O jornalismo e o escrutínio dos políticos, entre a necessidade e o voyeurismo episode artwork

EPISODE · Feb 28, 2025 · 18 MIN

O jornalismo e o escrutínio dos políticos, entre a necessidade e o voyeurismo

from P24 · host PÚBLICO

Vem nos livros: sempre que a pressão dos jornalistas sobre os políticos aumenta, os políticos esforçam-se por se explicar e, não raras vezes, fazem-no entre a vitimização e a intimidação dos jornalistas. No caso da lei dos solos que deu origem à história da imobiliária da família de Luís Montenegro e a uma tentativa falhada de moção de Censura do Chega ao Governo, houve as suas coisas. No Parlamento, Montenegro queixou-se de ser há muitos anos “alvo de ataques estranhos e violentos”, e desde logo se levantaram suspeitas de que a queixa tinha como alvo a RTP – o Observador deu notícia de um alegado mal-estar no Governo com a estação pública. A direcção da RTP viria de imediato dizer que os jornalistas do canal "não se deixam condicionar e continuarão a cumprir o seu dever profissional". O ministro Pedro Duarte viria entretanto garantir que a liberdade editorial da televisão pública “é absolutamente sagrada" O que está, afinal em causa? Fazer perguntas sobre o património dos políticos faz parte das regras do jornalismo e da democracia. Como disse esta semana o Presidente da República, o escrutínio é o preço de governar. Na tradição das democracias liberais, os políticos “têm de aceitar restrições nos seus direitos de personalidade”, como lembrava há tempos o advogado e especialista em assuntos de liberdade de expressão Francisco Teixeira da Mota. O problema começa quando essas restrições embrulhada numa capa de suspeição onde a presunção se impõe aos factos e uma suposta ética ao direito. Mariana Mortágua diz que em causa estão apreciações políticas. Mas o presidente da Assembleia da República, Aguiar Branco, lamentava por estes duas o "ambiente de suspeição" que se instalou sobre a classe política, ambiente que, na sua opinião, se explicava pelo "voyeurismo" e não pelo "escrutínio sério". Entramos assim nos domínios do jornalismo, onde, felizmente, não há fórmulas matemáticas para determinar o certo e o errado. Mas há balizas. Que os políticos sejam escrutinados, ninguém duvida; mas que os seus patrimónios pessoais ou imobiliários sejam revelados sem que haja fortes razões – sejam indícios de corrupção, abusos de poder ou conflitos de interesse – será jornalismo ou, como sugere Aguiar Branco, voyeurismo? Entre as notícias sobre as empresas fundadas pelo ex-secretário de Estado Hernani Dias, que é bom jornalismo, e as notícias de que o deputado x ou o ministro y tem uma imobiliária, que é jornalismo duvidoso para muitos, que momento estamos a viver? A pergunta é pretexto para conversa com Joaquim Fidalgo. Fundador do Público, no qual foi director-adjunto, provedor do jornal e professor na Universidade do Minho, Joaquim Fidalgo é reconhecido pelos seus pares como uma referência também no domínio da deontologia profissional.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Episode metadata supplied by the publisher feed · Published Feb 28, 2025

Embed this episode

NOW PLAYING

O jornalismo e o escrutínio dos políticos, entre a necessidade e o voyeurismo

0:00 18:40

No transcript for this episode yet

We transcribe on demand. Request one and we'll notify you when it's ready — usually under 10 minutes.

No similar episodes found.

No similar podcasts found.

Frequently Asked Questions

How long is this episode of P24?

This episode is 18 minutes long.

When was this P24 episode published?

This episode was published on February 28, 2025.

Can I download this P24 episode?

Yes. Use the download control on the episode player to save the publisher-provided media file.
URL copied to clipboard!