EPISODE · Dec 26, 2025 · 4 MIN
LUSOFONIAS - Natal ao ritmo dos tambores e do calor
from Agência ECCLESIA · host Agência ECCLESIA
Tony Neves, em Bangui - RCABangui assusta ao chegar, mas abraça ao partir. O aeroporto ainda obriga a imaginar os tempos duros da guerra civil: velho, abandonado, tórrido, em obras de recuperação que ninguém sabe quando vão terminar. Mas – dizia-me um ancião – que no tempo da guerra, o aeroporto acolheu refugiados e, quando aterrava um avião, viam-se barracas em todo o lado, pessoas na pista, militares a controlar tudo e todos. Agora, os tempos são mais calmos, o país tenta reinventar-se, mas o progresso continua muito estagnado, com alguma agitação de tempos a tempos provocada por campanhas eleitorais, como a que iniciou dia 14 de dezembro, a seguir à minha chegada. Continua a ser verdade que nenhuma operadora aérea internacional aceita aterrar de noite em Bangui, nem permite que algum avião ali ‘durma’.Causa-me sempre um grande impacto a primeira viagem a um país nunca dantes visitado, que é a que me leva do aeroporto à Casa Principal dos Espiritanos. Bangui não foi exceção, com o atravessar uma cidade cheia de motos e povo, comércio em todos os passeios, com muitos jovens e crianças na rua, pois era a hora de sair da escola e regressar a casa.‘Este país é rico demais para que nos deixem em paz!’ – ouvi isto da boca de muitas pessoas, pois é convicção partilhada que os diamantes e o ouro são riqueza para uns quantos e são de sangue e lágrimas para a maioria da população, obrigada a sobreviver muito abaixo de um nível de vida humanamente aceitável.Os Espiritanos chegaram a estas terras em 1894 e nunca mais daqui saíram. Hoje continuam a viver e trabalhar em boa parte das Dioceses (em cinco de nove) com compromissos nas áreas da pastoral direta, da educação, saúde, desenvolvimento e compromissos sociais. Dos 23 Espiritanos centro africanos, apenas dez trabalham na RCA. Os restantes 13 dividem-se pelo Gabão, França, Guiné-Bissau, Congo-Brazzaville, Camarões e Seicheles. 15 Espiritanos de outros países, vivem e trabalham neste país que é coração do continente. Todas as Comunidades Espiritanas são internacionais. Há 16 jovens em formação.
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Tony Neves, em Bangui - RCABangui assusta ao chegar, mas abraça ao partir. O aeroporto ainda obriga a imaginar os tempos duros da guerra civil: velho, abandonado, tórrido, em obras de recuperação que ninguém sabe quando vão terminar. Mas – dizia-me um ancião – que no tempo da guerra, o aeroporto acolheu refugiados e, quando aterrava um avião, viam-se barracas em todo o lado, pessoas na pista, militares a controlar tudo e todos. Agora, os tempos são mais calmos, o país tenta reinventar-se, mas o progresso continua muito estagnado, com alguma agitação de tempos a tempos provocada por campanhas eleitorais, como a que iniciou dia 14 de dezembro, a seguir à minha chegada. Continua a ser verdade que nenhuma operadora aérea internacional aceita aterrar de noite em Bangui, nem permite que algum avião ali ‘durma’.Causa-me sempre um grande impacto a primeira viagem a um país nunca dantes visitado, que é a que me leva do aeroporto à Casa Principal dos Espiritanos. Bangui não foi exceção, com o atravessar uma cidade cheia de motos e povo, comércio em todos os passeios, com muitos jovens e crianças na rua, pois era a hora de sair da escola e regressar a casa.‘Este país é rico demais para que nos deixem em paz!’ – ouvi isto da boca de muitas pessoas, pois é convicção partilhada que os diamantes e o ouro são riqueza para uns quantos e são de sangue e lágrimas para a maioria da população, obrigada a sobreviver muito abaixo de um nível de vida humanamente aceitável.Os Espiritanos chegaram a estas terras em 1894 e nunca mais daqui saíram. Hoje continuam a viver e trabalhar em boa parte das Dioceses (em cinco de nove) com compromissos nas áreas da pastoral direta, da educação, saúde, desenvolvimento e compromissos sociais. Dos 23 Espiritanos centro africanos, apenas dez trabalham na RCA. Os restantes 13 dividem-se pelo Gabão, França, Guiné-Bissau, Congo-Brazzaville, Camarões e Seicheles. 15 Espiritanos de outros países, vivem e trabalham neste país que é coração do continente. Todas as Comunidades Espiritanas são internacionais. Há 16 jovens em formação.
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