Episode 7 - Rock gótico (ou dark, como se falava nos anos 80) episode artwork

EPISODE · Nov 10, 2012 · 25 MIN

Episode 7 - Rock gótico (ou dark, como se falava nos anos 80)

from Jardim Eclético · host Tarcísio Rodrigues

Teve uma fase do rock nos anos 80 que foi conhecida como do rock gótico. Aqui no Brasil foi chamado de “DARK", nome que englobava tudo, desde quem andava de preto até aquelas músicas pós-punk bem tristonhas e melancólicas mas de postura mais agressiva. Para ser dark era só andar com roupas pretas e aquele cabelão despenteado à la Robert Smith do The Cure. Vamos viajar um pouco por essa época onde a ausência de cores e o inconformismo vinham da desconfiança no futuro, graças ao período nuclear da guerra fria, da cortina de ferro, e de crise econômica. O Bauhaus é considerada a banda pioneira do estilo. A música dos The Cure tem sido categorizada como rock gótico. Outra banda deprê da época foi Killing Joke. Temos os reis do dark o Sisters of Mercy E a rainha da escuridão Siouxsie e os seus The Banshees. Um programa muito negro para vocês! Bauhaus - Rosegarden funeral of sores The Cure - Shake dog shake Killing Joke - darkness before dawn Sisters of Mercy - Black Planet Siouxsie and the Banshees - Into the light E para contiuarmos no clima dark, na sequência vocês podem ler um poema do grande escritor americano do século XIX, Edgar Allan Poe. O CORVO (Edgar Allan Poe) Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste, Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais, E já quase adormecia, ouvi o que parecia O som de alguém que batia levemente a meus umbrais «Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais. É só isso e nada mais.» Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro, E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais. Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais — Essa cujo nome sabem as hostes celestiais, Mas sem nome aqui jamais! Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais! Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo, «É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais; Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais. É só isso e nada mais». E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante, «Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais; Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo, Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais, Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais. Noite, noite e nada mais. A treva enorme fitando, fiquei perdido receando, Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais. Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita, E a única palavra dita foi um nome cheio de ais — Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais. Isto só e nada mais. Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo, Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais. «Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela. Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.» Meu coração se distraía pesquisando estes sinais. «É o vento, e nada mais.» Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça, Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento, Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais, Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais. Foi, pousou, e nada mais. E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura Com o solene decoro de seus ares rituais. «Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado, Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais! Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.» Disse-me o corvo, «Nunca mais». Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro, Inda que pouco sentido tivessem palavras tais. Mas deve ser concedido que ninguém terá havido Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais, Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais, Com o nome «Nunca mais». Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto, Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais. Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais». Disse o corvo, «Nunca mais». A alma súbito movida por frase tão bem cabida, «Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais. Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais, E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais Era este «Nunca mais». Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura, Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais; E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais, Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais, Com aquele «Nunca mais». Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo À ave que na minha alma cravava os olhos fatais, Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais, Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais, Reclinar-se-á nunca mais! Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais. «Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais, O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!» Disse o corvo, «Nunca mais». «Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta! Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais, Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais, Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!» Disse o corvo, «Nunca mais». «Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!, eu disse. «Parte! Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais! Não deixes pena que ateste a mentira que disseste! Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!» Disse o corvo, «Nunca mais». E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais. Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha, E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais, E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais, Libertar-se-á... nunca mais!

Teve uma fase do rock nos anos 80 que foi conhecida como do rock gótico. Aqui no Brasil foi chamado de “DARK", nome que englobava tudo, desde quem andava de preto até aquelas músicas pós-punk bem tristonhas e melancólicas mas de postura mais agressiva. Para ser dark era só andar com roupas pretas e aquele cabelão despenteado à la Robert Smith do The Cure. Vamos viajar um pouco por essa época onde a ausência de cores e o inconformismo vinham da desconfiança no futuro, graças ao período nuclear da guerra fria, da cortina de ferro, e de crise econômica. O Bauhaus é considerada a banda pioneira do estilo. A música dos The Cure tem sido categorizada como rock gótico. Outra banda deprê da época foi Killing Joke. Temos os reis do dark o Sisters of Mercy E a rainha da escuridão Siouxsie e os seus The Banshees. Um programa muito negro para vocês! Bauhaus - Rosegarden funeral of sores The Cure - Shake dog shake Killing Joke - darkness before dawn Sisters of Mercy - Black Planet Siouxsie and the Banshees - Into the light E para contiuarmos no clima dark, na sequência vocês podem ler um poema do grande escritor americano do século XIX, Edgar Allan Poe. O CORVO (Edgar Allan Poe) Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste, Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais, E já quase adormecia, ouvi o que parecia O som de alguém que batia levemente a meus umbrais «Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais. É só isso e nada mais.» Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro, E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais. Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais — Essa cujo nome sabem as hostes celestiais, Mas sem nome aqui jamais! Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais! Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo, «É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais; Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais. É só isso e nada mais». E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante, «Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais; Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo, Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais, Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais. Noite, noite e nada mais. A treva enorme fitando, fiquei perdido receando, Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais. Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita, E a única palavra dita foi um nome cheio de ais — Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais. Isto só e nada mais. Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo, Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais. «Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela. Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.» Meu coração se distraía pesquisando estes sinais. «É o vento, e nada mais.» Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça, Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais. Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento, Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais, Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais. Foi, pousou, e nada mais. E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura Com o solene decoro de seus ares rituais. «Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado, Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais! Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.» Disse-me o corvo, «Nunca mais». Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro, Inda que pouco sentido tivessem palavras tais. Mas deve ser concedido que ninguém terá havido Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais, Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais, Com o nome «Nunca mais». Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto, Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais. Nem mais voz nem m(continued)

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CutiaCast Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG Conteúdo em áudio produzido pelo Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG.Para mais informações sobre o Museu, visite nosso site: https://www.ufmg.br/mhnjb/ The Period Party Nicole Jardim The Period Party, hosted by Nicole Jardim, is what happens when you get the world's leading women’s health experts unscripted, uncensored, and on the air. Think of it as girl talk gone menstrual! Coletivo Perifatividade Coletivo Perifatividade O Coletivo Perifatividade é um grupo de poetas, educadores, produtores culturais, músicos oriundos da região do Fundão do Ipiranga, especialmente dos bairros que o compõe: (Jardim Clímax, Parque Bristol, Jardim São Savério, Jardim Maristela, Boqueirão, Heliópolis, entre outros). O Coletivo está atuante desde 2008, pois o mesmo descende dos fundadores do Núcleo Poder e Revolução que exercia suas atividades no Maloca Espaço Cultural, mas a primeira atividade como Coletivo atual foi em 2010, no CEU Parque Bristol. Desde então, passaram as atividades no Jardim Clímax (Bar da Dona Maria), até se estabelecer no reduto boêmio e cultural atual, o Bar do Boné, na Vila das Mercês. Além deste Sarau, realizam os encontros no CEU Parque Bristol, nas favelas dos bairros do fundão, escolas, Medidas Sócio Educativa, (MSE’s), abrigos e qualquer outro lugar onde possamos conhecer e interagir com a música, a reflexão e o incentivo à leitura e criação literária. Sereno - Meditação e Relaxamento Globoplay “Sereno” é um podcast que oferece ao ouvinte momentos agradáveis e relaxantes através de uma narrativa imersiva e sensorial que o leva gentilmente a um mundo de sons belos, reconfortantes e apaziguadores.Numa época marcada pela velocidade e por uma realidade muitas vezes conflituosa, iremos pegar o público pela mão, ou melhor, pelos ouvidos, e fazê-lo acessar o prazer da escuta e da disposição contemplativa. Alguns episódios terão um caráter mais onírico, outros serão calcados em experiências sonoras mais concretas, porém muito especiais.Faremos passeios por locais agradáveis e inspiradores, como cachoeiras e fervedores no Jalapão, dunas e lagoas nos Lençóis Maranhenses e florestas alagadas em Alter do Chão. Visitaremos um jardim impressionista inspirado nos iluminados jardins pintados por Claude Monet.. E que tal escutar a chuva chegando numa confortável cabana na árvore e ouvir, de camarote, os inúmeros sons da floresta da Serra da Bocaina?Fernando Pessoa escreve

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This episode is 25 minutes long.

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This episode was published on November 10, 2012.

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Teve uma fase do rock nos anos 80 que foi conhecida como do rock gótico. Aqui no Brasil foi chamado de “DARK", nome que englobava tudo, desde quem andava de preto até aquelas músicas pós-punk bem tristonhas e melancólicas mas de postura mais...

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