8 - Penitente
from Felipe Simão - Poesias Hosted by Felipe Simão
Os olhos, cegos do mundo, afundam-se nas cavidades dum homem torto; só conseguem ver o absorto, a lembrança daquela mulher cheia de flerte, coberta de charme, encarnada de luxúria, a coisa mais bela já vista nua, se ela ainda fosse sua, “se ela ainda fosse minha”, “se ela ainda fosse minha”, repete com os dentes fazendo rinha, rastejando serpentoso pelo calçadão beija pedras portuguesas como se fossem os pés da sua rainha, engole a poeira do chão como se fosse favos de mel como se pelo favor dum prazer bel, no asfalto da rua São Clemente, ele deixasse de ser penitente e encontrasse o céu
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