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Transmídia | Mediando leituras

Podcast criado como projeto de conclusão da formação "Como formar leitores ", da Árvore Educação.Episódio 1: Introdução (4 áudios)Episódio 2: Leitores multiletrados e a BNCC (2 áudios)Episódio 3: O papel da escola na formação de leitores multiletrados (1 áudio)Episódio 4: Descrição da atividade desenvolvida (2 áudios)Episódio 5: Transmidiação do e-book "Mário e Oneyda: amizade mineira em versos" para o formato podcast (16 áudios)

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  1. 25

    Epis1_Cn04

    Vânia fala sobre sua aprendizagem de leitura

  2. 24

    Epis1_Cn03

    Vânia fala da sua história como aprendiz

  3. 23

    Epis1_Cn02

    Apresentação pessoal - Vânia Alves

  4. 22

    Epis5_Cn01

    Apresentação do livro "Mário e Oneyda: amizade mineira em versos", na versão podcast.

  5. 21

    Epis2_Cn02

    O que leitura, o que é leitor na BNCC? Esse conceito de leitor multiletrado te ajuda a entender a BNCC, está alinhado com ela? Como?

  6. 20

    Epis2_Cn01

    O que é formar um leitor multiletrado?

  7. 19

    Epis3_Cn01

    O papel da escola na formação de leitores multiletrados

  8. 18

    Epis4_Cn02

    Descrição da atividade que escolhi pra trabalhar os multiletramentos

  9. 17

    Epis4_Cn01

    Qual o projeto de leitura que eu acredito que forme leitores críticos, éticos e responsáveis?

  10. 16

    Epis1_Cn01

    Introdução ao Projeto

  11. 15

    Epis5_Cn16

    Posfácio e Referências(Foto: Colagem em papel. Autoria: Vânia Alves)Em 2015, a Biblioteca Mário de Andrade - segunda maiorbiblioteca pública do Brasil e uma das quinze maiores domundo - celebrou seus 90 anos de existência e os 70 anos do falecimento do patrono Mário de Andrade, primeiro diretor do Departamento de Cultura de São Paulo. Como parte das comemorações, a Prefeitura de São Paulo, por intermédio da Biblioteca Mário de Andrade, da Secretaria Municipal de Cultura, promoveu o Edital de Concurso para a Seleção de Projetos de Artes, com o propósito de fomentar a cultura jovem paulista e lançar um olhar contemporâneo sobre a relação artística entre São Paulo e Minas Gerais.Mário & Oneyda – Amizade Mineira em Versos é vencedor do referido concurso, na modalidade: literatura - livro de poesias.Referências consultadas:1. SOFTWARE CELTIX. Disponível em:<https://www.celtx.com/a/ux>. Acesso em 28 mai. 2020.2. CINEFEST GATO PRETO. Gato Lab juntou ideias de toda aregião. Disponível em:<https://www.cinefestgatopreto.com.br/single-post/2019/10/24/Gato-Lab-juntou-ideias-de-toda-aregi%C3%A3o>. Acesso em 28 mai. 2020.3. SOFTWARE CASTBOX. Disponível em: <https://castbox.fm/>.Acesso em 28 mai. 2020.4. YOUTUBE. Disponível em: <https://www.youtube.com/about/>.Acesso em 28 mai. 2020.5. FECHINE, Y; MOREIRA, D. G. Dispositivo midiático departicipação nas interações transmídias: explorando oconceito a partir das ações da Rede Globo no seriadoMalhação. Galaxia, n. 32, p. 26-37, 2016.<http://dx.doi.org/10.1590/1982-25542016223618>6. ÁRVORE DE LIVROS. Como mediar a leitura literária por meiodas plataformas digitais com Cléo Bussato. Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=O3ImNRynfFs>. Acesso em 28mai. 2020.7. WIKIPEDIA. Nova escola. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Escola>. Acesso em 28mai. 2020.8. VASCONCELOS, José Mauro de. Meu pé de laranja lima. 2 ed.Melhoramentos, 1975.Árvore Edu16.9. BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Base Nacional ComumCurricular. Disponível em:<http://basenacionalcomum.mec.gov.br/>. Acesso em 29 mai.2020.10. SAWAYA, N. The Art of the Brick. Disponível em:<https://aotbmanchester.co.uk/>. Acesso em 29 mai. 2020.11. WIKIPEDIA. Demócrito. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Dem%C3%B3crito>. Acesso em 30mai. 2020.12. WIKIPEDIA. AI-5. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_Institucional_n.%C2%BA_5>.Acesso em 30 mai. 2020.13. ALVES, Vânia de Oliveira. Mário & Oneyda: amizade mineiraem versos. Ouro Preto, 2015.14. ANDRADE, Mário de. Cartas: Mário de Andrade e OneydaAlvarenga. Organização: Oneyda Alvarenga. São Paulo: DuasCidades, 1983.

  12. 14

    Epis5_Cn15

    Final - Quinta carta de Oneyda (sem resposta)(Foto de artesanato em pedra-sabão. Ouro Preto, MG. Autoria: Vânia Alves)Ouro Preto, 7 - VIII - 1924.Seu Mário,À terra que nos apresentoutambém eu volto agorapra conhecer outras duas artistas:Tibães é ouro-pretanae Freixo, de Mariana.Ambas por adoção.A primeira é artesã.A segunda, organista.Tibães traça, como costume.pássaros e flores na folha.E na pedra sabão, vê entalhesimaginados a seu bel-prazer,e os detalhes que a esculturaterá assim que o cinzel,peça dura em pedra mole,fizer o seu papel.O betume então recobriráa bruta pedra-sabão(para uns esteatita)que vem lá de Santa Rita,um distrito ouro-pretano.O saber de Tibães tá na rualivre, para qualquer um verno Largo de São Francisco.Tibães usa o ferramentalque Aleijadinho utilizounas rebuscadas igrejasem que Tibães nunca entrou.Aleijadinho é um grande artista!- Tibães me diz.O dia a dia tira de vistaque ele também era humano:Mesmas pedras e instrumentos.Mesma sina aprendidacom seu pai, entalhador.Sigo agora até Marianaconhecer mais outra artistaouvir a doce musicista- talento de cair o queixo...Um abraço muito afetuoso,Oneyda

  13. 13

    Epis5_Cn14

    Abertura da quinta troca de cartas(Foto do trecho da estrada de ferro entre Ouro Preto eMariana, MG. Autoria: Vânia Alves)Ouro Preto, 11 - VI - 1924.Cara Oneida,Tenho muito a lhe contardesta outra Minas Geraisque venho agora visitar.Ao tomar a decisãonão podia imaginaro quanto Ouro Preto e Marianaviriam a me ensinar.Siga sempre a intuição!Esse passo eu não dariasem perceber cá em Minasa inspiração da brasilidadeno legado de suas Artes:1919 em mim ficará marcado!Tenho trinta anos, você doze,treze em breve a completar.não despreze o que competenão só a memória preservarCrês em amor à primeira vista?Pois bem, essa conquistafoi imediata e não premeditada:a estética simbolistae o modernismo nascentecaminhando de mãos dadas!O cenário religioso e barrocoda histórica Marianacom certeza favoreceuo talento que emanaem mim, Mário,e nele, o “Solitário”Alphonsus de Guimaraens- poeta simbolista,quieto e recolhido artista.De Aleijadinho tomei notasque ainda um dia vou publicarAntonio Francisco Lisboagenial artista brasileiro- em toda a eficácia do termo.Sua obra sintetizasem restringir, é verdadea aclamada brasilidade.O traçado mineiro,e o estilo inovadorno teor de suas concepções,rompiam pouco a poucocom a estética lusitanaem fins do século dezoito.Eis o quê de brasileiroque eu tanto queria encontrar!Abraço.Mário.

  14. 12

    Epis5_Cn13

    Quarta carta do Mário(Foto: Colagem em papel. Autoria: Vânia Alves)São Paulo, 18 - IV - 1922.Querida OneidaMe aguçou a curiosidadeem conhecer as igrejas da sua terraEm São Paulo a tarefa é árduapois capelas, casas andam em ruínaso que me deixa profundamente incomodadoAproveito meus fins de semanajunto a amigos, catalogandoessas heroicas sobreviventes restantesna paulistana cidade se modernizando.É trabalho sem recompensa visívelsenão o gosto pelas grandezas de outrora;muitas vezes chegamos atrasadoso trator e o machado vigoram.Lembre-se, pode parecer estranhaa expressão que hoje registro nessa cartaespeculação imobiliária existee cedo ou tarde, chegará a sua pátriaAbraço.Mário.

  15. 11

    Epis5_Cn12

    Quarta carta de Oneyda (Foto: Colagem em papel. Autoria: Vânia Alves)Varginha, 1 - III - 1922.Seu MárioNão sabia que pras banda de São Paulotinha dança boa assim de se esbaldar!São Paulo, dizem todos, é bem grande;nela Varginha se inspirar... devia deAqui no domingo vamos todos pra igrejamatriz do Divino Espírito Santo.Capelinha de beira de estrada,ao seu redor fizeram moradaos pioneiros da minha Varginha.Contam que foi demolidae em dez anos reconstruída.- Pombo, mensageiro de Oxalá.Sincretismo religioso.[E derrubada, e reconstruída,que é pra cidade se transformar]São Sebastião era louvadopelos trabalhadores das minas- os primeiros mineiros -e por fazendeiros da região.Com apoio do Cel. Carvalhoe muito trabalho dos demais fiéisfoi erigida a Igreja do Martir Santo- a Oxossi.Sincretismo religioso.Também temos Igreja do Rosáriotal qual visitei em Ouro Preto:construída por escravoscom verba de Antônio Teixeira,e frequentada por escravos.À Maria, foi primeira.- Ou dedicada a Inaê? Oxum?Sincretismo religioso.[E derrubada, e reconstruída,que é pra cidade se transformar]

  16. 10

    Epis5_Cn11

    Abertura da quarta troca de cartas (Foto: Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos HomensPretos. Ouro Preto, MG. Autoria: Vânia Alves)LarghissimoO resgateo combateGraveas lembrançasas imagensas lágrimaso olharLentocicatrizaçãojulgamentoreparaçãoLargolamaextermíniogeneralizadoAdagiosolidariedadecompaixãoMarcia ModeratoperegrinaçãoperambulaçãoAllegro...

  17. 9

    Epis5_Cn10

    Terceira carta do Mário(Foto: Colagem em papel. Autoria: Vânia Alves)São Paulo, 18 - I - 1922.Querida Oneida,Oi minha pequena OneidaSaiba que sua cartinha foi relidaaos amigos, que ficaram admirados.Como pode uma menina tão polidatrazer-nos relatos tão detalhados!Crês que conheço uma dança parecidaque costumam chamar de recortado?É muito em voga No Brasil central,e como traz deste cateretê inspiração!Os dançadores, cavalheiros e damas,em filas e rodas, revezam de posição.Umbigadas pra direita e pra esquerda,cruzam os passos, batem na palma da mão.Também cá em São Paulo, minha terra,há animadas danças cotidianas!Bem perto da Lopes Chaves, noite aforacresce o samba no Largo da Banana,fomentado por negros, tarefeirosda Estrada de Ferro Sorocabana.No Largo circulam não só cargas,mas elementos da cultura urbanamisturados às tradições rurais.Este samba, não sei se já conheces,é como amálgama de danças regionais:remete ao jongo, lundu, capoeirae mesmo ao seu cateretê das Gerais.Os negros que trabalham neste Largo,sob o jugo desta imensa exploração,cumprem diariamente esse encargo:ensacar e carregar; e mesmodoídas as costas, pernas, braços,desafiam a divisão “trabalho-vida”,tornam um pouco menos dura a própria lidacom samba, roda, cachaça e quentão.Amo tanto este chão ao qual pertenço!A ele chamo pátria, e quão profundagratidão à Barra Funda eu dispenso!Pátria burguesa, e sua vulgar definição,maquiada com noção sentimental,em geral põe o indivíduo em servidãosem tomá-lo como parte essencial.A mim, pátria é onde sinto, onde piso,onde existo de maneira integralonde como, durmo, sofro e realizo,onde sou útil de maneira sem igual.Ó cabeça, na Lopes tens seu repousomesmo após a minha morte - e tenho dito!Mas é no Largo, tão alegre, que ousoensaiar latentes passos, meio aflito,embalado no batuque majestosodesse samba aqui nascente, tão bendito!Ciao.Mário.

  18. 8

    Epis5_Cn09

    Terceira carta de Oneyda(Foto: Colagem em papel. Autoria: Vânia Alves)Varginha, 7 - XII - 1921.Seu Mário,De Varginha, descrevo a cantoriade anteontem na Liga dos Operário.Seu Alfredo, fundador, quem me dizia:Dança, dança até se esquecer dos horário!As negras Felisbina e Ordáliabem cedinho apresentaram lundu.Tonho Venâncio, Zé Fabiano e as violavieram juntos direto de Itanhandu.No pescoço usavam lenço , vermeioc’ as pontas unida num anel dourado.Dente de ouro; cabelo ensebadoque é costume, dividido bem no meio.É viola de com muita alma! queluzSeu Zico não deixa de nos lembrar:riga, cortado em lua minguante Pin’dee no mês sem “R” que é pra num . encaruncháA moda à noite foi a do cateretê,que carece dum terno de dançador:cavalheiro dum lado, dama d’outro;em duas fila, vis-a-vis, a se compor.Os violeiro se coloca lá na ponta:costuma ter um cantador e um ajudante.No olhar eles se acerta qual a modae inicia a toada contagiante.Das viola nunca falta um preludinho,que é pra todo recinto emocionar!Por ora, fica os dançador quietinho,até o cantador principiar.Finalmente eles inicia com os verso,cantados só pelos dois violeiro.O corpo dos dançador, dum ladopro’outro, balança num gostoso meneio.Valseado vai bonito até a alma!O canto para, os dançador segue a violaritmando na palma e sapateado.Canto e dança seguem, em revezado.Até que Tonho, cantador, puxa a roda,e os dançador tornam a pular!Depois voltam todos para seus lugares,a retomar as palmas e o sapatear.Palma e sapateado seguem, em verdade,cada verso do nosso cateretê.A dança acaba e deixa na gente saudadeDá dó até de ver o dia amanhecer!Com afeto,Oneyda

  19. 7

    Epis5_Cn08

    Abertura da terceira troca de cartas(Foto: Parque das Andorinhas. Ouro Preto, MG. Autoria:Vânia Alves)Tarde de carnaval.Braço dado ladeira abaixo.Avisto. Invisto. Aprendiz.Fez-se bela anfitriãdo jovem arlequimde braços fortes, cachos negros.Fez-se bela anfitriãdo boêmio pintor do arredor.Traços fortes, multicor.Fez-se bela anfitriãdeste velho escritor...Pernas fracas... Cabelos gris...Bela anfitriãdessa vida sem sentido,que precisa ser sentida.- Mas precisa ser assim tão sentida,anfitriã, minha vida?- Anfitriã de mim, me invadesua presença enquanto ausência...- Essa presença dos ausentesvocê chamava de saudade.

  20. 6

    Epis5_Cn07

    Segunda carta de Mário(Foto: Colagem em papel. Autoria: Vânia Alves)São Paulo, 23 - VI - 1920.Querida Oneida,A europeização das cidadessegue passos impressionantes!Mas minha cara, tem surgidoalgumas vozes dissonantes.Uma delas, de destaqueé a do luso-brasileirode nome Ricardo Severo,um erudito engenheiro.Ouvi dele a conferência“A Arte Tradicional Brasileira”propondo a observaçãoda arquitetura costumeira;a busca pelas raízes,as variadas matizesformadoras do paíse que em Minas vejo integradas.Esse viés nacionalistame causou entusiasmo!Vim sedento a Ouro Pretoquerendo me aprofundarnas construções religiosas:as linhas curvas equilibradas,duma pureza tão sossegada,que parecem feitas pra acarinhar...Não sou arquiteto, minha carae isto você pode estranhar;por que agora o interesse,em casarão, capela e altar?Deve ser porque minha mentesempre há de transportaras noções vindas da músicapara esse mundo interpretar.Muito carinhosamente,Seu Mário.

  21. 5

    Epis5_Cn06

    Segunda carta de Oneyda(Foto: Colagem  em papel. Autoria: Vânia Alves)Varginha, 15-V-1920.Seu Mário,Vou agora minha terra apresentar:Varginha fica bem no sul de MinasCom trem de ferro é facinho de chegar!Aliás, a cidade tá em festa:Faz trinta anos que o trem veio pra cáHoje tem banda, fogos, folia à beçapro povo da região comemorar.Minha pequena Varginhaaos poucos ganha renome:multiplicam-se aos montescasinhas, praças, ruas mil...Há pouco chegou telefoneFoi inaugurado o teatro,o clube de futebol,o Banco Hypotecárioe o Banco do Brasil.- É o advento do café!dizem os fazendeirosfocados na exportação.- É o auge da nossa cidade,criada em 1882!Nem lembram que essa Varginhajá fora a Catanduva,que é mato espinhoso e rasteirono tupi dos cataguás.Não existem mais espinhos,nem mato - alto ou rasteiro.Em todo lado se olhao florescer dos cafeeiros.Café, de trem vai aos portos,e destes, vão de naviopra lugares bem distantes.Dos cataguás, o legadoé a própria terra que o povodizimado habitou bem antes.Com afeto,Oneyda.

  22. 4

    Epis5_Cn05

    Abertura da segunda troca de cartas(Foto da Fachada da Igreja do Carmo, em Ouro Preto, MG. Autoria: Vânia Alves)Cheguei na igreja,na casa de oração.Vim deixar minha intenção.Mas carecia de ingresso.Aqui, e lá, e na de acolá.Deixei na porta, escondida,Meu pedido de partidaparede cheia de anjo: pras que eles desse meu recadodos pecado que confesso e deste de agora (ainda me vingo!)- aqui eu não regresso,aqui só sou bem-vindona tal missa de domingo.

  23. 3

    Epis5_Cn04

    Primeira carta de Mário(Foto: Colagem em papel. Autoria: Vânia Alves)Ouro Preto, 5-IV-1919.Querida Oneida,Português certo é o presentena língua corrente, na falaque eu entendo e você entende.Por que querer que me expresseescravo à gramática lusa,que acusa "erros brasileiros"e defende termos, confesse,que hoje ninguém mais usa?A realidade brasileiracarecia duma primeirarevisita à própria língua.De modo que, na verdade,retratasse, com naturalidade,a identidade do povo à míngua,tornando-se um instrumentodeixando de ser como grades.A oralidade é a marcade tradições tão bonitas,das culturas não escritasque nossa nação abarca:indígenas, africanas.Experiências... Sabedorias...Narrações e memóriasque a escrita ainda não ensina.Fiquei contente com seu relato,e com toda esta coragemfato raro em sua idade.E menina, sem bobagem,não se acanhe ao se expressar!Tratei de logo enviar resposta;enderecei como me pediu,espero que chegue já!Muito carinhosamente,Seu Mário.

  24. 2

    Epis5_Cn03

    Primeira carta de Oneyda:(Foto: Colagem em papel. Autoria: Vânia Alves)Ouro Preto, 1-IV-1919.Seu Mário,Sou Oneyda, de Varginha.Oito anos a completar![Mal aguardo o calendário!]Como a data da partidanão tarda a se aproximarEscrevi essa cartinhaQue é pra mor de demonstrarminha admiração, Seu Mário!O pouso de Ouro Pretome hospedou nessa cidadee abrigou o moço eleganteque instigou curiosidade.Mostrava-se muito corretoe tocava piano com serenidade.O nome do paulista galante- me disseram - é Mário de Andrade.O endereço pra respostadeixo a siguir, em registro.Em Varginha farei apostade que sua amizade conquisto.Mande entregar a cartinhadepois do grande cafezal;os pés de milho e de canaindicarão o meu quintal.Só não repare no jeitode eu me expressar por escritocomo é dito pelo sujeito aquem o Brasil é terra natal.Si acaso tiver defeitoeu mando o escrito refeitopra mor de fazer bonitopro sinhor que é da capital.Com carinho,Oneyda

  25. 1

    Epis5_Cn02

    Abertura da primeira troca de cartas(Foto: Vista de Ouro Preto, MG. Ao fundo, Pico do Itacolomi. Autoria: Vânia Alves)[Ouro Preto tem séde e outros treze distritos]A acolhe a séde sêdedos que descem, afobados,mais de trezentos degrausdesse tal Morro da Queimada,sob o sol ou o chuvisco,pra vender arte afamadano Largo de São Francisco.[Ouro Preto tem séde e outros tantos conflitos]A ainda traz a séde sêdedos que não puderam descer.Violento dia, 1720:seiscentos graus atingiamo agora Morro da Queimada.Labaredas, sem requinte.Comunidade incendiada.[Revolta de Felipe dos Santos. E de todos os santos.]

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