EPISODE · May 31, 2020 · 2 MIN
Epis5_Cn09
from Transmídia | Mediando leituras
Terceira carta de Oneyda (Foto: Colagem em papel. Autoria: Vânia Alves) Varginha, 7 - XII - 1921. Seu Mário, De Varginha, descrevo a cantoria de anteontem na Liga dos Operário. Seu Alfredo, fundador, quem me dizia: Dança, dança até se esquecer dos horário! As negras Felisbina e Ordália bem cedinho apresentaram lundu. Tonho Venâncio, Zé Fabiano e as viola vieram juntos direto de Itanhandu. No pescoço usavam lenço , vermeio c’ as pontas unida num anel dourado. Dente de ouro; cabelo ensebado que é costume, dividido bem no meio. É viola de com muita alma! queluz Seu Zico não deixa de nos lembrar: riga, cortado em lua minguante Pin’de e no mês sem “R” que é pra num . encarunchá A moda à noite foi a do cateretê, que carece dum terno de dançador: cavalheiro dum lado, dama d’outro; em duas fila, vis-a-vis, a se compor. Os violeiro se coloca lá na ponta: costuma ter um cantador e um ajudante. No olhar eles se acerta qual a moda e inicia a toada contagiante. Das viola nunca falta um preludinho, que é pra todo recinto emocionar! Por ora, fica os dançador quietinho, até o cantador principiar. Finalmente eles inicia com os verso, cantados só pelos dois violeiro. O corpo dos dançador, dum lado pro’outro, balança num gostoso meneio. Valseado vai bonito até a alma! O canto para, os dançador segue a viola ritmando na palma e sapateado. Canto e dança seguem, em revezado. Até que Tonho, cantador, puxa a roda, e os dançador tornam a pular! Depois voltam todos para seus lugares, a retomar as palmas e o sapatear. Palma e sapateado seguem, em verdade, cada verso do nosso cateretê. A dança acaba e deixa na gente saudade Dá dó até de ver o dia amanhecer! Com afeto, Oneyda
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