EPISODE · Mar 6, 2023 · 5 MIN
LUSOFONIAS - Huambo, nunca mais a guerra!
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Tony Neves ‘06 de Março de 1993. Huambo. UNITA toma o Palácio. Paragem dos combates. Choveu’. Eis o cabeçalho da página do meu Diário de Guerra, faz hoje precisamente 30 anos. Foi o ponto final, desesperadamente esperado, dos combates que arrasaram durante 55 dias e 55 noites a cidade capital do planalto de Angola. Foi o primeiro dia do resto da vida dos sobreviventes de tão cruéis combates. Cito, pela primeira vez em 30 anos, alguns parágrafos do Diário: ‘Este dia, para nós, começou cedo: às 0h25 fomos acordados por ladrões que entraram pela horta, junto ao campo de jogos. Corremo-los à ‘garrafada’! Os migs hoje ultrapassaram todos os limites: vieram logo às 8h10, debaixo das nuvens e bombardearam a praça do Canhe, entre a Missão masculina e a feminina. Segundo a Irmã Oneide, das Servas do Espírito Santo, que levou ao Dispensário bastantes feridos, as bombas fizeram mais de cem mortos e muitíssimos feridos! Povo simples que comprava e vendia! Valha-nos Deus! Às 9h20 voltaram e largaram bombas perto daqui. Mas, pelas 15h25 largaram duas bombas de potência nunca antes experimentada: uma tonelada, dizem os entendidos. O cogumelo de fumo fez lembrar a bomba atómica. Uma das bombas caiu no bairro pobre das Cacilhas, deitando abaixo trinta casas de adobes, matando e ferindo centenas de pessoas...de povo simples e pobre que nada tem a ver com esta guerra! À noite, os aviões Kasa vieram semear pânico às 19h30 e às 20h25, lançando bombas sobre a cidade, já controlada pela UNITA’. Os políticos e a sociedade em geral parecem não ter memória. Não parece normal cometer sempre o mesmo tipo de erros, com consequências desastrosas para as populações, sobretudo, as mais frágeis. O papa Francisco tem pedido que não se dê lugar à globalização da indiferença, mas as suas palavras ecoam em poucos ouvidos. Há que investir numa cultura de vida e de paz, embora certos interesses assentem mais na produção e venda de armamentos que obrigam a perpetuar guerras antigas e a criar novos focos de violência.
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Tony Neves ‘06 de Março de 1993. Huambo. UNITA toma o Palácio. Paragem dos combates. Choveu’. Eis o cabeçalho da página do meu Diário de Guerra, faz hoje precisamente 30 anos. Foi o ponto final, desesperadamente esperado, dos combates que arrasaram durante 55 dias e 55 noites a cidade capital do planalto de Angola. Foi o primeiro dia do resto da vida dos sobreviventes de tão cruéis combates. Cito, pela primeira vez em 30 anos, alguns parágrafos do Diário: ‘Este dia, para nós, começou cedo: às 0h25 fomos acordados por ladrões que entraram pela horta, junto ao campo de jogos. Corremo-los à ‘garrafada’! Os migs hoje ultrapassaram todos os limites: vieram logo às 8h10, debaixo das nuvens e bombardearam a praça do Canhe, entre a Missão masculina e a feminina. Segundo a Irmã Oneide, das Servas do Espírito Santo, que levou ao Dispensário bastantes feridos, as bombas fizeram mais de cem mortos e muitíssimos feridos! Povo simples que comprava e vendia! Valha-nos Deus! Às 9h20 voltaram e largaram bombas perto daqui. Mas, pelas 15h25 largaram duas bombas de potência nunca antes experimentada: uma tonelada, dizem os entendidos. O cogumelo de fumo fez lembrar a bomba atómica. Uma das bombas caiu no bairro pobre das Cacilhas, deitando abaixo trinta casas de adobes, matando e ferindo centenas de pessoas...de povo simples e pobre que nada tem a ver com esta guerra! À noite, os aviões Kasa vieram semear pânico às 19h30 e às 20h25, lançando bombas sobre a cidade, já controlada pela UNITA’. Os políticos e a sociedade em geral parecem não ter memória. Não parece normal cometer sempre o mesmo tipo de erros, com consequências desastrosas para as populações, sobretudo, as mais frágeis. O papa Francisco tem pedido que não se dê lugar à globalização da indiferença, mas as suas palavras ecoam em poucos ouvidos. Há que investir numa cultura de vida e de paz, embora certos interesses assentem mais na produção e venda de armamentos que obrigam a perpetuar guerras antigas e a criar novos focos de violência.
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