EPISODE · Dec 6, 2022 · 5 MIN
LUSOFONIAS - Na Suíça, viagem da fidelidade à ruptura
from Agência ECCLESIA · host Agência ECCLESIA
Tony Neves, na Suíça Cresci muito nesta visita à Suíça. Já partilhei o que foram os encontros e celebrações com comunidades portuguesas no Valais, sobretudo em Sierre, Martigny Bourg e Zermatt. Foi muito inspirador para mim poder partilhar a Missão a partir de textos fundamentais (sobretudo do papa Francisco), de pessoas concretas (missionários e missionárias, hoje espalhados pelo mundo, Bispos, Padres, Religiosas e Leigos/as) e de geografias. Pude mostrar e ilustrar algumas opções missionárias da Igreja em países como Angola, Moçambique, Cabo Verde, Brasil, Bolívia e Paraguai. Mas esta visita teve outros condimentos que me alimentaram a fé e a fraternidade. O essencial do que quero partilhar sintetiza-se na segunda feira 31 de outubro. Copiando para este texto a página do meu diário, acho que fica tudo mais ou menos dito. Saí de Sierre com o P. Vilas Boas e fomos até uma paróquia onde se fala alemão para a celebração do baptismo de uma criança portuguesa. Foi longo este momento, transformado num espaço de catequese e de partilha fraterna entre uma família que vive na Suíça alemã, mas quer que as crianças sejam baptizadas em contexto português. Esta é, talvez, uma das imagens de marca da experiência religiosa e social de muitos imigrantes por esse mundo além. Atravessamos boa parte do vale do Valais, em passo de corrida, pois os Padres Aloísio Araújo (vindo de Luzerna) e João Luís Sampaio (a trabalhar em Lausanne) nos esperavam num restaurante desta cidade que tem muitas histórias para contar. O almoço foi um excelente pretexto para partilharmos a missão a que vamos dando corpo, todos fora de Portugal. Pude compreender melhor os desafios a que as comunidades católicas portuguesas vão respondendo, uma vez que aumenta a pressão sobre elas para que se integrem nas paróquias suíças. Como o tempo é sempre curto quando a amizade é profunda e a vida é cheia de boas coisas para contar, tivemos que andar depressa e rumar à Catedral que se torna livro aberto de uma história longa e sofrida. Lá de cima, a cidade fica aos nossos pés e, ao fundo, o belo Lago Leman enche os olhos de uma beleza única. Entrando na Catedral –de visita cultural obrigatória – percebemos melhor a história que deu um grande salto após a Reforma Protestante quando, após a ‘Disputa de Lausanne’ presidida por Calvino, de 1 a 8 de outubro de 1527, as missas foram proibidas, as estátuas dos santos e vitrais foram retirados, e o edifício se tornou coração da Igreja ali nascida da Reforma. Mas também lá está dito que, tantos séculos mais tarde, a Catedral acolhe hoje celebrações ecuménicas, o que traduz bem as boas relações agora existentes entre as diversas confissões cristãs na Suíça.
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Tony Neves, na Suíça Cresci muito nesta visita à Suíça. Já partilhei o que foram os encontros e celebrações com comunidades portuguesas no Valais, sobretudo em Sierre, Martigny Bourg e Zermatt. Foi muito inspirador para mim poder partilhar a Missão a partir de textos fundamentais (sobretudo do papa Francisco), de pessoas concretas (missionários e missionárias, hoje espalhados pelo mundo, Bispos, Padres, Religiosas e Leigos/as) e de geografias. Pude mostrar e ilustrar algumas opções missionárias da Igreja em países como Angola, Moçambique, Cabo Verde, Brasil, Bolívia e Paraguai. Mas esta visita teve outros condimentos que me alimentaram a fé e a fraternidade. O essencial do que quero partilhar sintetiza-se na segunda feira 31 de outubro. Copiando para este texto a página do meu diário, acho que fica tudo mais ou menos dito. Saí de Sierre com o P. Vilas Boas e fomos até uma paróquia onde se fala alemão para a celebração do baptismo de uma criança portuguesa. Foi longo este momento, transformado num espaço de catequese e de partilha fraterna entre uma família que vive na Suíça alemã, mas quer que as crianças sejam baptizadas em contexto português. Esta é, talvez, uma das imagens de marca da experiência religiosa e social de muitos imigrantes por esse mundo além. Atravessamos boa parte do vale do Valais, em passo de corrida, pois os Padres Aloísio Araújo (vindo de Luzerna) e João Luís Sampaio (a trabalhar em Lausanne) nos esperavam num restaurante desta cidade que tem muitas histórias para contar. O almoço foi um excelente pretexto para partilharmos a missão a que vamos dando corpo, todos fora de Portugal. Pude compreender melhor os desafios a que as comunidades católicas portuguesas vão respondendo, uma vez que aumenta a pressão sobre elas para que se integrem nas paróquias suíças. Como o tempo é sempre curto quando a amizade é profunda e a vida é cheia de boas coisas para contar, tivemos que andar depressa e rumar à Catedral que se torna livro aberto de uma história longa e sofrida. Lá de cima, a cidade fica aos nossos pés e, ao fundo, o belo Lago Leman enche os olhos de uma beleza única. Entrando na Catedral –de visita cultural obrigatória – percebemos melhor a história que deu um grande salto após a Reforma Protestante quando, após a ‘Disputa de Lausanne’ presidida por Calvino, de 1 a 8 de outubro de 1527, as missas foram proibidas, as estátuas dos santos e vitrais foram retirados, e o edifício se tornou coração da Igreja ali nascida da Reforma. Mas também lá está dito que, tantos séculos mais tarde, a Catedral acolhe hoje celebrações ecuménicas, o que traduz bem as boas relações agora existentes entre as diversas confissões cristãs na Suíça.
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