EPISODE · Nov 18, 2025 · 4 MIN
“O cérebro prefere infernos conhecidos a paraísos desconhecidos.”
from Café com Clonazepam Podcast · host Marcelo Geremias
Há uma estranha fidelidade que carregamos: a fidelidade ao sofrimento que já entendemos.A mente humana tão criativa, tão capaz de imaginar mundos ainda assim se agarra com força aos seus velhos infernos.Por quê?Porque o familiar, mesmo doloroso, oferece uma espécie de segurança.Sabemos onde dói, como dói e até a intensidade da dor.É previsível. E o previsível, para o inconsciente, é sinônimo de sobrevivência.O “paraíso desconhecido”, por outro lado, exige atravessar o novo:exige deixar velhos papéis, abandonar narrativas que nos definiram por anos, soltar hábitos que nos mantinham de pé… mesmo que fossem muletas quebradas.A psicanálise mostra que não é o medo da dor que nos paralisa, mas o medo da transformação.O Eu prefere repetir o que o destrói a abrir mão da identidade construída em torno daquela destruição.Traumas viram territórios familiares; padrões tóxicos viram rotinas; sofrimentos antigos viram casas onde já sabemos andar de olhos fechados.A mudança mesmo quando é para melhor ameaça a ordem psíquica que conhecemos.Entrar num “paraíso” implica atravessar um vazio: uma espécie de morte simbólica.E o cérebro teme esse vazio mais do que teme o próprio inferno.No fundo, não estamos apegados à dor, mas ao que a dor significa sobre nós.Ela nos dá uma história, uma explicação, uma identidade.O paraíso, por outro lado, pede uma nova versão de quem somos e isso assusta.Crescer é ousar esse risco.É aceitar que, antes do paraíso, existe um deserto.E que, mesmo assim, vale seguir.Porque, no fim, a grande virada da vida acontece quando o sujeito percebe que merece mais do que os infernos que aprendeu a chamar de lar.
What this episode covers
Há uma estranha fidelidade que carregamos: a fidelidade ao sofrimento que já entendemos.A mente humana tão criativa, tão capaz de imaginar mundos ainda assim se agarra com força aos seus velhos infernos.Por quê?Porque o familiar, mesmo doloroso, oferece uma espécie de segurança.Sabemos onde dói, como dói e até a intensidade da dor.É previsível. E o previsível, para o inconsciente, é sinônimo de sobrevivência.O “paraíso desconhecido”, por outro lado, exige atravessar o novo:exige deixar velhos papéis, abandonar narrativas que nos definiram por anos, soltar hábitos que nos mantinham de pé… mesmo que fossem muletas quebradas.A psicanálise mostra que não é o medo da dor que nos paralisa, mas o medo da transformação.O Eu prefere repetir o que o destrói a abrir mão da identidade construída em torno daquela destruição.Traumas viram territórios familiares; padrões tóxicos viram rotinas; sofrimentos antigos viram casas onde já sabemos andar de olhos fechados.A mudança mesmo quando é para melhor ameaça a ordem psíquica que conhecemos.Entrar num “paraíso” implica atravessar um vazio: uma espécie de morte simbólica.E o cérebro teme esse vazio mais do que teme o próprio inferno.No fundo, não estamos apegados à dor, mas ao que a dor significa sobre nós.Ela nos dá uma história, uma explicação, uma identidade.O paraíso, por outro lado, pede uma nova versão de quem somos e isso assusta.Crescer é ousar esse risco.É aceitar que, antes do paraíso, existe um deserto.E que, mesmo assim, vale seguir.Porque, no fim, a grande virada da vida acontece quando o sujeito percebe que merece mais do que os infernos que aprendeu a chamar de lar.
NOW PLAYING
“O cérebro prefere infernos conhecidos a paraísos desconhecidos.”
No transcript for this episode yet
Similar Episodes
Mar 26, 2026 ·1m
Jan 2, 2026 ·47m
Dec 21, 2025 ·46m