EPISODE · Oct 24, 2022 · 4 MIN
LUSOFONIAS - Obrigado, Professor...
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O Professor Adriano Moreira partiu aos cem anos para a Casa do Pai, em quem sempre profundamente acreditou a a quem convicta e coerentemente seguiu. Escrevi, assim no facebook no dia da sua morte (23 de outubro): ‘Conheço o seu Grijó natal, Igreja onde ele foi baptizado, dando um passo inicial numa das suas imagens de marca: a Fé! Tive-o como Professor no Curso de Comunicação Social na UCP, um professor enorme, com quem falei dezenas de vezes, uma vez que eu já era padre e já tinha feito seis anos de 'guerra' em Angola e, por isso, tínhamos muitos assuntos a partilhar. Dizia ele que o poder tinha duas legitimidades: a da origem (por eleição, nomeação..) e a do exercício! Também as nossas vidas são assim. O Professor Adriano Moreira é, legitimamente, um dos maiores vultos de Portugal. Merece ser homenageado e seguido. RIP’. Li dezenas e dezenas de depoimentos, todos diferentes, mas todos unânimes no louvor de um homem bom. Cito, por exemplo, o do P. António Bacelar: ‘A gratidão do dia que finda, não posso decliná-la sem a pessoa do Prof. Adriano Moreira e o modo como atravessou um século de vida. Continuará na nossa história - aquela que vive da memória, mas se projeta para além dela - como o testemunho vivo da possibilidade de verticalidade, serenidade, transparência, diálogo, conciliação (até de opostos) que só a sabedoria pode abrir. Recordo-o em encontro de docentes e investigadores universitários e de ensino superior por volta talvez de 2010, em Fátima: que lição de simplicidade, lucidez, clareza e desconcertante humildade. Olhar que ainda nos primeiros meses de Papa Francisco lhe permitiu a acuidade de ilustrar a sua autenticidade com a genial afirmação de ser, o Papa Francisco, "um que ouve até quando fala"! Porque dela construtor a história continuará a dizê-lo, Professor!’. Mas – confesso-o com emoção – seriam as publicações dos filhos o que mais me provocou, pois chegaram até mim como marcas do sangue comum que lhes corre nas veias. Deixem-me amplificar o grito de amor do filho João, cujo título do artigo já nos arrepia: ‘O meu Adriano Moreira’. Diz muito e com o coração nas mãos. Partilho apenas algumas das frases: ‘Sou filho de um homem velho, e esse homem velho chama-se Adriano Moreira. Quando era pequeno - já o meu pai era velho -, o meu pai explicou-me, com a frontalidade trasmontana que lhe era característica, que eu ia deixar de ter pai muito cedo. Cresci marcado por este medo, que condicionou muitas decisões que tomei’. Mais adiante diz: ‘O meu pai nasceu pobre. Era filho de um polícia e de uma costureira e lutou muito para chegar onde chegou. Era, literalmente, um self made man. Esta origem teve consequências e manifestações várias, que são o ponto de partida da minha admiração.(…). Era trasmontano de coração, e sempre lembrou - a nós e ao mundo - de onde vinha’.
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