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P24
by PÚBLICO
De segunda a sexta às 7h. Antes de tudo: P24. O dia começa aqui
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1000
Há uma médica portuguesa a combater o pior surto de ébola no Congo
Rita Magano, médica infecciologista, chegou à República Democrática do Congo para combater o surto de ébola que se tornou o mais letal de sempre no país, com 2.325 mortes confirmadas, de acordo com os últimos dados das autoridades congolesas. No terreno, as equipas enfrentam um elevado número de doentes e falta de espaço nos centros de tratamento. A resposta também foi dificultada pela demora na declaração do surto, atrasos nos testes de diagnóstico e a desinformação. Neste episódio do Hoje, ouvimos Rita Magano e conversamos com Tiago Ramalho, jornalista de Ciência do PÚBLICO, que tem acompanhado a evolução do surto. Vamos entender o que está a acontecer no Congo, porque é que o surto se tornou tão grave e porque devemos olhar para esta epidemia mesmo estando a milhares de quilómetros de distância.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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999
Carneiro ou Montenegro, quem leva a melhor na rentrée política?
O PS regressou à estrada política em Olhão, com José Luís Carneiro a recuperar uma referência de António Guterres e da maioria socialista de 1995, mas o discurso esteve sobretudo virado para o presente e para o Governo de Luís Montenegro. O secretário-geral socialista atacou em várias frentes, com destaque para o apagão, os incêndios do ano passado, as tempestades e a polémica dos exames nacionais. Carneiro questionou ainda Montenegro sobre a entrada do Estado na REN e pediu respostas ao primeiro-ministro. Já sobre o caso Luís Neves, o líder socialista optou por pedir “sentido de Estado” a Montenegro, num momento em que o Governo enfrenta várias perguntas sobre o processo. Depois do Pontal e de Olhão, quem conseguiu marcar melhor esta rentrée política? Neste episódio do Hoje, Filipe Santa-Bárbara, jornalista de Política do PÚBLICO, analisa o discurso de José Luís Carneiro e o que revela sobre a relação de forças entre PSD e PS.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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998
Que Montenegro chega à rentrée do PSD no Pontal?
O PSD regressa à actividade política com a tradicional Festa do Pontal, que este ano assinala 50 anos. É uma espécie de rentrée para Luís Montenegro, apesar de não ter parado para férias, depois de um verão marcado por vários temas difíceis para o Governo. O caso Luís Neves e a polémica em torno dos exames nacionais são dois dos problemas que o primeiro-ministro leva para o Algarve. Ao mesmo tempo, o líder do PSD precisa de preparar o novo ciclo político e de definir as prioridades do Governo para os próximos meses. Neste episódio do Hoje, falamos com Filipe Santa-Bárbara, jornalista do PÚBLICO que acompanha o PSD e o Governo e está no Pontal, para perceber o momento político de Montenegro, o que pode estar em jogo nesta rentrée e que sinais pode Montenegro deixar para os próximos meses.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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997
Pode Alexandria Ocasio-Cortez chegar à presidência dos EUA em 2028?
Alexandria Ocasio-Cortez voltou a colocar o seu nome na discussão sobre a corrida à Casa Branca. Numa entrevista à ABC News, a congressista democrata não descartou uma candidatura à presidência em 2028, dizendo que tanto essa hipótese como uma corrida ao Senado estão em aberto. As declarações surgem depois de uma sondagem a colocar AOC como favorita entre possíveis candidatos democratas. A eventual candidatura teria de passar por uma disputa dentro do próprio partido, enquanto os republicanos já começam a olhar para a congressista como uma possível adversária. As declarações surgem também depois de Ocasio-Cortez ter anunciado que iniciou um processo de congelamento de óvulos para preservação da fertilidade. É uma decisão pessoal que foi tornada pública num momento em que a sua eventual candidatura começa a ser discutida. Neste episódio do Hoje, falamos com Daniela Melo, especialista em política norte-americana e professora de Ciências Sociais na Universidade de Boston, sobre as ambições de AOC, as suas hipóteses dentro do Partido Democrata e o que estas declarações significam para a corrida presidencial de 2028.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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996
O que há a saber sobre o eclipse, incluindo onde procurar óculos certificados
Esta quarta-feira o Sol vai desaparecer durante alguns minutos. Um eclipse solar total será visível em Portugal mas também em Espanha, Gronelândia e Islândia, num dos fenómenos astronómicos mais aguardados do ano. Neste episódio do Hoje, explicamos o que vai acontecer, onde será possível ter melhores condições de observação e quais os cuidados a ter. Conversamos com Pedro Ré, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e presidente da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores, que explica como observar e fotografar o eclipse em segurança e o que podemos esperar deste fenómeno. Falamos também dos óculos certificados para observação do eclipse, que ainda podem ser encontrados em alguns locais oficiais. A jornalista do PÚBLICO Filipa Almeida Mendes também nos deu conta de um mercado paralelo com óculos a serem vendidos a 100 euros em algumas plataformas online. E há ainda quem já tenha alguma experiência com eclipses. O jornalista do PÚBLICO Pedro Guerreiro esteve nos Estados Unidos para acompanhar o eclipse total de 2024 e voltou a viajar agora para Espanha. Ele deixou claro que foi "a coisa mais bonita" que já viu na vida e, por isso, não quis perder esta nova oportunidade.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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995
David Santiago: Investigações “criam uma cerca sanitária em torno de Luís Neves”
A polémica em torno de Luís Neves ganhou um novo capítulo esta segunda-feira depois da ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, ter defendido publicamente a auditoria à Polícia Judiciária, garantido não existir interferência do Governo. Também Luís Montenegro considera que é necessário esclarecer as dúvidas que continuam em torno da actuação do antigo director da PJ. O actual director da polícia, Carlos Cabreiro, falou pela primeira vez, esta segunda-feira, desde que se soube da auditoria, afirmando que serão apuradas todas as responsabilidades. O coro de declarações surge numa altura em que decorrem várias investigações. Há um inquérito do Ministério Público, o Tribunal de Contas também vai julgar o caso e a ministra da Justiça mandou auditar a PJ e abriu uma avaliação interna. Luís Neves continua a afirmar que está tranquilo e que é o primeiro a pedir que tudo seja investigado. Neste episódio, falamos com David Santiago, editor de Política do PÚBLICO, para perceber até onde pode ir o desgaste político de Luís Neves e, por arrasto, do próprio Governo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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994
Como é que um motor de um helicóptero liga Portugal a uma investigação do FBI?
Tudo começou com a tentativa de compra de um motor de um helicóptero avaliado em cerca de 200 mil dólares. A partir dessa operação, os investigadores norte-americanos seguiram o rasto de pagamentos, emails e intermediários e chegaram à Business United, uma empresa portuguesa. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acredita que a empresa terá sido usada como plataforma para operações destinadas ao Irão, numa alegada tentativa de contornar as sanções norte-americanas. A investigação envolve vários países e empresas e está na origem de uma acção civil para confiscar o motor. A investigação do PÚBLICO identificou também Miguel Frasquilho como um dos conselheiros estratégicos apresentados pela Business United, apesar do nome do antigo secretário de Estado do Tesouro, ex-presidente da AICEP e antigo chairman da TAP não surgir nos documentos do FBI. Neste episódio, conversamos com Paulo Curado, o jornalista do PÚBLICO que investigou o caso, e que explica o que está nos documentos do FBI, como se desenvolveu a investigação e porque é que uma empresa portuguesa acabou por surgir neste processo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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993
As estradas portuguesas continuam a matar. O que está a falhar?
Ano após ano, Agosto é o mês mais mortal nas estradas portuguesas mas o problema vai muito além do verão. Na última década, Portugal estagnou no número de pessoas que morrem em acidentes rodoviários. Em 2015 registaram-se 593 vítimas mortais. Em 2025, foram 589. É uma redução de 0,7%, o pior desempenho entre os países da União Europeia que conseguiram diminuir a mortalidade rodoviária no mesmo período. Os sinais mais recentes também não são animadores. Os indicadores de sinistralidade têm vindo a agravar-se e os dados já conhecidos de 2026 apontam, para já, para mais acidentes, mais feridos graves e mais vítimas mortais. Ao mesmo tempo, Portugal chega atrasado à implementação da nova Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, aprovada apenas este ano, apesar de dever estar em vigor desde 2020. O objectivo é reduzir para metade o número de mortos nas estradas até 2030, uma meta que parece cada vez mais difícil de cumprir, à luz dos números actuais. Neste episódio do Hoje, conversamos com João Pedro Pincha, o jornalista do PÚBLICO que analisou os dados para perceber porque é que Portugal continua praticamente parado no combate à sinistralidade rodoviária, o que explica este atraso face a outros países europeus e o que está a ser feito para inverter a tendência.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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992
Transparência salarial: quando será possível saber os salários dos colegas?
Portugal já devia ter transposto a directiva europeia da transparência salarial, mas o prazo terminou a 7 de Junho e a legislação continua por aprovar. O atraso pode levar à abertura de um processo de infracção por parte da Comissão Europeia, mas as mudanças previstas acabam por chegar. Uma das novidades mais visíveis será no recrutamento. Antes de aceitar um emprego, os candidatos terão de conhecer o salário ou o intervalo salarial previsto para a função. Além disso, os empregadores deixam de poder perguntar quanto ganham ou quanto recebiam no emprego anterior. As alterações não se ficam pela fase de contratação. Os trabalhadores passam a ter direito a pedir informação sobre os critérios de remuneração e sobre os níveis salariais praticados na empresa, organizados por género, enquanto as empresas de maior dimensão ficam obrigadas a reportar eventuais disparidades salariais entre homens e mulheres. Mas será que isso significa que vamos passar a saber quanto ganham os colegas? E a transparência será suficiente para corrigir desigualdades salariais? Neste episódio do Hoje, conversamos com um jornalista da secção de Economia do PÚBLICO Victor Ferreira para fazer um ponto de situação sobre o atraso de Portugal e entender o que muda quando estas regras entrarem em vigor.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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991
Como um drone português na Ucrânia ajuda a explicar a guerra moderna
A Rússia anunciou esta semana a captura de um drone AR3, da empresa portuguesa Tekever, que estava a ser utilizado pela Ucrânia. O aparelho foi enviado para um instituto de investigação russo, onde será analisado por especialistas. Com base neste caso, o Hoje olha para a importância que os drones ganharam num conflito que tem servido de laboratório para novas tecnologias militares. Se, durante décadas, o poder de um exército se media pelo número de carros de combate, aviões ou navios, a guerra na Ucrânia mostrou que pequenos aparelhos não tripulados podem desempenhar um papel decisivo. São usados para reconhecimento, vigilância, identificação de alvos e apoio às operações no terreno mas também para ataque. Ao mesmo tempo, obrigam a uma corrida permanente entre quem desenvolve novas capacidades e quem procura formas de as neutralizar. Neste episódio do Hoje, conversamos com dois especialistas portugueses em drones: João Tasso, coordenador do Laboratório de Sistemas e Tecnologia Subaquática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e Dário Pedro, fundador da Beyond Vision, empresa portuguesa fabricante de drones. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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990
Manosfera: o que liga o ginásio à misoginia e teorias da conspiração?
À primeira vista, são vídeos sobre musculação, alimentação ou disciplina dirigidos sobretudo a homens que procuram melhorar a condição física ou ganhar massa muscular, mas alguns utilizadores das redes sociais têm usado o fitness como ponto de partida para outro tipo de discurso. Uma investigação do Público analisou uma centena de perfis no TikTok e concluiu que todos cruzavam o universo do ginásio com, pelo menos, uma destas dimensões: masculinidade tóxica, religião, extrema-direita ou anti-semitismo. O trabalho mostra como estes temas se reforçam mutuamente e como o algoritmo pode expor os utilizadores, de forma gradual, a conteúdos cada vez mais ideológicos. Neste episódio do Hoje, conversamos com João Pinhal, jornalista do PÚBLICO, que investigou este fenómeno para perceber como funciona a chamada "manosfera" e porque é que o ginásio se tornou uma das suas principais portas de entrada.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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989
Ceuta: quando a migração se torna uma arma geopolítica
Mais de 60 mil pessoas chegaram a Ceuta vindas de Marrocos nos últimos dias, naquela que é a maior crise migratória na fronteira entre os dois países desde 2021. A crise provocou mais de 70 mortos, obrigou Espanha a reforçar a segurança na fronteira e desencadeou uma disputa política, tanto em Madrid como em Ceuta, com a deslocação de dirigentes da direita e da extrema-direita a Ceuta. As causas da vaga de entradas continuam a ser discutidas. Entre os factores apontados estão uma recente decisão do Tribunal Supremo espanhol sobre as chamadas "devoluções a quente", que alterou a forma como devem ser tratados os migrantes que chegam a nado a Ceuta. Além disso, o contexto diplomático entre Espanha, Marrocos e Argélia, marcado pela visita de Pedro Sánchez a Argel poucos dias antes da crise, é também apontado como um dos factores que ajudam a enquadrar este episódio. Mas este episódio levanta uma questão que vai muito além da gestão das fronteiras. Estão os fluxos migratórios a ser usados como instrumento de pressão política? E o que revela o caso de Ceuta sobre a estratégia de países vizinhos da União Europeia e sobre a vulnerabilidade da política migratória europeia? Neste episódio do Hoje, ouvimos o relato da enviada especial do PÚBLICO a Ceuta, Leonor Alhinho, e conversamos com Jorge Malheiros, professor da Universidade de Lisboa e especialista em geografia humana e migrações, para perceber porque é as migrações podem ser usadas como uma arma geopolítica.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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988
Crédito à habitação: regras apertam mas há boas notícias para quem tem 30-35 anos
Comprar casa com recurso a crédito à habitação vai mudar a partir de 1 de Agosto, altura em que entram em vigor novas regras do Banco de Portugal (BdP) para a concessão de empréstimos. São quatro as principais alterações, mas a que pode fazer mais diferença é a da taxa de esforço. O limite recomendado baixa de 50% para 45%, o que significa que os bancos passam a ter menos margem para aprovar créditos acima desse valor. Há também mudanças no prazo máximo dos empréstimos. Quem tem entre 30 e 35 anos passa a poder contratar crédito por um período mais longo, o que pode reduzir a prestação mensal, embora aumente o total de juros pagos ao longo do contrato. Além disso, os bancos deixam de poder financiar a 100% a compra de imóveis que sejam sua propriedade. Por último, a recomendação do BdP deixa de abranger os contratos de leasing imobiliário, passando a aplicar-se apenas à locação financeira de bens móveis, como os automóveis. O que muda, afinal, para quem quer comprar casa? É isso que explicamos neste episódio do Hoje com Diogo Cavaleiro, jornalista de Economia do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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987
Luís Neves falou. Chega para travar a crise?
Depois de semanas de silêncio, Luís Neves deu finalmente explicações. Numa conferência de imprensa de cerca de 50 minutos, o ministro da Administração Interna respondeu às três polémicas que marcaram os últimos dias: as obras numa propriedade em Odemira, a gestão de um atrelado apreendido pela Polícia Judiciária e a entrega tardia da declaração de rendimentos. Luís Neves admitiu erros na propriedade em Odemira e afastou a demissão: "Estou coeso, empoderado e motivado". As explicações não convenceram a oposição mas deixaram uma pergunta em aberto. São suficientes para fechar este caso? É isso que tentamos perceber neste episódio do Hoje com David Santiago, editor de Política do PÚBLICO. Depois de quase uma hora de explicações, Luís Neves está em melhores condições para seguir em frente ou ficou politicamente mais fragilizado?See omnystudio.com/listener for privacy information.
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986
O que se passa na Ucrânia? O embate entre a velha guarda soviética e a nova geração
Nas últimas semanas, milhares de ucranianos saíram à rua para contestar as mudanças anunciadas pelo presidente ucraniano. Os protestos começaram depois da demissão de Mykhailo Fedorov do cargo de ministro da Defesa, uma decisão que acabou por precipitar também a substituição do comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi. À primeira vista, parecia apenas mais uma remodelação na liderança militar da Ucrânia, mas a decisão de Volodymyr Zelensky de substituir o comandante-cehfe das Forças Armadas acabou por expor um debate muito mais profundo, relacionado com duas visões distintas da guerra. De um lado está uma geração de comandantes formada na tradição militar soviética, que privilegia estruturas de comando centralizadas, a artilharia, os carros de combate e uma cadeia hierárquica rígida. Do outro está uma geração mais jovem de oficiais, engenheiros e responsáveis pela inovação tecnológica, que defende uma guerra mais flexível, assente na utilização massiva de drones, software, inteligência artificial e decisões tomadas mais perto do terreno. Para perceber o que está em causa, há três nomes a reter. Oleksandr Syrskyi era, até há poucos dias, o comandante-chefe das Forças Armadas ucranianas. Formado na tradição militar soviética, representava uma forma mais clássica de comandar o exército. O seu sucessor é Mykhailo Drapatyi, o major-general escolhido por Zelensky para liderar as Forças Armadas e visto como representante de uma geração mais nova de militares. O terceiro protagonista é Mykhailo Fedorov. Não é militar, mas foi o rosto da aposta da Ucrânia nos drones e na modernização tecnológica do exército. Neste episódio, conversamos com o Tenente-General Marco Serronha, especialista em assuntos militares, para perceber o que está realmente em causa e porque é que esta discussão pode ajudar a explicar o futuro da guerra na Ucrânia.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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985
“Nunca passei por nada assim." O que está a acontecer nos incêndios em França?
França está a enfrentar um dos incêndios florestais mais graves da sua história recente, numa região onde este tipo de fenómeno extremo era, até há pouco tempo, menos frequente. A região de Bordéus está no centro da crise, com mais de 220 mil pessoas retiradas de casa, milhares de bombeiros mobilizados e dezenas de milhares de hectares consumidos pelas chamas. Apesar de França ter um historial de fogos, sobretudo na zona do Mediterrâneo, a dimensão e o comportamento deste incêndio na Gironda surpreenderam as autoridades. Entre as populações afectadas estão também milhares de portugueses e luso-descendentes que vivem naquela região. O Presidente francês, Emmanuel Macron, classificou a situação como "totalmente inédita" e alertou que "as próximas semanas serão difíceis", numa altura em que as autoridades continuam a tentar controlar um incêndio de comportamento extremo. Neste episódio do HOJE, ouvimos o relato de quem está a viver esta situação no terreno e tentamos perceber porque é que França está a enfrentar um fenómeno que durante muito tempo parecia associado sobretudo a outros países do sul da Europa. Falamos também com Leonor Alhinho, jornalista do PÚBLICO e com o especialista em incêndios Xavier Viegas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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984
“Só me quero ir embora daqui”: Daniela, uma marinheira portuguesa retida em Ormuz
O estreito de Ormuz tornou-se uma das principais frentes do conflito no Médio Oriente. No primeiro episódio do Hoje, olhamos para o impacto da guerra em milhares de marinheiros que ficaram retidos em navios petroleiros no Golfo Pérsico, numa crise que a ONU descreveu como sem precedentes. Entre eles estava Daniela Brito, uma portuguesa que trabalha em navios petroleiros há quase 20 anos e que passou vários meses encurralada em Ormuz. Ao Hoje, conta como viveu esses dias numa zona de conflito e como conseguiu sair. “Aviões militares que nunca paravam, os primeiros drones a aparecerem durante a noite. Esses primeiros dias em que nós vimos essas coisas deram-nos a noção de que estávamos em guerra, ou numa zona de guerra, e de que corríamos perigo real”, recorda Daniela Brito. Para perceber o que está em causa nesta crise é preciso olhar para a importância estratégica do estreito, para o papel do Irão e de Omã e para as consequências de uma instabilidade que afecta uma das principais rotas de transporte de energia do mundo. A jornalista Maria João Guimarães, que acompanha o Médio Oriente há vários anos no PÚBLICO, explica porque é que Ormuz é uma peça central nesta disputa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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983
O P24 agora é Hoje
O Hoje é o podcast diário de informação do PÚBLICO. De segunda a sexta, a jornalista Sara de Melo Rocha conversa com os repórteres do Público e os especialistas que melhor conhecem os temas da actualidade para ir além da notícia. Vamos saber o que aconteceu, porque aconteceu e o que isso nos diz sobre o mundo em que vivemos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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982
P24 chega ao fim. Hoje, com Sara de Melo Rocha, começa segunda-feira
Foi uma aventura diária de quase dois mil episódios. Depois de sete anos com a marca P24, a partir de segunda-feira, o podcast das manhãs do PÚBLICO vai mudar. O P24 chega ao fim e passa a ter um novo modelo, um novo nome - Hoje - e um novo rosto: Sara de Melo Rocha. Neste episódio especial do P24, conhecemos a Sara e antecipamos o que vai ser o novo Hoje. A partir de segunda-feira, 27 de Julho, vai poder ouvir o Hoje no mesmo sítio onde habitualmente ouvia o P24.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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981
EUA atacam, Irão retalia e a guerra continua até quando?
A batalha entre os EUA e o Irão está mais próxima de uma escalada do que de uma solução diplomática. Washington tem atacado infra-estruturas civis e Teerão tem provocado baixas entre soldados norte-americanos em bases em países do Golfo. O secretário de Estado Marco Rubio disse que os EUA irão continuar a atacar o Irão enquanto este tentar exercer o controlo sobre o estreito de Ormuz e o presidente iraniano Massoud Pezeshkian afirmou que o país está em guerra total. Esta guerra, que ambas as partes pretendem prolongar, vai adquirir maiores repercussões económicas caso os Houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, bloqueiem a rota do mar Vermelho como percurso alternativo para o petróleo, em particular para a Arábia Saudita. O Pentágono já gastou 37,5 milhões de dólares nesta guerra, como acabamos de ouvir, e o secretário de Estado Pete Hegseth foi ao senado pedir um reforço de verbas. O conflito é cada vez mais oneroso para os EUA e poderá tornar-se politicamente insustentável se o aumento dos preços da energia começar a afectar seriamente o custo de vida dos cidadãos, diz Tiago André Lopes, o nosso convidado de hoje. Tiago André Lopes, professor de Estudos Asiáticos e Diplomacia na Universidade Lusíada do Porto, acrescenta que, neste mundo bizarro, estamos perante a possibilidade de assistirmos a uma nova geração de conflitos congelados, para os quais não existem soluções diplomáticas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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980
Novo primeiro-ministro do Reino Unido é só um par de pestanas e uma t-shirt preta?
O 59.º primeiro-ministro do Reino Unido tomou posse como o exemplo do autarca modelo, à frente da Grande Manchester, e como alguém que acha compreensível que as pessoas lá em casa estejam fartas da política. Andy Burnham assume funções numa conjuntura de grande impopularidade do centro-esquerda, de estagnação económica e de ascensão da direita radical e populista. Propõe um novo modelo político e económico, a descentralização e a reindustrialização do país. O alívio do elevado custo de vida, sobretudo. Veremos se, como diz a líder da oposição, este político nascido em Liverpool é mais do que um par de pestanas e uma t-shirt preta (ou azul-escura). Há uma série de questões de se colocam ao “Rei do Norte”, como lhe chamam. A sua intenção de transferir parte do Executivo para Manchester terá algum impacto na unidade trabalhista? A reversão do Brexit que, com o sucessor, Keir Starmer, parecia provável, estará comprometida? Que consequências terão o seu apoio a Israel neste renascer da esperança trabalhista? O 7.º primeiro-ministro em 10 anos vai acabar a legislatura ou vai acontecer com os trabalhistas o que aconteceu com os conservadores: uma sucessão de demissões até à derrota final? É sobre tudo isto que vamos falar com António Saraiva Lima, jornalista do PÚBLICO e moderador do podcast Diplomatas, que pode ouvir todas as quintas-feiras no PÚBLICO ou nas plataformas de streaming.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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979
Exames Nacionais: erro atrás de erro força ministro a criar época especial
O ministro da Educação voltou a pedir desculpa pelos erros no processo de classificação dos exames nacionais. Fernando Alexandre também voltou a insistir que estava tudo praticamente resolvido e que o mesmo modelo será utilizado na segunda fase de exames, que começa hoje, mas anunciou uma época especial de exames, a realizar em Setembro. O concurso nacional de acesso ao ensino superior começou ontem e decorre até 6 de Agosto. Os exames nacionais do ensino secundário contam, no mínimo, 45% para a nota de candidatura e o melhor é que quem consultou as notas dos exames, na sexta-feira, as verifique de novo. As notas começaram a chegar, na sexta-feira, depois de os resultados do 9.º ano terem sido adiados. As classificações de, pelo menos 1400 alunos, foram suspensas, por causa do extravio de provas ou itens que não foram todos classificados no novo processo de avaliação digital dos exames. Mas também devido a erros de exportação nas pautas enviadas. Ontem, foram detectados novos erros na prova de Geografia. Reagindo à comunicação do ministro, Filinto Mota, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Publicas, disse que o ministro é “um autêntico bombeiro, porque o processo correu mal e ainda não acabou”. João Costa, ex-ministro da Educação do último governo socialista, que introduziu o princípio da digitalização dos exames, é o convidado de hoje.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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978
Espanha: o triunfo do futebol e o balanço deste Mundial
A Espanha sagrou-se neste domingo, 20 de Julho, campeã mundial de futebol, o segundo título da sua história, com um triunfo por 1-0 sobre uma Argentina que praticamente não atacou. Dezasseis anos depois da primeira vez, esta versão da “roja” deixou orgulhosa a sua antecessora de 2010, com uma exibição dominante que deixou Lionel Messi sem o seu segundo título consecutivo e a Argentina sem o quarto. Tal como Iniesta em 2010, Ferrán Torres foi o herói. Neste P24 ouvimos a análise dos jornalistas do PÚBLICO Nuno Sousa, Marco Vaza e Diogo Cardoso Oliveira.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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977
Estado da Nação: retrato de um país descontente que não vislumbra soluções políticas para melhorar
No debate desta quinta-feira do Estado da Nação, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, fez o que se esperava que fizesse. Deixou ao parlamento a sua visão positiva sobre o trabalho do Governo e garantiu que o país está a melhorar desde que assumiu o cargo. O seu problema maior, porém, está na sintonia entre o teor do seu discurso e a avaliação que os portugueses fazem das suas realizações. Ora, seguindo os dados da sondagem do CESOP, da Universidade Católica, para o PÚBLICO, RTP e Antena 1, essa sintonia não existe. Pelo contrário, 79% dos inquiridos dizem que em 2026 o país está pior do que em 2025. E 12% acreditam que o maior problema com que Portugal se confronta hoje está na falta de liderança, ou inacção, do Governo. O debate do estado da nação acontece num momento particularmente difícil para o Governo. A confusão e incerteza que paira sobre o processo de avaliação dos exames nacionais do 11º e 12º ano, associado à digitalização das provas escritas em papel, geram apreensão a legitimam a sensação de que esta operação sensível não se fez com a prudência e o rigor devidos. Mas, não basta uma das estrelas do seu governo, o ministro da Educação, Fernando Alexandre estar a ser objecto de dúvidas e de críticas. O caso da casa de campo do ministro da administração interna, outra estrela da governação, promete ensombrar a mensagem positiva que Luís Montenegro se esforçou por deixar aos deputados e ao país. Apesar de todos estes constrangimentos, a AD aparece lado a lado com o PS nas intenções de voto caso houvesse por estes dias uma nova eleição. O que também não é um bom augúrio para José Luís Carneiro, nem para André Ventura, cujo partido, o Chega, recua para a terceira posição. Mas se este dado da sondagem nos sugere uma situação política bloqueada, deixa também sinais para o futuro pouco promissores. O Estado da Nação descreve-se, assim, com um estado de espírito de um país descontente que não vislumbra alternativas políticas para corrigir a situação. Uma sensação que se reforça quando dois terços dos inquiridos na sondagem afirmam que, apesar do descontentamento, o melhor mesmo é deixar o Governo cumprir o seu mandato. O que nos dizem estes números e o seu confronto com o natural optimismo de Montenegro? Oportunidade para uma conversa com João António, cientista político e director do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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976
O Estado da Nação, entre as nuvens negras da oposição e o dia soalheiro do Governo
Em Maio, o primeiro-ministro foi à Alemanha e deixou a uma plateia composta por investidores e figuras gradas da administração um retrato apolíneo do estado do país. Luís Montenegro falou de reformas, falou de estabilidade política e estabilidade social, falou das contas públicas em ordem, do défice à redução da dívida. Um país, portanto, que é a inveja da Europa. Não fora uma gafe, e o primeiro-ministro teria saído de Berlim como uma espécie de herói dos novos tempos da União Europeia. Por azar, no meio do seu discurso, disse Führer, uma palavra maldita, em vez de future, futuro. No regresso, Montenegro queixou-se de que em Portugal ninguém o valoriza como a rendida plateia que, disse ele, representava 80% da riqueza nacional da Alemanha. Faz parte. Quem governa reclama sempre para si e para os seus os louros que a oposição e uma parte, maior ou menor, da sociedade não reconhece. Hoje, no debate do Estado da Nação, essa divergência voltará a emergir. Ainda por cima quando dois dos seus mais importantes ministros, o da Educação e da Administração Interna, estão envolvidos em assuntos tóxicos para a sua popularidade e credibilidade, o caso dos exames de Fernando Alexandre e da casa de campo de Luís Neves. No que é possível medir, o Governo continua a dispor de contas públicas controladas. Não tão saudáveis como há três anos, mas, de facto, num plano invejável para a média europeia. O crescimento vai continuar, mas mais lento. O défice pode regressar, mas é moderado. O rendimento real das famílias cresceu. O desemprego continua a reduzir-se. Mas há números que dão argumentos à oposição: Montenegro herdou a melhor conjuntura financeira em muitas décadas e não a está a segurar. Junte-se a isto os problemas que se agravam na saúde ou, agora em especial, na educação, nos desafios para o futuro colocados pelo aumento da despesa na defesa nacional, nas polémicas inflacionadas da imigração, no tempo perdido na reforma laboral ou na situação internacional que causa ansiedade. E pergunte-se: em que estado está a nação? Entre a percepção e a realidade, a natural propaganda do discurso do Governo e o olhar, também naturalmente, negativo da oposição, quem está mais perto da verdade? Para aprofundar esta discussão, convidámos para conversar connosco neste episódio Isabel Flores, investigadora, doutorada em sociologia e políticas públicas e directora executiva do Instituto de Políticas Públicas e Sociais do ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa. O instituto que dirige acaba de publicar um estudo sobre o estado da nação, que pode conhecer em detalhe nas edições digital e impressa do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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975
O caso dos exames não pára de acumular falhas
O ministro da Educação desdobrou-se em garantias e em entrevistas às televisões para explicar um processo que correu mal e está a correr mal. Ontem, a história voltou a correr mal quando Fernando Alexandre constata que é preciso mais um dia para garantir que as avaliações são feitas de forma justa, sem erros, nem mais tropelias. No próprio dia em que, disse o ministro, 98% das provas estavam corrigidas, o PÚBLICO dava conta da crise de desconfiança que reinava entre os professores. E por simples dedução lógica, da desconfiança que se instalou entre milhares de alunos e pais. Com tantas falhas e tantas dúvidas até ao final do prazo do primeiro adiamento, ontem ao final da tarde, torna-se difícil acreditar que este processo pode ter um final feliz. Quando a horas do fecho do processo uma professora continuava sem saber como classificar respostas que não apareciam na íntegra na digitalização em que estava a trabalhar, torna-se mais difícil acreditar que num dia tudo fica devidamente resolvido. O ónus da prova está do lado do Ministério da Educação. Mesmo admitindo que o prazo para as avaliações fica fechado hoje, a crise dos exames deixará rastos. Na relação dos professores com a tutela política, na relação de alunos e pais com o sistema educativo, na dimensão da força política que Fernando Alexandre necessita para se manter à frente da educação em Portugal. A hora do balanço ainda não chegou. Até porque pode ser que o acesso dos alunos às suas provas sejam completamente isento de dúvidas e de erros, como pode ser que os últimos dias sejam esquecidos com o regresso à normalidade no concurso de acesso à universidade. Pode ser, mas dificilmente assim será. Vamos ver e perceber como é que alguém que tem seguido o processo muito de perto desde o seu começo analisa a presente situação. Vamos falar neste episódio com a Andreia Sanches, grande repórter do PÚBLICO particularmente dedicada a acompanhar para o jornal os assuntos da educação.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Aberto ou fechado? Como fica o estreito de Ormuz e a guerra no Irão entre os ziguezagues de Trump?
Ao início da noite de segunda-feira, Donald Trump prometia mais dois dias de ataques ao Irão e declarou o estreito de Ormuz como "aberto". Mas desta vez a abertura tem direito a portagem: 20% do valor sobre toda a carga passam a ir para os Estados Unidos, com a justificação de que os americanos vão guardar a segurança desta via marítima. Antes da guerra, nenhum navio pagava portagem para passar neste estreito. A guerra, que teve um cessar fogo há menos de um mês, voltou a ter bombardeamentos sucessivos num conflito sem fim aparente e que já está a fazer subir de novo o preço do petróleo. Neste P24, ouvimos o jornalista Pedro Guerreiro que habitualmente cobre a actualidade política dos Estados Unidos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O Livre quer ser o futuro da esquerda. Conseguirá?
“O Livre é o futuro da esquerda, quer queiram, quer não queiram.” A frase é de Jorge Pinto, eleito este fim-de-semana porta-voz do Livre. O deputado sucede a Rui Tavares e junta-se a Isabel Mendes Lopes, que se mantém na mesma função. Num momento em que o Bloco de Esquerda procura recuperar de sucessivos recuos eleitorais e o PS tenta reencontrar-se na oposição, o Livre acredita que chegou a sua oportunidade. A ambição ficou clara ao longo do congresso. “Com esta equipa, vamos à conquista do poder”, afirmou Jorge Pinto. “Vai ser poder e vai ser poder já no próximo ciclo eleitoral.” Durante dois dias, em Sintra, o Livre procurou apresentar-se como uma “nova esquerda”. Criticou os “cheques em branco” do PS ao Governo, desafiou os socialistas a travarem uma eventual revisão constitucional apoiada pela direita e voltou a colocar a regionalização entre as suas prioridades políticas. Tudo isto acontece numa altura em que o Livre é um dos poucos partidos à esquerda a crescer eleitoralmente. Mas conseguirá transformar esse crescimento em poder político? E que lugar quer ocupar numa esquerda que continua à procura de se reinventar? Neste episódio do P24 analisamos o significado político do congresso do Livre e os desafios que o partido tem pela frente. O convidado é David Santiago, editor de Política do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Almada sem água: “Em 2026 não faz sentido a seca chegar às torneiras”
Há vários dias que milhares de pessoas em Almada vivem com falhas no abastecimento de água. Há moradores que acordam sem saber se vão conseguir tomar banho, cozinhar ou simplesmente lavar a loiça. Há famílias a encher garrafões, baldes e recipientes sempre que a água volta às torneiras, numa corrida contra o tempo para garantir o essencial para o dia seguinte. O impacto também já chegou aos negócios. Restaurantes e cafés dizem não ter condições para funcionar normalmente. E a revolta de quem vive esta situação levou centenas de pessoas para a rua, a exigir respostas e soluções. Perante a gravidade da situação, a autarquia decretou o estado de alerta. Há restrições ao consumo, cortes nocturnos em várias localidades e um apelo para reduzir ao mínimo o uso de água. Numa mensagem dirigida à população, a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, admitiu a gravidade do problema: “A realidade é simples e difícil. Estamos a consumir muito mais água do que aquela que o sistema consegue repor.” A autarca revelou ainda que os reservatórios se encontram muito abaixo dos níveis considerados seguros: “Os reservatórios estão com 10% quando deviam estar próximos dos 60%, para garantir o funcionamento seguro da rede.” Mas, afinal, como é que um dos maiores concelhos da Área Metropolitana de Lisboa chegou a este ponto? Estamos perante um aumento excepcional do consumo, como defende a autarquia? Ou perante anos de falta de investimento, como acusam os partidos da oposição? O secretário-geral do PSD, Hugo Carneiro, responsabilizou a gestão municipal pela situação: “O que está a acontecer em Almada deve-se, sabe-se agora, a uma total falta de investimento nos últimos anos na rede de abastecimento e captação de água naquele concelho.” Neste episódio do P24, tentamos perceber o que está na origem desta crise, que riscos existem para o futuro e o que este caso revela sobre a gestão da água em Portugal. O convidado é Joaquim Poças Martins, professor universitário e especialista em recursos hídricos e sistemas de abastecimento de água.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Uber, táxi ou papá?
É muito provável que os portugueses que têm hoje 24 ou 25 anos se lembrem bem deste anúncio e de certeza absoluta de muitos dos seus pais o recordam como uma espécie de libertação e alívio. O que estava em causa era uma pequena revolução. A UBER, ou a Bolt, estavam a chegar a Portugal prontas a mudar de fio a pavio a mobilidade urbana. No princípio, eram meia dúzia de carros, em Fevereiro deste ano contavam-se já 36.492 veículos conduzidos por 38.928 motoristas. No princípio desencadeou-se uma guerra azeda entre o sector do táxi e os serviços das plataformas, mas ontem a Assembleia da República aprovou uma lei que abre portas à taxicização da Uber ou, se preferirem, à boltização do táxi. A proposta aprovada com os votos do PSD e do Chega vai permitir que os táxis entrem nas plataformas da Uber. Quer dizer o seguinte: um dia alguém pede um Uber ou um Bolt, na plataforma chega a mensagem com a matrícula e o nome do condutor, só que em vez de um automóvel descaracterizado aparece um táxi normal. Nada que não exista em outros países. No Brasil, por exemplo, as aplicações permitem distinguir, entre outras opções, a modalidade conforto e táxi. De resto, no Porto a Bolt já teve um serviço que permitia ao cliente escolher um táxi. A lei aprovada não prevê qualquer distinção. A novidade está a causar preocupação e protesto aos motoristas da Uber e do serviço de táxi. Os primeiros porque vão ter mais concorrência por parte de uma classe que tem privilégios legais em relação a eles – o táxi é considerado serviço público. Os taxistas porque, quando estiverem ao serviço da Uber vão ter de aceitar ser iguais aos motoristas da Uber. Entre muitas outras mudanças aprovadas esta quarta-feira, o uso da língua portuguesa passa a ser obrigatório e a tarifa dinâmica, que faz os preços aumentar em função da procura, deixa de ter qualquer limite, como até agora. Haverá botões de segurança, haverá avaliação de clientes, entre outras alterações. Mas, a grande novidade está aí: a opção entre a Uber ou o papá conta agora com uma nova alternativa: o táxi. Vamos tentar perceber melhor o que está em causa e entender as razões dos incómodos manifestados pelos motoristas das plataformas em relação às mudanças da lei que vigorava desde 2018. Para o efeito convidámos para este episódio Ivo Fernandes, presidente da Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados, que representa mais de 14 mil empresas do sector.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A NATO começa a ficar mais europeia, mas ainda precisa da América
Na conferência inaugural da cimeira da NATO em Ancara, na Turquia, o secretário-geral da organização, Mark Rutte apresentou-se aos delegados dos estados membros com o seu proverbial optimismo. “Estamos à beira de uma nova revolução industrial no sector da defesa”, anunciou. A promessa dos europeus de aplicarem 5% do PIB na indústria e logística da guerra, avisou, está a dar resultados. Há novos aviões de transporte da Airbus a serem apresentados, há avanços na indústria de drones, onde a portuguesa Tekever dá cartas, há novas tecnologias da sueca SAAB capazes de substituir os sistemas de vigilância dos velhos aviões Awacs. Tudo boas notícias, portanto? Nem por isso. A cimeira de Ancara continua ensombrada por um espectro. O do abandono dos Estados Unidos do palco europeu, que está em curso. O maior problema desta opção, tem a ver com o tempo que resta para que a velha ordem da NATO e da defesa europeia possam dar origem a uma nova. Como escreveu esta terça-feira o New York Times, a maior ansiedade da Europa é saber se a transição para o que muitos chamam de NATO 3.0 vai acontecer o mais suavemente possível. E mesmo que não haja um ataque da Rússia antes de 2035, quando o colossal investimento europeu na defesa atingirá os tais 5% do PIB, uma NATO sem os americanos continua a ser difícil de conceber. Mesmo que as forças convencionais da Europa aumentem, um sistema eficaz de defesa do continente, dizem os especialistas, precisa da dissuasão nuclear americana. E da ultra sofisticação de muitas das suas armas. Suspensa destes dilemas, a cimeira de Ancara é mais um episódio do drama de um continente que parece uma criança que, de repente, deixou de contar com os braços protectores dos seus pais. Com a América fora, dizia o Financial Times, a Europa vê-se obrigada a pensar no impensável. Nas armas que ainda não tem para responder a um ataque russo ou nas armas que terá de desenvolver a partir de um buraco negro. Vale a pena apostar em tanques? O que se pode aprender com a extraordinária máquina de defesa ucraniana de drones? Em que medida se poderá acreditar que os americanos poderão, ao menos, fazer o que a cavalaria fazia nos filmes de cowboys, como sugere o ministro polaco dos Negócios Estrangeiros, Radoslaw Sikorsky? Nestes tempos de incerteza, as perguntas abundam e as respostas vão proliferando. A Rita Siza, correspondente do PÚBLICO em Bruxelas está em Ancara a cobrir a cimeira da NATO e, por isso, está em condições ideais para nos ajudar a entender o que se passa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A corte de Roberto Martínez está fora do Mundial. Estava escrito nas estrelas
À partida, poucos portugueses acreditavam que a selecção nacional fosse capaz de resistir à máquina trituradora da Espanha. Mas a selecção contrariou as piores previsões e resistiu. Pelo menos até ao momento em que o jogo exigia respostas vindas do banco. Respostas que implicavam frescura física, força moral e determinação para equilibrar o crescente ascendente da Espanha. Não veio essa resposta e Portugal sucumbiu. Não porque se ficasse com a sensação de que a equipa nacional era claramente inferior aos seus adversários. Sucumbiu principalmente porque lhe faltou um líder capaz de lhe incutir determinação, vigor e coragem para acreditar que a vitória estava, como esteve na primeira parte, ao seu alcance. Faltou-lhe um treinador. Como a generalidade dos especialistas, jornalistas ou treinadores, tinham avisado, a selecção estava viciada numa escolha de onze jogadores que não se explicava pela sua forma, mas pelo seu estatuto. Neste jogo com a Espanha, o aviso fez mais sentido do que nunca. Como se em causa estivesse uma corte de nobres, havia duques e marqueses com lugar garantido à mesa do rei, mesmo que estivessem fora de forma ou mesmo que o seu desgaste fosse mais do que evidente. Ao insistir em Ronaldo todo o jogo ou num Bruno Fernandes claramente abaixo do que vale, Roberto Martínez subverteu por completo a noção do mérito e da justiça relativa que fazem a coesão das equipas. Não, Portugal não jogou mal. Mas não merecia a vitória, como não mereceu mais do que o empate frente à Colômbia ou ao Congo. Da mesma forma, Cristiano Ronaldo, que com 41 anos viveu o seu último mundial, não merecia esta exposição que tornou claro aos olhos do mundo o seu natural declínio físico – como nós, é um ser humano. Jogar todos os jogos até ao fim, com excepção do jogo com a Croácia, foi um castigo que o treinador lhe impôs. Já tinha acontecido no Catar e aconteceu contra a Croácia: Gonçalo Ramos só não jogou este jogo porque Portugal não tinha um treinador. Portugal merecia mais, porque tem jogadores de qualidade mundial – Diogo Costa, merece especial menção neste Mundial. Os que foram à América e outros que só não foram, lá está, porque Martínez escolheu não uma equipa de futebol, mas uma corte de nobres fechada. Felizmente para Portugal, Martínez vai embora. Depois de ter enterrado uma das melhores selecções da Bélgica, enterra uma geração de ouro do futebol nacional. Que tenha sorte na Arábia, onde as sheiks e os próximos da casa de saud têm lugar garantido à mesa do rei. Mas vamos tentar saber o que aconteceu com quem sabe mesmo de bola. Com o Nuno Sousa, um dos editores de Desporto do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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968
Porque está a falhar a CP na antecâmara da liberalização dos comboios suburbanos?
Neste episódio do P24, analisamos o momento de profunda transformação (e de crise) que atravessa o sector ferroviário em Portugal. Com a ajuda do jornalista do PÚBLICO Carlos Cipriano, especialista em ferrovia, partimos de um fim-de-semana marcado por supressões relacionadas com as falhas no ar condicionado dos comboios e críticas ao "estado miserável" da CP para compreender as causas estruturais por trás das supressões e da falta de manutenção. Mas nem tudo são más notícias: a 19 de Julho entra ao serviço a electrificação total da Linha do Algarve, que vai permitir viagens directas entre Lagos e Vila Real de Santo António, eliminando os históricos transbordos em Faro, embora ainda persistam limitações físicas em pontes antigas que impedem a passagem do serviço Intercidades. A conversa detalha também as expectativas em torno dos novos comboios encomendados à Stadler e à Alstom. Outro tema central deste P24 dedicado à ferrovia é o plano do Governo para a liberalização e subconcessão de linhas suburbanas estratégicas, como a de Cascais, Sintra e Azambuja e a rede de suburbanos do Porto, um processo ainda envolto em secretismo que poderá levar operadores privados a gerir estes serviços sob a marca CP.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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967
A América faz anos e merece os parabéns, apesar dos desgostos que nos dá
No dia 4 de Julho de 1776, cumprem-se neste sábado 250 anos, um novo país nascia no outro lado do Atlântico. Representantes das 13 colónias britânicas da América do Norte tinham chegado à conclusão de que não podiam continuar dependentes do poder político com sede em Londres. Numa reunião histórica em Filadélfia, declararam a independência dos Estados Unidos da América, celebraram com vinho Madeira e, anos mais tarde, aprovaram uma Constituição que trouxe novos horizontes à relação entre a soberania do povo e os seus representantes. Nada seria como antes depois desse texto fundamental. Ao atribuir a nós, o povo, a origem do poder político, os constituintes americanos abriram portas a novas formas de Governo, um governo do povo, pelo povo e para o povo. Pelo caminho, recusaram o direito divino dos reis ou toda e qualquer forma de autocracia ou oligarquia. Ao longo destes 250 anos, nem todas as premissas do espírito da revolução americana foram cumpridas. A sua história é, e continua a ser, marcada por episódios de violência e de negação do princípio segundo o qual todos somos iguais perante a lei. A declaração dos direitos do homem foi demasiadas vezes contestada em abusos do poder, em assassinatos políticos ou numa guerra civil que teve o esclavagismo como causa. Mas, apesar de todas as vicissitudes, a América tornar-se-ia um farol da liberdade, dos direitos individuais e do equilíbrio dos poderes. A plenitude dos direitos civis entre brancos e negros demorou quase 200 anos a ser conseguida, mas para milhões de seres humanos, o sonho americano tornou-se um farol e um propósito. O país onde todos tinham possibilidade de acreditar que a sua origem social era um ponto de partida, não uma condenação. Muitos desses valores democráticos e liberais estão hoje particularmente em causa com a administração Trump. O poder político ingere no poder judicial. A oligarquia firma os seus interesses por oposição ao interesse geral. O ideal de liberdade, de estabilidade do sistema do direito internacional, conquistado em grande parte pelos Estados Unidos, está ameaçado. Mas não é com um abalo que as conquistas da revolução de há 250 anos ficam destruídas. Nas manifestações de rua o mote é ainda "no kings", não há reis. Há juízes, universidades e políticos que resistem. A América liberal luta. Vamos discutir estes e outros temas com um reconhecido especialista em Direito Internacional. Chama-se Azeredo Lopes e é professor no Centro Regional Norte da Universidade Católica.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O Governo vai chumbar nos exames do secundário?
Os exames nacionais do ensino secundário não estão a correr bem ao Governo. A primeira polémica ocorreu com a utilização no exame de Português de um cartoon, sobre o qual os alunos deveriam fazer uma apreciação crítica, que já tinha sido publicado num manual de preparação para exames da editora Leya. A credibilidade da prova de acesso ao ensino superior foi posta em causa e a Inspecção-geral da Educação e Ciência concluiu ter existido uma “falha objectiva” na sua elaboração. A seguir, surgiram outros problemas, relacionados com a correcção digital dos exames. Os professores que classificam os testes começaram a relatar dificuldades técnicas na plataforma utilizada, pela primeira vez, este ano: exames incompletos, páginas trocadas entre disciplinas diferentes, respostas não digitalizadas, atrasos no acesso às provas e convocatórias de docentes para disciplinas que não leccionam. O ministro da Educação admitiu algumas “dificuldades técnicas” e deu como exemplo o facto de as escolas agrafarem, indevidamente, as folhas de resposta dos alunos. Ontem, no parlamento, Fernando Alexandre garantiu que os prazos serão cumpridos e que nenhum aluno será prejudicado. Carlos Louro, presidente interino da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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965
Estamos preparados para Verões cada vez mais quentes e noites tropicais?
O mês de Julho em Portugal continental começou com uma vaga de calor que promete ser longa. As temperaturas estão acima da média, as ondas de calor são cada vez mais intensas e o planeta vai continuar a aquecer todos os anos. Especialistas afirmam que já não é possível voltar atrás e que estamos ainda num processo de aquecimento e não numa fase de estabilidade. Na prática, estamos a entrar num tempo em que o calor deixará de ser uma excepção e passará a ser uma condição permanente da nossa vida quotidiana. Dito isto, preparemo-nos. No Alentejo, a fasquia dos 40 graus Celsius será superada a partir de quarta-feira, sendo que as temperaturas mais elevadas se deverão estender a outras regiões do país no fim-de-semana. E prepare-se, também, para as noites tropicais, com as temperaturas mínimas a oscilar entre os 12º.C e os 17º.C, prevendo-se que ultrapasse, nestes dias, os 20.ºC no interior. Porque é que Portugal tem estado relativamente mais protegido do que outras zonas da Europa? Que papel desempenha o Atlântico? E até que ponto estamos preparados para suportar Verões mais quentes, noites tropicais e períodos prolongados de desconforto térmico? O convidado deste episódio é Miguel Miranda, ex-presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, entre 2013 e 2023.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Mau sinal: este ano não vai haver mais cortes adicionais no IRS
Há cerca de um mês, Luís Montenegro fez uma viagem no tempo, recuou ao longínquo dia 28 de Setembro de 1992 e recuperou uma tese de Braga de Macedo, então ministro das Finanças, que ficou para a História: Portugal é um oásis no deserto aflitivo das contas públicas da Europa. Em bom rigor, há um mês atrás a declaração de Montenegro soava a optimismo exagerado, mas ninguém punha em causa a excelente saúde das finanças do Estado. Mas num mês acontece muita coisa e talvez não seja má ideia voltar atrás e deixar uma pergunta: se fosse hoje, o primeiro-ministro teria o mesmo arrojo em pintar um quadro tão favorável. Talvez não. Vamos a factos: No primeiro trimestre do ano, as contas públicas registaram um défice de 0,7% do PIB. Ou seja, a diferença entre o que o estado arrecadou e o que gastou nesse período foi negativa em 510 milhões de euros. Foi a primeira vez desde 2022 que Portugal iniciou um ano com um défice orçamental no primeiro trimestre. Depois, no futuro próximo, a recuperação será difícil. Há um consenso nas organizações internacionais de que o crescimento do produto em Portugal será menor do que o esperado pelo Governo. Ou seja, acabaram as folgas para cortes adicionais no IRS como nos últimos anos. E, a acreditar no ex-governador de Portugal, Mário Centeno, Portugal não cumpre desde 2024 as regras financeiras da União Europeia. Daqui a dois anos, terá de fazer um corte de 12 mil milhões de euros ao que gasta, diz o economista. Mas, talvez ainda mais preocupante que estes sinais da conjuntura, são os dados de fundo da economia portuguesa. As exportações portuguesas, que na era da "troika" passaram de 30 para 49,5% do PIB, estão a recuar. Hoje representam cerca de 43,5% do produto. E, mais desanimador ainda, ou para usar a expressão do director da faculdade de economia do Porto, Óscar Afonso, um ‘murro no estômago’ da Nação, soubemos na semana passada que somos 11,4 milhões de pessoas, não os 10,6 milhões, número que usávamos para calcular a riqueza nacional. O bolo pode crescer um pouquinho, mas é certo entre os economistas que a riqueza dos portugueses em comparação com a média da União Europeia coloca-nos numa situação deplorável. Em vez dos 81,3% de riqueza da média europeia, estamos agora com os novos dados da população em 77%, nas contas de Óscar Afonso. Ou seja somos o sexto país mais pobre em rendimento per capita dos 27 Estados Membros da União. Caímos na realidade? O discurso do oásis que os governos de António Costa e Luís Montenegro nos andavam a vender não passaram de propaganda? Oportunidade para falarmos com Ricardo Arroja, economista, académico, ex-presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) e colunista do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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963
Imigrantes dos PALOP entram e sul-asiáticos saem
O número de imigrantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) está a crescer e o número de imigrantes do sul da Ásia a diminuir. Os dados do Instituto Nacional de Estatística sobre a população estrangeira residente, e regularizada nos últimos cinco, anos mostra que Angola acrescentou mais de 70 mil residentes e que se tornou na segunda maior nacionalidade estrangeira em Portugal. Como pode ler no PÚBLICO de hoje, o crescimento dos cidadãos dos PALOP não se resume a Angola. São Tomé e Príncipe e Moçambique apresentaram as maiores taxas de crescimento, acima dos 200%. São Tomé e Príncipe quase quadruplicou, de cerca de 13 mil para mais de 46 mil cidadãos, e Moçambique passou de pouco mais de cinco mil para mais de 17 mil cidadãos registados. Os dois blocos de residentes — PALOP e Sul da Ásia (Índia, Nepal, Bangladesh e Paquistão) — cresceram quase ao mesmo ritmo entre 2021 e 2025, ou seja, na ordem dos 160%. Mas começaram a divergir em 2025. O aumento do custo de vida e o fim de manifestação de interesse têm alguma responsabilidade nisso? Joana Gorjão Henriques, jornalista do PÚBLICO, especializada nos temas da imigração, é a convidada deste episódio e responde a estas e a outras questões.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Nancy Gomes: “Vamos ter problemas para perceber a dimensão desta catástrofe na Venezuela”
A terra tremeu na Venezuela. Dois sismos, quase em simultâneo, de magnitude superior a 7 na escala de Ritcher, derrubaram edifícios em várias cidades e provocaram, até ao momento, quase duas centenas de mortos e desalojaram milhares de pessoas. O ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou a morte, pelo menos, de um cidadão português, que foi retirado com vida dos escombros, mas que morreu a caminho do hospital, e o desaparecimento de outros quatro. O número real de vítimas deve ser bastante mais elevado. Segundo estimativas do Serviço Geológico dos Estados Unidos, há uma forte probabilidade de que venham a ser registadas mais de dez mil vítimas mortais. A ONU está a coordenar “o envio rápido de equipas de busca e salvamento urbano”, vindas de todas as partes do mundo. Portugal vai enviar uma equipa de 53 profissionais de emergência médica e salvamento e a Comissão Europeia activou o Mecanismo de Protecção Civil da União Europeia para responder de forma coordenada. A convidada deste episódio é a lusovenezuelana Nancy Gomes, professora na Universidade Autónoma de Lisboa, onde lecciona e coordena a Cátedra de Estudos Iberoamericanos. Nancy Gomes, que lançou, ontem, o livro Venezuela, país em Suspenso, considera que será difícil perceber a "verdadeira dimensão desta catástrofe".See omnystudio.com/listener for privacy information.
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961
A nova prestação social única negociada entre PSD e PS deixa os imigrantes em paz
Em Houston, nos Estados Unidos, às portas do estádio onde Portugal ia jogar, o primeiro-ministro pediu espírito de equipa para se garantir a aprovação da Prestação Social Única. Compreende-se o pedido. O Governo foi na semana passada surpreendido com o chumbo da legislação laboral e tinha de evitar a todo o custo uma nova derrota. Até porque há prazos rígidos para se evitar a perda de cerca de 600 milhões de euros, uma penalização inscrita no acordo do PRR. Só que, para que esse espírito de equipa fosse garantido, era obrigatório superar barreiras políticas sensíveis. Como é hábito, o Chega não perdia a oportunidade de voltar a atacar os imigrantes, colocando o Governo numa situação passível de inconstitucionalidade. E o PS colocava obstáculos no plano dos princípios que pareciam comprometer a negociação. No final, porém, tudo acabou em bem. O espírito de equipa entre as bancadas parlamentares do PSD e do PS conseguiu desenvolver um processo negocial que viabiliza a prestação social única. Quem ganhou e quem perdeu? Ambos. Como é apanágio das boas negociações O PS consegue travar o canal de denúncias e limitar o trabalho social, uma obrigação da primeira versão da lei. Os que recebem a prestação podem ser obrigados a trabalhar em serviços sociais ou de utilidade pública, mas agora no âmbito de contratos de inserção. Teses importantes do Governo, como o reforço do escrutínio e dos meios de combate à fraude, também constam na versão final que vai a votos esta quinta-feira. Fora do acordo fica a exigência do Chega em deixar os imigrantes fora do alcance das prestações sociais durante cinco anos. Um acordo possível, moderado, melhor que a versão inicial? Oportunidade para falarmos com Paula Campos Pinto, Doutorada em Sociologia, Professora Associada no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade de Lisboa, onde fundou e coordena o Observatório da Deficiência e Direitos Humanos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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960
Porque falha Portugal no combate à violência doméstica?
Apesar das sucessivas campanhas e de uma legislação considerada vanguardista, Portugal continua a falhar no tempo de resposta às vítimas de violência doméstica. O cenário é recorrente: denúncias que esbarram numa justiça morosa, com inquéritos longos e decisões que podem tardar anos a chegar. Esta justiça tardia não é apenas uma questão de calendário. Para quem vive sob ameaça, o tempo da justiça raramente coincide com o tempo para uma saída em segurança. Nos últimos dias somaram-se mais dois casos que mostram que, apesar das denúncias, nem sempre as vítimas conseguem a protecção de que precisam. A falta de articulação entre autoridades e a aplicação de forma predominante de penas suspensas alimenta um sentimento de impunidade que, no limite, desencoraja a denúncia e deixa as vítimas numa situação de vulnerabilidade acrescida. Neste P24 olhamos para o flagelo da violência doméstica. Para nos ajudar a compreender este fenómeno, falamos com investigadora do CISC.NOVA, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Elisabete Brasil. A investigadora encontra-se actualmente a desenvolver o seu doutoramento com a tese sobre "A Percepção do Impacto das Políticas Públicas na área da Violência Doméstica em Portugal".See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A demissão de Keir Starmer, entre o fracasso, o altruísmo e um país ansioso e descrente
Na política contemporânea ainda há lugar para surpresas que nos convidam a discutir temas em desuso. Como o desprendimento, o empenho no interesse nacional, o serviço público ou o respeito pelas regras da democracia nos partidos. Keir Starmer, o primeiro-ministro do Reino Unido, demitiu-se ontem e no seu discurso, do qual ouvimos uma pequena parte, estão elencadas muitas destas questões. No essencial, porém, o que ele disse aos seus concidadãos e ao mundo é que deixara de ser a pessoa indicada para dirigir o Partido Trabalhista nas suas próximas batalhas. Que era incapaz de se manter em funções. E disse também que chegara a essa conclusão depois de medir o grau de aprovação dos seus deputados ao seu mandato como líder partidário e como primeiro-ministro. É cada vez mais raro haver gestos destes na política. Starmer teve 718 dias de mandato em Downing Street. Falta ainda muito tempo para acabar a legislatura. Mas esse muito tempo ia obriga-lo a um combate político com os seus deputados e líderes partidários que não seria bom para ninguém – até para ele, que se arriscava a perder essa batalha. Como muitos analistas observaram, Keir Starmer não foi um bom primeiro ministro: falhou muitas das suas metas e revelou-se como um líder sem clareza de propósitos e com falta de uma visão e propostas assumidas para o seu país. Depois da derrota das autárquicas em Maio, sabia que jamais seria capaz de restaurar a sua autoridade no partido ou a sua liderança no país. Tratou por isso de esperar que um dos seus rivais declarados, o ex-presidente da Câmara de Manchester, Kenny Burnham, fosse eleito para o parlamento, o que aconteceu na passada quinta-feira, para entregar os destinos do parlamento e do governo aos membros do seu partido. Em Setembro, os trabalhistas e o Reino Unido terão um novo homem no leme. Faz pouco sentido avaliar se Starmer fez o que pôde, ou se podia fazer mais. Mais importante é notar que o Reino Unido consumiu o seu sexto primeiro-ministro em dez anos. Que, depois de resistir às vagas do extremismo europeu dos anos de 1920, o país está ameaçado pela extrema-direita de Farage. Ou que os custos do Brexit, cujo referendo aconteceu faz hoje dez anos, são cada vez mais assombrosos. O que se passa no Reino Unido? Tema para uma conversa com o jornalista António Saraiva Lima. O António é jornalista da equipa do internacional do PÚBLICO e acompanha com particular proximidade o noticiário do Reino Unido.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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F-35, Gripen ou Eurofighter? Está na altura de comprar europeu?
Há 30 anos que a Força Aérea não renova a sua frota de caças. Há várias opções de substituição dos F-16. Os norte-americanos da Lockheed Martin, com os F-36, são os preferidos dos militares portugueses, por acharem que isso permite melhor integração com os países aliados: até 2035, haverá cerca de 700 aparelhos no continente europeu, entre 12 membros da NATO, para além dos EUA e do Canadá. Um estudo interno da FAP coloca o F-35 à frente da concorrência, segundo 20 critérios técnicos como a letalidade, sobrevivência, furtividade ou conectividade. Os F-35 vão competir com o Gripen E/F, da sueca Saab, que quer incluir a indústria nacional na sua produção, e o Eurofighter Typhonn, do consórcio liderado pela Airbus. Mas, como disse o ministro da Defesa, Nuno Melo, a opção não será apenas técnica, porque a encomenda também obedecerá a critérios políticos. A Europa, o Atlântico, ou as duas dimensões em simultâneo? Com a decisão de substituir os F-16, Portugal regressa a esse dilema, num contexto de distanciamento entre os aliados europeus e a Casa Branca. A substituição dos F-16, um negócio que rondará os 2% do PIB nacional, é o tema da conversa com Pedro Guerreiro, jornalista e editor online do PÚBLICO, o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Montenegro em Congresso entre o Portugal maior, o unanimismo e a descentralização
Luís Montenegro ficou feliz com os resultados das eleições directas do PSD que o reconduziram na liderança durante mais dois anos com uma expressiva maioria de 94,8% dos votos. Mas convém situar com exactidão o que é a expressiva demonstração de adesão de que o primeiro-ministro fala nesta comunicação divulgada nas redes sociais. É que nas eleições directas votaram menos de 15 mil militantes. Ou seja, a abstenção foi superior a 70%. Ainda assim, Montenegro tem razões para partir para o 43º Congresso do PSD, este fim-de-semana em Sangalhos, Anadia, com optimismo. É um líder incontestado. Conseguiu devolver o poder ao partido e preservá-lo já lá vão mais de dois anos, para lá de ter conquistado a hegemonia nas autonomias e nos municípios. Não admira por isso que uma das suas maiores preocupações seja saber o que fazer para manter as expectativas dos seus eleitores vivas. A ambição do Portugal maior, o título da sua moção, porém, surge num contexto desafiante para o Governo. O contexto internacional está difícil e as previsões de crescimento da economia ruíram perante a realidade. As velhas debilidades estruturais do país, como o desequilíbrio da balança externa e o recuo das exportações, ressuscitam o fantasma do país que se endivida para consumir. Mas, como é hábito nestes conclaves, não é disso que o Congresso vai falar. Montenegro preocupa-se antes em sublinhar os traços do velho dinamismo do PSD para prometer um país mais moderno e competitivo. Não haverá assim espaço para debater as mudanças programáticas do PSD que o colocam mais perto do CDS e do Chega e mais longe da sua matriz social-democrata. Por imposição das bases, haverá apenas um discurso crítico aos excessos do centralismo português. Que acabará no vazio ou em vagas proclamações, até porque nada no programa do Governo autoriza a expectativa da verdadeira descentralização: a que a Constituição de 1976 consagrou na regionalização. O que podemos então esperar deste congresso? Uma clarificação, um debate útil para o partido, o Governo e a sociedade, ou apenas uma encenação para ungir o primeiro-ministro com a bênção da unanimidade e dos consensos? Ponto de partida para uma conversa com José Palmeira, professor assistente no departamento de ciência política da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho e director do Perspectivas, Jornal de Ciência Política.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Ouça a estreia do novo podcast do PÚBLICO dedidaco ao Mundial. António Simões: “Portugal foi a melhor equipa daquele Mundial e isso ninguém me tira”
Os “Magriços”, assim ficou conhecida a primeira selecção portuguesa num Mundial de futebol. Chegou, viu e venceu, por esta ordem, a Hungria, a Bulgária e o Brasil. Sim, o Brasil tinha Pelé, mas Portugal tinha Eusébio, a liderar a primeira grande geração de ouro do futebol português, baseada em grandes equipas do Benfica e do Sporting nos anos 1960. O ponto alto dessa estreia é aquele que, 60 anos depois, continua a ser um dos jogos mais extraordinários da história dos Mundiais. Um jogo em que a Coreia do Norte marcou logo no primeiro minuto e, aos 25’, já estava a ganhar por 3-0. Um jogo em que Eusébio marcou quatro golos seguidos e empurrou Portugal para as meias-finais. Portugal não foi mais longe do que isto, eliminado pela Inglaterra, que seria campeã no seu próprio Mundial, mas ainda teve um epílogo feliz, ao ganhar o terceiro lugar à URSS, a tal classificação que nunca foi igualada. António Simões esteve nesse Mundial, era o mais novo da selecção portuguesa, mas titular indiscutível na frente de ataque, um extremo que gostava de fintar, mas cujo único golo no Inglaterra 66, ao Brasil, foi de cabeça. Ele é o convidado do PÚBLICO no podcast que vai ser uma viagem no tempo, pelo passado de todas as selecções de Portugal que chegaram ao Mundial. Este é o primeiro episódio do podcast 8 Mundiais: Eu estive lá, com sonoplastia de Margarida Adão. O relato é de Rui Miguel Mendonça e a capa de João Mota. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Governo quer travar gastos com médicos tarefeiros: o problema é que sem eles o SNS colapsa
A escalada de tensão é o culminar de um longo braço de ferro feito à força de portarias regulamentares e decretos-lei redigidos e aprovados com um único propósito: reduzir o peso e o custo que os chamados médicos tarefeiros têm nas contas do Serviço Nacional de Saúde. Em 2025, o Estado gastou 250 milhões de euros, mais 17% que no ano anterior, a contratar estes profissionais de modo a evitar mais episódios de encerramentos ou caos em serviços dos hospitais. Não é só o problema do dinheiro que conta. Ao ter de abrir os cordões à bolsa para atrair tarefeiros, o Governo acabou por discriminar negativamente os médicos do quadro do SNS. Um decreto-lei publicado esta semana autoriza os hospitais a pagar mais incentivos a estes médicos para lá do que está previsto na lei. Mas impõe uma contrapartida: por cada cem euros gastos nos incentivos ao pessoal do quadro, os hospitais têm de poupar 120 na contratação de serviços externos. Mais, os pagamentos aos médicos podem agora chegar a 10 blocos de 48 horas com valores de remuneração crescentes. Será isto suficiente ou, como dizem médicos, sindicatos e a ordem, uma espécie de remendo no SNS? Na resposta, impõe-se uma outra pergunta: por que razão há 4600 médicos dispostos a trabalhar à tarefa que recusam integrar o quadro do SNS? Oportunidade para uma conversa com Inês Schrek, jornalista do PÚBLICO especializada no acompanhamento da área da Saúde na equipa de Sociedade do jornal.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Cristiano Ronaldo é uma bênção ou uma maldição?
Cristiano Ronaldo está mais do que habituado a bater recordes. O capitão da selecção nacional será o jogador de campo mais velho neste Campeonato do Mundo de futebol, caso seja titular, hoje, na estreia de Portugal, em frente à República Democrática do Congo. De resto, nunca nenhum Campeonato do Mundo teve tantos jogadores com mais de 40 anos. Serão oito os futebolistas quarentões, mais um do que em todos os últimos 22 torneios. Aparentemente, há duas explicações para isso: o número recorde de eleições presentes (48) e a evolução da medicina (lesões que antes eram fatais, hoje são superadas). CR7, de 41 anos, Guillermo Ochoa, guarda-redes mexicano, de 40 anos, e Lionel Messi, que completa 39 anos este mês, jogam o seu sexto mundial, sendo que o internacional português marcou em todos eles. E vai marcar neste? Eis a questão? Jonathan Wilson, jornalista inglês de Desporto, autor de vários livros, escreveu no jornal The Guardian que a presença de Cristiano Ronaldo no Campeonato do Mundo de futebol é mais uma maldição do que uma bênção para a selecção nacional. Wilson diz que CR7 nem “sequer é o jogador em que se tornou depois de deixar de ser o jogador que era”. Exagero? Vamos ouvir o que pensa sobre isso o convidado deste episódio, Nuno Sousa, editor-executivo e editor de Desporto do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Cessar-fogo no Irão é um teste à relação de forças entre EUA e Israel
EUA e Irão alcançaram um memorando de entendimento para um cessar-fogo, no domingo, que deverá ser assinado esta sexta-feira, em Genebra. Donald Trump foi o primeiro a anunciar o acordo e a abertura do estreito de Ormuz: “Navios de todo o mundo, liguem os vossos motores! Deixem o petróleo fluir”, disse o presidente dos EUA. Uma agência iraniana revelou que o cessar-fogo será permanente e imediato, incluindo no Líbano, que o bloqueio naval dos EUA terminará e que o país vai reaver os 21 mil milhões de euros em activos que foram congelados. Mas os detalhes ainda não são conhecidos, nomeadamente sobre o alívio de sanções económicas contra o Irão, a limitação do programa iraniano e a ocupação do Líbano. Para Israel, o acordo é entre os EUA e o Irão. O ministro de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, diz que “Israel não é subordinado dos EUA” e o ministro da Defesa, Israel Katz, acrescenta que ele e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu são contra a retirada das tropas israelitas do Líbano. Trump manifestou o desagrado pelo facto de Israel ter bombardeado Beirute no domingo e criticou Netanyahu. A relação entre ambos pode estar comprometida, caso o segundo queira sabotar o entendimento com o Irão? É isso que vamos perguntar a Joana Ricarte, especialista em Médio Oriente e professora de relações internacionais na Universidade do Porto.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Exames do Secundário: entre a expectativa e a ansiedade, 166 mil alunos a jogar uma parte do futuro
Os dados estão lançados. Dentro de 24 dias, 166 mil alunos portugueses do ensino secundário começam o carrossel de exames nacionais que para muitos serão cruciais para prosseguirem os seus sonhos ou expectativas. Ao todo, até ao final da primeira fase dos exames, a 26 de Junho, estes milhares de jovens com uma média de idade de 17 anos e dois meses farão mais de 340 mil provas. Por estes dias, é fácil imaginar o que está em causa: milhares de professores mobilizados, dezenas de milhar de famílias ansiosas, centena e meia de milhar de jovens a sentir-se no fio da navalha. Ainda para mais, este ano em que todos os exames serão feitos digitalmente ou, quando não são, terão de ser digitalizados. Um grande passo em frente, uma operação logística que mobiliza mais de cinco mil agentes, dos quais 1172 credenciados para recolher os exames e levá-los aos centros de digitalização cuja localização se desconhece. A mudança é, ainda assim, notável. São sem dúvida momentos difíceis para os jovens, mas a verdade é que ainda não se descobriu uma fórmula para abolir os exames. Se forem padronizados, instigam a memorização e não o pensamento crítico; se forem abertos à inteligência, improviso e criatividade dos jovens e, por isso, mais ajustados às exigências de um mundo com inteligência artificial tornam-se imprevisíveis e odiados por alunos e pais. E pronto, assim lá se vai continuando com o arraial que todos os anos por esta altura do ano marca o quotidiano do país e, em especial, o dos pais e dos alunos. Andreia Sanches, redactora principal do PÚBLICO, acompanha há anos este processo, até porque é uma reputada especialista na área da educação. Na semana passada, na newsletter sobre educação do jornal, escreveu um texto imperdível com o título “A febre dos exames”. E na edição de hoje do PÚBLICO faz um levantamento exaustivo sobre o que está em causa nesta primeira fase dos exames. É com ela que se fará a conversa do seu podcast da manhã de hoje.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Trabalho Social, a nova frente de combate ao Governo
O Governo está aflito com o cumprimento das regras acordadas com Bruxelas para receber 500 milhões de euros do PRR. E pediu uma autorização legislativa com urgência para cumprir a promessa a que se tinha obrigado: a criação da Prestação Social Única que irá substituir 13 apoios sociais em vigor. Caiu o Carmo e a Trindade. O PS diz que prestação única tudo bem, mas nem pensar em aprovar esta prestação proposta pelo Governo. Para os outros partidos da esquerda, o que está em causa lembra a ofensiva contra os direitos sociais dos dias tenebrosos da troika. Mas há quem, como o Chega ache pouco: quem recebe apoios do Estado tem de os pagar com trabalho. Afinal, o que causa tanto alarido na proposta que o Governo leva hoje à aprovação da Assembleia? Bom, há a forma como o Governo conduziu este processo, apresentando medidas sem dizer quanto é que custam – ou, de outra forma, quanto é que os destinatários das ajudas vão receber. Mas o que divide a oposição do Governo e a esquerda da direita tem um nome: trabalho social. O Governo quer que os destinatários dos apoios sociais que reúnam determinadas condições (não sejam reformados ou estejam a estudar, por exemplo) possam trabalhar 15 horas por semana em serviços públicos ou em actividades públicas. O Governo diz ainda que em causa têm de estar trabalhos conformes aos perfis das pessoas que recebem ajudas, o que dá para todas as interpretações. Ainda assim, o debate em cima da mesa é altamente divisivo: com esta medida está-se a tirar a dignidade das pessoas que, por variadíssimas razões, precisam dos apoios sociais? Ou, pelo contrário, ao exigir que devolvam à comunidade em trabalho social o que a comunidade lhes concede em apoios, está-se a retirá-los da condição de esmoleres que alimenta os anátemas da extrema-direita? E pelo caminho, outra questão essencial: que caminhos existem nas políticas públicas para integrar no mercado de trabalho pessoas em situação de dependência financeira? Tema para uma conversa com Ana Paula Pereira Marques, professora e investigadora na Universidade Minho, com obra publicada na área da sociologia do Trabalho.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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