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/SuperHuman

Chamo-me Luís Diogo. Construí, escalei e vendi empresas, cheguei a ter uma equipa de 100 pessoas e percebi tarde demais o preço que estava a pagar: quanto mais a equipa crescia, menos tempo me sobrava. Hoje faço o contrário. Opero uma empresa de 10 pessoas que rende como se fossem 30, com IA a tratar do trabalho pesado e o meu tempo de volta nas minhas mãos. Neste podcast penso em voz alta sobre como o faço na prática: os sistemas que montei, as pessoas que contratei, os custos que cortei e as decisões que tomo todos os dias. Conto o que funciona e também o que correu mal. É o mesmo pensamento que ponho na newsletter SuperHuman, agora em conversa. Se tens um negócio e estás farto de o levar sozinho às costas, este sítio é para ti.

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    A última coisa que o Fable 5 me disse antes de desaparecer

    Na sexta à noite tive a última conversa com o Fable 5. No sábado de manhã o modelo já não existia para mim, desligado por uma ordem do governo americano três dias depois de aparecer. Neste episódio conto o que essa conversa me mostrou. Perguntei ao modelo porque é que protelo o YouTube há mais de três anos e, em vez de responder à pergunta, ele foi direto ao problema que eu andava a proteger. Apanhou padrões enterrados no meu contexto que não tinham nada a ver com o que eu tinha perguntado. Falo também do que fiz com os dois dias em que tive acesso. Em vez de os gastar a produzir, meti-os todos a melhorar o playbook da minha empresa, a máquina que ajuda a equipa a construir o produto. E fica a parte que interessa a quem está a montar uma operação com IA. O risco de construir um ativo em cima de um sistema que outra pessoa consegue desligar, e o que dá para fazer para não ficar refém.

  2. 3

    Lancei um podcast com zero trabalho (e é esse o ponto)

    Este episódio nasceu de uma ideia simples: transformar estes áudios num podcast sem acrescentar uma única hora de trabalho à minha semana. Consegui. Levou-me uma manhã a montar e, a partir daí, zero trabalho recorrente. Acrescentei um passo a um fluxo que já existia e o áudio passou a chegar ao teu feed, onde quer que o ouças. O ponto não é o podcast. É a forma como ele aconteceu. A maior parte das pessoas olha para a IA e pergunta o que é que o negócio ainda não faz e podia passar a fazer. Compra trabalho novo. Eu faço a pergunta ao contrário: o que é que eu já faço, todas as semanas, onde podia encaixar IA? É aí que está o retorno, não em inventar uma atividade nova. Falo também do princípio que torna isto possível. A IA é frágil a criar e absurda a distribuir. A parte criativa continua comigo, escrita à mão antes de abrir o microfone. Tudo o que vem depois, transcrever, adaptar, publicar, fazer chegar a vários sítios, entrego sem pensar duas vezes, porque faz melhor do que eu faria com o tempo que tenho. E não copia, traduz para cada canal. As aplicações de IA que contam não são as vistosas. São as menos sexy: a documentação, a transcrição, a publicação. É aí que está a gordura, e é aí que há margem para libertar. Se estás à procura de onde começar, é por aqui, não pelo que faz barulho.

  3. 2

    Às vezes, o mais produtivo é parar

    Estive umas semanas sem gravar, e há uma razão. A velocidade a que tudo está a mudar tinha-me deixado num nevoeiro: muita ansiedade e pouca lucidez para decidir. E o meu trabalho, no fundo, é decidir o dia inteiro. Quando senti que estava a chegar ao limite, fiz o que já aprendi a fazer noutras vezes: desapareci. Fui sozinho para os Açores, sem outro objetivo a não ser andar e desligar por completo da tecnologia. Apanhei nevoeiro nas montanhas e, curiosamente, foi a minha cabeça que ficou limpa. Voltei com a paciência renovada e com clareza sobre a direção dos próximos meses, toda ela ganha por subtração: não trouxe nada novo para fazer, trouxe o que tenho de deixar de fazer. Neste episódio falo dos ciclos de trabalho e pausa que respeito, de porque é que a direção certa importa mais do que a velocidade, e da maior visão que trouxe: trabalhar na máquina em vez de trabalhar no que a máquina produz. Em vez de me focar no output, vou construir os playbooks da empresa para elevar a média de toda a equipa. A mensagem que anotei para hoje foi simples: às vezes o mais produtivo é afastares-te. Se andas com a mesma ansiedade sobre tudo o que está a mudar, talvez esteja na altura de parares, para depois conseguires acelerar na direção certa.

  4. 1

    Parei de ser o gargalo da minha operação

    No episódio anterior falei de trabalhar na máquina em vez de ser eu o gargalo de toda a operação. Hoje mostro um exemplo concreto: o workflow que construí para fazer esta newsletter. Antes disso, explico uma mudança de rota. A Superhuman nasceu para validar até onde ia o negócio de uma pessoa, mas eu não defendo essa tese. O que faz sentido é documentar o que estou a viver na WhiteFlow, com equipa, clientes exigentes, contratação, fluxo de caixa, e mostrar como meto uma camada de IA por cima de tudo isso. E para imprimir escala trouxe o Tiago para a operação. Sobre o workflow em si: transformei a criação da newsletter num playbook de três comandos. Gravo um áudio, e a partir daí a máquina transcreve, escreve o draft na minha voz, edita, revê, e no fim publica na minha app sem eu sair do sítio. O passo que mais valorizo é o último, o compound: ele compara o draft original com as minhas edições e aprende, por isso a cada execução edito menos. A lição que fica é onde é que o humano tem de estar. No meu caso, no áudio e na edição final, porque é aí que está a experiência que nenhuma IA inventa. Construir isto não é trabalho automático, mas é onde devias pôr a maior parte do teu tempo, porque o retorno multiplica por toda a gente que corre o mesmo processo.

  5. 0

    Não delegues o teu pensamento à IA

    Esta semana tive de escrever, pela primeira vez, um guia de comunicação interna para a minha empresa. Não foi capricho. Comecei a ver um padrão negativo na forma como comunicávamos, e a maneira como a equipa estava a usar a IA tinha culpa nisso. Neste episódio explico os princípios que pus nesse documento. O primeiro é que escrevemos porque nos faz pensar. A escrita é lenta, acompanha a velocidade do pensamento e obriga a escolher cada palavra, e é isso que dá clareza. O segundo é o que mais me preocupa: não delegamos o pensamento à IA. A IA é inteligência do passado a um custo muito baixo, e nem todas as decisões do futuro têm resposta no passado. Quando delegas o teu critério a tokens, baixas a tua média e a da empresa, e deixas de ser um ativo. Falo também de onde a comunicação deve viver, porque o contexto é tudo para escalar, e de porque evito reuniões a todo o custo. Uma reunião é um esgoto de contexto: as decisões não ficam registadas e exige-se resposta imediata a coisas que pedem ponderação. No fundo, comunicação não é sobre velocidade. É sobre qualidade. E pensar, tal como comunicar e decidir, é treino. Se deixas de treinar, perdes a valência que demoraste anos a construir.

  6. -1

    Copiar skills põe a tua empresa na média

    Um de vocês mandou-me um email com uma pergunta simples: devo copiar skills de outros repositórios ou criar as minhas? Parecia simples, mas tinha camadas que me puseram a pensar no que defendo de verdade. Neste episódio explico porque é que, na minha empresa, não copio skills nem processos de ninguém. Copiar otimiza para a velocidade. Eu otimizo para a qualidade. E quando toda a gente copia do mesmo repositório, toda a gente converge para a mesma média, e na média ninguém se destaca. Os processos de uma empresa são um ativo. A forma como recrutas, como respondes aos clientes, como lanças produto, é isso que te separa dos outros. Uma skill é um investimento que fazes uma vez e que depois multiplica por toda a equipa, por isso faz pouco sentido imputar mediocridade a esse efeito exponencial só para ganhar tempo. Estudo outros repositórios para tirar ideias. Aplicar tal e qual, nunca. No fundo tudo aterra numa pergunta: que tipo de empresa é que queres ter? Uma que copia o que o mercado já faz, ou uma que tenta acrescentar valor onde os outros ainda não chegaram?

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