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EPISODE · Jul 3, 2019 · 58 MIN

Dostoiévski

from Estado da Arte

Óleo sobre tela de Vasily Perov (1872). Galeria Tretyakov, Moscou. Segundo Otto Maria Carpeaux, “a literatura russa do século XIX teve que desempenhar várias funções, além da literária propriamente dita: era jornalismo, num país em que não existia imprensa livre; era tribuna política, num país em que não havia parlamento; era cátedra universitária, num país em que as universidades eram fiscalizadas pelos agentes de polícia; era púlpito, num país em que a própria Igreja estava muda.” Num jogo tão complexo, Dostoiévski conseguiu subir ao pódio, talvez só acompanhado por Tolstoi, como o mais celebrado romancista russo. As razões variam. O filósofo Berdiaev afirmava que ele foi não só um grande artista, mas o maior dos metafísicos russos. Para Albert Camus foi ele, e não Karl Marx, o grande profeta do século XIX. Einstein declarou que Dostoiévski lhe deu “mais do que qualquer outro pensador”, provendo-lhe um vislumbre inspiracional no relativismo e na instabilidade da realidade. Nietzsche confessava que “ele foi o único que me ensinou alguma coisa em psicologia” e Freud confidenciou: “Dostoiévski sabia mais sobre a alma humana do que eu.” Segundo seu biógrafo Joseph Frank: “Ele possuía o que eu chamo de uma ‘imaginação escatológica,’ capaz de visualizar ideias em ação e então segui-las até as suas últimas consequências”. Seus romances policêntricos nos precipitam entre pontos de vista existenciais de diferentes personagens, onde o realismo externo se choca com realidades interiores que oscilam entre a mística e a patologia. Em meio a emoções vulcânicas, intrigas labirínticas e ideias extremadas, mesclam-se o burlesco e o trágico, o sentimentalismo e o cinismo. De fato, notou Leonid Grossman, “ele passou por vários estágios na busca por uma verdade guia – romantismo, socialismo utópico, cristianismo (especificamente, a ortodoxia russa), o ‘solo’ do eslavofilismo, a ‘Era de Ouro’ e a luta contra a Europa ‘agonizante’, e, finalmente, a teocracia, ou seja, uma Igreja-Estado.” Em oposição ao mundo imóvel, claro e preciso de Tolstoi, o filósofo Vladimir Soloviov afirmava: “Aqui tudo está em fermentação, nada está formado, tudo está em formação. … [Dostoiévski] não acreditava somente no passado mas no Reino de Deus vindouro, e compreendia a necessidade do trabalho e do sacrifício para a sua realização”. O próprio escritor confessava: “Sou um filho do meu tempo, um filho da descrença e da dúvida até este exato momento e (tenho certeza disso) até o túmulo. … [Mas eu] compus em mim uma profissão de fé, onde tudo é claro e sagrado. Esta profissão de fé é bastante simples, ei-la: crer que não há nada mais belo, mais profundo, mais simpático, mais razoável, mais corajoso ou mais perfeito que Cristo; e não somente não há nada, como não pode haver. Mais ainda: se alguém me provasse que Cristo não está na verdade, e se fosse realmente estabelecido que a verdade não está com Cristo, eu preferiria permanecer com Cristo mais do que com a verdade.” Não à toa, Dostoiévski declamava frequentemente em público o poema O Profeta, de Púchkin, concluindo: A voz de Deus me conclamou:‘Ergue-te, Ó profeta, vê e ouve,Enche-te com a minha Vontade,Avança sobre terras e mares,E inflama os corações dos homens com o teu Verbo’. Com Flávio Ricardo Vassoler: Doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo e autor de Dostoiévski e a Dialética.  Lucas Simone: Doutorando em Literatura e Cultura Russa pela Universidade de São Paulo e tradutor de Memórias do Subsolo. Priscila Marques: Doutora em Literatura e Cultura Russa pela Universidade de São Paulo, tradutora de Dostoiévski e mestre com dissertação sobre Crime e castigo. Referências Dostoevsky 5 vols.de Joseph Frank. Dostoiévski e a Dialética de Flávio Ricardo Vassoler. Crítica e Profecia. A filosofia da religião em Dostoiévski de Luiz Felipe Pondé. The Cambridge Companion to Dostoevskii editado por W.J. Leatherbarrow. Dostoevsky de Harold Bloom. Dostoievski de Henri Troyat. ??????????? ? ????? (Dostoiévski e Nietzsche) de Lev Shestov. Dostoevsky: His Life and Work de Konstantin Mochulsky. Dostoevsky: The Major Fiction de Edward Wasiolek. Dostoïevski de André Gide. Dostoïevski et le probleme du mal de Paul Evdokimov. L’esprit de Dostoïevski de Nicolas Berdiaev. Tolstoy or Dostoevsky de George Steiner. ??????????? (Dostoiévski) de Leonid Grossman. La légende du Grand Inquisiteur de Dostoïevski comentada por K. Léontiev, V. Soloviev, V. Rozanov, S. Boulgakov, N. Berdiaev e S. Frank. Dostoievski de Jacques Madaule. Dostojewski, Tragödie-Mythos-Mystik de Viecheslav Ivanov. Dostoevsky and his Devils de Vaclav Cerny. ?. ??????? ? ??????????? (Tolstoi e Dostoievski) de Dmitry Merezhkovsky. Apresentação: Marcelo ConsentinoProdução técnica: Afrânio Cruz O post Dostoiévski apareceu primeiro em Estado da Arte.

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Dostoiévski

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Das denkt Deutschland – Über Meinung und Medien WELT Wie unterscheidet sich die Generation Z tatsächlich vom Rest der Bevölkerung? Wendet sich die Politik von den Menschen ab, oder die Menschen sich von der Politik? Und tickt die Bevölkerung in Ost- und Westdeutschland immer noch unterschiedlich?In "Das denkt Deutschland" sprechen Thorsten Thierhoff, Geschäftsführer des Meinungsforschungsinstitutes forsa, und WELT-Chefredakteur Ulf Poschardt jede Woche über das Auseinanderdriften von öffentlicher und veröffentlichter Meinung. Anhand von konkreten Themen und auf Basis von empirischen Befragungsdaten widmen sie sich in jeder Folge den aktuellen Debatten."Das denkt Deutschland - Über Meinung und Medien" erscheint jeden Mittwoch um 16 Uhr – überall da, wo es Podcast gibt und auf welt.de/dasdenktdeutschland. Ein Podcast von forsa und WELT. Alben für die Ewigkeit audiowest, Freddy Kappen, Stephan Kleiber, Dieter Kottnik Es gibt Alben, die sind etwas Besonderes. Da ist nicht einfach nur Musik drauf – sondern Musik, die bleiben wird. Vielleicht für immer. Es sind Alben, die die Geschichte der Rock- und Popmusik um entscheidende Entwicklungen bereichert haben. Die nicht nur Erfolg, sondern auch Wirkung haben. Und hier stellen wir sie vor.Bei uns könnt Ihr zeitlose Klassiker der Musikgeschichte kennenlernen. Oder sie noch einmal neu erleben und sozusagen ein zweites Mal kennenlernen. Ihr erfahrt die Geschichten, die hinter diesen Alben stecken: Wann und wo sind sie entstanden? Was lässt sie hervortreten aus der Menge? Warum sind sie so, wie sie sind? Und was ist das Besondere an ihnen? Und: Natürlich spielen wir auch Musik. Jede Menge sogar — denn darum geht‘s ja bei uns. Efecto Doppler RTVE Ciencia, arte, música, activismo, fotografía, ensayo y cultura pop. Desciframos la realidad y un mundo en cambio constante desde otras perspectivas. Be-Tales, un grande racconto sui Beatles Radio Beckwith Una canzone dei Beatles al giorno. Storie e approfondimenti sull'intramontabile parabola dei Fab Four. Scritto e condotto da Gigi Giancursi.

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This episode was published on July 3, 2019.

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Óleo sobre tela de Vasily Perov (1872). Galeria Tretyakov, Moscou. Segundo Otto Maria Carpeaux, “a literatura russa do século XIX teve que desempenhar várias funções, além da literária propriamente dita: era jornalismo, num país em que...

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