Intempérie

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INTEMPÉRIEConversas anartísticas e profundamente comprometidas com os estados dos espíritosouUm espaço de crítica livre sobre os infortúnios da história cultural e das artes com Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de AndradeIndicativo podcastVoz: Xanamistura indicativo: Gonçalo Zagalo PereiraImagem do podcast sob Agathos Daimon, pintura de Elagabal Aurelius KeiserPara eventuais perguntas, comentários ou sugestões: [email protected]

  1. 2

    EP8 - A produtividade não passa de alucinação colectiva

    A produtividade não passa de alucinação colectiva - elegância para desenganados, sem termos que fazer coisa alguma. Albert Cossery passou a vida a evidenciar que o trabalho instaura o erro conceptual, enquanto Franco Berardi e outros filósofos dedicam hoje livros inteiros à mesma conclusão, mas cheios de ansiedade e cansaço. Além disso, revelamos que apenas existem mais ou menos cinco livros por século que mereçam ser lidos, o que são péssimas notícias para quem acabou de encher as estantes. Em Cossery os mendicantes contemplativos são mais emancipados do que os CEOs, algo mui incómodo para quem passa a vida no LinkedIn. Conclusão: a solução passará sempre por não fazer nada… mas em elocução literária irrepreensível. Bibliografia: Herman Melville - "Bartleby, the Scrivener: A Story of Wall Street" Jack Halberstam – “The Queer Art of Failure” Bifo Berardi – “The Uprising: On Poetry and Finance.” Albert Cossery - “Œuvres complètes”

  2. 1

    EP 7 - A profissão de crítico ou a técnica do adormecimento

    EP 7 - A profissão de crítico ou a técnica do adormecimento: manual de doxa e boas maneiras para nunca arriscar nada A crítica de arte é a gestão da revolta, profissão neoliberal que transforma a urgência política em texto sofisticado, o conflito em sopa de termos gourmet do dicionário Word, enquanto atira o risco para as notas de rodapé, até que, por fim, a arte se transforma em tópica de dissenso inofensivo. O crítico passeia na galeria de arte, na feira, no centro cultural, como quem entra num spa de massagens ideológicas: sai de lá bem informado, com a coluna mui distendida e de moral reconfortada. Nada o pode ameaçar, torna-se por isso destemido, por mais que corte a eito o inimigo não deita sangue, nem geme: eis o especialista nessa arte marcial de bater em defuntos. Tudo se apresenta com aparência “problemática”, “complexa”, “necessária” — vocábulos que não causam pruridos. A crítica deixou o julgamento porque julgar faz perder o juízo; mas não permite o silêncio porque tagarelar é o seu modo de subsistência. No fim de tanta bavardage, cumpre plenamente a sua histórica função: garantir que nada falhe na assimilação ao mundo que finge contestar. Co-criação: Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade Produção: associação Mural Sonoro Indicativo: Xana

  3. 0

    EP 6 - Da morte ontológica da arte ao Karaoke Bar nos escombros

    A “morte da arte” não implica que os ditos “artistas” venham a cessar a sua actividade industrial, essa produção de insólitas mercadorias para decoração dos apartamentos vazios e alvíssimos de Manhattan, e dos salões também brancos das galerias, ou performances e eventos para animar a black box do centro cultural da esquina. Todavia, a arte perdeu o seu lugar de privilégio: pouco revela sobre a verdade (Hegel), não orienta as alminhas deste purgatório para o além ideal (Platão), já não progride segundo narrativa temporal provida de τέλος (Danto) e deixou de conseguir ser ponto de fuga ao mercado, à alienação e ao circuito controlado e totalitário das imagens (Baudrillard). Tentaremos aqui também esboçar os prolegómenos a toda a ilusão contemporânea e futura: a fé supersticiosa de que ainda podemos ser “artistas”, quando a realidade é apenas de gestão burocrática das visibilidades e dos regimes de escuta. Bibliografia Hegel - Lições sobre a Estética Adorno - Teoria Estética Arthur C. Danto - Depois da morte da arte Jean Baudrillard - A Conspiração da Arte Foucault - A Hermenêutica do Sujeito Boris Groys - O poder da Arte Rosi Braidotti - O conhecimento Pós-humano Yuk Hui - Sobre a existência de objectos digitais Jerrold Levinson - Reagir com emoção à arte

  4. -1

    EP 5 - Da contemplação ao olhar apressado - a morte da atenção no capitalismo mediático

    Vivemos tempos inquietantes em que a distração passou a ser dever cívico, e a atenção recurso natural escasso. O neoliberalismo já não necessita de grandes fogueiras para queimar livros incómodos ou obras de arte inconvenientes, basta-lhe incinerar o olhar de quem lhes poderia dar atenção. Entre tictocts, vídeos, e posts, vendemos a alma a pequenas prestações de foco, mesmerizados pela alucinação interactiva que configura nova forma de trabalho incessante, para animar as redes tecno-feudais. São os tempos da plataformização totalitária da vida, em que o capitalismo colonizou o tempo “livre”, e neste surge outra morte da arte, diluída em excesso de likes do olhar utilitário ou curioso, mas superficial. Demorar numa obra pode ser hoje novo acto de rebelião. Bibliografia: Walter Benjamin - A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica Jakub Marek - The Impatient Gaze: On the Phenomenon of Scrolling in the Age of Boredom Bernard Stiegler - La société automatique Franco Berardi - The Soul at Work e Futurabilidade McKenzie Wark - Raving Conversas anartísticas e profundamente comprometidas com os estados dos espíritos ou Um espaço de crítica livre sobre os infortúnios da história cultural e das artes com Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade com indicativo sonoro de Xana (Imagem do podcast sob Agathos Daimon, pintura de Elagabal Aurelius Keiser). Para quem nos quiser continuar a enviar eventuais perguntas, comentários ou sugestões: [email protected]

  5. -2

    EP 4 - Política da Arte em vez de Arte política: outro dos aspectos da morte da arte

    Inspirados pela “Carta a D’Alembert sobre os espectáculos” de Rousseau, tentamos explorar outro vector da morte da Arte, a sua instrumentalização enquanto parte da política de entretenimento que nos quer passivos a salivar perante o espectáculo da liberdade, da democracia e da suposta abundância. Método ancestral de nos reduzir à função de focas amestradas que batem palmas ou assinam em cruz um cheque em branco às elites políticas. Conversas anartísticas e profundamente comprometidas com os estados dos espíritos ou Um espaço de crítica livre sobre os infortúnios da história cultural e das artes com Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade com indicativo sonoro de Xana (Imagem do podcast sob Agathos Daimon, pintura de Elagabal Aurelius Keiser). Para quem nos quiser continuar a enviar eventuais perguntas, comentários ou sugestões: [email protected]

  6. -3

    EP3 - Do movimento desnomeado às Bastardas da revisitação punk pós-feminista

    Para ouvir podem subscrever o Intempérie no SoundCloud ou no Spotify. Um episódio em que convocamos para a conversa certas ideias para uma nova tradição. Passamos por Arthur Rimbaud, Peter Sloterdijk, Elizabeth Grosz, Virgine Despentes, Paul B Precíado, Camille Paglia, bell hooks e, demoramo-nos nas intervenções textuais-sonoras de María Galindo...GaLINDA; sobretudo a mais recente publicação, pela mão de uma pequena editora portuguesa (Barricada de Livros), de Feminismo Bastardo. Tem isto a ver com o quê? Ouvindo pode ser que nos consigam explicar. Conversas anartísticas e profundamente comprometidas com os estados dos espíritos ou Um espaço de crítica livre sobre os infortúnios da história cultural e das artes com Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade com indicativo sonoro de Xana (Imagem do podcast sob Agathos Daimon, pintura de Elagabal Aurelius Keiser). Para quem nos quiser continuar a enviar eventuais perguntas, comentários ou sugestões: [email protected]

  7. -4

    EP2 - Fascismos, micro-fascismos, poéticas da diversidade

    #2 Neste episódio rondamos os temas do crescimento da extrema direita num mundo em que as cenouras, cada vez mais escassas, parecem estar a deixar de substituir os chicotes. Falamos de micro e macro fascismo, de extrema direita, extremo centrão e extrema esquerda, como faces da hiperrealidade política que dissimula a política real: controle digital cada vez mais apertado, miséria quotidiana, novas formas de contornar a liberdade de expressão, consensualidade compulsiva, interiorização da culpa, feudalismo digital e a impostura da arte contemporânea. E propomos alguma bibliografia para delinear estes temas: Sigmund Freud - Psicologia de Grupo e a Análise do Ego ; Wilhelm Reich - Psicologia de Massas do Fascismo; Jean Baudrillard - Simulacros e Simulação; Félix Guattari - «Todos querem ser fascistas»; Édouard Glissant - Poética da Relação; Introdução a uma Poética da Diversidade. Conversas anartísticas e profundamente comprometidas com os estados dos espíritos ou Um espaço de crítica livre sobre os infortúnios da história cultural e das artes de Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade com indicativo sonoro de Xana (Imagem do podcast sob Agathos Daimon, pintura de Elagabal Aurelius Keiser). Para quem nos quiser enviar eventuais perguntas, comentários ou sugestões: [email protected]

  8. -5

    EP1 - Vontade de Poder, Mestres e Escravos, as falácias da moralidade, artes performativas

    #1 Conversa partilhada, sem guião embora com uma linha orientadora no horizonte: a excessiva moralização de um discurso sobre artes e cultura, trazendo, inevitavelmente, à colação dois conceitos nietzscheanos e umas quantas ideias platónicas. Para quem nos quiser enviar eventuais perguntas, comentários ou sugestões: [email protected] Conversas anartísticas e profundamente comprometidas com os estados dos espíritos ou Um espaço de crítica livre sobre os infortúnios da história cultural e das artes com Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade Indicativo podcast Voz: Xana mistura indicativo: Gonçalo Zagalo Pereira Imagem do podcast sob Agathos Daimon, pintura de Elagabal Aurelius Keiser

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Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade

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