EPISODE · Jul 18, 2023 · 5 MIN
LUSOFONIAS - De Fonte Boa a Panauã e Aratizau
from Agência ECCLESIA · host Agência ECCLESIA
Tony Neves, em Fonte Boa O P. Samuel Fritz fundou Fonte Boa, nas margens do Rio Solimões, em 1679, numa terra de dez grupos indígenas diferentes. A cidade seria erigida em 1938 e a Paróquia, dedicada à Senhora de Guadalupe, em 1892. Os Espiritanos ali aportaram em 1898 e eu lá cheguei, de lancha, no passado 9 de Julho. Sim, há muitos meios de transportes nestes rios e igarapés amazónicos: catraia (táxi fluvial), baleeira, rabeta, barco recreio, lancha, voadeira, tronco, canoa, são alguns dos nomes que ouvi por cá, para todas as distâncias, tamanhos, qualidades, feitios, confortos, preços e velocidades. Estão preparados para cruzar estas imensidões de água a entrecortar a floresta. O município de Fonte Boa é enorme, com quase 12 mil kms 2 e confina com Uarini, Juruá, Jutaí, Tocantins, Japurá e Maraã. Nestas distâncias fluviais, tudo se mede em dias e horas de barco, mas eu simplifico: está a 1011 kms de barco de Manaus. Cheguei de noite e fui levado, aos saltos – tal o mau estado da estrada – do porto à Paróquia. Calor e chuvas torrenciais habitam juntos nesta terra e nesta estação do ano. Comecei por participar num grande encontro de jovens no Centro Cultural Taracuatiua. A minha visita coincidiu com uma missão liderada pela família Mercedária, de uma vintena de padres, irmãs, irmãos e leigos, a convite do P. Mário, o pároco. Fui dali com o P. Ambrose, espiritano nigeriano, rumo ao bairro periférico de Santo António, para a Eucaristia vespertina. No domingo, pude acompanhar o P. José Augusto, de Cabo Verde, à comunidade de S. Francisco. Ambas as comunidades estão na periferia de Fonte Boa. O momento mais emocionante vivi-o na visita missionária à Comunidade de Santa Maria – Água Branca, Rio Panauã. Foi toda a equipa missionária, uma trintena de pessoas. A viagem de barco durou 2 h de cortar a respiração. Começamos no grande Solimões e entramos para ‘furos’ (ou seja, atalhos) no meio de uma luxuriante floresta, onde o barco parava porque havia árvores enormes atravessadas, ou porque se duvidava da profundidade das águas, uma vez que a estação das chuvas acabou e a floresta, completamente alagada (cheia de gapós – áreas submersas), começa a ter terra firme. Os olhos ficam a vibrar com tanta beleza, mas os medos também imperam: vêem-se jacarés nas margens ou a mergulhar à nossa beira, cobras, macacos e preguiças nas árvores e todo o tipo de aves, desde garças a mergulhões.
What this episode covers
Tony Neves, em Fonte Boa O P. Samuel Fritz fundou Fonte Boa, nas margens do Rio Solimões, em 1679, numa terra de dez grupos indígenas diferentes. A cidade seria erigida em 1938 e a Paróquia, dedicada à Senhora de Guadalupe, em 1892. Os Espiritanos ali aportaram em 1898 e eu lá cheguei, de lancha, no passado 9 de Julho. Sim, há muitos meios de transportes nestes rios e igarapés amazónicos: catraia (táxi fluvial), baleeira, rabeta, barco recreio, lancha, voadeira, tronco, canoa, são alguns dos nomes que ouvi por cá, para todas as distâncias, tamanhos, qualidades, feitios, confortos, preços e velocidades. Estão preparados para cruzar estas imensidões de água a entrecortar a floresta. O município de Fonte Boa é enorme, com quase 12 mil kms 2 e confina com Uarini, Juruá, Jutaí, Tocantins, Japurá e Maraã. Nestas distâncias fluviais, tudo se mede em dias e horas de barco, mas eu simplifico: está a 1011 kms de barco de Manaus. Cheguei de noite e fui levado, aos saltos – tal o mau estado da estrada – do porto à Paróquia. Calor e chuvas torrenciais habitam juntos nesta terra e nesta estação do ano. Comecei por participar num grande encontro de jovens no Centro Cultural Taracuatiua. A minha visita coincidiu com uma missão liderada pela família Mercedária, de uma vintena de padres, irmãs, irmãos e leigos, a convite do P. Mário, o pároco. Fui dali com o P. Ambrose, espiritano nigeriano, rumo ao bairro periférico de Santo António, para a Eucaristia vespertina. No domingo, pude acompanhar o P. José Augusto, de Cabo Verde, à comunidade de S. Francisco. Ambas as comunidades estão na periferia de Fonte Boa. O momento mais emocionante vivi-o na visita missionária à Comunidade de Santa Maria – Água Branca, Rio Panauã. Foi toda a equipa missionária, uma trintena de pessoas. A viagem de barco durou 2 h de cortar a respiração. Começamos no grande Solimões e entramos para ‘furos’ (ou seja, atalhos) no meio de uma luxuriante floresta, onde o barco parava porque havia árvores enormes atravessadas, ou porque se duvidava da profundidade das águas, uma vez que a estação das chuvas acabou e a floresta, completamente alagada (cheia de gapós – áreas submersas), começa a ter terra firme. Os olhos ficam a vibrar com tanta beleza, mas os medos também imperam: vêem-se jacarés nas margens ou a mergulhar à nossa beira, cobras, macacos e preguiças nas árvores e todo o tipo de aves, desde garças a mergulhões.
NOW PLAYING
LUSOFONIAS - De Fonte Boa a Panauã e Aratizau
No transcript for this episode yet
Similar Episodes
Jun 26, 2026 ·36m
Jun 25, 2026 ·32m
Jun 25, 2026 ·67m
Jun 24, 2026 ·1m
Jun 24, 2026 ·1m
Jun 24, 2026 ·1m