LUSOFONIAS - Angola, 50 anos de luzes e sombras episode artwork

EPISODE · Jul 23, 2025 · 4 MIN

LUSOFONIAS - Angola, 50 anos de luzes e sombras

from Agência ECCLESIA · host Agência ECCLESIA

Tony Neves, em RomaHuambo, 21 de janeiro de 2025. No fim de uma sessão no Instituto Católico (ISPOCAB), abriu-se o espaço de debate. Um missionário ancião, latino-americano, disparou-me esta pergunta: ’50 anos depois, o que pensa da independência de Angola?’. A minha resposta foi clara: ‘a independência é um direito dos povos, só posso alegrar-me e felicitar os angolanos por serem independentes’. Pouco satisfeito com a resposta, avançou com outra: ‘E como português, como vê a independência de Angola?’. Eu brinquei um pouco, agradeci a ‘armadilha’ e reafirmei: ‘como português, como padre, como cidadão do mundo, só me posso alegrar e associar à festa!’. As centenas de pessoas que enchiam o auditório brindaram-me com uma prolongada e animada salva de palmas, mas eu não disse o que disse com o objetivo de agradar. Penso mesmo que todas as independências são um direito inalienável e celebrar 50 anos de uma independência deve ser motivo de muita festa. Mas também há que avaliar.Começo assim esta crónica para saudar a feliz iniciativa da Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé (CEAST) de escrever e publicar, a 17 de julho, uma longa e bem trabalhada mensagem para celebrar os 50 anos da independência deste país lusófono. Tem sido muito citada, ora para apoiar ora para contestar algumas das perspetivas ali gravadas. Com 48 densos pontos, acho o esquema feliz e provocador. Começa por referir todos os ganhos de uma vitória frente ao colonialismo. E, depois de deixarem claro que a independência é uma graça a celebrar, os Bispos têm a coragem de pôr o dedos em algumas das feridas abertas e ainda não cicatrizadas. Falar de ‘imperativos para mudança’ é assumir a missão profética de corrigir erros e propor caminhos de futuro assentes nos valores que constroem um país com cidadãos livres, responsáveis e comprometidos. A parte final consta de dez apelos, todos a apontar para um futuro de justiça, paz, democracia e respeito pelos direitos humanos. São interessantes e desafiantes as comparações entre colonialismo e neocolonialismos, as citações das intervenções dos Papas João Paulo II e Bento XVI em Angola, a ligação ao Jubileu da Igreja e seus valores, bem como as referências a algumas das mensagens mais marcantes da CEAST ao longo destas últimas cinco décadas de Angola.

Tony Neves, em RomaHuambo, 21 de janeiro de 2025. No fim de uma sessão no Instituto Católico (ISPOCAB), abriu-se o espaço de debate. Um missionário ancião, latino-americano, disparou-me esta pergunta: ’50 anos depois, o que pensa da independência de Angola?’. A minha resposta foi clara: ‘a independência é um direito dos povos, só posso alegrar-me e felicitar os angolanos por serem independentes’. Pouco satisfeito com a resposta, avançou com outra: ‘E como português, como vê a independência de Angola?’. Eu brinquei um pouco, agradeci a ‘armadilha’ e reafirmei: ‘como português, como padre, como cidadão do mundo, só me posso alegrar e associar à festa!’. As centenas de pessoas que enchiam o auditório brindaram-me com uma prolongada e animada salva de palmas, mas eu não disse o que disse com o objetivo de agradar. Penso mesmo que todas as independências são um direito inalienável e celebrar 50 anos de uma independência deve ser motivo de muita festa. Mas também há que avaliar.Começo assim esta crónica para saudar a feliz iniciativa da Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé (CEAST) de escrever e publicar, a 17 de julho, uma longa e bem trabalhada mensagem para celebrar os 50 anos da independência deste país lusófono. Tem sido muito citada, ora para apoiar ora para contestar algumas das perspetivas ali gravadas. Com 48 densos pontos, acho o esquema feliz e provocador. Começa por referir todos os ganhos de uma vitória frente ao colonialismo. E, depois de deixarem claro que a independência é uma graça a celebrar, os Bispos têm a coragem de pôr o dedos em algumas das feridas abertas e ainda não cicatrizadas. Falar de ‘imperativos para mudança’ é assumir a missão profética de corrigir erros e propor caminhos de futuro assentes nos valores que constroem um país com cidadãos livres, responsáveis e comprometidos. A parte final consta de dez apelos, todos a apontar para um futuro de justiça, paz, democracia e respeito pelos direitos humanos. São interessantes e desafiantes as comparações entre colonialismo e neocolonialismos, as citações das intervenções dos Papas João Paulo II e Bento XVI em Angola, a ligação ao Jubileu da Igreja e seus valores, bem como as referências a algumas das mensagens mais marcantes da CEAST ao longo destas últimas cinco décadas de Angola.

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This episode was published on July 23, 2025.

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Tony Neves, em RomaHuambo, 21 de janeiro de 2025. No fim de uma sessão no Instituto Católico (ISPOCAB), abriu-se o espaço de debate. Um missionário ancião, latino-americano, disparou-me esta pergunta: ’50 anos depois, o que pensa da independência de...

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