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35 - Urso polar em Copacabana

Episode 35 of the Felipe Simão - Poesias podcast, hosted by Felipe Simão, titled "35 - Urso polar em Copacabana" was published on December 18, 2022 and runs 2 minutes.

December 18, 2022 ·2m · Felipe Simão - Poesias

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Sou pequeno para as minhas emoções, imenso de reflexões, elas não cabem em mim, contorço-me ao tentar acomodá-las, sufoco-me tentando acalmá-las e me esgoto na tentativa deixar explicado o que elas não entendem, meu comportamento metrado naturalmente irracionais, não me deixam em paz; como podem compreender, alguém que não sabe viver?   Estou acostumado com o vazio, o vazio não tem vez, não tem vontade, solidez, não é impaciente, não quer que eu me reinvente, quando lhe viro as costas, não exige respostas, sequer me inquieta com perguntas; o vazio nem se dá o trabalho de existir, extenuação a qual não se pode dirigir, é a ausência de emoção, como o frio é a ausência de calor, o desprezo inexistência de amor   Durante muito tempo não me senti gélido, pesadelo fantástico, sensação de andar pelado no Ártico, a gelidão nunca poderia me atingir, afinal eu já era uma ausência de calor; dilacerado por uma insensível dor vivi um transe, na inércia de sentimentos, indolente criatura, minha figura, um seraco; nesse amontoado caótico, com meus sentimentos, despótico resfriei-me de razão e não temi a solidão; inaparente egro, todo o sofirmento caía no buraco negro, no vazio dentro de mim, eu não tinha limite, não tinha fim   Estava morto no interno e vivo por fora, era o mesmo na primavera ou no inverno achava-me inabalável, invencível, mal sabia que se tratava do longo efeito duma anestesia hipnotizado no engano, ano após ano, sofria sem sentir   Dessa época não tenho saudade, pois tristeza e felicidade, andam sempre de mãos dadas, no peito, ambas guardadas, verdade que ninguém gosta, a vida é uma aposta, tristeza negada, é felicidade renunciada   Sou urso polar em Copacabana pertenço ao frio, estirado no vazio, é onde aprendi a viver mas a esse lugar, longe das ondas do mar, nunca mais quero volver

Sou pequeno para as minhas emoções, imenso de reflexões, elas não cabem em mim, contorço-me ao tentar acomodá-las, sufoco-me tentando acalmá-las e me esgoto na tentativa deixar explicado o que elas não entendem, meu comportamento metrado naturalmente irracionais, não me deixam em paz; como podem compreender, alguém que não sabe viver?   Estou acostumado com o vazio, o vazio não tem vez, não tem vontade, solidez, não é impaciente, não quer que eu me reinvente, quando lhe viro as costas, não exige respostas, sequer me inquieta com perguntas; o vazio nem se dá o trabalho de existir, extenuação a qual não se pode dirigir, é a ausência de emoção, como o frio é a ausência de calor, o desprezo inexistência de amor   Durante muito tempo não me senti gélido, pesadelo fantástico, sensação de andar pelado no Ártico, a gelidão nunca poderia me atingir, afinal eu já era uma ausência de calor; dilacerado por uma insensível dor vivi um transe, na inércia de sentimentos, indolente criatura, minha figura, um seraco; nesse amontoado caótico, com meus sentimentos, despótico resfriei-me de razão e não temi a solidão; inaparente egro, todo o sofirmento caía no buraco negro, no vazio dentro de mim, eu não tinha limite, não tinha fim   Estava morto no interno e vivo por fora, era o mesmo na primavera ou no inverno achava-me inabalável, invencível, mal sabia que se tratava do longo efeito duma anestesia hipnotizado no engano, ano após ano, sofria sem sentir   Dessa época não tenho saudade, pois tristeza e felicidade, andam sempre de mãos dadas, no peito, ambas guardadas, verdade que ninguém gosta, a vida é uma aposta, tristeza negada, é felicidade renunciada   Sou urso polar em Copacabana pertenço ao frio, estirado no vazio, é onde aprendi a viver mas a esse lugar, longe das ondas do mar, nunca mais quero volver
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