PODCAST · news
P24
by PÚBLICO
De segunda a sexta às 7h. Antes de tudo: P24. O dia começa aqui
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1000
A corte de Roberto Martínez está fora do Mundial. Estava escrito nas estrelas
À partida, poucos portugueses acreditavam que a selecção nacional fosse capaz de resistir à máquina trituradora da Espanha. Mas a selecção contrariou as piores previsões e resistiu. Pelo menos até ao momento em que o jogo exigia respostas vindas do banco. Respostas que implicavam frescura física, força moral e determinação para equilibrar o crescente ascendente da Espanha. Não veio essa resposta e Portugal sucumbiu. Não porque se ficasse com a sensação de que a equipa nacional era claramente inferior aos seus adversários. Sucumbiu principalmente porque lhe faltou um líder capaz de lhe incutir determinação, vigor e coragem para acreditar que a vitória estava, como esteve na primeira parte, ao seu alcance. Faltou-lhe um treinador. Como a generalidade dos especialistas, jornalistas ou treinadores, tinham avisado, a selecção estava viciada numa escolha de onze jogadores que não se explicava pela sua forma, mas pelo seu estatuto. Neste jogo com a Espanha, o aviso fez mais sentido do que nunca. Como se em causa estivesse uma corte de nobres, havia duques e marqueses com lugar garantido à mesa do rei, mesmo que estivessem fora de forma ou mesmo que o seu desgaste fosse mais do que evidente. Ao insistir em Ronaldo todo o jogo ou num Bruno Fernandes claramente abaixo do que vale, Roberto Martínez subverteu por completo a noção do mérito e da justiça relativa que fazem a coesão das equipas. Não, Portugal não jogou mal. Mas não merecia a vitória, como não mereceu mais do que o empate frente à Colômbia ou ao Congo. Da mesma forma, Cristiano Ronaldo, que com 41 anos viveu o seu último mundial, não merecia esta exposição que tornou claro aos olhos do mundo o seu natural declínio físico – como nós, é um ser humano. Jogar todos os jogos até ao fim, com excepção do jogo com a Croácia, foi um castigo que o treinador lhe impôs. Já tinha acontecido no Catar e aconteceu contra a Croácia: Gonçalo Ramos só não jogou este jogo porque Portugal não tinha um treinador. Portugal merecia mais, porque tem jogadores de qualidade mundial – Diogo Costa, merece especial menção neste Mundial. Os que foram à América e outros que só não foram, lá está, porque Martínez escolheu não uma equipa de futebol, mas uma corte de nobres fechada. Felizmente para Portugal, Martínez vai embora. Depois de ter enterrado uma das melhores selecções da Bélgica, enterra uma geração de ouro do futebol nacional. Que tenha sorte na Arábia, onde as sheiks e os próximos da casa de saud têm lugar garantido à mesa do rei. Mas vamos tentar saber o que aconteceu com quem sabe mesmo de bola. Com o Nuno Sousa, um dos editores de Desporto do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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999
Porque está a falhar a CP na antecâmara da liberalização dos comboios suburbanos?
Neste episódio do P24, analisamos o momento de profunda transformação (e de crise) que atravessa o sector ferroviário em Portugal. Com a ajuda do jornalista do PÚBLICO Carlos Cipriano, especialista em ferrovia, partimos de um fim-de-semana marcado por supressões relacionadas com as falhas no ar condicionado dos comboios e críticas ao "estado miserável" da CP para compreender as causas estruturais por trás das supressões e da falta de manutenção. Mas nem tudo são más notícias: a 19 de Julho entra ao serviço a electrificação total da Linha do Algarve, que vai permitir viagens directas entre Lagos e Vila Real de Santo António, eliminando os históricos transbordos em Faro, embora ainda persistam limitações físicas em pontes antigas que impedem a passagem do serviço Intercidades. A conversa detalha também as expectativas em torno dos novos comboios encomendados à Stadler e à Alstom. Outro tema central deste P24 dedicado à ferrovia é o plano do Governo para a liberalização e subconcessão de linhas suburbanas estratégicas, como a de Cascais, Sintra e Azambuja e a rede de suburbanos do Porto, um processo ainda envolto em secretismo que poderá levar operadores privados a gerir estes serviços sob a marca CP.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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998
A América faz anos e merece os parabéns, apesar dos desgostos que nos dá
No dia 4 de Julho de 1776, cumprem-se neste sábado 250 anos, um novo país nascia no outro lado do Atlântico. Representantes das 13 colónias britânicas da América do Norte tinham chegado à conclusão de que não podiam continuar dependentes do poder político com sede em Londres. Numa reunião histórica em Filadélfia, declararam a independência dos Estados Unidos da América, celebraram com vinho Madeira e, anos mais tarde, aprovaram uma Constituição que trouxe novos horizontes à relação entre a soberania do povo e os seus representantes. Nada seria como antes depois desse texto fundamental. Ao atribuir a nós, o povo, a origem do poder político, os constituintes americanos abriram portas a novas formas de Governo, um governo do povo, pelo povo e para o povo. Pelo caminho, recusaram o direito divino dos reis ou toda e qualquer forma de autocracia ou oligarquia. Ao longo destes 250 anos, nem todas as premissas do espírito da revolução americana foram cumpridas. A sua história é, e continua a ser, marcada por episódios de violência e de negação do princípio segundo o qual todos somos iguais perante a lei. A declaração dos direitos do homem foi demasiadas vezes contestada em abusos do poder, em assassinatos políticos ou numa guerra civil que teve o esclavagismo como causa. Mas, apesar de todas as vicissitudes, a América tornar-se-ia um farol da liberdade, dos direitos individuais e do equilíbrio dos poderes. A plenitude dos direitos civis entre brancos e negros demorou quase 200 anos a ser conseguida, mas para milhões de seres humanos, o sonho americano tornou-se um farol e um propósito. O país onde todos tinham possibilidade de acreditar que a sua origem social era um ponto de partida, não uma condenação. Muitos desses valores democráticos e liberais estão hoje particularmente em causa com a administração Trump. O poder político ingere no poder judicial. A oligarquia firma os seus interesses por oposição ao interesse geral. O ideal de liberdade, de estabilidade do sistema do direito internacional, conquistado em grande parte pelos Estados Unidos, está ameaçado. Mas não é com um abalo que as conquistas da revolução de há 250 anos ficam destruídas. Nas manifestações de rua o mote é ainda "no kings", não há reis. Há juízes, universidades e políticos que resistem. A América liberal luta. Vamos discutir estes e outros temas com um reconhecido especialista em Direito Internacional. Chama-se Azeredo Lopes e é professor no Centro Regional Norte da Universidade Católica.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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997
O Governo vai chumbar nos exames do secundário?
Os exames nacionais do ensino secundário não estão a correr bem ao Governo. A primeira polémica ocorreu com a utilização no exame de Português de um cartoon, sobre o qual os alunos deveriam fazer uma apreciação crítica, que já tinha sido publicado num manual de preparação para exames da editora Leya. A credibilidade da prova de acesso ao ensino superior foi posta em causa e a Inspecção-geral da Educação e Ciência concluiu ter existido uma “falha objectiva” na sua elaboração. A seguir, surgiram outros problemas, relacionados com a correcção digital dos exames. Os professores que classificam os testes começaram a relatar dificuldades técnicas na plataforma utilizada, pela primeira vez, este ano: exames incompletos, páginas trocadas entre disciplinas diferentes, respostas não digitalizadas, atrasos no acesso às provas e convocatórias de docentes para disciplinas que não leccionam. O ministro da Educação admitiu algumas “dificuldades técnicas” e deu como exemplo o facto de as escolas agrafarem, indevidamente, as folhas de resposta dos alunos. Ontem, no parlamento, Fernando Alexandre garantiu que os prazos serão cumpridos e que nenhum aluno será prejudicado. Carlos Louro, presidente interino da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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996
Estamos preparados para Verões cada vez mais quentes e noites tropicais?
O mês de Julho em Portugal continental começou com uma vaga de calor que promete ser longa. As temperaturas estão acima da média, as ondas de calor são cada vez mais intensas e o planeta vai continuar a aquecer todos os anos. Especialistas afirmam que já não é possível voltar atrás e que estamos ainda num processo de aquecimento e não numa fase de estabilidade. Na prática, estamos a entrar num tempo em que o calor deixará de ser uma excepção e passará a ser uma condição permanente da nossa vida quotidiana. Dito isto, preparemo-nos. No Alentejo, a fasquia dos 40 graus Celsius será superada a partir de quarta-feira, sendo que as temperaturas mais elevadas se deverão estender a outras regiões do país no fim-de-semana. E prepare-se, também, para as noites tropicais, com as temperaturas mínimas a oscilar entre os 12º.C e os 17º.C, prevendo-se que ultrapasse, nestes dias, os 20.ºC no interior. Porque é que Portugal tem estado relativamente mais protegido do que outras zonas da Europa? Que papel desempenha o Atlântico? E até que ponto estamos preparados para suportar Verões mais quentes, noites tropicais e períodos prolongados de desconforto térmico? O convidado deste episódio é Miguel Miranda, ex-presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, entre 2013 e 2023.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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995
Mau sinal: este ano não vai haver mais cortes adicionais no IRS
Há cerca de um mês, Luís Montenegro fez uma viagem no tempo, recuou ao longínquo dia 28 de Setembro de 1992 e recuperou uma tese de Braga de Macedo, então ministro das Finanças, que ficou para a História: Portugal é um oásis no deserto aflitivo das contas públicas da Europa. Em bom rigor, há um mês atrás a declaração de Montenegro soava a optimismo exagerado, mas ninguém punha em causa a excelente saúde das finanças do Estado. Mas num mês acontece muita coisa e talvez não seja má ideia voltar atrás e deixar uma pergunta: se fosse hoje, o primeiro-ministro teria o mesmo arrojo em pintar um quadro tão favorável. Talvez não. Vamos a factos: No primeiro trimestre do ano, as contas públicas registaram um défice de 0,7% do PIB. Ou seja, a diferença entre o que o estado arrecadou e o que gastou nesse período foi negativa em 510 milhões de euros. Foi a primeira vez desde 2022 que Portugal iniciou um ano com um défice orçamental no primeiro trimestre. Depois, no futuro próximo, a recuperação será difícil. Há um consenso nas organizações internacionais de que o crescimento do produto em Portugal será menor do que o esperado pelo Governo. Ou seja, acabaram as folgas para cortes adicionais no IRS como nos últimos anos. E, a acreditar no ex-governador de Portugal, Mário Centeno, Portugal não cumpre desde 2024 as regras financeiras da União Europeia. Daqui a dois anos, terá de fazer um corte de 12 mil milhões de euros ao que gasta, diz o economista. Mas, talvez ainda mais preocupante que estes sinais da conjuntura, são os dados de fundo da economia portuguesa. As exportações portuguesas, que na era da "troika" passaram de 30 para 49,5% do PIB, estão a recuar. Hoje representam cerca de 43,5% do produto. E, mais desanimador ainda, ou para usar a expressão do director da faculdade de economia do Porto, Óscar Afonso, um ‘murro no estômago’ da Nação, soubemos na semana passada que somos 11,4 milhões de pessoas, não os 10,6 milhões, número que usávamos para calcular a riqueza nacional. O bolo pode crescer um pouquinho, mas é certo entre os economistas que a riqueza dos portugueses em comparação com a média da União Europeia coloca-nos numa situação deplorável. Em vez dos 81,3% de riqueza da média europeia, estamos agora com os novos dados da população em 77%, nas contas de Óscar Afonso. Ou seja somos o sexto país mais pobre em rendimento per capita dos 27 Estados Membros da União. Caímos na realidade? O discurso do oásis que os governos de António Costa e Luís Montenegro nos andavam a vender não passaram de propaganda? Oportunidade para falarmos com Ricardo Arroja, economista, académico, ex-presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) e colunista do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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994
Imigrantes dos PALOP entram e sul-asiáticos saem
O número de imigrantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) está a crescer e o número de imigrantes do sul da Ásia a diminuir. Os dados do Instituto Nacional de Estatística sobre a população estrangeira residente, e regularizada nos últimos cinco, anos mostra que Angola acrescentou mais de 70 mil residentes e que se tornou na segunda maior nacionalidade estrangeira em Portugal. Como pode ler no PÚBLICO de hoje, o crescimento dos cidadãos dos PALOP não se resume a Angola. São Tomé e Príncipe e Moçambique apresentaram as maiores taxas de crescimento, acima dos 200%. São Tomé e Príncipe quase quadruplicou, de cerca de 13 mil para mais de 46 mil cidadãos, e Moçambique passou de pouco mais de cinco mil para mais de 17 mil cidadãos registados. Os dois blocos de residentes — PALOP e Sul da Ásia (Índia, Nepal, Bangladesh e Paquistão) — cresceram quase ao mesmo ritmo entre 2021 e 2025, ou seja, na ordem dos 160%. Mas começaram a divergir em 2025. O aumento do custo de vida e o fim de manifestação de interesse têm alguma responsabilidade nisso? Joana Gorjão Henriques, jornalista do PÚBLICO, especializada nos temas da imigração, é a convidada deste episódio e responde a estas e a outras questões.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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993
Nancy Gomes: “Vamos ter problemas para perceber a dimensão desta catástrofe na Venezuela”
A terra tremeu na Venezuela. Dois sismos, quase em simultâneo, de magnitude superior a 7 na escala de Ritcher, derrubaram edifícios em várias cidades e provocaram, até ao momento, quase duas centenas de mortos e desalojaram milhares de pessoas. O ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou a morte, pelo menos, de um cidadão português, que foi retirado com vida dos escombros, mas que morreu a caminho do hospital, e o desaparecimento de outros quatro. O número real de vítimas deve ser bastante mais elevado. Segundo estimativas do Serviço Geológico dos Estados Unidos, há uma forte probabilidade de que venham a ser registadas mais de dez mil vítimas mortais. A ONU está a coordenar “o envio rápido de equipas de busca e salvamento urbano”, vindas de todas as partes do mundo. Portugal vai enviar uma equipa de 53 profissionais de emergência médica e salvamento e a Comissão Europeia activou o Mecanismo de Protecção Civil da União Europeia para responder de forma coordenada. A convidada deste episódio é a lusovenezuelana Nancy Gomes, professora na Universidade Autónoma de Lisboa, onde lecciona e coordena a Cátedra de Estudos Iberoamericanos. Nancy Gomes, que lançou, ontem, o livro Venezuela, país em Suspenso, considera que será difícil perceber a "verdadeira dimensão desta catástrofe".See omnystudio.com/listener for privacy information.
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992
A nova prestação social única negociada entre PSD e PS deixa os imigrantes em paz
Em Houston, nos Estados Unidos, às portas do estádio onde Portugal ia jogar, o primeiro-ministro pediu espírito de equipa para se garantir a aprovação da Prestação Social Única. Compreende-se o pedido. O Governo foi na semana passada surpreendido com o chumbo da legislação laboral e tinha de evitar a todo o custo uma nova derrota. Até porque há prazos rígidos para se evitar a perda de cerca de 600 milhões de euros, uma penalização inscrita no acordo do PRR. Só que, para que esse espírito de equipa fosse garantido, era obrigatório superar barreiras políticas sensíveis. Como é hábito, o Chega não perdia a oportunidade de voltar a atacar os imigrantes, colocando o Governo numa situação passível de inconstitucionalidade. E o PS colocava obstáculos no plano dos princípios que pareciam comprometer a negociação. No final, porém, tudo acabou em bem. O espírito de equipa entre as bancadas parlamentares do PSD e do PS conseguiu desenvolver um processo negocial que viabiliza a prestação social única. Quem ganhou e quem perdeu? Ambos. Como é apanágio das boas negociações O PS consegue travar o canal de denúncias e limitar o trabalho social, uma obrigação da primeira versão da lei. Os que recebem a prestação podem ser obrigados a trabalhar em serviços sociais ou de utilidade pública, mas agora no âmbito de contratos de inserção. Teses importantes do Governo, como o reforço do escrutínio e dos meios de combate à fraude, também constam na versão final que vai a votos esta quinta-feira. Fora do acordo fica a exigência do Chega em deixar os imigrantes fora do alcance das prestações sociais durante cinco anos. Um acordo possível, moderado, melhor que a versão inicial? Oportunidade para falarmos com Paula Campos Pinto, Doutorada em Sociologia, Professora Associada no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade de Lisboa, onde fundou e coordena o Observatório da Deficiência e Direitos Humanos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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991
Porque falha Portugal no combate à violência doméstica?
Apesar das sucessivas campanhas e de uma legislação considerada vanguardista, Portugal continua a falhar no tempo de resposta às vítimas de violência doméstica. O cenário é recorrente: denúncias que esbarram numa justiça morosa, com inquéritos longos e decisões que podem tardar anos a chegar. Esta justiça tardia não é apenas uma questão de calendário. Para quem vive sob ameaça, o tempo da justiça raramente coincide com o tempo para uma saída em segurança. Nos últimos dias somaram-se mais dois casos que mostram que, apesar das denúncias, nem sempre as vítimas conseguem a protecção de que precisam. A falta de articulação entre autoridades e a aplicação de forma predominante de penas suspensas alimenta um sentimento de impunidade que, no limite, desencoraja a denúncia e deixa as vítimas numa situação de vulnerabilidade acrescida. Neste P24 olhamos para o flagelo da violência doméstica. Para nos ajudar a compreender este fenómeno, falamos com investigadora do CISC.NOVA, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Elisabete Brasil. A investigadora encontra-se actualmente a desenvolver o seu doutoramento com a tese sobre "A Percepção do Impacto das Políticas Públicas na área da Violência Doméstica em Portugal".See omnystudio.com/listener for privacy information.
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990
A demissão de Keir Starmer, entre o fracasso, o altruísmo e um país ansioso e descrente
Na política contemporânea ainda há lugar para surpresas que nos convidam a discutir temas em desuso. Como o desprendimento, o empenho no interesse nacional, o serviço público ou o respeito pelas regras da democracia nos partidos. Keir Starmer, o primeiro-ministro do Reino Unido, demitiu-se ontem e no seu discurso, do qual ouvimos uma pequena parte, estão elencadas muitas destas questões. No essencial, porém, o que ele disse aos seus concidadãos e ao mundo é que deixara de ser a pessoa indicada para dirigir o Partido Trabalhista nas suas próximas batalhas. Que era incapaz de se manter em funções. E disse também que chegara a essa conclusão depois de medir o grau de aprovação dos seus deputados ao seu mandato como líder partidário e como primeiro-ministro. É cada vez mais raro haver gestos destes na política. Starmer teve 718 dias de mandato em Downing Street. Falta ainda muito tempo para acabar a legislatura. Mas esse muito tempo ia obriga-lo a um combate político com os seus deputados e líderes partidários que não seria bom para ninguém – até para ele, que se arriscava a perder essa batalha. Como muitos analistas observaram, Keir Starmer não foi um bom primeiro ministro: falhou muitas das suas metas e revelou-se como um líder sem clareza de propósitos e com falta de uma visão e propostas assumidas para o seu país. Depois da derrota das autárquicas em Maio, sabia que jamais seria capaz de restaurar a sua autoridade no partido ou a sua liderança no país. Tratou por isso de esperar que um dos seus rivais declarados, o ex-presidente da Câmara de Manchester, Kenny Burnham, fosse eleito para o parlamento, o que aconteceu na passada quinta-feira, para entregar os destinos do parlamento e do governo aos membros do seu partido. Em Setembro, os trabalhistas e o Reino Unido terão um novo homem no leme. Faz pouco sentido avaliar se Starmer fez o que pôde, ou se podia fazer mais. Mais importante é notar que o Reino Unido consumiu o seu sexto primeiro-ministro em dez anos. Que, depois de resistir às vagas do extremismo europeu dos anos de 1920, o país está ameaçado pela extrema-direita de Farage. Ou que os custos do Brexit, cujo referendo aconteceu faz hoje dez anos, são cada vez mais assombrosos. O que se passa no Reino Unido? Tema para uma conversa com o jornalista António Saraiva Lima. O António é jornalista da equipa do internacional do PÚBLICO e acompanha com particular proximidade o noticiário do Reino Unido.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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989
F-35, Gripen ou Eurofighter? Está na altura de comprar europeu?
Há 30 anos que a Força Aérea não renova a sua frota de caças. Há várias opções de substituição dos F-16. Os norte-americanos da Lockheed Martin, com os F-36, são os preferidos dos militares portugueses, por acharem que isso permite melhor integração com os países aliados: até 2035, haverá cerca de 700 aparelhos no continente europeu, entre 12 membros da NATO, para além dos EUA e do Canadá. Um estudo interno da FAP coloca o F-35 à frente da concorrência, segundo 20 critérios técnicos como a letalidade, sobrevivência, furtividade ou conectividade. Os F-35 vão competir com o Gripen E/F, da sueca Saab, que quer incluir a indústria nacional na sua produção, e o Eurofighter Typhonn, do consórcio liderado pela Airbus. Mas, como disse o ministro da Defesa, Nuno Melo, a opção não será apenas técnica, porque a encomenda também obedecerá a critérios políticos. A Europa, o Atlântico, ou as duas dimensões em simultâneo? Com a decisão de substituir os F-16, Portugal regressa a esse dilema, num contexto de distanciamento entre os aliados europeus e a Casa Branca. A substituição dos F-16, um negócio que rondará os 2% do PIB nacional, é o tema da conversa com Pedro Guerreiro, jornalista e editor online do PÚBLICO, o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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988
Montenegro em Congresso entre o Portugal maior, o unanimismo e a descentralização
Luís Montenegro ficou feliz com os resultados das eleições directas do PSD que o reconduziram na liderança durante mais dois anos com uma expressiva maioria de 94,8% dos votos. Mas convém situar com exactidão o que é a expressiva demonstração de adesão de que o primeiro-ministro fala nesta comunicação divulgada nas redes sociais. É que nas eleições directas votaram menos de 15 mil militantes. Ou seja, a abstenção foi superior a 70%. Ainda assim, Montenegro tem razões para partir para o 43º Congresso do PSD, este fim-de-semana em Sangalhos, Anadia, com optimismo. É um líder incontestado. Conseguiu devolver o poder ao partido e preservá-lo já lá vão mais de dois anos, para lá de ter conquistado a hegemonia nas autonomias e nos municípios. Não admira por isso que uma das suas maiores preocupações seja saber o que fazer para manter as expectativas dos seus eleitores vivas. A ambição do Portugal maior, o título da sua moção, porém, surge num contexto desafiante para o Governo. O contexto internacional está difícil e as previsões de crescimento da economia ruíram perante a realidade. As velhas debilidades estruturais do país, como o desequilíbrio da balança externa e o recuo das exportações, ressuscitam o fantasma do país que se endivida para consumir. Mas, como é hábito nestes conclaves, não é disso que o Congresso vai falar. Montenegro preocupa-se antes em sublinhar os traços do velho dinamismo do PSD para prometer um país mais moderno e competitivo. Não haverá assim espaço para debater as mudanças programáticas do PSD que o colocam mais perto do CDS e do Chega e mais longe da sua matriz social-democrata. Por imposição das bases, haverá apenas um discurso crítico aos excessos do centralismo português. Que acabará no vazio ou em vagas proclamações, até porque nada no programa do Governo autoriza a expectativa da verdadeira descentralização: a que a Constituição de 1976 consagrou na regionalização. O que podemos então esperar deste congresso? Uma clarificação, um debate útil para o partido, o Governo e a sociedade, ou apenas uma encenação para ungir o primeiro-ministro com a bênção da unanimidade e dos consensos? Ponto de partida para uma conversa com José Palmeira, professor assistente no departamento de ciência política da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho e director do Perspectivas, Jornal de Ciência Política.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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987
Ouça a estreia do novo podcast do PÚBLICO dedidaco ao Mundial. António Simões: “Portugal foi a melhor equipa daquele Mundial e isso ninguém me tira”
Os “Magriços”, assim ficou conhecida a primeira selecção portuguesa num Mundial de futebol. Chegou, viu e venceu, por esta ordem, a Hungria, a Bulgária e o Brasil. Sim, o Brasil tinha Pelé, mas Portugal tinha Eusébio, a liderar a primeira grande geração de ouro do futebol português, baseada em grandes equipas do Benfica e do Sporting nos anos 1960. O ponto alto dessa estreia é aquele que, 60 anos depois, continua a ser um dos jogos mais extraordinários da história dos Mundiais. Um jogo em que a Coreia do Norte marcou logo no primeiro minuto e, aos 25’, já estava a ganhar por 3-0. Um jogo em que Eusébio marcou quatro golos seguidos e empurrou Portugal para as meias-finais. Portugal não foi mais longe do que isto, eliminado pela Inglaterra, que seria campeã no seu próprio Mundial, mas ainda teve um epílogo feliz, ao ganhar o terceiro lugar à URSS, a tal classificação que nunca foi igualada. António Simões esteve nesse Mundial, era o mais novo da selecção portuguesa, mas titular indiscutível na frente de ataque, um extremo que gostava de fintar, mas cujo único golo no Inglaterra 66, ao Brasil, foi de cabeça. Ele é o convidado do PÚBLICO no podcast que vai ser uma viagem no tempo, pelo passado de todas as selecções de Portugal que chegaram ao Mundial. Este é o primeiro episódio do podcast 8 Mundiais: Eu estive lá, com sonoplastia de Margarida Adão. O relato é de Rui Miguel Mendonça e a capa de João Mota. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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986
Governo quer travar gastos com médicos tarefeiros: o problema é que sem eles o SNS colapsa
A escalada de tensão é o culminar de um longo braço de ferro feito à força de portarias regulamentares e decretos-lei redigidos e aprovados com um único propósito: reduzir o peso e o custo que os chamados médicos tarefeiros têm nas contas do Serviço Nacional de Saúde. Em 2025, o Estado gastou 250 milhões de euros, mais 17% que no ano anterior, a contratar estes profissionais de modo a evitar mais episódios de encerramentos ou caos em serviços dos hospitais. Não é só o problema do dinheiro que conta. Ao ter de abrir os cordões à bolsa para atrair tarefeiros, o Governo acabou por discriminar negativamente os médicos do quadro do SNS. Um decreto-lei publicado esta semana autoriza os hospitais a pagar mais incentivos a estes médicos para lá do que está previsto na lei. Mas impõe uma contrapartida: por cada cem euros gastos nos incentivos ao pessoal do quadro, os hospitais têm de poupar 120 na contratação de serviços externos. Mais, os pagamentos aos médicos podem agora chegar a 10 blocos de 48 horas com valores de remuneração crescentes. Será isto suficiente ou, como dizem médicos, sindicatos e a ordem, uma espécie de remendo no SNS? Na resposta, impõe-se uma outra pergunta: por que razão há 4600 médicos dispostos a trabalhar à tarefa que recusam integrar o quadro do SNS? Oportunidade para uma conversa com Inês Schrek, jornalista do PÚBLICO especializada no acompanhamento da área da Saúde na equipa de Sociedade do jornal.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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985
Cristiano Ronaldo é uma bênção ou uma maldição?
Cristiano Ronaldo está mais do que habituado a bater recordes. O capitão da selecção nacional será o jogador de campo mais velho neste Campeonato do Mundo de futebol, caso seja titular, hoje, na estreia de Portugal, em frente à República Democrática do Congo. De resto, nunca nenhum Campeonato do Mundo teve tantos jogadores com mais de 40 anos. Serão oito os futebolistas quarentões, mais um do que em todos os últimos 22 torneios. Aparentemente, há duas explicações para isso: o número recorde de eleições presentes (48) e a evolução da medicina (lesões que antes eram fatais, hoje são superadas). CR7, de 41 anos, Guillermo Ochoa, guarda-redes mexicano, de 40 anos, e Lionel Messi, que completa 39 anos este mês, jogam o seu sexto mundial, sendo que o internacional português marcou em todos eles. E vai marcar neste? Eis a questão? Jonathan Wilson, jornalista inglês de Desporto, autor de vários livros, escreveu no jornal The Guardian que a presença de Cristiano Ronaldo no Campeonato do Mundo de futebol é mais uma maldição do que uma bênção para a selecção nacional. Wilson diz que CR7 nem “sequer é o jogador em que se tornou depois de deixar de ser o jogador que era”. Exagero? Vamos ouvir o que pensa sobre isso o convidado deste episódio, Nuno Sousa, editor-executivo e editor de Desporto do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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984
Cessar-fogo no Irão é um teste à relação de forças entre EUA e Israel
EUA e Irão alcançaram um memorando de entendimento para um cessar-fogo, no domingo, que deverá ser assinado esta sexta-feira, em Genebra. Donald Trump foi o primeiro a anunciar o acordo e a abertura do estreito de Ormuz: “Navios de todo o mundo, liguem os vossos motores! Deixem o petróleo fluir”, disse o presidente dos EUA. Uma agência iraniana revelou que o cessar-fogo será permanente e imediato, incluindo no Líbano, que o bloqueio naval dos EUA terminará e que o país vai reaver os 21 mil milhões de euros em activos que foram congelados. Mas os detalhes ainda não são conhecidos, nomeadamente sobre o alívio de sanções económicas contra o Irão, a limitação do programa iraniano e a ocupação do Líbano. Para Israel, o acordo é entre os EUA e o Irão. O ministro de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, diz que “Israel não é subordinado dos EUA” e o ministro da Defesa, Israel Katz, acrescenta que ele e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu são contra a retirada das tropas israelitas do Líbano. Trump manifestou o desagrado pelo facto de Israel ter bombardeado Beirute no domingo e criticou Netanyahu. A relação entre ambos pode estar comprometida, caso o segundo queira sabotar o entendimento com o Irão? É isso que vamos perguntar a Joana Ricarte, especialista em Médio Oriente e professora de relações internacionais na Universidade do Porto.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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983
Exames do Secundário: entre a expectativa e a ansiedade, 166 mil alunos a jogar uma parte do futuro
Os dados estão lançados. Dentro de 24 dias, 166 mil alunos portugueses do ensino secundário começam o carrossel de exames nacionais que para muitos serão cruciais para prosseguirem os seus sonhos ou expectativas. Ao todo, até ao final da primeira fase dos exames, a 26 de Junho, estes milhares de jovens com uma média de idade de 17 anos e dois meses farão mais de 340 mil provas. Por estes dias, é fácil imaginar o que está em causa: milhares de professores mobilizados, dezenas de milhar de famílias ansiosas, centena e meia de milhar de jovens a sentir-se no fio da navalha. Ainda para mais, este ano em que todos os exames serão feitos digitalmente ou, quando não são, terão de ser digitalizados. Um grande passo em frente, uma operação logística que mobiliza mais de cinco mil agentes, dos quais 1172 credenciados para recolher os exames e levá-los aos centros de digitalização cuja localização se desconhece. A mudança é, ainda assim, notável. São sem dúvida momentos difíceis para os jovens, mas a verdade é que ainda não se descobriu uma fórmula para abolir os exames. Se forem padronizados, instigam a memorização e não o pensamento crítico; se forem abertos à inteligência, improviso e criatividade dos jovens e, por isso, mais ajustados às exigências de um mundo com inteligência artificial tornam-se imprevisíveis e odiados por alunos e pais. E pronto, assim lá se vai continuando com o arraial que todos os anos por esta altura do ano marca o quotidiano do país e, em especial, o dos pais e dos alunos. Andreia Sanches, redactora principal do PÚBLICO, acompanha há anos este processo, até porque é uma reputada especialista na área da educação. Na semana passada, na newsletter sobre educação do jornal, escreveu um texto imperdível com o título “A febre dos exames”. E na edição de hoje do PÚBLICO faz um levantamento exaustivo sobre o que está em causa nesta primeira fase dos exames. É com ela que se fará a conversa do seu podcast da manhã de hoje.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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982
Trabalho Social, a nova frente de combate ao Governo
O Governo está aflito com o cumprimento das regras acordadas com Bruxelas para receber 500 milhões de euros do PRR. E pediu uma autorização legislativa com urgência para cumprir a promessa a que se tinha obrigado: a criação da Prestação Social Única que irá substituir 13 apoios sociais em vigor. Caiu o Carmo e a Trindade. O PS diz que prestação única tudo bem, mas nem pensar em aprovar esta prestação proposta pelo Governo. Para os outros partidos da esquerda, o que está em causa lembra a ofensiva contra os direitos sociais dos dias tenebrosos da troika. Mas há quem, como o Chega ache pouco: quem recebe apoios do Estado tem de os pagar com trabalho. Afinal, o que causa tanto alarido na proposta que o Governo leva hoje à aprovação da Assembleia? Bom, há a forma como o Governo conduziu este processo, apresentando medidas sem dizer quanto é que custam – ou, de outra forma, quanto é que os destinatários das ajudas vão receber. Mas o que divide a oposição do Governo e a esquerda da direita tem um nome: trabalho social. O Governo quer que os destinatários dos apoios sociais que reúnam determinadas condições (não sejam reformados ou estejam a estudar, por exemplo) possam trabalhar 15 horas por semana em serviços públicos ou em actividades públicas. O Governo diz ainda que em causa têm de estar trabalhos conformes aos perfis das pessoas que recebem ajudas, o que dá para todas as interpretações. Ainda assim, o debate em cima da mesa é altamente divisivo: com esta medida está-se a tirar a dignidade das pessoas que, por variadíssimas razões, precisam dos apoios sociais? Ou, pelo contrário, ao exigir que devolvam à comunidade em trabalho social o que a comunidade lhes concede em apoios, está-se a retirá-los da condição de esmoleres que alimenta os anátemas da extrema-direita? E pelo caminho, outra questão essencial: que caminhos existem nas políticas públicas para integrar no mercado de trabalho pessoas em situação de dependência financeira? Tema para uma conversa com Ana Paula Pereira Marques, professora e investigadora na Universidade Minho, com obra publicada na área da sociologia do Trabalho.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Mundial 2026: Que hipótese tem Portugal no torneio mais ambicioso de sempre?
Se há dias em que o planeta parece desacelerar para olhar fixamente para uma bola, hoje é um deles. Daqui a poucas horas, quando forem 20h em Lisboa, no imponente e também histórico Estádio Azteca, na Cidade do México, vai ser dado o pontapé de saída no jogo entre a selecção mexicana e a da África do Sul. Está aí mais um Campeonato do Mundo de Futebol, mas este não é um torneio qualquer: é o maior, o mais extenso e, provavelmente, o mais ambicioso de que há memória. São 48 selecções que jogam em três países organizadores: Estados Unidos, México e Canadá. No total, são 104 jogos que vão desenhar a rota do título até meados de Julho. Para já, uma das principais surpresas que vamos sentir aqui em Portugal: apenas 20 destes 104 jogos vão dar em sinal aberto na televisão generalista (RTP1, SIC e TVI). Depois há ainda 34 jogos que vão passar no YouTube da Live Mode TV, que chega a Portugal este ano. Os restantes jogos passam em exclusivo na Sport TV. Na expectativa de ver até onde pode chegar a selecção portuguesa comandada por Roberto Martínez, neste P24 conversamos com o enviado especial do PÚBLICO ao Mundial de 2026, Diogo Cardoso Oliveira.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Trump está a diminuir a influência dos EUA no Médio Oriente
O Hezbollah atacou o Norte de Israel e Israel atacou a periferia a sul de Beirute, apesar dos avisos de Donald Trump para que não o fizesse. O Irão lançou mísseis sobre uma base aérea e o centro de pesquisa nuclear israelita. E Israel retaliou. Há dois meses que Irão e Israel não se atacavam mutuamente. O primeiro anunciou a suspensão dos bombardeamentos e avisou que voltaria atrás se o segundo atacasse ou fizesse o mesmo no Sul do Líbano. Israel prometeu retaliar caso fosse atacado. Donald Trump, por seu lado, continua a prometer que um acordo final para pôr fim à guerra está próximo. Mas nenhuma das suas promessas se tem concretizado. Benjamin Netanyahu procura autonomia face a Trump. A sua recusa em não atender o desejo de Trump e a revelação de que os israelitas estão a espionar os norte-americanos em negociações com Teerão vão ter consequências diplomáticas entre os dois países? Pedro Ponte e Sousa, professor de Relações Internacionais da Universidade Portucalense e investigador do IPRI, considera que não. O nosso convidado de hoje defende que os EUA estão a perder poder e influência na região e que os países do Golfo “vão ter de encontrar” uma forma de “reduzir as tensões” com o Irão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Porque é que a IA vai depressa de mais e o melhor é fazer uma pausa?
O que fazer quando a inteligência artificial se desenvolve a um ritmo assustador? Jack Clark, o co-fundador da Anthropic, uma das principais empresas de inteligência artificial, apela a uma pausa no desenvolvimento destes sistemas. Porquê? Porque está a aproximar-se do ponto em que se pode desenvolver de modo autónomo, portanto, sem participação humana, construindo versões mais avançadas de si mesma. O chatbot Claude, da Anthropic, já opera com um código no qual 80% foi escrito pelo próprio sistema. Chegar a 100% é possível em dois anos. Clark usa uma imagem esclarecedora: é como se a indústria da IA tivesse um pedal do acelerador e não tivesse um pedal de travão. O Papa Leão XIV também sugeriu abrandamento, menos concorrência e mais envolvimento político no controlo da AI. Porquê? Porque espalha desinformação, privilegia o conflito e aumenta a probabilidade de uma sucessão de guerras sem fim. Na sua encíclica Magnifica Humanitas (Humanidade Magnífica), o papa pediu aos líderes mundiais que os dados da inteligência artificial não ficassem apenas na posse de privados e que os decisores políticos protegessem os direitos dos trabalhadores. Sérgio Magno, editor do Enter e autor do podcast Plug-in, sobre mobilidade eléctrica, é o convidado de hoje.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Prestação Social Única: simplificação ou "retrocesso significativo"?
Fundir vários apoios, como o Rendimento Social de Inserção ou o Complemento Solidário para Idosos, numa única resposta do Estado. À primeira vista, a Prestação Social Única surge como uma promessa de simplificação e clareza burocrática. No entanto, por trás da intenção de tornar o sistema mais eficiente, levantam-se questões críticas: está o Estado a ignorar as especificidades de quem mais precisa ao tratar todas as carências da mesma forma? Mais do que uma mudança administrativa, o novo modelo traz de volta o debate sobre a obrigatoriedade de prestação de trabalho social por parte dos beneficiários. Para a minha convidada de hoje, esta medida representa um "retrocesso significativo" na concepção de inserção social, ao associar o apoio a um trabalho não remunerado que penaliza quem já se encontra em situação de vulnerabilidade. Para já, ainda não sabemos o valor desta nova prestação social. Num país onde o fenómeno dos "trabalhadores pobres" é uma realidade expressiva, será que o foco na fraude está a desviar o olhar do que realmente importa: o facto de estas prestações, como o RSI, conseguirem apenas diminuir a severidade da pobreza sem nunca retirar as pessoas dela? Ouvimos neste P24 a bastonária da Ordem dos Assistentes Sociais, Fernanda Rodrigues.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Arménio Carlos responde: porquê uma greve geral agora?
Metros fechados, comboios suprimidos, escolas e hospitais condicionados. A greve geral desta quarta-feira já se faz sentir. Neste P24 olhamos para a paralisação que, desta vez, não conta com a UGT. Mas porquê uma greve quando a reforma laboral parece não ter alternativa se não ser claramente chumbada na Assembleia da República, já que o PS não a vai aprovar e o Chega quer baixar a idade da reforma para o fazer? Neste P24, ouvimos o antigo secretário-geral da CGTP Arménio Carlos, líder desta central sindical entre 2012 e 2020.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Estamos preparados para futuras epidemias? Não. Mas devíamos
O hantavírus foi responsável por três mortes misteriosas a bordo de um cruzeiro e o ressurgimento do ébola já causou cerca de 220 mortes na República Democrática do Congo. O hantavírus pode causar doenças graves e a morte, mas não é, particularmente, contagioso e tende a desaparecer. Não é o caso do ébola. O vírus está mais concentrado no Congo, mas já se estendeu ao Uganda. Os corpos infectados são muito contagiosos e as autoridades congolesas proibiram velórios e funerais com mais de 50 pessoas na zona afectada pela epidemia, numa tentativa de conter a propagação da doença. Já assistimos a esta história 17 vezes no Congo. Os surtos são inevitáveis. A recente Assembleia Mundial da Saúde confrontou-se com o paradoxo: o mundo aprendeu com a Covid-19 a lidar com pandemias, mas a cooperação internacional nesta matéria tornou-se mais frágil. A administração de Donald Trump saiu da OMS e encerrou de supetão a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional. Com esta decisão, perdeu-se a grande maioria da ajuda externa que era aplicada na resolução de problemas da saúde global, como é o caso do ébola. Os vírus não respeitam fronteiras e a cooperação entre países continua a ser crucial para a saúde global. O mundo está preparado para combater a possibilidade de uma nova epidemia? Um recente relatório da OMS diz que o mundo está menos seguro. É sobre isto que vamos falar com Tiago Ramalho, jornalista da secção de Ciências do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O que é que explica o caos no aeroporto de Lisboa?
Na semana passada, a jornalista Clarissa Ward, correspondente internacional da CNN, publicou um vídeo, na sua conta do Instagram, onde filma e descreve as longas filas de espera, para atravessar o controlo de passaportes, no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. A jornalista descreve um cenário de caos e diz ter presenciado muitas pessoas a perderem os seus voos de ligação, como aconteceu à própria. Os aeroportos portugueses têm sofrido vários constrangimentos no controlo de passaportes desde a introdução do novo sistema de entrada e saída das fronteiras da União Europeia. Porque é que isso acontece? A Comissão Europeia diz que os atrasos e as longas filas de espera são um problema português. O Governo contra-argumenta que a responsabilidade é europeia. O Governo reconhece que as coisas não estão a funcionar bem e o ministro das Infra-estruturas, Miguel Pinto Luz, pediu desculpa pela situação, que disse ser “um embaraço” para o país. E o ministro da Administração Interna anunciou, na sexta-feira, mais meios humanos e o alargamento da zona de fronteira em Lisboa. Mas, afinal, o que é que está na origem deste problema? É esse o pretexto para falarmos com Pedro Castro, consultor em estratégia comercial para a aviação e professor em Sistema de Transportes no Instituto Superior de Lisboa e Vale do Tejo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Enquanto EUA e Irão avançam e recuam, Israel bombardeia o Líbano
Três meses depois do início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irão, continuamos sem saber quando e como é que que este conflito irá acabar. Três meses depois, o estreito de Ormuz continua fechado, os EUA não dispersaram os seus meios militares concentrados na região e o regime iraniano mantém-se de pedra e cal. Nesta semana, os EUA bombardearam barcos e plataformas de lançamento iranianas no estreito de Ormuz, com o argumento da “auto-defesa”. E os Guardas da Revolução do Irão dizem ter atingido uma base aérea dos EUA na madrugada de ontem. A escalada das hostilidades comprova a fragilidade do cessar-fogo entre os EUA e o Irão, que entrou em vigor no início de Abril, e vai protelando um eventual acordo de paz. Como seria de prever, os preços do petróleo também dispararam. Enquanto EUA e Irão avançam e recuam nas negociações, Israel continua a bombardear o Sul do Líbano, numa troca de ataques com o Hezbollah, e a pretender ocupar mais território. Até que ponto a guerra do Líbano poderá complicar os esforços de paz entre EUA e Irão? Manuel Serrano, especialista em relações internacionais, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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973
Porque é que a Espanha parece grande por fora e pequena por dentro?
O ex-presidente do Governo espanhol, José Luis Zapatero, é suspeito de tráfico de influências e está a ser alvo de uma investigação sobre lavagem de dinheiro. Zapatero, que vai prestar depoimento terça-feira, recebeu o apoio do actual presidente do Governo, Pedro Sánchez, mas os aliados do PSOE no Governo distanciaram-se. O PSOE tem estado envolvido em vários suspeitas de corrupção, como nos casos Cérdan e Koldo. Como se isto não bastasse, a mulher de Pedro Sanchez presta declarações, no dia 9, numa audiência sobre supostos crimes de tráfico de influências e corrupção. O líder do PP e da oposição, Alberto Núñez Feijóo, pediu a demissão de Sánchez e o ex-presidente do Governo, Felipe González, e ex-líder do PSOE, o partido de Sánchez, pediu eleições antecipadas. Xosé Hermida, correspondente parlamentar do El Pais, considera que Zapatero era encarado “como uma figura ética na esquerda” e que quem vai lucrar mais com as suspeitas de corrupção será o Vox. Ex-delegado daquele jornal no Brasil, Hermida sublinha a contradição entre a boa imagem externa de Sánchez e a má imagem interna; entre os indicadores positivos e as percepções mais negativas. Xosé Hermida é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Trocou o automóvel antigo por um carro eléctrico em 2025? Ainda vai a tempo de pedir apoio
Se trocou o seu antigo automóvel por um carro eléctrico, durante o ano de 2025, vai poder candidatar-se ao programa de incentivos à compra de viaturas eléctricas. Habitualmente, o programa só abrangia compras feitas no próprio ano. Desta vez, o Governo vai autorizar que o Fundo Ambiental avalie candidaturas do ano passado, dando uma segunda oportunidade a quem trocou de carro a combustíveis fósseis por um eléctrico e não foi, então, abrangido pelo programa. A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, adianta que as regras são as mesmas e que o apoio de 20 milhões de euros vai ser pago em duas parcelas, porque metade dessa verba vai ficar guardada para o caso da crise energética se agudizar. Um particular pode receber quatro mil euros na compra de um eléctrico novo, que não exceda os 38.500 euros, mas em troca terá também de comprovar que abateu uma viatura com motor de combustão interna (diesel ou gasolina) e mais de dez anos de vida. O programa deverá ter início a 11 de Junho. Víctor Ferreira, jornalista da secção de Economia do PÚBLICO, convidado deste episódio, explica as diferenças entre o processo de transição entre os particulares e as empresas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Bad Bunny em Portugal. Como o porto-riquenho está a mudar a indústria musical
Benito Antonio Martínez Ocasio, mais conhecido como Bad Bunny, é a estrela global da música actual. O porto-riquenho, de 32 anos, transformou o hip hop ou o trap, um dos seus sub-géneros, com as suas canções em castelhano e uma forte componente política. Bad Bunny é uma figura sui generis na música e na América de hoje. A sua actuação no intervalo do Super Bowl de 2025, para irritação de Donald Trump, que criticou a sua prestação e o facto de se expressar em castelhano, é prova disso. Depois de vários concertos em Barcelona e Madrid, tendo vendido seiscentos mil bilhetes em Espanha, Bad Bunny chega a Portugal, para duas actuações esgotadas, no Estádio de Luz, hoje e amanhã. Bunny já leva sete discos gravados e o último deles, Debí tirar más fotos, sintetiza o som do passado e do presente de Porto Rico num álbum emblemático e intergeracional, como diz a Pitchfork. O artista actualiza a música porto-riquenha, nomeadamente a bomba, uma antiga tradição rítmica e de dança da ilha, criada há mais de 400 anos por pessoas escravizadas de origem africana, ou o boogaloo, fusão de ritmos afro-cubanos e música urbana e americana, nascida em Nova Iorque, mas popularizada em Porto Rico. Para percebermos o fenómeno Bad Bunny, convidamos o crítico musical do PÚBLICO, Mário Lopes, que assina na edição de hoje um artigo de antecipação dos concertos de estreia do músico em Portugal.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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970
A IA vai poder contratar e despedir?
O anteprojecto do pacote laboral, na sua versão inicial, não incluía qualquer referência a algoritmos ou à inteligência artificial (IA). Contudo, na proposta de lei enviada ao Parlamento, o Governo introduziu mudanças que regulam o uso destas ferramentas digitais na gestão dos trabalhadores. Entre elas, por sugestão da UGT, destaca-se a obrigação de garantir intervenção humana nas decisões que afectem os trabalhadores e a possibilidade de estes reclamarem e recorrerem de decisões tomadas exclusivamente por algoritmos ou sistemas de IA no recrutamento, progressão na carreira ou despedimento. O empregador deve validar, alterar ou revogar decisões automatizadas. As empresas passam também a ter de guardar, durante cinco anos, dados sobre o uso de IA no recrutamento. Outra novidade é o direito dos trabalhadores a contestar decisões baseadas exclusivamente em algoritmos. Estes podem reclamar de uma decisão no prazo de 30 dias, devendo o empregador responder por escrito. José Moreira, professor de Direito Digital, na Universidade Portucalense, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O mercado da habitação continua a aquecer e o Banco de Portugal diz que chegou a hora de o resfriar
Há oito meses, o primeiro ministro Luís Montenegro anunciou ao país um conjunto de medidas para mitigar os impactes da mais grave crise estrutural do país: a da habitação. Passado este tempo, as boas intenções de Montenegro foram duramente contestadas pela realidade. No quarto trimestre de 2025, o preço das casas disparou 17%, fazendo com que o metro quadrado em Lisboa se aproximasse dos 5200 euros. O valor mediano das casas vendidas em Portugal fixou-se em 2076 euros por metro quadrado no conjunto de 2025, o preço mais alto já registado pelo INE. Ainda assim, venderam-se quase 170 mil casas no conjunto do ano de 2025, um aumento de 8,6% em relação ao ano anterior. O preço médio por cada casa ou fracção atingiu um novo valor recorde, acima dos 250 mil euros. Como seria de esperar, o volume de crédito à habitação concedido pelos bancos em Portugal registou um crescimento enorme: Em 2025, as instituições de crédito emprestaram 23,3 mil milhões de euros destinado à habitação. Mais um máximo histórico correspondente a mais 5,9 mil milhões de crédito concedido face a 2024, em grande medida impulsionado pelo segmento jovem (até 35 anos), que beneficiou de medidas estatais como a isenção de IMT e Imposto de Selo e a garantia pública que pode chegar aos 15% do empréstimo concedido. Perante uma tendência que parece imparável e a prudência que os riscos da situação internacional reclama, em especial a evolução das taxas de juro, o Banco de Portugal decidiu que era a hora de pôr água fria na fervura de um mercado acelerado. Em curso está uma consulta aos bancos sobre a redução da taxa de esforço das famílias no pagamento das prestações de 50 para 45% - ou seja, os encargos com os empréstimos não podem ficar acima de 45% do rendimento dos seus titulares. Ao mesmo tempo, o supervisor do sistema financeiro olha com preocupação para os prazos de pagamento, que podem chegar aos 40 anos, e pede ponderação sobre a sua duração. Quererá isto dizer que chegou a hora de olhar com especial cuidado para a situação de um mercado que não para de acelerar? Terão estas medidas, se aprovadas, efeitos na baixa dos preços das casas? Haverá uma inversão na tendência a curto prazo? Estarão os bancos alerta para os riscos, ou preferirão manter o ritmo de um negócio que os ajuda a apresentar sucessivos lucros recorde? Temas para a conversa com Pedro Esteves, jornalista e editor de Economia do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Putin chegou à China, mas foi travado na Ucrânia
Algo mudou na guerra da Ucrânia. Nos dias que antecederam o desfile anual do Dia da Vitória, as autoridades russas recearam que a Ucrânia pudesse atingir a Praça Vermelha com drones. O presidente Volodymyr Zelensky declarou, ironicamente, que autorizava o desfile e comprometeu-se a não atacar. Vladimir Putin está sob pressão de uma forma que nunca esteve antes, ao mesmo tempo que a Ucrânia, habituada a pedir ajuda ao mundo, subitamente tem outros países a pedir-lhe ajuda. A Rússia tem atacado a Ucrânia de forma mortífera, mas tem sofrido ataques na região de Moscovo e às infra-estruturas de combustível e de gás. O presidente russo tem agora de se preocupar não apenas com a linha da frente na Ucrânia, mas também com a frente interna. A Rússia perdeu território ucraniano e os ganhos limitados que obteve tiveram um custo elevado: 352 mil soldados terão morrido nesta guerra até ao final do ano passado, seis vezes mais do que o número de soldados dos EUA mortos no Vietname. Vladimir Putin chegou a Pequim uns dias depois de Donald Trump. Que importância pode ter esta visita para Putin, a 25.ª desde que está no poder, no actual momento da guerra na Ucrânia? Com Trump distraído com Ormuz, é possível falar de paz? Francisco Pereira Coutinho, professor na Nova School of Law, e autor de Guerra, Mentiras e Direito Internacional – 46 questões sobre a agressão russa à Ucrânia, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Mundial de Futebol: Portugal não é favorito, mas será candidato?
Roberto Martínez anunciou ontem os 27 jogadores da selecção portuguesa que vai disputar o Mundial de Futebol no Canadá, México e EUA. A lista de convocados do seleccionador português não é surpreendente, mas a verdade é que qualquer escolha que fizesse seria alvo de discussão. Foi isso que Martínez fez na conferência de imprensa de ontem: detalhar os motivos que o levaram a escolher Gonçalo Guedes e não Paulinho, a escolher Samu Costa no lugar de João Palhinha e porque é que Ricardo Horta, Rodrigo Mora ou Pedro Gonçalves ficaram de fora. O Mundial de Futebol começa já a 11 de Junho, no estádio Azteca, na cidade do México, e termina a 19 de Julho. Martínez afasta qualquer favoritismo e acrescenta que só uma selecção que ganhou um Mundial pode ser favorita. No fundo, Portugal pode ser um candidato, mas não um favorito. Sobre o seu futuro, diz estar alinhado com a federação de futebol. Nuno Sousa, editor de Desporto e editor-executivo do PÚBLICO, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O El Niño está a chegar. Estamos preparados para um Verão quente?
O El Niño é um fenómeno natural, frequente há cerca de cinco mil anos. A sua sobreposição a um planeta a escaldar aumenta a probabilidade de batermos recordes de temperatura global. E sabemos que muitos dos anos mais quentes coincidiram com El Niños de maior intensidade. Previsões recentes indicam que o El Niño em desenvolvimento no oceano Pacífico tropical poderá ser dos mais fortes já registados e alertam para temperaturas globais recordes. Dados recentes mostram que partes do Pacífico aqueceram rapidamente, com a temperatura da superfície do mar até cerca de 0,5 graus Celsius acima do normal. Fenómenos meteorológicos extremos, devido às alterações climáticas, em conjugação com os impactos crescentes do El Niño em desenvolvimento, poderão fazer com que ocorram, neste ano, incêndios globais e fenómenos meteorológicos sem precedentes. Quanto a Portugal, podemos estar a salvo do fenómeno, mas não das alterações climáticas e de fogos de grandes dimensões. Andrea Cunha Freitas, jornalista da secção do Azul, do PÚBLICO, e que assina na edição de hoje três artigos sobre o tema, é a convidada deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Depois do Ozempic, Portugal assiste a uma nova corrida pelas injecções contra a obesidade
Na edição de hoje, o PÚBLICO traz um trabalho que nos dá conta da corrida aos novos fármacos injectáveis que reduzem a obesidade, que chegaram a Portugal em Novembro de 2024 e, se exigem receita médica, não são comparticipadas. Ainda assim, no ano em curso, os portugueses compram mais de 2300 caixas desses medicamentos e gastam 613 mil euros todos os dias. Em todo o ano passado, foram compradas mais de 500 mil embalagens e foram gastos 130 milhões de euros. Ou seja, o consumo destes fármacos inovadores está a disparar. Como em Portugal 15,9% da população sofre de obesidade, a comparticipação de medicamentos a tanta gente seria difícil de sustentar. E mesmo um cálculo para 170 mil pessoas com a taxa máxima de comparticipação, 90%, obrigaria o Estado a desembolsar mais de 900 milhões de euros por ano. Ou seja, quase metade de toda a despesa pública com medicamentos. Se a obesidade é, na avaliação da Organização Mundial da Saúde, a pandemia do século XXI, que papel deve ter o estado no seu combate? É aceitável que, no quadro actual, só as pessoas com rendimentos médios e altos possam aceder à nova geração de medicamentos contra a obesidade? E estarão estes novos fármacos injectáveis a ser prescritos apenas a pessoas obesas ou estará também em curso o seu uso generalizado por parte de pessoas que, simplesmente, querem emagrecer? Oportunidade para falarmos com Gina Pereira, autora dos textos que hoje estão acessíveis nas edições impressas e online do PÚBLICO. A Gina é editora da Sociedade do jornal.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Governo volta atrás e leva ao Parlamento as suas linhas vermelhas da reforma laboral
Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, é uma mulher de convicções. Na sua entrevista ao Jornal de Notícias, esta semana, voltou a defender as medidas da reforma da lei laboral que assinou. Essas medidas, diz a ministra, auguram um admirável mundo novo na produtividade da economia e na melhoria dos salários. Não interessa aqui discutir se a ministra tem razão na crítica que faz a uma alegada rigidez da actual lei. Nem interessa saber se tem ou não razões fundamentadas para acreditar nas virtudes da sua mudança. O que interessa é responder à questão crucial: neste formato, a lei tem condições para ser aprovada na Assembleia da República? Com o PS e o Chega a exigirem condições prévias para negociar e viabilizar a lei, o que nos diz a versão ontem aprovada em Conselho de Ministros depois de nove meses de negociações com os parceiros sociais que acabaram em fracasso? No essencial, uma coisa muito importante: o Governo mandou para o caixote do lixo os avanços que tinham sido feitos nessas negociações. E em especial, as questões mais polémicas do seu anteprojecto: a reintegração de trabalhadores despedidos sem justa causa, o outsourcing, o banco de horas, embora aqui com novidades em favor dos trabalhadores, ou a duração dos contratos com e sem termo certo. Dizer que há 50 medidas novas face à versão inicial do anteprojecto de lei, das quais 12 são da UGT, quer por isso dizer pouco. Aceitar medidas inócuas e manter as que suscitam polémica não augura nada de bom para o futuro. O impasse ou o chumbo são mais prováveis. Se não for pela antecipação da idade de reforma, uma condição que Ventura colocou em cima da mesa antes de perceber a irresponsabilidade desta medida, o Chega talvez encontre nos dias de férias ou noutro expediente maneira de viabilizar a lei. Já para o PS, aceitar o despedimento de um trabalhador mesmo que o tribunal considere esse despedimento ilícito, seria um suicídio. O que poderá então vir a acontecer nos próximos passos? O Governo pode ainda recuar para viabilizar uma negociação com o PS? Ou quererá manter a relação preferencial com o Chega? Temas para a conversa com a jornalista do PÚBLICO Raquel Martins. A Raquel integra a equipa da Economia e acompanha há anos as questões laborais.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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China e EUA entre a guerra comercial, as tréguas e os negócios
Donald Trump adiou a visita à China por causa da guerra do Irão, mas aterrou, em Pequim, num momento em que a guerra está numa zona cinzenta, que nem é de guerra, nem é de paz. Irão, Taiwan e inteligência artificial deverão ser os temas principais desta visita de dois dias do presidente dos EUA à China. Há vários negócios em perspectiva e muitas discordâncias previsíveis. Os EUA querem vender Boeings, mas o sector automóvel quer travar a entrada das viaturas eléctricas chinesas no mercado norte-americano. Trump não deve estar satisfeito com o agravamento do défice comercial com a China, em Abril. As exportações chinesas cresceram 14,1%, em termos homólogos. O prolongamento da guerra com o Irão tem pressionado os preços da energia e o custo de vida: a inflacção saltou para os 3,8% em Abril, o maior aumento desde 2023, o que levou Trump a prometer suspender, temporariamente, o imposto federal sobre os preços da gasolina. E também não deve estar satisfeito com as sondagens: a sua popularidade nunca foi tão baixa, nem no primeiro mandato. Trump estará acompanhado por empresários como Elon Musk e Tim Cook. Vamos assistir a uma nova guerra comercial ou a uma fase de tréguas entre as duas potências? Diana Soller, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa, é a convidada deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Pacote fiscal para a habitação vai aumentar ou baixar os preços das casas?
O Presidente da República promulgou, finalmente, o pacote fiscal para a habitação, com o qual o Governo pretende responder aos problemas de habitação do país. Anunciadas há vários meses, estas mudanças apostam, sobretudo, na redução de impostos para incentivar a construção e o arrendamento a preços considerados “moderados”. Entre elas, estão a redução do IVA, para uma taxa de 6%, nas obras de construção de habitação que seja vendida por um preço máximo de 660 mil euros ou arrendada até 2300 euros, bem como a diminuição do IRS, para uma taxa de 10%, sobre os rendimentos prediais que sejam obtidos por via de rendas até esse mesmo valor de 2300 euros. É com base nestes limites que o Estado oferece benefícios fiscais a proprietários e investidores, ao mesmo tempo que aumenta ligeiramente as deduções para inquilinos. O mercado de arrendamento está a crescer e as rendas a aumentar. A grande questão é se este modelo, centrado no desagravamento fiscal, será suficiente para travar a subida dos preços e aumentar a oferta — ou se, pelo contrário, os efeitos vão ficar longe do impacto prometido. É isso que vamos discutir hoje com nosso convidado de hoje, Luís Mendes, geógrafo do IGOT, da Universidade de Lisboa, e vice-presidente da Associação de Inquilinos Lisbonenses.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Reino Unido: Starmer vai conseguir adiar a guerra pela sua sucessão?
Keir Starmer, o primeiro-ministro do Reino Unido, recusa demitir-se e garante que vai enfrentar “qualquer disputa pela liderança” do Partido Trabalhista. Ontem, num discurso para rebater a pressão de que tem sido alvo, Starmer arregaçou as mangas e garantiu que não vai “virar as costas”, porque a mudança de líderes tem “um grande custo para o país”. O Labour foi o grande derrotado nas eleições autárquicas, em Inglaterra, onde perdeu 1500 vereadores, e nas legislativas, na Escócia e no País de Gales. Starmer e o seu Governo têm sido penalizados pela crescente inflacção e o consequente elevado custo de vida e pelos efeitos da nomeação de Peter Mandelson para embaixador britânico nos EUA. Nesta conjuntura, vários trabalhistas ameaçam a liderança de Starmer. Starmer tem tudo contra si. Até parte do partido. Porquê tanta impopularidade? O que é que explica a derrota do Partido Trabalhista? Neste episódio, André Pereira Matos, professor da Universidade Aberta, onde co-coordena o Mestrado em Estudos sobre a Europa, fala sobre os resultados eleitorais no Reino Unido. Siga o podcast P24 e receba cada episódio logo de manhã no Spotify, na Apple Podcasts, ou noutras aplicações para podcasts. Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para [email protected] omnystudio.com/listener for privacy information.
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Com a saída da Ryanair, os Açores tornaram-se num destino só para ricos?
Se nas últimas semanas tentou marcar uma viagem para Ponta Delgada ou para a Ilha Terceira ou dos Açores para o continente, é muito provável que tenha apanhado um susto. A prometida democratização do céu açoriano, fruto da liberalização do espaço aéreo em 2015, sofreu um revés profundo nas últimas semanas. A saída da companhia área de baixo custo Ryanair do arquipélago lançou o alerta. Com menos oferta, os preços dispararam. A crise no Médio Oriente também não ajudou. Para quem visita as ilhas, os valores tornaram-se proibitivos. Para quem vive nas ilhas, o isolamento ganha outros contornos que nem as novas regras do subsídio de mobilidade parece conseguir corrigir. Sejamos claros, a Ryanair só voava para os Açores porque o Governo regional lhe pagava. Num jogo constante entre quem dá mais, a companhia irlandesa de baixo custo preferiu outros destinos e abandonou as ilhas de São Miguel e a Terceira. Agora, para voar entre os Açores e o continente só através da TAP ou da SATA, ambas companhias públicas. Nenhuma preencheu o vazio deixado pela Ryanair e também não apareceu nenhum privado a querer cobrir estas rotas. Entretanto, um sector turístico em crescendo nos últimos anos, percebe agora que nenhum crescimento é ilimitado. Há, por estes dias, alojamentos locais que não conseguem preencher as reservas, rent-a-car a funcionar meio gás e restaurantes quase sem turistas. Hoje, vamos directos Ponta Delgada à boleia do correspondente do PÚBLICO nos Açores, Rui Pedro Paiva.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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ChatGPT inventa batalhas e engana-se nas datas quando fala de História
Um grupo de investigadores, entre os quais dois portugueses, desenvolveram um estudo internacional sobre a forma como a inteligência artificial distorce a aprendizagem da história. Neste estudo, os investigadores analisaram 3500 interacções com LLMs, sistemas de inteligência artificial capazes de entender, gerar, resumir ou traduzir texto de maneira semelhante a um humano, como é o caso do ChatGPT. A intenção era saber o que é que estes modelos de linguagem afirmavam sobre quatro conflitos internacionais e em sete línguas diferentes. No caso da Guerra Colonial, os chats de inteligência artificial inventam batalhas ou aludem a documentários inexistentes, situam a operação Nó Górdio, em Moçambique, em 1964, em vez de 1970, ou omitem a independência da Guiné-Bissau, em 1974. Estes modelos de linguagem também cometem imprecisões ou erros profundos quando se trata da guerra do Vietname, das guerras na origem da desintegração da Jugoslávia ou do conflito israelo-palestiniano. Face a conteúdo fabricado e a distorções cronológicas, dois dos investigadores que integram o grupo pedem medidas urgentes ao Governo e ao Parlamento portugueses. É com Nuno Moniz, da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, e Miguel Cardina, do Centro de Estudos Sociais, da Universidade de Coimbra, que vamos falar neste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O hantavírus é uma espécie de coronavírus?
O navio suspeito de ser um foco de hantavírus deverá chegar, nos próximos dias, ao porto de Granadilla, na ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias. Mónica García, ministra da Saúde da Espanha, disse que os 14 passageiros de nacionalidade espanhola serão transferidos de avião para um hospital militar em Madrid, onde irão cumprir quarentena, e que os restantes serão repatriados para os países de origem. O líder regional das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, opõe-se a este plano e pediu uma “reunião urgente” com o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez. Até o dia de ontem, 6 de Maio, foram identificados oito casos de hantavírus, que já causou a morte de três passageiros. Segundo a OMS, o mais provável é que a infecção de hantavírus tenha ocorrido fora do cruzeiro onde se declarou o surto. Os hantavírus são um conjunto alargado de vírus predominantes em roedores, mas que podem infectar humanos. É sobre estes vírus e as suas consequências que vamos falar com Tiago Ramalho, jornalista da secção de Ciência do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O voluntariado na Defesa não funciona, mas o Governo quer resolver o problema com um programa de voluntariado
A crise na relação com os Estados Unidos, e os seus reflexos na NATO, e o regresso da guerra à Europa, com o ataque da Rússia à Ucrânia, emitiram sinais de alarme sobre a fragilidade da defesa europeia. Em todos os governos da Europa, a questão militar ganhou uma visibilidade esquecida desde os tempos da guerra fria. Mas melhorar salários e responder à natureza da profissão militar é pouco. O efectivo das forças armadas aumentou ligeiramente, mas não o suficiente. Não há assim tantos voluntários como os que seria necessário. O Governo lançou um plano para chegar aos 27 mil militares em 2030, mas nem isso chega. É então que surge o anúncio do programa Defender Portugal, destinado aos jovens de 18 a 23 anos, com uma duração prevista entre três e seis semanas em regime de voluntariado, com um pagamento de 439 euros e a oferta da carta de condução. Objectivo, suscitar a atenção e atrair mais jovens para as forças armadas. Será isto suficiente para reequilibrar os défices de pessoal dos três ramos das forças armadas? Oportunidade para falarmos com o general Pinto Ramalho, um militar da arma da artilharia com um longo currículo e a participação em vários cursos em Portugal e no estrangeiro. Foi adjunto e chefe de gabinete de ministros da defesa, Chefe do Estado-Maior do Comando Operacional das Forças Terrestres (1996-1997), Director-Geral de Política de Defesa Nacional do Ministério da Defesa Nacional (2001-2004), Director do Instituto de Altos Estudos Militares (2004-2005) e do Instituto de Estudos Superiores Militares (2005-2006). Foi ainda Chefe do Estado-Maior do Exército entre 2006 e 2011.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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956
Depois de Sánchez, Friedrich Merz é o novo alvo da ira de Donald Trump
Num encontro com estudantes, o chanceler alemão, Friedrich Merz afirmou que “Uma nação inteira está a ser humilhada pela liderança do Irão, especialmente pelos chamados Guardas da Revolução”. A nação é a americana, a arma dos iranianos é a astúcia e o grande problema é não haver na administração Trump um plano de saída do conflito, disse o chanceler. A resposta não se fez esperar. Trump acusou Merz de não ser capaz de “arranjar o seu país”, especialmente no que diz respeito à “imigração e à energia” e de ser “totalmente ineficaz” no que toca à guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Ao seu estilo vingativo, Trump afirmou que a América vai taxar os carros europeus em 25% e promete retirar mais de cinco mil soldados estacionados na Alemanha. Merz não pode ser acusado de ser agressivo. Ao longo do seu mandato, fez parte do coro europeu do apaziguamento até quando Donald Trump agia como provocador de serviço. Voltou a mostrar o mesmo tom. Mas lá foi dizendo que a guerra no Irão deve acabar e que a Europa está a pagar por um erro que não cometeu. Estará em curso a transformação de Merz num líder mais assertivo e condizente com o papel que a Alemanha representa na Europa e no mundo? Vale a pena olhar para o personagem e indagar se está em curso uma mudança, ou melhor, que mudança está a acontecer em Berlim. Depois de prometer criar o maior exército convencional na Europa, chegando até a enterrar o sacrossanto compromisso com o défice para elevar a despesa militar para 86 mil milhões de euros este ano, Merz continua a ser uma voz empenhada e activa na redefinição do papel da Europa num mundo com a parceria transatlântica esfrangalhada. Apesar de o seu poder ser trémulo no plano interno, com taxas de aprovação popular baixas e perspectivas sombrias para as eleições estaduais deste ano, Merz está a retirar Berlim e a Alemanha da condição de parceiro envergonhado e a falar cada vez mais alto, embora sempre em articulação com os parceiros europeus. Será este conflito verbal com Trump uma prova dessa nova atitude mais afirmativa da Alemanha? Estará a Alemanha pronta para interpretar o sentimento geral dos europeus em relação a Trump e a seguir o discurso desafiante do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez. Oportunidade para falarmos com Mónica Dias, Doutorada em Ciência Política e Relações Internacionais e Directora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. No seu longo currículo académico consta a docência na Universidade alemã de Colónia.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O Estado já dá os livros aos alunos. Também deveria dar as refeições
As refeições servidas aos alunos nas escolas portuguesas têm originado várias discussões nos últimos meses. Para começar com o caso da escola dos Salesianos, em Março, quando se soube que os alunos que pagam mensalidades tinham acesso a comida diferente dos que frequentam a escola com o apoio financeiro do Estado. Ou com um estudo da Universidade do Minho, do mesmo mês, segundo o qual 64% dos municípios portugueses se queixavam que as verbas do Ministério para refeições escolares só davam para pagar 80% do seu custo efectivo. Ou, ainda no mesmo mês, com uma nota da Ordem dos Nutricionistas, que alertava para a impossibilidade de se garantir uma dieta equilibrada aos alunos com os 2,99 euros que o Estado paga por cada refeição. Na sequência da polémica dos Salesianos e do alerta do estudo da Universidade do Minho, o ministro da Educação, Fernando Alexandre disse, como ouvimos no registo do início deste episódio do P24, que o Governo estava a estudar o problema. No início do próximo ano lectivo, disse o ministro, talvez haja novidades sobre o valor que o Estado paga pelas refeições escolares. Mas, entretanto, há um dado novo que vai certamente entrar na discussão: as conclusões de um relatório europeu que recomenda aos Estados Membros refeições gratuitas para todos os alunos, e não apenas para os mais carenciados, como acontece em Portugal. Sabendo-se que entre nós há crianças que só comem uma refeição quente por dia, a que lhes é dada na escola, o tema das cantinas, da qualidade ou da apresentação da comida que lá é fornecida merece uma profunda discussão. Se é a escola é a principal rede de garantia para que todas as crianças tenham uma efectiva igualdade de oportunidades, procurar novas soluções, ou recursos para a condição básica dessa igualdade, a alimentação, é fundamental. Avaliar e discutir as conclusões desse relatório é, por isso, um bom passo para se repensar o que os nossos alunos comem, como comem e que papel tem de ter o Estado na garantia de que os mais carenciados não são prejudicados pelas restrições financeiras do ministério. O nosso episódio de hoje tem como objectivo acrescentar ingredientes a este debate. Para o efeito, convidámos a jornalista Patrícia Carvalho, da secção de sociedade do PÚBLICO, que assina hoje dois textos no jornal onde se explicam e contextualizam os eixos essenciais deste relatório europeu. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Porque é que o seguro de habitação deve ser obrigatório?
O Governo vai criar um fundo de catástrofes naturais e sísmicas para ajudar quem não conseguir pagar um seguro obrigatório para a habitação. Esta proposta faz parte do plano final do Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), que prevê um investimento de 22,6 mil milhões de euros, para fazer face às consequências dos elevados prejuízos causados pelas tempestades, com destaque para a Kristin. A medida foi bem recebida pela Associação Portuguesa de Seguradores. O seu presidente, José Galamba de Oliveira, elogiou este seguro obrigatório, que será também exigido para instalações das empresas, apoiado por um mecanismo para garantir o seu acesso universal. Mas o presidente da Associação Lisbonense de Proprietários, Luís Menezes Leitão, considera que um fundo de catástrofes naturais e sísmicas associadas a um seguro deste género é “escandaloso”. No parlamento, a IL, PCP e BE dizem que o Governo está a fazer propaganda e o Livre elogiou a ideia de criar uma agência temporária para coordenar a execução do plano. O Chega diz que este programa é “marketing”. Faz sentido que o seguro de habitação seja obrigatório? É o que vamos perguntar ao convidado deste episódio, Paulo Fonseca, assessor jurídico da DECO e perito do Comité Económico e Social Europeu.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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953
Sem a luz da transparência, financiamento dos partidos fica condenado à escuridão das suspeitas
Numa recente intervenção no programa da CNN Portugal "O Princípio da Incerteza", Alexandra Leitão fez o resumo perfeito de uma polémica cujo desfecho terá enormes consequências nos próximos capítulos de uma democracia ameaçada pela suspeita tóxica dos extremismos. O que está em causa é simples: queremos uma democracia transparente, na qual quem tem o privilégio republicano de servir o país e os partidos que os representam está disposto a ser escrutinado? Ou, em nome de interesses ou opiniões pessoais, certamente legítimas, vamos deixar criar uma zona de sombra sobre questões importantes como as que nos permitem saber quem financiou os partidos? Esta polémica tem uma história. Grave. Tudo começa quando alguns partidos e políticos comunicaram à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos que, não se opondo à fiscalização das suas contas, exigiam que o nome das pessoas que os financiam não fosse revelado. Em defesa do seu pedido, invocavam o famoso RGPD, o Regulamento Geral de Protecção de Dados. Perante esta exigência, a Entidade pediu esclarecimentos à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA). Que, num parecer burocrático, falho de ponderação e sem cuidar da proporcionalidade do conflito de direitos que está em causa, concordou com a ocultação. O caso soube-se quando um jornalista do Público procurou informações sobre financiadores de um partido e teve como resposta, um não. A tentativa de ocultar os financiadores dos partidos mergulha a democracia num limbo propício à especulação e à suspeita – dois ingredientes preciosos para o discurso da extrema direita. E surge num contexto em que as dúvidas sobre a idoneidade dos políticos se agravam – uma situação perniciosa que o presidente da AR tentou expor de forma desastrada no seu discurso do 25 de Abril. Em especial porque sugere uma continuidade com as tentativas do primeiro-ministro em não revelar dados sobre a sua empresa Spinumviva. Todos os partidos da oposição estão de acordo com a necessidade de legislar para garantir a transparência e bloquear o parecer da CADA. O PSD não se pronuncia, mas António Leitão Amaro já disse estar de acordo com o Presidente da República na defesa da transparência. O que está em causa é o comportamento sofrível de Portugal no Índice de Transparência Internacional (48ª posição entre 182 países). Ou a deficiente aplicação em Portugal das regras do Grupo de Estados contra a Corrupção (GRECO) que estão contempladas na Estratégia Nacional Anticorrupção 2025-2028. Arrastar os pés ou recuar na transparência, que consequência pode ter numa matéria tão sensível como o combate à corrupção? Que impacte pode ter esta polémica na percepção pública que degrada a imagem de Portugal à categoria de país corrupto? Oportunidade para conversar com José Fontão, sociólogo, director na área de Prevenção do Branqueamento de Capitais da PwC e líder da Transparência Internacional em Portugal.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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952
Irão, de que serve esta guerra dois meses depois?
Há dois meses, Israel e EUA bombardearam o Irão e iniciaram uma guerra com impacto em todo o mundo. O Irão propôs um acordo aos EUA para abrir o estreito de Ormuz e adiar a questão do nuclear para uma fase seguinte. Os EUA cancelaram a viagem de Witkoff e Kushner até ao Paquistão. Quem terá mais pressa em chegar a um acordo? O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, esteve no Paquistão, em Omã e chegou ontem à Rússia. O regime não só se manteve como dá sinais de não estar isolado. Após o cessar-fogo tenso de 8 de Abril, vivemos numa “paz armada”. A ascensão de Mojtaba Khamenei ao poder em Teerão radicalizou o regime iraniana, que manteve o Estreito de Ormuz bloqueado e a economia mundial refém. No terreno, as forças israelitas consolidaram a ocupação do sul do Líbano até o Rio Litani. As estimativas indicam que o conflito já envolveu mais de 5 mil mortos em dez países, com o Irão e o Líbano a concentrarem o maior número de vítimas civis e militares. Além disso, a ONU alerta para uma crise de deslocamentos sem precedentes, com 4 milhões de pessoas obrigadas a abandonar suas casas. Tiago André Lopes, professor de Estudos Asiáticos e Diplomacia na Universidade Lusíada do Porto, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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951
Imigrantes do Sul da Ásia: muito visíveis para uns, mas invisíveis para o poder
O PÚBLICO inicia hoje a publicação de uma série de trabalhos chamada Filhos da migração sul-asiática, histórias para lá dos números, da autoria da jornalista Joana Gorjão Henriques. Nestas reportagens, vamos ouvir jovens da Índia, Bangladesh, Nepal e Paquistão, que vivem em Portugal. Não são retratos de comunidades, nem estatísticas sobre imigração. São histórias individuais que ajudam a compreender a vida para lá dos números. Vindos de quatro países política e historicamente distintos, estes jovens partilham um território de origem comum (o Sul da Ásia) e experiências semelhantes no país de acolhimento. Pertencem a comunidades pouco estudadas, marcadas pelo desconhecimento e por vários estigmas. Nos últimos anos, tornaram‑se mais visíveis no espaço público, sobretudo como alvo de campanhas políticas, discursos de ódio e ataques da extrema‑direita. Em contraste, permanecem largamente invisíveis nos lugares de poder e de decisão. São comunidades fundamentais para a economia portuguesa, presentes em vários sectores da mão‑de‑obra. Ainda assim, pouco se sabe sobre o seu quotidiano, as suas escolhas e expectativas. O primeiro episódio começa pela Índia, o país com a relação migratória mais antiga com Portugal e, hoje, a segunda maior comunidade imigrante residente no país. A jornalista do PÚBLICO Joana Gorjão Henriques é a convidada deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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