Hannah Arendt episode artwork

EPISODE · Oct 24, 2018 · 54 MIN

Hannah Arendt

from Estado da Arte

Ante categorias políticas tradicionais como “conservadorismo”, “liberalismo” ou “socialismo”, o pensamento de Hannah Arendt é elusivo, mesmo desorientador. Mas o que sugere uma mente paradoxal, talvez seja mera coerência, já que para Arendt o pensamento deve nascer dos “incidentes da experiência viva”, e a sua foi atravessada pelos incidentes mais dramáticos de seu tempo: por quase 20 anos, desde que a ascensão nazista deu início à sua diáspora pessoal, foi apátrida, refugiando-se em Genebra e Paris, até receber a cidadania norte-americana. Da Primeira Guerra à Guerra Fria, ela viveu e pensou no coração das piores catástrofes do século XX, como testemunham os títulos de suas obras: As Origens dos Totalitarismo, Da Revolução, Da Violência. Mas após expor o mal em sua face mais monstruosa, Arendt também se inquietou com o seu caráter paradoxal em nosso tempo. Um de seus principais objetivos durante o pós-Guerra foi, nas suas palavras, “destruir a lenda da grandiosidade do mal, da força demoníaca; retirar das pessoas a grande admiração que têm por grandes malfeitores”. De fato, dizia ela, “o súdito ideal do governo totalitário não é o nazi convicto ou o comunista convicto, mas pessoas para quem a distinção entre fato e ficção (isto é, a realidade da experiência) e a distinção entre o verdadeiro e o falso (isto é, os padrões de pensamento) já não existem mais.” Personificado no medíocre mas consciencioso funcionário nazista Adolf Eichmann, esse diagnóstico deu origem à sua fórmula mais célebre e controversa: a “banalidade do mal.” Longe porém de estar restrita aos despotismos genocidas, algo dessa banalidade está impregnada no modo como concebemos a atividade humana na era da sociedade de massas. Para Arendt a vida ativa deve ser uma cooperação entre o nosso trabalho, pelo qual garantimos nossa subsistência material, as nossas obras, pelas quais criamos os objetos do mundo da cultura, e a nossa ação, pela qual, através do relacionamento e do diálogo interpessoal, construímos uma sociedade plural e solidária. Mas Arendt lamentava que a pressão da economia de mercado tenha invertido a hierarquia, impondo o predomínio da dimensão mais baixa: a do trabalho. Ante suas reflexões, somos tentados a parafrasear os versos de T.S. Eliot:  Onde está a ação que perdemos em nossa obra? Onde está a obra que perdemos em nosso trabalho? Convidados Celso Lafer: professor de Filosofia e Teoria Geral do Direito na Universidade de São Paulo e autor de A Reconstrução dos Direitos Humanos: um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. Cláudia Perrone-Moisés: professora de Direito Internacional da Universidade de São Paulo e coordenadora do Centro de Estudos Hannah Arendt. Eduardo Jardim: professor de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e autor de Hannah Arendt – pensadora da crise e de um novo início. O post Hannah Arendt apareceu primeiro em Estado da Arte.

Episode metadata supplied by the publisher feed · Published Oct 24, 2018

NOW PLAYING

Hannah Arendt

0:00 54:30

No transcript for this episode yet

We transcribe on demand. Request one and we'll notify you when it's ready — usually under 10 minutes.

Das denkt Deutschland – Über Meinung und Medien WELT Wie unterscheidet sich die Generation Z tatsächlich vom Rest der Bevölkerung? Wendet sich die Politik von den Menschen ab, oder die Menschen sich von der Politik? Und tickt die Bevölkerung in Ost- und Westdeutschland immer noch unterschiedlich?In "Das denkt Deutschland" sprechen Thorsten Thierhoff, Geschäftsführer des Meinungsforschungsinstitutes forsa, und WELT-Chefredakteur Ulf Poschardt jede Woche über das Auseinanderdriften von öffentlicher und veröffentlichter Meinung. Anhand von konkreten Themen und auf Basis von empirischen Befragungsdaten widmen sie sich in jeder Folge den aktuellen Debatten."Das denkt Deutschland - Über Meinung und Medien" erscheint jeden Mittwoch um 16 Uhr – überall da, wo es Podcast gibt und auf welt.de/dasdenktdeutschland. Ein Podcast von forsa und WELT. Alben für die Ewigkeit audiowest, Freddy Kappen, Stephan Kleiber, Dieter Kottnik Es gibt Alben, die sind etwas Besonderes. Da ist nicht einfach nur Musik drauf – sondern Musik, die bleiben wird. Vielleicht für immer. Es sind Alben, die die Geschichte der Rock- und Popmusik um entscheidende Entwicklungen bereichert haben. Die nicht nur Erfolg, sondern auch Wirkung haben. Und hier stellen wir sie vor.Bei uns könnt Ihr zeitlose Klassiker der Musikgeschichte kennenlernen. Oder sie noch einmal neu erleben und sozusagen ein zweites Mal kennenlernen. Ihr erfahrt die Geschichten, die hinter diesen Alben stecken: Wann und wo sind sie entstanden? Was lässt sie hervortreten aus der Menge? Warum sind sie so, wie sie sind? Und was ist das Besondere an ihnen? Und: Natürlich spielen wir auch Musik. Jede Menge sogar — denn darum geht‘s ja bei uns. Efecto Doppler RTVE Ciencia, arte, música, activismo, fotografía, ensayo y cultura pop. Desciframos la realidad y un mundo en cambio constante desde otras perspectivas. Be-Tales, un grande racconto sui Beatles Radio Beckwith Una canzone dei Beatles al giorno. Storie e approfondimenti sull'intramontabile parabola dei Fab Four. Scritto e condotto da Gigi Giancursi.

Frequently Asked Questions

How long is this episode of Estado da Arte?

This episode is 54 minutes long.

When was this Estado da Arte episode published?

This episode was published on October 24, 2018.

What is this episode about?

Ante categorias políticas tradicionais como “conservadorismo”, “liberalismo” ou “socialismo”, o pensamento de Hannah Arendt é elusivo, mesmo desorientador. Mas o que sugere uma mente paradoxal, talvez seja mera coerência, já que para...

Can I download this Estado da Arte episode?

Yes, you can download this episode by clicking the download button on the episode player, or subscribe to the podcast in your preferred podcast app for automatic downloads.
URL copied to clipboard!