novas formas de conexão e intimidade. Muitas vezes, é um momento de reconstrução para ambos.” Há um fio condutor que atravessa o trabalho da psiquiatra: a esperança. “A esperança é uma força motriz épica. Nunca devemos castrá-la”, afirma com a convicção de quem já viu o pior e o melhor da natureza humana. Mesmo em cenários de prognósticos difíceis, a escolha das palavras faz toda a diferença. “Não se trata de pintar um cenário irreal, mas de mostrar que, mesmo num contexto difícil, há caminhos a explorar. As palavras têm peso, e o tom certo pode ser decisivo.” No entanto, este equilíbrio entre realismo e esperança exige muito dos profissionais de saúde. “Os médicos mais motivados são, muitas vezes, os mais vulneráveis ao ‘burnout’. Têm uma enorme disponibilidade emocional e acabam por negligenciar o auto cuidado.” No IPO, há mecanismos de suporte para a equipa de psiquiatria, incluindo supervisões regulares. “Precisamos de espaços para refletir, validar o que fazemos e apoiar-nos mutuamente.” Quando lhe pergunto como encontra forças para lidar com tanto sofrimento, Susana sorri. “O que me move são as pequenas vitórias. Ver que um doente conseguiu voltar a jantar com a família ou que encontrou paz num momento de caos é o que me valida.” TÓPICOS & CAPÍTULOS [00:00] Introdução ao Tema da Comunicação em Momentos de DorO episódio aborda a importância da comunicação em momentos de dor extrema e vulnerabilidade, especialmente em situações de diagnóstico de doenças graves, como o câncer. [00:12] Apresentação de Susana AlmeidaSusana Almeida, médica psiquiatra e ouvidora profissional, fala sobre a sua experiência em ajudar doentes diagnosticados com cancro e as suas famílias. [00:46] A Linguagem Não Verbal na PsiquiatriaA importância da observação da linguagem não verbal e como os psiquiatras interpretam sinais antes mesmo do doente falar. [01:46] O Confronto com a Doença e a IdentidadeDiscussão sobre como a doença pode levar a reflexões sobre escolhas de vida e a identidade pessoal, incluindo a resistência e superação. [03:01] A Comunicação em Casais Durante a DoençaComo a comunicação entre casais pode ser afetada por diagnósticos de doenças graves e a importância de abrir diálogos sobre intimidade. [04:50] A Importância da Observação no Atendimento PsiquiátricoA prática de observar o comportamento e a aparência dos doentes como uma ferramenta diagnóstica. [06:34] A Coerência entre Verbal e Não VerbalA busca por coerência entre o que é dito e o que é comunicado através da linguagem não verbal. [09:04] O Papel do Psiquiatra no Acompanhamento de doentes com CâncerComo os psiquiatras auxiliam os doentes a lidar com o medo e a imprevisibilidade da doença. [10:24] Nostalgia e Reflexão sobre Escolhas de VidaA ideia de nostalgia em relação ao que poderia ter sido, especialmente em momentos de crise. [12:44] A Comunicação sobre Mutilações e IdentidadeDiscussão sobre como as mutilações afetam a identidade e a sexualidade, e como isso é abordado em casa. [14:12] Abertura de Diálogo em CasaisA importância de ter um histórico de boa comunicação para lidar com questões difíceis. [16:09] Consultas com ParceirosA prática de incluir parceiros nas consultas para facilitar a comunicação e o apoio mútuo. [19:57] A Superação de Mutilações e a RelaçãoComo casais podem encontrar novas formas de intimidade após uma mutilação. [22:31] O Impacto da Doença nas RelaçõesReflexão sobre como a doença pode revelar fragilidades nas relações e levar a separações. [25:57] Crescimento Pessoal Após a DoençaA ideia de crescimento pós-traumático e como as pessoas se reavaliam após experiências difíceis. [27:51] A Conversa sobre a MorteA dificuldade de abordar a morte e como isso varia entre culturas. [30:06] A Importância da Comunicação ClaraA necessidade de uma comunicação clara e sensível sobre a morte e o tratamento. [32:35] O Cuidado Pessoal dos Profissionais de SaúdeA importância do auto cuidado para os profissionais de saúde e como eles lidam com a carga emocional do trabalho. [35:25] O Luto dos Profissionais de SaúdeA necessidade de processar a perda de doentes e o suporte entre colegas. [39:39] A Responsabilidade dos Profissionais de SaúdeA importância de cuidar de si para poder cuidar dos outros. [43:06] A Esperança como Força MotrizA esperança como um elemento essencial na vida dos doentes e como isso é percebido pelos profissionais. [47:56] A Comunicação de Más NotíciasA formação e a importância de comunicar más notícias de forma sensível e clara. [51:33] Conclusão sobre a Prática PsiquiátricaReflexão sobre a satisfação que vem de auxiliar os doentes e a importância de ouvir e entender as suas experiências. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO Transcrito Automaticamente Com Podsqueeze JORGE CORREIA 00:00:12 Ora vivam! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. Não encontro momento mais importante para comunicar do que aquele instante em que sentimos uma dor extrema ou uma vulnerabilidade infinita. Porque é necessário, porque é relevante e porque ajuda muito....
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Quem conta as histórias do bairro? António Brito Guterres
A maneira como narramos as histórias conta. Como contamos o que vemos. Como ignoramos o que não queremos ver. Neste episódio vamos ao bairro. Ao bairro que insistimos em não ver. O bairro são muitos bairros. Mas todos, sem exceção, são chamados periféricos ou de intervenção social. Um lugar onde tudo é difícil. Da vida até às histórias que se contam dele. O bairro veio ao Pergunta Simples. E simples é tudo o que o bairro não é. António Brito Guterres é um alquimista dos estudos urbanos. Da formação em assistência social ao trabalho diário nos bairros onde é mais difícil viver. Ele assume-se como um narrador das vidas que por lá se vivem. Ou sobrevivem. No seu trabalho, ele escuta as comunidades, observa os seus gestos, compreende as suas dores e, mediante narrativas genuínas, auxilia-as a ressignificar as suas realidades. É alguém que acredita que toda a história merece ser contada — principalmente aquelas que ainda não saltaram os “muros” das periferias e que, por isso, permanecem invisíveis para grande parte da sociedade. Como urbanista e investigador, António tem estado na linha da frente da reflexão sobre como as cidades são desenhadas, quem nelas vive e como podemos construir espaços mais justos e inclusivos. Ele trabalha nos “pontos de dor”, como ele próprio descreve, onde as contradições do nosso sistema ficam expostas: bairros marginalizados, escolas com altas taxas de retenção, espaços urbanos negligenciados e vidas empurradas para o silêncio. Durante a conversa, exploramos como as desigualdades estruturais perpetuadas pelo urbanismo, pelas políticas públicas e pela comunicação. Falámos muito sobre Importância das Narrativas: Como as histórias das periferias são frequentemente limitadas a narrativas de crime ou tragédia nos ‘media’ tradicionais, ou nas redes sociais. As mesmas redes socais que abrem caminhos para exemplos de resistência narrativa, como movimentos culturais que emergem desses bairros, desafiando preconceitos e estigmas. Músicos que nem sabíamos existirem até terem milhões de ouvintes, poetas escondidos que fazem as letras para a cantiga de protesto, artistas plásticos que mais depressa ganham um prémio internacional do que aparecem na televisão portuguesa. Quão surdos estamos para não querer ouvir estas vozes? Quão alto é o muro criado pelo urbanismo do betão feio? Do Urbanismo como ferramenta de exclusão ou emancipação: Falámos da forma como a arquitetura pode ser usada para segregar comunidades e criar “gaiolas” em vez de trampolins sociais. Da forma como a educação pode ajudar ou deixar que se repita o ciclo da Pobreza: Mas não desistimos por aqui. Porque navegamos na cultura como Forma de resistência: A ascensão de artistas periféricos, como rappers e criadores culturais, que usam a arte para reescrever as narrativas dos seus territórios. Proponho que viajemos aos bairros. Ouvir. Simplesmente, ouvir. Há uma história que precisa de ser recontada. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:12:24 - 00:00:44:07 JORGE CORREIA Uma dádiva. Um Bem vindos ao. Pergunta simples O vosso pecado sobre a comunicação. A maneira como narramos as histórias conta como contamos o que vemos, como ignoramos o que não queremos ver. Neste episódio vamos ao bairro, ao bairro que insistimos em não ver o bairro. São muitos bairros, mas todos, sem exceção, são chamados de periféricos ou de intervenção social, num lugar onde tudo é mais difícil da vida e das histórias que se contam dele. 00:00:44:13 - 00:01:01:00 JORGE CORREIA Do bairro veio a pergunta simples e simples é tudo aquilo que o bairro não é? 00:01:01:02 - 00:01:30:16 JORGE CORREIA António Guterres é um alquimista dos estudos urbanos, da formação em essência social, ao trabalho diário nos bairros onde é mais difícil viver e assume se como um narrador das vidas que por lá se vivem ou sobrevivem. No seu trabalho, ele escuta as comunidades, observa os seus gestos, compreende as suas dores e, através de narrativas narrativas genuínas, ajuda a ressignificar, a criar novos significados para as suas realidades. 00:01:30:18 - 00:01:56:04 JORGE CORREIA É alguém que acredita que toda a história merece ser contada, principalmente aquelas histórias que ainda não saltaram os muros das periferias e que, por isso, permanecem invisíveis para grande parte da sociedade. Como urbanista e investigador, António tem estado na linha da frente da reflexão sobre como é que as cidades são desenhadas, quem nelas vive, como podemos construir espaços mais justos e inclusivos? 00:01:56:06 - 00:02:27:00 JORGE CORREIA Ele trabalha nos chamados pontos de dor, como ele próprio o descreve, onde as contradições do nosso sistema ficam expostas. Bairros marginalizados, escolas com altas taxas de retenção com alunos chumbar logo nos primeiros anos, espaços urbanos negligenciados e vidas empurradas para o silêncio. Durante esta conversa, exploramos como as desigualdades estruturais que são perpetuadas com a ajuda do urbanismo, pelas políticas públicas e pela comunicação pela tal narrativa. 00:02:27:02 - 00:02:53:09 JORGE CORREIA Falamos, de resto, muito sobre a importância das narrativas, não fosse este um caso sobre comunicação, como as histórias das periferias são frequentemente limitadas a narrativas de crime ou tragédia nos media tradicionais ou nas redes sociais, as mesmas redes sociais onde se abrem caminhos de esperança para exemplos de resistência narrativa, como movimentos culturais que emergem destes bairros, desafiando preconceitos e estigmas. 00:02:53:11 - 00:03:19:13 JORGE CORREIA Músicos que nem sabíamos existirem até eles terem milhões de ouvintes, poetas escondidos que fazem letras para cantigas de protesto ou artistas plásticos que mais depressa ganham um prémio internacional lá fora do que aparecem na televisão portuguesa. Com surdos estamos nós para não querer ouvir estas vozes com auto e o muro criado pelo urbanismo do betão fácil do urbanismo como ferramenta de exclusão ou de emancipação. 00:03:19:17 - 00:03:47:24 JORGE CORREIA Falamos da forma como a arquitetura pode ser usada para segregar comunidades e criar gaiolas ao invés de criar trampolins sociais. Da forma como a educação pode ajudar ou deixar que se repita o ciclo da pobreza. Mas não desistimos por aqui porque navegamos na cultura como forma de resistência à ascensão de artistas periféricos, primeiro periféricos, agora mundiais, como rappers e criadores culturais que usam a arte para reescrever as tais narrativas dos seus territórios. 00:03:48:01 - 00:04:21:06 JORGE CORREIA Proponho que viajemos até aos bairros. Ouvir, simplesmente ouvir a uma história que precisa de ser recontada. António Brito Guterres é um contador dessas histórias que nos lembram o poder das narrativas, o poder transformador das narrativas. Este episódio de pergunta simples é mais do que uma simples conversa, é um convite a olhar para o mundo de uma maneira diferente, a escutar as vozes que muitas vezes são silenciadas e a reconhecer o valor de cada história humana. 00:04:21:08 - 00:04:24:07 JORGE CORREIA Quem és tu? António Brito Guterres. 00:04:24:09 - 00:04:51:20 ANTÓNIO BRITO GUTERRES Depende do ponto de partida e onde o túnel eventualmente contou na televisão ou na rádio. Isso parte de mim determinada e, contudo, outros locais sou outra parte de mim. Somos todos um caso. Não deixe fantasiar, pelo menos de fantasiar pelo que vêem, porque às vezes essa é uma parte recortada. É evidente que eu tento unir as pontas todas por resultar o mais genuíno possível, porque, imagino em nós estamos mais à vontade, estamos também e isso é importante. 00:04:51:22 - 00:05:07:14 ANTÓNIO BRITO GUTERRES Mas agradeço sua essencial, sua investigação. Investigador em Estudos Urbanos, Doutorando em Estudos Urbanos e jornalista. E, na verdade, eu acho que o trabalho não é muito diferente, porque meu trabalho é contar histórias. 00:05:07:14 - 00:05:09:13 JORGE CORREIA É uma espécie de etnografia. 00:05:09:15 - 00:05:10:18 ANTÓNIO BRITO GUTERRES Não é bem isso. 00:05:10:20 - 00:05:11:21 JORGE CORREIA O que faz a procura. 00:05:11:21 - 00:05:40:13 ANTÓNIO BRITO GUTERRES Até porque não gosto de muito observar e de aprender com a tradição oral dentro dos gestos, das pessoas. Mas quando digo que meu trabalho muitas vezes não é longe, não está longe de um jornalista, é porque eu estou numa posição de trabalho que lida com as inconformidades do mundo em que vivemos. Por exemplo, contrato social. Estou exposto num sítio que denuncia as desigualdades, denuncia as inconformidades, trabalha as contradições do nosso mundo. 00:05:40:14 - 00:05:42:00 JORGE CORREIA Trabalha nos pontos de dor. 00:05:42:03 - 00:05:51:22 ANTÓNIO BRITO GUTERRES Exatamente. No entanto, quando eu digo que são histórias e eu ouço as pessoas e tento tecnicamente apoiá las para lhes pedir, emancipar e ser livre de determinarem. 00:05:51:24 - 00:05:54:02 JORGE CORREIA Como é que suas obras. 00:05:54:04 - 00:06:07:03 ANTÓNIO BRITO GUTERRES Ouvindo mesmo ouvindo e depois respondendo de acordo com outra, não é o que o Antonio acha que deve ser. É ouvir percebê las no seu contexto e responder de acordo com as suas necessidades. E isso. 00:06:07:03 - 00:06:09:00 JORGE CORREIA Implica uma técnica. 00:06:09:02 - 00:06:36:19 ANTÓNIO BRITO GUTERRES Ou apenas uma vontade que implica em entregar algumas, mas algumas, sinceramente, são de caráter. Às vezes o digo o profissional pode nos dar algumas ferramentas. Mas é fácil. Também esquecemos delas na prática e de tradição, contando histórias e a partir dessa questão mais técnica de ajudar as suas a mover as suas vidas afastadas de uma certa codificação que nos é acessível e que talvez, no dizer acima, de propósito. 00:06:36:21 - 00:06:38:18 JORGE CORREIA Não se sentem que se encaixam no mundo. 00:06:38:20 - 00:07:01:00 ...
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O que nos ensina o futebol sobre comunicação? Helena Costa
Dizem que há três linguagens universais: a música, a matemática e o desporto. No desporto, o futebol destaca-se como a língua franca mais consensual. É um idioma que todos parecemos entender, independentemente da idade, do género ou da geografia. São 11 jogadores contra outros 11. Um campo, uma bola, e tudo o que fazem parece ser compreendido por todas as pessoas. De José Mourinho ao adepto mais comum na bancada ou em casa. Todos sabemos quando era penálti. Todos vemos a genialidade de um passe ou sentimos que o falhanço podia ter sido o nosso, mesmo que só joguemos no sofá. Mas o futebol é um paradoxo de comunicação: da simplicidade absoluta de “marcar um golo” à complexidade tática de uma equipa que joga rápido, bem e em harmonia. O futebol também é emoção. Hoje, o treinador é o melhor do mundo. Amanhã, devia ser despedido sem pestanejar. E tudo depende de uma coisa tão simples como a bola entrar ou não entrar. Mas será que o futebol é só isso? Emoções e golos? Para entendermos melhor a linguagem deste jogo universal, convidei uma das melhores treinadoras portuguesas de futebol: Helena Costa. Atualmente, Helena aparece nos grandes estádios da Europa, explicando-nos os jogos como poucos conseguem — de forma simples, acessível e direta, que até eu consigo entender. Helena Costa tem no currículo momentos extraordinários. Participou na formação de talentos de elite, como Bernardo Silva, quando treinava nas escolinhas do Benfica. Aceitou o desafio de ir ao Qatar para criar, do zero, uma seleção nacional feminina. E foi até ao Irão, um país onde a cultura e a condição feminina levantam barreiras que poucos ousam enfrentar. Esta conversa é sobre a comunicação no desporto de alta competição. Mas também é sobre talento, liderança e a melhoria constante do desempenho. A nossa convidada não é apenas treinadora e comentadora desportiva. Ela é também scout, ou seja, 'olheira' de talentos. Helena tem o olhar treinado para identificar o que separa um bom jovem jogador de alguém que, um dia, vestirá a camisola da seleção nacional. E spoiler: não é só a técnica que conta. É também a rapidez de pensamento, a leitura tática e a capacidade de ver o jogo como um todo — a sua equipa, o adversário e o momento certo para agir. No entanto, mesmo os craques, ou talvez especialmente eles, nem sempre lidam bem com as críticas dos treinadores. Porque, no futebol, o talento só é suficiente quando é acompanhado de resiliência, disciplina e a vontade de melhorar. E é aqui que entra a comunicação. É através dela que treinadores e jogadores se afinam, que talentos se desenvolvem e que equipas se tornam campeãs. Esta pode parecer uma conversa sobre futebol, mas é muito mais do que isso. É sobre liderança, sobre ultrapassar limites e, acima de tudo, sobre a condição humana. TEMPOS E TEMAS [00:00] Introdução ao PodcastTítulo: Boas-vindas e Introdução ao TemaResumo: O apresentador dá as boas-vindas aos ouvintes e introduz o tema do episódio, que explora a comunicação no futebol, destacando a universalidade do desporto e a complexidade da comunicação envolvida. [00:35] Apresentação da ConvidadaTítulo: Apresentação de Helena Costa Resumo: O apresentador apresenta Helena Costa, uma treinadora e comentadora desportiva de renome, mencionando a sua experiência em treinar jovens talentos e a sua atuação em diferentes países, incluindo Qatar e Irão. [01:35] Comunicação e Emoções no FutebolTítulo: A Complexidade da Comunicação no FutebolResumo: Discussão sobre como o futebol é um paradoxo de emoções e comunicação, onde a simplicidade de marcar um golo contrasta com a complexidade tática do jogo. [02:53] O Papel do Treinador e do ScoutTítulo: A Missão de Identificar TalentosResumo: Helena fala sobre a importância da comunicação na formação de jogadores e como ela visa identificar talentos que podem se destacar no futebol. [04:09] Desafios de Ser Mulher no FutebolTítulo: Desafios de Ser TreinadoraResumo: Helena discute as dificuldades que enfrenta como mulher num ambiente predominantemente masculino e a importância da competência no seu trabalho. [05:24] A Influência dos Resultados no FutebolTítulo: A Pressão dos ResultadosResumo: Conversa sobre como os resultados impactam a carreira dos treinadores e a dinâmica dos clubes, além da relação entre treinadores e direções desportivas. [07:58] A Comunicação no TreinoTítulo: A Importância da Comunicação no TreinoResumo: Helena fala sobre como a comunicação varia entre diferentes faixas etárias e géneros, e a necessidade de adaptar a abordagem conforme o público. [10:04] Gestão de Conflitos no BalneárioTítulo: Gerindo Tensão no BalneárioResumo: Discussão sobre como lidar com a tensão entre jogadores mais jovens e experientes, e a importância da meritocracia no futebol. [12:32] O Olhar do ScoutTítulo: O Que Procura um ScoutResumo: Helena explica o que considera talento num jogador e como a capacidade de pensar o jogo à frente dos outros é crucial. [14:50] Desenvolvimento de Jovens TalentosTítulo: Trabalhando com Jovens JogadoresResumo: Conversa sobre como desenvolver jovens talentos, focando na importância do feedback e do entendimento do jogo. [18:00] Lidar com a FrustraçãoTítulo: A Importância da ResiliênciaResumo: Helena discute como a resiliência e a capacidade de lidar com críticas são essenciais para o sucesso de jogadores talentosos. [19:50] Comunicação Direta com JogadoresTítulo: A Comunicação Direta e JustaResumo: A importância de ser claro e direto na comunicação com os jogadores, adaptando a abordagem a cada indivíduo. [22:00] Desafios de Treinar no IrãoTítulo: Superando Barreiras CulturaisResumo: Helena compartilha as suas experiências de treinar no Irão, incluindo as dificuldades de comunicação e a adaptação cultural. [25:07] A Paixão pelo Futebol no IrãoTítulo: A Cultura do Futebol no IrãoResumo: Discussão sobre a paixão pelo futebol no Irão e como isso impacta o desenvolvimento do desporto no país. [27:40] Comunicação em Estádios CheiosTítulo: Desafios da Comunicação em JogosResumo: Helena fala sobre as dificuldades de se comunicar com jogadores em estádios cheios e a importância da comunicação não verbal. [28:50] O Papel dos Líderes em CampoTítulo: Definindo Líderes no FutebolResumo: Discussão sobre as características que definem um líder dentro de campo e a importância da personalidade. [30:00] Lidar com Jogadores EstrelasTítulo: Gerindo Jogadores EstrelasResumo: Helena compartilha a sua experiência em lidar com jogadores que têm um status elevado e como a liderança é crucial nesse contexto. [32:00] A Criação do Futebol Feminino no QatarTítulo: Desafios de Criar uma Seleção FemininaResumo: Helena fala sobre a experiência de criar uma seleção feminina do zero no Qatar e os desafios enfrentados. [36:00] A Importância da EmpatiaTítulo: A Empatia na LiderançaResumo: A importância de criar um ambiente empático e próximo para motivar e desenvolver jogadoras. [39:00] A Comunicação na TelevisãoTítulo: A Experiência como ComentadoraResumo: Helena discute a sua experiência como comentadora de futebol e a importância de comunicar de forma acessível para todos os públicos. [42:00] O Futuro do Futebol FemininoTítulo: Expectativas para o Futebol FemininoResumo: Conversa sobre o crescimento do futebol feminino e as expectativas para o futuro, incluindo a possibilidade de sucesso em campeonatos mundiais. [44:00] Conclusão e Reflexões FinaisTítulo: Reflexões sobre o Futebol e a ComunicaçãoResumo: O apresentador encerra o episódio refletindo sobre as lições aprendidas com a conversa, destacando a importância da comunicação e da conexão humana no desporto. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO Transcrito Automaticamente Com Podsqueeze JORGE CORREIA 00:00:12 Ora viva! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre comunicação, onde exploramos como nos ligamos uns aos outros através das palavras e das acções? Dizem que no mundo há três linguagens universais a música, a matemática e o desporto. E dentro do desporto, o futebol destaca se como a língua franca mais consensual e um idioma que todos parecemos entender, independentemente da idade, do género ou da geografia. São 11 jogadores contra O111 campo, uma bola e tudo o que fazem parece ser compreendido por toda a gente. Do José Mourinho ao adepto mais comum da bancada ou em casa, todos sabemos quando era penálti e quando vemos a genialidade de um passe ou o golo, ou sentimos que o falhanço podia ter sido o nosso. Mesmo que só joguemos no sofá. Mas o futebol é um paradoxo de comunicação, da simplicidade absoluta de marcar um golo. A complexidade táctica de uma equipa que joga rápido, bem e em harmonia. O futebol é emoção cujo treinador é o melhor do mundo. Amanhã deveria ser despedido sem pestanejar. E tudo depende de uma coisa tão simples como a bola entrar ou não entrar de uma baliza. JORGE CORREIA 00:01:35 Mas será que o futebol é só isto emoções e golos? Para entendermos melhor a linguagem deste jogo universal, convidei uma das melhores treinadoras portuguesas da atualidade Helena Costa. Atualmente, Helena Costa não é só treinadora, mas aparece também como comentadora na televisão. Aparece nos grandes estádios da Europa, explica nos os jogos como poucos conseguem de forma simples, acessível e directa. Até eu consigo entender o jogo. Helena tem no seu currículo momentos extraordinários. Ela, por exemplo, participou na formação de talentos de elite como Bernardo Silva, quando treinava nas escolinhas do Benfica. Aceitou depois o desafio de ir até o Qatar para criar do zero uma seleção nacional feminina e foi até ao Irão, o país onde a cultura e a condição feminina levantam barreiras que poucos ousam enfrentar. Esta conversa é sobre comunicação no desporto de alta competição, mas também é sobre talento,...
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COMO SUPERAR O MEDO DE DANÇAR? BRUNO RODRIGUES
Hoje vamos dançar. A forma mais natural em que acertamos o nosso movimento ao ritmo dos sons ou até dos pensamentos. Sim, hoje acertamos os passo na arte humana da dança. Dos mais talentosos dos bailarinos ao mais descoordenado dos seres. Eu pecador de confesso. E por isso convidei o actor, coreógrafo e bailarino Bruno Rodrigues para me ensinar sobre o movimento do corpo. Sou o mais descoordenado dos seres a habitar sobre a terra. Poderia dizer que tenho dois pés esquerdos, o que até poderia ser elogioso porque até se dá o caso de eu ser canhoto. Por isso simplifico: não tenho jeitinho nenhum para dançar. O que me angustia porque o meu sentido de ritmo é bom. Acho eu. Sinto que sim. Ritmo dentro da minha cabeça. Depois os braços e as pernas é que não acompanham. Parecem ter vida própria, lançando no espaço pernas e braços num louco, levemente assustador e definitivamente esquisito movimento. E um dia conheci o Bruno. Num evento experimental sobre o movimento. E aprendi que todos temos uma espécie de biblioteca de movimentos. E nessa biblioteca estão os livros de instruções para nos mexermos. É só ler esses livros. Embora muitos de nós nem sequer nos atrevemos a pegar neles. Nos livros. Nas ancas, rótulas, ombros ou pescoço. Volto ao movimento. Basta respirar, diz ele, o Bruno, e o movimento aparece naturalmente. Esta conversa é sobre isso. Sobre o movimento. Sobre a maneira como dançamos. Na conversa saberemos como alguém descobre que a sua vocação, como experimenta e aprende sobre a arte da dança. Hoje é coreógrafo, actor e formador na área do movimento. Naturalmente falámos da maneira como o nosso corpo fala, como comunica. E de como a dança pode ser uma ferramenta social de inclusão e partilha. Aprendi que todos podemos dançar. E sabemos dançar. À nossa maneira, mas é uma maneira tão certa como qualquer outra. Saia lá daí, da frente do espelho. E liberte-se. Claro que depois há o bailado, como expressão plástica maior. A expressão do belo e do sublime. Afinal o uso do corpo para nos fazer sentir as emoções. O corpo como espelho da alma. O movimento e a dança como uma forma universal de nos entontarmos mutuamente. De olhos nos olhos. De mão na mão. Num compasso certo dos pés que seguem num movimento síncrono. Isto nas danças a dois. Mas também valem os grupos que dançam num concerto. Ou até aquele que dança sozinho na praia, sem música, apenas ao ritmo dos pensamentos. E tudo se move. E tudo dança. Até os planetas à volta do sol. Ou o sentir. Ao ritmo dos batimentos do coração. O ritmo primordial da dança da vida. Da Química à Dança: O Início da Jornada Inicialmente estudante de Engenharia Química, Bruno descobriu a dança por acaso, quando uma colega o convidou a experimentar uma aula. Essa experiência revelou-lhe um novo caminho, onde se sentiu verdadeiramente “em casa”. O que começou como uma simples curiosidade tornou-se rapidamente a sua paixão e carreira. No episódio, ele descreve o momento inicial, numa sexta-feira de outubro, que marcou o encontro com a dança. A sensação de “pertença” era tão intensa que ele a lembra com detalhes, incluindo as cores, os cheiros e a música daquela primeira aula. A Dança Como Forma de Comunicação e Intervenção Bruno vê a dança como uma linguagem universal, acessível a todos e não apenas a quem se dedica profissionalmente a esta arte. Para ele, todos dançam a partir do momento em que respiram, pois a base do movimento é a respiração. Ele explora a ideia de que a dança está presente nos pequenos gestos do dia a dia e que cada movimento entre duas poses ou “fotografias” forma uma coreografia única. O Movimento do Corpo e a Relação com a Identidade A entrevista toca em questões profundas sobre como o movimento expressa a relação de cada um consigo mesmo. Bruno reflete sobre a relação entre corpo e identidade, afirmando que a maneira como nos movemos espelha a nossa auto perceção e até as nossas cicatrizes emocionais. Para ele, o corpo manifesta tudo o que está “cá dentro”, e cuidar dele é uma forma de cuidar da nossa própria história. Este ponto é enfatizado com um exemplo de um workshop que conduziu com jovens bailarinos cegos, onde observou como o movimento pode ajudar a superar limitações e abrir novas possibilidades de expressão. Desafios do Teatro Imersivo Bruno também fala sobre as suas experiências em teatro imersivo, onde os atores e o público compartilham o mesmo espaço físico e a interação vai além da palavra. Um exemplo é o espetáculo “E Morreram Felizes Para Sempre”, realizado no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa. Neste tipo de teatro, o público movimenta-se livremente entre os atores, e isso exige uma preparação intensa dos performers, que precisam estar preparados para atuar em 360 graus, sem uma “quarta parede” convencional. Bruno partilha como a atenção aos detalhes e a criação de rituais auxiliam os atores a manter-se fiéis às suas personagens, mesmo sob pressão e proximidade do público. Da Técnica à Emoção: A Expressão Completa do Artista No final do episódio, Bruno reflete sobre o que distingue um grande bailarino. Para ele, não é apenas a técnica, mas a capacidade de transmitir verdade e autenticidade. Ele defende que o essencial para o artista é “incorporar” o movimento, ou seja, apropriar-se dele de forma única, sem se limitar a copiá-lo. Essa ideia estende-se à sua abordagem ao ensino, especialmente em workshops de curta duração, onde se sente mais à vontade para ajudar jovens e adultos a descobrir o seu potencial criativo, sem a pressão de uma avaliação técnica rígida. A Observação como Ferramenta de Aprendizagem Uma das práticas que Bruno destaca é a observação atenta dos movimentos e comportamentos das pessoas em espaços públicos, como praças e estações de metro. Esses momentos servem-lhe de inspiração para criar coreografias que refletem o dia a dia. Ele enfatiza a diferença entre “ver” e “observar”, onde esta última implica uma conexão mais profunda e ativa com o que se analisa. Para Bruno, a observação cuidadosa permite entender a essência do movimento e traz uma nova dimensão para a criação artística. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO Transcrito Automaticamente Com Podsqueeze JORGE CORREIA 00:00:13 Viva. Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. Hoje vamos dançar a forma mais natural em que acertamos o nosso movimento ao ritmo dos sons ou até dos pensamentos. Sim, hoje acertamos os passos da arte humana, da dança dos mais talentosos, dos bailarinos aos mais descoordenados dos seres. Eu, pecador, me confesso, e por isso convidei o ator, coreógrafo e bailarino Bruno Rodrigues para me ensinar sobre o movimento do corpo. Sou o mais descoordenado dos seres que habitam sobre a Terra. Poderia dizer que tenho dois pés esquerdos, que até poderia ser elogioso, até porque se dá o caso de eu ser canhoto. Por isso vou simplificar. Não tenho jeitinho nenhum para dançar, o que me angustia, porque o meu sentido de ritmo é bom, acho eu. Sinto que sim. Ritmo dentro da minha cabeça. Depois os braços e as pernas é que não acompanham, parecem ter vida própria, lançando no espaço pernas para um lado, braços para o outro como um louco levemente assustador e definitivamente promovendo um esquisito movimento. JORGE CORREIA 00:01:27 E um dia conheci o Bruno num evento experimental sobre o movimento e aprendi que todos temos uma espécie de biblioteca de movimentos e nessa biblioteca estão os livros de instruções para nos mexermos. É só ler esses livros. Embora muitos de nós nem sequer nos atrevemos a pegar neles, nos livros, nas ancas, nas rótulas, nos ombros ou no pescoço. Volto ao movimento. Volto sempre ao movimento. Com livro ou sem livro, Basta respirar, dizê lo. Bruno. O movimento aparece naturalmente. Esta conversa é sobre isso, sobre o movimento, sobre a maneira como dançamos. Na conversa, vamos saber como é que alguém descobre que a sua vocação é dançar, Como experimenta e aprende sobre a arte da dança e do movimento. Hoje ele é coreógrafo, ator e formador na área do movimento. Naturalmente, falamos da maneira como o nosso corpo fala, como comunica e de como a dança pode ser uma ferramenta social de inclusão e partilha. Aprendi que todos podemos dançar e sabemos dançar à nossa maneira, mas é uma maneira tão certa como outra qualquer. JORGE CORREIA 00:02:31 Saia por isso diferente do espelho e liberte se. Claro que depois há sempre o bailado, a expressão plástica maior, a expressão do belo e do sublime. Afinal, o uso do corpo para nos fazer sentir emoções. O corpo como espelho da alma, o movimento e a dança como uma forma universal de nos entendermos uns aos outros. Viva Bruno Rodrigues, bailarino, ator, intérprete, coreógrafo, professor de dança contemporânea e dança inclusiva. Alguém que decidiu começar por estudar química e acabou a fazer estas coisas da dança e do movimento. Há uma química especial Ou tu achaste que o H2O não era suficiente para te expressares? BRUNO RODRIGUES 00:03:19 Bem, eu acho que encontrei a dança completamente por acaso, por isso se calhar andava à procura da minha própria química. E não era, não era. Ali, naquela engenharia, encontrei uma outra engenharia, uma outra física, uma outra matemática e e a dança? A dança acaba por surgir completamente por acaso, se calhar até com muita coisa no meu. No meu percurso até profissional, como é que foi esse momento? JORGE CORREIA 00:03:43 Zero? BRUNO RODRIGUES 00:03:44 Foi do meio, do nada eu tinha, eu fazia. BRUNO RODRIGUES 00:03:46 Eu morava em Mafra, estava a estudar no Técnico, na Alameda, em Lisboa, e fazia o percurso diário de autocarro. E havia uma colega minha de autocarro que fazia umas aulas de dança em Mafra e um dia eu acho que para ir em Outubro mais ou menos que me....
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O GESTO CONTA? SOFIA FERNANDES
O gesto é tudo. Ou quase tudo. No mundo onde o silêncio quase absoluto reina é o gesto que nos liga. Nesta edição falamos, ouvimos e gesticulamos. Um mergulho no mundo na língua que as pessoas surdas usam para ouvir e falar. A língua gestual portuguesa. Em cima de um palco, no cantinho da nossa televisão, numa aula na escola, numa consulta médica ou a responder num tribunal. A vida dos intérpretes de língua gestual portuguesa é uma correria entre todos os lugares do país onde alguém que não ouve, não aprendeu falar ou até a ler e escrever, precisa de entender o mundo. Conheci a Sofia Fernandes em cima do palco no auditório do IPO do Porto. Ela traduzia o que os vários participantes do evento diziam. A rapidez do gesto é fascinante. Não só das mãos. Todo o corpo participa. Gestos nos dedos, braços, ombros e a cara. Sim, as expressões faciais estão sempre a dizer qualquer coisa. A dizer o espanto, a dizer a alegria, a sofrer a tristeza. Naquele palco ouvi-a depois falar de viva voz. Da maneira como ajuda a comunidade das pessoas surdas a comunicar. A ouvir, se é que posso usar esta palavra, e a dizer o que quer. E o que ouvi não podia ficar só ali. Tinha de o partilhar convosco. Esta conversa é sobre comunicação. Todas as conversas do Pergunta Simples são sobre comunicação. Mas esta tem um nível de complexidade difícil de entender para quem ouve. Para os ouvintes regulares do ‘podcast’. Mas neste caso o programa não tem só áudio, ou vídeo, com legendas. Neste caso este episódio está também traduzido em lingua gestual graças à generosidade da Sofia. Pode ser visto em www.perguntasimples.com e nos YouTube desta vida. Portanto, não só veio contar tudo o que sabe, como, no fim ainda teve de trabalhar. Eu disse generosidade? Acrescento uma palavra: torrencial. E eu aprendi como se diz com um só gesto a mais bela palavra do mundo O QUE APRENDI NESTE EPISÓDIO A interpretação é muito mais do que traduzir palavras. Entendi que a língua gestual portuguesa não pode ser feita palavra por palavra porque é uma língua com gramática própria e ‘nuances’ específicas. O trabalho do intérprete é captar o sentido e adaptar o que está a ser dito, principalmente em temas complexos ou pouco familiares. Adaptar-se ao momento é essencial. Percebi que, em interpretações ao vivo, como num telejornal, o intérprete precisa de uma grande agilidade para adaptar o contexto e corrigir interpretações, quando necessário. Sofia explicou que, ao não perceber uma palavra ou perder uma parte da conversa, procura “proteger-se” e transmitir algo literal até conseguir encaixar o contexto completo. A carga emocional nas interpretações delicadas. Nas consultas médicas ou em audiências judiciais, o intérprete é obrigado a usar a primeira pessoa, dizendo “eu”. Esta proximidade com a situação pode ser emocionalmente exigente, especialmente ao lidar com histórias de dor ou sofrimento. A acessibilidade continua a ser uma grande barreira. A falta de intérpretes e de recursos acessíveis é evidente, e Sofia sublinhou a dependência que muitas pessoas surdas têm de amigos e conhecidos para fazer coisas simples, como ir ao médico ou tratar de assuntos burocráticos. Conhecer o contexto é chave. Quanto mais o intérprete entende o contexto, melhor consegue interpretar com fidelidade. Por exemplo, Sofia menciona como recorre a amigos surdos para confirmar se usa os gestos mais adequados, tornando a interpretação mais rica e natural. O impacto emocional e cultural do seu trabalho. A experiência de Sofia a interpretar um hino no estádio do Dragão revelou como momentos de grande visibilidade têm um impacto emocional e fortalecem a cultura surda. Percebi que a presença de intérpretes em momentos públicos dá poder à comunidade e fortalece a sua identidade. A língua gestual portuguesa é uma língua própria, não uma “linguagem”. Aprendi que há uma diferença entre língua e linguagem: enquanto a linguagem gestual é mais universal, a língua gestual portuguesa é uma língua completa, com gramática e evolução cultural. Apoiar a comunidade surda vai além do trabalho. Sofia mostrou-me que ser intérprete não é só uma profissão, é também um compromisso com a comunidade surda. Ela ajuda os seus amigos surdos no dia a dia, seja numa urgência médica, seja numa situação burocrática. Esse apoio contínuo é essencial para a inclusão. Ainda há resistências nos serviços públicos e escolas. Sofia mencionou que enfrenta resistência ao interpretar em hospitais e escolas, pois nem todos entendem o papel do intérprete como facilitador da comunicação e, muitas vezes, veem-no como uma “ameaça”. Dedicação e formação contínua são indispensáveis. Percebi que ser um bom intérprete não se limita à habilidade técnica; é preciso ter empatia, ser dedicado e estar disposto a evoluir constantemente. A interpretação exige o domínio da cultura surda e o compromisso de servir como ponte de comunicação. Essas aprendizagens mostram-me o valor da interpretação na comunicação acessível e como ela é fundamental para promover uma sociedade mais inclusiva e justa. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:00 - 00:00:11:14 JORGE CORREIA viva. Sofia Fernandes, intérprete de Língua Gestual Portuguesa Vejo te a fazer coisas como interpretação de hinos em jogos de futebol. 00:00:11:16 - 00:00:40:03 JORGE CORREIA Vejo te também fazer coisas como os telejornais, como as notícias que nós costumamos ver. Como é que alguém vai passando o seu dia a saltar de tema para tema, de assunto para assunto e se consegue manter, no fundo, a traduzir esta realidade daqueles que conseguem ouvir. Para aqueles que não têm essa, essa faculdade, não têm essa capacidade. 00:00:40:05 - 00:00:57:21 SOFIA FERNANDES Então, antes de mais, obrigada pelo convite. É um prazer estar aqui. Em relação a essa questão, no fundo, eu sempre soube que isso me ia acontecer na vida, porque quando era mais jovem, comecei a ter que pensar no que queria fazer. Sempre disse que era já uma profissão que não fosse sempre a fazer a mesma coisa. 00:00:58:02 - 00:00:59:17 JORGE CORREIA Mas esta é sempre muito diferente. 00:00:59:17 - 00:01:20:13 SOFIA FERNANDES E isto é realmente muito diferente. Como é que se faz isso? Faz com faz com paixão, com amor à camisola, a participar muito na comunidade para também termos o máximo do léxico e gestos possíveis para podermos corresponder às diferentes situações. Mas depois ela terá de acontecer e acontece de forma natural. Exato, não sei explicar. 00:01:20:13 - 00:01:45:06 JORGE CORREIA Assim como olha, nós que quando, por exemplo, lemos um livro, acrescentamos sempre umas palavras às nossas, às nossas bibliotecas pessoais, palavras, contextos, perceção, aprendizagem de temas. É curioso que aquilo que tu me estás a dizer é que tu também no teu trabalho, ao acompanhar e ao fazer aquilo que é uma tradução simultânea, é disso que estamos a falar, certo? 00:01:45:10 - 00:01:48:12 JORGE CORREIA É isso que alguém que diz qualquer coisa e tu está. 00:01:48:12 - 00:01:50:13 SOFIA FERNANDES Logo uma interpretação daquilo que está a ser dito. 00:01:50:19 - 00:02:08:01 JORGE CORREIA Tu pareces naquele quadradinho ali da televisão aqui em baixo, quando aparecem pessoas que estão a dizer coisas. Tenho sempre uma curiosidade de saber se aquilo que tu estás a fazer em termos de gestos é literal. Tu estás a fazer palavra por palavra, estás a fazer uma interpretação de sentido. Como é que isso funciona? 00:02:08:04 - 00:02:36:23 SOFIA FERNANDES Então? Não dá para ser palavra por palavra, porque na realidade são duas línguas dispares. A língua gestual não nasceu da língua portuguesa. A língua gestual teve a ver com uma pessoa surda que era filha de um rei. Penso não falou Hierro que era Dom João Quarto e portanto ela teve uma aprendizagem de língua gestual da parte da Suécia também, se não estou em erro, isso é, se eu sei, tenho quase a certeza que esqueci de olhar o vocabulário E a partir daí, pronto, fomos. 00:02:37:03 - 00:02:59:15 SOFIA FERNANDES Ainda há muita história da língua gestual aqui em Portugal. Mas isto para dizer que como uma não deriva da outra, não dá para ser palavra por palavra, portanto é mesmo uma interpretação que acontece. Claro que quanto mais fidedigna ao que está a ser dito, ideal quando não é possível acompanhar em termos, lá está, a contextuais, não é o que está a ser dito. 00:02:59:20 - 00:03:14:00 SOFIA FERNANDES Vamos fazendo uma tradução mais literal, mais ok. Está a ser dito assim, deixa me dizer. Mesmo assim, quando começamos a perceber o tema já dá para fluir mais. Já dá para a língua gestual ser mais natural, mas até se tornar natural, temos que estar dentro do contexto. 00:03:14:02 - 00:03:43:08 JORGE CORREIA Olha, quando estamos a falar de coisas comuns, como são as notícias ou quando tu conheces o contexto exacto em que estás a trabalhar, imagino que consigas preparar te de uma forma claro, mais fáceis. Como é que tu funciona quando te calha na rifa teres que traduzir um tema ou muito difícil, ou que tu não dominas, ou que no meio daquela conversa tu perdeste uma palavra ou uma expressão que era críptica para perceber o resto do contexto que. 00:03:43:10 - 00:04:06:21 SOFIA FERNANDES Essa quinta essência acontece sem o que o que nós fazemos é lá estar com uma tradução simultânea e segue porque ninguém para para nós conseguirmos corrigir, nem aquilo que nós fazemos e à frente apanhamos o contexto e dependendo podemos dizer que houve falha, não é? Foi uma falha nossa. Por exemplo, numa palestra com as pessoas surdas à frente, dá para dizer olha, falhava o Era isto que eu queria ter dito. 00:04:06:21 - 00:04:07:04 SOFIA FERNANDES Não é que. 00:04:07:06 - 00:04:07:14 JORGE CORREIA Faça uma. 00:04:07:14 - 00:04:27:03 SOFIA FERNANDES Correção, exatamente uma correção sobre o que acabou de ser d
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A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL MUDARÁ A NOSSA SAÚDE? RICARDO BAPTISTA LEITE
Hoje é dia de falar de saúde, máquinas inteligentes e líderes inspirados. Para o caso d ainda não terem notado as máquinas que falam connosco como se fossem humanas estão a invadir o nosso dia-a-dia. Seja numa página de ‘internet’, na relação com o nosso banco ou com uma qualquer empresa que nos fornece um serviço. Estes robôs são programados para serem simpáticos, perguntam muitas coisas e querem que carreguemos vezes infinitas em números no telemóvel ou que respondamos a mil perguntas. E lá vamos andando. São ainda bastante básicos e eu, confesso, quando fico sem paciência, repito para a máquina “quero falar com um ser humano.” Ora esses robôs estão também aparecer na área da saúde. E além deles há outros bastante mais espertos que conseguem organizar gigantescas quantidades de dados e até chegar a melhores conclusões que os humanos. Mas já la vamos. Este é um episódio com Ricardo Baptista Leite, um jovem médico português que integra a lista da Fundação Obama dos mais promissores líderes mundiais do futuro. Todos o conhecemos pelo seu percurso na política, mas agora trabalha no desenvolvimento e regulação da chamada “inteligência artificial”. Em particular na área da saúde. A tecnologia acelera e a dita “inteligência artificial” carrega algumas das mais interessantes promessas de que o mundo será melhor. Ainda com alguns pontos de interrogação, mas já com um vislumbre do que pode ser o futuro onde homem e máquina se fundem para funcionar melhor. Será o advento de uma nova espécie humana? Do homem biónico ou apenas do homem assistido pelas máquinas? Já para não pensar na assustadora ideia onde as máquinas passam a controlar tudo ao arrepio da decisão humana. Ricardo Baptista Leite traz-nos uma visão muito interessante sobre como a tecnologia pode transformar a nossa forma de viver e, sobretudo, o nosso sistema de saúde. Ele acredita que a inteligência artificial não é só mais uma moda, mas algo que pode realmente fazer a diferença na forma como diagnosticamos e tratamos doenças. amos falar de como as máquinas, em algumas áreas, já superam os médicos humanos na precisão e na rapidez dos diagnósticos, como na radiologia. E, ao mesmo tempo, exploremos os riscos. Será que esta tecnologia acabará por beneficiar apenas um pequeno grupo de pessoas, deixando muitos de fora? Na conversa falamos sobre a necessidade de mudarmos ou adaptarmos o nosso sistema de saúde. Ele acredita que trabalhamos reativamente, ou seja, a tratar a doença depois de ela aparecer, que é preciso uma viragem para um modelo mais proativo, focado na prevenção e na promoção da saúde. E sabem o que é curioso? O Ricardo acha que a inteligência artificial, se usada corretamente, pode ser a chave para essa mudança. Mas a nossa conversa não se fica apenas pela tecnologia. A empatia é outro tema importante que abordámos. Sabiam que, num estudo recente, os assistentes virtuais, os robôs, os chatbots, foram considerados mais empáticos que os próprios médicos? Sim, máquinas a mostrar mais empatia que humanos! Isso diz muito mais de nós humanos do que da habilidade das máquinas. Durante esta hora de conversa falámos muito sobre o futuro. Como ele vê a evolução dos cuidados de saúde com a introdução de tecnologias avançadas como a inteligência artificial? E o mais importante, como garantimos que essas inovações são usadas de forma ética e justa, TÓPICOS Nomeação para a Fundação Obama • Ricardo Batista Leite foi reconhecido como um dos futuros líderes pela Fundação Obama, integrando um grupo que aposta em mudanças sociais a partir das comunidades locais. De político a especialista em inteligência artificial • Ricardo Batista Leite fez uma transição da política para a área da inteligência artificial, explicando o potencial revolucionário desta tecnologia no setor da saúde. A promessa da tecnologia • Abordámos como grandes inovações tecnológicas nem sempre trazem benefícios para todos. Será que a inteligência artificial seguirá esse mesmo caminho? Reformar o sistema de saúde • Ricardo Batista Leite defende que é necessário transformar o sistema de saúde, passando de um modelo reativo, focado na doença, para um modelo preventivo e promotor da saúde. O trabalho na Agência Global de Inteligência Artificial Responsável • A missão de Ricardo Batista Leite na Agência Global é garantir que a inteligência artificial seja implementada de forma segura e inclusiva, trazendo benefícios para todos os cidadãos. Privacidade e cibersegurança na saúde • Com o avanço da inteligência artificial, surgem também desafios relacionados com a proteção de dados de saúde. Ricardo Batista Leite discute os riscos e as medidas necessárias para garantir a segurança digital. Portugal como hub de inovação na saúde • Ricardo Batista Leite vê Portugal como um potencial laboratório para novas tecnologias na saúde, atraindo investimentos e criando oportunidades no setor. O poder da empatia no sistema de saúde • A empatia e o humanismo são fundamentais nos cuidados de saúde, melhorando tanto a satisfação dos pacientes quanto os resultados clínicos. Ricardo Batista Leite explora esta questão em detalhe. Voluntariado na guerra da Ucrânia • A experiência de Ricardo Batista Leite como voluntário na Ucrânia, onde testemunhou o esforço para manter o sistema de saúde a funcionar em plena guerra. Superutilização das urgências em Portugal • Por que tantos portugueses recorrem às urgências hospitalares? Ricardo Batista Leite reflete sobre esta tendência e o que pode ser feito para mudar a perceção pública. Inteligência artificial e diagnósticos médicos • A inteligência artificial já supera o ser humano em áreas como a radiologia, mas Ricardo Batista Leite argumenta que a combinação entre máquina e humano é a chave para o futuro dos diagnósticos. Máquinas mais empáticas que humanos? • Um estudo revelou que, em termos de empatia, os assistentes virtuais foram avaliados como mais humanos do que os próprios médicos. Ricardo Batista Leite reflete sobre esta tendência preocupante. Dilemas éticos da inteligência artificial • Discutimos os dilemas morais que surgem quando uma inteligência artificial comete erros incompreensíveis. Ricardo Batista Leite defende que o ser humano deve sempre estar no circuito decisório. Um sistema de saúde mais digitalizado • Ricardo Batista Leite imagina um futuro onde a inteligência artificial gere consultas, diagnósticos e tratamentos, simplificando processos e reduzindo a burocracia. Lições da pandemia • Durante a pandemia de COVID-19, Ricardo Batista Leite regressou ao hospital para trabalhar na urgência, o que lhe deu uma perspetiva privilegiada sobre os desafios do sistema de saúde. Voluntariado e a experiência na Ucrânia • Ricardo Batista Leite partilha a sua experiência de voluntariado num hospital da Ucrânia, onde viu de perto os efeitos devastadores da guerra e a resiliência da população. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:00 - 00:00:25:20 JORGE CORREIA Viva Ricardo Batista Leite, médico com formação em doenças infecciosas, agora dedicado à inteligência artificial e o seu uso dentro da área da saúde. Mas notícia dos últimos dias é que passaste a fazer parte do clube do senhor Obama como reconhecido uma das 36 personalidades como líder do futuro na área da saúde. 00:00:25:20 - 00:00:27:18 JORGE CORREIA Som ou mais geral? 00:00:27:20 - 00:01:17:11 RICARDO BAPTISTA LEITE Viva George e obrigado pelo convite. E o presidente Obama? E é da mulher também do presidente Obama. Michael é e é de facto um grupo de liderança, chamemos lhe assim e portanto, de âmbito geral, onde me encontro com várias pessoas que foram selecionadas pela fundação do casal Obama, desde pessoas do mundo corporativo a mundo das organizações não governamentais ao mundo da política e que são escolhidos de várias partes do mundo precisamente para fazerem parte desta família em quem a Fundação aposta do ponto de vista formativo, a dar competências de liderança para, por via daquilo que é o modelo para a mudança que eles definem, que aliás, eles chamam de a esperança para a mudança. 00:01:17:12 - 00:01:18:17 JORGE CORREIA Como é que é essa mudança? 00:01:18:19 - 00:01:35:06 RICARDO BAPTISTA LEITE É uma mudança focada muito na experiência do casal Obama, ou melhor, inspirada na experiência do casal Obama de mudança de base comunitária. Todos sabem que o presidente Obama, antes de ser político, era um organizador comunitário. 00:01:35:10 - 00:01:44:00 JORGE CORREIA De grupos activistas que lá andava e junto da comunidade, à procura do problema da comunidade e também de activistas da comunidade para tentar resolver os problemas. 00:01:44:02 - 00:02:27:17 RICARDO BAPTISTA LEITE Tentar mobilizar esforços, mobilizar as várias pessoas que poderiam fazer a diferença e mobilizar lhes para de facto mudarem a sociedade num determinado aspecto que fosse considerado como prioritário. E isso diz me muito pessoalmente. Toda a minha vida foi sempre também numa lógica de serviço, ou seja, do ponto de vista associativo, seja do ponto de vista político, seja agora a liderar uma fundação sem fins lucrativos em Genebra, ou questão de missão e de serviço, sempre estiveram na base de tudo o que foi fazendo e, portanto, quando foi um processo de candidatura para fazer parte desta e desta equipa de liderança, digamos assim, da Fundação Obama e ter sido o primeiro português é um motivo que me 00:02:27:17 - 00:02:34:08 RICARDO BAPTISTA LEITE deixa particularmente satisfeito. Faltava a nossa bandeira ali nos Estados Unidos, para a entrevista. 00:02:34:10 - 00:02:35:24 JORGE CORREIA Como é que este processo foi formalmente. 00:02:36:04 - 00:02:41:24 RICARDO BAPTISTA LEITE O processo de candidatura?...
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Como comunicar eficazmente em crises de saúde? Graça de Freitas
Há dois tipos de comunicação especialmente difíceis e arriscados. Porque são complexos, porque acontecem em conta-relógio e porque a audiência está particularmente sensível nesse espaço de tempo. Esses dois tipos de comunicação, são a comunicação de crise e a comunicação de risco. Trocando por miúdos, a comunicação de crise é aquela que temos de usar quando algo correu mal: um acidente, um incêndio, um qualquer evento onde existe um dano real ou potencial a pessoas, ou bens. Principalmente pessoas. A comunicação de risco em saúde pública é aquela que todos beneficiamos aquando da pandemia de COVID-19. Essa comunicação teve como face principal Graça de Freitas, médica de saúde pública e ao tempo diretora-geral da saúde. Esta conversa é sobre a dificuldade de planear, reagir e responder de forma credível a uma das maiores ameaças que vivemos na nossa vida coletiva. Um manual do uso da comunicação tem tempos sem livro de instruções. Todos sentimos: A incerteza era o dia-a-dia. Quando chega a pandemia? Quando chega o vírus? Vai matar-me? Como me salvo desta? Lembram-se? Era este o ambiente que todos vivemos quando percebemos que a anunciada pandemia chegou. Vivemos o receio, o medo, a dúvida. Vivemos a angústia de ficar presos em casa por decreto geral. Das escolas que fecharam. Dos lares com dezenas de idosos doentes. Com hospitais cheios. Com ambulâncias em marcha. Isto foi o que todos vimos em casa. Mas no olho do furacão pandémico, no centro de crise e resposta está Graça de Freitas. Não está sozinha, mas tem uma equipa muito curta. A ela cabe-lhe conseguir consensos entre cientistas e boas explicações e prognósticos para os decisores políticos. No meio de tudo isto há que explicar aos cidadãos o que está a acontecer, como nos protegemos, como vivemos com isto. No tempo das redes sociais. Onde a opinião do mais sabedor dos cientistas parece valer tanto ou menos que o cidadão dedicado à arte nacional da opinião gratuita sobre tudo. Mas mesmo no centro de comando, onde toda a informação chegava, onde todos os pensadores filtravam e tentavam entender o mundo, mesmo aí, havia demasiada informação, demasiadas contradições e um avassalador relógio que corria mais do que qualquer evidência. Mais do que nunca o teste à credibilidade das fontes é critico. Mas a rapidez da comunicação digital e localizada não podia ser ignorada. A pandemia deveria ser por si só um objeto de estudo detalhado da comunicação de risco. Eu já comecei a ler esse livro. A Comunicação em Tempos de Informação Imperfeita Um dos temas mais fascinantes abordados neste episódio é o desafio de comunicar quando a informação está longe de ser completa ou perfeita. “A informação era imperfeita, os dados mudavam a toda a hora”, lembra Graça Freitas, explicando que, muitas vezes, as diretrizes que comunicava ao público eram baseadas em informação que podia ser revista ou até desmentida pouco depois. “O grau de imperfeição era grande”, confessa, num tom honesto que caracteriza toda a sua participação no podcast. Este cenário reflete um dos maiores dilemas da comunicação em saúde pública: como ser honesto e transparente quando as certezas são escassas? Graça optou sempre pela clareza e pela sinceridade. Reconhece que, em muitos momentos, teve de comunicar incertezas e explicar o que ainda não se sabia. Este equilíbrio entre a informação e a cautela foi uma linha ténue que teve de trilhar durante todo o período pandémico. Medo, Resiliência e o Lado Pessoal da Pandemia Outro ponto alto da conversa é quando Graça Freitas reflete sobre o medo. No início, confessa, não teve tempo para sentir medo pessoal, pois estava absorvida em compreender o que estava a acontecer. No entanto, à medida que o número de casos aumentava, especialmente em Itália, e o mundo começava a fechar as suas portas, o medo tornou-se uma realidade inevitável. Mas talvez o relato mais surpreendente seja o momento em que a Dra. Graça começa a receber proteção policial devido a ameaças. “Nunca pensei que precisaria de proteção”, revela, descrevendo o choque de saber que um segurança estaria à porta da casa todos os dias. Este episódio mostra o lado mais humano da crise: a carga emocional e pessoal que quem esteve na linha da frente teve de carregar. Memes e Piadas: Rir para Não Chorar Num tom mais leve, Graça Freitas fala sobre os memes e piadas que circularam nas redes sociais a seu respeito durante os momentos mais difíceis da pandemia. Ela admite que achou graça a muitos deles. O humor, para ela, foi uma forma de a população lidar com a tensão constante, e, em alguns momentos, também serviu para ela própria aliviar o peso da responsabilidade. No entanto, Graça confessa que o que mais a magoou não foram as piadas, mas a ausência de defesa de algumas pessoas que a conheciam bem e que, durante os momentos de maior crítica, escolheram o silêncio. “Doeu mais não ouvir um ‘ela não é assim tão má’ do que as críticas em si”, diz com honestidade. Lições sobre Comunicação em Saúde Pública Este episódio deixa lições claras sobre o que significa comunicar em tempos de crise. Graça Freitas sublinha a importância de ser transparente, mesmo quando as respostas não são certas. A honestidade foi a sua bússola durante toda a pandemia, sabendo que esconder a realidade ou suavizar as mensagens poderia ser ainda mais prejudicial a longo prazo. Esta abordagem honesta, contudo, não foi fácil de manter. Graça admite que, se pudesse voltar atrás, teria dedicado mais tempo a refletir sobre as decisões, reservando momentos para pensar com mais calma e ouvir mais opiniões externas. Outro ponto interessante que ela aborda é o equilíbrio entre as recomendações dos cientistas e as decisões dos políticos. Como Diretora-Geral da Saúde, Graça tinha a responsabilidade de fornecer as melhores recomendações científicas, mas reconhece que os políticos, ao tomarem as decisões finais, lidavam com uma pressão diferente. Eles não só estavam preocupados com a saúde pública, mas também com as implicações sociais, económicas e políticas. Esta tensão entre ciência e política é um elemento central nas crises de saúde pública e, segundo Graça, foi um dos grandes desafios da pandemia. Fechar as Escolas: Uma Decisão Crucial Um dos momentos mais dramáticos da pandemia foi a decisão de fechar as escolas. Graça Freitas descreve este episódio como um dos mais rápidos e intensos que viveu durante aqueles meses. Ela lembra que, num domingo, estava em casa de uma amiga quando recebeu o telefonema da Ministra da Saúde, Marta Temido. Poucas horas depois, já estava numa conferência de imprensa, anunciando uma das medidas mais duras e impactantes para o país. Para ela, este é um exemplo claro de como as decisões políticas, mesmo quando baseadas em recomendações científicas, são tomadas de forma muito rápida e, por vezes, sem o tempo necessário para refletir sobre todas as implicações. No entanto, Graça reconhece que, em muitos casos, essa rapidez era essencial para salvar vidas e minimizar o impacto da crise. Reflexões Finais O episódio termina com Graça Freitas a refletir sobre o seu papel durante a pandemia e o impacto que teve no país. Ao olhar para trás, ela admite que faria algumas coisas de forma diferente, mas mantém a convicção de que fez o melhor que podia com a informação disponível. O legado que deixa não é só o de uma profissional de saúde pública dedicada, mas também de uma comunicadora que, mesmo em tempos de incerteza, soube manter a calma, a integridade e a transparência. Este episódio do “Pergunta Simples” é uma verdadeira aula sobre comunicação em tempos de crise, repleta de momentos humanos e reveladores. As histórias e as lições de Graça Freitas oferecem uma perspetiva única sobre os desafios enfrentados por quem esteve na linha da frente da pandemia e, ao mesmo tempo, mostram o lado mais vulnerável e pessoal da comunicação em saúde pública. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:12:23 - 00:00:38:24 JORGE CORREIA Olá! Viva um Bem vindos ao Pergunta simples do vosso full cast sobre comunicação. Há dois tipos de comunicação especialmente difíceis e arriscados, mas necessários e importantes. São complexos porque acontecem em contrarrelógio e porque a audiência está particularmente sensível nesse espaço de tempo ou local. Estes dois tipos de comunicação são a comunicação de crise e a comunicação de risco. 00:00:39:05 - 00:01:11:01 JORGE CORREIA Parecem a mesma coisa, mas não são exactamente a mesma coisa. Trocando por miúdos, a comunicação de crise é aquela que temos de usar quando algo corre mal um acidente, um incêndio, um qualquer evento onde exista um dano real ou potencial para pessoas ou bens, principalmente pessoas. Um outro tipo de comunicação difícil é a comunicação de risco, em particular a comunicação de risco em saúde pública é aquela que todos beneficiamos quando aconteceu a pandemia de Calvi 19. 00:01:11:03 - 00:01:34:12 JORGE CORREIA Esta comunicação teve como face principal Graça de Freitas, médica de Saúde Pública e, ao tempo Directora Geral de Saúde. Esta conversa é sobre a dificuldade de planear, reagir e responder de forma credível a uma das maiores ameaças que vivemos na nossa vida colectiva. Não só responder à ameaça propriamente dita, mas também comunicar sobre aquilo que nos estava a acontecer. 00:01:34:14 - 00:01:52:03 JORGE CORREIA No fundo, como escrever um manual de uso da comunicação de risco em saúde pública em tempos sem livro de instruções? 00:01:52:05 - 00:02:14:06 JORGE CORREIA A incerteza era o dia a dia. Quando chega a pandemia, quando chega, o vírus Vai matar me com um salve desta. Lembram se? Estas eram as perguntas que todos fazíamos todos os dias. Era este o ambiente que todos vivíamos quando percebemos que a anunciada pandemia cheg
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Onde guarda as palavras o cérebro? Joaquim Ferreira
O cérebro humano e o seu funcionamento. A caixa onde guardamos as palavras, os sentimentos e os movimentos. O cérebro enquanto caixa de comando e guardador de memórias e identidades. O cérebro que se molda plasticamente para compensar danos, bloqueios e faltas de ar. O cérebro do juízo e da consciência. Da alma ou apenas como fundação biológica.
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Como ganhar umas eleições? Germano Almeida
Faltam menos de 2 meses para ser eleito o novo presidente dos Estados Unidos. E a campanha segue a todo o vapor. Uma campanha eleitoral é por definição o momento em que candidatos e eleitores dialogam sobre o futuro de um país. Tempo para se conhecerem aqueles que querer governar e as expectativas dos cidadãos eleitores.
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Como praticar a arte da escuta? Júlio Machado Vaz
Busco a escuta perfeita. Não a escuta do som, mas também essa. Busco essa afinação perfeita entre a fala e o silêncio. Onde cada respiração pode descobrir a raiz de uma dor de alma. E onde a empatia é o instrumento que abre espaço à confiança obrigatória para que quem sofre possa falar, e quem ouve possa escutar. Sigmund Freud inventou o sofá que fala. O sofá onde todos nos podemos deitar para falar connosco próprios sabendo haver um psiquiatra, psicanalista ou psicólogo na cabeceira dessa cama existencial para nos ajudar nessa caminhada por entre sintomas, dores, desejos e desejadas ressurreições de alma. Nesta edição vou guiado pelo psiquiatra que conheci como ouvinte há mais de 30 anos quando ficava colado à telefonia para ouvir o seu programa “O sexo dos anjos” Um roteiro que começou por ser uma ideia de programa para falar de sexualidade, mas acabou por ser um manual sobre a natureza humana. Portanto, conheci o homem da rádio muito antes do psiquiatra e do professor de antropologia médica. Esta conversa poderia demorar 10 horas. Até poderia ser um diálogo em associação livre, mas escrevi demasiadas perguntas para tantas respostas. É uma lição sobre como ouvir os outros, como praticar a arte da escuta e de aceitar e compreender o outro como ele é. Falámos de diálogos, palavras e silêncios. A empatia a par das nódoas negras e das grandes alegrias são provavelmente a única receita para a partilha entre seres humanos. Compreender os outros implica-nos a todo o momento. E as máquinas, capazes de calcular rapidamente e guardar acervos de informação gigantescos não tem alma. Podem saber. Podem fingir. Mas nunca sentiram a palpitação dos grandes amores nem o sabor das lágrimas. Nem sequer lágrimas de óleo ou taquicardias elétricas. TÓPICOS: Início (00:00:00) Introdução ao Tema da Escuta (00:00:12)Discussão sobre a escuta e a importância da empatia na comunicação. Apresentação do Convidado (00:02:27)Júlio Machado Vaz é apresentado como médico psiquiatra e influenciador. O Programa "O Sexo dos Anjos" (00:02:50)Júlio fala sobre o seu livro e a história do programa de rádio. Impacto do Programa (00:03:14)Discussão sobre a influência do programa na sexualidade e na sociedade. Relação entre Rádio e Televisão (00:05:02)Comparação entre os meios de comunicação e as suas diferenças na recepção do público. Censura nos Média (00:06:21)Júlio compartilha experiências de censura e a diferença entre rádio e televisão. Mudança de Horário do Programa (00:07:16)Discussão sobre a mudança de horário do programa e o impacto na audiência. Experiências de Censura (00:09:41)Relato sobre censura num programa de televisão, especialmente em relação à homossexualidade. Fascículos Não Publicados (00:12:20)História sobre fascículos encomendados pelo jornal "Expresso" que nunca foram publicados. Reflexão sobre a Vida (00:13:39)Júlio reflete sobre o envelhecimento e como as prioridades mudam ao longo do tempo. Cuidado com a Manipulação (00:15:03)Discussão sobre a capacidade de nos enganarmos a nós mesmos e a diferença entre responsabilidade e culpa. Consultório e Trabalho (00:15:46)Júlio fala sobre a sua rotina no consultório e o prazer que sente em continuar a atender. Ritmo de Trabalho (00:16:56)Reflexão sobre a escrita e a falta de tempo devido à rotina intensa de trabalho. Agendas Complicadas (00:18:04)Desafios de compatibilizar horários entre colegas para gravações e compromissos. Visita Guiada à Agenda (00:19:07)Comentário sobre a complexidade das agendas de trabalho e compromissos. Reorganização de Trabalho (00:19:32)Impacto das mudanças de horários na rotina de trabalho dos colegas. Psicanálise e Trabalho (00:20:13)Reflexão sobre a importância do trabalho e a dificuldade de imaginar não trabalhar. Dia Típico no Consultório (00:21:09)Descrição de como varia a rotina diária de atendimentos e a importância da escuta. A Arte da Escuta (00:22:11)Discussão sobre a escuta na psiquiatria e a necessidade de estar presente para os pacientes. Desafios das Consultas (00:23:03)Variedade das queixas dos pacientes e a experiência pessoal de Júlio com problemas psicológicos. Aprendizado com a Depressão (00:24:11)Júlio compartilha a sua experiência com a depressão e como isso influenciou o seu trabalho. Importância da Psicanálise (00:25:01)Reflexão sobre o papel da psicanálise na vida de Júlio e a gratidão ao seu psicanalista. Silêncio na Terapia (00:25:50)Discussão sobre a natureza do silêncio nas sessões de terapia e o seu significado. Silêncios Confortantes (00:26:30)Exploração dos diferentes tipos de silêncios e como eles podem ser reconfortantes. Dificuldade em Expressar Sentimentos (00:26:51)Júlio fala sobre a dificuldade dos pacientes em expressar as suas emoções durante a terapia. Caminho Difícil da Terapia (00:27:30)Reflexão sobre a escolha de enfrentar a dor em vez de optar por soluções mais fáceis. A percepção da responsabilidade (28:07)Discussão sobre como a percepção de ser vítima pode distorcer a realidade. Reconstruindo a vida (29:38)Reflexão sobre a importância de assumir responsabilidades e reconstruir a vida após dificuldades. Lutos e padrões de comportamento (30:22)Análise dos lutos emocionais e como moldam os nossos comportamentos e reações. Aprendendo com os outros (31:07)Exploração de como aprendemos a lidar com frustrações e desejos através das interações sociais. Padrões infantis na vida adulta (32:30)Discussão sobre como padrões de comportamento infantis podem persistir na vida adulta. Mudanças ao longo da vida (34:04)Reflexão sobre as mudanças que ocorrem com o tempo e a importância da experiência. Relações e negociações (34:38)Importância de negociar visões diferentes em relacionamentos para uma convivência saudável. Paradigma da medicina (35:52)Discussão sobre a evolução do paradigma médico, de curar doenças a cuidar de pessoas. A complexidade da saúde (40:22)Reflexão sobre a saúde ser uma questão complexa que vai além do tratamento de doenças. A flexibilidade de género (00:42:17)Discussão sobre as múltiplas configurações de género e a flexibilidade nas decisões. Estereótipos de género (00:42:46)Reflexão sobre estereótipos de homens e mulheres e as suas influências nas esferas pública e privada. Mudanças na paternidade (00:43:47)Mudanças nas relações entre pais e filhos, destacando a afetividade dos homens. Evolução dos homens (00:44:23)Os homens estão se afastando do estereótipo de força e bruta, explorando afetividade. Vantagens emocionais (00:45:05)Mudanças emocionais nos homens e como isso impacta as suas vidas. Pressões sociais e feminismo (00:45:06)Discussão sobre como as pressões sociais e o feminismo influenciam os homens. Divisão de tarefas (00:46:46)Reflexão sobre a divisão de tarefas domésticas entre casais e a semântica do "ajudar". Mudança de papéis (00:47:12)A evolução dos papéis de género e a partilha de responsabilidades na casa. Poder de influência feminino (00:49:11)Discussão sobre o poder de influência das mulheres nas relações heterossexuais. Relações não equitativas (00:50:06)Análise das dinâmicas de poder nas relações, onde as mulheres influenciam indiretamente. Inteligência artificial na medicina (00:50:32)Reflexão sobre o impacto da inteligência artificial na prática médica e na relação com pacientes. Utilidade da inteligência artificial (00:51:35)A inteligência artificial pode melhorar diagnósticos e facilitar a comunicação entre médicos e pacientes. Separação entre psicológico e físico (00:52:57)Discussão sobre a discriminação da psiquiatria relativamente à medicina física. Desafios da psiquiatria (00:54:02)Preocupações sobre a prática psiquiátrica e a importância da comunicação com pacientes. Facilitação do diálogo (00:54:58)A inteligência artificial pode facilitar o diálogo entre médicos e pacientes, melhorando a experiência. Preconceitos nos algoritmos (00:55:47)Reflexão sobre como preconceitos humanos podem influenciar a programação de algoritmos. Análise crítica dos algoritmos (00:56:18)Discussão sobre a necessidade de considerar o viés dos algoritmos na saúde e na sociedade. Manipulação do Algoritmo (00:57:02)Discussão sobre como os algoritmos manipulam as nossas preferências e a diversidade de conteúdos disponíveis. Inteligência Artificial na Medicina (00:58:27)Referência à robótica na cirurgia e ao impacto da inteligência artificial na prática médica. Confiabilidade das Máquinas (00:59:10)Reflexão sobre a confiança nas máquinas e as suas falhas, especialmente em contextos éticos. Falsidade Algorítmica (01:00:14)Exemplo de como algoritmos podem criar conteúdos falsos que parecem verdadeiros, confundindo os utilizadores. Empatia e Inteligência Artificial (01:02:06)Discussão sobre a limitação da inteligência artificial em replicar empatia humana em situações emocionais. Complementaridade entre Humanos e Algoritmos (01:04:08)Afirmativa de que humanos e máquinas devem ser vistos como complementares, não concorrentes. Limitações da Máquina (01:06:59)Reflexão sobre a incapacidade das máquinas de experimentar emoções e a verdadeira empatia humana. A Alma Humana na Comunicação (01:07:23)A importância da experiência humana na compreensão e na comunicação, além da capacidade técnica das máquinas. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 0:11 Viva, bem -vindos ao Pregunto Assemples, o nosso podcast sobre comunicação. Nesta edição, busco a escuta perfeita, não a escuta do som, mas também essa, a escuta do outro. A escuta da outra pessoa. Busco 0:28 essa afiliação perfeita entre a fala e o silêncio, onde cada respiração pode descobrir a raiz de uma dor de alma ou de uma alegria e intenção. E onde a empatia é o instrumento que abre espaço à confiança ob
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Portugal, quando começas a jogar? Rui Miguel Tovar
Ser adepto não é fácil. Seguramente ser jogador de alta competição parece ser ainda mais difícil. A linguagem dos corpos em movimento é muitas vezes mais honesta que as respostas nas conferências de imprensa. Seja no mais belo dos movimentos, seja no esgotamento desenhado nas caras dos jogadores ao minuto 120. O selecionador e treinador de Portugal Roberto Martinez parece ser um bom comunicador. Mas o que diz parece não ligar com a realidade. O que me causa estranheza. Martinez é claramente um bom comunicador na forma. Mas depois há o conteúdo. Às perguntas difíceis responde desconversando. É o modo "pergunta-me o que quiseres, respondo o que me apetecer." A forma é sempre imaculada. O discurso, todavia parece plástico. As respostas são sempre de um optimismo extremo. O jogo foi sempre magnifico. Os atletas insuperáveis e Ronaldo o maior de sempre e em todos os jogos. E o raio da estatística, fria e calculista, insiste em contrariar o otimismo da fórmula de comunicação do treinador. É uma boa lição para todos os comunicadores, ou como não fazer. A boa estética de comunicação não basta. As mensagens têm que ter suporte na realidade. Só assim emprestam credibilidade ao discurso. A menos que as teorias da pós-verdade tenham contaminado o futebol. Ou será que o futebol de alta competição é o precursor dessa forma de ver o mundo. Afinal no futebol o que hoje é verdade, amanha é mentira. Mas não há só comunicação menos real. Há excelentes surpresas também. Jogadores como Vitinha, Palhinha, Bruno Fernandes ou Bernardo Silva falam a linguagem das pessoas reais. Explicam o que fizeram, o que sentem, os sonhos e as dores. Sem fingimentos, olhando nos olhos. Vi o mesmo em Diogo Costa. As palavras da sua fala pública liga-se bem sua soberba prestação em campo. 4 defesas, 3 na ronda de penaltis que apurou Portugal para a próxima ronda do europeu. Em busca de aprender um pouco mais sobre o fenómeno do futebol fui ouvir Rui Miguel Tovar. Jornalista, comentador e historiador do melhor desporto do mundo. TÓPICOS & TEMAS Inicio (00:00:00) A importância da linguagem corporal (00:00:12)Discussão sobre a comunicação no futebol, destacando a linguagem corporal dos jogadores e treinadores. A comunicação do treinador Roberto Martínez (00:01:32)Análise da comunicação do treinador, abordando a estética e o conteúdo de suas mensagens. A surpreendente atuação do goleiro Diogo Costa (00:02:41)Destaque para a atuação surpreendente do goleiro Diogo Costa e sua comunicação autêntica. A dinâmica do jogo entre Portugal e Eslovénia (00:03:38)Discussão sobre a dinâmica do jogo, incluindo momentos de tensão e reviravoltas. O desenvolvimento de Rui Patrício (00:13:40)Discussão sobre a evolução do jogador nas mãos do treinador Paulo Bento e seu papel como herói no Euro 2016. Diogo Costa e suas características (00:14:11)Análise das habilidades e atuação do goleiro Diogo Costa, incluindo sua capacidade de sair aos cruzamentos e habilidades com os pés. O futuro de Diogo Costa (00:15:30)Questionamentos sobre a permanência do goleiro em Portugal e seu potencial para jogar em clubes europeus de alta categoria. Desempenho dos treinadores portugueses (00:16:25)Reflexão sobre a presença de treinadores portugueses em competições de alto nível, como a Liga dos Campeões, e suas conquistas. Análise das defesas de Diogo Costa (00:18:27)Discussão sobre as defesas do goleiro nos penáltis, destacando sua técnica e habilidade. Estratégias de batedores de penáltis (00:20:19)Análise das declarações de Bruno Fernandes e Diogo Costa sobre as estratégias e intuições utilizadas na marcação e defesa de penáltis. Marcadores canhotos de penáltis (00:22:53)Exploração da tendência de destros marcarem mais penáltis, com exemplos de jogadores canhotos que marcaram ou não marcaram penáltis. Influência de Cristiano Ronaldo e sua mentalidade (00:24:25)Reflexão sobre a influência de Cristiano Ronaldo, sua liderança e mentalidade no contexto da seleção portuguesa. Desempenho de Cristiano Ronaldo (00:26:13)Discussão sobre o desempenho de Cristiano Ronaldo e sua titularidade na seleção portuguesa, considerando seu histórico e contribuição para a equipe. 00:27:13 - Análise tática e posicionamento em campoDiscussão sobre a tática de jogo, posicionamento dos jogadores e críticas ao esquema tático da equipe. 00:29:29 - Desempenho das seleçõesComparação do desempenho das seleções de futebol, destacando a sincronização da equipe e a atuação da Espanha. 00:32:15 - Falta de dinamismo e movimentaçãoAnálise sobre a falta de movimentação e dinamismo da equipe portuguesa durante as partidas. 00:35:31 - Expectativas para o próximo jogoDiscussão sobre as expectativas e desafios para o próximo jogo da seleção portuguesa. 00:38:33 - Análise crítica do discurso do treinadorCrítica ao discurso do treinador e sua abordagem após os jogos, questionando a comunicação e as expectativas transmitidas. O jogo com a Eslovénia (00:40:33)Discussão sobre a atuação e desempenho do jogo entre Portugal e Eslovénia. Comunicação dos jogadores (00:44:26)Análise da comunicação dos jogadores nas conferências de imprensa e nas zonas mistas. A falta de acesso à informação (00:47:08)Reflexão sobre a falta de acesso dos jornalistas à informação sobre o que acontece dentro da equipe. Experiências de entrevistas (00:49:11)Experiências do locutor ao entrevistar treinadores e jogadores de futebol em diferentes contextos. Importância da comunicação dos jogadores (00:51:26)Discussão sobre a importância da comunicação dos jogadores para se aproximarem do público e transmitirem mensagens claras. Entrevista com Casillas (00:52:46)Rui Miguel Tovar compartilha detalhes de uma entrevista com Casillas durante a Copa do Mundo de 2010. Previsões para a Euro 2020 (00:53:45)Discussão sobre as apostas para a Euro 2020 e a análise das equipes favoritas. Portugal na Euro 2016 (00:54:36)Reflexões sobre a participação de Portugal na Euro 2016, destacando jogadores e desempenho da equipe. Expectativas para o jogo (00:55:52)Análise das expectativas para o jogo e a capacidade de Portugal de complicar a vida dos oponentes. Final da Euro 2016 (00:56:25)Recordações e análise da final da Euro 2016, incluindo a atuação de Rui Patrício e Cristiano Ronaldo. Vitória de Portugal na Euro 2016 (00:58:00)Reflexões sobre a vitória de Portugal na Euro 2016 e a importância da equipe como um todo. Superstição antes do jogo (00:58:18)Conversa sobre possíveis rotinas ou superstições antes dos jogos. Magia do futebol (00:58:56)Reflexões sobre a imprevisibilidade e a magia do futebol, destacando a influência do acaso e do desempenho individual. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO JORGE CORREIA (00:00:12) - Ora viva! Bem vindos ao Pergunta Simples. O vosso podcasts sobre comunicação sofreram muito a ver Portugal no jogo com a Eslovénia? Sim, eu sofri e muito, confesso. E interrogo me porquê. Afinal é apenas um jogo de futebol, nada mais. Um espetáculo desportivo. Mas aparentemente é muito mais do que isso. Nesta edição falamos de futebol e de tudo o resto que a bola nos traz. É um programa de heróis e de vilões, de treinadores de bancada e adeptos que reclamam saber mais do jogo do que os melhores treinadores do mundo. E ai de que alguém os contrariem. Ser adepto não é fácil. Seguramente ser jogador de alta competição parece ser ainda mais difícil. A linguagem dos corpos em movimento e muitas vezes mais honesta do que as respostas nas conferências de imprensa, seja no mais belo dos movimentos, seja no esgotamento desenhado nas caras dos jogadores. Ao minuto 120, o selecionador e treinador de Portugal, Roberto Martínez, parece ser um bom comunicador. Mas o que diz por vezes, parece não ligar com a realidade, o que me causa alguma estranheza. JORGE CORREIA (00:01:32) - Martínez é claramente um bom comunicador na forma. Mas depois há o conteúdo e as perguntas difíceis, responde, desconversando. E o modo Pergunta me o que quiseres que eu respondo que me apetecer. A sua forma é sempre imaculada. O discurso, todavia, parece por vezes plástico. As respostas são sempre de um otimismo extremo. O jogo foi magnífico, os atletas insuperáveis e, claro, o Ronaldo, o maior de sempre de todos os jogos, é o rei da estatística. Fria e calculista, insiste em contrariar o otimismo da fórmula de comunicação do treinador. É uma boa lição para todos os comunicadores. Ou como não fazer? É que não basta uma boa estética de comunicação. As mensagens têm que ter suporte na realidade e só assim emprestam credibilidade ao discurso. A menos que as teorias da pós verdade tenham também contaminado o futebol. Ou será mesmo que o futebol de alta competição é o precursor dessa forma de ver o mundo? Afinal, no futebol, o que hoje é verdade, amanhã é mentira. Lembram se da frase Mas não há só comunicação menos real. JORGE CORREIA (00:02:41) - Há também excelentes surpresas. Há jogadores como Vitinha, Palhinha, Bruno Fernandes ou Bernardo Silva. Falam a linguagem das pessoas reais, Entendem o jogo e conseguem explicá lo. Explicam o que fizeram, o que sentem, os sonhos e as dores sem fingimentos. E olhando nos olhos. Vi o mesmo em Diogo Costa, o guarda redes. As palavras da sua fala pública ligam se bem com a sua soberba prestação em campo. Quatro defesas, três na ronda de penaltis que apurou Portugal para a próxima ronda do Europeu. Em busca de aprender um pouco mais sobre o fenómeno do futebol e da linguagem do futebol e dos seus atores. Fui ouvir Rui Miguel Tovar, jornalista, comentador e, arrisco até dizer, historiador do melhor desporto do mundo. Viva! Rui Miguel Tovar, Jornalista, comentador. Eu arriscaria mais dizer que tu és historiador do futebol. RUI M TOVAR (00:03:37) - E. ...
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Como fotografar a emoção do futebol? – Miguel A Lopes
Começou o Europeu de Futebol. O Euro 2024, jogado na Alemanha. Uma boa oportunidade para seguir o percurso dos repórteres que seguem a competição. Neste edição há grande fotografias. Sim vamos saber tudo sobre o dia-a-dia de um fotojornalista num grande evento desportivo europeu. TÓPICOS & TEMAS Abertura - 00:00:00 O momento chave - 00:00:12 O apresentador introduz o contexto do episódio, destacando a importância das fotografias no futebol. Experiências no Euro 2016 - 00:01:39 Miguel A. Lopes fala sobre sua experiência cobrindo o Euro 2016, incluindo a fotografia do golo de Éder. Identidade e superstição - 00:03:06 Miguel A. Lopes explica a escolha de seu nome profissional e compartilha uma curiosidade sobre ser confundido com outro fotógrafo. Preparativos e deslocamentos - 00:04:16 Miguel A. Lopes descreve os preparativos e deslocamentos necessários para cobrir os jogos do Euro 2024. Motivação para cobrir o Euro - 00:05:32 Miguel A. Lopes explica por que escolheu cobrir o Euro 2024 e compartilha sua paixão pelo evento. Fotografando o golo de Éder - 00:06:41 Miguel A. Lopes descreve o momento em que fotografou o golo de Éder na final do Euro 2016. Contando a história do jogo - 00:10:01 Miguel A. Lopes discute a importância de contar a história do jogo através das fotografias. Celebração após a final - 00:12:32 Miguel A. Lopes compartilha suas emoções e experiências após a vitória de Portugal na final do Euro 2016. Fotografando a chegada da seleção - 00:14:32 Miguel A. Lopes descreve a energia e carga emocional ao fotografar a chegada da seleção portuguesa para o Euro 2024. O fenômeno Ronaldo (00:14:41) A popularidade de Cristiano Ronaldo entre os imigrantes e o impacto nos jogos do Euro 2024. A imagem de Cristiano Ronaldo (00:16:59) A representação de Cristiano Ronaldo como herói e a sua relação com a fotografia. O trabalho do fotojornalista (00:18:12) Os desafios e limitações do trabalho de um fotojornalista durante os jogos e treinos do Euro 2024. A busca pela foto perfeita (00:23:55) A importância de capturar momentos que contem a história do jogo e a preparação do fotojornalista para identificar os jogadores. Preparação para fotografar (00:27:43) Discussão sobre a escolha de posição no estádio e estratégias para capturar as melhores imagens. Posicionamento estratégico (00:28:24) Análise das vantagens e desvantagens de ficar em diferentes áreas do estádio para capturar os momentos importantes. Planejamento do jogo (00:29:20) Decisões sobre o local ideal para fotografar e como evitar a duplicação de trabalho. Fotografia remota (00:30:36) Explicação sobre o funcionamento das câmeras remotas e como são controladas durante o jogo. Antecipação e preparação (00:31:47) Discussão sobre a importância da antecipação e sorte na captura de momentos únicos durante o jogo. Fotografando os jogadores (00:35:05) Identificação dos jogadores mais interessantes de fotografar e suas características durante o jogo. Expectativas para o Euro 2024 (00:36:14) Reflexões sobre a preparação e expectativas para a competição com base na experiência passada. Interagindo com os treinadores (00:38:30) Comparação entre os treinadores e a interação fotográfica com eles durante a competição. União da equipe (00:39:23) Observações sobre a coesão e espírito de equipe dos jogadores durante a competição. Técnica fotográfica (00:40:11) Explicação sobre como focar e capturar imagens em meio a uma aglomeração de jogadores durante o jogo. Fotografar jogos de futebol (00:41:07) Miguel A. Lopes fala sobre a técnica de fotografar jogos de futebol, destacando a importância de capturar os momentos mais emocionantes. Desafios técnicos da fotografia esportiva (00:42:15) Discussão sobre os desafios técnicos de fotografar jogos à noite e durante o dia, com metade do campo na sombra. Técnicas de foco e composição (00:43:09) Miguel A. Lopes explica as técnicas de foco e composição que utiliza para capturar diferentes tipos de fotografias durante os jogos. Equilíbrio entre fato e emoção na fotografia esportiva (00:44:06) A importância de capturar emoção e ação nos jogos de futebol, equilibrando a narrativa visual com a notícia. Expectativas para o campeonato (00:45:00) Miguel A. Lopes compartilha suas expectativas para o restante do campeonato e sua esperança de capturar momentos marcantes. Variedade de experiências fotográficas (00:46:00) Miguel A. Lopes destaca a diversidade de experiências fotográficas que ele tem, incluindo eventos esportivos e políticos. Bastidores da vida de um fotojornalista (00:47:04) Discussão sobre os bastidores da vida de um fotojornalista, incluindo a logística e os desafios enfrentados durante os eventos esportivos. Desafios na obtenção de credenciais (00:48:00) Miguel A. Lopes compartilha experiências sobre os desafios na obtenção de credenciais para eventos esportivos, incluindo problemas enfrentados por colegas. Esperança para a final e a importância da fotografia (00:48:59) A esperança de ver Portugal ganhar e a importância da fotografia como meio de capturar momentos históricos. Éder tem o pé pronto a rematar. À frente a bola. Os olhos na baliza. Estamos o minuto 109, no prolongamento da final do campeonato da Europa de 2016 no Stade de France em Paris. É esse momento que Miguel A Lopes tem no enquadramento da sua máquina fotográfica. Click. É o momento -1 antes do remate que deu o titulo europeu a Portugal. Nesse dia fotografou a celebração de Éder e dos outros. A desilusão de Grizman ou Mbapé. As lágrimas de Cristiano Ronaldo. Primeiro de dor, depois de alegria. Tal como plasmar para a história o momento em que Fernando Santos flutua no ar num momento de máxima emoção dessa final. O mesmo Fernando Santos que, profético, anunciou que só voltava a Portugal depois do jogo da final, trazendo a taça. Miguel A. Lopes está volta a um europeu. Para o fotografar para a agencia Lusa. Leva com ele cameras, experiência e até superstições. Nesta conversa guia-nos pelo seu trabalho na cobertura da participação de Portugal neste Euro 2024. Hoje está em Leipzig onde Portugal se estreia frente à Chéquia. Mas mesmo antes do jogo há muito coisa a fazer: viajar, marcar o lugar junto do relvado, preparar cameras, objectivas e computador. Sim durante o jogo um fotojornalista tira mais de 500 fotos, edita e envia-as quase em tempo real. Essas mesmas fotos que todos podemos ver quase de imediato nas páginas e redes sociais dos principais jornais, rádios e televisões. Aproveitem e vejam algumas nas páginas de Miguel A. Lopes. Vale bem a pena: https://www.miguelalopes.com/fotojornalismo https://www.instagram.com/migufu LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO JORGE CORREIA (00:00:12) - Ora viva! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. Cá estamos em pleno o Europeu de Futebol Europeu de 2024, jogado na Alemanha. Uma boa oportunidade para seguir o percurso dos repórteres que seguem a competição, neste caso, os fotojornalistas. Nesta edição há grandes fotografias, Sim. Vamos saber tudo sobre o dia a dia de um fotojornalista num grande evento desportivo europeu. Venham daí, olho vivo e pé ligeiro. Vai começar o jogo. Em um momento chave. Éder tem o pé pronto, rematar à frente, a bola, os olhos na baliza e estamos no minuto 109, no prolongamento da final do Campeonato da Europa de 2016, no Estádio France, em Paris. É nesse momento que Miguel A. Lopes tem, no seu enquadramento, na sua máquina fotográfica Éder Click e o momento -1 antes do remate que deu o título europeu a Portugal. Nesse dia fotografou a celebração de Éder e dos outros, a desilusão de Griezmann ou de Mbappé, as lágrimas de Cristiano Ronaldo, primeiro de dor na lesão, depois de alegria na vitória, tal como o plasmar para a história no momento em que Fernando Santos quase que flutua no ar num momento de máxima emoção. JORGE CORREIA (00:01:39) - Nessa final está tudo nas fotografias. O mesmo Fernando Santos que, profético, anunciou que só voltava a Portugal depois do jogo da final, trazendo a taça. E assim foi. Miguel da Ponte Lopes está de volta a um Europeu, desta vez na Alemanha. Ele vai fotografar para a agência Lusa e com ele leva câmara, experiência e até superstições. Nesta conversa, guia nos pelo seu trabalho na cobertura da participação de Portugal neste Euro 2024. Hoje está em Leipzig, onde Portugal se estreia frente à Checa. Mas mesmo antes do jogo, há muita coisa para fazer viajar, marcar o lugar junto do relvado, preparar câmaras objectivas e computador. Sim, Durante um jogo, o fotojornalista tira mais de 500 fotos, edita e envia as quase em tempo real. São essas mesmas fotos que todos podemos ver quase de imediato nas páginas e redes sociais dos principais jornais, rádios e televisões. Já agora, aproveitem para espreitar o Instagram do Miguel UFU. O link está na página de pergunta Simples. Estão lá momentos deliciosos dos bastidores da vida de um fotojornalista que mais parece um atleta de alta competição para nos retratar. JORGE CORREIA (00:02:51) - Os golos de Ronaldo e companhia. Miguel A. Lopes, fotojornalista Miguel Lopes, da agência Lusa. Sim, há Lopes O quê? Porquê? Porque é que eu aqui, no meio disto tudo. MIGUEL A. LOPES (00:03:06) - É assim quando quando eu fui tirar a carteira profissional já havia um Miguel Ângelo Lopes que é então a opção foi Eu também não, Eu também sou Ribeiro, mas não queria. Então a opção foi ficar. Eu também não queria o Ângelo, embora seja o Ângelo de família e não é nome próprio em nome de família da parte da minha mãe. E então aproveitei e ficou o Miguel. A Ponte Lopes então pronto, é o Miguel Lopes que é assim que me chamam. E mais tarde, só aqui uma curiosidade vim a saber porque começaram me a ligar,...
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Como aprender a voar? José Correia Guedes
Hoje vamos voar. Sim, seguimos no habitáculo de um avião, especialmente atentos a todas as trocas de palavras que por lá são ditas. Entre pilotos, entre o avião e a torre de controlo ou entre o comandante, todos nós que seguimos sentados no papel de passageiros. Senhores passageiros, apertem os cintos, vamos descolar. TÓPICOS & TEMPOS 00:00:00 Introdução - Introdução à carreira do Comandante Guedes na aviação civil. 00:03:20 (Primeira experiência de voar sozinho) - As emoções contraditórias ao voar sozinho pela primeira vez. 00:05:36 (Primeira grande emergência) - O incidente de emergência após a descolagem e a falta de experiência para lidar com a situação. 00:07:41 (Lidar com o medo durante uma crise) - A ausência de medo durante a crise e o impacto emocional após o evento. 00:10:46 (Reflexão sobre a responsabilidade) - O peso da responsabilidade de ter vidas sob sua responsabilidade e o alívio ao deixar de voar. 00:11:24 (Início do sequestro) - O relato do início do sequestro durante um voo de Lisboa para Faro. 00:13:27 (Estratégias durante o sequestro) - A importância de obedecer durante um sequestro e as estratégias adotadas para lidar com a situação. 00:15:44 (Síndrome de Estocolmo) - A relação estabelecida entre assaltante e assaltado durante o sequestro. 00:16:11 (Escolha de confiança e comunicação) - O Comandante Guedes fala sobre a escolha do sequestrador para se comunicar e a estratégia de negociação. 00:16:53 (Negociação e intervenção policial) - Discussão sobre as negociações com o sequestrador e a intervenção das forças de segurança espanholas. 00:19:06 (Resposta do governo português) - O papel do governo português na negociação e a recusa do pedido de resgate. 00:20:10 (Concessões e negociações) - A estratégia de fazer concessões e o papel dos pilotos em situações de sequestro. 00:21:07 (Empatia e negociação) - A importância da empatia e negociação para resolver a situação de sequestro. 00:22:16 (Negociações finais e resolução) - As negociações finais e a proposta para resolver o problema do sequestro. 00:24:09 (Desfecho e consequências) - As negociações finais, desfecho do sequestro e as consequências para o sequestrador. 00:28:43 (Conclusão e reflexão) - O que o Comandante Guedes aprendeu com o episódio do sequestro e o percurso do sequestrador após a libertação. 00:29:13 (O percurso do Comandante Guedes) - Comentários sobre a trajetória profissional e pessoal do Comandante Guedes, incluindo um episódio específico de superação. 00:30:16 (Confiança nos pilotos) - Discussão sobre a confiança dos passageiros nos pilotos, especialmente em relação à presença de mulheres no cockpit. 00:30:46 (Mulheres na aviação) - Reflexões sobre a entrada de mulheres no cockpit, desafios e características positivas observadas. 00:35:22 (Tecnologia na aviação) - Exploração do papel da tecnologia na aviação, incluindo a confiança nos sistemas automáticos. 00:36:22 (Conflito entre humano e máquina) - Discussão sobre a potencial tensão entre a experiência do piloto e a confiança na tecnologia. 00:40:10 (Confiança na tecnologia) - Reflexões sobre a confiança dos mais jovens na tecnologia e a sua disposição para voar em aeronaves sem pilotos humanos. 00:41:34 (Erro humano e responsabilidade) - Análise de um incidente específico em que houve um equívoco na comunicação entre pilotos e as consequências disso. 00:42:26 (Problemas Mecânicos na Aviação) - Discussão sobre problemas técnicos em aeronaves e a importância do controle e manutenção. 00:44:37 (Concorrência na Indústria Aeronáutica) - Comparação entre as empresas Boeing e Airbus e suas inovações tecnológicas na aviação comercial. 00:47:04 (Problemas na Boeing) - Análise dos problemas enfrentados pela Boeing, incluindo questões de segurança e concorrência. 00:49:58 (Desafios de Treinamento Militar) - Dificuldades no treinamento de pilotos militares e a adaptação a novas tecnologias e idiomas. 00:51:55 (Impacto da Tecnologia Militar na Vida Civil) - Reflexão sobre como os avanços na tecnologia militar beneficiam a vida civil, incluindo a aviação comercial. 00:52:30 (Aprendizado com Guerras) - Discussão sobre como as guerras impulsionam o desenvolvimento tecnológico e a aprendizagem em diversas áreas, incluindo a aviação. 00:53:53 (Segurança na Aviação Comercial) - Abordagem da segurança na aviação comercial e estratégias para tranquilizar passageiros com medo de voar. 00:55:35 (Turbulência e correntes de jato) - Explicação sobre turbulência de ar limpo e correntes de jato. 00:57:19 (Importância do cinto de segurança) - Discussão sobre a importância do uso do cinto de segurança em aviões. 00:58:33 (Procedimentos em emergências) - Explicação sobre os procedimentos de emergência na aviação comercial. 00:59:50 (Comunicação e feedback) - Ênfase na importância da comunicação clara e do feedback entre os pilotos. 01:00:29 (Pilotagem manual e segurança na aviação) - Reflexão sobre a pilotagem manual e a evolução da segurança na aviação. 01:02:16 (Conclusão e agradecimentos) - Encerramento da conversa e agradecimentos finais. Pilotar um avião é uma tarefa difícil. Entender a máquina, compreender a meteorologia, navegar pelos céus e pelos caminhos dos aeroportos. Isto é a rotina. Mas o convidado desta semana tem múltiplas histórias de carreira que desafiam esta paz e previsibilidade que nos descansa. Quis o destino que José Correia Guedes tenha sido posto à prova logo no seu primeiro voo. Mesmo no primeiro. O primeiro voo sozinho, sem instrutor a bordo. Ora o avião de um só motor, calou-se. Sim, o motor falhou em pleno voo. E tudo ficou em suspenso. O avião, o piloto, até o coração do piloto, suspeito que até a respiração. E o avião planou… Já vamos ouvir esta história. Até porque na carreira de piloto José Correia Guedes tem para contar o dia em que o seu avião foi sequestrado. O voo da TAP seguia de Lisboa para Faro quando um homem entrou armado na cabine ordenando que os pilotos mudassem a rota para Madrid. Vamos saber tudo sobre os longos minutos de negociação que se seguiram. Afinal, a comunicação é uma ferramenta vital para nos contar como está o tempo lá no ar e para evitar uma catástrofe que podia acontecer se aquela arma carregada fosse disparada. A indústria das viagens aéreas melhorou muito a sua segurança. Não só analisa e corrige as causas de acidentes como está um passo à frente: investiga todos os quase-incidentes. Os típicos “não aconteceu mas podia ter acontecido” Também nestes casos há procedimentos de correção aplicados em todos os aviões ou processos de todo o mundo. O comandante José Correia Guedes usa uma curiosa expressão na sua rede social Twitter, ou X, como agora de baptizou. É a expressão: “Então pá?” Cunhada pela boca de um chefe quando o chamou para falar de algo que não correu como era esperado. Nos casos de emergência, cada piloto de avião tem 3 palavras-guia: voar, navegar e comunicar. Apertem os cintos e tenham nervos de aço. Afinal, como todos os pilotos. Siga a página de José Correia Guedes aqui https://x.com/cpt340 ou aqui https://www.instagram.com/cptboeing/ LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 0:12 Olá, vivão! Bem -vindos ao Pregunta Simples, o vosso podcast sobre comunicação. Hoje vamos voar. Sim, seguimos no cockpit de um avião, especialmente atentos a todas as trocas de palavras que por lá são ditas. Entre pilotos, entre o avião e a torre de controle, ou entre o comandante e todos nós que seguimos lá atrás no papel de passageiros. Por 0:34 isso, senhores passageiros, apertenha os cintos e vamos descolar. Pilotar 0:49 um avião é uma tarefa difícil. Entender a máquina, compreender a metrilegia, navegar pelos céus e pelos caminhos do zero a portos. Tudo isto é rotina, mas não é por isso que é fácil. O convite a de desta semana tem múltiplas histórias de carreira que desafiam esta paz e previsibilidade que nos descansa. Que 1:07 isso é o destino que José Que -Réia Guedes, o comandante de Correia Guedes, tinha sido posto à prova logo no seu primeiro voo. Mesmo mesmo no primeiro, exatamente no primeiro voo sozinho, sem estrutura bordo. Ora, o avião de um só motor na altura dos treinos calou -se. Sim, 1:26 o motor falhou em pleno voo e tudo ficou em suspenso. O avião, o piloto, até o coração do piloto, suspeita que até a respiração. E o avião planou. Já vamos ouvir o resto da história. Até porque na carreira do piloto, comandante José Correia Guedes, há para contar o dia em que o seu avião foi sequestrado. O 1:47 voo da TAP seguia de Lisboa para Fáron, quando um homem entrou armado na cabine, ordenando que os pilotos mudassem a rota para a Madrid. Vamos saber tudo sobre estes longos minutos de negociação que se asseguiram. E essa viagem entre Lisboa e Madrid e depois o seu regresso. A 2:05 final, a comunicação, uma ferramenta vital para nos contar tudo, desde coisas tão banais como é que está o tempo lá fora ou para evitar uma catástrofe que podia acontecer se aquela arma carregada fosse disparada. No caso das emergências, a questão da comunicação ainda mais crítica. A 2:22 indústria das viagens aéreas melhorou muito a sua segurança, não só analisa e corrige as causas de acidentes, como está um passo à frente. Investiga todos os quase acidentes. Os típicos não aconteceu, mas podia ter acontecido. Também 2:38 nestes casos há procedimentos de correação que são aplicados a todos os aviões ou processos em todo o mundo. O comandante José Correia Ghetts usou uma curiosa expressão na sua rede social no Twitter ou o X como agora se diz. E a expressão é então pá, cunhada pela boca de um chefe quando o chamou para falar de algo que não corrou tão bem como era esperado. Nos 2:59 casos de emergência,...
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A palavra ódio mata? Carlos Alberto Poiares
A linguagem tem um efeito sobre as pessoas. E as palavras, mesmo que pareçam inócuas, entram na nossa cabeça e produzem uma influência. Afinal, pensamos através das palavras. Os rótulos que metemos na realidade. Palavras, imagens, gestos. Tudo é comunicação. Quando as palavras e as ações se conjugam para o mal, assistimos a crimes que dificilmente conseguimos perceber. É nesse momento em que a justiça e a psicologia se juntam. Para julgar e para entender as circunstâncias particulares desse crime. Os crimes com motivações de ódio estão nesta grande caixa do horror humano. Portugal pode estar a deixar de ser a exceção e a tornar-se mais um a ter de lidar com os fenómenos mais básicos da falta de respeito pela vida humana. Esta edição é uma busca incessante à pergunta: porquê? TÓPICOS & TEMPOS 00:00:00 Início 00:00:12 O efeito da linguagem na disseminação do ódioDiscussão sobre como as palavras e ações podem contribuir para crimes de ódio e a responsabilidade social associada. 00:01:30 Crimes de ódio em PortugalAnálise dos recentes casos de crimes de ódio em Portugal, incluindo propaganda nazista e violência contra pessoas vulneráveis e imigrantes. 00:02:38 Motivações por trás dos crimesExploração das possíveis motivações por trás dos crimes de ódio, incluindo a influência da ideologia totalitária nazista. 00:06:43 Aspectos políticos associados à violênciaDiscussão sobre a associação da violência com ideologias políticas e a responsabilidade política e social em lidar com esses crimes. 00:11:34 Comunicação, política e justiçaAnálise da interligação entre política, justiça e comunicação, e a influência da comunicação na disseminação de propaganda e ódio. 00:13:22 Desafios na comunicação da justiçaReflexão sobre os desafios da comunicação na área da justiça, incluindo a importância da precisão e autenticidade das informações. 00:15:26 Avaliação psicológica em casos de crimeDiscussão sobre a necessidade de avaliação psicológica em casos criminais para compreender a personalidade e motivações dos envolvidos. 00:16:02 O papel da avaliação psicológicaDiscussão sobre a importância da avaliação psicológica em casos criminais e a necessidade de psicólogos especializados. 00:19:04 A importância da individualização das penasExploração do papel da personalidade do arguido na fixação da pena e a necessidade de individualização das penas. 00:21:15 A análise do comportamento criminosoReflexão sobre a importância de compreender as razões e interações por trás de um crime e a necessidade de perguntas fundamentais. 00:24:10 A neutralidade da psicologia forenseDiscussão sobre a neutralidade da psicologia forense e seu papel em compreender os comportamentos criminosos. 00:26:25 A importância do diálogo entre psicologia e direitoExploração da necessidade de diálogo entre psicologia e direito, e a importância da comunicação acessível a todos os envolvidos. 00:30:08 Facilitando o diálogo entre psicologia e direitoDiscussão sobre a necessidade de guias para psicólogos e juristas e a importância do diálogo entre as duas áreas. 00:31:20 O papel do psicólogo no sistema judicialDiscussão sobre a importância do papel do psicólogo como perito em processos judiciais. 00:32:30 A interseção entre direito e psicologiaExploração da importância da interseção entre direito e psicologia na compreensão de casos criminais. 00:33:32 A evolução da abordagem à doença mental na justiçaAnálise da evolução da abordagem à doença mental na justiça ao longo do tempo. 00:37:10 A responsabilidade em casos de inimputabilidadeDiscussão sobre a responsabilidade de indivíduos com doenças mentais em casos criminais. 00:44:03 O impacto do discurso securitário na sociedadeAbordagem sobre o impacto do discurso securitário na sociedade e na mediatização do crime. 00:47:29 Manipulação da percepção da criminalidadeDiscussão sobre a manipulação e distorção da percepção da criminalidade na sociedade. 00:47:49 Discurso político e segurançaDiscussão sobre a manipulação política através do discurso populista e propaganda. 00:49:55 Aumento da criminalidade e leitura dos dadosAnálise da interpretação errada dos dados de criminalidade durante a pandemia. 00:50:58 Casos sem solução na justiçaReflexão sobre casos sem solução e a produção de conhecimento para futuras gerações. 00:53:40 Verdade judicial e históricaAnálise da diferença entre a verdade judicial e a verdade histórica em casos judiciais. As notícias ainda me ecoam na cabeça. A primeira informa que um jovem menor, do Porto, terá sido, alegadamente, o mandante de um crime no outro lado do atlântico, no Brasil. Uma rapariga de 17 anos morreu, em S Paulo. Há ainda mais 5 casos em investigação, na forma tentada. O traço comum destes casos é que foi usada uma rede social para espalhar propaganda nazi com forte componente de ódio. Com um apelo ao recurso a massacres violentos tal como são vistos a miúde nos Estados Unidos. Nos últioms dias aconteceram mais dois casos de violência em Portugal contra pessoas vulneráveis e migrantes em Portugal. O mesmo padrão: o ódio, a violência, a ausência de empatia e humanidade mínima. Quando este tipo de caso é investigado e chega a tribunal entram em cena os psicólogos forenses. Cabe-lhes explicar o que está na cabeça destas pessoas. O porque fizeram o que fizeram. O para o que fizeram. Carlos Alberto Poiares é jurista, licenciado em direito e doutor em Psicologia. Junta os saberes da lei e da psicologia e estuda os fenómenos de exclusão social e delinquência juvenil. Fui em busca dos porquês. A começar pelo caso do jovem do Porto. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO JORGE CORREIA (00:00:12) - Ora viva um. Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. A linguagem tem um efeito sobre as pessoas e as palavras, mesmo aquelas que nos pareçam mais inócuas, entram na nossa cabeça e produzem alguma influência. Afinal, pensamos através das palavras, os rótulos que metemos na realidade palavras, imagens, gestos, tudo isto é comunicação. Quando as palavras e as acções se conjugam para o mal, assistimos a crimes que mal conseguimos perceber. É nesse momento em que a justiça e a psicologia se juntam para julgar e para entender as circunstâncias particulares desse crime. Os crimes com motivações de ódio estão nesta grande caixa do horror humano. E Portugal pode estar a deixar de ser a exceção e a tornar se mais um, a ter de lidar com os fenómenos mais básicos da falta de respeito pela vida humana. Esta edição é uma busca incessante à pergunta por que? As notícias dos últimos dias ainda me ecoam na cabeça. A primeira informa que um jovem menor do Porto terá sido, alegadamente, o mandante de um crime no outro lado do Atlântico, no Brasil. JORGE CORREIA (00:01:30) - Uma rapariga de 17 anos morreu em São Paulo. E há ainda mais cinco casos a investigação na sua forma tentada. O traço comum nestes casos é que foi usado uma rede social para espalhar propaganda nazi com forte componente de ódio, com um apelo ao recurso a massacres violentos, tal como são vistos em miúdo nos Estados Unidos. Nos últimos dias aconteceram mais dois casos de violência em Portugal contra pessoas vulneráveis e imigrantes. O mesmo padrão o ódio, a violência, a ausência de empatia e humanidade. Quando este tipo de caso é investigado e chega a tribunal, entram em cena os psicólogos forenses. Cabe lhes tentar explicar o que está dentro da cabeça destas pessoas, porque fizeram o que fizeram e para que é que o fizeram. Carlos Alberto Poiares é jurista e licenciado em Direito e doutor em Psicologia. Ele junta os saberes da lei e da psicologia e estuda os fenómenos da exclusão social e da delinquência juvenil. Fui em busca dos porquês, a começar pelo caso do jovem do Porto. Trata se daqueles fenómenos que. CARLOS ALBERTO POIARES (00:02:38) - Felizmente, no nosso país não estamos habituados a ver. CARLOS ALBERTO POIARES (00:02:42) - São mais notícias que vêm dos Estados Unidos ou de outros pontos que achamos sempre muito distantes do nosso. Mas de vez em quando isto também nos cai dentro de casa. E este é um exemplo, primeiro lugar, do que é a capacidade organizativa de uma pessoa muito jovem, utilizando as tecnologias que tem, como todas, a vantagens e inconvenientes. Aqui eu uso a tecnologia para criar uma parceria, para se afirmar também porque há sempre um desejo de reconhecimento social quando estes casos aparecem com nome assinatura, ainda por cima quando se prevê a transmissão em directo que paga, ainda para mais como forma de divulgar os seus feitos, feitos esses que, tendo sido gorado o segundo, que era o assassínio de um sem abrigo, de uma pessoa muito vulnerável, o que ainda agrava mais a responsabilidade, mas já tinha sido usado e levou à morte de uma rapariga. Portanto, nós estamos aqui a assistir a um panorama incomum em Portugal, infelizmente já vulgarizado noutras paragens, que tem uma base de crime de ódio subjacente. Repare quando isto passa de uma situação de uma rapariga, eu não sei quais seriam os alguns aspetos específicos que houvesse ou não dessa rapariga, mas agora estamos a falar de um crime contra uma pessoa extremamente fragilizada, sem condições de defesa, vivendo em condições de miséria e no fundo era o grande gáudio. CARLOS ALBERTO POIARES (00:04:24) - Era conseguir matar com requintes de crueldade. Ou seja, matar já é muito mau. Mas aqui ainda fazendo acrescer a factores que reforçassem a dureza da dos atos criminais. JORGE CORREIA (00:04:39) - Na minha percepção, é um fenómeno de violência gratuita, porque estas pessoas não se conhecem. Portanto, não há, em princípio, um móbil, uma vontade, 1A1. CARLOS ALBERTO POIARES (00:04:51) - Motivação que é que é doentia. Nós estamos a falar de situações em que as pessoas
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O que perguntar ao médico? António Vaz Carneiro
Senhor doutor, o que tenho eu? Senhor doutor, o que me vai acontecer? Em linguagem médica pedimos sempre um diagnóstico. O resumo da nossa condição. E principalmente um prognóstico: com o que posso contar para o futuro. Implicitamente as duas perguntas incorporam uma expectativa, um pedido de ajuda e uma esperança. As duas perguntas resumem-se ao apelo: Senhor doutor "safe-me" lá desta maleita. Claro que as respostas nem sempre são assim tão diretas e simples como gostaríamos. TÓPICOS DE CONVERSA Início (00:00:00) A importância dos grandes números na saúde (00:00:12) Discussão sobre a relevância dos dados recolhidos pelo sistema de saúde e as perguntas a serem feitas. Comunicação médico-paciente (00:01:25) Exploração da importância da comunicação na relação médico-doente e das perguntas frequentes feitas pelos doentes. Motivação para ser médico (00:03:57) António Vaz Carneiro a compartilha a sua motivação para seguir a carreira médica. Evolução da carreira médica (00:04:18) António Vaz Carneiro fala sobre a evolução das suas especialidades médicas ao longo da carreira. Comunicação eficaz na prática clínica (00:06:50) Discussão sobre a importância da linguagem adaptada na comunicação médico-doente. Prognóstico e envolvimento do doente (00:08:37) Exploração do envolvimento do doente no tratamento e a importância do prognóstico positivo. Casos raros e avanços médicos (00:11:47) Relato de casos raros de recuperação de cancros avançados. Relação entre doenças cardiovasculares e oncológicas (00:13:01) Análise da relação entre a diminuição de doenças cardiovasculares e o aumento das doenças oncológicas. Importância dos grandes números de dados na área da saúde (00:14:26) Discussão sobre a disponibilização e interpretação dos dados clínicos para melhorar a prática médica. Benefícios dos dados para os doentes (00:14:48) Exploração dos impactos positivos dos dados na melhoria do tratamento e cuidado dos doentes. Utilização de dados clínicos na prática médica (00:15:10) Análise da disponibilidade e utilização de dados clínicos na prática médica diária. Monitorização da qualidade dos dados clínicos (00:16:23) Explicação da importância da monitorização da qualidade dos dados clínicos e o seu impacto na prática médica. Formação e educação baseadas em dados (00:17:35) Discussão sobre como os dados clínicos podem contribuir para a formação e educação médica. Segurança dos dados clínicos (00:18:24) Exploração da segurança e proteção dos dados clínicos dos doentes. Utilização de dados para a investigação científica (00:19:10) Análise do uso dos dados clínicos na pesquisa científica e na identificação de padrões de tratamento. Medicina de precisão e personalização do tratamento (00:18:05) Discussão sobre a importância dos dados na personalização e precisão do tratamento médico. Impacto da informação na prática clínica (00:24:13) Reflexão sobre como a informação influencia a prática clínica e o comportamento dos médicos. Organização e utilização prática da informação (00:25:03) Exploração da importância da organização e utilização imediata da informação clínica na prática médica. Inteligência Artificial e Medicina (00:26:32) Discussão sobre o papel da inteligência artificial na análise de grandes quantidades de dados biomédicos. Erro Médico e Reflexão (00:29:12) Reflexão sobre erros médicos e a necessidade de corrigi-los, com o impacto emocional envolvido. Informação e Desinformação na Saúde (00:31:09) Abordagem sobre a propagação de fake news na saúde e os perigos associados à desinformação. Impacto da Pandemia na Saúde (00:34:02) Análise do impacto da pandemia na saúde, incluindo o abandono de tratamentos e a gestão dos sistemas de saúde. Consequências Geracionais da Pandemia (00:38:24) Discussão sobre o impacto da pandemia na educação e desenvolvimento das crianças, com reflexão sobre as consequências a longo prazo. O medo na tomada de decisão (00:39:37) Discussão sobre a reação de medo e a dificuldade na tomada de decisões durante a pandemia. Desafios na tomada de decisões políticas na saúde (00:40:11) Abordagem sobre a complexidade e desafios na tomada de decisões políticas na área da saúde. Prioridades e gestão dos serviços de saúde (00:41:29) Discussão sobre a priorização e gestão dos serviços de saúde, incluindo a perceção das urgências hospitalares. Falsa urgência nos serviços de saúde (00:43:24) Reflexão sobre a perceção da urgência nos serviços de saúde e a necessidade de uma abordagem mais racional. Impacto ambiental do sistema de saúde (00:47:20) Análise do impacto ambiental do sistema de saúde e a necessidade de repensar práticas para reduzir a pegada ecológica. Reflexão sobre a evolução da medicina (00:51:45) Visão sobre a transformação do papel do médico e a gestão avançada da informação na medicina do futuro. A evolução das profissões de saúde (00:52:20) Discussão sobre a mudança no papel dos profissionais de saúde e a gestão de informação integrada. O futuro da medicina (00:52:38) Reflexão sobre o impacto do conhecimento e da informação na prática médica, e a necessidade de mais humanidade. Ao longo dos anos fui exercitando a minha tarefa de perguntador em múltiplas conversas com este médico que se multiplica por várias áreas: é especialista em medicina interna, em nefrologia e em farmacologia clínica. E insiste sempre em estudar as evidências para responder aos seus doentes. Mesmo quando algum caso individual decide contrariar toda a estatística. Vaz Carneiro tem uma lupa gigante para avaliar series de grandes números. E um microscópio afinado para avaliar aquele doente uno e particular que tem de ajudar. E responder às perguntas. O que tenho, doutor? Como é o futuro? Perguntas simples em busca da tradução da complexidade em poucas respostas. Num mundo em contradição onde lutam as evidências cientificas com a arte de acreditar nas histórias mais mirabolantes. Uma batalha entre os factos verificáveis e a desinformação mais irracional. Todavia, coexistem. Esta é uma conversa carregada de possibilidades e esperança. A gigante quantidade de informação vai finalmente começar a ser de grande utilidade para cada um de nós. É um tempo novo. O que nos dizem os grandes números da saúde? O que podemos ler na gigantesca quantidade de dados que o nosso sistema de saúde recolhe, todos os dias dos seus doentes? Que perguntas temos de fazer? E que respostas queremos obter? Esta edição é muito otimista e carregada de esperança. Numa conversa com António Vaz Carneiro, Professor e médico por vocação e para ter liberdade. Liberdade para fazer e para auxiliar as outras pessoas. Nos próximos minutos percorremos os caminhos da medicina moderna. Que cada vez sabe mais, mas nem sempre tem as respostas todas. No limiar de uma anunciada revolução do conhecimento: a recolha e o entendimento dos chamados dados da vida real. Os grandes dados onde cada um de nós é um ponto na escala. Como as mesmas perguntas de sempre. Haverá respostas para nós? As perguntas são as mesmas de sempre. Que pode trazer nova luz sobre velhas perguntas. A profissão que decide se estamos vivos ou mortos está para ficar. Mas o acervo de informação e conhecimento pode inspirar novas formas de fazer medicina. Mas conhecimento oferecerá seguramente melhor capacidade de reconhecer as melhores práticas. Mas, suspeito, trará consigo muito mais perguntas. Algumas precisam de mais dados. Outras, simplesmente, de mais humanidade. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA Jorge Correia (00:00:12) - Ora viva! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. O que nos dizem os grandes números da saúde? Não, não estou a falar das consultas, das cirurgias, das urgências. Estou a falar dos nossos números pessoais particulares, todos juntos. O que podemos ler na gigantesca quantidade de dados que o nosso sistema de saúde recolhe todos os dias dos seus doentes, isto é, de nós próprios? Que perguntas temos de fazer e que respostas queremos obter destes dados? Esta é uma edição muito otimista e carregada de esperança. Numa conversa com António Vaz Carneiro, professor e médico por vocação e para ter liberdade, diz ele. Liberdade para fazer e liberdade para ajudar outras pessoas. Nos próximos minutos percorremos os caminhos da medicina moderna, que cada vez sabe mais, mas nem sempre tem as respostas todas. Será que alguma vez vai acontecer no limiar de uma anunciada revolução do conhecimento? A recolha e o entendimento dos chamados dados da vida real, os grandes dados onde cada um de nós é um ponto na escala. Mas nós, seres humanos, mantemos as mesmas perguntas de sempre. Jorge Correia (00:01:25) - Haverá respostas para nós? Vamos ao programa? Vamos a isso. As perguntas, as perguntas, as perguntas são as mesmas de sempre Senhor doutor, o que tenho eu? Senhor doutor? O que é que me vai acontecer? Em linguagem médica, pedimos sempre um diagnóstico, um resumo da nossa condição e, principalmente, um prognóstico. Com o que é que posso contar para o futuro? Implicitamente, as duas perguntas incorporam uma expectativa, um pedido de ajuda e uma esperança. As duas perguntas resumem se ao apelo Senhor doutor, safei me lá desta maleita. Claro que as respostas nem sempre são assim tão diretas e simples como gostaríamos, mas continuamos a fazer sempre as mesmas perguntas. Ao longo dos anos eu fui exercitando a minha tarefa de perguntador profissional em múltiplas conversas com este médico que se multiplica por várias áreas. Vaz Carneiro, especialista em Medicina Interna, em Nefrologia e em Farmacologia Clínica, e insiste sempre em estudar as evidências para responder aos seus doentes,...
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Como se relata o melhor golo do mundo? Nuno Matos
Minuto 109. Final do campeonato da Europa de 2016 Éder chuta e a bola entra na baliza francesa, tornando Portugal campeão. Em Paris. Nenhum destas linhas faz jus à emoção de ver em directo o momento. Nem há emoção carregada na voz dos jornalistas e narradores desportivos dessa noite, no estádio. É esse momento sublime da liturgia do relato de futebol que quero fotografar nesta edição. TÓPICOS DE CONVERSA O fascínio da bola e do futebol (00:00:12) Discussão sobre o fascínio da bola e do futebol na forma narrada, destacando a emoção do jogo. Preparação e experiência de Nuno Matos (00:01:35) Nuno Matos partilha a sua experiência e processo de preparação para relatos de futebol, salientando a importância da relação com as fontes, a parte emocional na narração e a evolução das tecnologias utilizadas. Preparação para uma competição (00:03:44) Nuno Matos fala sobre como se prepara para uma competição, incluindo o acompanhamento das equipas, treinos, lesões e a importância das fontes credíveis. Relato de futebol e relação com as fontes (00:06:13) Discussão sobre a relação de confiança com as fontes e a importância do timing na divulgação de informações sensíveis, como a convocatória de jogadores. Abordagem emocional no relato de futebol (00:08:30) Nuno Matos destaca a importância de ser informativo, descritivo e emocional no relato de futebol, transportando a paixão e a emoção do jogo para os ouvintes. Momento mágico na história do futebol português (00:10:08) Nuno Matos recorda o momento-chave da história do futebol português, a final do campeonato da Europa de 2016, destacando a emoção e a importância desse momento. Preparação Técnica (00:15:40) Discussão sobre a preparação técnica para relatos desportivos, incluindo problemas com a linha e soluções. Relatos em Condições Adversas (00:16:04) Narrador partilha experiências de relatos em condições adversas e a importância da confiança e profissionalismo. Ligação com os Ouvintes (00:18:11) Discussão sobre a importância da ligação com os ouvintes e a interação através das redes sociais. Emoção na Narração (00:19:58) Exploração da relação emocional do narrador com os clubes e a seleção, e a importância da imparcialidade no jornalismo desportivo. A Importância da Narração (00:21:09) Reflexão sobre a importância da narração desportiva e a responsabilidade de capturar momentos únicos. Impacto do Desporto na Imprensa (00:22:42) Análise do papel do desporto na imprensa e o impacto dos narradores desportivos na vida das pessoas. Momento Crucial no Futebol (00:25:36) Discussão sobre o momento crucial da lesão de Cristiano Ronaldo durante a final do campeonato europeu. Entrevistas no Jornalismo Desportivo (00:28:04) Reflexão sobre a profundidade das entrevistas no jornalismo desportivo e a busca por ângulos diferentes. Formação de Jornalistas (00:29:15) Análise da formação de jornalistas e a importância de procurar abordagens originais nas reportagens. O problema da comunicação nos clubes (00:30:05) Discussão sobre a má comunicação dos clubes e a falta de disponibilidade dos jogadores e treinadores para falar. Bernardo Silva e outros heróis do desporto (00:30:46) Elogio à capacidade de comunicação de Bernardo Silva e a importância de reconhecer heróis de outros desportos. Mudança de paradigma na cobertura desportiva (00:32:11) Reflexão sobre a mudança na cobertura dos jornais desportivos e a necessidade de valorizar outros desportos. Os treinadores no futebol português (00:33:01) Análise dos treinadores de futebol português, destacando as diferentes abordagens comunicativas de cada um. Trabalho emocional e mental no futebol (00:36:09) Ênfase na importância do trabalho emocional e mental dos jogadores e treinadores no futebol. Comunicação dos treinadores e seleção nacional (00:41:50) Discussão sobre a comunicação dos treinadores e a liderança na seleção nacional, com destaque para Roberto Martínez. Problemas nos jogos juvenis (00:42:54) Preocupação com o comportamento dos pais nos jogos juvenis e o impacto negativo na carreira dos jovens jogadores. 00:44:31 - Jogadores em destaque Discussão sobre jogadores promissores em clubes portugueses e o seu potencial de transferência internacional. 00:47:04 - Fadiga pós-jogo Nuno Matos fala sobre o seu estado físico e emocional após narrar intensamente durante um jogo. 00:47:52 - Reconhecimento internacional Nuno Matos menciona prémios e reconhecimento internacional pelo seu trabalho de narração desportiva. 00:49:02 - Cuidados pessoais e agradecimento Nuno Matos fala sobre a sua saúde e a importância da entrega emocional na sua narração, agradecendo o apoio do público. 00:50:15 - Conexão com os ouvintes no exterior Nuno Matos destaca a importância da rádio em aproximar os ouvintes no exterior com Portugal e o seu trabalho como narrador desportivo. 00:51:48 - Reconhecimento e humildade Nuno Matos menciona o reconhecimento de figuras importantes e destaca a importância de tratar todos os ouvintes com igualdade. 00:52:13 - Força do futebol e da rádio Nuno Matos fala sobre a força do futebol e da rádio em unir as pessoas e destaca a importância da dedicação diária ao trabalho de narração desportiva. 00:52:53 - Reconhecimento dos erros Nuno Matos aborda a importância de reconhecer e corrigir os erros durante a narração desportiva, enfatizando o ser genuíno e apostar na ligação com o público. Nuno Matos. Há 35 anos descreve-nos o que está a acontecer em momentos desportivos-chave. E não é só futebol. Nas palavras carrega o descritivo dos factos que vê mas, principalmente, o sonho do herói. O carregamento emocional da grande vitória ou da mais humilhante das derrotas. Sempre entre o céu e o inferno. Entre o mais improvável dos heróis, como Éder na final do europeu, ou a mítica história do deus grego que por acaso nasceu português chamado Cristiano Ronaldo. Talvez o futebol não seja só futebol. E a voz carrega essa narrativa da superação permanente. Não sei se vos acontece, mas por mais mágicas que sejam as imagens de um jogo de futebol da televisão, não há emoção que supere um relato na rádio. Essa fala ao ouvido, ora descritiva, ora emocional, é torrencial. Essa voz é uma marca de verdades impossível de esquecer ou apagar. Num relato temos o privilégio de estar lá, no meio do campo, apenas guiados pelo som. Isto é comunicação. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO JORGE CORREIA (00:00:12) - Cor Viva um Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre comunicação. O fascínio que uma bola exerce sobre uma criança é das coisas mais curiosas do mundo. O que tem de mágico? O rolar de uma bola? O que provoca nas nossas mentes infantis ou até nos mais crescidos? Esta edição é toda sobre o mágico mundo da bola. O futebol na sua forma narrada. Sim, vamos ligar nos às vozes de rádio que nos trazem a emoção do jogo ao minuto, o relato de futebol. Mas o relato do futebol é muito mais do que um simples descrever de 22 pessoas atrás de uma bola. É toda uma estética emocional e toda a mitologia dos heróis que me interessa. E sobre isso esta edição. Minuto 109, final do Campeonato da Europa de 2016, Éder chuta a bola que entra na baliza francesa, tornando Portugal campeão em Paris, logo em Paris. Nenhuma destas linhas faz jus à emoção de ver em directo o momento, nem a emoção carregada na voz dos jornalistas e narradores que nessa noite no estádio, nos contaram o golo de Éder e esse momento sublime da liturgia do relato de futebol que quero fotografar nesta edição. JORGE CORREIA (00:01:35) - Sigo pela voz de um companheiro de sempre nas lides da telefonia, Nuno Matos, há 35 anos, a descrever nos o que está a acontecer em momentos desportivos chave. E não é só futebol. Nas palavras carrega o descritivo dos factos que vê, mas principalmente o sonho do herói, o carregamento emocional da grande vitória ou da mais humilhante das derrotas de sempre entre o céu e o inferno, entre o mais improvável dos heróis como o Éder na final do Europeu ou a mítica história do deus grego que por acaso nasceu português, o Cristiano Ronaldo. Talvez o futebol não seja só futebol e a voz carrega essa narrativa da superação permanente. Viva! Nuno Matos. NUNO MATOS (00:02:23) - Prazer é meu. JORGE CORREIA (00:02:24) - Camarada. NUNO MATOS (00:02:25) - Encontro. JORGE CORREIA (00:02:26) - Trabalhamos muito, muito tempo, muitos anos. Europeus, de futebol, mundiais de futebol. Tu lá no bem bom e eu do lado. Eu do lado de cá, apenas e apenas ouvido. Acabas de chegar da África. NUNO MATOS (00:02:39) - Sim, estive na Costa do Marfim a fazer a Taça das Nações Africanas, a principal competição de seleções da África, e ainda não tinha no currículo um can. NUNO MATOS (00:02:50) - E foi o meu primeiro ano. Tenho já seis mundiais, vou para o meu sétimo Europeu. E foi meu o meu primeiro canto, portanto uma estreia. A minha estreia foi Sendo que quando tu. JORGE CORREIA (00:03:00) - Quando tu fazes uma cobertura aqui, lembro me do Europeu, da Holanda e da Bélgica. Lembro me da Alemanha. Lembro me de França, claro. Todos nos lembramos de França. É completamente diferente, não é? NUNO MATOS (00:03:13) - Sim, é uma competição com uma exigência diferente, até em termos de condições de trabalho. É mais difícil, mas. Mas merece a pena. JORGE CORREIA (00:03:21) - Estavas mal habituado. NUNO MATOS (00:03:22) - Eu sei que estava mal habituado, mas enfim. Mas vamos dar também uma nota positiva à Costa do Marfim, que acabou por organizar até de forma de forma superior esta Esta competição. É que eu costumo dizer quem dá o que tem a mais não é obrigado. Olha, fala. JORGE CORREIA (00:03:38) - Me da maneira como te preparas para para uma competição destas ou para para o Jaguar ou para os. ...
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O que diz o médico? Fernando Leal da Costa
Estar doente é recordar o nosso estatuto de seres mortais. A sensação de desamparo, medo, imprevisibilidade e necessidade de ajuda é real e verdadeira. Quanto mais séria for a condição de saída, mais aguda é essa necessidade. Necessidade de reparação. Física e psicológica. TÓPICOS E TEMPOS Escutar os Doentes (00:03:15) Como escutam os médicos os seus doentes, Fernando Leal da Costa fala sobre a importância da comunicação não verbal. Linguagem na Comunicação Médica (00:06:34) Fernando Leal da Costa discute a importância de traduzir as informações médicas para uma linguagem compreensível e de separar o que é importante do acessório, nos relatórios médicos. Impacto da Internet e Inteligência Artificial (00:08:09) A discussão aborda o impacto da ‘internet’ e da inteligência artificial na medicina, salientando a necessidade de orientar os doentes e o potencial tranquilizador ou inquietante destas ferramentas. Medicina Baseada na Evidência e Inteligência Artificial (00:10:47) A medicina baseada na evidência e o debate sobre a capacidade atual das máquinas em substituir o diagnóstico humano. Responsabilidade na Era da Inteligência Artificial (00:13:22) A discussão centra-se na responsabilidade e na confiança na era da inteligência artificial, abordando o papel do médico como mediador e a importância da confiança do doente. Lidar com a Incerteza na Prática Médica (00:16:17) A complexidade de lidar com a incerteza na prática médica, especialmente em situações de tratamento paliativo, e a importância de ser honesto com o doente. A Importância da Escuta Ativa (00:18:16) O médico discute a importância de mudar a conversa para assegurar que o doente seja ouvido. Adaptação à Doença (00:19:26) O médico aborda diferentes mecanismos de adaptação dos doentes à doença, incluindo a negação e a procura por informações. A Relação entre Pensamento Positivo e Prognóstico (00:21:19) É discutida a relação entre o pensamento positivo dos doentes e o prognóstico, especialmente em casos de cancro. Impacto da Pandemia nos Profissionais de Saúde (00:25:56) O médico fala sobre o impacto da pandemia nos profissionais de saúde, incluindo a perda de doentes e o medo das infeções respiratórias. Reorganização do Sistema de Saúde (00:29:22) O médico propõe uma reorganização do sistema de saúde para ampliar a resposta e assegurar acesso a qualquer médico disponível, público ou privado. Custo do Tratamento do Cancro (00:31:53) É abordado o aumento do custo do tratamento do cancro em comparação com a eficácia do tratamento. O Custo do Sucesso (00:32:12) Discussão sobre o aumento da procura por serviços de saúde, o fenómeno das urgências e a busca por atendimento médico. Falta de Médicos Experientes (00:36:20) Falta de médicos mais velhos para ensinar a nova geração, consequências das decisões políticas e distribuição etária dos médicos. Emigração de Médicos (00:38:27) Motivos da emigração de médicos portugueses para outros países da União Europeia e as condições de trabalho. Desafios da Nova Geração (00:41:30) A menor tolerância da nova geração para más condições de trabalho e a procura por um equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Adaptação às Mudanças (00:43:53) A evolução da medicina com a introdução da tecnologia e a necessidade de tornar o sistema mais amigável para os médicos. A Importância da Comunicação Médico-Paciente (00:44:41) Discussão sobre a vontade de conversar dos médicos mais novos e a necessidade de apoio e estímulo. Mudanças no Sistema de Saúde (00:45:38) Reflexão sobre a dinâmica da evolução da medicina e a distribuição desigual de médicos e enfermeiros em Portugal. Participação dos Cidadãos nas Decisões de Saúde (00:46:59) Debate sobre a voz dos cidadãos na política de saúde e a necessidade de maior inclusão e responsabilidade dos eleitos. O Futuro da Medicina (00:50:26) Reflexão sobre a satisfação profissional enquanto médico e a expectativa de avanços tecnológicos na medicina. Nesta edição ouço um médico com quem aprendi muitas coisas. Falei com ele ao longo da vida, e nos seus vários papeis, dezenas de vezes. Médico, pensador da saúde pública, alto funcionário do SNS e até, secretário de estado e finalmente ministro da saúde. Falo de Fernando Leal da Costa. É médico especialista em hematologia e oncologia. De forma mais direta e muito simplifica da: trata doentes com cancro no sangue. O que significa ouvir muitos doentes, explicar coisas difíceis, saber que nunca se sabe de tudo a todo o tempo e cultivar uma relação de confiança com outros seres humanos em grande sofrimento. É sobre esse momento quase sagrado da fala e da escuta que nos debruçamos nesta edição. O momento da pergunta e das respostas. Da esperança e dos limites da possibilidade humana de resgatar o outro. Entre a compaixão e o caminho que ainda falta percorrer. Com o diálogo necessário, delicado e negociado entre o médico e o doente. O que quer saber tudo. O que evita saber e delega tudo. A comunicação não inclui só palavras. Há os gestos e os não ditos. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO Full Transcription JC (00:00:00) - Viva. Professor Fernando Leal da Costa, médico hematologista e oncologista, tem as duas especialidades. Teve um pé também pela política e al... See more Full Transcription & SRT file Did you know adding full transcripts to your show notes boosts website traffic and engagement? Learn more Edit Speaker's Names JC (00:00:00) - Viva. Professor Fernando Leal da Costa, médico hematologista e oncologista, tem as duas especialidades. Teve um pé também pela política e alguém que intervém na sociedade a refletir sobre estas coisas de saúde. Interessa muito. Para começar, é sempre uma curiosidade que eu tenho, que é como é que se escutam os doentes. FLC (00:00:25) - Com muita atenção. Há um conjunto de mensagens que são relativamente directas e que resultam das perguntas que nós, mais ou menos, eu diria consuetudinária mente fazemos. E depois há toda uma comunicação associada, que era a forma como as coisas são ditas, que era aquilo que não é dito, a própria mímica que nos transmite um conjunto de informações muito importantes para conhecermos aquela pessoa e de alguma forma conseguirmos adaptar progressivamente a nossa mensagem a aquilo que são, por um lado, as necessidades e, por outro lado, os desejos de quem nos escuta. JC (00:01:08) - Isso vê se logo desde o momento em que essa pessoa entra no consultório. FLC (00:01:13) - Sim, quando já temos algum treino. A forma como a pessoa se aproxima de nós se dirige até à cadeira onde se vai sentar. FLC (00:01:24) - O tempo que por vezes espera até decidir sentar se ou eventualmente até alguns doentes, enfim, mais tradicionais, esperarem que lhes seja indicado que se devem sentar. Tudo isso são indicações preciosas e depois a própria forma como aqueles metros são percorridos, uma vez que nós infelizmente não temos acesso a ver o doente percorrer o corredor e essa seria uma informação importante. Aqueles pequenos métodos já nos dizem muito sobre, por exemplo, a condição física da pessoa, a condição emocional e já nos prepara de alguma forma para aquilo que nós podemos. Quer em termos daquilo que são as ferramentas terapêuticas, quer em termos daquilo que são as ferramentas comunicacionais. Utilizar quer. JC (00:02:06) - Dizer que o corpo que o nosso corpo fala. FLC (00:02:09) - Muitíssimo. Muitíssimo. E essa é uma das partes mais importantes da medicina e sermos capazes de ler. Toda a comunicação que está associada à pessoa e que não depende estritamente da fala. As pessoas literalmente falam com o corpo e o corpo sendo observado. Transmite nos imensa informação de extrema utilidade para as decisões que temos que tomar em proveito dessa própria pessoa. JC (00:02:36) - Quando, Quando nós estamos numa situação de fragilidade, como é o caso dos doentes e em particular doentes de cancro, onde as notícias não são boas e o início da conversa, digamos, nós, pelo menos aqueles doentes que que mais, que mais cuida? Preocupa se com no fundo com o medico. Ex. Há sempre aquela quando nós abrimos um exame médico não entendemos o que é que lá está. O doente no fundo está fragilizado, está com medo, muitas vezes naturalmente, não sabe o que é, o que lhe está a acontecer, não sabe como é que é o futuro. E depois há ali um médico que que o pode ajudar, seguramente. E então ele é a linguagem. FLC (00:03:19) - É fundamental descodificar e traduzir para termos que sejam perceptíveis por toda a gente a informação que nós consideramos que é importante para essa pessoa. Normalmente, os relatórios dos exames têm muita informação que eventualmente até pode ser importante para o médico. Pode ser importante até como controlo de qualidade relativamente a quem lê aquilo, mas que não tem nenhum impacto clínico significativo. FLC (00:03:49) - É um dos trabalhos que nós temos é explicar aos doentes, separar. No fundo, não diria o trigo do joio, mas aquilo que é importante do que não é importante e, ao mesmo tempo, utilizar linguagem que qualquer pessoa seja capaz de entender. JC (00:04:01) - A ideia de conseguirmos fazer algum dia, de termos relatórios médicos para tótós pode fazer sentido ou é perigoso e perigoso. FLC (00:04:09) - É preferível utilizar a linguagem convencional na comunicação entre médicos e depois entregar ao profissional o trabalho de descodificar essa linguagem. E é curioso que os médicos, se o fizerem bem feito, ao fim de algum tempo, assistimos aos doentes a discutirem connosco, quase que em pé de igualdade, as análises clínicas e os exames, porque nós ensinamos lhes eles saberem interpretar aquilo. Isto é extremamente importante para que o doente, ele próprio, seja capaz de fazer uma avaliação do seu, do seu estado, da sua resposta,...
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Como fotografar a Liberdade? Eduardo Gageiro
O 25 de abril de 1974. Celebramos, este ano, os 50 anos da Revolução dos Cravos O ano do advento da Liberdade. Esse dia foi retratado por um dos mais célebres e premiados fotojornalistas portugueses: Eduardo Gageiro. Encontrei-o num sábado na exposição de múltiplas fotografias que tirou desde 1957. Exposição na Cordoaria Nacional aberta e gratuita até 5 de maio. Esta conversa tem luz e sombra. É desse contraste que se faz a narrativa do Portugal contemporâneo. Esta edição é um testemunho da história. Viva a Liberdade TÓPICOS E TEMPOS (00:05:27) Convocado para a Revolução Eduardo Gageiro é convocado para fotografar a revolução. (00:06:50) Encontro com Salgueiro Maia Eduardo Gageiro conhece o comandante Salgueiro Maia. (00:07:49) Tensões e negociações Eduardo Gageiro testemunha negociações e tensões durante a revolução. (00:09:34) Medo e experiência anterior com a PIDE Gageiro relembra o seu medo e a sua experiência anterior com a PIDE. (00:12:44) Momento de confronto Descrição do momento de confronto entre Salgueiro Maia e a cavalaria sete. (00:14:39) A possibilidade de disparo evitada Eduardo Gageiro descreve o momento em que a possibilidade de alguém disparar um tiro foi evitada. (00:15:52) Exposição em Barcelos Eduardo Gageiro fala sobre uma exposição e um colóquio com participantes do 25 de abril. (00:17:26) O momento decisivo Conversa sobre um momento crucial da revolução e a relação pessoal entre dois homens. (00:18:53) Fotografando Salgueiro Maia Eduardo Gageiro descreve a sua experiência fotografando Salgueiro Maia durante o 25 de abril. (00:20:42) Desaparecimento das fotografias Discussão sobre o desaparecimento de fotografias importantes do 25 de abril. (00:22:52) Fotografia simbólica Eduardo Gageiro descreve uma fotografia simbólica do Salazar na sede da PIDE. (00:25:02) Paixão pela fotografia Eduardo Gageiro fala sobre a sua paixão pela fotografia desde jovem e sua influência social. (00:27:22) O mundo desconhecido Eduardo Gageiro descreve a perplexidade ao descobrir a corrupção na distribuição de alimentos durante a sua infância. (00:29:27) Influência e politização Gageiro fala sobre a influência de pessoas e livros na sua politização e formação como fotógrafo. (00:30:30) Início na fotografia Gageiro conta como começou a fotografar e recebeu orientações de um mentor sobre composição e técnica. (00:35:30) Primeiros prémios Gageiro relata a sua experiência ao ganhar o seu primeiro concurso de fotografia e o impacto disso na sua carreira. (00:39:00) Reconhecimento internacional Gageiro discute a importância dos prémios na sua carreira e como isso o levou a ser reconhecido internacionalmente. (00:39:20) Mudanças após o 25 de abril Eduardo fala sobre como a sua visibilidade mudou após a revolução. (00:40:46) Viagens e prémios internacionais Eduardo descreve as suas viagens pela China, Índia e outros países, e seus prémios. (00:43:23) Prêmio do Pravda Eduardo conta sobre o prémio que ganhou do jornal oficial do partido comunista russo. (00:45:16) Persona non grata Eduardo fala sobre como se tornou "persona non grata" após se filiar a um partido. (00:46:39) Documentando Portugal Eduardo explica a sua preferência por fotografar o ser humano e as lutas do país. (00:47:54) Fotografia de Salazar Eduardo compartilha a história por trás de uma fotografia que tirou de Salazar. (00:50:26) Estética na fotografia Eduardo discute a importância da estética e do equilíbrio na fotografia. (00:51:51) Fotografando o caixão de Salazar Eduardo Gageiro descreve a sua experiência fotografando o caixão de Salazar e a reação das autoridades. (00:55:53) Retratos de personalidades Gageiro fala sobre a importância da confiança para capturar retratos autênticos e destaca o retrato de Champalimaud. (00:58:36) Fotografando o presidente Gageiro descreve a sessão de fotos com o presidente, incluindo a persuasão para usar luvas de boxe. (01:01:12) Desafios na sessão de fotos Gageiro conta como convenceu o presidente a usar luvas de boxe e a interação durante a sessão de fotos. (01:04:36) A luta pela publicação das fotografias Eduardo Gageiro fala sobre o esforço para convencer a senhora a publicar as suas fotografias. (01:05:43) Histórias engraçadas e desagradáveis O fotógrafo compartilha experiências divertidas e desagradáveis ao fotografar personalidades. (01:06:33) O desafio de fotografar um político Gageiro revela a dificuldade em capturar a essência de um político durante uma sessão de fotos. (01:07:29) A força da fotografia de Amália Rodrigues O fotógrafo destaca a intensidade e a expressão da famosa fadista portuguesa nas suas fotografias. (01:09:08) Fotografando com energia e emoção Gageiro descreve o processo de fotografar Amália Rodrigues com intensidade e emoção. (01:09:46) Reflexões sobre o futuro de Portugal Eduardo Gageiro expressa as suas preocupações e desejos para um Portugal melhor e reflete sobre questões políticas globais. Liberdade. Subitamente passaram 50 anos. Para quem nasceu em finais de 1971 o 25 de abril é vivido pela memória dos familiares e dos amigos mais velhos. Depois lido em livros, recortes de jornais na hemeroteca por alturas do curso de jornalismo. Há ainda as memórias do antes. Da vida censurada e sem liberdade de expressão. O medo dos bufos e da PIDE, Do risco ou realidade de ir parar a guerra colónial. Das fugas a salto para emigrar para a França ou Alemanha. Em busca de uma vida melhor. E depois, o dia da celebração da Liberdade. É desse dia que me ficam os relatos e retratos das testemunhas profissionais: os jornalistas e os fotojornalistas. As reportagens com a voz de Adelino Gomes, que retratou na palavra o pulsar desde dia. Do 25 de abril de 1974, na rádio. E das eternas e mágicas fotografias de Eduardo Gageiro. Captando o olhar de Salgueiro Maia. Ou o seu morder do lábio para não chorar. Seria medo? Seria alegria? Estas fotos tem tudo. Do mais humilde ao mais grandioso. Há uma portugalidade intrínseca e emanente nessas imagens. Tal como estão expressas nas reportagens fotográficas do Portugal muito pobre do antes. As imagens inesquecíveis das crianças sujas e descalças no meio de caminhos duros e casas cinzentas. O retrato do Portugal escondido. Da desigualdade estrema. Gageiro viu os operários sem sapatos da fábrica de Sacavem e os visitantes nocturnos vindos do casino, homens bem-vestidos e acompanhados pelas suas amantes, a quem o pai organizava banquetes onde havia todos os sabores e alimentos que inversamente eram negados aos que não pertenciam ao clube. Havia o bacalhau do contrabando e sabe deus mais o quê. Havia tudo do bom e do melhor, mas apenas para alguns. Essa desigualdade ainda preocupa Gageiro. O fotografo que também retratou o glamour dos nossos maiores: há Amália, há Eusébio, há os poetas, os politicos, os poderosos, o povo. Os muito ricos. Os muito pobres. Os intelectuais. Os trabalhadores da força de braços. Os músicos e os escritores. Será esta mistura um vislumbre da alma na não portuguesa? Há Sofia de Mello Breyner que escreve em 4 estrofes tudo sobre o 25 de abril: “Esta é a madrugada que eu esperava O dia inicial inteiro e limpo Onde emergimos da noite e do silêncio E livres habitamos a substância do tempo.” Esta conversa foi para mim um privilégio. E um gosto poder partilhá-la com todos. Espero ter conseguido entender tudo o que me disse LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA 0:12 Ora vivam. Bem-vindos ao pergunta simples o vosso podcast sobre comunicação, sobre comunicação e, sobretudo, o resto sobre a vida, sobre as histórias, sobre a história, logo este ano em que celebramos 50 anos do 25/04/1974, o ano do advento da Liberdade. 0:32 Este dia foi retratado por um dos mais célebres e premiados fotojornalistas portugueses, Eduardo gageiro encontrei-o num sábado na sua exposição de múltiplas fotografias, que tirou desde 1957 exposição na cordadoria nacional. Está aberta até 5 de maio e é de entrada gratuita. 0:49 Esta conversa tem luz e sombra. É deste contraste que se faz a narrativa do Portugal contemporâneo. Esta edição é um testemunho da história. Viva Liberdade. 1:14 Liberdade subidamente passaram 50 anos para quem nasceu em finais de 1971. O 25 de abril é vivido pela memória dos familiares e dos amigos mais velhos e depois lido em livros ou em recortes de jornais, na embroteca por alturas do curso de jornalismo. Mas há ainda as memórias do ano. 1:35 Da vida censurada e sem Liberdade de expressão, do medo dos bufos e da pide, do risco da realidade de ir parar à guerra colonial, das fugas assalto para emigrar para a França ou para a Alemanha em busca de uma vida melhor e depois o dia da celebração da Liberdade. 1:53 É desse dia que me ficam os relatos de retratos, de testemunhas profissionais pelos jornalistas e os fotojornalistas, as reportagens com a voz de Adelino Gomes, que retratou na palavra. O pulsar desse dia do 25/04/1974. 2:10 Na rádio e das eternas e mágicas fotografias de Eduardo gageiro, captando o olhar de Salgueiro Maia, Oo seu morder de lábio para não chorar seria medo, seria Alegria. Estas fotos têm tudo, do mais humilde ao mais grandioso. 2:30 Há uma portugalidade intrínseca e imanente nessas imagens, tal como estão expressas noutras portagens fotográficas que fiz do Portugal, muito pobre do antes, as imagens inesquecíveis das crianças. Sujas e descalças, no meio de caminhos duros e casas cinzentas, o retrato do Portugal escondido da vergonha da desigualdade gageiro, viu e mostrou-nos essa desigualdade Extrema viu nos operários, sem sapatos da fábrica de sacavém, ou nos visitantes noturnos vindos do Casino, homens bem vestidos e acompanhados pelas suas amantes,...
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Como votar bem? José Adelino Maltez
Nenhuma arte depende tanto da comunicação como a política. Seduzir os eleitores, negociar com outros políticos, explicar decisões difíceis, são tudo tarefas onde a comunicação tem papel-chave. Talvez seja por isso que quando algum decisor é percecionad...
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O Pergunta Simples é um podcast sobre comunicação. Sobre os dilemas da comunicação. Subscreva gratuitamente e ouça no seu telemóvel de forma automática: https://perguntasimples.com/subscrever/ Para todos os que querem aprender a comunicar melhor. Para si que quer aprender algo mais sobre quem pratica bem a arte de comunicar. Ouço pessoas falar do nosso mundo. De sociedade, política, economia, saúde e educação.
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