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EPISODE · Jul 31, 2019 · 52 MIN

O Teatro do Absurdo

from Estado da Arte

“A vida é uma mera sombra errante, um pobre ator que desfila e desfalece em sua hora no palco e depois já não é mais ouvido: é um conto contado por um idiota, cheio de som e fúria, que não significa nada”. Nos anos 50, após Auschwitz e Hiroshima, esse célebre lamento de Macbeth parecia mais preciso do que nunca. Enquanto o Globo era dividido por uma cortina de ferro, um dramaturgo confessava: Jamais consegui me acostumar completamente à existência, nem à do mundo, nem à dos outros, nem, acima de tudo, à minha própria. Às vezes sinto que as formas são repentinamente esvaziadas de seu conteúdo, a realidade é irreal, palavras são ruídos despojados de qualquer sentido. . . . E não obstante, aqui estou, cercado pela aura da criação, incapaz de agarrar a fumaça, entendendo nada, desorientado, arrancado de não sei quê que me faz sentir que não tenho nada. Ao materializar o seu drama íntimo no palco, Eugène Ionesco, assim como Samuel Beckett, Arthur Adamov, Harold Pinter e outros de sua geração, criaram peças incendiárias para a cena teatral. Um jornalista reagiu assim: Se uma peça bem feita deve ter uma estória construída, essas não têm estória nem enredo; se uma peça bem feita é avaliada pela sutileza da caracterização, essas frequentemente não têm personagens reconhecíveis e oferecem à plateia quase marionetes mecânicas; se uma peça bem feita deve ter um tema explicável, exposto com nitidez e ao fim solucionado, essas não costumam ter começo nem fim; se uma peça bem feita ergue um espelho ante a natureza retratando as maneiras e maneirismos da época em cenas articuladas, essas com frequência parecem ser reflexos de sonhos e pesadelos; se uma peça bem feita se baseia em réplicas espirituosas e diálogos aguçados, essas muitas vezes consistem em balbucios incoerentes. Longe de desmoralizá-las como peças “mal feitas”, contudo, Martin Esslin pretendia despertar o público para uma poderosa linguagem poética, a mais capaz de exprimir os dramas de seu tempo e, por isso mesmo, de transcendê-lo. O termo que cunhou – “Teatro do Absurdo” – exerceria desde então um magnetismo irresistível em nosso imaginário cultural. E embora esses autores jamais tenham formado fila sob um manifesto ou programa comum, acabariam estereotipados como expoentes máximos do vanguardismo. Ironicamente, não há traço em suas obras do desprezo à tradição característico das contraculturas. Ao contrário: segundo Ionesco, O que as pessoas chamam vanguarda só interessa na medida em que marca um retorno às fontes, somente se se integra a uma tradição viva, atravessando um tradicionalismo esclerosado e um academicismo desgastado. . .  O trabalho de todo autêntico criador consiste em se livrar dos detritos, dos clichés de uma linguagem degradada, a fim de encontrar uma linguagem recém nascida, simplificada, essensializada, capaz de exprimir realidades novas e velhas, presentes e passadas, vivas e permanentes, particulares e, ao mesmo tempo, universais. As obras de arte mais jovens e novas são reconhecíveis, e falam a todas as idades. Sim, é o Rei Salomão o meu verdadeiro líder, e Jó – esse contemporâneo de Beckett. Convidados Fábio de Souza Andrade: professor de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo e autor de Samuel Beckett: o silêncio possível. Luiz Fernando Ramos: professor de Crítica, História e Teoria do Teatro na Universidade de São Paulo e autor de O Parto de Godot e Outras Enceneções Imaginárias. Viviane da Costa Pereira: doutora em literatura francesa pela Universidade de São Paulo com a tese Ionesco crítico. O post O Teatro do Absurdo apareceu primeiro em Estado da Arte.

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O Teatro do Absurdo

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Das denkt Deutschland – Über Meinung und Medien WELT Wie unterscheidet sich die Generation Z tatsächlich vom Rest der Bevölkerung? Wendet sich die Politik von den Menschen ab, oder die Menschen sich von der Politik? Und tickt die Bevölkerung in Ost- und Westdeutschland immer noch unterschiedlich?In "Das denkt Deutschland" sprechen Thorsten Thierhoff, Geschäftsführer des Meinungsforschungsinstitutes forsa, und WELT-Chefredakteur Ulf Poschardt jede Woche über das Auseinanderdriften von öffentlicher und veröffentlichter Meinung. Anhand von konkreten Themen und auf Basis von empirischen Befragungsdaten widmen sie sich in jeder Folge den aktuellen Debatten."Das denkt Deutschland - Über Meinung und Medien" erscheint jeden Mittwoch um 16 Uhr – überall da, wo es Podcast gibt und auf welt.de/dasdenktdeutschland. Ein Podcast von forsa und WELT. Alben für die Ewigkeit audiowest, Freddy Kappen, Stephan Kleiber, Dieter Kottnik Es gibt Alben, die sind etwas Besonderes. Da ist nicht einfach nur Musik drauf – sondern Musik, die bleiben wird. Vielleicht für immer. Es sind Alben, die die Geschichte der Rock- und Popmusik um entscheidende Entwicklungen bereichert haben. Die nicht nur Erfolg, sondern auch Wirkung haben. Und hier stellen wir sie vor.Bei uns könnt Ihr zeitlose Klassiker der Musikgeschichte kennenlernen. Oder sie noch einmal neu erleben und sozusagen ein zweites Mal kennenlernen. Ihr erfahrt die Geschichten, die hinter diesen Alben stecken: Wann und wo sind sie entstanden? Was lässt sie hervortreten aus der Menge? Warum sind sie so, wie sie sind? Und was ist das Besondere an ihnen? Und: Natürlich spielen wir auch Musik. Jede Menge sogar — denn darum geht‘s ja bei uns. Efecto Doppler RTVE Ciencia, arte, música, activismo, fotografía, ensayo y cultura pop. Desciframos la realidad y un mundo en cambio constante desde otras perspectivas. Be-Tales, un grande racconto sui Beatles Radio Beckwith Una canzone dei Beatles al giorno. Storie e approfondimenti sull'intramontabile parabola dei Fab Four. Scritto e condotto da Gigi Giancursi.

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This episode was published on July 31, 2019.

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“A vida é uma mera sombra errante, um pobre ator que desfila e desfalece em sua hora no palco e depois já não é mais ouvido: é um conto contado por um idiota, cheio de som e fúria, que não significa nada”. Nos anos 50, após Auschwitz...

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