EPISODE · Jan 17, 2023 · 4 MIN
LUSOFONIAS - As dez lições paraguaias
from Agência ECCLESIA · host Agência ECCLESIA
Deixei Asuncion e cheguei a Santa Cruz de la Sierra, o que quer dizer que saí do Paraguai e entrei na Bolívia. Na chegada à América Latina, ido de Roma, encontrei um povo sereno a viver tempos de calma, embora na estação muito quente. Mas encontrei a Bolívia a ferro e fogo, depois da prisão do Governador de Santa Cruz, acusado pelo Governo de golpista. Lá voltaremos outro dia. Agora queria fazer um balanço das três semanas paraguaias. A lição nº1 recebi-a do povo. Percorri o país, fazendo milhares de kms e sempre encontrei pessoas sorridentes e simpáticas, sempre prontas a ajudar e a facilitar a vida de quem é estrangeiro, não fala a língua, não conhece a cultura e está de passagem, como era o meu caso. A segunda lição entrou-me pelos olhos. O país é verde, por bênção de Deus mas também por opções políticas antigas. Desde há muito que é proibido abater árvores sem permissão e sem um compromisso na sua substituição. Encontramos estradas que têm enormes árvores no meio, porque não foi dada a autorização de corte. Mas – e é pena que apareçam mas! – vi hectares e hectares de desmatação feita para a criação intensiva de gado ou plantação de soja, numa aposta de monocultura que destrói as florestas e abre as portas às ‘fumigações’ contra pragas, matando muitas espécies e atacando a biodiversidade. Fiquei marcado pelo respeito que têm aos ‘país’, termo guarani que usam para falar do Padre. Onde quer que cheguemos e sejamos reconhecidos como padres, logo as pessoas juntam as mãos e pedem a bênção, antes de darem um grande abraço, saudação muito típica daqui, mesmo em tempos pós-covid. O povo afirma-se muito católico, tendo como centro de peregrinações, o Santuário da Virgem de Caacupé. Tony Neves
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Deixei Asuncion e cheguei a Santa Cruz de la Sierra, o que quer dizer que saí do Paraguai e entrei na Bolívia. Na chegada à América Latina, ido de Roma, encontrei um povo sereno a viver tempos de calma, embora na estação muito quente. Mas encontrei a Bolívia a ferro e fogo, depois da prisão do Governador de Santa Cruz, acusado pelo Governo de golpista. Lá voltaremos outro dia. Agora queria fazer um balanço das três semanas paraguaias. A lição nº1 recebi-a do povo. Percorri o país, fazendo milhares de kms e sempre encontrei pessoas sorridentes e simpáticas, sempre prontas a ajudar e a facilitar a vida de quem é estrangeiro, não fala a língua, não conhece a cultura e está de passagem, como era o meu caso. A segunda lição entrou-me pelos olhos. O país é verde, por bênção de Deus mas também por opções políticas antigas. Desde há muito que é proibido abater árvores sem permissão e sem um compromisso na sua substituição. Encontramos estradas que têm enormes árvores no meio, porque não foi dada a autorização de corte. Mas – e é pena que apareçam mas! – vi hectares e hectares de desmatação feita para a criação intensiva de gado ou plantação de soja, numa aposta de monocultura que destrói as florestas e abre as portas às ‘fumigações’ contra pragas, matando muitas espécies e atacando a biodiversidade. Fiquei marcado pelo respeito que têm aos ‘país’, termo guarani que usam para falar do Padre. Onde quer que cheguemos e sejamos reconhecidos como padres, logo as pessoas juntam as mãos e pedem a bênção, antes de darem um grande abraço, saudação muito típica daqui, mesmo em tempos pós-covid. O povo afirma-se muito católico, tendo como centro de peregrinações, o Santuário da Virgem de Caacupé. Tony Neves
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