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Tempo ao Tempo
by Rui Tavares
Tempo ao Tempo é um podcast de histórias da História, de passado, presente e futuro, e da mudança da memória no tempo. Aqui vamos percorrer a micro-história e a História global, a História europeia e a História nacional, sempre com o objetivo de atualizar os dilemas das pessoas do passado e colocar em perspetiva histórica os nossos dilemas do presente. Com o tempo, vão aparecer texturas e um padrão narrativo, que ajudará a fazer sentido do todo. Mas o todo será sempre multímodo, polifónico e eclético. De muitos caminhos. Todas as quintas-feiras um novo episódio escrito e narrado por Rui Tavares, com apoio à produção de Leonor Losa. A sonoplastia de Tempo ao Tempo é de João Luís Amorim e a capa é de Vera Tavares e Tiago Pereira Santos.
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Os mais ouvidos de 2026: Manuel Teixeira Gomes, o presidente da Primeira República e a primeira-dama que nunca viu Belém
Recordamos um dos episódios mais ouvidos de 2026 do podcast Tempo ao Tempo sobre Manuel Teixeira Gomes, o penúltimo presidente da Primeira República.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Os mais ouvidos de 2026: A “IA” do século XVIII: o mistério do Turco Mecânico, o robot que ganhava sempre ao xadrez
Recorde um dos episódios mais ouvidos de 2026 do podcast Tempo ao Tempo: a máquina fascinante que ganhava sempre ao xadrez. Truque ou "inteligência artificial"? Oiça a história da máquina do século XVIII que fez furor e que ficou conhecida por Turco Mecânico.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Os mais ouvidos de 2026: Beatriz Ângelo, a primeira mulher a conseguir votar em Portugal
Recorde aqui um dos episódios mais ouvidos do podcast Tempo ao Tempo, onde Rui Tavares nos conta a história de Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher a poder votar em Portugal durante a Primeira República, aproveitando uma exceção que lhe conferiu o direito (e uma salva de palmas).See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A história das férias pagas e a conquista do direito a não contar o tempo
No verão de 1936, França assistiu a uma transformação inédita. Com a aprovação de duas semanas de férias pagas pelo governo da Frente Popular, milhões de trabalhadores passaram a poder fazer algo até então reservado a uma minoria: descansar sem perder salário. Mas esta conquista social desencadeou uma guerra cultural. Além do entusiasmo por parte dos trabalhadores, a medida provocou também uma forte reação. Parte da imprensa conservadora e de extrema-direita ridicularizou os novos veraneantes, anunciou o declínio das praias e dos costumes, apresentando as férias pagas como uma ameaça à ordem social. Neste último episódio antes das férias de Tempo ao Tempo, Rui Tavares conta a história das férias, desde as pausas religiosas e o lazer aristocrático até ao nascimento do trabalho industrial, que separou claramente o tempo de trabalho do tempo de descanso. As férias pagas, que em Portugal só seriam instituídas depois do 25 de Abril, tornaram-se uma das grandes conquistas sociais do século XX: o direito de, por alguns dias, deixar de contar o tempo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Quem inventou a semana? A história dos sete dias que moldam as nossas vidas e o trabalho
Há uma evidência que raramente questionamos: a semana. Vivemos orientados por segundas-feiras, esperamos pela sexta e contamos os dias até ao fim de semana… A semana está tão entranhada na vida quotidiana que raramente se pensa nela. No entanto, ao contrário do dia, do mês ou do ano, não corresponde a nenhum fenómeno natural. É uma convenção humana que acabou por por se tornar o principal ritmo da vida moderna. Neste episódio, a atenção recai sobre essa estranha invenção de sete dias que organiza o trabalho, o descanso, a religião e a própria perceção do tempo. Porque razão a semana tem sete dias? De onde vêm os nomes dos dias? E porque é que, em português, a segunda, a terça, a quarta, a quinta e a sexta-feira são diferentes do Monday, do Tuesday ou do jeudi? Entre tradições religiosas, heranças da Antiguidade e transformações do mundo do trabalho, emerge uma ideia simples: poucas criações humanas tiveram tanto sucesso como a semana. Tão bem-sucedida, aliás, que quase já ninguém se recorda de que foi inventada.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Como começa o tempo? A história do ano 1 do calendário Islâmico
Partimos de Bassorá, cidade nas margens da antiga Mesopotâmia, para seguir a história da origem do calendário da Égira. O ponto de partida é quase burocrático: uma carta enviada para Medina sem indicação do ano. Mas dessa dificuldade administrativa nasce uma questão muito maior: como começar a contar o tempo de uma nova comunidade, de um novo império, de uma nova visão do mundo? Neste episódio, Rui Tavares percorre a história da criação do calendário islâmico e explica por que razão venceu a Hégira — a migração de Maomé de Meca para Medina — como marco inaugural da nova era. Pelo caminho cruzam-se religião, política, cronologia e memória, num exercício que recorda que os calendários não são neutros: são formas de organizar o passado e dar sentido à história. Porque, afinal, contar o tempo é também uma maneira de contar o mundo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O CR7 do ano 147: Caio Apuleio Diocles, o atleta lusitano que terá ganho mais dinheiro e mais fama que Cristiano Ronaldo
A notícia da possível despedida de Cristiano Ronaldo dos Campeonatos do Mundo leva-nos à singular história de Caio Apuleio Diocles, ou Lamecus, talvez o mais célebre e rico desportista da Antiguidade. Entre a história e a curiosidade, este episódio estabelece um paralelo fascinante entre duas figuras ligadas ao atual território português, separadas por quase dois mil anos. Identificado nas inscrições romanas como lusitanus e tradicionalmente associado a Lamego, Diocles participou em mais de quatro mil corridas de quadrigas, conquistou mais de mil e quatrocentas vitórias e acumulou uma fortuna que, em valores atuais, poderá corresponder a milhares de milhões de euros. Com base nas inscrições romanas que preservaram a sua memória, o episódio conduz-nos ao universo das corridas de quadrigas, o grande espetáculo de massas do Império Romano, onde a fama, o dinheiro e as rivalidades entre equipas mobilizavam multidões. Uma comparação inesperada entre dois campeões que marcaram o seu tempo, Ronaldo e Diocles, revela como o culto dos grandes atletas atravessa os séculos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Marc Bloch e Simone Vidal: a história serve para quê, afinal?
A recente panteonização do historiador francês Marc Bloch e da sua mulher, Simone Vidal, oitenta e dois anos após as suas mortes, serve de ponto de partida para uma profunda reflexão de Rui Tavares sobre a história e para que serve a história. Marc Bloch e Simone Vidal entraram, por proposta de Emmanuel Macron, no Panteão de Paris, onde são agora evocados através de cenotáfios que preservam a sua memória, uma vez que os seus restos mortais permanecem no local de origem. Figura nuclear da historiografia contemporânea, fundador da Escola dos Annales e da corrente da História das mentalidades; defensor de uma História entendida como ciência da humanidade e da mudança, Bloch distinguiu-se também pelo seu compromisso ético e político: recusou o exílio e integrou a Resistência francesa, acabando por ser preso e executado pela Gestapo em 1944. Da interrogação do seu filho quando menino “para que serve a História?” nasceu Apologia da História, obra interrompida pela violência da guerra. Mostrando-nos como a família se posicionou politicamente face à panteonização de Bloch e Vidal, Rui Tavares aproveita para refletir sobre o legado do historiador: a busca da verdade, a empatia pelo passado e a coragem perante a adversidade.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O Queijo e os Vermes: o legado Carlo Ginzburg nos modos modernos de fazer e pensar a história
Interromper a programação prevista para falar do historiador Carlo Ginzburg por ocasião da sua morte, não é um gesto circunstancial, mas uma exigência da própria prática da história. Neste episódio Rui Tavares traz-nos um pouco da biografia de Ginzburg, evoca como o seu pensamento moldou a forma como olhamos para o passado e, de certo modo, reconhece a sua própria filiação intelectual. Num século marcado por grandes sínteses e ambições de totalidade, a proposta de Carlo Ginzburg foi a de reduzir a escala. Não para diminuir a história, mas para a tornar mais densa. Na obra “O Queijo e os Vermes”, em vez de vastos panoramas de uma época, mostra-nos um moleiro; em vez de procurar no pormenor a confirmação da norma, endereça o atípico como forma de questionar as certezas acerca do passado; em vez de usar os documentos do passado como provas, trata o arquivo como um terreno vivo, quase ao modo antropológico. Interromper para falar de Ginzburg é, por isso, também lembrar que fazer história implica saber parar — e reconhecer quem nos ensinou a ver no ínfimo uma outra forma de grandeza.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Magnífica Humanitas: o que a encíclica de Leão XIV nos diz sobre a IA e o futuro da humanidade
Na encíclica Magnifica Humanitas, de maio de 2026, o Papa Leão XIV apresenta a inteligência artificial como uma questão existencial, comparável a outros grandes desafios da humanidade, e coloca-a perante um dilema: entre uma nova Babel — marcada pela perda de sentido humano — e a construção de uma comunidade assente na responsabilidade partilhada. A partir deste documento, Rui Tavares retoma a reflexão sobre a história do futuro, lendo-o nos sinais do presente, como faria um historiador. Na encíclica Leão XIV defende a cooperação, critica o nacionalismo e a ausência de regulação global, convocando referências de Santo Agostinho a Hannah Arendt e Tolkien. Mas o episódio detém-se também no que falta: a ausência de Pentecostes, num tempo em que a tecnologia começa a ultrapassar barreiras linguísticas. Entre história, tecnologia e ética, este episódio propõe escutar o presente como um arquivo vivo, procurando nele os sinais do futuro. Porque, bem vistas as coisas, e como William Gibson sublinha, “o futuro já está aqui, só não está bem distribuído”. Nota: Todas as músicas utilizadas neste episódio foram geradas por IA.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O dia de Camões e a história do futuro
O ponto de partida é o 10 de Junho: uma data que parece fixa, repetida, ano após ano, mas cuja própria história revela o contrário. Ao longo do tempo, este dia mudou de significado, de regime, de discurso, espelhando cada momento do país. Um exemplo de como aquilo que julgamos estável é, afinal, profundamente afectado pela mudança. A partir deste dia, Rui Tavares convida-nos a pensar a História como a disciplina que estuda a mudança no tempo, na definição de Marc Bloch, e a recuperar Camões como guia inesperado para refletir sobre ela. No seu verso — “não se muda já como soía” — esconde-se uma ideia poderosa: há momentos em que não são apenas as coisas que mudam… é a própria natureza da mudança que se transforma. E então, será possível, a partir dessas transformações, fazer uma “história do futuro”? Este episódio abre uma série de episódios que serão um convite a pensar a filosofia da história, a olhar o presente com mais atenção e a reconhecer os sinais de um tempo em que múltiplas mudanças, tecnológicas, sociais, climáticas: acontecem ao mesmo tempo e a um ritmo sem precedentes.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Especial dia da Criança: A história de todas as histórias começa sempre com um menino, uma árvore e um bicho
A propósito do Dia da Criança, celebrado esta semana, Rui Tavares parte de uma pergunta do seu filho, simples e, ao mesmo tempo, vertiginosa: “qual é a história de todas as histórias?” Neste episódio especial, regressamos à infância, às infâncias e percorremos milénios. Ao longo deste envolvente episódio, atravessamos diferentes histórias que parecem distantes no tempo e no espaço, mas que se unem por três elementos essenciais: uma criança, uma árvore e um bicho. Neles se condensam as experiências fundadoras da infância — o espanto, a descoberta, a relação com o mundo vivo. De Ulisses a Santo Agostinho, de Anne Frank às memórias pessoais, o episódio revela como essas imagens primeiras persistem e reaparecem, moldando a forma como lemos, lembramos e compreendemos o mundo. Uma poética reflexão sobre a continuidade da infância dentro de nós. Talvez todas as histórias comecem assim: com uma criança a olhar o mundo e a tentar, pela primeira vez, dar-lhe sentido.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O outro 28 de maio: um agradecimento a Carolina Beatriz Ângelo
Cumprem-se hoje 100 anos sobre o golpe de Estado que mergulhou Portugal na mais longa ditadura da Europa Ocidental. Este poderia ser um episódio sobre o 28 de maio de 1926, mas Rui Tavares rebela-se e leva-nos antes a um outro 28 de maio, o de 1911, data das primeiras eleições da República portuguesa e o dia em que, pela primeira vez, o direito de voto foi exercido por uma mulher em Portugal: Carolina Beatriz Ângelo. Médica, viúva, mãe, e pioneira, Carolina Beatriz desafiou o seu tempo e abriu caminho na luta pela igualdade entre homens e mulheres ao encontrar uma brecha na lei e reclamar o direito ao voto. Seguimos os seus passos nesse dia, numa assembleia de voto em Arroios, em Lisboa; revisitamos os acontecimentos que o antecederam; e percorremos o seu notável trajecto biográfico. Cruzamo-nos também com as mulheres que, com Carolina, fizeram emergir o feminismo em Portugal. Nos 15 anos que separam estes dois 28 de maio, joga-se mais do que uma mudança de regime. Joga-se a possibilidade de uma cidadania plena — que, por um instante, pareceu ao alcance das mãos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A História de Thomas Chase, um sobrevivente do terramoto de 1755
Entre o caos, o medo e a sobrevivência, este episódio transporta-nos para o coração do terramoto de 1755 em Lisboa através de um relato raro e intensamente humano de Thomas Chase, sobrevivente da catástrofe. Rui Tavares retoma o seu Pequeno Livro do Grande Terramoto e traz a história de um jovem estrangeiro preso num cenário apocalíptico. Das colinas que então eram campos abertos aos acampamentos improvisados cheios de refugiados, Chase leva-nos por uma cidade devastada, marcada por ruínas, fogo indomável, tremores e pânico coletivo. O relato cru de Thomas — ferido, perdido e rodeado por desconhecidos — abre uma janela única sobre o desespero, a solidariedade e o estranhamento entre comunidades num momento limite. Com base em cartas e testemunhos da época, esta descrição vívida lembra como, mesmo nas maiores catástrofes, persistem gestos de humanidade.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Flora Tristan: a mulher que antecipou o sindicalismo e o feminismo no século XIX
Partimos de uma notícia atual: um navio ancorado ao largo de Cabo Verde, para viajar quase dois séculos até outra embarcação, parada no mesmo lugar, em maio de 1833. A bordo segue uma figura fascinante e ainda hoje surpreendentemente pouco conhecida: Flora Tristan. Jovem, franco‑peruana, com uma vida marcada por perdas, violência e exclusão. Separada num tempo em que as mulheres tinham poucos direitos, impedida de ver os próprios filhos e empurrada para a margem da sociedade, transforma essa experiência num motor de pensamento e ação, Flora embarca numa viagem decisiva rumo ao Peru, em busca de reconhecimento, herança e, sobretudo, de um lugar no mundo. Mais do que uma viajante, Flora Tristan torna-se uma voz pioneira do feminismo e uma das primeiras pensadoras do movimento operário. Defende a emancipação das mulheres e propõe algo revolucionário para o seu tempo: a união internacional dos trabalhadores, organizada de forma solidária e autónoma. A sua ideia antecipa o sindicalismo moderno e inspira gerações posteriores, muitas vezes sem o devido reconhecimento. Neste episódio, Rui Tavares mergulha na força da sua escrita, na coragem das suas ideias e no impacto duradouro do seu pensamento. Uma história de resistência, lucidez e transformação que continua a ecoar nos debates de hoje.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O caminho para a paz na Europa segundo Robert Schuman e um hino à alegria composto por um Beethoven surdo
Em dezembro de 1943, em plena guerra, Arturo Toscanini dirige em Nova Iorque o Hino das Nações, um gesto de resistência, arte e esperança num mundo marcado pelo fascismo, pela censura e pelo medo. Este episódio de “Tempo ao Tempo” acompanha a presença da música como elemento de ação, união e esperança política. Segue também a extraordinária viagem da Nona Sinfonia de Beethoven, da sala de concerto à arena política, da utopia cosmopolita de Schiller à consagração como Hino da Europa, passando por Schuman, Monnet, e pela pergunta que continua a ecoar: faremos nós a Europa, ou faremos nós a guerra? Da Segunda Guerra Mundial ao Dia da Europa, Rui Tavares lembra-nos que os símbolos não nascem por acaso: nascem de crises, de escolhas difíceis e de uma vontade obstinada de não repetir o desastre. E talvez seja por isso que a Ode à Alegria ainda nos comove, porque fala de uma fraternidade possível num mundo tantas vezes dividido.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O tempo em que havia três papas: e se houvesse um anti-papa em Mar-a-lago?
O ponto de partida deste episódio é a “Bofetada de Anagni”, em 1303, quando o Papa Bonifácio VIII foi humilhado por emissários do rei de França e vai desaguar no deslocamento do papado para Avignon, onde durante décadas os pontífices viveram sob forte influência francesa. Esse período culmina no Grande Cisma do Ocidente, iniciado em 1378, com a eleição simultânea de papas rivais em Roma e em Avignon, apoiados por diferentes potências europeias. A tentativa de resolver o cisma através de concílios acabou por agravá‑lo, chegando a haver três papas em simultâneo. Rui Tavares leva-nos até este tempo fascinante em que a autoridade da Santa Sé era soberana na idade média católica. Embora o Papa já não desempenhe o papel de árbitro do que hoje chamaríamos sistema internacional, as divisões — ou “cismas” — continuam a marcar a política global, seja entre Estados, alianças ou dentro das próprias comunidades religiosas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Há quanto tempo a nossa imaginação vai à Lua? Luciano Samósata e o poder da fantasia
Desde há dois mil anos a nossa imaginação viaja até à Lua. No universo da imaginação literária, Luciano de Samósata narrou, no século II da era cristã, essa viagem tão absurda quanto brilhante: um barco levado por um tufão, rumo a uma Lua habitada, em guerra com o Sol, povoada por criaturas absurdas e maravilhosamente inventadas. Neste episódio, Rui Tavares revela-nos o escritor sírio Luciano de Samósata, nascido no século II, falante de aramaico e que escreveu em grego, e como, entre ficção, filosofia e sátira, abriu caminho para outras formas de pensar o mundo e até para a verdadeira conquista da Lua. Do antigo sonho de voar ao fascínio moderno pelo espaço, este episódio percorre uma linha surpreendente da presença da Lua entre literatura, ciência e utopia, e que se estende do século II até a exploração espacial que assistimos na semana passada. Uma história sobre o poder de imaginar o impossível e sobre como, às vezes, a ficção chega primeiro do que a técnica.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O julgamento de Sócrates: aprender a morrer
O que faz Rui Tavares quando não tem tempo para dar ao tempo? Convida-nos a acompanhá-lo nos trabalhos de casa para uma das aulas de Grego Antigo que frequenta com o Professor António Castro Caeiro. O foco central é um exercício de tradução do Fédon, o diálogo onde Platão narra as últimas horas de Sócrates, depois de condenado à morte, antes de beber a cicuta. Através de Platão – que não esteve com o filósofo nessas derradeiras horas – Sócrates, no diálogo com Simias, disserta sobre a ideia de que aprender não é adquirir algo novo, mas sim recordar conhecimentos que a alma já possuía antes de habitar o corpo. Entre a sentença e a execução, discute a morte como a separação final entre a alma e o corpo, defendendo que filosofar é, em última análise, "aprender a morrer".See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A história da longa resistência a uma muito longa ditadura
Quando e como começou, afinal, a ditadura a revelar-se? Na senda dos episódios anteriores sobre a aproximação ao 28 de maio de 1926, Rui Tavares elege os sinais que anunciam o colapso da Primeira República, o momento em que o golpe deixou de parecer um episódio passageiro e em que a ditadura começou a revelar a sua verdadeira natureza opressiva. E como, perante isso, se desencadeou a resistência que lhe faria frente durante décadas. Da Semana Antifascista de março de 1926, às revoltas do Porto e de Lisboa em fevereiro de 1927, passando pela formação da Liga de Paris, percorremos a construção da resistência à ditadura — dentro e fora do país, entre exílio, prisão e propaganda internacional. Revisitamos importantes figuras como Jaime Cortesão, Raul Proença, Afonso Costa, Mário Castelhano, Elina Guimarães e Hélder Ribeiro, entre muitos outros, e percebemos como se formaram redes de oposição que enfrentaram uma repressão cada vez mais violenta. Entre esperança, desilusão e coragem, este é um episódio sobre a história da longa resistência a uma muito longa ditadura.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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É mais fácil governar um rebanho de ovelhas ou um rebanho de pessoas? Xenofonte e a sua Ciropédia
Neste episódio Rui Tavares volta à Persia e recua à Grécia antiga para falar de um livro que foi, durante séculos, uma referência incontornável na reflexão sobre poder, educação e liderança: a  Ciropédia, de Xenofonte. Escrita no século IV a.C., esta obra apresenta a educação do rei persa Ciro, e transforma a figura histórica num modelo de governante justo, inteligente e pedagógico. Embora hoje seja pouco lida, a sua influência foi enorme: marcou leitores como Júlio César, Maquiavel, Montesquieu, Rousseau, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson. A Ciropédia não é apenas um relato sobre a Pérsia antiga. É também uma meditação sobre o que significa governar, aprender a liderar e formar o carácter. Xenofonte — ateniense, discípulo de Sócrates e autor de textos célebres como a Anábase — usa a infância e a formação de Ciro para pensar a relação entre disciplina, observação, respeito pelos outros e autoridade.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A semana antifascista de 1926: se havia a iminência de uma ditadura, porque é que ninguém fez nada para a impedir?
Neste episódio, regressamos a março de 1926, quando intelectuais da Seara Nova, os “searistas” Júlio Proença, António Sérgio, Jaime Cortesão, anarquistas do jornal A Batalha e republicanos radicais organizaram a Semana Antifascista, uma semana de comícios e conferências alertando para a ameaça dos fascismos que chegam da Europa com Mussolini ou Primo de Revera. Mas se estes activistas viram o fascismo chegar, porque falharam? A resposta será confusão política. Como Rui Tavares nos tem vindo a contar: a ditadura já era banal: golpes, e golpes dentro dos golpes eram impunes, as esquerdas dividiam-se e a tecnocracia seduzia os mais crédulos. Não basta clarividência quando o inimigo se irrompe na confusão. De Lisboa a Moçambique, a convergência antifascista parecia invencível. Mas o tempo deu 47 anos, 10 meses e 3 dias de obscuridão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Mendes Cabeçadas: o político paradoxal que ajuda a implantar e a derrubar a República
Filho de comerciantes de cortiça, Mendes Cabeçadas trocou Faro por Lisboa, liceu por quartel. Enquanto capitão‑tenente no Adamastor, Cabeçadas bombardeou o Palácio das Necessidades para implantar a República. Averso ao caciquismo de Afonso Costa, conspirou contra a instabilidade. Quando infiltrações monárquicas e integralistas começaram a ameaçar o espírito republicano que queria salvar, reagiu com um golpe dentro do golpe: afastou Gomes da Costa e governou 17 dias, com Salazar como ministro das Finanças por escassas horas.Já em plena ditadura, Cabeçadas nutre crescente descrença por Salazar e conspira contra ele em 1946–47 (sem sucesso), sendo vigiado pela PIDE quase até à morte. Morre em junho de 1965 – o homem que ajudou a criar o monstro que quis desfazer.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Como se pode ser persa? O Irão e a herança de uma civilização milenar
Quase meio século depois da Revolução Islâmica ter instaurado no Irão um poder teocrático tão duradouro quanto a ditadura em Portugal, o ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel derrubou o regime dos aiatolas e vem abrir uma nova frente de guerra no Médio Oriente. Enquanto mísseis e drones atingem Teerão, paira a pergunta sobre esta República Islâmica que derrubou uma monarquia em nome da fé: é o Irão apenas um regime dos aiatolas, ou é herdeiro de uma civilização persa milenar, ponte histórica entre Europa e Ásia, marcada por encontros sucessivos com o mundo grego, romano e europeu? A partir desta atualidade Rui Tavares recua ao século XVIII para revisitar uma embaixada persa enviada a Luís XIV e a reação fascinada e perplexa da corte francesa diante daqueles “exóticos” orientais. Deste choque de culturas nasceu o livro Cartas Persas, onde Montesquieu inverte o ponto de vista exótico e imagina como seriam os persas a descrever os europeus. Em Cartas Persas, Montesquieu inaugura o jogo de estranhamento que está na origem do Iluminismo e da crítica às certezas religiosas e políticas da Europa. Este episódio de Tempo ao Tempo propõe ler o Irão de hoje à luz dessa longa história de encontros, mal‑entendidos e espelhos: talvez, sugere Rui Tavares, não se possa compreender o que significa ser europeu sem ser, pelo menos um pouco, persa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Ucrânia: a guerra mais antiga da Europa dos últimos 300 anos
No final de fevereiro completaram‑se quatro anos do início da guerra na Ucrânia. Contudo, se contarmos o seu início em 2014, com a anexação da Crimeia e a guerra no Donbas, e não apenas a invasão em larga escala de 2022, este é o conflito europeu mais longo desde a Guerra dos Trinta Anos. A partir desta constatação, Rui Tavares recua quatro séculos para usar a Guerra dos Trinta Anos e a Guerra da Sucessão Espanhola para ler as guerras europeias não como eventos isolados, mas como “guerras civis” dentro de uma mesma república europeia de Estados. Seguindo Voltaire e o seu “Siècle de Louis XIV”, o episódio explora esta ideia de Europa como república de facto: um espaço político partilhado por monarquias, repúblicas e Estados mistos, unidos por um fundo comum de direito público, práticas diplomáticas e interesses que tornam as guerras menos conquistas imperiais e mais mecanismos de contenção de hegemonias excessivas. Será que este conflito se inscreve neste padrão?See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Um comboio de tempestades em Portugal e a primeira catástrofe moderna
Rui Tavares regressa ao Terramoto de Lisboa de 1755, reconhecido como primeira catástrofe moderna. O epíteto não lhe cabe pela dimensão da catástrofe, mas pela resposta política organizada no seu rescaldo: inquérito sistemático ao reino, códigos de construção inovadores e reconstrução planeada em nova escala. Este pensamento organizado perante a destruição e a necessidade de reconstrução no século XVIII, inaugurou, segundo o sociólogo Enrico Quantarelli, práticas de prevenção que hoje reconhecemos como modernas. Se tais raízes existem, cabe reflectir por que as ignoramos – em vez de as actualizar para o presente. Como usamos o conhecimento de catástrofes passadas e recentes? Transformamo-las em acções concretas ou em fatalismos comparativos? See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O doente imaginário e a derradeira atuação de Molière, o dramaturgo que gozou com todos
Neste 17 de fevereiro cruzaram‑se duas histórias: a de uma mãe nascida nesse dia e a da derradeira atuação de Molière. Em 2026, essa mãe celebra 95 anos, tendo sido criança num mundo onde ainda se via o Zeppelin passar sobre aldeias ribatejanas. Rui Tavares leva-nos ao século de Molière, o dramaturgo francês que gozou com todos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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No século XVIII já havia Inteligência Artificial? Conheça o Turco Mecânico, o autómato que ganhava sempre ao xadrez
O que nos intriga, aproxima e afasta da inteligência artificial? Porque é que nos deixamos seduzir e, ao mesmo tempo, assustar por ela? Há poucos dias, circularam relatos de que existiria uma rede social habitada apenas por bots – programas concebidos para automatizar tarefas e simular interacções humanas – onde agentes de IA conversariam entre si, se queixariam dos seus humanos e inventariam uma língua secreta. Fascinante? Inquietante? Esta ambivalência diante da máquina, que parece emancipar‑se e ultrapassar‑nos, não é nova. Muito antes da era digital, o século XVIII conheceu o fascínio pelos autómatos e multiplicou engenhos capazes de executar movimentos e tarefas “sozinhos”: pianos automáticos, caixas de música, bonecos articulados ou fonógrafos. Dispositivos exuberantes, perante os quais a alta sociedade se deixava iludir. É nesse horizonte que Rui Tavares recupera a história do Turco Mecânico, o autómato que jogava xadrez nas cortes europeias a partir de 1770. Inventado por Wolfgang von Kempelen, foi apresentado como um jogador mecânico invencível, capaz de derrotar filósofos, aristocratas e, mais tarde, figuras como Benjamin Franklin ou Napoleão. Esse engenho que percorre a Europa e os Estados Unidos da América, porém, está longe de ser tão mecânico e tão autómato quanto aparenta, como acabará por se revelar. O que escondia, afinal, o Turco Mecânico? E quem são estes bots que hoje se entretêm a falar de nós nas suas próprias redes? Estaremos perante uma tecnologia que se emancipa ou, como no século XVIII, diante de um ilusionismo sofisticado – um truque com pouca magia, mas com muito engenho? A ilustração deste episódio foi feita com recurso a IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O último Presidente: Quem foi Bernardino Machado, o carioca que se tornou presidente da Primeira República?
Duas vezes presidente, duas vezes deposto, duas vezes exilado. Nonagenário, confinado ao Norte pelo Estado Novo, dita memórias à filha: “Nasci no Rio de Janeiro”. Bernardino Machado, a figura que Rui Tavares nos traz neste episódio, nasceu no Brasil em 1851, cresceu num Império escravocrata, entre o comércio do pai minhoto e a boa sociedade da mãe brasileira, e foi criado por Máxima, a escravizada que o leva à escola. Aos nove anos muda-se para o Minho e, poucos anos mais tarde, radicaliza-se nas ideias republicanas e socialistas do ambiente estudantil de Coimbra, para onde se foi formar. Em 1872, optou pela nacionalidade portuguesa, servindo no exército e afirmando-se como português por escolha e serviço. Embora tenha sido ministro da monarquia, Bernardino Machado evoluiu do liberalismo monárquico para o republicanismo social, próximo do socialismo democrático, articulando facções no Partido Republicano Português. Embaixador no Brasil após 1910, regressa para liderar a “União Sagrada” na Grande Guerra. Presidente em 1915 deposto em 1917, e reeleito em 1925, cai em seis meses com o golpe de 28 de maio de 1926. Carioca e minhoto, intelectual e militante, quem foi Bernardino Machado, o homem de consensos que encarna o último fôlego da Primeira República?See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Manuel Teixeira Gomes, o presidente que se demitiu e a primeira-dama invisível
Há 100 anos, em dezembro de 1925, Manuel Teixeira Gomes abandonava a Presidência da República Portuguesa e embarcava no cargueiro holandês Zeus, rumo ao Mediterrâneo. Este algarvio de Portimão (1860-1941), penúltimo presidente da Primeira República, deixava para trás um país em convulsão rumo ao fim do regime republicano e ao 28 de maio de 1926. Filho de comerciantes de figos, estudou medicina em Coimbra e radicalizou-se na boémia lisboeta. Publicou “Inventário de Junho” (1899) e “Gente Singular” (1909), foi diplomata em Londres, defendeu colónias na I Guerra e foi vice-presidente da Sociedade das Nações. Eleito presidente em 1923, enfrentou 6 governos instáveis e golpes militares. Impopular, renunciou a 10/12/1925 e exilou-se em Bougie (Argélia), prevendo o colapso republicano. Chamou Portugal “a pátria erodida pela inveja”. Mas, quando desertou, deixava também Belmira das Neves, filha de pescadores de Portimão que tomou como companheira quando ela tinha apenas 15 anos e ele 40. Mãe das suas filhas Ana Rosa (1906) e Maria Manoela (1910), Belmira nunca pisou Belém nem acompanhou as viagens diplomáticas pela Europa. Ficou no Algarve como primeira-dama invisível, esquecida pela elite republicana. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O explorador que percorreu a Gronelândia a pé, ganhou o prémio Nobel da Paz e criou um passaporte humanitário: Fridtjof Nansen
O que liga a Gronelândia, o Prémio Nobel da Paz, a Liga das Nações para os Refugiados e Calouste Gulbenkian, o maior mecenas cultural do nosso país? A resposta é Fridtjof Nansen, o explorador do Ártico que teve a audácia de trilhar o pioneiro caminho por terra pela calota glacial da Gronelândia, em 1888, até à actual cidade de Nuuk. Unindo o seu conhecimento científico em zoologia com desenvolvimentos técnicos para enfrentar as condições mais inóspitas, Nansen explorou o território do Ártico gelado. Mas além de explorador, na vida de Nansen couberam muitas vidas. Dedicou-se à zoologia, desenvolveu equipamentos modernos que permitiram outras expedições, e foi nomeado Alto Comissário da Liga das Nações após a Segunda Guerra Mundial, onde criou o Passaporte Nansen, gesto humanitário que beneficiou Calouste Gulbenkian e salvou 450 mil apátridas. Mas afinal, em que medida tudo isto se relaciona com o verdadeiro espírito do tão falado e recentemente cobiçado Prémio Nobel da Paz? Hoje Rui Tavares leva-nos a conhecer a maravilhosa vida de Fridtjof Nansen, cuja imaginação, técnica, coragem e humanismo nos deve inspirar e dar esperança.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Almanaque A Batalha para 1926: uma viagem até ao ano em que tudo muda
Ao entrar no ano novo, A Batalha, jornal do movimento operário anarcossindicalista, apresentava aos leitores uma novidade: o Almanaque para 1926. Fundado em 1919 pela União Operária Nacional, A Batalha era já, em 1926, um diário de referência. Ao invés de mera publicação doutrinária, Alexandre Vieira, o seu primeiro diretor, idealizara um jornal capaz de ocupar espaço na imprensa periódica nacional e participar activamente no debate político. Assim, conjugava textos ideológicos com temáticas diversas, competindo nas bancas com comerciais como Diário de Notícias ou O Século. A partir do Almanaque, distribuído gratuitamente no início de 1926, Rui Tavares acompanha o início da história deste jornal, e reflecte sobre o papel político do anarcossindicalismo e do movimento operário durante a Primeira República. O Almanaque, como é da sua natureza, apontava a previsibilidade do tempo: efemérides do calendário, ciclo das estações, marés e fases da Lua. Não podia prever, contudo, a mais impactante efeméride do ano: o dia 28 de maio, quando a República chegava ao fim e o tempo histórico tomava novo rumo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Os 100 anos da queda de Alves Reis: de falsário impenitente a cristão renascido
Por onde anda Alves dos Reis? Como terminou a saga da maior burla de que há memória no país? Rui Tavares regressa a 1926 para nos contar a história da prisão do homem que burlou aproximadamente 1% do PIB português e que se tornou num cristão renascido A história entretanto interrompida, é agora retomada para conhecermos finalmente o seu desfecho. Às portas de 1926, esse ano em que tudo mudaria, há exactamente 100 anos, alguém deteta uma incongruência: duas notas com o mesmo número de série. É o fio da meada que permite começar a compreender o que provocara o enorme desequilíbrio no sistema financeiro português e a misteriosa crise inflacionária. Preso em Dezembro de 1925, Alves dos Reis não desiste de provar a sua inocência. Em 1930, já o golpe militar de 28 de Maio de 1926 derrubara a República e o Estado mudara de direção – com Salazar no Ministério das Finanças desde 1928 –, ainda Alves dos Reis tentava a partir da prisão provar a sua inocência. Neste episódio, Rui Tavares retoma a saga de Alves dos Reis e o seu papel na descredibilização do sistema político e financeiro que faria ruir a, já em crise, democracia portuguesa. Afinal, o que podia o vilão desta história alegar em sua defesa?See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Os mais ouvidos de 2025: De “Pulp Fiction” a Santo Agostinho
No primeiro episódio do podcast Tempo ao Tempo, Rui Tavares propõe uma viagem errante no tempo e na geografia ao encontro de pessoas cujas vidas se desencontraram por dois milénios mas que estão ligadas pela música. Do filme “Pulp Fiction” até à Grécia Antiga há muita história que se liga pela linguagem. Recorde este primeiro episódio do podcast Tempo ao Tempo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Os mais ouvidos de 2025: Crimeia, a guerra esquecida
Recorde o episódio em que Rui Tavares nos leva até 1852 e à guerra da Crimeia, para constatar que não há factos irrelevantes.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O primeiro Natal em ditadura e um fado de Alfredo Marceneiro: bem-vindos a uma feia noite de Natal
No ano de 1924, Alfredo Marceneiro conquista pela primeira vez o primeiro lugar num concurso de fados. “Remorso”, o fado com letra de Linhares Barbosa que interpretou, dá voz a alguém que se consome de culpa, sozinho, numa noite de Natal. Dois anos depois, esse fado, entretanto celebrado por toda a cidade, parece ter adivinhado o crime passional que iria prender a atenção do país. O que terá prenunciado, afinal, o fado de Marceneiro? Que força tinha a música popular dos anos 20 do século XX, e como circulava entre o teatro de revista, os novos discos de 78 rotações e as partituras vendidas em banca? Neste episódio envolvente, Rui Tavares guia-nos pelas sombrias ruas do Bairro Alto, da Mouraria e do Intendente, mergulha na terrorífica Noite Sangrenta de 1921, entra nos teatros cheios de luz onde Lisboa se divertia em plena crise política e conduz-nos, passo a passo, até à história de um crime amoroso que de tão inesperado e chocante, desviou o olhar coletivo da ditadura que se instalava com o golpe de Estado de 28 de maio de 1926.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O que faz um padre português no romance “O Conde de Monte Cristo”, de Alexandre Dumas?
O que faz um padre português no romance O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas? Será mera fantasia do autor ou eco de uma personagem histórica concreta? E, a existir, quem foi ele e como ali foi parar? Neste episódio, Rui Tavares apresenta a singular vida de José Custódio de Faria, um filho do terramoto de 1755. Goês de origem, deixou Goa e passou por Roma, Lisboa e Paris, ordenando‑se sacerdote em Roma e ficando conhecido como o Abade Faria, o tal padre português de Alexandre Dumas. A sua fama, porém, não veio da vida de sacerdócio, mas do engenho com que se dedicou ao hipnotismo e se tornou um dos pioneiros da hipnose moderna.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Juan Pujol Garcia: o espião que enganou os Nazis sobre o desembarque na Normandia
Há, na história, pequenas histórias de mulheres e homens que já não guardamos memória. Viveram o seu tempo sem que as suas biografias ganhassem o relevo que a história premeia ao ser contada. Ainda assim, esses sujeitos da história votados ao anonimato, intervieram decisivamente no curso de acontecimentos impactantes, nos momentos em que a história deu as suas guinadas, mudou de rumo e abriu caminhos que ainda hoje nos alcançam. Conhecemos bem alguns desses acontecimentos, e de alguns fomos até espectadores. Mas, por detrás dos protagonistas que reconhecemos como centrais – políticos, cientistas, teóricos, entre outros – quantas mulheres e quantos homens terão tido um papel determinante e decisivo? Neste episódio, vamos seguir os passos de Juan Pujol Garcia, o espião que passou por Portugal durante a Segunda Guerra Mundial, e espreitar os bastidores dos bastidores do dia 6 de junho de 1944, o dia em que as tropas aliadas desembarcaram na Normandia. Qual o papel de Pujol neste dia em que a história ganhou um pequeno recomeço?See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Fermentação e destilação: como o Iluminismo e o Romantismo se relacionaram com o interessante
Inspirando-se na mudança do conceito de “interessante” ao longo do tempo de que nos falou no último episódio, Rui Tavares propõe agora uma leitura dos séculos XVIII e XIX, sublinhando como a distinção entre Iluminismo e Romantismo se manifesta na forma como as pessoas passaram a relacionar-se com a realidade ao seu redor. Como a transformação da perceção, da relação com o “eu”, da função da arte, ao pensamento artístico e estético reconfiguraram o tempo histórico? As fronteiras entre o útil e o inútil, o interessante e o aborrecido, a destilação e a fermentação são eixos com que Rui Tavares nos instiga a compreender como o olhar estético é fundamental para compreender a história de cada época. Aqui, não está em causa um evento ou agente histórico, mas a renovação da sensibilidade e das formas de atenção que definem aquilo que cada tempo considera possível ou relevante. A passagem do tempo faz-se também da metamorfose das ideias, dos modos de sentir e das formas de perceber o mundo. Lista de Músicas utilizadas neste episódio: Luigi BOCCHERINI. Quinteto n.º 9 em DÓ maior, G. 453, “La ritirata di Madrid”, 1798Joseph HAYDN. Sinfonia n.º 101 em Ré maior "O Relógio", 1763Robert SCHUMANN. Adagio e Allegro, Op. 70 (versão para violoncelo e piano), 1849Piotr Ilitch TCHAIKOVSKY. Eugene Onegin, Op. 24: Act I, Introdução, 1878Wolfgang Amadeus MOZART. Andante e 5 Variações em Sol maior, K. 501, 1786Clara SCHUMANN. Romanzen, Op. 21: I. Andante para piano solo, 1853See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A interessante vida de Albert Otto Hirschman, o economista que não se limitou a cumprir ordens
Albert Otto Hirschman destacou-se como economista e pensador de importância reconhecida, mas sobretudo como uma figura singularmente interessante. O próprio conceito de “interesse” percorre a sua obra “Paixões e Interesses”, servindo de fio condutor para uma visão inovadora sobre a génese dos valores sociais e económicos. Neste episódio, a vida de Albert Hirschman é revisitada sob o olhar de Rui Tavares, que percorre a genealogia do termo “interessante” e seus múltiplos sentidos, desde o Renascimento até à contemporaneidade. No entanto, o verdadeiro interesse da trajetória de Hirschman está além da dimensão académica. Testemunha dos horrores do nazismo, exilado pela guerra, combatente na Guerra Civil de Espanha e interventor decisivo na fuga de intelectuais judeus durante a Segunda Guerra Mundial, Hirschman deixa-nos uma lição de humanidade difícil de esquecer. No dia em que se evocam os 80 anos do início dos Julgamentos de Nuremberga, recordar Albert Otto Hirschman é invocar uma memória de resistência, empatia e ética imperiosa para os valores humanos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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De Salazar a Shakespeare: o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente?
Será o poder capaz de corromper qualquer pessoa, ou apenas revela o lado sombrio que já existe no ser humano? Ou, na provocação de Shakespeare: “O poder muda o propósito?“. Neste episódio, voltamos ao teatro, à peça “Medida por Medida”, para explorar as tensões entre caráter, verdade, mentira, medo e confiança nos sistemas de poder. Rui Tavares mergulha no cinismo que marca a relação atual com a política e questiona: estaremos condenados, como sugere Maquiavel, a desconfiar de todos, acreditando que o poder corrompe inevitavelmente? Assumimos que a aparência substitui a verdade e, perante a mentira, desistimos de procurar algo além do óbvio? Mas e se, como sugere Montaigne, a política puder ser mais do que temor — um espaço para à confiança, ao reconhecimento e até ao amor cívico? Este episódio é um convite a pensar se ainda há esperança no espaço político. Agradecimento ao compositor Carlos Azevedo pela autorização de utilização da peça “Labirintho“, interpretada por Teresa Valente.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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“A Morte de Danton” de Georg Büchner: as revoluções não mudam apenas as sociedades, mas também a perceção do tempo
No episódio anterior, Rui Tavares dava-nos conta que o jovem Orson Welles estava a ensaiar a peça “A Morte de Danton” quando gravou a sua versão de “A Guerra dos Mundos”. O que é que esse texto clássico de Georg Büchner sobre a Revolução Francesa nos pode dizer sobre a percepção que temos do tempo durante as revoluções? Georg Büchner morreu com 23 anos, a idade que tinha então Orson Welles quando representou a peça de teatro “A Morte de Danton”, que conta a história de Georges Danton, um dos líderes da Revolução Francesa. O texto é considerado um percursor do teatro documental, algures entre o romantismo e o realismo. Apesar de hoje ser considerado um texto fundamental da literatura alemã, a peça só foi encenada pela primeira vez em 1902, muitos anos depois da morte do seu autor. Neste episódio, Rui Tavares traça o contexto histórico da peça, fazendo um paralelo com a percepção do tempo na história, nomeadamente em tempos de revolução:‌ se a textura do tempo muda, que diferença faz vivê-la ao longo de uma vida ou concentrar toda a sua essência em poucos anos de vida, com significado superlativo?See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Se a campainha tocar ninguém atender, não é um marciano: é Orson Welles e uma emissão de rádio num mundo à beira da guerra em 1938
No dia 30 de outubro de 1938, Orson Welles fez história ao transmitir a célebre encenação radiofónica de “A Guerra dos Mundos”. Um episódio marcante da história da rádio, da cultura popular e da sociologia, porque em todas estas dimensões permanece como mito e advertência Na véspera da véspera de Halloween, o mundo parecia protegido de grandes ameaças. Mas era um tempo envolto por um ambiente propício a terrores imaginados, criaturas alienígenas, suspense e inquietação. A partir desse momento, a crónica do pânico que se seguiu tornou-se lendária: multidões inteiras confundiram o real com o fabricado, angustiadas pelo medo propagado pelas ondas do rádio. Ou não terá sido bem assim? Ou terá tudo não passado de uma hipérbole mediática? Certo é que este episódio não foi indiferente e resiste até hoje no imaginário coletivo do que é a manipulação de massas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Joel Mokyr, o historiador laureado com o Nobel da Economia
Neste episódio, é com especial regozijo que Rui Tavares celebra a rara distinção de um colega pela Real Academia Sueca das Ciências: Joel Mokyr, historiador reconhecido internacionalmente pela sua investigação sobre a história da ciência e da tecnologia. O trabalho de Mokyr, cuja relevância e originalidade foram agora distinguidas com o Prémio Nobel da Economia, reflete o profundo impacto do conhecimento científico e tecnológico no progresso económico e social. Mas o que torna um historiador uma referência incontornável na economia? Neste podcast, ficamos a conhecer o pensamento de Joel Mokyr, a forma como analisa a evolução científica e tecnológica e o papel crítico dessas transformações no desenvolvimento dos sistemas económicos modernos. A reflexão de Mokyr ilumina a ligação entre passado e futuro, mostra como o avanço do conhecimento moldou as sociedades e os mercados ao longo da história.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O único dia em que Espinosa se irritou: os filósofos também se passam
Que episódio insólito provocou a ira de Bento Espinosa, ou Baruch Spinoza, o filósofo do século XVII judeu português? Rui Tavares mergulha na extensa biografia escrita pelo historiador Jonathan Israel para tentar responder à pergunta: Terá Espinosa inventado a modernidade? Um dos mais influentes historiadores do Iluminismo, Jonathan Israel, professor britânico que integrou o Institute for Advanced Study de Princeton, publicou recentemente “Spinoza, Life and Legacy”, uma impressionante biografia de Bento Espinosa, a quem Israel atribui o título de verdadeiro fundador do Iluminismo Radical — corrente filosófica que lançou as bases das ideias modernas de democracia. Baseando-se nas mais de 1300 páginas desta extensa obra, Rui Tavares detém-se num episódio que Israel optou por omitir: aquele em que Espinosa, ao confrontar um crime bárbaro de motivação política, revela uma faceta intensamente humana e apaixonada, perdendo as estribeiras. Que evento terá provocado tamanha irritação no autor do “Tratado Teológico-Político”? Neste episódio, somos convidados a redescobrir a biografia, o pensamento e a pertinência do legado filosófico e político de Espinosa, trazendo à luz uma reflexão que ressoa nos desafios contemporâneos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O suicídio de um parlamento: o dia em que o Reichstag se rendeu a Hitler
Diferente de outros momentos perdidos na memória, o colapso da democracia alemã em 23 de março de 1933 tem uma particularidade: podemos ouvi-lo. A gravação sonora da sessão plenária do Reichstag, registada naquele dia decisivo, captura o instante em que o Parlamento alemão concedeu ao Partido Nazi plenos poderes. Este documento sonoro torna tangível uma realidade que normalmente se imagina apenas em relatos escritos ou análises históricas: o som do consentimento que silencia a liberdade. Nesse ambiente carregado, as vozes sobrepõem, resistem e, por fim, emudecem. Mas ainda ecoa a voz de Otto Wels, deputado social-democrata, cuja voz proferiu a frase emblemática: “Podem tirar-nos a liberdade, podem tirar-nos a vida, mas a honra não.” Rui Tavares convida a experimentar a história de forma sensorial: não apenas pelas palavras, mas pelo vazio, pela tensão e pelo silêncio contidos na gravação – o próprio som do instante frágil em que um parlamento sucumbe e a democracia colapsa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Como se cria um mártir para a causa Nazi? A história de Horst Wessel
Como se cria um mártir? Qual o poder político da narrativa do sacrifício pela ideologia? Rui Tavares relata a sucessão de episódios que, não sendo directamente de natureza política, foram instrumentalizados pela propaganda do partido Nazi para a criação da sua narrativa. Conheça a história de Horst Wessel, o nazi que imortalizou a ascensão de Hitler O que foi anunciado como sacrifício de Horst Wessel, membro do Partido Nazi, em 1930, esteve na base da narrativa de perseguição ideológica, e na diabolização da esquerda na Alemanha nos anos seguintes. A morte de Wessel como evento, a performance política ao redor do seu funeral, um hino que o imortalizou, e um oportuno incêndio no Parlamento serviram o mote que faltava na narrativa épica do Partido Nazi. Às portas da ascensão de Hitler ao poder, qual o papel de Horst Wessel? Partindo deste evento no início do ano de 1930, Rui Tavares traça o caminho que, nos três anos seguintes fortaleceram a popularidade da ideologia nazi e levaram à tomada política do Reichstag.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Churchill em cuecas, um bife com cebolada e um mundo igualitário: A história da ONU
Qual é, afinal, o propósito da Organização das Nações Unidas? Perante esta questão, que ecoou na abertura da Cimeira de ontem, Rui Tavares leva-nos a revisitar os motivos fundadores desta instituição, criada em 1945, no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, quando o mundo ansiava por paz, justiça e cooperação internacional. Por que razão o português abre, invariavelmente, a Cimeira das Nações Unidas, se não é uma das seis línguas oficiais da organização? Qual foi o contributo central das mulheres na elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos? Quem foi Berta Lutz, que se debateu pela inclusão de ambos os géneros nos documentos oficiais das Nações Unidas, ao lado de Eleanor Roosevelt?See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Como os franceses reiniciaram o tempo em 1792: o calendário republicano esquecido no tempo
A Revolução Francesa teve, sem dúvida, um impacto extraordinário no curso da história, mudando profundamente diversas dimensões do tempo e da cultura. A partir do dia da Festa do Génio, efeméride que se comemora hoje, Rui Tavares revela-nos um aspecto particular, singular e literal desse impacto no tempo, que talvez passe despercebido para a maioria: o calendário. Em específico, a criação do calendário republicano francês e a revolução no modo como o tempo passou a ser contado nos anos de fervor revolucionário. Neste episódio, vamos conhecer a forma única com que os franceses decidiram assinalar um novo começo — uma ruptura simbólica e prática — conquistada pela Revolução: o reinício da contagem dos dias e dos meses do ano. Rompendo com o antigo calendário gregoriano, França afirmou seu tempo ao adotar o Calendário Republicano. O calendário revolucionário começou em Primidi de Vendemiário, que corresponde ao dia 22 de setembro de 1792 no calendário gregoriano tradicional, data que marca o início do Ano I da República e coincide com o equinócio de outono no hemisfério norte. Mas que novo tempo é este? Como se organizam os dias e as semanas? Como se nomeiam os meses ou as estações do ano? Ficamos, neste episódio, a saber um pouco mais sobre a Revolução Francesa, sobre o espírito revolucionário, e sobre como é possível revolucionar tempo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O que têm em comum o arquiteto das Torres Gémeas Minoru Yamasaki e bin Laden? A história de Minoru Yamasaki, o arquiteto esquecido
O arquitecto das Torres Gémeas, Minoru Yamasaki, não é muito falado quando se aborda o ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001. Yamasaki, curiosamente, já tinha visto um outro projeto seu ser demolido propositadamente: o empreendimento de Pruitt-Igoe no Missouri. Há muito para descobrir na vida e na obra deste arquiteto “azarado”, inclusive uma relação com a arquitetura islâmica. Oiça mais um episódio de Tempo ao Tempo por Rui Tavares. Será que se devia dar mais importância ao arquiteto das Torres Gémeas? Neste 11 de setembro, recordemos a vida e a obra do arquiteto mais azarado do mundo e exploremos a sua obra mais emblemática.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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ABOUT THIS SHOW
Tempo ao Tempo é um podcast de histórias da História, de passado, presente e futuro, e da mudança da memória no tempo. Aqui vamos percorrer a micro-história e a História global, a História europeia e a História nacional, sempre com o objetivo de atualizar os dilemas das pessoas do passado e colocar em perspetiva histórica os nossos dilemas do presente. Com o tempo, vão aparecer texturas e um padrão narrativo, que ajudará a fazer sentido do todo. Mas o todo será sempre multímodo, polifónico e eclético. De muitos caminhos. Todas as quintas-feiras um novo episódio escrito e narrado por Rui Tavares, com apoio à produção de Leonor Losa. A sonoplastia de Tempo ao Tempo é de João Luís Amorim e a capa é de Vera Tavares e Tiago Pereira Santos.
HOSTED BY
Rui Tavares
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