EPISODE · Apr 24, 2023 · 4 MIN
LUSOFONIAS - As lições da velha e plural Córdova
from Agência ECCLESIA · host Agência ECCLESIA
Tony Neves, em Córdova A Espanha acolheu-me sem ‘olés’, mas eu também não sou homem de touradas! Fui recebido, como sempre, de braços abertos pelos Espiritanos que vivem e trabalham por estas terras. Constava na agenda, visitas às Comunidades e Centros de Animação Missionária de Córdova, Pedrezuela (Madrid), Roa (Burgos), Barcelona e, por fim, à Casa Provincial no centro de Madrid. Se à capital cheguei de avião, depois fiz sempre que possível opções mais ecológicas e económicas: comboio e autocarro. As belas e muito diferenciadas paisagens enchem os olhos de verde e de beleza ou, por vezes, de um castanho avermelhado a dizer que faltam chuvas e que as alterações climáticas estão a fazer das suas! Os telejornais que fui vendo, para me inteirar do que se passa aqui e no resto do mundo, falaram todos os dias da seca extrema que afecta boa parte do país, com consequências dramáticas para a agricultura que verá colheitas muito afectadas e os preços a disparar. A primeira paragem foi por terras de Andaluzia: Córdova. Tomei o primeiro banho de calor, depois do frio rapado na visita à França. Plantada desde tempos pré-românicos nas margens do Guadalquivir, atravessou diversas eras e, por estes caprichos da História, a cidade mostra o rosto de culturas muito fortes: visigótica, romana, árabe e europeia-cristã. Nada melhor que atravessar a ponte romana para, olhando na direção da cidade, ver o conjunto monumental que tem a Catedral-Mesquita como a construção que mais enche os olhos. Mas é ainda necessário percorrer as estreitas ruas da ‘casco histórico’ e ir até à ‘Plaza dela Corredera’ para ver a arquitectura da cidade e palpar o ritmo sempre muito vivo e acelerado dos milhares de turistas que invadem diariamente este centro. E, obviamente, é preciso guardar um tempo alargado para entrar na Catedral-Mesquita, o ex-libris de Córdova, Património da Humanidade. Tive direito a visita guiada. O P. Ramos André, pároco de duas comunidades da periferia – lá iremos também – mostrou-nos a Catedral-Mesquita. Somos esmagados pela opulência e pela beleza. A história fala alto: desde o séc. VI, havia ali uma basílica Visigótica dedicada a São Vicente. Depois, chegaram os muçulmanos e foi construída uma mesquita (786-788). Com o crescimento da cidade e da riqueza do califado, a mesquita andou de amplificação em amplificação até à versão final, em 991. A história conta depois que houve a reconquista cristã (1236) que fez a mesquita voltar a ser Igreja, embora conservando o esplendor da construção. Houve necessidade de construir espaços mais adequados ao culto católico até que a Catedral-Mesquita chegou ao que hoje podemos visitar, com uma mistura clara de elementos muçulmanos e cristãos. Todos os anos, esta cidade e este monumento são visitados por muitos milhões de pessoas, vindos do mundo inteiro à procura de mais de dois mil anos de uma fulgurante e criativa história, marcada por guerras e instabilidades, mas também por encontros e partilhas de culturas e povos. É claro que a gastronomia também traduz a alma deste povo andaluz e lá tive eu que me esforçar: um salmorejo (espécie de gaspacho), um flamequin cordovês (entrada com carne), um perol (arroz com marisco, uma versão local da paella)… Ficaram para a próxima o ‘rabo de touro’, com um ‘sol e sombra’ (brandy com anis) para ajudar a digestão!
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Tony Neves, em Córdova A Espanha acolheu-me sem ‘olés’, mas eu também não sou homem de touradas! Fui recebido, como sempre, de braços abertos pelos Espiritanos que vivem e trabalham por estas terras. Constava na agenda, visitas às Comunidades e Centros de Animação Missionária de Córdova, Pedrezuela (Madrid), Roa (Burgos), Barcelona e, por fim, à Casa Provincial no centro de Madrid. Se à capital cheguei de avião, depois fiz sempre que possível opções mais ecológicas e económicas: comboio e autocarro. As belas e muito diferenciadas paisagens enchem os olhos de verde e de beleza ou, por vezes, de um castanho avermelhado a dizer que faltam chuvas e que as alterações climáticas estão a fazer das suas! Os telejornais que fui vendo, para me inteirar do que se passa aqui e no resto do mundo, falaram todos os dias da seca extrema que afecta boa parte do país, com consequências dramáticas para a agricultura que verá colheitas muito afectadas e os preços a disparar. A primeira paragem foi por terras de Andaluzia: Córdova. Tomei o primeiro banho de calor, depois do frio rapado na visita à França. Plantada desde tempos pré-românicos nas margens do Guadalquivir, atravessou diversas eras e, por estes caprichos da História, a cidade mostra o rosto de culturas muito fortes: visigótica, romana, árabe e europeia-cristã. Nada melhor que atravessar a ponte romana para, olhando na direção da cidade, ver o conjunto monumental que tem a Catedral-Mesquita como a construção que mais enche os olhos. Mas é ainda necessário percorrer as estreitas ruas da ‘casco histórico’ e ir até à ‘Plaza dela Corredera’ para ver a arquitectura da cidade e palpar o ritmo sempre muito vivo e acelerado dos milhares de turistas que invadem diariamente este centro. E, obviamente, é preciso guardar um tempo alargado para entrar na Catedral-Mesquita, o ex-libris de Córdova, Património da Humanidade. Tive direito a visita guiada. O P. Ramos André, pároco de duas comunidades da periferia – lá iremos também – mostrou-nos a Catedral-Mesquita. Somos esmagados pela opulência e pela beleza. A história fala alto: desde o séc. VI, havia ali uma basílica Visigótica dedicada a São Vicente. Depois, chegaram os muçulmanos e foi construída uma mesquita (786-788). Com o crescimento da cidade e da riqueza do califado, a mesquita andou de amplificação em amplificação até à versão final, em 991. A história conta depois que houve a reconquista cristã (1236) que fez a mesquita voltar a ser Igreja, embora conservando o esplendor da construção. Houve necessidade de construir espaços mais adequados ao culto católico até que a Catedral-Mesquita chegou ao que hoje podemos visitar, com uma mistura clara de elementos muçulmanos e cristãos. Todos os anos, esta cidade e este monumento são visitados por muitos milhões de pessoas, vindos do mundo inteiro à procura de mais de dois mil anos de uma fulgurante e criativa história, marcada por guerras e instabilidades, mas também por encontros e partilhas de culturas e povos. É claro que a gastronomia também traduz a alma deste povo andaluz e lá tive eu que me esforçar: um salmorejo (espécie de gaspacho), um flamequin cordovês (entrada com carne), um perol (arroz com marisco, uma versão local da paella)… Ficaram para a próxima o ‘rabo de touro’, com um ‘sol e sombra’ (brandy com anis) para ajudar a digestão!
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